A place to share and follow research Submit an Article or Content File →

Indústrias do Viidro

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

POLO UNIVERSITÁRIO DE VOLTA REDONDA

ESCOLA DE ENGENHARIA INDUSTRIAL E METALÚRGICA DE VOLTA REDONDA

INDÚSTRIAS DO VIDRO

CAMILA REZENDE

ELINE CONCEIÇÃO

LAILA LABORÃO

LUAN MARTINS

NATÁLIA PIRES

RAFAEL SEABRA

RAMONA RODRIGUES

TEREZA MANSUR

THIAGO MOZER

Processos Industriais

Volta Redonda

2011

Sumário

História 4

O que é o vidro 5

Usos e Economia 6

Fabricação 8

Composição 8

1. Silicatos alcalinos 8

2. Vidro de sódio e cálcio 8

3. Vidros de Chumbo 9

4. Vidros de borossilicatos 9

5. Cerâmica de vidro 9

6. Vidros de alumina e sílica 9

7. Vidros especiais 9

a. Vidro colorido 9

b. Vidros opalinos ou translúcidos 9

c. Vidro de sílica fundida ou vitrosa 10

d. Vidros de segurança 10

e. Fibras de vidro 10

Matérias-Primas 10

Reações Químicas 12

Métodos de fabricação 13

1. Fusão 13

Os fornos de cadinhos 13

No forno-tanque 13

2. Conformação e moldagem 14

a. Vidro de janela 15

b. Chapa de vidro 15

c. Vidro por flutuação 16

d. Vidro por aramado e vidro fantasia 16

e. Vidro soprado 17

f. Vidro prensado 20

g. Bulbos de lâmpada 21

h. Tubos de televisão 22

3. Recozimento 25

4. Acabamento 25

Fabricação de vidros especiais 25

1. Vidro de sílica fundida (ou Sílica vitrificada) 25

2. Vidros a alta sílica 26

3. Vidro cerâmico 26

4. Vidro de segurança 27

a. Vidro temperado 27

b. Vidro laminado 28

5. Vidro fotossensível 29

6. Os vidros a silicato fotocrômicos 29

7. Vidro Ótico 30

Conclusão 31

Bibliografia 31

Indústrias do Vidro

O vidro é um material tão comum em nossas vidas que, muitas vezes, nem percebemos o quanto ele está presente. Porém, basta olharmos à nossa volta com um pouco de atenção e vamos encontrá-lo nas janelas, nas lâmpadas, na mesa de refeições, na forma de garrafas, copos, pratos, travessas.

História

Como no caso de muitos outros materiais de uso comum da nossa civilização moderna, a descoberta do vidro é muito obscura. Uma das referências mais antigas a este material encontra-se em Plínio, que conta a história bem conhecida da sua descoberta por mercadores fenícios, que estavam cozinhando num vaso colocado acidentalmente sobre um pedaço de trona, numa praia. A combinação entre a areia e o álcali chamou a atenção dos mercadores e levou às tentativas de reproduzir o resultado. Já em 6000 ou 5000 a.C., os egípcios fabricavam falsas gemas de vidro, algumas de bela feitura artesanal e significativa beleza. O vidro de janela é mencionado no ano 290 d.C. O cilindro do vidro de janela soprado foi inventado por um monge, no século XII. Durante os tempos medievais, Veneza tinha o monopólio de centro da indústria de vidro. Somente no século XV o uso de vidro de janela se tornou geral. Até o século XVI não se fabricava vidro na Alemanha ou na Inglaterra. A chapa de vidro apareceu, como produto laminado, na França, em 1688.

As fábricas de vidro, nos Estados Unidos, foram fundadas em 1608, em Jamestown, Virgínia, e em 1639, em Salem, Massachusetts. Durante mais de três séculos a partir destas datas, os processos eram praticamente todos manuais e empíricos. Do ponto de vista químico, a única melhoria durante este período limitou-se à purificação das matérias-primas e a um aumento da economia de combustível. Certamente, entretanto, foram estabelecidas algumas relações entre a composição química dos vidros e as respectivas propriedades óticas e físicas; no seu todo, porém, a indústria anterior a 1900 era uma arte, com fórmulas secretas ciumentamente guardadas e processos empíricos de manufatura baseados primordialmente na experiência.

Em 1914, foi desenvolvido na Bélgica o processo Fourcault de fabricação contínua de folha de vidro. Durante os 50 anos seguintes, os engenheiros e cientistas efetuaram modificações no processo de fabricação da folha, visando a reduzir a distorção ótica, característica dos vidros de janela, e a baixar o custo de produção do vidro plano esmerilhado e polido. Estes esforços levaram ao estágio mais moderno da tecnologia de produção do vidro plano. Na base de conceitos patenteados nos Estados Unidos, em 1902 e 1905, um grupo de pesquisa da Inglaterra aperfeiçoou o processo da chapa flutuante. Em apenas 10 anos, a folha de vidro obtida por flutuação quase que eliminou a chapa obtida por outros processos e invadiu significativamente o mercado de vidro de janela. Em número crescente, cientistas e engenheiros começaram a participar dos esforços no setor, e novos produtos apareceram em conseqüência de pesquisas intensas. Inventaram-se máquinas automáticas para a produção de garrafas, de bulbos de lâmpadas etc.

A primeira fábrica de vidro brasileira foi em Salvador, em 1810, por Francisco Ignácio de Siqueira Nobre com o nome de Real Fábrica de Vidros da Bahia segundo o modelo da Real Fábrica da Marinha Grande de Portugal, contudo a brasileira logo fechou atingida pelos conflitos da independência.

Apenas no início do século 20 que completou a transição de rótulas por folhas de vidro ou janelas envidraçadas. No entanto, a implantação de um fábrica de vidro no Brasil durante todo esse processo foi em vão, muitos eram os problemas econômicos e as tensões políticas no Brasil, o vidro continuava a vir da Europa.

Por fim, depois do Brasil se desvencilhar de Portugal, passa a ter contato com a corte francesa e assim, o aparecimento de vidros à francesa e a construção de sobrados e palacetes em estilo neoclássico de grandes janelas envidraçadas, bem como os cristais belgas.

Em 1882 foi criada a primeira indústria brasileira de vidros, a Fábrica Esbérad, produtora de vidros de embalagem. Em São Paulo, nascia a Companhia Vidraria Santa Marina, por ilustres empresários paulistanos, a partir deste momento outras começaram a aparecer como a Cisper, em 1916 e a Nadir Figueiredo, em 1933.

A década de 30 é marcada pela modernização industrial, é o Período Vargas. O que começou nos anos 30, completa-se nos anos 40 o vidro está presente em grandes construções, é a modernização urbano-industrial do Brasil. Depois desses períodos o Brasil começou a crescer, deu-se a industrialização e além de uma produção importante de vidro de embalagem, tivemos o aparecimento de empresas de grande porte do vidro plano e atualmente uma produção artística do vidro, com designers especializados em criar arte em vidro.

O que é o vidro

É uma substância inorgânica, homogênea e amorfa, obtida através do resfriamento de uma massa em fusão até atingir a rigidez, sem formar cristais. Suas principais qualidades são a transparência e a dureza.

O vidro distingue-se de outros materiais por várias características: não é poroso nem absorvente, é ótimo isolador elétrico, possui baixo índice de dilatação e condutividade térmica, suporta pressões de 5.800 a 10.800 Kg/cm². Estas propriedades desejáveis conduzem a um grande número de aplicações. No entanto, o vidro geralmente é frágil, quebra-se com facilidade. Existem muitos tipos de vidros que apesar de partirem da mesma base, possuem composições diferentes, de acordo com a finalidade a que se destinam.

Dentre as principais vantagens do vidro está o fato dele ser 100% reciclável, ou seja, ele pode ser usado e posteriormente utilizado como matéria-prima na fabricação de novos vidros infinitas vezes sem perda de qualidade ou pureza do produto. Outras importantes vantagens são a versatilidade, impermeabilidade e o fato de ser higiênico por não absorver as substâncias que entram em contato com ele. Entre as desvantagens podem-se citar sua fragilidade, o peso relativamente grande, dificuldade no fechamento hermético e dificuldade de manipulação.

Usos e Economia

Os usos e as aplicações do vidro são muito numerosos devido à versatilidade desse material. Os vidros podem ser divididos em quatro grandes grupos:

TiposAplicações
Vidro para embalagensgarrafas, potes, frascos e outros vasilhames fabricados em vidro comum nas cores branca, âmbar e verde;
Vidro planovidros de janelas, de automóveis, fogões, geladeiras, microondas, espelhos;
Vidros domésticostigelas, travessas, copos, pratos, panelas e produtos domésticos fabricados em diversos tipos de vidro;
Vidros técnicoslâmpadas incandescentes ou fluorescentes, tubos de TV, vidros para laboratório, para ampolas, para garrafas térmicas, vidros oftálmicos e isoladores elétricos.

Uma das razões de o vidro ser tão popular e duradouro, talvez esteja na sua análise, pois os vidros mais comuns, aqueles usados para fazer os vidros planos e embalagens têm uma composição química muito parecida com a da crosta terrestre.

TiposAplicações
Vidro para embalagensgarrafas, potes, frascos e outros vasilhames fabricados em vidro comum nas cores branca, âmbar e verde;
Vidro planovidros de janelas, de automóveis, fogões, geladeiras, microondas, espelhos;
Vidros domésticostigelas, travessas, copos, pratos, panelas e produtos domésticos fabricados em diversos tipos de vidro;
Vidros técnicoslâmpadas incandescentes ou fluorescentes, tubos de TV, vidros para laboratório, para ampolas, para garrafas térmicas, vidros oftálmicos e isoladores elétricos.
TiposAplicações
Vidro para embalagensgarrafas, potes, frascos e outros vasilhames fabricados em vidro comum nas cores branca, âmbar e verde;
Vidro planovidros de janelas, de automóveis, fogões, geladeiras, microondas, espelhos;
Vidros domésticostigelas, travessas, copos, pratos, panelas e produtos domésticos fabricados em diversos tipos de vidro;
Vidros técnicoslâmpadas incandescentes ou fluorescentes, tubos de TV, vidros para laboratório, para ampolas, para garrafas térmicas, vidros oftálmicos e isoladores elétricos.

Fabricação

O vidro é um produto completamente vitrificado, ou seja, com um teor muito pequeno de material não vitroso em suspensão.

Do ponto de vista físico é definido como um líquido sub-resfriado, rígido, sem ponto de fusão definido, com viscosidade elevada (acima de 10¹³ P) para impedir a cristalização. E do ponto de vista químico, o vidro é o resultado da união de óxidos inorgânicos não-voláteis resultantes da decomposição e da fusão de compostos alcalinos, alcalino-terrosos, areia e outras substâncias.

Composição

Nos últimos anos apareceram várias outras formulações para o vidro, trazendo importantes mudanças em sua composição. Porém a cal, a sílica e a soda ainda são os principais ingredientes e constituem cerca de 90% do vidro em todo o mundo, como há 2000 anos atrás. Quaisquer outros materiais são considerados secundários, mesmo assim, podem causar efeitos importantes no produto final.

São dois os fatores mais importantes na fabricação do vidro: a viscosidade dos óxidos fundidos e a relação entre esta viscosidade e a composição.

Existem várias classificações para os vidros comerciais, como definido abaixo:

Silicatos alcalinos: são os únicos que utilizam apenas dois componentes (areia e barrilha). Estes são fundidos obtendo-se os silicatos de sódio, cuja composição vai de Na2O.SiO2 a Na2O.4SiO2. São solúveis em água e utilizados apenas como solução, conhecidos também como vidro de água. São utilizados amplamente como adesivos de papel, para fabricação de caixas de papelão ondulado, para proteção contra fogo e preservação de ovos. As espécies como maior teor de álcali são utilizadas como detergentes e encorpadores de sabão.

Vidro de sódio e cálcio: é o mais produzido atualmente e destinado à fabricação de vasos de todos os tipos, de vidros planos e de automóveis (janelas, painéis, bóias...), garrafas, louças de mesa, bulbos e tubos de lâmpadas. A qualidade física dos vidros planos melhorou muito, com a uniformidade da superfície, ausência de ondas e tensões, porém a composição química variou pouco, tendo como limites: 70 a 74% de SiO2, 10 a 13% de CaO, 13 a 16% de Na2O. Os vidros com esta composição não fundem a uma temperatura muito alta e são suficientemente viscosos para não desvitrificarem, porém não tão viscosos para impedir o trabalho em temperaturas razoáveis. A melhoria foi devido à substituição do operador manual por dispositivos mecânicos com controle a instrumento. O mesmo ocorreu com os frascos de vidro, e com a influência do comércio de bebidas, passou-se a produzir a vidraria com alto teor de alumina e cal, e baixo teor de álcalis, sendo um vidro mais difícil de fundir, mas quimicamente mais resistente. A qualidade da cor também melhorou devido à purificação da matéria-prima e a utilização do selênio como descorante.

Vidros de Chumbo: são obtidos a partir do óxido de chumbo (elevado teor ? 92%), sílica e álcalis. São importantes em trabalhos óticos devido ao alto índice de refração e à grande dispersão. Com o alto teor de chumbo pode-se obter um brilho de alta qualidade. Esses vidros são utilizados na construção de bulbos de luz, nos tubos de lâmpadas neons, em válvulas eletrônicas, devido à resistência elétrica. Também são utilizados para proteção contra partículas nucleares.

Vidros de borossilicatos: são compostos de 13 a 28% de B2O3 e 80 a 87% de sílica. Possuem baixo coeficiente de expansão, excelente estabilidade química, e alta resistência ao choque e resistência elétrica. Entre suas várias aplicações estão as travessas de cozinha (caso do Pyrex e do Marinex), a vidraria de laboratório, tubulações, isoladores de alta tensão e anéis de vedação.

Cerâmica de vidro: são utilizadas para utensílios domésticos de cozer, de servir e de utilizar na geladeira.

Vidros de alumina e sílica: são destinados a altas temperaturas e contem cerca de 20% ou mais de alumina (óxido de alumínio). São utilizados em tubos de combustão, fibras de reforço, vidros com alta resistência química e vitro-cerâmicos.

Vidros especiais: incluem vidros coloridos; opalinos ou translúcidos; sílica fundida ou com alto teor de sílica; cerâmicos; vidros de segurança; fotossensíveis; óticos; e fibra de vidro.

Vidro colorido: pode ser de três tipos, de acordo como a cor é produzida ? (1) pela absorção de frequências da luz por agentes em solução no vidro. Esse tipo pode ser subdividido no grupo em que a cor é provocada por diferenças no estado de oxidação, ou no grupo em que a cor é produzida pela interação química das vizinhanças; (2) por partículas coloidais precipitadas, num vidro inicialmente incolor, mediante tratamento térmico. Um exemplo é a precipitação do ouro coloidal formando o vidro rubi; (3) por partículas microscópicas ou um pouco maiores que podem ter coloração própria (como o vermelho de selênio ? SeO2 ? usados nos sinais luminosos, em globos de lanternas...), ou podem ser incolores formando-se opalinas.

Vidros opalinos ou translúcidos: podem ser obtidos pelo crescimento de cristais não-metálicos a partir de núcleos de partículas de prata desenvolvidas num vidro originalmente transparente e contendo prata. São límpidos quando líquidos e se tornam opalescentes quando o vidro é moldado devido à separação e suspensão de partículas, de vários tipos, tamanhos e densidades no meio transparente que difunde a luz incidente. É empregado para transmissão de comprimentos de ondas específicos e na louça de mesa.

Vidro de sílica fundida ou vitrosa: é o vidro feito pela pirólise do tetracloreto de silício (SiCl4) a alta temperatura. É caracterizado pelo baixo coeficiente de expansão e elevado ponto de amolecimento, por isso, é muito resistente térmica e quimicamente, podendo ser utilizado em faixas maiores de temperatura em relação a outros vidros. Também é muito transparente à radiação ultravioleta.

Vidros de segurança: existem dois tipos, os laminados e os temperados. Os laminados possuem uma estrutura composta constituída por duas camadas de vidro com uma folha intermediária de resina de polivinilbutiral plastificada e quando o vidro é quebrado, os fragmentos ficam presos a esta película. E os vidros temperados, que quando partidos desintegram-se em milhares de pequenos fragmentos sem os usuais bordos cortantes.

Fibras de vidro: são extremamente finas, da ordem de 0,0013 a 0,0005 cm. Podem ser fiadas ou acamadas e constituir isolamentos, fitas, filtros de ar e outros produtos como tubulações, com ligantes plásticos; têxteis e como reforçador.

Matérias-Primas

Grandes quantidades de areia de vidro são consumidas a cada ano na fabricação dos diversos tipos de vidro. Os fundentes desta sílica são a barrilha, o sulfato de sódio impuro e o calcário ou a cal. Além disso, há um grande consumo de óxido de chumbo, carbonato de potássio, salitre, bórax, ácido bórico, trióxido de arsênio, feldspato e de fluorita, juntamente com uma grande variedade de óxidos metálicos, carbonatos e de outros sais necessários para colorir o vidro. Nas operações de acabamento, usam-se diversos produtos como abrasivos e ácido fluorídrico.

A areia para a produção de vidro deve ser quase de quartzo puro. O teor de ferro não deve exceder a 0,45%, na areia para vidro de mesa, ou a 0.01% para vidro ótico, pois o ferro não tem efeito benéfico sobre a coloração. A função da areia é fornecer SiO? ao vidro. Os grãos angulares da areia favorecem o processo pois a fusão se inicia nas pontas e arestas dos grãos. Como a areia é o principal insumo na manufatura do vidro, a localização da jazida de areia, na maioria dos casos, influencia na escolha do local da fábrica.

O óxido de sódio (Na?O) provém principalmente da barrilha (Na?CO?). Outras fontes podem ser o bicarbonato de sódio, o sulfato de sódio e o nitrato de sódio. Este é útil para oxidar o ferro e acelerar a fusão. Embora seu percentual em peso não seja tão grande, a barrilha representa o maior custo entre as matérias-primas dos vidros sodo-cálcicos. Pode-se dizer que 60% do custo de uma composição é devido à ela.

Os feldspatos tem a fórmula geral R?O.Al?O?.6SiO?, onde R?O representa o Na?O ou o K?O ou uma mistura dos dois. Os feldspatos te muitas vantagens sobre a maioria dos outros materiais como fonte de Al?O?, pois são baratos, puros e fusíveis, além de serem constituídos inteiramente por óxidos formadores de vidro. O teor de alumina serve para baixar o ponto de fusão do vidro e retardar a desvitrificação. Esse mineral é consumido em torno de 100 quilos para cada tonelada produzida, sendo substituído quando ocorrem incorporações potássicas ou sódicas.

O bórax, como ingrediente menor, fornece ao vidro o Na?O e o óxido bórico. Embora seja raramente usado como vidro de janela ou vidro plano, o vidro de bórax é atualmente comum em certos tipos de vasos de vidro. Há também um vidro com alto teor de bórax, que tem um valor mais baixo de dispersão e um índice de refração mais elevado que qualquer vidro anteriormente conhecido, e que é um vidro ótico valioso. Além do seu elevado valor como fundente, o bórax não só diminui o coeficiente de expansão, mas também aumenta a durabilidade química. O ácido bórico é usado em partidas que só precisam de pequeno teor de álcali. Seu preço é cerca de duas vezes o do bórax.

O sulfato de sódio, há muito tempo aceito como ingrediente secundário do vidro, além de outros sulfatos, como o de amônio ou de bário, são encontrados frequentemente em todos os tipos de vidro. É preciso usar carvão com os sulfatos, para reduzi-los a sulfito. Ele é um composto industrializado (Na?SO?), utilizado como afinante, pois tem como característica, a altas temperaturas, liberar grandes bolhas e de maneira violenta, incorporando a ela as pequenas bolhas contidas na massa do vidro provocadas pela reação das outras matérias-primas. O trióxido de arsênio pode ser adicionado para facilitar a remoção das bolhas. Os nitratos de sódio, ou de potássio, servem para oxidar o ferro e torná-lo menos notável no vidro acabado. o nitrato de potássio, ou carbonato de potássio, é sempre empregado em muitos tipos de vidro para louça, para decoração, ou de vidro ótico.

A sucata de vidro é o vidro aos pedaços proveniente de objetos imperfeitos, de recortes e de outros refugos de vidro. Facilita a fusão e utiliza material rejeitado. Pode constituir uma pequena fração da carga, uns 10%, ou chegar até 80% da carga. O vidro pode ser reciclado até sete vezes sem perda de qualidade, sendo assim um material muito ecológico, se descartado devidamente. O Brasil produz, em média, 890 mil toneladas de embalagens de vidro por ano, usando cerca de 46% de matéria-prima reciclada na forma de cacos.

Os blocos refratários da indústria de vidro foram desenvolvidos especialmente em virtude das severas condições em que trabalham. São típicos para os tanques de vidro os de zircônio, alumina, mulita e mulita-alumina sinterizados, os de zircônia-alumina-sílica, alumina e cromo-alumina eletrofundidos. As temperaturas de operação dos fornos estão limitadas, principalmente, pelos tijolos de sílica vitrificada, que são de emprego econômico na indústria.

Reações Químicas

As reações envolvidas no processo podem ser resumidas por:

Na?CO? + ?SiO? ? Na?O.?SiO? + CO?

CaCO? + ?SiO? ? CaO.?SiO? + CO?

Na?SO? + ?SiO? + C ? Na?O.?SiO? + SO? + CO

A última reação pode ocorrer como nas seguintes equações:

Na?SO? + C ? Na?SO? + CO

2Na?SO? + C ? 2Na?SO? + CO

Na?SO? + ?SiO? ? Na?O.?SiO? + SO?

Deve-se observar que as razões Na?O/SiO? e CaO/SiO? não são razões molares. A razão pode ser do tipo Na?O/1,8SiO?, por exemplo. No vidro comum de janela, as razões molares são aproximadamente 2 moles de Na?O, 1 mol de CaO e 5 moles de SiO?. Outros vidros variam amplamente. Não existem no vidro compostos químicos, pois o material é essencialmente uma mistura sólida amorfa, dos vários componentes, ou um líquido sub-resfriado.

A sequência típica da fabricação pode ser dividida nas seguintes operações unitárias (Op) e conversões químicas (Cq):

Transporte das matérias-primas para a usina (Op);

Classificação de alguns materiais (Op);

Depósito das matérias-primas (Op);

Transporte, pesagem e mistura das matérias-primas e introdução da massa no forno (Op);

Reações, no forno, para formar o vidro (Cq);

Queima de combustível para assegurar a temperatura necessária à formação do vidro (Cq);

Economia de calor por regeneração ou recuperação (Op);

Moldagem dos produtos de vidro (Op);

Recozimento dos produtos de vidro (Op);

Acabamento dos produtos de vidro (Op).

A realização dessas destas etapas é caracterizada pelo uso de maquinaria de movimentação dos materiais que alimentam o equipamento de fabricação, automático e contínuo, o que contrasta com métodos de fábricas antigas, baseados em pás e carrinhos de mão. O carregamento manual de pequenos fornos provoca a criação de uma atmosfera poeirenta; o mais ideal seria o transporte e mistura mecânica das partidas em sistemas tão fechados que não haja praticamente emissão de poeira em qualquer estágio do manuseio das matérias-primas ou do vidro.

Métodos de fabricação

Podem ser divididos em 4 fases :

Fusão

Conformação e moldagem

Recozimento

Acabamento

Fluxograma da Fabricação

Fusão

Os fornos de vidro podem ser classificados como fornos de cadinho ou fornos-tanque:

Os fornos de cadinhos: tem uma capacidade de 2 toneladas ou menos , são adotados em pequena produção de vidros especiais , ou quando é essencial proteger o banho fundido da ação dos produtos de combustão.São empregados principalmente na manufatura de vidro ótico, vidro artístico e de vidro plano em chapa fundida .Os cadinhos são de argila especial ou de platina .É muito difícil fundir o vidro nesses vasos sem contaminar o produto ou fundir parcialmente o próprio vaso , exceto quando se usa platina .

No forno-tanque: os materiais da partida são introduzidas por uma extremidade de um grande tanque construídos com tijolos refratários. O vidro se acumula numa massa liquida , sobre que incidem as chamas, alternadamente de um e de outro lado.O vidro refinado é retirado pela extremidade oposta do tanque , em operação continua .Neste tipo de forno , como de cadinho as paredes são gradualmente corroídas pela ação do vidro fundido .A qualidade do vidro e a duração do tanque dependem da qualidade dos tijolos da construção .Por esta razão , há grande interesse em torno dos refratários para fornos de vidro.

Os tipo anteriores são fornos regenerativos e operam em dois ciclos , com duas câmaras de regeneração. As fumaças da combustão , depois de cederem calor ao vidro fundido durante a passagem pelo forno , descem por uma câmara recheada por um empilhamento cerâmico , conforme esta na figura 11,2.Uma boa parte do calor sensível dos gases removido das câmaras , a temperatura do empilhamento cerâmico atinge a 2800ºF nas vizinhanças e na saída uma temperatura 1200 º F .Simultaneamente , o ar é pré aquecido ao passar pela a outra câmara de regeneração previamente aquecida ,e é então misturado com o gás combustível inflamado, resultando de uma chama mais quente que a formada com um ar sem o pré aquecimento.Em intervalos regulares de 20 a 30 min o fluxo da mistura de gás é invertido , e a entrada passa ser feita pelo lado oposto , através do empilhamento cerâmico previamente aquecido, passando, na saída, através do empilhamento da primeira câmara , agora consideravelmente arrefecido .Mediante esse principio regenerativo economiza-se muito calor alem de se atingir temperatura mais elevado.

Conformação e moldagem

É a segunda etapa da produção de vidro que consiste em dar forma ao vidro. Ele pode ser modelado à mão ou conformado mecanicamente. A principal característica desta etapa é o tempo curto para finalizar o objeto que, em questão de segundos, transforma-se de líquido viscoso para sólido límpido.

Os tipos de vidros mais comuns modelados mecanicamente são:

Vidro de janela: O processo, que antigamente era manual, hoje foi totalmente substituído pelos processos de Fourcault e pelo processo de Colburn.

O processo Fourcault é composto basicamente por uma ferramenta refratária, rolos de estiramento e serpentinas para arrefecimento. Uma câmara de estiramento é cheia pelo vidro fundido, o vidro é puxado do forno, na vertical, através da fenda central da débiteuse, mediante uma máquina de estirar. A velocidade que o vidro é puxado pra cima é a mesma com que flui através da fenda, e tem sua superfície arrefecida por serpentinas de água adjacentes à superfície. Ainda na vertical, passa por uma chaminé de recozimento e, ao sair, o vidro é cortado no tamanho em que se deseja para depois ir para lapidação e corte.

No processo Colburn, o estiramento inicia verticalmente ao forno, mas, depois de percorrer uma distância de 91cm, o vidro é aquecido e curvado sobre um rolete horizontal, sendo então impelido para frente por barras de pega e uma correia transportadora.

Chapa de vidro: O Processo de folha contínua é um processo automático contínuo para laminar grosseiramente o vidro numa fita contínua. Depois de fundido, o vidro escoa por uma ampla boca em refratário, passa entre dois rolos que são resfriados a água, tomando o aspecto de uma fita, que é puxada para baixo e passa por roletes menores, também resfriados mas que giram com uma velocidade maior que o dos rolos laminadores, retificando a fita. Depois de entrar no forno de recozimento, a fita pode ou ir para o corte ou continuar sofrendo recozimento, esmerilhamento, polimento e a inspeção antes de chegar às máquinas cortadeiras.

Esse processo contínuo é um processo de grande capacidade. Porém, neste processo não é possível produzir pequenas partidas de chapas ou de vidro especial.

Vidro por flutuação: Capaz de produzir vidros de 0,25 a 2,5 cm, o vidro por flutuação produz vidros de alta qualidade. Depois de obtida uma fita de vidro por laminação, a mesma é posta a flutuar num banho de metal fundido. A temperatura na entrada da câmara de flutuação tem que ser elevada para tornar o vidro mole o suficiente para flutuar no metal fundido, onde é banhada. Ao contato com o metal, a superfície inferior é retificada e a superior também se torna plana ao escoar pela ação da gravidade. Essa técnica permite que as irregularidades sejam eliminadas.

Vidro por aramado e vidro fantasia: No vidro fantasia, o vidro fundido passa pelos rolos laminadores metálicos que têm gravados em sua superfície o desenho que se quer dar ao vidro. Ao passar por esses rolos, o vidro é impresso com esse desenho. Esse tipo de vidro também pode ser reforçado por uma tela ou fio metálico, na etapa inicial de formação, visando uma segurança especial. Em caso de quebra, o vidro fica preso à rede metálica, deixando o vão indevassável até sua substituição, reduzindo os riscos de ferimentos no momento da quebra.

Vidro Soprado: A arte de soprar é uma das mais antigas, onde somente com a força do sopro humano formava e modelava o vidro fundido. Com o avanço da tecnologia e da economia em querer vender mais, foi preciso otimizar o processo, tendo mais produtos em menos tempo.

A máquina de fabricar garrafas é um exemplo. A máquina efetua uma operação de fundição que usa a pressão do ar para criar um oco interno.

O processo de conformação dura cerca de 5 minutos e é realizado nas seguintes etapas:

Etapa 1 - Carregamento:

Chegada da gota de vidro dentro do pré-molde para início da conformação. Nesta etapa acontece a formação quase completa do gargalo

Etapa 2 - Compressão:

O ar comprimido injetado dentro do pré-molde completa a formação do gargalo e garante sua estabilidade dimensional

Etapa 3 ? Assopro do Parison:

O ar comprimido é injetado para dentro da massa de vidro obrigando-a a ocupar o espaço interno do pré-molde, formando o parison (pré- formato).

Etapa 4 ? Transferência:

O ?parison? preso pelo gargalo é transferido desde o pré-molde até o molde, onde a conformação final será realizada.

Etapa 5 ? Assopro final:

Injeta-se ar comprimido dentro do parison forçando-o a tomar o formato final dentro de uma fôrma.

Etapa 6 ? Extração:

Após o assopro final e a abertura da fôrma, um mecanismo de garras pega o artigo pela região do gargalo e o coloca sobre uma placa de ventilação onde o artigo será resfriado.

Processo de Conformação do sopro do vidro:

Mecanismo que gira e coloca o parison dentro da fôma

Vidro Prensado: O vidro prensado é parecido com o soprado, só há algumas modificações, veja nas seguintes estapas de seu processo:

Etapa 1 - Carregamento:

A gota de vidro chega dentro do pré-molde e se deposita sobre um pino de prensagem.

Etapa 2 - Prensagem:

O vidro prensado contra o fundo do pré-molde, é forçado a escoar entre o pino de prensagem e as paredes do pré-molde, até a formação do gargalo. Neste processo o gargalo é a ultima região do parison a ser formada.

Etapa 3 ? Transferência:

O parison preso pelo gargalo é transferido desde o pré molde até o molde, onde a conformação final será realizada.

Etapa 4 ? Assopro final:

Injeta-se ar comprimido dentro do parison formando-o a tomar o formato final dentro de uma fôrma.

Etapa 5 ? Extração:

Após o assopro final e a abertura da fôrma, um mecanismo de garras pega o artigo pela região do gargalo e o coloca sobre uma placa de ventilação onde o artigo será resfriado.

Processo de Prensagem

TiposAplicações
Vidro para embalagensgarrafas, potes, frascos e outros vasilhames fabricados em vidro comum nas cores branca, âmbar e verde;
Vidro planovidros de janelas, de automóveis, fogões, geladeiras, microondas, espelhos;
Vidros domésticostigelas, travessas, copos, pratos, panelas e produtos domésticos fabricados em diversos tipos de vidro;
Vidros técnicoslâmpadas incandescentes ou fluorescentes, tubos de TV, vidros para laboratório, para ampolas, para garrafas térmicas, vidros oftálmicos e isoladores elétricos.

TiposAplicações
Vidro para embalagensgarrafas, potes, frascos e outros vasilhames fabricados em vidro comum nas cores branca, âmbar e verde;
Vidro planovidros de janelas, de automóveis, fogões, geladeiras, microondas, espelhos;
Vidros domésticostigelas, travessas, copos, pratos, panelas e produtos domésticos fabricados em diversos tipos de vidro;
Vidros técnicoslâmpadas incandescentes ou fluorescentes, tubos de TV, vidros para laboratório, para ampolas, para garrafas térmicas, vidros oftálmicos e isoladores elétricos.

Bulbos de lâmpada: A sopragem de um bulbo delgado é diferente da de uma garrafa, pois a forma e o tamanho do bulbo são determinados inicialmente pelo próprio jato de ar e não pelo molde.

O vidro fundido escoa por uma abertura anular no forno e passa entre dois cilindros resfriados a água; um deles tem depressões circulares, que provoca a formação de nódulos na fita de vidro; estes nódulos tem a posição coincidente com a de orifícios circulares de uma corrente transportadora horizontal, sobre que a fita se desloca. O próprio peso do vidro faz com que ele fique pendente nos orifícios. Por debaixo de cada orifício está um molde rotatório. Bocais sopradores de ar estão dirigidos contra a superfície da fita, um por cima de cada nódulo de vidro ou de cada orifíciode transportadora.

A medida que a fita vai avançamdo, os bocais ejetam curtos sopros de ar, que formam uma bolha preliminar. O molde giratório, então, eleva-se e um segundo golpe de ar, em presão bastante menos que a do primeiro, injeta a bolha ao molde e forma um bulbo. O molde abre-se e um pequeno martelo liberta o bulbo da fita. Cada bulbo, assim, cai sobre uma correia de amianto, que o transporta para a armação de suporte no forno de recozimento, onde fica com pescoço para baixo, entre duas réguas paraleleas verticais, enquanto é recozido, é de aproximadamente 8minutos. Conseguem-se velocidades de fabricação de 2.000bulbos por minuto.

Tubos de televisão: podem ser de 68cm de diâmetro, tem três parte s principais:

- face frontal fosforescente, onde a imagem é formada;

- a ampola de vidro;

- e o canhão eletrônico.

O material fosforescente é aplicado a face frontal da ampola ou por sedimentação ou por polvilhamento. A fabricação da ampola de vidro era difícil até que se inventou a fundição centrifuga que utiliza um molde giratório para conseguir uma espessura mais uniforme da parede.

As partes de vidro são soldadas a chama de gás ou a chama e a eletricidade. Nos tubos de televisão a cores, o fósforo é aplicado a superfície interna do écran. Uma máscara perfurada é montada por detrás para dirigir apropriadamente o feixe de elétrons. Neste caso, não pode admitir a elevada temperatura envolvida na selagem, pois isto provocaria a deterioração do material fosforescente.

Tubos de vidro. No processo Vello, o vidro fundido escoa para um compartimento de estiragem, de onde cai na vertical, através de um espaço anular em torno de uma haste giratória ou de um maçarico em que se mantém uma pressão de ar, para produzir um tubo com o diâmetro e espessura de parede desejados.

As bandejas de torres em vidro e as bandejas borbulhadoras, os primas e a maior parte do vidro ótico, a maioria da louça de cozinha, os isoladores, os vidros coloridos de certos tipos, os vidros arquitetônicos e outros tipos análogos são todos moldados manualmente. O processo consiste, essencialmente, em colher certa quantidade de vidro de um cadinho ou de um forno, e levá-lo ao molde. Neste, retira-se o vidro em excesso com um par de tesouras, e aciona-se o pistão moldados a mão ou mediante uma prensa hidráulica. Com certas formas, o processo é efetuado mediante métodos semi-automáticos, que envolvem uma combinação de processos mecânicos e manuais. Desta maneira, fabricam-se os balões volumétricos e as seções cilíndricas de torres, em vidro Pyrex.

TiposAplicações
Vidro para embalagensgarrafas, potes, frascos e outros vasilhames fabricados em vidro comum nas cores branca, âmbar e verde;
Vidro planovidros de janelas, de automóveis, fogões, geladeiras, microondas, espelhos;
Vidros domésticostigelas, travessas, copos, pratos, panelas e produtos domésticos fabricados em diversos tipos de vidro;
Vidros técnicoslâmpadas incandescentes ou fluorescentes, tubos de TV, vidros para laboratório, para ampolas, para garrafas térmicas, vidros oftálmicos e isoladores elétricos.

Moldação por Compressão

Etapa 1: Deposição de vidro em fusão

A gota é depositada no molde.

Etapa 2 : Compressão

Com a gota deposita, a máquina comprime de acordo com o formato do molde.

Produtos: objetos planos (pratos, lentes, etc)

Recozimento

Para reduzir as tensões, é necessário recozer todos os objetos de vidro. O recozimento envolve duas operações :

Manutenção da massa de vidro acima de certa temperatura critica;

Resfriamento da massa até uma temperatura ambiente

O forno de recozimento (lehr) nada mais é do que uma câmara aquecida, onde a taxa de resfriamento pode ser controlada de modo a satisfazer as exigências anteriores .

Acabamento

Todos os tipos de vidro recozido devem sofrer algumas operações de acabamentos que, embora relativamente simples, são muito importantes .elas incluem limpeza, o esmerilhamento ,a lapidação, o despoliamento , o esmaltamento, a graduação e a calibração.Embora nem todas sejam necessárias para todos os vidros , uma ou mais de uma,sempre é precisa.

Fabricação de vidros especiais

Vidro de sílica fundida (ou Sílica vitrificada): O vidro é obtido pela fusão da sílica pura. Mas estes produtos possuem, normalmente, muitas bolhas e não são fáceis de fabricar em forma transparente. É fabricado pela empresa Corning Incorporated mediante a pirólise do tetracloreto de carbono em fase vapor. Este processo se presta originalmente a controles, os quais permitem a obtenção do SiO2 puro. A sílica obtida está na forma de chapas ou de globos. A elevada temperatura da reação tende a expulsar os contaminantes indesejáveis, reduzindo as impurezas na sílica fundida numa proporção da ordem de 1 parte em 100 milhões. Este vidro de sílica apresenta o menor coeficiente de absorção de ultra-sons, entre todos os matérias. Caracteriza-se pelo baixo coeficiente de expansão e pelo elevado ponto de amolecimento, o que lhe atribui grande resistência térmica e permite que seja usado além das faixas de temperatura de outros vidros. Devido as suas propriedades é usado em espelhos de telescópios, por exemplo, no espelho de 62 in (156 cm) no U.S. Naval Observatory.

Vidros a alta sílica: Este vidro conhecido como Vycor, tem algumas propriedades semelhantes à sílica fundida. Este produto foi conseguido graças ao abandono das limitações anteriores sobre a fusão e a conformação. O produto acabado contém aproximadamente 96% de sílica e 3% de óxido de boro,sendo o restante alumina e óxidos alcalinos.

Vidros a borosilicatos, com cerca de 75% de sílica, são usados nos estágios iniciais do processo em que os vidros são fundidos e conformados. Depois do resfriamento, os objetos são sujeitos a um tratamento térmico e de recozimento, que acarreta a separação de duas fases distintas no vidro. Umas dessas fases tem um teor tão elevado em óxidos de boro e em óxidos alcalinos que é facilmente solúvel em soluções ácidas a quente. Já a outra fase é rica em sílica, e por isso, insolúvel nestes ácidos. O objeto de vidro fica imerso numa solução de ácido clorídrico a 10%, durante um tempo suficiente para possibilitar a lixiviação completa da fase solúvel. É completamente lavável para remover quaisquer traços desta fase, além de impurezas, e sujeito a um outro tratamento térmico, que visa a desidratar o corpo e converter a estrutura no vidro. Durante estes processos, o material de vidro sofre uma contração nas suas dimensões lineares, que pode chegar a 14% do seu tamanho original. Este método de manufatura fornece um produto que pode ser aquecido a altas temperaturas e depois mergulhado em água gelada (choque térmico), sem sofrer quaisquer danos.

Este vidro tem uma grande durabilidade química, possui resistência a altas temperaturas e ao choque térmico, e diferentemente da sílica fundida poder ser facilmente manufaturado em uma variedade de formas.

Vidro cerâmico: O vidro cerâmico, foi criado para dar resposta às necessidades do mercado dos aparelhos de aquecimento ( chaminés, fogão de sala, placas vitrocerâmicas, fornos, entre outros). É um material fundido e conformado como um vidro, e depois convertido, em boa parte, a uma cerâmica cristalina mediante o processo de desvitrificação controlada (perda da transparência do vidro por ter sido submetido a temperaturas elevadas, embora inferiores ao seu ponto de fusão).

Os vidros cerâmicos depois de serem fabricados no estado vítreo, sofrem uma nucleação catalítica em torno de um constituinte secundário, durante o recozimento. Crescem cristais em torno dos núcleos graças à elevação da temperatura do vidro até a faixa de desvitrificação do vidro que está sendo trabalhado. Os vidros cerâmicos possuem rigidez e outras propriedades mecânicas e térmicas, como resistência ao choque térmico, mais elevadas.

São usualmente opacos, lustrosos, brancos ou coloridos, não porosos.

Usados em objetos de mesa que vão ao forno e à geladeira.

Vidro de segurança: São classificados em dois grupos: os vidros de segurança temperados e os vidros de segurança laminados. O vidro aramado também pode ser considerado um vidro de segurança.

Vidro temperado: O vidro temperado é o vidro que passou por tratamento térmico (têmpera) ou químico para modificar suas características como a dureza e resistência mecânica. O vidro temperado é mais rígido, tem maior resistência térmica e se estilhaça em pequenos fragmentos quando é danificado. Ele é aquecido entre 700°C e 750°C através de um forno e resfriado com choque térmico, normalmente a ar, causando aumento da resistência por compactação das camadas superficiais. O aumento da resistência mecânica chega a 87%.

O vidro após o processo de têmpera não pode ser submetido a lapidação de suas bordas, recortes e furos. Suas características torna-o menos susceptível a causar ferimentos graves ao se estilhaçar. Oferece segurança por evitar ferimentos graves ao ser quebrado devido a seus pequenos fragmentos arredondados, pois possuem furações e recortes especiais que não fragilizam a peça, tendo excelente efeito estético pela ausência de esquadrias, baixo custo comparado com o vidro comum.

O vidro temperado é indicado para locais que requerem resistência, como boxes de chuveiro, portas de vidro ou frontões de lareira, seu uso em fachadas está restrito a entre vãos de pequenas dimensões dentro de caixilhos. Atualmente ele é utilizado nas janelas laterais e traseiras dos automóveis, pratos e alguns copos também são feitos com vidro temperado.

Vidro laminado: Vidro laminado é um tipo de vidro de segurança que mantém em conjunto os estilhaços quando quebrado. Esta característica produz efeito de uma "teia de aranha" quando o impacto não é totalmente suficiente para furar o vidro. É composto por duas ou mais placas de vidro, que são unidas por uma ou mais camadas intermediárias de polivinil butiral (PVB) ou resina. Polivinil butiral é uma película plástica e elástica aplicada entre as chapas de vidro. Estão disponíveis no mercado películas transparentes, coloridas e impressas. É nessa película que os fragmentos de vidro ficam presos em caso de quebra. Graças a esta camada, o vidro laminado tem um melhor isolamento acústico, devido ao efeito amortecimento entre as placas de vidro, e também bloqueia 99% dos raios UV transmitidos. É normalmente utilizado quando existe uma possibilidade de impacto humano, como em pára-brisas de automóveis; onde se deseja ter maior segurança, como em janelas e vitrines; ou onde não pode cair o vidro quebrado, como em clarabóias e corrimãos.

Vidro fotossensível: O vidro fotoform é um vidro fotossensível constituído principalmente por um silicato de Lítio modificado por óxido de potássio e óxido de alumínio, com traços de compostos de cério e prata, que funcionam como componentes fotossensíveis. É utilizado em processos de impressão e reprodução. Entre as diversas aplicações dos materiais fotossensíveis, um dos ramos que mais tem crescido atualmente é o das mídias regraváveis tais como CD?s e DVD?s. Sob a ação de uma luz ultravioleta, esse metassilicato de lítio, que é revelada por tratamento térmico a cerca de 600°C. O metessilicato de lítio solúvel em ácido pode ser removido pelo ácido fluorídrico a 10%. Se a exposição à luz for feita através de um negativo (obtido fotograficamente de um desenho), o resultado final será uma reprodução em vidro muito exata. Por exemplo, podem ser feitas a baixo custo e com muita exatidão, chapas de circuitos elétricos em vidro, o processo fio denominado gravação química do vidro.

Os vidros a silicato fotocrômicos: Constituem uma complementação do vidro fotoform, mas tem propriedades pouco comuns: escurecem rapidamente sob a ação da luz, desde o ultravioleta até o visível, perdem a cor no escuro, perdem a cor em temperaturas mais elevadas. Essas propriedades fotocrômicas são inteiramente reversíveis e não estão sujeitas a fadiga. Na verdade, amostras de ciclo fotocrômicos foram expostas a milhares de clicos sem qualquer deterioração no desempenho. A explicação científica deste processo fofocrômico, é a fabricação de um vidro com partículas submicroscópicas de halogenetos de prata, que, quando expostas a luz reagem de forma diferente a dos halogenetos de prata fotográficos. Estas partículas tem cerca de 50 Â de diâmetro e uma concentração de 1015 partículas por centímetro cúbico e estão imersas no vidro quimicamente inerte, rígido e impermeável, que impede a difusão dos centros de cor fotolíticos e o crescimento de partículas de prata grandes e opacas. Os dois processos podem ser esquematizados da seguinte forma:

A reação fotolítica primária é a da liberação de um elétron do Cl-, que é capturado por um íon Ag+, formando-se Ag° + Cl°. A aplicação desses vidros fotocrômicos, é conveniente em quebra-luzes, janelas, e instrumentos e em processos onde se deseja o controle dinâmico da luz solar.

Vidro Ótico: O vidro ótico inclui apenas aqueles vidros com elevada homogeneidade e especial composição, que tem características óticas, predeterminadas, e suficientemente exatas para possibilitar seu emprego em instrumentos científicos. O vidro de óculos e o vidro de espelhos comuns não se incluem nesta categoria. O vidro ótico deve preencher certos requerimentos rígidos: (1) Sua composição deve assegurar as propriedades óticas desejadas. (2) A mistura da partida de vidro deve produzi-lo com uma vicosidade suficientemente baixa. (3) O vidro não deve desvitrificar-se, mesmo sujeito a um demorado recozimento. (4) O produto deve ser tão incolor quanto possível, sem uso de um agente descorante. (5) O vidro deve ser livre de bolhas e estrias. (6) As propriedades no esmerilhamento e no polimento devem ser vantajosas. (7) Deve ser capaz de resistir a ação da atmosfera e de manter integra a sua superfície depois de longa utilização sob quaisquer condições climáticas. Na fusão de vidro óticos usam-se cadinhos de platina reutilizáveis, com o que a corrosão ou a contaminação são nulas, obtendo-se as vezes 90% de vidro ótico de primeira categoria. Na Corning Glass Works estão sendo usados pequenos fornos-tanque com revestimento de platina, para a fusão contínua do vidro ótico. O processo em essência consiste na fusão da partida num forno coma forma de um T, mediante a eletrodos imersos na massa de vidro líquido. Depois de refinado e agitado, o vidro está pronto para dar o produto de qualidade ótica ou oftálmica.

Conclusão

O vidro teve origem a 5000 a.C., descoberto por acaso, chegando no Brasil em 1810. Dentre os principais desafios da indústria para o século 21, está a necessidade de assegurar que o produto é proveniente do uso racional da energia, o aprimoramento de métodos para transformar resíduos industriais em vidro, uma vez que o produto leva em torno de 1000 anos para se decompor. Para cada 10% de caco de vidro na mistura, economizam-se 4% da energia necessária para a fusão nos fornos industriais. E por fim, e a obtenção da certificação da ISO 14001: Redução dos impactos negativos ao meio-ambiente em 75%.

Bibliografia

Indústrias de Processos Químicos, Shreve ? 4ª edição (1977)

Apostila de processos Industriais ? Indústria de alumínio e Vidro, Real Marcia, 2009.

http://noticias.vidrado.com/artigos/tipos-de-vidros-e-suas-classificacoes/, acessado em 01/06/2011

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vidro, acessado em (31/05/2011)

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/vidro, acessado em (31/05/2011)

http://www.andiv.com.br/, acessado em (31/05/2011)

http://www.cetem.gov.br/publicacao/CTs/CT2005-106-00.pdf, acessado em (01/06/2011)

http://www.dnpm.gov.br/assets/galeriadocumento/balancomineral2001/feldspato.pdf, acessado em (01/06/2011)

http://www.vidrosubv.com.br/Vidro.aspx, acessado em (02/06/2011)

http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+WQ+E-2011-002374+0+DOC+XML+V0//PT, acessado em (02/06/2011)

http://www.fazfacil.com.br/materiais/vidro_reciclagem.html, acessado em (03/06/2011)

http://www.vidrostemperado.com/, acessado em (04/06/2011)

http://www.oestevidrossp.com.br/vidros-temperados.html, acessado em (04/06/2011)

http://www.vidrolaminado.net/, acessado em (04/06/2011)

http://saber.sapo.ao/wiki/Tetraclorometano, acessado em (04/06/2011)

http://www.sucatas.com/vidro.html, acessado em (31/05/2011)

http://sites.google.com/site/lfernandojf/fotorresinas2, acessado em (30/05/2011)

http://www.estg.ipleiria.pt/files/307311_c5_fab_vidr_43824e581db6f.pdf acessado em (05/06/2011)

http://www.scribd.com/.../Estudo-do-Fluxo-e-Deformacao-Fabricacao-de-Garrafas- de-Cerveja, acessado em (05/06/2011)

http://www.sgmondego.com/videos/soprado_prensado.swf, acessado em (05/06/2011)

Related Content
DOC
PDF
ZIP
DOC
DOC
DOC
Livros Relacionados
Direito e Processo: Influência do Direito Material Sobre o Processo
O livro apresenta uma visão integrada do processo e do direito material,...
Processo e Direito Material
Com a entrada em vigor do atual Código Civil ocorreu grande debate doutrinário acerca da influência dos pontos...
Como se Faz - 82 Técnicas de Fabricação para Design de Produtos
Como se Faz - 82 Técnicas de Fabricação para Design de Produtos Para os...