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Índice de sobrevivência de Opuntia fícus indica L. (Mill) CACTACEAE

Índice de sobrevivência de Opuntia fícus indica L. (Mill) CACTACEAE em áreas degradadas do Seridó Paraibano

Frederico Campos Pereira1; Claudio Augusto Uyeda1; Anny Kelly Vasconcelos de Oliveira Lima2; Paulo Roberto Megna Francisco3; Carisa Rocha da Silva4; Aldenice Amélia Dantas Moreira4

1Professores do Curso Superior em Agroecologia do IFPB. fredcampos2000@yahoo.com.br; cauyeda@gmail.com 2Bolsista Pesquisadora do Instituto Nacional do Semiárido-INSA. annykellynhav@hotmail.com 3Doutorando em Engenharia Agrícola da UFCG. paulomegna@ig.com.br 4Graduandos do Curso Superior em Agroecologia do IFPB. carisarochasilva@gmail.com; aldeniceamelia@gmail.com

Resumo: Áreas do Seridó paraibano vêm sofrendo com os efeitos da degradação antrópica, levando a uma rápida degradação do seu solo sob exploração agrícola e exposição devido ao desmatamento desenfreado que alimenta a atividade ceramista local. Nesse contexto Picuí necessita desenvolver de forma sustentável suas atividades econômicas com vistas a barrar o avanço da degradação de suas matas e de seus solos, bem como recuperar áreas degradadas e reformular seu arranjo produtivo local de modo a alcançar índices satisfatórios de sustentabilidade. O objetivo deste trabalho foi avaliar o desenvolvimento da palma forrageira plantada em áreas degradadas por diversas formas de ações antrópicas e fazer uma correlação entre os índices de sobrevivência, a forma da degradação e a pluviosidade média da região no período de 270 DAP da cultura. Com os resultados pode-se observar que a palma forrageira conseguiu atingir 100 % de sobrevivência na área antropizada por monocultura e na degradada pela retirada da cobertura superficial para estrada. Na área do lixão obteve a média de 89,5 % e a de mineração 77,5%. Os dados de precipitação pluvial demostram elevada variabilidade mensal afetando a disponibilidade de água para a cultura em estudo. Conclui-se que a palma forrageira pode ser utilizada como uma ferramenta em programas de recuperação de áreas degradadas em regiões semiáridas, devido seus altos índices de sobrevivência e por suportarem um déficit hídrico nas fases iniciais de seu desenvolvimento.

potencial de produção de fitomassa nas condições ambientais do semiarido. Destaca-se por ser de elevado valor energético, com nutrientes digestíveis totais (NDT) de 63% (MELO et al., 2003), persistente à seca, com elevada eficiência de uso de água e amplamente incorporada ao processo produtivo da região. De composição química variável segundo a espécie, idade, época do ano e tratos culturais, a palma é um alimento com alto teor de água, rico em carboidratos não fibrosos, alto teor de cinzas, embora possua baixos teores de proteína bruta e fibra em detergente neutro. (FERREIRA, 2005) Áreas do Seridó paraibano vêm sofrendo com os efeitos da degradação antrópica, levando a uma rápida degradação do seu solo sob exploração agrícola e exposição devido ao desmatamento desenfreado que alimenta a atividade ceramista local. No mundo, especialmente nos países tropicais em desenvolvimento, despertou nas últimas décadas a preocupação com a qualidade do solo e a sustentabilidade da exploração agrícola e os processos extrativistas. Desde então, vários conceitos de qualidade do solo foram propostos, o melhor deles, porém, define a qualidade do solo como sendo a sua capacidade de manter a produtividade biológica, a qualidade ambiental e a vida vegetal e animal saudável na face da terra. Ou seja, devemos produzir, mas utilizando sistemas de manejo que observem esses aspectos, o que não ocorre em diversos locais de nosso semiárido, onde o extrativismo predatório e não conservacionista, consegue acelerar os processos de degradação, podendo evoluir A Paraíba aparece como o segundo Estado nordestino com o maior número de municípios incluídos na área do semiárido. De acordo com os dados do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca - PAN Brasil (2004), pelo menos 150 municípios paraibanos (região semiárida), cerca de 67,26%, estão susceptíveis à desertificação. Dessa forma, Já no que se refere à Microrregião do Seridó Oriental paraibano, a área apresenta, segundo Schenkell e Mattalo Júnior (1999), quanto ao grau de susceptibilidade à Desertificação, sete municípios (2.345,3 km2) com grau muito alto - no qual encontra-se o município de Picuí - e dois municípios (217,8 km2) com alto grau de susceptibilidade, contabilizando 62.176 habitantes afetados. Na região do Seridó, segundo Vasconcelos Sobrinho (1974), a degradação da cobertura vegetal e do solo havia alcançado a condição de irreversibilidade, sendo, portanto, um dos núcleos de Picuí insere-se nesse contexto como sendo um município que necessita desenvolver de forma sustentável suas atividades econômicas com vistas a barrar o avanço da degradação de suas matas e de seus solos, bem como recuperar áreas degradadas e reformular seu arranjo produtivo local de modo a O objetivo deste trabalho é avaliar o desenvolvimento da palma forrageira plantada em áreas degradadas por diversas formas de ações antrópicas e fazer uma correlação entre os índices de sobrevivência, a forma da degradação e a pluviosidade média da região no período de 270 DAP (9 meses) da cultura.

cuja camada superficial do solo foi retirada para construção de estrada (BR 104); e uma área de Todas as áreas foram mapeadas com auxílio de aparelho de GPS (Global Position System) e devidamente localizadas posicionando-as em referência a cidade de Picuí. Em cada área foram instaladas uma parcela de 10,0 x 10,0 m e plantadas com palma forrageira gigante (Opuntia fícus indica, L. Mill), obedecendo a um espaçamento de 1,0 x 0,5 m, totalizando 200 plantas por parcela. Essas parcelas foram subdivididas em 4 quadrantes (A, B, C, D) com 50 plantas cada e após 270 dias de plantio foram observadas quantas plantas sobreviveram por quadrante ou por Por ocasião do plantio, a posição do artículo, que é um cladódio, também chamado de raquete e de ?folha? pelo produtor, foi plantada de forma vertical dentro da cova, com a parte cortada da articulação voltada para o solo, plantada na posição da menor largura do artículo, obedecendo à curva de nível do solo. O espaçamento utilizado foi o 1,0 x 0,5 m considerado adensado por alguns autores. A adubação orgânica foi realizada utilizando-se 1 kg de esterco bovino curtido por cova. Não foi aplicado nenhum trato cultural, tendo em vista que a área foi cercada para impedir a estrada de animais que poderiam danificar a palma e também como forma de observar o crescimento da palma e a regeneração natural da área degradada. Também não foi efetuado nenhum tipo de irrigação, nem O plantio foi realizado entre os meses de agosto e setembro de 2011, nas diversas áreas citadas. Os índices pluviométricos foram medidos através de pluviômetros de calha instalados em cada uma das quatro áreas gerando um pluviograma (Figura 1). Os índices da estação da CAGEPA, que são coletados e faz parte do banco de dados da AESA, apresentam pequena variação pelo fato de ser apenas um ponto de coleta de dados, mesmo assim apresentando um total de 115,7 mm para os meses estudados.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Como pode-se obsevar, mesmo com índices pluviométricos baixíssimos a palma forrageira conseguiu atingir um alto índice de sobrevivência em todas as áreas em que as parcelas foram instaladas, destacando-se a área degradada por agricultura e por construção de estrada que atingiu índices médios de 100 %. A área que obteve o menor índice foi a degradada por mineração de quartzo que apresentou um índice de sobrevivência médio de 77,5 %.

Figura 1. Pluviograma com dados obtidos através da média de 4 de pluviômetros de calha instalados em 4 regiões onde implantou-se as parcelas da palma forrageira, e os dados oficiais da AESA coletados em apenas 1 ponto de coleta na CAGEPA de Picuí.

No transcurso do período experimental de 270 DAP (nove meses), a chuva acumulada foi de 115,7 mm, com os dados obtidos da AESA, e de 97 mm obtidos através da média dos 4 pluviômetros instalados em áreas distintas na zona rural do município. Os dados de precipitação pluvial de julho de 2011 a abril de 2012 (Figura 1), demonstram elevada variabilidade mensal afetando a disponibilidade de água para a cultura em estudo. Ressalta-se ainda, a predominância de chuvas de baixa intensidade. Esse fato e também agravado pelo alto potencial de evapotranspiração da região, somando-se a Os índices de sobrevivência da palma forrageira foram bastante significativos em todas as áreas em estudo, com destaque para a área antropizada por monocultura e degradada pela retirada da cobertura superficial para estrada que obtiveram 100 % em seus índices. Já a área do lixão obteve a média de 89,5 % e a de mineração 77,5 % sendo a que apresentou o menor índice de sobrevivência, conforme pode-se observar na tabela 1, onde constam as médias de sobrevivência por parcela que estão representados e diferenciada por tons de cinza de acordo com a origem da degradação das áreas estudadas.

Tabela 1 ? índices de sobrevivência da Opuntia fícus indica em diversas áreas antropizadas. Tipo de Degradação Índice de Sobrevivência da Palma (%) Agricultura/Monocultivo 100 Resíduos Sólidos/Lixão 89,5 Construção de Estradas 100 Mineração/Quartzo 77,5 A alta variabilidade temporal da distribuição pluvial e de outros fatores climáticos, em áreas semiáridas, é de grande significação ecológica e sem dúvida um fator limitante a adaptação e produção das espécies. O índice de sobrevivência e o crescimento vegetativo está fortemente relacionado ao conteúdo de água no solo, em virtude dos principais processos fisiológicos e bioquímicos serem dependentes de água, a exemplo da fotossíntese, respiração, transpiração e absorção de nutrientes Mesmo em áreas visivelmente degradadas as respostas foram satisfatórias como observa-se na figura 2 onde os índices de sobrevivência foram considerados alto (100 %). Vê-se inclusive a formação de novos artículos, indicando que pode haver também a oferta forrageira para arraçoamento de bovinos e caprinos, sendo alternativa para a fixação e geração de renda para o camponês que vive na região.

Figura 2: Palma Plantada em área degradada por retirada da camada superficial do solo para construção de estrada.

A palma forrageira pode ser utilizada como uma ferramenta em programas de recuperação de áreas degradadas em regiões semiáridas, devido seus altos índices de sobrevivência em áreas inóspitas, de solos rasos e pobres e que sofreram algum tipo de antropização, além de suportarem um déficit hídrico nas fases iniciais de seu desenvolvimento.

AGRADECIMENTOS REFERÊNCIAS AESA. Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba. João Pessoa, 2011. Disponível em: Acesso: 20 de outubro de 2011.

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