Guia básico de utilização do cimento portland

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GUIA B`SICO DE UTILIZA.^O DO CIMENTO PORTLAND S?¬o Paulo dezembro de 2002 Revis?¬o: 7

2a edi?º?¬o – 1994 (rev. atual.) 3a edi?º?¬o – 1997 (rev. atual.) 4a edi?º?¬o – 1998 5a edi?º?¬o – 1999 6a edi?º?¬o – 2000

ASSOCIA.^O BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND 7.ed. S?¬o Paulo, 2002. 28p. (BT-106) ISBN 85-87024-23-X Cimento portland Esc??ria de alto-forno Pozolanas CDD 666.942

Todos os direitos reservados ?á Associa?º?¬o Brasileira de Cimento Portland Avenida Torres de Oliveira, 76 – Jaguar?ÿ CEP 05347-902 S?¬o Paulo/SP Fone: 55-11-3760-5300 – Fax: 55-11-3760-5370

ASSOCIA.^O BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Guia b?åsico de utiliza?º?¬o do cimento portland. 7.ed. S?¬o Paulo, 2002. 28p. (BT-106)

RESUMO O cimento portland ?ÿ o material de constru?º?¬o de mais extenso uso no mundo. Apesar de sua inven?º?¬o ter ocorrido h?å mais de um s?ÿculo e, em nosso Pa?¡s, sua efetiva produ?º?¬o ter-se iniciado h?å cerca de 75 anos, muitos s?¬o os que fazem uso dele sem conhec?-lo com maior rigor.

Assim sendo, este Boletim foi preparado em uma linguagem acess?¡vel para que todos aqueles que utilizem o cimento portland possam adquirir um conhecimento mais amplo desse produto quanto ao seu hist??rico, mat?ÿrias- primas, produ?º?¬o, controle de qualidade, tipos dispon?¡veis, principais aplica?º?es e cuidados na estocagem.

Palavras-chave: Cimento portland – Esc??ria de alto-forno – Pozolanas

1 INTRODU.^O: DEFINI.^O, UTILIDADE E HIST?ôRICO……………..7

(MAT?ëRIAS-PRIMAS)………………………………………………………………8

2.1 Cl?¡nquer ………………………………………………………………………………….8

2.2 Adi?º?es …………………………………………………………………………………..8

CIMENTO PORTLAND …………………………………………………………..10

4 PRINCIPAIS TIPOS DE CIMENTO PORTLAND ………………………..11

4.1 Cimentos Portland Comuns e Compostos ………………………………….12

4.2 Cimentos Portland de Alto-Forno e Pozol?ónicos………………………….13

4.3 Cimento Portland de Alta Resist?ncia Inicial……………………………….14

4.4 Cimentos Portland Resistente aos Sulfatos ………………………………..16

4.5 Cimentos Portland de Baixo Calor de Hidrata?º?¬o………………………..16

4.6 Cimento Portland Branco…………………………………………………………17

4.7 Cimento para Po?ºos Petrol?¡feros………………………………………………18

TIPOS DE CIMENTO PORTLAND …………………………………………..18

ARGAMASSAS E CONCRETOS …………………………………………….22

DIFERENTES APLICA.?òES…………………………………………………..24

8 ESTOCAGEM DO CIMENTO ………………………………………………….26

9 CONSIDERA.?òES FINAIS …………………………………………………….28

Cimento portland ?ÿ a denomina?º?¬o convencionada mundialmente para o material usualmente conhecido na constru?º?¬o civil como cimento.

O cimento portland ?ÿ um p?? fino com propriedades aglomerantes, aglutinantes ou ligantes, que endurece sob a?º?¬o da ?ågua. Depois de endurecido, mesmo que seja novamente submetido ?á a?º?¬o da ?ågua, o cimento portland n?¬o se decomp?e mais.

O cimento portland, misturado com ?ågua e outros materiais de constru?º?¬o, tais como a areia, a pedra britada, o p??-de-pedra, a cal e outros, resulta nos concretos e nas argamassas usadas na constru?º?¬o de casas, edif?¡cios, pontes, barragens etc.

As caracter?¡sticas e propriedades desses concretos e argamassas v?¬o depender da qualidade e propor?º?es dos materiais com que s?¬o compostos. Dentre eles, entretanto, o cimento ?ÿ o mais ativo, do ponto de vista qu?¡mico. Pode-se dizer que o cimento ?ÿ o principal respons?åvel pela transforma?º?¬o da mistura dos materiais componentes dos concretos e das argamassas no produto final desejado (uma laje, uma viga, um revestimento etc.).

Portanto, ?ÿ de fundamental import?óncia utiliz?å-lo corretamente. Para isto, ?ÿ preciso conhecer bem suas caracter?¡sticas e propriedades, para poder aproveit?å-las da melhor forma poss?¡vel na aplica?º?¬o que se tem em vista.

O cimento portland foi criado por um construtor ingl?s, Joseph Aspdin, que o patenteou em 1824. Nessa ?ÿpoca, era comum na Inglaterra construir com pedra de Portland, uma ilha situada no sul desse pa?¡s. Como o resultado da inven?º?¬o de Aspdin se assemelhasse na cor e na dureza a essa pedra de Portland, ele registrou esse nome em sua patente. ?ë por isso que o cimento ?ÿ chamado cimento portland.

H?å tempos havia no Brasil, praticamente, um ?ônico tipo de cimento portland. Com a evolu?º?¬o dos conhecimentos t?ÿcnicos sobre o assunto, foram sendo fabricados novos tipos. A maioria dos tipos de cimento portland hoje existentes no mercado servem para o uso geral. Alguns deles, entretanto, tem certas caracter?¡sticas e propriedades que os tornam mais adequados para determinados usos, permitindo que se obtenha um concreto ou uma argamassa com a resist?ncia e durabilidade desejadas, de forma bem econ??mica.

Esta publica?º?¬o descreve resumida e objetivamente os conhecimentos b?åsicos sobre o cimento portland.

Uma das melhores maneiras de conhecer as caracter?¡sticas e propriedades dos diversos tipos de cimento portland ?ÿ estudar sua composi?º?¬o.

O cimento portland ?ÿ composto de cl?¡nquer e de adi?º?es. O cl?¡nquer ?ÿ o principal componente e est?å presente em todos os tipos de cimento portland. As adi?º?es podem variar de um tipo de cimento para outro e s?¬o principalmente elas que definem os diferentes tipos de cimento.

2.1 Cl?¡nquer O cl?¡nquer tem como mat?ÿrias-primas o calc?årio e a argila, ambos obtidos de jazidas em geral situadas nas proximidades das f?åbricas de cimento. A rocha calc?åria ?ÿ primeiramente britada, depois mo?¡da e em seguida misturada, em propor?º?es adequadas, com argila mo?¡da. A mistura formada atravessa ent?¬o um forno girat??rio de grande di?ómetro e comprimento, cuja temperatura interna chega a alcan?ºar 1450oC. O intenso calor transforma a mistura em um novo material, denominado cl?¡nquer, que se apresenta sob a forma de pelotas. Na sa?¡da do forno o cl?¡nquer, ainda incandescente, ?ÿ bruscamente resfriado para posteriormente ser finamente mo?¡do, transformando-se em p??.

O cl?¡nquer em p?? tem a peculiaridade de desenvolver uma rea?º?¬o qu?¡mica em presen?ºa de ?ågua, na qual ele, primeiramente, torna-se pastoso e, em seguida, endurece, adquirindo elevada resist?ncia e durabilidade. Essa caracter?¡stica adquirida pelo cl?¡nquer, que faz dele um ligante hidr?åulico muito resistente, ?ÿ sua propriedade mais importante.

2.2 Adi?º?es As adi?º?es s?¬o outras mat?ÿrias-primas que, misturadas ao cl?¡nquer na fase de moagem, permitem a fabrica?º?¬o dos diversos tipos de cimento portland hoje dispon?¡veis no mercado. Essas outras mat?ÿrias-primas s?¬o o gesso, as esc??rias de alto-forno, os materiais pozol?ónicos e os materiais carbon?åticos.

O gesso tem como fun?º?¬o b?åsica controlar o tempo de pega, isto ?ÿ, o in?¡cio do endurecimento do cl?¡nquer mo?¡do quando este ?ÿ misturado com ?ågua. Caso n?¬o se adicionasse o gesso ?á moagem do cl?¡nquer, o cimento, quando entrasse em contato com a ?ågua, endureceria quase que instantaneamente, o que inviabilizaria seu uso nas obras. Por isso, o gesso ?ÿ uma adi?º?¬o presente

em todos os tipos de cimento portland. A quantidade adicionada ?ÿ pequena: em geral, 3% de gesso para 97% de cl?¡nquer, em massa.

As esc??rias de alto-forno s?¬o obtidas durante a produ?º?¬o de ferro-gusa nas ind?ôstrias sider?ôrgicas e se assemelham aos gr?¬os de areia. Antigamente, as esc??rias de alto-forno eram consideradas como um material sem maior utilidade, at?ÿ ser descoberto que elas tamb?ÿm tinham a propriedade de ligante hidr?åulico muito resistente, ou seja, que reagem em presen?ºa de ?ågua, desenvolvendo caracter?¡sticas aglomerantes de forma muito semelhante ?á do cl?¡nquer. Essa descoberta tornou poss?¡vel adicionar a esc??ria de alto-forno ?á moagem do cl?¡nquer com gesso, guardadas certas propor?º?es, e obter como resultado um tipo de cimento que, al?ÿm de atender plenamente aos usos mais comuns, apresenta melhoria de algumas propriedades, como maior durabilidade e maior resist?ncia final.

Os materiais pozol?ónicos s?¬o rochas vulc?ónicas ou mat?ÿrias org?ónicas fossilizadas encontradas na natureza, certos tipos de argilas queimadas em elevadas temperaturas (550oC a 900oC) e derivados da queima de carv?¬o mineral nas usinas termel?ÿtricas, entre outros. Da mesma forma que no caso da esc??ria de alto-forno, pesquisas levaram ?á descoberta de que os materiais pozol?ónicos, quando pulverizados em part?¡culas muito finas, tamb?ÿm passam a apresentar a propriedade de ligante hidr?åulico, se bem que de forma distinta. Isto porque n?¬o basta colocar os materiais pozol?ónicos, sob forma de p?? muito fino, em presen?ºa de ?ågua, para que passem a desenvolver as rea?º?es qu?¡micas que os tornam primeiramente pastosos e depois endurecidos. A rea?º?¬o s?? vai acontecer se, al?ÿm da ?ågua, os materiais pozol?ónicos mo?¡dos em gr?¬os fin?¡ssimos tamb?ÿm forem colocados em presen?ºa de mais um outro material. O cl?¡nquer ?ÿ justamente um desses materiais, pois no processo de hidrata?º?¬o libera hidr??xido de c?ålcio (cal) que reage com a pozolana.

Esse ?ÿ o motivo pelo qual a adi?º?¬o de materiais pozol?ónicos ao cl?¡nquer mo?¡do com gesso ?ÿ perfeitamente vi?åvel, at?ÿ um determinado limite. E, em alguns casos, ?ÿ at?ÿ recomend?åvel, pois o tipo de cimento assim obtido ainda oferece a vantagem de conferir maior impermeabilidade, por exemplo, aos concretos e ?ás argamassas.

Outros materiais pozol?ónicos t?m sido estudados, tais como as cinzas resultantes da queima de cascas de arroz e a s?¡lica ativa, um p?? fin?¡ssimo que sai das chamin?ÿs das fundi?º?es de ferro-sil?¡cio e que, embora em car?åter regional, j?å t?m seu uso consagrado no Brasil, a exemplo de outros pa?¡ses tecnologicamente mais avan?ºados.

adi?º?¬o serve tamb?ÿm para tornar os concretos e as argamassas mais trabalh?åveis, porque os gr?¬os ou part?¡culas desses materiais mo?¡dos t?m dimens?es adequadas para se alojar entre os gr?¬os ou part?¡culas dos demais componentes do cimento, funcionando como um verdadeiro lubrificante. Quando presentes no cimento s?¬o conhecidos como f?¡ler calc?årio.

Conclui-se, pois que, de todas as adi?º?es, o gesso n?¬o pode, em hip??tese alguma, deixar de ser misturado ao cimento, e que as demais mat?ÿrias-primas adicionadas (esc??ria de alto-forno, materiais pozol?ónicos e materiais carbon?åticos) s?¬o totalmente compat?¡veis com o principal componente do cimento portland ? o cl?¡nquer ? acabando por conferir ao cimento pelo menos uma qualidade a mais.

3 NORMAS T?ëCNICAS E CONTROLE DE QUALIDADE DO CIMENTO PORTLAND As determina?º?es da qualidade e da quantidade das mat?ÿrias-primas que v?¬o constituir os diversos tipos de cimento portland n?¬o podem ser feitas atendendo simplesmente ?á vontade unilateral de um produtor ou de um consumidor.

No Pa?¡s a Associa?º?¬o Brasileira de Normas T?ÿcnicas (ABNT) prepara e divulga normas t?ÿcnicas que s?¬o usadas no mercado como padr?¬o de refer?ncia.

As normas t?ÿcnicas definem n?¬o somente as caracter?¡sticas e propriedades m?¡nimas que os cimentos portland devem apresentar como, tamb?ÿm, os m?ÿtodos de ensaio empregados para verificar se esses cimentos atendem ?ás exig?ncias das respectivas normas.

Existem no Brasil 56 f?åbricas de cimento portland e todas elas atendem ?ás exig?ncias das normas t?ÿcnicas determinadas pela ABNT. A qualidade ?ÿ aferida pela Associa?º?¬o Brasileira de Cimento Portland (ABCP), entidade de Utilidade P?ôblica Federal, com base nas normas da ABNT e nos princ?¡pios do Instituto Nacional de Metrologia, Normaliza?º?¬o e Qualidade Industrial (INMETRO). Quando um saco de cimento apresenta o Selo de Qualidade ABCP, isto significa que o produto nele contido est?å de acordo com as normas t?ÿcnicas brasileiras, ou que atende a essas normas, ou, ainda, que foi produzido em conformidade com as exig?ncias dessas normas.

Todas as f?åbricas brasileiras de cimento instalaram em seu processo de produ?º?¬o ? desde a extra?º?¬o do calc?årio na jazida, at?ÿ o ensacamento do cimento no final da linha ? um complexo sistema de controle de qualidade, de

modo que as exig?ncias feitas pelas normas brasileiras aos cimentos portland sejam cumpridas.

O Selo de Qualidade, impresso em cada saco de cimento portland, ?ÿ um certificado de garantia de que o produto contido naquela embalagem ? desde que inviolada e armazenada convenientemente ? apresenta as caracter?¡sticas e propriedades exigidas pelas normas t?ÿcnicas em vigor.

O consumidor tem o direito de verificar se o cimento que comprou cumpre as normas t?ÿcnicas brasileiras. Entretanto, ter?å de fazer essa verifica?º?¬o com base nos m?ÿtodos de ensaio igualmente fixados por essas mesmas normas.

4 PRINCIPAIS TIPOS DE CIMENTO PORTLAND Existem no Brasil v?årios tipos de cimento portland, diferentes entre si, principalmente em fun?º?¬o de sua composi?º?¬o. Os principais tipos oferecidos no mercado, ou seja, os mais empregados nas diversas obras de constru?º?¬o civil s?¬o: ÔÇó cimento portland pozol?ónico.

Em menor escala s?¬o consumidos, seja pela menor oferta, seja pelas caracter?¡sticas especiais de aplica?º?¬o os seguintes tipos de cimento: ÔÇó cimento para po?ºos petrol?¡feros.

Todos os tipos de cimento mencionados s?¬o regidos por normas da ABNT, que disp?e de escrit??rios ou representa?º?es espalhados pelo Pa?¡s, nos quais poder?¬o ser adquiridas essas normas.

O primeiro cimento portland lan?ºado no mercado brasileiro foi o conhecido CP, correspondendo atualmente ao CP I, um tipo de cimento portland comum sem quaisquer adi?º?es al?ÿm do gesso (utilizado como retardador da pega). Ele acabou sendo considerado na maioria das aplica?º?es usuais como termo de refer?ncia para compara?º?¬o com as caracter?¡sticas e propriedades dos tipos de cimento posteriormente aparecidos. Foi a partir do amplo dom?¡nio cient?¡fico e tecnol??gico sobre o cimento portland comum que se p??de desenvolver outros tipos de cimento, com o objetivo inicial de atender a casos especiais. Com o tempo verificou-se que alguns desses cimentos, inicialmente imaginados como especiais, tinham desempenho equivalente ao do cimento portland comum original, atendendo plenamente ?ás necessidades da maioria das aplica?º?es usuais e apresentando, em muitos casos, inclusive, alguma vantagem adicional. A partir dos bons resultados dessas conquistas e a exemplo de pa?¡ses tecnologicamente mais avan?ºados, como os da Uni?¬o Europ?ÿia, surgiu no mercado brasileiro em 1991 um novo tipo de cimento, o cimento portland composto, cuja composi?º?¬o ?ÿ intermedi?åria entre os cimentos portland comuns e os cimentos portland com adi?º?es (alto-forno e pozol?ónico), estes ?ôltimos j?å dispon?¡veis h?å algumas d?ÿcadas. O Quadro 1 apresenta a composi?º?¬o dos cimentos portland comuns e compostos.

QUADRO 1 – Composi?º?¬o dos cimentos portland comuns e compostos Tipo de cimento portland Sigla Composi?º?¬o (% em massa) Norma Brasileira Cl?¡nquer + gesso Esc??ria granulada de alto- forno (sigla E) Material pozol?ó- nico (sigla Z) Material carbon?å- tico (sigla F) Comum CP I CP I-S 100 99-95 –

1-5 NBR 5732 Composto CP II-E CP II-Z CP II-F 94-56 94-76 94-90 6-34 – – – 6-14 – 0-10 0-10 6-10 NBR 11578 Atualmente os cimentos portland compostos s?¬o os mais encontrados no mercado, respondendo por aproximadamente 75% da produ?º?¬o industrial brasileira; s?¬o utilizados na maioria das aplica?º?es usuais, em substitui?º?¬o ao antigo CP.

O consumo apreci?åvel de energia durante o processo de fabrica?º?¬o de cimento motivou mundialmente a busca, pelo setor, de medidas para diminui?º?¬o do consumo energ?ÿtico. Uma das alternativas de sucesso foi o uso de esc??rias granuladas de alto-forno e materiais pozol?ónicos na composi?º?¬o dos chamados cimentos portland de alto-forno e pozol?ónicos, respectivamente.

O Quadro 2 apresenta a composi?º?¬o desses tipos de cimento normalizados no Brasil.

QUADRO 2 – Composi?º?¬o dos cimentos portland de alto-forno e pozol?ónicos Tipo de cimento portland Sigla Composi?º?¬o (% em massa) Norma Brasileira Cl?¡nquer + gesso Esc??ria granulada de alto-forno Material pozol?ó- nico Material carbon?å- tico Alto-Forno CP III 65-25 35-70 – 0-5 NBR 5735 Pozol?ónico CP IV 85-45 – 15-50 0-5 NBR 5736 Como j?å explicado, as esc??rias granuladas de alto-forno apresentam propriedades hidr?åulicas latentes, isto ?ÿ, da forma como s?¬o obtidas endurecem quando misturadas com ?ågua. Contudo, as rea?º?es de hidrata?º?¬o das esc??rias s?¬o t?¬o lentas que limitariam sua aplica?º?¬o pr?åtica se agentes ativadores, qu?¡micos e f?¡sicos, n?¬o acelerassem o processo de hidrata?º?¬o.

A cal liberada durante a hidrata?º?¬o do cl?¡nquer ?ÿ o principal ativador qu?¡mico da esc??ria quando esta ?ÿ adicionada ao cimento, ao passo que a ativa?º?¬o f?¡sica ?ÿ conseguida pelo aumento da finura quando a esc??ria ?ÿ mo?¡da separada ou conjuntamente com o cl?¡nquer.

Os materiais pozol?ónicos, ao contr?årio das esc??rias granuladas de alto-forno, n?¬o reagem com a ?ågua da forma como s?¬o obtidos. Entretanto, quando finamente divididos, reagem com o hidr??xido de c?ålcio em presen?ºa de ?ågua e na temperatura ambiente, dando origem a compostos com propriedades aglomerantes. Por essa raz?¬o, os materiais pozol?ónicos s?¬o utilizados conjuntamente com o cl?¡nquer, pois o hidr??xido de c?ålcio ?ÿ um produto normalmente resultante da hidrata?º?¬o deste.

Tais fatores repercutem diretamente no comportamento do concreto, melhorando seu desempenho ante a a?º?¬o de sulfatos e da rea?º?¬o ?ålcali-agregado. Outras propriedades s?¬o tamb?ÿm alteradas, incluindo a diminui?º?¬o do calor de hidrata?º?¬o, o aumento da resist?ncia ?á compress?¬o em idades avan?ºadas, a melhor trabalhabilidade e outros.

Dado o fato de as esc??rias granuladas de alto-forno e os materiais pozol?ónicos terem menor velocidade de hidrata?º?¬o em rela?º?¬o ao cl?¡nquer, os cimentos com adi?º?¬o desses materiais podem apresentar, em igualdade de condi?º?es, menor desenvolvimento inicial de resist?ncia. Entretanto, na pr?åtica, verifica-se que as resist?ncias efetivamente alcan?ºadas em todas as idades superam os limites m?¡nimos estabelecidos pelas normas t?ÿcnicas da ABNT, que especificam os valores necess?årios ?ás aplica?º?es mais usuais. A Figura 1 ilustra a evolu?º?¬o m?ÿdia de resist?ncia dos principais tipos de cimento, com base nos valores experimentais obtidos nos laborat??rios da ABCP.

4.3 Cimento Portland de Alta Resist?ncia Inicial O cimento portland de alta resist?ncia inicial (CP V-ARI) embora contemplado pela ABNT como norma separada do cimento portland comum, ?ÿ na verdade um tipo particular deste, que tem a peculiaridade de atingir altas resist?ncias j?å nos primeiros dias da aplica?º?¬o. O desenvolvimento da alta resist?ncia inicial ?ÿ conseguido pela utiliza?º?¬o de uma dosagem diferente de calc?årio e argila na produ?º?¬o do cl?¡nquer, bem como pela moagem mais fina do cimento, de modo que, ao reagir com a ?ågua, ele adquira elevadas resist?ncias, com maior velocidade.

QUADRO 3 – Composi?º?¬o do cimento portland de alta resist?ncia inicial Tipo de cimento portland Sigla Composi?º?¬o (% em massa) Norma Brasileira Cl?¡nquer + gesso Material carbon?åtico Alta Resist?ncia Inicial CP V-ARI 100-95 0-5 NBR 5733

FIGURA 1 – Evolu?º?¬o m?ÿdia de resist?ncia ?á compress?¬o dos distintos tipos de cimento portland (fonte: ABCP, 1996)

H?å, entretanto, uma tend?ncia mundial de abandonar a classifica?º?¬o do cimento de alta resist?ncia como sendo um tipo espec?¡fico do qual se exijam limita?º?es de composi?º?¬o. Assim, a classifica?º?¬o do cimento de alta resist?ncia inicial como qualquer tipo de cimento portland (comum, composto, de alto-forno, pozol?ónico) que apresente adicionalmente a propriedade de desenvolver altas resist?ncias iniciais j?å ?ÿ adotada nos pa?¡ses da Uni?¬o Europ?ÿia. O mesmo fato dever?å ocorrer no Brasil com os trabalhos de revis?¬o da norma brasileira NBR 5733, no ?ómbito do Mercosul para ado?º?¬o de norma ?ônica nos pa?¡ses integrantes desse Mercado.

O princ?¡pio de considerar quatro ou cinco tipos b?åsicos de cimento classificados por sua composi?º?¬o (porcentagem de cl?¡nquer e adi?º?es) e tipos especiais derivados dos tipos b?åsicos, que apresentem certas peculiaridades ou caracter?¡sticas, j?å ?ÿ adotado no Brasil; os tipos especiais normalizados s?¬o os cimentos portland resistentes aos sulfatos e os cimentos portland de baixo calor de hidrata?º?¬o.

Os cimentos portland resistentes aos sulfatos s?¬o aqueles ? como o pr??prio nome diz ? que t?m a propriedade de oferecer resist?ncia aos meios agressivos sulfatados, tais como os encontrados nas redes de esgotos de ?åguas servidas ou industriais, na ?ågua do mar e em alguns tipos de solos. De acordo com a norma NBR 5737, quaisquer um dos cinco tipos b?åsicos (CP I, CP II, CP lII, CP IV e CP V-ARI) podem ser considerados resistentes aos sulfatos, desde que obede?ºam a pelo menos uma das seguintes condi?º?es: ÔÇó teor de aluminato tric?ålcico (C A) do cl?¡nquer e teor de adi?º?es 3 ÔÇó cimentos do tipo alto-forno que contiverem entre 60% e 70% de ÔÇó cimentos do tipo pozol?ónico que contiverem entre 25% e 40% de ÔÇó cimentos que tiverem antecedentes de resultados de ensaios de longa dura?º?¬o ou de obras que comprovem resist?ncia aos sulfatos.

No primeiro e no ?ôltimo caso o cimento deve atender ainda a uma das normas NBR 5732, 5733, 5735, 5736 e 11578. Se o cimento original for o portland de alta resist?ncia inicial (NBR 5733), admite-se a adi?º?¬o de esc??ria granulada de alto-forno ou de materiais pozol?ónicos, para os fins espec?¡ficos da NBR 5737.

Uma d?ôvida que tem surgido entre os usu?årios ?ÿ se o CP II-F que tem necessariamente mais que 5% de f?¡ler calc?årio e n?¬o cont?ÿm esc??ria ou pozolana pode ser considerado resistente a sulfatos. Nesse caso, o cimento deve necessariamente ser submetido a ensaios espec?¡ficos de determina?º?¬o da resist?ncia aos sulfatos antes de uma decis?¬o sobre sua utiliza?º?¬o em meios agressivos sulfatados. Os testes mais correntes s?¬o os especificados pela ASTM C-1012 – Length Change of Hidraulic – Cement Mortars Exposed to a Sulfate Solution, com m?¡nimo de 180 dias de dura?º?¬o, NBR 13583 – Cimento Portland – Determina?º?¬o da varia?º?¬o dimensional de barras de argamassa de cimento portland expostas ?á solu?º?¬o de sulfato de s??dio, com dura?º?¬o de 66 dias ou ainda o m?ÿtodo proposto por Koch & Steinegger, com dura?º?¬o de 77 dias.

O aumento da temperatura no interior de grandes estruturas de concreto devido ao calor desenvolvido durante a hidrata?º?¬o do cimento pode levar ao aparecimento de fissuras de origem t?ÿrmica, que podem ser evitadas se forem usados cimentos com taxas lentas de evolu?º?¬o de calor, os chamados cimentos portland de baixo calor de hidrata?º?¬o.

Os cimentos portland de baixo calor de hidrata?º?¬o, de acordo com a NBR 13116, s?¬o aqueles que geram at?ÿ 260 J/g e at?ÿ 300 J/g aos 3 dias e 7 dias de hidrata?º?¬o, respectivamente, e podem ser qualquer um dos tipos b?åsicos. O ensaio ?ÿ executado de acordo com a norma NBR 12006 – Determina?º?¬o do Calor de Hidrata?º?¬o pelo M?ÿtodo da Garrafa de Langavant.

4.6 Cimento Portland Branco O cimento portland branco ?ÿ um tipo de cimento que se diferencia dos demais pela colora?º?¬o. A cor branca ?ÿ conseguida a partir de mat?ÿrias-primas com baixos teores de ??xidos de ferro e mangan?s e por condi?º?es especiais durante a fabrica?º?¬o, especialmente com rela?º?¬o ao resfriamento e ?á moagem do produto.

No Brasil o cimento portland branco ?ÿ regulamentado pela norma NBR 12989, sendo classificado em dois subtipos: cimento portland branco estrutural e cimento portland branco n?¬o estrutural, cujas composi?º?es s?¬o mostradas no Quadro 4.

Boletim. J?å o cimento portland branco n?¬o estrutural n?¬o tem indica?º?¬o de classe e ?ÿ aplicado, por exemplo, no rejuntamento de azulejos e na fabrica?º?¬o de ladrilhos hidr?åulicos, isto ?ÿ, em aplica?º?es n?¬o estruturais, sendo esse aspecto ressaltado na sacaria para evitar uso indevido por parte do consumidor.

4.7 Cimento para Po?ºos Petrol?¡feros Constitui um tipo de cimento portland de aplica?º?¬o bastante espec?¡fica, qual seja a cimenta?º?¬o de po?ºos petrol?¡feros. O consumo desse tipo de cimento ?ÿ pouco expressivo quando comparado ao dos outros tipos de cimentos normalizados no Pa?¡s. O cimento para po?ºos petrol?¡feros (CPP) ?ÿ regulamentado pela NBR 9831 e na sua composi?º?¬o n?¬o se observam outros componentes al?ÿm do cl?¡nquer e do gesso para retardar o tempo de pega. No processo de fabrica?º?¬o do cimento para po?ºos petrol?¡feros s?¬o tomadas precau?º?es para garantir que o produto conserve as propriedades reol??gicas (plasticidade) necess?årias nas condi?º?es de press?¬o e temperatura elevadas presentes a grandes profundidades, durante a aplica?º?¬o nos po?ºos petrol?¡feros.

5 PRESCRI.?òES NORMATIVAS DOS DIFERENTES TIPOS DE CIMENTO PORTLAND Os v?årios tipos de cimento normalizados s?¬o designados pela sigla e pela classe de resist?ncia.

As siglas correspondem ao prefixo CP acrescido dos algarismos romanos de I a V, conforme o tipo do cimento, sendo as classes indicadas pelos n?ômeros 25, 32 e 40. As classes de resist?ncia apontam os valores m?¡nimos de resist?ncia ?á compress?¬o garantidos pelo fabricante, ap??s 28 dias de cura.

At?ÿ o ano de 1979 a unidade em que se expressava a resist?ncia ?á compress?¬o do corpo-de-prova padronizado era o quilograma-for?ºa por cent?¡metro quadrado (kgf/cm2). Seguindo recomenda?º?¬o do INMETRO, o ??rg?¬o normativo do Governo Federal que tornou obrigat??ria a ado?º?¬o do Sistema Internacional de Unidades (Sl), essa unidade passou a ser expressa em megapascal (MPa) e as classes de resist?ncia dos cimentos tiveram, por conseq???ncia, a supress?¬o de um zero na sua identifica?º?¬o, uma vez que 1 MPa corresponde aproximadamente a 10 kgf/cm2. O Quadro 5 apresenta a evolu?º?¬o da nomenclatura, siglas e classes dos cimentos, ao passo que o Quadro 6 apresenta a nomenclatura atual.

As normas t?ÿcnicas da ABNT referentes aos tipos apresentados no Quadro 6 fixam as condi?º?es exig?¡veis desses cimentos, tais como designa?º?¬o, composi?º?¬o, exig?ncias qu?¡micas, f?¡sicas e mec?ónicas, condi?º?es de embalagem, marca?º?¬o, entrega e armazenamento dos sacos de cimento, bem como crit?ÿrios de aceita?º?¬o e rejei?º?¬o do produto.

Os Quadros 7 e 8 apresentam os limites estabelecidos de exig?ncias qu?¡micas, f?¡sicas e mec?ónicas para os diferentes tipos de cimento. As exig?ncias qu?¡micas visam a limitar o teor de adi?º?es, a pr?ÿ-hidrata?º?¬o e falhas no processo de fabrica?º?¬o, enquanto que as exig?ncias f?¡sico-mec?ónicas garantem o desempenho mec?ónico e reol??gico quando da aplica?º?¬o em pastas, argamassas e concretos.

QUADRO 5 ? Evolu?º?¬o dos c??digos de identifica?º?¬o dos cimentos portland Cimento portland Antes de 1980 1980 1988 A partir de 1991 Comum CP-250 CP-320 CP-400 CP-25 CP-32 CP-40 CPS-25, CPS-32, CPS-40 CPE-25, CPE-32, CPE-40 CPZ-25, CPZ-32, CPZ-40 CP I-25, CP I-32, CP I-40 CP I-S-25, CP I-S-32, CP I-S-40 Composto – – – CP II-E-25, CP II-E-32, CP II-E-40 CP II-Z-25, CP II-Z-32, CP II-Z-40 CP II-F-25, CP II-F-32, CP II-F-40 Alto-Forno AF-250 AF-320 AF-25 AF-32 AF-25 AF-32 AF-40 CP III-25 CP III-32 CP III-40 Pozol?ónico POZ-250 POZ-320 POZ-25 POZ-32 POZ-25 POZ-32 CP IV-25 CP IV-32 de Alta Resist?ncia Inicial ARI ARI ARI CP V-ARI

QUADRO 7 ? Exig?ncias f?¡sicas e mec?ónicas Tipo de cimento portland Classe Finura Tempos de pega Expansibilidade Resist?ncia ?á compress?¬o Res?¡duo na peneira 75 mm (%) `rea espec?¡fica (m2/kg) In?¡cio (h) Fim (h) A frio (mm) A quente (mm) 1 dia (MPa) 3 dias (MPa) 7 dias (MPa) 28 dias (MPa) 91 dias (MPa) CP I CP I-S 25 32 40 ? 12,0

? 10,0 ? 240 ? 260 ? 280 ?1 ? 10(1) ? 5(1) ?5 – ? 8,0 ? 10,0 ? 15,0 ? 15,0 ? 20,0 ? 25,0 ? 25,0 ? 32,0 ? 40,0 – CP II-E CP II-Z CP II-F 25 32 40 ? 12,0

? 10,0 ? 240 ? 260 ? 280 ?1 ? 10(1) ? 5(1) ?5 – ? 8,0 ? 10,0 ? 15,0 ? 15,0 ? 20,0 ? 25,0 ? 25,0 ? 32,0 ? 40,0 – CP III(2) 25 32 40 ? 8,0 – ?1 ? 12(1) ? 5(1) ?5 – ? 8,0 ? 10,0 ? 12,0 ? 15,0 ? 20,0 ? 23,0 ? 25,0 ? 32,0 ? 40,0 ? 32,0(1) ? 40,0(1) ? 48,0(1) CP IV(2) 25 32 ? 8,0 – ?1 ? 12(1) ? 5(1) ?5 – ? 8,0 ? 10,0 ? 15,0 ? 20,0 ? 25,0 ? 32,0 ? 32,0(1) ? 40,0(1) CP V-ARI ? 6,0 ? 300 ?1 ? 10(1) ? 5(1) ?5 ? 14,0 ? 24,0 ? 34,0 – –

QUADRO 8 ? Exig?ncias qu?¡micas Tipo de cimento portland Res?¡duo insol?ôvel (%) Perda ao fogo (%) MgO (%) SO3 (%) CO2 (%) S (%) CP I CP I-S ? 1,0 ? 5,0 ? 2,0 ? 4,5 ? 6,5 ? 4,0 ? 1,0 ? 3,0 – – CP II-E CP II-Z CP II-F ? 2,5 ? 16,0 ? 2,5 ? 6,5 ? 6,5 ? 4,0 ? 5,0 – – – CP III ? 1,5 ? 4,5 – ? 4,0 ? 3,0 ? 1,0(1) CP IV (2) (3) (4) ? 4,5 ? 6,5 ? 4,0 ? 3,0 – CP V-ARI ? 1,0 ? 4,5 ? 6,5 ? 3,5 ? 4,5(5) ? 3,0 –

(3) A atividade do material pozol?ónico, determinada conforme a NBR 5752, deve ser maior que 75%.

(5) O teor de SO igual a 3,5% aplica-se quando C A ? 8,0, e 4,5% quando C A ? 8,0%. 333

6 INFLU??NCIA DOS TIPOS DE CIMENTO NAS ARGAMASSAS E CONCRETOS O Quadro 9 mostra, de forma simplificada, de que forma os diversos tipos de cimento agem sobre as argamassas e concretos de fun?º?¬o estrutural com eles constitu?¡dos.

QUADRO 9 ? Influ?ncia dos tipos de cimento nas argamassas e concretos Propriedade Tipo de cimento portland Comum e Composto Alto-Forno Pozol?ónico Alta Resist?ncia Inicial Resistente aos Sulfatos Branco Estrutural Baixo Calor de Hidrata?º?¬o Resist?ncia ?á compress?¬o Padr?¬o Menor nos primeiros dias e maior no final da cura Menor nos primeiros dias e maior no final da cura Muito maior nos primeiros dias Padr?¬o Padr?¬o Menor nos primeiros dias e padr?¬o no final da cura Calor gerado na rea?º?¬o do cimento com a ?ågua Padr?¬o Menor Menor Maior Padr?¬o Maior Menor Impermeabilidade Padr?¬o Maior Maior Padr?¬o Padr?¬o Padr?¬o Padr?¬o Resist?ncia aos agentes agressivos (?ågua do mar e de esgotos) Padr?¬o Maior Maior Menor Maior Menor Maior Durabilidade Padr?¬o Maior Maior Padr?¬o Maior Padr?¬o Maior

As influ?ncias assinaladas no Quadro 9 s?¬o relativas, podendo-se ampliar ou reduzir seu efeito sobre as argamassas e concretos, atrav?ÿs de aumento ou diminui?º?¬o da quantidade de seus componentes, sobretudo a ?ågua e o cimento. As caracter?¡sticas dos demais componentes, que s?¬o principalmente os agregados (areia, pedra britada, p??-de-pedra etc.), tamb?ÿm poder?¬o alterar o grau de influ?ncia, sobretudo se contiverem mat?ÿrias org?ónicas (folhas, ra?¡zes etc.). Finalmente, pode-se usar aditivos qu?¡micos para reduzir certas influ?ncias ou aumentar o efeito de outras, quando desejado ou necess?årio.

Tudo isso leva ?á conclus?¬o de que ?ÿ necess?årio estudar a dosagem ideal dos componentes das argamassas e concretos a partir do tipo de cimento escolhido ou dispon?¡vel na pra?ºa, de forma a estabelecer uma composi?º?¬o que d? o melhor resultado ao menor custo. As dosagens devem obedecer a m?ÿtodos racionais comprovados na pr?åtica e que respeitem as normas t?ÿcnicas aplic?åveis e o uso dos aditivos deve seguir as instru?º?es do seu fabricante.

Al?ÿm disso, ?ÿ absolutamente fundamental fazer corretamente o adensamento e a cura das argamassas e dos concretos. O adensamento e a cura malfeitos s?¬o as principais causas de defeitos e problemas que surgem nas argamassas e nos concretos, como a baixa resist?ncia, as trincas e fissuras, a corros?¬o da armadura etc. O bom adensamento ?ÿ obtido atrav?ÿs de uma vibra?º?¬o adequada. O principal cuidado que se deve tomar para obter uma cura correta ?ÿ manter as argamassas e os concretos ?ômidos ap??s a pega, molhando-os com uma mangueira ou com um regador, ou ent?¬o cobrindo-os com sacos molhados (de aniagem ou do pr??prio cimento), ou at?ÿ colocando t?åbuas ou chapas de madeira molhadas sobre a superf?¡cie, de modo a impedir a evapora?º?¬o da ?ågua por a?º?¬o do vento e do calor do sol durante um per?¡odo m?¡nimo de sete dias.

7 O USO DOS DIVERSOS TIPOS DE CIMENTO NAS DIFERENTES APLICA.?òES Em que pese a possibilidade de se ajustar, atrav?ÿs de dosagens adequadas, os diversos tipos de cimento ?ás mais diversas aplica?º?es, a an?ålise das suas caracter?¡sticas e propriedades, bem como de sua influ?ncia sobre as argamassas e os concretos j?å mostra que certos tipos s?¬o mais apropriados para determinados fins do que outros. O Quadro 10 aponta quais tipos de cimento dispon?¡veis no mercado podem ser usados nas mais diferentes aplica?º?es.

QUADRO 10 – Aplica?º?es dos diferentes tipos de cimento portland Aplica?º?¬o Tipos de cimento portland Argamassa de revestimento e assentamento de tijolos e blocos Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III) e Pozol?ónico (CP IV) Argamassa de assentamento de azulejos e ladrilhos Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F) e Pozol?ónico (CP IV) Argamassa de rejuntamento de azulejos e ladrilhos Branco (CPB) Concreto simples (sem armadura) Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III) e Pozol?ónico (CP IV) Concreto magro (para passeios e enchimentos) Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III) e Pozol?ónico (CP IV) Concreto armado com fun?º?¬o estrutural Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III), Pozol?ónico (CP IV), de Alta Resist?ncia Inicial (CP V-ARI) e Branco Estrutural (CPB Estrutural) Concreto protendido com protens?¬o das barras antes do lan?ºamento do concreto Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-Z, CP II-F), de Alta Resist?ncia Inicial (CP V-ARI) e Branco Estrutural (CPB Estrutural) Concreto protendido com protens?¬o das barras ap??s o endurecimento do concreto Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III), Pozol?ónico (CP IV), de Alta Resist?ncia Inicial (CP V-ARI) e Branco Estrutural (CPB Estrutural) Concreto armado para desforma r?åpida, curado por aspers?¬o de ?ågua ou produto qu?¡mico de Alta Resist?ncia Inicial (CP V-ARI), Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto- Forno (CP III), Pozol?ónico (CP IV) e Branco Estrutural (CPB Estrutural) Concreto armado para desforma r?åpida, curado a vapor ou com outro tipo de cura t?ÿrmica Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III), Pozol?ónico (CP IV), de Alta Resist?ncia Inicial (CP V-ARI) e Branco Estrutural (CPB Estrutural) Elementos pr?ÿ-moldados de concreto e artefatos de cimento curados por aspers?¬o de ?ågua Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III), Pozol?ónico (CP IV), de Alta Resist?ncia Inicial (CP V-ARI) e Branco Estrutural (CPB Estrutural) (VER NOTA) (*) Elementos pr?ÿ-moldados de concreto e artefatos de cimento para desforma r?åpida, curados por aspers?¬o de ?ågua de Alta Resist?ncia Inicial (CP V-ARI), Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F) e Branco Estrutural (CPB Estrutural) Elementos pr?ÿ-moldados de concreto e artefatos de cimento para desforma r?åpida, curados a vapor ou com outro tipo de cura t?ÿrmica Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III), Pozol?ónico (CP IV) e Branco Estrutural (CPB Estrutural) continua

continua?º?¬o Aplica?º?¬o Tipos de cimento portland Pavimento de concreto simples ou armado Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III) e Pozol?ónico (CP IV) Pisos industriais de concreto Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III), Pozol?ónico (CP IV) e de Alta Resist?ncia Inicial (CP V-ARI) Concreto arquitet??nico Branco Estrutural (CPB Estrutural) Argamassa armada (VER NOTA) (*) Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alta Resist?ncia Inicial (CP V-ARI) e Branco Estrutural (CPB Estrutural) Solo-Cimento Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III) e Pozol?ónico (CP IV) Argamassas e concretos para meios agressivos (?ågua do mar e de esgotos de Alto-Forno (CP III), Pozol?ónico (CP IV) e Resistente a Sulfatos Concreto-massa de Alto-Forno (CP III), Pozol?ónico (CP IV) e de Baixo Calor de Hidrata?º?¬o Concreto com agregados reativos Comum (CP I, CP I-S), Composto (CP II-E, CP II-Z, CP II-F), de Alto-Forno (CP III) e Pozol?ónico (CP IV) NOTA: (*) Dada a pouca experi?ncia que se tem no Brasil sobre uso do CP III e do CP IV na argamassa armada deve-se consultar um especialista antes de especific?å-los para esse uso.

8 ESTOCAGEM DO CIMENTO Definido o tipo de cimento, falta apenas atentar para os cuidados necess?årios ?á conserva?º?¬o do cimento (que ?ÿ um produto perec?¡vel), pelo maior tempo poss?¡vel, no dep??sito ou no canteiro de obras.

Trata-se de uma embalagem usada no mundo inteiro, para proteger o cimento da umidade e do manuseio no transporte, ao menor pre?ºo para o consumidor. Al?ÿm disso, o saco de papel ?ÿ o ?ônico que permite o enchimento com material ainda bastante aquecido, por ensacadeiras autom?åticas, imprescind?¡veis ao atendimento do fluxo de produ?º?¬o (ao contr?årio de outros tipos de embalagem j?å testados, como a de pl?åstico). Mas, o saco de papel protege pouco o cimento nele contido da a?º?¬o direta da ?ågua.

Se o cimento entrar em contato com a ?ågua na estocagem, ele vai empedrar ou endurecer antes do tempo, inviabilizando sua utiliza?º?¬o na obra ou f?åbrica de pr?ÿ-moldados e artefatos de cimento.

A ?ågua ?ÿ o maior aliado do cimento na hora de confeccionar as argamassas e os concretos. Mas ?ÿ o seu maior inimigo antes disso. Portanto, ?ÿ preciso evitar a todo custo que o cimento estocado entre em contato com a ?ågua. Essa ?ågua n?¬o vem s?? da chuva, de uma torneira ou de um cano furado, mas tamb?ÿm se encontra, sob forma de umidade, no ar, na terra, no ch?¬o e nas paredes.

Por isso, o cimento deve ser estocado em local seco, coberto e fechado de modo a proteg?-lo da chuva, bem como afastado do ch?¬o, do piso e das paredes externas ou ?ômidas, longe de tanques, torneiras e encanamentos, ou pelo menos separado deles.

Recomenda-se iniciar a pilha de cimento sobre um tablado de madeira, montado a pelo menos 30 cm do ch?¬o ou do piso e n?¬o formar pilhas maiores do que 10 sacos. Quanto maior a pilha, maior o peso sobre os primeiros sacos da pilha. Isso faz com que seus gr?¬os sejam de tal forma comprimidos que o cimento contido nesses sacos fica quase que endurecido, sendo necess?årio afof?å-lo de novo, antes do uso, o que pode acabar levando ao rompimento do saco e ?á perda de boa parte do material. A pilha recomendada de 10 sacos tamb?ÿm facilita a contagem, na hora da entrega e no controle dos estoques.

?ë recomend?åvel utilizar primeiro o cimento estocado h?å mais tempo, deixando o que chegar por ?ôltimo para o fim, o que evita que um lote fique estocado por tempo excessivo, j?å que o cimento, bem estocado, ?ÿ pr??prio para uso por tr?s meses, no m?åximo, a partir da data de sua fabrica?º?¬o.

A fabrica?º?¬o de cimento processa-se rapidamente. O cl?¡nquer de cimento portland sai do forno a cerca de 80oC, indo diretamente ?á moagem, ao ensacamento e ?á expedi?º?¬o, podendo, portanto, chegar ?á obra ou dep??sito com temperatura de at?ÿ 60oC. N?¬o ?ÿ recomend?åvel usar o cimento quente, pois isso poder?å afetar a trabalhabilidade da argamassa ou do concreto com ele confeccionados. Deve-se deix?å-lo descansar at?ÿ atingir a temperatura ambiente e, para isso, recomenda-se estoc?å-lo em pilhas menores, de 5 sacos, deixando um espa?ºo entre elas para favorecer a circula?º?¬o de ar, o que far?å com que eles se resfriem mais rapidamente.

Tomados todos os cuidados na estocagem adequada do cimento para alongar ao m?åximo sua vida ?ôtil, ainda assim alguns sacos de cimento podem se estragar. ?Çs vezes, o empedramento ?ÿ apenas superficial. Se esses sacos forem tombados sobre uma superf?¡cie dura e voltarem a se afofar, ou se for poss?¡vel esfarelar os torr?es neles contidos entre os dedos, o cimento desses sacos ainda se prestar?å ao uso normal. Caso contr?årio, ainda se pode tentar aproveitar parte do cimento, peneirando-o. O p?? que passa numa peneira de malha de 5 mm (peneira de feij?¬o) pode ser utilizado em aplica?º?es de menor responsabilidade, tais como pisos, contrapisos e cal?ºadas, mas n?¬o deve ser utilizado em pe?ºas estruturais, j?å que sua resist?ncia ficou comprometida, pois parte desse cimento j?å teve iniciado o processo de hidrata?º?¬o.

Enfim, observa-se que ?ÿ fundamental a estocagem correta, pois n?¬o apenas h?å o risco de perder-se parte do cimento, como tamb?ÿm acaba-se reduzindo a resist?ncia final do cimento que n?¬o chegou a estragar.

9 CONSIDERA.?òES FINAIS O presente trabalho pretende dar informa?º?¬o t?ÿcnica b?åsica sobre o cimento, suas caracter?¡sticas e propriedades, aos consumidores e usu?årios desse material de constru?º?¬o que desejem conhecer esse importante componente da constru?º?¬o civil, de uma maneira gen?ÿrica. Caso o leitor interessado tenha interesse em aprofundar-se no assunto, sugere-se entrar em contato com a Associa?º?¬o Brasileira de Cimento Portland, nos seguintes telefones: Regi?¬o Norte e Nordeste: Escrit??rio Regional Norte-Nordeste RECIFE / PE Tel./Fax: (81) 3222.4410 / 3423.5565 Regi?¬o Centro-Oeste: Escrit??rio Regional Centro-Oeste BRAS?LIA / DF Tel./Fax: (61) 234.5911 / 234.5012 Regi?¬o Sul: Escrit??rio Regional Sul CURITIBA / PR Tel.: (41) 353.7426 Fax: (41) 353.4707 Regi?¬o Sudeste: Escrit??rio Regional Minas Gerais BELO HORIZONTE / MG Tel.: (31) 3223.0721 Fax: (31) 3284.0021 Escrit??rio Regional Rio de Janeiro RIO DE JANEIRO / RJ Tel.: (21) 2531.1990 Fax: (21) 2531.2729 Escrit??rio Regional de S?¬o Paulo S^O PAULO / SP Tel.: (11) 3760.5374 / 5311 / 5408 Fax: (11) 3760.5320

Sede: Av. Torres de Oliveira, 76 ! Jaguar?ÿ – 05347-902 ! S?¬o Paulo/SP Tel.: (11) 3760-5300 ! Fax: (11) 3760-5370 ! www.abcp.org.br

Escrit??rios Regionais: Pernambuco – Tel/Fax: (81) 3222-4410 e 3423.5565 Distrito Federal – Tel./Fax: (61) 234-5911 e 234-5012 Minas Gerais – Tel: (31) 3223-0721 – Fax: (31) 3284-0021 Rio de Janeiro – Tel: (21) 2531-1990 – Fax: (21) 2531-2729 S?¬o Paulo – Tel: (11) 3760-5311/17 – Fax: (11) 3760- 5320 Paran?å – Tel: (41) 353-7426 – Fax: (41) 353-4707

Representa?º?es Regionais: Cear?å – Maranh?¬o – Bahia – Santa Catarina – Rio Grande do Sul – Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – Esp?¡rito Santo – Tel./Fax: (85) 9944-6344 Tel./Fax: (98) 249-1796 Tel./Fax: (71) 354-6947 Tel./Fax: (48) 322-0470 Tel./Fax: (51) 3395-3444 Tel./Fax: (67) 3025-5120 Tel./Fax: (27) 3324-8882

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