A place to share and follow researchSubmit an Article or Content File →

Estudo da Durabilidade de Protetores Auriculares

loading
Loading file Wait!

XI SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2004 Avaliação da Durabilidade de Protetores Auriculares

João Candido Fernandes (UNESP) jcandido@feb.unesp.br Fábio Redulfo Suman (UNESP) fabiosuman@ig.com.br Viviane Mendes Fernandes (USC) vivi_fernandess@hotmail.com

Resumo Os equipamentos de proteção individual (EPI) são um recurso amplamente empregado para a segurança do trabalhador no exercício de suas funções. Porém, como qualquer tipo de equipamento, o EPI sofre desgaste com a utilização. A durabilidade do EPI é de extrema importância para o correto desempenho do mesmo na proteção da integridade física, a saúde e a vida do trabalhador, evitando-se lesões por acidente no trabalho. Esta pesquisa determina os valores de durabilidade média de protetores auriculares tipo concha e pugue utilizados por funcionários de uma indústria de chapas de fibra de madeira. Para a determinação dos resultados, foram coletadas as fichas de recibo e controle de EPIs de cinqüenta e oito funcionários da área de Manutenção da referida indústria, referentes ao período de julho de 1997 a julho de 2002. Com os dados, foram calculadas as médias entre as datas em que cada funcionário efetuou retiradas de EPI, e dessa forma pôde-se determinar a durabilidade média dos EPIs para cada funcionário. Em seguida, foi calculada a média geral de durabilidade de cada tipo de EP1. Estes resultados mostraram que o protetor tipo concha é usado, em média por 167 dias úteis, o protetor de espuma por 11,4 dias úteis e o protetor de silicone por 81 dias úteis. Os valores encontrados estão acima do recomendado Palavras chave: Ruído, Perda de Audição, Protetores Auriculares, Durabilidade.

XI SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2004 Tabela 1 - Grau de Atenuação de EPIs auditivos pelo tempo de utilização (Kwitko et al., 2001) Descrição do EPI Auditivo 1130 (3M) Quiet QD1 Pomp Plus Tempo de uso Atenuação dB(A) Tempo de uso Atenuação dB(A) Tempo de uso Atenuação dB(A) Novo 29,1 Novo 29,6 Novo 29,8 1 semana 30,3 2 semanas 29,4 8 semanas 29,7 2 semanas 18,3 4 semanas 26,0 16 semanas 27,4 8 semanas 6,9 24 semanas 28,3 O objetivo deste trabalho é a determinação dos valores de durabilidade média de protetores auriculares tipo concha e tipo plugue utilizados por funcionários de uma indústria de chapas de fibra de madeira.

2. Material e Métodos Todos os dados desta pesquisa foram obtidos em fichas de recibo e Controle de EPI de 58 funcionários da área de manutenção da indústria de chapas de fibra de madeira citada, referentes ao período de 5 anos (julho de 1997 a julho de 2002).

2.1 EPIs analisados Para se efetuar o estudo sobre durabilidade foram selecionados os seguintes tipos de EPI utilizados pelos funcionários: - Protetor Auditivo, referência Pomp Plus, confeccionado em silicone, tamanho único, com cordão em algodão, fabricado pela Pomp Produtos Hospitalares e de Segurança no Trabalho S/A. Certificado de Aprovação no Ministério do Trabalho e Emprego (C.A.) número 5745, Processo 46000.009087/90-51, Data de Emissão 02/08/2002, Data de Validade 02/08/2007.

- Protetor Auditivo, referência 1130 Soft Ear Plug, confeccionado em espuma moldável, tipo plugue de inserção em formato cônico ondulado, com base plana e topo arredondado, tamanho único, com cordão em silicone, fabricado pela 3M do Brasil Ltda. Certificado de Aprovação no Ministério do Trabalho e Emprego número 11970. Processo 46000.017914/79-08, Data de Emissão 01/02/2002, Data de Validade 01/02/2007.

XI SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2004 2.2 Métodos Tomando por base as fichas de recibo e controle de EPI da empresa, elaborou-se uma planilha com os seguintes dados: Nome do Funcionário, Função do Funcionário, Tipos de EPI utilizados, datas em que o funcionário efetuou retiradas de cada tipo de EPI durante o período Junto à coluna de datas, foi inserida uma coluna onde foi aplicada uma subtração (cada data digitada foi subtraída da data anterior) e uma coluna ?Média?, que calculou a média das diferenças, determinando-se quantos dias em média levou para o funcionário efetuar nova retirada de EPI.

2.3 Sujeitos Tabela 2 ? Distribuição dos 58 funcionários da pesquisa Função EPI 27 eletricistas 17 usuários de conchas 6 usuários de plugues de espuma 11 usuários de plugues de silicone 31 mecânicos 14 usuários de conchas 9 usuários de plugues de espuma 20 usuários de plugues de silicone Alguns funcionários usaram dois tipos de protetores.

3. Resultados e Discussão Os valores das durabilidades médias dos EPIs em dias corridos e em dias úteis podem ser vistos na Tabela 3.

Tabela 3 ? Durabilidade média dos protetores em dias Funcionário EPI concha Confo 500 (MSA) EPI espuma 1130 (3M) EPI silicone (Pomp Plus) DC DU DC DU DC DU Mecânicos 216,2 140,5 14,8 9,6 125,2 81,4 Eletricistas 295,5 192,0 22,5 14,6 136,4 88,7 DC: dias corridos; DU: dias úteis.

XI SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2004 sempre que estiverem sujos. Portanto, verifica-se que o correto manuseio deste tipo de A Pomp Produtos Hospitalares e de Segurança no Trabalho S.A., fabricante do protetor auricular em silicone, no Folheto de Dados Técnicos do Protetor Auricular Pomp Plus (2003), que o mesmo possui durabilidade comprovada de um ano de uso com garantia de atenuação dos níveis de ruído. Portanto, observa-se que os resultados obtidos nesta pesquisa, para os protetores auriculares em silicone, estão inferiores aos informados pelo fabricante. A Tabela 4 mostra um comparativo entre os resultados obtidos nesta pesquisa, em relação aos resultados obtidos no Anuário Brasileiro de Proteção (1999) e os resultados de Kwitko et al. (2001).

Tabela 4: Comparativo entre os resultados desta pesquisa em relação ao Anuário Brasileiro de Proteção (1999) e Kwitko ei aí. (2001) Pesquisa EPI concha Confo 500 (MSA) EPI espuma 1130 (3M) EPI silicone (Pomp Plus) Durabilidade média em dias corridos Anuário Brasileiro de Proteção (1999) 180 a 360 30 a 60 30 a 60 (2001) ------ 14 168 Resultados desta pesquisa 258,7 17,6 125,6

Pela Tabela 4 verifica-se que os resultados obtidos nesta pesquisa estão dentro dos valores de durabilidade média do Anuário Brasileiro de Proteção (1999). Com relação aos protetores auriculares de espuma verifica-se que os valores obtidos nesta pesquisa estão relativamente próximos aos obtidos por Kwitko et al. (2001). Já nos valores obtidos com relação aos protetores em silicone, observa-se que a durabilidade levantados nesta pesquisa estão inferiores aos obtidos por Kwitko et al. (2001).

4. Conclusões Através da presente pesquisa, foi possível determinar os valores de durabilidade média de protetores auriculares tipo concha e protetores auriculares em espuma e em silicone utilizados Os resultados obtidos puderam ser comparados entre si e em relação a pesquisas publicadas por outros autores, mostrando que os valores de durabilidade dos EPIs, objetos desta pesquisa, se encontram bastante próximos dos obtidos por outros pesquisadores, com exceção apenas Portanto, através de um trabalho de orientação para os usuários de EPIs, ressaltando-se aspectos relativos ao correto manuseio, pode ser possível obter maior durabilidade média de E.P.I.s na empresa onde foi realizada esta pesquisa.

XI SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2004 ANUÁRIO BRASILEIRO DE PROTEÇÃO, Edição 1999. Edição especial da Revista Proteção. São Paulo, 1999.

ARAÚJO, G.M., Tendências na Avaliação do Ruído Ocupacional. Rio de Janeiro, 2002. Disponível em . Acesso em 23 de Outubro de 2002.

AVATEC - AVALIAÇÕES TÉCNICAS AMBIENTAIS, Boletim Informativo Nº 033, São Paulo, 2002. Disponível em . Acesso em 01 de Setembro de 2002.

BERGER, E.H., Earlog 5 ? Hearing Protector Performance: How they work and what goes wrong in the real world. Sound and Vibration Vol. 14, 14-17, American Industrial Hyg. Association, Fairfax, VA, E.U.A., 1980.

BOLETIM DE DADOS TÉCNICOS DE PROTETORES AUDITIVOS MODELOS 1110 e 1130, 3M do Brasil Ltda., São Paulo, 2003. Disponível em Acesso em 31 de Agosto de 2003.

COUTINHO, L. Diagnóstico e Propostas para o incremento da Competitividade Industrial com base no Design. São Paulo, 2002. Disponível em http://www.spdesign.sp.gov.br/sest/ sestA.html> Acesso em 14 Out 2002.

FERNANDES, J.C. Acústica e Ruídos. Apostila do Departamento de Engenharia Mecânica. 2003, 102p.

FOLHETO DE DADOS TÉCNICOS DO PROTETOR AURICULAR POMP PLUS. Pomp Produtos Hospitalares e de Segurança no Trabalho S.A., São Paulo, 2003. Disponível em Acesso em 31 de Agosto de 2003.

KWITKO,A., EPIs auditivos confeccionados em silicone grau farmacêutico; avaliação da durabilidade durante um ano linear de uso. São Paulo, 2002. Disponível em . Acesso em 27 de Janeiro de 2002.

KWITKO,A.; SILVEIRA, A.L.B.; SALAMI, D.A.; MARTINS, A.P.; FAGUNDES, R.C., A deterioração de E.P.I.s auditivos de inserção. Revista CIPA Edição 262, págs. 40-47, São Paulo, 2001.

NR-6, Norma Regulamentadora Nº 6, Equipamentos de Proteção Individual. Ministério do Trabalho e Emprego. Brasília, 2003. Disponível em . Acesso em 16 de Junho de 2003.

NR-9, Norma Regulamentadora Nº 9, Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Ministério do Trabalho e Emprego. Brasília, 2003. Disponível em Acesso em 16 de Junho de 2003.

SANTOS, U.P.; MATOS, M.P.; MORATA,T.C.; OKAMOTO,V.A., Ruido: Riscos e Prevenção, 2ª Edição, Editora Hucitec, São Paulo, 1996.

XI SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2004 SILVA, E.E., Controle de Qualidade dos EPIs/EPCs Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro ? C E R J Rio de Janeiro, 2002. Disponível em . Acesso em 16 de Outubro de 2002.