Fisiologia do Exercicio-2008

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FISIOL DO E X E R FISIO DO E X FIS DO E Fisiologia_CAPA_v7n1.indd 1 Revista Revista Brasileira de ISSN 16778510 Brasileira de F I S I O L O G I A FISIOLOG DO E X E R C Í C DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA Brazilian Journal of Exercise Physiology FISIOLOGIA Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício DO E X E R C Í C I O DO FISIOLOGIA FISIOL DO E X E R C Í C I O EXERCÍCIO DO E X E R C FISIOLOGIA FISIOLOG DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C FISIOLOGIA NUTRIÇÃFOI S I O L O G I A F I S I O L O G DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA EXERCÍCIO · CorrelaçãDoO entre perfil lipídico E X E R C Í C DO e percentual de gordura FISIOLOGIA FISIOLOGIA E X E R C Í C I O · Nutrição de futebolistas infantis DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C I O DOe juvenis FISIOLOGIA O G I A · Educação nutricional FISIOLOGIA para nadadores infantis C Í C I O ESPORTE DO E X E R C Í C I O EXERCÍCIO DO · Aspectos físicos e fisiológicos L O G I A do jovem jogador de futebol F I S I O L FISIOLOGIA FISIOLOGIA · FISIOLOGIA ERCÍCIO Respostas fisiológicas ao remo DO E X E R C Í C I O competitivoDO E X E R C Í C I O DO E X E R DO E X E R C Í C I O F I S I O L O G I A · Freqüência cardíaca de um ciclista FISIOLOGIA FISIOLOGIAFISIOLO E X E R C Í C I Oaltamente treinado DO E X E R C Í C I O DO DO E X E R C Í ESTERÓIDESX E R C Í C I O I O L O G I A F I S I O L O G I A DO · Esteróides anabólicos no fisiculturismo XERCÍCIO FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C I O volume 07 – número 01 · Jan/Abr 2008 www.atlanticaeditora.com.br volume 07 – número 01 · Jan/Abr 2008 24/10/2008 17:10:00 O

Fisiol do e x e r F i seixo l do

Fis do e Revista Revista Brasileira de ISSN 16778510 Brasileira F i s i o l o g i a Fisiolo do e x e r c í do e x e r c í c i o Fisiologia de do e x e r c í c i o Fisiologia Brazilian Journal of Exercise Physiology Fisiologi Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício do e x e r c í c i Fisiologia Fisiol do e x e r c í c i o do e x e r Fisiologia Fisiolog e x e r c í c i o do e x e r c í c do Fisiologia exercício Fisiologia Fisiolo do NUTRIÇÃO Fisiologia exercício • Perfil nutriciodnoal de praticantes do e x e r c í de badminton Fisiologia Fisiologia do e x e r c í c i o CARDIOLOGIA e x e r c í c i o do e x e r c í c i o do • Qualidade de vida após revascularização ogiaFisiologiaFisiologi de miocárdio c í c i o • Freqüência cardíaca máxima e consumo exercíci de oxigênio em dmuoheres saudáveis exercício l o g i a do ESPORTE Fisiologia Fisiologia Fisio • Treinamento de força para fibromiálgicos ercício Fisiologia do e x e r c í c i o • e x e r c í c i o e x e Fatores geradores de fadiga muscular do e x e r c í c i o do do F i s i o l o g i a • Recondicionamento físico após lesão Fisiologia exercício Fisiologia Fisiolo do e x e r c í c i o MUSCULAÇÃO do e x e r c do

• do e x e r c í c i o Fisiologia i o l o g i a Consumo de recursos ergogênicos xercício Fisiologia do e x e r c í c i o do e x e r c í c i o do exercício volume 07 – núm ero 02 • Mai/Ago 2008 www.atlanticaeditora.com.br volume 07 – número 02 • Mai/Ago 2008 g

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C E Revista Revista Brasileira de ISSN 16778510 Brasileira de F I S I O L O G I A FISIOLOG DO E X E R C Í C DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA Brazilian Journal of Exercise Physiology FISIOLOGIA Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício DO E X E R C Í C I O DO FISIOLOGIA FISIOLO DO E X E R C Í C I O

FISIOLOGIA FISIOLOGI DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C FISIOLOGIA EXERCÍCIO FISIOLOGIA FISIOLOG DO ESPORTE FISIOLOGIA· EXERCÍCIO Jump Fit no dDeOsempenho dos exercícios DO E X E R C Í C resistidos FISIOLOGIA FISIOLOGIA E X E R C Í C I O· Identificação de riscos em adolescentes DO · DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C I O Autopercepção da saúde após alongamento

? Revista Brasileira de FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O Brazilian Journal of Exercise Physiology Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício Índice volume 7 número 1 – janeiro/abril 2008

Carta ao leitor, Paulo Tarso Veras Farinatti ……………………………………………………………………………………………………. 3

Max Luciano Dias Ferrão, Estélio Henrique Martin Dantas …………………………………………………………………………….. 4

Daniel Medeiros Alves, Diego Vaz Vaguethi, Patrícia dos Santos Behling, Márcia Buchewaitz ………………………………. 10

Eliane Araújo dos Santos Cristóvão, Renata Furlan Viebig………………………………………………………………………………. 16

Charles Ricardo Morgan …………………………………………………………………………………………………………………………… 21

Giovani dos Santos Cunha, Alvaro Reischak de Oliveira…………………………………………………………………………………. 29

Alvaro Reischak de Oliveira ……………………………………………………………………………………………………………………….. 37

treinado, Débora Wagner, Carlos Mota, Felipe Carpes …………………………………………………………………………………. 43

NORMAS DE PUBLICAÇÃO …………………………………………………………………………………………………………………. 49

EVENTOS …………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 51

Revista Brasileira de FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O Brazilian Journal of Exercise Physiology Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício

Editor Chefe Paulo de Tarso Veras Farinatti Editor Associado Pedro Paulo da Silva Soares Conselho Editorial Antonio Carlos Gomes (PR) Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega (RJ) Dartagnan Pinto Guedes (PR) Douglas S. Brooks (EUA) Emerson Silami Garcia (MG) Fernando Pompeu (RJ) Francisco Martins (PB) Jacques Vanfraechem (BEL) Luiz Fernando Kruel (RS) Martim Bottaro (DF) Patrícia Chakour Brum (SP) Paulo Sérgio Gomes (RJ) Rolando Baccis Ceddia (CAN) Robert Robergs (USA) Rosane Rosendo (RJ) Sebastião Gobbi (SP) Steven Fleck (USA) Yagesh N. Bhambhani (CAN) Vilmar Baldissera (SP)

Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício Corpo Diretivo: Paulo Sérgio C. Gomes (Presidente), Vilmar Baldissera, Patrícia Brum, Pedro Paulo da Silva Soares, Paulo Farinatti, Marta Pereira, Fernando Augusto Pompeu

Rio de Janeiro Rua da Lapa, 180/1103 20021-180 – Rio de Janeiro – RJ Tel/Fax: (21) 2221-4164 / 2517-2749 E-mail: atlantica@atlanticaeditora.com.br www.atlanticaeditora.com.br São Paulo Rua Teodoro Sampaio, 2550/cj 15 Pinheiros – 05406-200 – São Paulo – SP Tel: (11) )3816-6192 Recife Rua Dona Rita de Souza, 212 52061-480 – Recife – PE Tel.: (81) 3444-2083 Assinaturas 1 ano – R$ 175,00 Rio de Janeiro: (21) 2221-4164 São Paulo: (11) 3361-5595 Email: melloassinaturas@uol.com.br Recife: (81) 3444-2083 Editor executivo Dr. Jean-Louis Peytavin jeanlouis@atlanticaeditora.com.br Publicidade e marketing Rio de Janeiro: René C. Delpy Jr rene@atlanticaeditora.com.br (21) 2221-4164 Gerência de vendas e assinaturas Djalma Peçanha djalma@atlanticaeditora.com.br Editora Assistente Guillermina Arias Editoração e arte Cristiana Ribas Atendimento ao assinante atlantica@atlanticaeditora.com.br Redação e administração Todo o material a ser publicado deve ser enviado para o seguinte endereço por correio ou por email aos cuidados de: Jean-Louis Peytavin Rua da Lapa, 180/1103 20021-180 – Rio de Janeiro – RJ artigos@atlanticaeditora.com.br

Atlântica Editora edita as revistas Fisioterapia Brasil, Enfermagem Brasil, Neurociências, Nutrição Brasil e MN-Metabólica. I.P. (Informação publicitária): As informações são de responsabilidade dos anunciantes. © ATMC – Atlântica Multimídia e Comunicações Ltda – Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida, arquivada ou distribuída por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia ou outro, sem a permissão escrita do proprietário do copyri- ght, Atlântica Editora. O editor não assume qualquer responsabilidade por eventual prejuízo a pessoas ou propriedades ligado à confiabilidade dos produtos, métodos, instruções ou idéias expostos no material publicado. Apesar de todo o material publicitário estar em conformidade com os padrões de ética da saúde, sua inserção na revista não é uma garantia ou endosso da qualidade ou do valor do produto ou das asserções de seu fabricante.

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício – Volume 6 Número 1 – janeiro/dezembro 2007 3

Editorial Carta ao leitor Prof. Dr. Paulo Tarso Veras Farinatti

Editor-Chefe da RBFEx É com prazer que apresentamos o primeiro número do volume 7 da Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício (RBFEx). A partir de 2008, a revista volta a ser publicada com periodicidade quadrimestral, com a perspectiva de, progressivamente, aumentar o número de artigos em cada A quantidade de manuscritos submetidos vem cres- cendo sistematicamente. De fato, de 2006 a 2008 o número Com isso, foi possível implementar um processo efetivo de revisão por pares, com a participação de um número expressivo de revisores. Além disso, projeta-se em prazo relativamente curto o aumento da periodicidade da revista, a ?m de se veicular um quantitativo anual de artigos com- patível com a indexação em bases de dados que permitam uma melhor classi?cação da RBFEx. Conforme apontado em ocasião anterior, estuda-se igualmente a possibilidade Para tanto, devem ser criadas seções especí?cas tratando dos diferentes ramos da ?siologia do exercício (básica, É claro que todos esses planos continuam dependen- do da colaboração dos pesquisadores que acreditam no projeto da RBFEx, alimentando-a com os resultados de seus trabalhos. Somos de opinião de que a diversi?cação de veículos quali?cados para divulgação do que se faz em termos de pesquisa é algo necessário para a popularização do consumo da produção de conhecimento da área em nosso país. Contamos com a ajuda de todos, agradecen- do muito àqueles que enviaram manuscritos, investiram energia e tempo na seleção de artigos para publicação e que, en?m, vêm participando ativamente do processo de Cordialmente.

Artigo original Correlação entre perfil lipídico e percentual de gordura de acordo com a característica dos sistemas energéticos glicolítico e oxidativo em indivíduos na faixa etária de 25 a 35 anos Correlation between lipid profile and the percentage of fat according to the characteristics of the oxidative and glycolic energy systems in people between 25 and 35 years old

Eduardo Fernandes de Miranda*, Marco Antonio Freitas de Souza**, Higor Lira Bastos**, Daniele Bueno Godinho Ribeiro***, Cesamar Fernandes de Miranda***, João Bartholomeu Neto****, Ricardo Yukio Asano****, Max Luciano Dias Ferrão*****, Estélio Henrique Martin Dantas******

*Especialista em Personal Training pela ESEFIC-SP, Professor da Faculdade UNIRG-TO, Laboratório do Exercício da Faculdade UNIRG-TO, **Acadêmico do curso de Educação Física da Faculdade UNIRG-TO, Bolsista do CNPq no Laboratório do Exer- cício da Faculdade UNIRG, ***Acadêmico do curso de Educação Física da Faculdade UNIRG-TO, Laboratório do Exercício da Faculdade UNIRG-TO, **** Professor da Faculdade UNIRG-TO, Laboratório do Exercício da Faculdade UNIRG-TO, *****Pes- quisador do Laboratório de Biociências da Motricidade Humanas, Professor da Universidade Estácio de Sá, ******Professor Titular do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciência da Motricidade Humana da UCB-RJ, Pesquisador do Laboratório de Biociências da Motricidade Humanas Resumo Objetivo: Analisar a correlação do per?l lipídico e percentual de gordura de acordo com a característica do sistema energético (oxidativo e glicolítico). Amostra: Foram convidados 25 indivíduos de ambos o sexo, com idade entre 25 e 35 anos. Materiais e métodos: Utilizou-se exame de dermatogli?a para dividir os grupos de acordo com a prevalência do sistema energético, avaliação antropométrica para determinação da composição corporal e análise de sangue para determinação do per?l lipídico. Análise dos dados: Através de uma estatística descritiva que foi composta por medidas de tendência Os resultados não demonstraram perfeita correlação, nem se obteve inexistência correlativa em ambos os grupos. Apenas os grupos fe- mininos apresentaram alta correlação como também signi?cância p < 0,05 em algumas das variáveis do per?l lipídico. Grupo oxidativo: TG = 0,8759; VLDL = 0,8612). Conclusão: Os grupos femininos, tanto o de sensibilidade ao sistema energético oxidativo quanto o do sistema energético glicolítico, apresentaram maior tendência às disfunções lipídicas quando seu percentual de gordura estavam fora Palavras-chave: perfil lipídico, sistema energético, percentual de gordura. Abstract Objective: To analyze the correlation of the lipid pro?le and percentage of fat according to the characteristic of the energy system (oxidative and glycolic). Samples: 25 people of both sexes aged betwe- en 25 and 35 were invited. Materials and methods: A dermatogliphy exam was used to divide the groups according to the prevalence of the energy system, anthropometric assessment to determine the Data analysis: A descriptive statistic, which was composed by the measures of central tendency and the inferential statistics for the Pearson line correlation were needed. The results didn't show perfect correlation and the correlative inexistence wasn't reached in any of the sexes either. Only the female groups showed high correlation Oxidative group: (TG = 0.8522; VLDL = 0.8572) glycolic group: (LT = 0.8597; TG = 0.8759; VLDL = 0.8612). Conclusion: In the female groups the sensibility both to the oxidative energy system and to the glycolic energy system shows higher tendency to lipid Key-words: lipid profile, energy system, fat percentage. Endereço para correspondência: Eduardo Fernandes de Miranda, Rua C 7, 134, 7735-070 Gurupi TO, Tel: 63-33125541, E-mail: eduardo251077@hotmail.com Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 5 Introdução A obesidade é uma desordem metabólica e nutricional crônica que tem conseqüências graves, como aumento dos adipócitos, a hiperlipidemia e a resistência à insulina. Atu- almente é considerada um dos mais graves problemas de Sabe-se que tal desordem metabólica é de etiologia mul- ticausal, ou seja, pode ser determinada por diversos fatores - genéticos, neuroendócrinos, metabólicos, dietéticos, am- bientais, sociais, familiares, psicológicos e medicamentosos -, que proporciona acúmulo excessivo de energia no organismo, O tratamento dietético da obesidade deve objetivar metas realistas quanto à velocidade de perda ponderal e à quantidade de peso perdido. Preconiza-se prescrição de dieta hipocalórica balanceada e enfatiza-se, inicialmente, a qualidade dos alimen- tos, seguindo modelo proposto pela pirâmide alimentar, com a intenção de que o paciente adquira critérios adequados de A ingestão calórica excessiva provocará um acúmulo de gordura, que está relacionado a dislipidemias, difusão ca- racterizada por distúrbios nos níveis de lipídios circulantes fração de colesterol da lipoproteína de baixa densidade (LDL) e de triglicerídeos, que atuam como fatores de risco. Entre- tanto, o colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL), que atua como fator de proteção do sistema cardiovascular, A pesquisa de Kannel [5] demonstra que, além do co- lesterol, as doenças coronarianas são precedidas por outras variáveis biologicamente plausíveis e correlação de fatores de predisposição de risco à saúde. As variáveis ambientais envolvidas na alteração do per?l lipídico incluem: tabagismo, sedentarismo e dieta, e estão associados posteriormente com Alguns estudos demonstraram a relação entre obesidade e o tipo de ?bra muscular, pois pessoas com predominância de ?bra tipo II (glicolíticas) terão maior probabilidade à obesidade; esse tipo de ?bra apresenta uma baixa e?ciên- cia na utilização da gordura como fonte energética. Desse modo, o indivíduo que apresenta predominância de ?bras tipo I (oxidativas) tem menor probabilidade de acúmulo de gordura por ter facilidade de utilizá-las como fonte de As ?bras musculares do tipo I (oxidativa) possuem um conteúdo mais e?ciente na captação de glicose (insulina- regulado) do que o metabolismo da glicose da ?bra muscu- lar do tipo II (glicolíticas) [9]. A partir dessas informações, por tal investigação, este trabalho visa veri?car, a predomi- nância do sistema energético e sua correlação entre per?l lipídico e o percentual de gordura em indivíduos entre 25 e 35 anos. Materiais e métodos Amostra A amostra foi composta de 25 indivíduos na faixa etária de 25 a 35 anos, de ambos os sexos e residentes na cidade Gu- rupi/TO. Foram convidadas a serem voluntárias da pesquisa, as pessoas que estiveram presentes no Laboratório Labnort, no horário das 7 às 10 horas, nos meses de março e abril de 2007 e que apresentassem, em seu pedido de exame médico o per?l lipídico. A amostra foi dividida de acordo com as carac- terísticas dos desenhos dermatoglí?cos em grupo de sistema energético oxidativo (Grupo I) e grupo de sistema energético glicolítico (Grupo II). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Faculdade UNIRG, em fevereiro de 2007. Procedimentos Para que as metas propostas por este estudo fossem alcançadas, utilizamos para determinar as características antropométricas uma balança com estadiômetro, da marca Balmak. Para obtermos o percentual de gordura, utilizamos o protocolo de três dobras de Jackson e Pollock e, para isso, foi Através do kit Labtest, chegamos ao per?l lipídico das pessoas que participaram do estudo. Para a dermatogli?a, utilizou- se o coletor da marca Print Matic e papel branco tamanho A4. O estudo de Abramova et al. [10] mostra um esquema de associações das impressões das digitais com as qualidades físicas, com a seguinte base: para o sistema energético glico- lítico, a qualidade física de velocidade e a força explosiva são caracterizadas pelo aumento das presilhas (L > 7), diminui- ção dos verticilos (W < 3), presença de aumento dos arcos (A) e redução do somatório das quantidades totais de linhas (SQTL). Já no sistema energético oxidativo, a resistência e as atividades de combinações motoras complexas são carac- terizadas pela diminuição dos A e L < 6, aumento dos W > 4 e maior contagem de SQTL. Com base em Silva et al. [11], podemos correlacionar os sistemas energéticos (glicolítico e oxidativo) com os parâmetros dermatoglí?cos.

Arco “A” – sem delta Presilha “L” – 1 delta Verticilo “W” – 2 delta

Análise estatística O tratamento estatístico foi realizado com o programa BioEstat 4.0 para determinar a característica descritiva da

amostra, através dos cálculos de média e desvio padrão. Em seguida foi determinada a normalidade da amostra através do teste de Shapiro-Wilk. Então, utilizou-se o teste de Pearson para determinar a correlação entre as variáveis do per?l lipí- dico e o percentual de gordura.

Resultados A Tabela I apresenta os valores das médias e desvio pa- drão das variáveis que caracterizam as amostras masculina e Utiliza-se o IMC como parâmetro de classi?cação da relação peso e altura dos sujeitos da pesquisa, que ?cam classi?cados Adiante, veri?ca-se que o percentual de gordura dos in- Já quando se trata do público feminino, nesta pesquisa, os resultados ?cam classi?cados como estar “abaixo da média” em relação de percentual de gordura subcutânea. Essa clas- si?cação indica que o público da pesquisa se encontra com a quantidade de gordura subcutânea acima dos valores con- siderados saudáveis.

Variáveis Masculino Feminino Indivíduos 5 6 Índice massa cor- 27,71 ± 4,78b poral Percentual de 26,10 ± 7,75b gordura Lipídios totais 660,20 ± 239,04a Triglicerídeos 132,60 ± 70,97a Colesterol total 191,80 ± 63,54a HDL 43,00 ± 7,48c LDL 122,60 ± 48,42a VLDL 26,20 ± 13,81a 25,51 ± 6,20b

29,70 ± 7,55b 668,83 ± 161,58a 117,33 ± 83,64a 200,50 ± 41,63a 55,17 ± 19,49a 122,00 ± 42,01a 23,33 ± 16,87a c = abaixo da normalidade

A Tabela II apresenta os valores das médias e desvio padrão das variáveis que caracterizam a amostra masculina e feminina do grupo com predominância do sistema glicolítico. O IMC do grupo masculino aponta uma classi?cação de sobrepeso. Já a classi?cação do grupo feminino, dentro dos parâmetros do IMC, ?ca estabelecida como normal. Por conseguinte, apre- sentados os resultados dos valores de percentual de gordura da amostra, nota-se que tanto o grupo masculino quanto o grupo feminino estão classi?cados, segundo Pollok e Wilmore, como abaixo da média predita, ou seja, com valores acima do recomendado para uma população com essas características Com esses resultados expostos nas Tabelas I e II, o estudo de Pinto [12], que parte de uma análise do estudo nutricional em adolescentes na faixa etária entre 14 e 18 anos, demonstra que, de acordo com o gênero, encontrou-se uma prevalência maior de obesidade entre os jovens do sexo masculino quando comparados aos valores do sexo feminino no índice de massa corpórea, no mesmo estudo o autor apresenta o resultado da gordura subcutânea, cuja prevalência foi maior no %G no sexo feminino cerca de 92% e de 56% no sexo masculino, con?rmando os escores do estudo expostos na Tabela II. Ali- cerçando aos resultados obtidos da pesquisa, Paula [13], em seu estudo com participação de adultos com idade superior a 20 anos (homens e mulheres), com enfermidades crônicas não transmissíveis (hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia), mostrou que, independentemente de tais en- fermidades, 75% dos indivíduos estavam com IMC acima do normal, ditos em obesidade grau I (Organização Mundial de Saúde 1995, 1997). Conclui-se que as ECNT (enfermidades crônicas não transmissíveis) foram mais prevalentes dentre os indivíduos classi?cados como obesos e, no entanto, os indivíduos do sexo feminino estão mais susceptíveis a tais enfermidades.

Variáveis Masculino Feminino Indivíduos 7 7 Índice massa 28,02 ± 3,38b corporal Percentual de 22,69 ± 8,78b gordura Lipídios totais 656,70 ± 88,19a Triglicerídeos 150,43 ± 52,62a Colesterol total 185,57 ± 21,28a HDL 46,00 ± 12,87c LDL 95,40 ± 33,79a VLDL 29,89 ± 10,69a 23,47 ± 2,87ª

27,13 ± 6,30b 629,14 ± 121,09a 113,57 ± 45,21a 187,43 ± 32,12a 54,14 ± 9,65c 111,00 ± 26,94a 22,29 ± 9,20a c = abaixo da normalidade

O Grá?co 1 apresenta os resultados da correlação entre percentual de gordura e per?l lipídico nos grupos masculino e feminino, para os que têm maior predominância para uti- lização da fonte energética oxidativa. É notória a diferença entre os sexos na correlação dos dados, pois no grupo mascu- lino as variáveis analisadas que caracterizam o per?l lipídico foram: TG (triglicerídeos) e VLDL (lipoproteína de muito já os LT (lipídios totais), o CT (colesterol total) e os LDL (lipídios de lipoproteína de baixa densidade) apresentaram média baixa correlação, sendo que na HDL (lipoproteína de alta densidade) foi determinada uma média correlação com o percentual de gordura. Adiante, observou-se que no grupo feminino ocorreu uma maior alteração nas correlações das variáveis do per?l lipídico, principalmente nos: TG, VLDL, que foram classi?cados por apresentar uma média alta correlação; nos LT, para os quais se notou uma média correlação; nos LDL, com média baixa correlação; e, por

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício – Volume 7 Número 1 – janeiro/abril 2008 7

?m, as HDL, apresentaram uma baixa correlação com o No entanto, é possível a?rmar, também, que os indivíduos do sexo feminino deste grupo demonstraram uma maior cor- relação em algumas das variáveis lipídicas com o percentual de gordura quando comparado com os dados dos indivíduos do sexo masculino, com isso exibem uma maior tendência a disfunções lipídicas.

Grá?co 1 – Correlação entre percentual de gordura e per?l lipídico do grupo I.

*indica significancia para p < 0,05. LT: Lipidios totais. TG: Trigliceride- os. HDL: Lipoproteína de alta densidade. LDL: Lipoproteína de baixa densidade. VLDL: Lipoproteína de muito baixa densidade. O Grá?co 2 apresenta os resultados da correlação entre percentual de gordura e per?l lipídico no grupo masculino Diante dos resultados, nota-se que, nos indivíduos do sexo masculino, as variáveis analisadas que caracterizam o per?l lipídico, tais como LT (lipídios totais), HDL (lipoproteína de alta densidade), e LDL (lipoproteína de baixa densidade), apresentam média baixa correlação com o percentual de gordura subcutânea; já entre os TG (triglicerídeos), a VLDL (lipoproteína de muito baixa densidade) mostrou-se com baixa correlação; no entanto, em relação ao CT (colesterol total), veri?cou-se uma média correlação. Trataremos, agora, dos convocados do sexo feminino. Pode-se a?rmar que as va- riáveis do per?l lipídico apresentaram uma maior correlação com o percentual de gordura, quando comparados com os resultados dos indivíduos do sexo masculino, pois os dados abaixo demonstram claramente tal a?rmativa. Houve alta correlação entre LT, TG e VLDL; adiante, no CT e LDL percebeu-se média alta correlação e, por ?m, no HDL, nota-se média baixa correlação. Portanto, nos resultados analisados dentro do universo da pesquisa, é valido dizer que existe correlação entre o per?l lipídico e o percentual de gordura, tanto nos indivíduos do sexo masculino quanto e, principalmente, nos do sexo feminino. Mesmo assim, é preciso salientar que não se obteve perfeita correlação nem se demonstrou inexistência nas classi?cações das estimativas de correlação. Grá?co 2 - Correlação entre percentual de gordura e per?l lipídico no grupo II *indica significância para p < 0,05. **indica significância para p < 0,01. LT: Lipidios totais. TG: Triglicerideos. HDL: Lipoproteína de alta densidade. LDL: Lipoproteína de baixa densidade. VLDL: Lipoproteína de muito baixa densidade. Discussão Diversos estudos foram realizados em diferentes regiões do país, com o intuito de detectar os níveis de sobrepeso e obesidade, mas tais informações que representam a população brasileira ainda são escassas devido à dimensão territorial, Portanto, na região norte do nosso país, ainda existem poucos estudos sobre obesidade e sobrepeso, o que di?culta uma discussão mais aprofundada sobre os dados apresenta- Um estudo feito nas principais capitais do país, realizado pelo Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição [13], evidenciou que 32% da população brasileira apresentam algum tipo de sobrepeso, destes, 8% são obesos, sendo tal prevalência maior entre as mulheres, as quais chegam a 38%, enquanto nos homens essa proporção chega a 27%. A proporção de sobrepeso e obesidade aumenta com a idade, principalmente entre os 45 e 55 anos: nos homens o índice chega a 37% e nas mulheres a 55%. Cerca de 60% das mu- lheres no período da menopausa ganham peso entre 2,5 kg a Portanto, dentro da faixa etária de 25 a 35 anos, a proba- bilidade de adquirir obesidade é menor, pois o metabolismo basal nesta faixa etária é mais elevado, quando comparado às faixas etárias posteriores. Após os 35 anos de idade, inicia-se a diminuição das variáveis orgânicas, como massa muscular, A diminuição da massa muscular está relacionada à idade, que, por sua vez, está diretamente relacionada à diminuição do gasto calórico diário, aumentando assim as possibilidades Em estudo com a participação de adolescentes de ambos os sexos, veri?cou-se maior percentual de risco de sobrepeso no sexo masculino e de gordura corporal elevada, no feminino. Com isso, o percentual de gordura corporal apresentou uma tendência a ser signi?cativamente maior no sexo feminino É nesse sentido que o estudo de Martins [17] investigou 237 mulheres portuguesas obesas com idade média de 31 ± 14 anos e IMC médio de 34,2 ± 6,0 kg/m2, e observou índices de hipercolesterolemia (200 mg/dl) de 36% e de hipertrigliceri- demia (200 mg/dl) de 10%. Em outra investigação, Cercato [18], em São Paulo, estudou 412 mulheres obesas com idade média de 42,9 ± 13,4 anos e IMC médio de 38,9 ± 7,2 kg/ m2; observou freqüências maiores de hipercolesterolemia (colesterol 240 mg/dl em 53%) e de hipertrigliceridemia Partindo desses achados e com a análise dos resultados dos indivíduos do sexo feminino do presente estudo, notou-se alta correlação em algumas das variáveis do per?l lipídico com o percentual de gordura. Do mesmo modo, os escores obtidos pelo grupo de predominância de fonte energética glicolítica apresentaram uma maior correlação em todas as variáveis do per?l lipídico do que as do grupo com predominância de utilização da fonte energética oxidativa. Esse fato pode ser justi?cado pelo tipo de sistema predominante na ?bra mus- cular esquelética, entretanto não é o único determinante para obesidade. O sistema oxidativo geralmente tem uma atividade na realidade, foi formado para possuir um conteúdo mais alto do transportador de glicose (insulina-regulado) e maior sensibilidade à insulina do que para metabolismo de glicose Com os resultados expostos nos gráficos do estudo, pode-se dizer que houve correlações das variáveis do per?l lipídico com o percentual de gordura no grupo masculino e principalmente no público feminino, salientando que não apresentou inexistência, como também não atingiu perfeição correlativa. Entende-se que o fato ocorreu pelo baixo percen- tual de gordura, juntamente pela não constatação de valores do IMC com níveis de classi?cação que indicam obesidade Estudo realizado em crianças gravemente obesas apre- sentou positividade na correlação com colesterol total (CT), Com base no estudo de Quintão [20], a dislipidemia está relacionada a valores aumentados de colesterol total, valores aumentados de LDL, valores aumentados de triglicerídeos e valores diminuídos de HDL. Dessa forma, os achados da pesquisa expostos, não demonstraram alterações anormais relacionadas às dislipidemias, como pode ser visto nas Tabelas I e II. Conclusão Os dados da pesquisa cientí?ca demonstraram que, nos grupos masculino e feminino, existem altas estimativas cor- relacionais entre o per?l lipídico e o percentual de gordura. No entanto, os escores correlacionais obtidos nos grupos do sexo feminino (oxidativo e glicolítico), apresentaram diferença entre si, quanto ao grau correlacional e de signi?cância devido a predominância da fonte energética, assim o grupo femini- no com predominância a utilização do sistema energético glicolítico atingiu alta estimativa de correlação assim como a Portanto, o grupo feminino, tanto com predominância do sistema energético oxidativo como do sistema energético glico- lítico, tem uma maior tendência a disfunções lipídicas do que os indivíduos do sexo masculino com a mesma sensibilidade A investigação revela que, para obter resultados mais ex- pressivos relacionados à estimativa de correlação, teríamos que selecionar um grupo com percentual de gordura mais elevado e com os níveis de IMC indicadores de obesidade. Por ?m, estudos com o propósito de investigar a este assunto ainda são muito escassos no meio cientí?co e, nesse sentido, existe a necessidade de outras investigações para que tais con?rmações possam ser ampliadas e mais fundamentadas. Agradecimentos Agradecemos aos Doutores Jusábdon Naves Cansado e Wanderly Fernandes de Miranda, proprietários do Laborató- rio Clínico Labnort, onde foi feito o exame de identi?cação do per?l lipídico. Também somos gratos aos acadêmicos de Educação Física da Faculdade UNIRG, que participaram como amostra da pesquisa e, em especial, ao acadêmico Marco Antonio Freitas Souza. Referências 1. Gauthier MS, Couturier K, Charbonneau A, Lavoie JM. E?ects of introducing physical training in the course of a 16-week high-fat diet regimen on hepatic steatosis, adipose tissue fat accumulation, and plasma lipid pro?le. Int J Obes Relat Metab 2. Wang Y, Jones P. Conjugated linoleic acid and obesity con- 3. Felippe FM. O peso social da obesidade. [Tese]. 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Artigo original Nutrição de futebolistas infantis e juvenis Nutrition in sub-15 and sub-17 soccer players Silvia Teixeira de Pinho*, Daniel Medeiros Alves**, Diego Vaz Vaguethi ***, Patrícia dos Santos Behling****, Márcia Buchewaitz***** *Mestranda em Educação Física da ESEF – UFPEL, **Especialista em Treinamento Desportivo – UEL, Preparador Físico do Grê- mio Esportivo Bagé, ***Graduado em Nutrição pela UFPEL, ****Graduada em Educação Física da ESEF – UFPEL, *****Professora e Diretora da Nutrição da UFPEL Resumo O presente estudo teve como objetivo traçar o per?l nutricio- nal de jogadores de futebol e discutir a adequação dietética com as necessidades para esse esporte. A amostra foi composta de 20 jogadores infantis e 20 jogadores juvenis. Para avaliar o hábito ali- mentar, aplicou-se o questionário recordatório alimentar e os dados foram analisados no software de análise de macro e micronutrientes (DietWin, 2003). Os resultados encontrados demonstraram uma adequação calórica em 40% dos atletas juvenis e apenas 20% dos atletas infantis. A adequação dos macronutrientes na categoria Já a categoria infantil apresentou uma dieta hipolipídica (50%), hipoprotéica (80%) e hiperglicídica (50%). Sobre os micronutrien- tes encontrou-se um consumo abaixo do recomendado (< 70% adequação) em vitamina C, vitamina A, cálcio e cobre, além de uma ingestão excedente (> 110% adequação) de ferro para as duas categorias. Esses resultados permitem concluir que é necessário que se faça uma intervenção nutricional nesse grupo de atletas, tanto para otimizar o desempenho como para garantir uma prática mais Palavras-chave: futebol, nutrição, composição corporal, dieta.

Abstract The aim of the present study was to draw the ?eld soccer players’ corporal and feeding pro?le and to discuss the dietary adaptation with the needs of this sport. The sample was composed by 20 players 14 to 15 years old and 20 players 16 and 17 years old. To make the evaluation of feeding habits, we used the nutritional questio- nnaire, analyzed by DietWin 2003 software. The results pointed out a caloric adaptation on 40% of the sub-17 players and only 20% of the sub-15 players. An appropriation of macronutrients in the younger category was 50% (CHO), 50% (proteins) and 60% (fat). The sub-15 players presents a diet with less fat (50%) and protein (80%), and hyperglicidic (50%). About the micronutrients was found a consumption below the recommended level (< 70% adaptation) in vitamin C, vitamin A, calcium and copper and a spare (>110% adaptation) ingestion of iron in most of players of the two categories. The results showed that it is necessary to make a nutritional intervention in teenage soccer players to increase the sport performance as well as to obtain healthier dietary practices Key-words: soccer, nutrition, corporal composition, diet.

Endereço para correspondência: Silvia Teixeira de Pinho, Rua Carlos Gotuzo Giacoboni, 1271, 96040-240 Pelotas RS, Tel: (53) 9157 3329, E-mail: silvia_esef@yahoo.com.br

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Introdução O futebol é um dos esportes mais praticados no mundo, e conseqüentemente no Brasil. Apesar disso, o futebol ainda carece de estudos cientí?cos sobre os efeitos da prática dessa modalidade em crianças e adolescentes [1]. Embora os aspec- tos relacionados ao alto rendimento sejam amplamente dis- cutidos na literatura mundial, os atletas em fase de formação Segundo Ribas [2], o exercício altera as necessidades dieté- ticas do atleta, devido ao aumento na utilização de substratos energéticos. A falta de orientação nutricional pode levar a erros na reposição energética, comprometendo assim, não só Uma aparente solução para resolver as possíveis de?ci- ências alimentares de atletas é a suplementação. Porém, a escassez de estudos nutricionais para atletas, di?culta a adoção da melhor estratégia alimentar por parte dos pro?ssionais atuantes na educação física e no esporte, impedindo a?rmar Acredita-se que a prática do futebol requisita dos atletas elevadas demandas energéticas que compreendem valores entre 3150 a 4300 kcal [3,4]. No entanto, diferentes estudos têm demonstrado que o gasto calórico pode ser de 2100 a 2520 kcal em uma única partida [5,6]. No que se refere à reposição calórica, os atletas de futebol ingerem menos calorias do que necessitam para a reposição de seu desgaste [5], ressaltando a importância da utilização de soluções ricas em carboidratos (CHO) com o intuito de retardar o início da fadiga muscular durante o exercício. Além disso, essa estratégia dietética tem a propriedade também de promover a reposição da perda hídrica devido ao desgaste imposto O estabelecimento de uma dieta equilibrada possibilita ao atleta o aporte calórico e de macronutrientes compatíveis com o exercício, recuperando o desgaste ocorrido [7-9]. Nenhum alimento garante altos níveis de performance em todos os atletas [4], sendo necessário uma adequada orientação nutri- cional apoiada na experiência e no conhecimento cientí?co, evitando problemas como a superestimação ou subestimação Os cuidados nutricionais com atletas devem oportunizar um adequado desempenho esportivo e a reposição dos nu- trientes utilizados durante a atividade, bem como proporcio- nar a reposição das perdas de vários nutrientes que ocorreram A adequada ingestão de carboidratos garante a reposi- ção do glicogênio muscular e hepático utilizado durante a atividade física [10]. Após os exercícios, o carboidrato é utilizado para repor rapidamente os estoques de glicogênio, bene?ciando assim a recuperação e a preparação dos mesmos músculos para atividades posteriores. Atletas que treinam diariamente de forma intensa devem ingerir de 60 a 70% do valor energético diário total ou de 6-10 g de carboidratos/kg Ressalta-se que crianças e adolescentes esportistas de- mandam um cuidado especial no que se refere ao seu estado nutricional tendo em vista que estão em uma fase da vida sobre intenso crescimento e desenvolvimento e que a prática esportiva poderá provocar modi?cações de suas necessidades nutricionais normais. Dessa maneira, torna-se importante a realização de avaliação periódica de parâmetros de crescimento e desenvolvimento, bem como de aspectos nutricionais que O treinamento é capaz de estimular o crescimento mus- cular, porém sem uma dieta equilibrada, o resultado ?ca limitado. Segundo Miller [14], além de fatores genéticos e do treinamento, o principal fator que in?uência a performance Considerando as demandas ?siológicas decorrentes da prática do futebol e o papel da nutrição dos atletas para o fortalecimento desse esporte, o presente estudo objetivou analisar o per?l nutricional de jogadores infantis e juvenis de futebol de campo na cidade de Pelotas, e assim discutir a adequação dietética dos mesmos em comparação com as necessidades requeridas para esse esporte.

Material e métodos A amostra foi composta de 20 jogadores de futebol de campo com idades de 14 e 15 anos (categoria infantil) e 20 jogadores de 16 e 17 anos (categoria juvenil), de duas equi- pes classi?cadas para as semi?nais do campeonato citadino, na cidade de Pelotas, RS, todos ?liados à liga pelotense de futebol. A escolha pelos atletas se deu aleatoriamente, repre- sentando aproximadamente um terço da população total de A rotina de treinamento dos atletas constava de 5 sessões de treinamento semanais, com duração de aproximadamente Para a avaliação não foram considerados os níveis de matu- Foram coletados dados de peso e altura dos jogadores e também as medidas das pregas cutâneas: triciptal (DTR) e subescapular (DSE), utilizando-se o compasso de dobras cutâneas. Para a análise do percentual de gordura utilizou-se a equação proposta por Slaughter [13].Os materiais utilizados foram: uma balança analógica e estadiômetro (marca Secca) para medir a estatura, um compasso de dobras cutâneas (marca Os valores médios encontrados para estatura, peso, IMC Observa-se que o peso médio do grupo de jogadores juvenil apresentou valor superior ao grupo infantil o que é indicativo de ingestão alimentar maior.

Ida- Altu- Peso IMC DSE DTR % de ra Gord Juve- Mé- 16,4 1,75 58,2 21,1 8,7 8,9 13,8 nil dia Desv 0,6 0,06 7,3 1,9 1,6 1,8 2,5 Pad In- Mé- 14,4 1,69 55,9 19,9 9,5 8,5 13,6 fantil dia Desv 0,7 0,06 6,9 2,3 1,6 1,8 2,4 Pad

Para avaliar o hábito alimentar, aplicou-se o questionário recordatório alimentar de 24 horas, em 3 dias não consecu- tivos da semana (sendo 1 no ?m de semana) para se obter uma amostra de consumo, representativa da dieta habitual de cada jogador conforme o procedimento apresentado por O questionário foi aplicado por estudantes do curso de nutrição e de educação física da Universidade Federal de Pelotas, sob a orientação e supervisão de uma professora do curso de nutrição, sendo o mesmo aplicado em uma sala onde cada aluno era entrevistado individualmente antes das Os resultados dos dados de ingestão calórica de macro e micro-nutrientes foram representados pela média dos 3 dias de recordatório, analisados em software de análises de alimentos (DietWin, 2003) e expressos em percentuais. Os percentuais encontrados de consumo foram comparados às recomendações do Institute of Medicine’s Food and Nutrition Board que preconiza as Referências de Ingestão Dietética (DRI’s) [16] para todos os nutrientes. A estimativa do gasto energético dos jogadores foi determinada através da Taxa de Metabolismo Basal (TMB) dos mesmos, calculada pela equação 66,5 + (13,75 x kg) + (5,003 x cm) – (6,775 x age) [17]. Após a divisão do valor da TMB por hora, o resultado foi multiplicado pelas constantes metabólicas, considerando as atividades despendidas com as horas de treinamento físico e outras atividades consideradas leves e muito leves, segundo Foram analisados os valores percentuais de adequação dietética para o consumo calórico, consumo de macronutri- netes e micronutrientes (vitaminas e minerais) nas categorias Os participantes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido antes da coleta de dados.

Resultados Observa-se na Figura I sobre a ingestão calórica total, que 40% dos jogadores da categoria juvenil consumiam dieta adequada e 30% acima do recomendado. Para a categoria infantil, observa-se que a grande maioria (70%), apresentou uma dieta hipercalórica.

Figura 1 – Percentual de atletas em função do percentual de adequa- ção da ingestão calórica total de futebolistas infantis e juvenis.

Os resultados demonstram um consumo excessivo dos jogadores, contrariando os estudos realizados por Rico-Sanz [5] e Leblanc et al. [19], onde a ingestão de energia total dos A Tabela II apresenta a análise da adequação dos macronu- trientes, respectivamente para as categorias juvenil e infantil. A dieta dos jogadores da categoria juvenil apresentou expressivo percentual de adequação de acordo com o recomendado para todos os nutrientes CHO (50%); proteínas (50%) e lipídeos (60%). Entretanto, pode-se observar também na Tabela II que a dieta dos jogadores da categoria infantil apresentou-se, em sua maioria: hiperglicídica (50% acima da adequação) hipoprotéica (80% abaixo do recomendado) e hipolipídica (50% abaixo do recomendado), respectivamente.

Adequação Nutriente Abaixo Recomendado Acima Carboidratos 30% 50% 20% Juvenil Proteínas 40% 50% 10% Lipídeos 20% 60% 20% Carboidratos 20% 30% 50% Infantil Proteínas 80% 20% – Lipídeos 50% 30% 20% Lipídeos: 25 – 30 %

No presente estudo, 50% dos jogadores da categoria ju- venil apresentaram a proporção recomendada de consumo de CHO, entretanto uma parcela expressiva da amostra (30%) apresentou baixa adequação do consumo desse nutriente, con?rmando os resultados observados na literatura para essa modalidade esportiva. Entretanto, a categoria infantil [19], pois a maioria consumia CHO em proporções acima do Com relação ao consumo de proteínas, observa-se que ocorreu adequação em metade dos jogadores da categoria ju- venil (50%), entretanto parcela signi?cativa apresentou dieta

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hipoprotéica (40%). O mesmo não aconteceu com a categoria infantil que em sua maioria apresentou dieta hipoprotéica (80%). No estudo de Rico-Sanz [5] foram encontrados percentuais de proteína de 14% e 14,4%, ressaltando um Uma vez que a depleção de glicogênio é observada após as partidas de futebol [5], alimentos contendo grandes quantidades de carboidratos são importantes, pois auxiliam na reposição da reserva de glicogênio corporal. Os resultados demonstram que a quantidade de carboidratos ingerida pelos atletas da categoria juvenil está adequada ao recomendado (60 –70%). Já nos jogadores da categoria infantil, observa-se que a metade teve uma ingestão superior ao recomendado para carboidratos e uma ingestão inferior em proteínas. Este fato pode estar relacionado com um balanço nitrogenado negativo, comprometendo o crescimento e desenvolvimento A Tabela III indica o percentual de adequação das vitami- A análise da adequação de ingestão dos micronutrientes nas duas tabelas mostra que os percentuais de adequação são muito semelhantes para as duas categorias. Pode-se notar que uma parte dos jogadores da categoria infantil teve um consumo inadequado de vitaminas, sendo que todos (100%) ingeriram quantidade marginal (< 70% adequação) de vita- mina C e 70%, de vitamina A. A maioria dos jogadores da categoria juvenil também não atingiu o percentual adequado para o consumo de vitamina A, sendo 70% com ingestão marginal (< 70% adequação). O mesmo observa-se quanto Tabela III - Análise da adequação do consumo de vitaminas. ao consumo de vitamina C, ressaltando que 80% tiveram A ingestão insu?ciente das vitaminas A e C pode compro- meter o crescimento ósseo [20], fato relevante por se tratar de atletas em fase de crescimento. Além disso, essas vitaminas desempenham um papel importante no metabolismo aeró- bio [21], e uma ingestão inadequada pode comprometer o desenvolvimento da capacidade aeróbia, importante para o Quanto às demais vitaminas, na dieta da categoria juvenil os maiores percentuais estavam acima do recomendado e para a categoria infantil os maiores percentuais encontraram-se Com relação aos minerais, os resultados encontrados também apresentaram semelhanças entre as duas categorias. Na categoria juvenil (Tabela IV), constata-se que 70% dos jogadores não atin- giram um consumo maior que 70% de adequação de cálcio. Igual resultado pôde ser constatado quanto ao consumo de cobre, já que 100% obtiveram um consumo marginal. Quanto aos jogado- res da categoria infantil (Tabela IV), apresentaram uma ingestão inadequada para cálcio (80%) e cobre (100%) e um consumo superior em ferro (90%). Com relação à ingestão de ferro dos jogadores da categoria juvenil, veri?ca-se que a maior parte (60%) atingiu um percentual maior do que o recomendado. Discussão Vários estudos realizados com atletas de futebol constata- ram que as gorduras têm importante participação na ingestão Vitaminas Adequação < 70 % 70 – 80 % 80 – 110 % > 110 % Juvenil Infantil Juvenil Infantil Juvenil Infantil Juvenil Infantil Vitamina C 80% 100% – – – – 20% – Vitamina B12 – 10% 20% – 10% 20% 70% 70% Vitamina B6 40% 30% 10% 10% 30% 40% 20% 20% Vitamina A 70% 70% 10% 10% 10% – 10% 20% Vitamina B2 20% 20% – – 20% 30% 60% 50% Vitamina B1 30% 20% – 40% 30% 30% 40% 20% Vitamina E 20% – – – 20% 20% 60% 80% Niacina 30% 20% – 20% 30% 40% 40% 20% Minerais Adequação < 70 % 70 – 80 % 80 – 110 > 110 % Juvenil Infantil Juvenil Infantil Juvenil Infantil Juvenil Infantil Cálcio 70% 80% – – 20% 20% 10% – Cobre 100% 100% – – – – – – Ferro – 10% – – 40% – 60% 90% Folato 40% 50% 10% 10% 20% 30% 30% 10% Fósforo 10% 20% 10% 10% 20% 20% 60% 50% Magnésio 40% 10% 10% 30% 30% 30% 20% – Zinco 20% 10% – 20% 30% 30% 50% 40%

energética total desses atletas e ao mesmo tempo apresentam um baixo consumo de CHO [4,16,17]. Leblanc et al. [19], também veri?caram em seu estudo que a dieta dos atletas apresentava uma ingestão na proporção de macronutrientes ingeridos oriundas das gorduras (29,1 a 34,1% do VCT) e ao mesmo tempo baixa em carboidratos (48,5 a 56,6% do VCT). Ruiz et al. [18], estudando jogadores de 14 anos de idade, mostraram que a contribuição de CHO na ingestão Apesar dos carboidratos e gorduras serem quantitativa- mente os combustíveis preferenciais para o exercício, alguns tipos de atividades podem aumentar a oxidação de amino- ácidos, principalmente os de cadeia rami?cada [22]. Como resultado do aumento da oxidação de aminoácidos, estes são irreversivelmente perdidos. No caso que esses aminoácidos não sejam repostos pela dieta, o processo normal de síntese protéica será prejudicado, o que resultaria em uma redução das proteínas corporais, podendo levar a uma perda crônica de massa muscular, que é relevante no desempenho do jogador Uma ingestão de 1,4 – 1,7 g/kg/dia de proteína estaria adequada para jogadores de futebol [21]. Outra recomendação seria de 12 – 15% da ingestão energética de proteínas para adolescentes esportistas [24], o que se pode observar na dieta A recomendação de consumo de gorduras na dieta é de 25 – 30% das calorias totais. Juntamente com o carboidrato, O objetivo da utilização de gordura durante o exercício é poupar o uso do glicogênio muscular [25]. Neste estudo encontrou-se um consumo adequado de gordura em 60% dos jogadores da categoria juvenil, entretanto, metade dos jogadores da categoria infanto-juvenil teve uma ingestão abaixo do recomendado. A restrição excessiva do consumo de gorduras pode prejudicar o crescimento e desenvolvimento, por restringir o consumo energético e também a absorção de Em um estudo realizado com atletas nadadores com idades entre 13 e 21 anos [27], foi observado baixo consumo em vitamina A e elevada ingestão em ferro para os homens, dados Porém, a pesquisa realizada com atletas nadadores também constatou o consumo excedente em vitamina C, resultado Algumas vitaminas e minerais desempenham um papel chave no metabolismo energético [21]. A atividade física au- menta a necessidade do consumo de alguns destes nutrientes, o que pode ser alcançado mediante a ingestão de uma dieta adequada [11]. Estudos alertam que o aumento da ingestão de cálcio e vitamina E, diminui os efeitos provocados pelos Ainda não há evidências cientí?cas de que a suplementação de vitaminas e minerais promova um efeito ergogênico para os atletas. No entanto, a suplementação pode ser útil quando houver necessidade de compensar dietas de?citárias devido a aspectos, como: estilo de vida, desgaste físico devido ao treinamento intenso, correção de inadequação nutricional, No estudo feito por Leblanc et al. [19], também foi cons- tatado um baixo consumo de cálcio e consumo satisfatório de ferro pelos atletas, igualmente encontrado no presente trabalho para as duas categorias de jogadores. Os estudos demonstram que a carência de cálcio pode levar à desmine- ralização óssea, havendo diminuição da calcemia, tornado os ossos mais predispostos à fraturas. A ingestão adequada de cálcio é importante para maximizar o depósito deste mineral Em outro estudo, realizado por Rico-Sanz et al. [5], foi veri?cado que as ingestões de cálcio também estavam abai- xo do recomendado, o que reforça a importância de se ter um maior cuidado com esse nutriente, já que a amostra da presente pesquisa é composta por adolescentes e, em média, essa população consome quantidades menores do que a Considerando as limitações deste estudo na área da reposição hídrica, na utilização de suplementos por parte dos atletas analisados e nos níveis de maturação biológica, o estudo contribuiu para apontar problemas e soluções práticas relativos aos aspectos nutricionais dos atletas analisados.

Conclusão Dentro dos objetivos propostos pelo estudo, foi possível constatar através dos resultados encontrados um elevado consumo de carboidratos, um baixo consumo de proteínas e gorduras dos jogadores da categoria infantil, sendo que a maioria destes obteve ingestão do valor calórico total acima do recomendado. Já nos jogadores da categoria juvenil, os percentuais de adequação de macronutrientes apresentaram- se dentro da normalidade e a ingestão do valor calórico total Com relação aos micronutrientes, os resultados das duas categorias foram muito semelhantes, veri?cando-se ingestão marginal (< 70%) de vitamina C, vitamina A, cálcio e cobre nas duas categorias. No entanto, houve um elevado consumo de ferro, também observado nas duas categorias. Esse con- sumo inadequado das vitaminas A e C pode comprometer o desenvolvimento ósseo, fazendo-se necessária uma interven- ção nutricional no sentido de garantir o crescimento de forma Com base nesses resultados, é aconselhável uma educa- ção nutricional a esses jogadores de futebol, sugerindo uma adequação calórica, adequação dos macronutrientes, vita- minas e minerais, não apenas com o intuito de melhorar o desempenho esportivo, mas também para promover hábitos alimentares mais saudáveis que persistam no decorrer da vida desses jogadores. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 15 atividades esportivas de adolescentes. Muitas das recomen- dações são originadas de estudos com adultos, o que reforça 15. Portanto, sugere-se que novos estudos sejam realizados com o objetivo de difundir os conhecimentos referentes à nutrição aplicada ao esporte e em especial ao futebol. Referências 1. Frisselli A, Mantovani M. Futebol, teoria e prática. 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Artigo original Educação nutricional aplicada para nadadores infantis de um clube do município de São Paulo Nutritional education applied for young swimmers of a club in the city of São Paulo Juliana Oliveira Figueiredo*, Tatiana Akemi Kondo*, Eliane Araújo dos Santos Cristóvão*, Renata Furlan Viebig** *Graduandas do Curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo-SP, **Nutricionista, Especialista em Nutrição Clínica, Doutoranda em Medicina Preventiva pela FMUSP, Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo-SP Resumo Objetivo: Demonstrar, por meio de gincanas aplicadas à popu- lação estudada, como as atividades educativas são importantes para introduzir a educação nutricional de atletas infantis, especialmente para o incentivo ao aumento do consumo de frutas, verduras e legumes. Materiais e métodos: O estudo foi realizado com 30 nada- dores mirins e para estes foram aplicadas três gincanas educativas, focadas no tema “importância do consumo de frutas e hortaliças para nadadores”. Resultados: Na gincana sobre a importância das frutas, das perguntas realizadas durante a atividade houve 90% de acerto e 10% de erro, enquanto que na gincana sobre as verduras houve 75% de acerto e 25% de erro. Na gincana sobre legumes não houve perguntas. Conclusão: Quanto mais cedo forem instalados nas crianças ?sicamente ativas hábitos alimentares saudáveis, dire- cionados para o desempenho no esporte, maior a probabilidade de que permaneçam na vida futura como uma garantia de melhores Palavras-chave: educação nutricional, criança, frutas, hortaliças, atividade física. Abstract Objective: To demonstrate through education activities how is important to introduce nutritional education for young athletes, Materials and methods: The sample was composed by 30 swimming children and were applied three educative activities, with focus in the theme importance of fruit and vegetables consumption for swimmers. Results: In the activities about the importance of fruits, of the asked questions during the activity, we observed 90% correct and 10% incorrect, while in the activities about vegetables, 75% were correct and 25% incorrect. On the second part of the activity about vegetables we did not make any questions. Conclusion: The earlier the nutritional healthy patterns are installed in the physically active children, aiming at sport's performance, more probability that these remain in future life, as a guarantee of better results in Key-words: nutritional education, children, fruits, vegetables, physical activity. Endereço para correspondência: Juliana Oliveira Figueiredo, Rua Benedito Jacinto Mendes, 163, 03922-000 São Paulo SP, Tel: (11) 6705-0284, E-mail: ju.oliveira20@gmail.com Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 17 Introdução As crianças praticantes de atividades físicas necessitam de um maior cuidado com a alimentação, uma vez que esta deve suprir as necessidades da fase de desenvolvimento desses indivíduos, além de fornecer a energia adicional que é exigida A educação física tem forte ligação com a nutrição tanto na área de cunho mais pedagógico e escolar, como no trei- namento em esportes, visando alto rendimento ou mesmo a Os atletas jovens comumente adotam comportamentos alimentares inadequados, os quais podem comprometer o estado nutricional destes, bem como seu desempenho no esporte [3]. Estudos mostram que os atletas não prestam atenção à alimentação, e consequentemente, prejudicam seu Geralmente, os indivíduos não pensam na alimentação como uma fonte de energia para a execução de suas atividades diárias, ou de nutrientes para a constituição do seu corpo, mas, fundamentalmente, em termos de prazer gustativo, olfatório e visual [6]. Assim, percebe-se que a maioria dos atletas ignora Nos últimos anos, notou-se que no Brasil os padrões ali- mentares modi?caram-se, elucidando em partes o contínuo aumento de adiposidade nas crianças em geral, como o baixo consumo de frutas, hortaliças e leite, além do consumo eleva- do de guloseimas (bolachas recheadas, salgadinhos e doces) e Atualmente, estima-se que no Brasil o consumo de frutas e hortaliças seja inferior a metade do que é recomendado nu- tricionalmente [10]. Estes alimentos são fontes de vitaminas e minerais, os quais devem ter as necessidades atingidas com uma dieta quali-quantitativamente adequada, suprindo a Desta maneira, a escolha de uma alimentação adequada e principalmente equilibrada promove uma melhoria na res- Assume-se, assim, que a prescrição dietética, de acordo com o gasto energético, sexo, idade, o calendário de competição e treinamento e o momento de ingestão de uma refeição apro- priada à prática desportiva, é essencial para a performance de Diante das práticas alimentares inadequadas destes indiví- duos, a educação alimentar e nutricional torna-se fundamental para converter os hábitos errôneos em saudáveis, propiciando conhecimento, principalmente, sobre as vantagens do consu- O presente estudo objetivou demonstrar, através de ginca- nas aplicadas à população estudada, como as atividades edu- cativas são importantes para auxiliar na educação nutricional de atletas infantis, no incentivo ao aumento do consumo de frutas, verduras e legumes. Materiais e métodos O estudo foi realizado com 33 nadadores mirins, meninos e meninas, com idade entre 6 e 10 anos, das equipes competi- Foram aplicadas 3 gincanas visando a educação nutricio- nal dessa população, especi?camente educativas, focadas no tema “importância do consumo de frutas e hortaliças para A seguir, são descritos os procedimentos empregados em cada uma das atividades educativas empreendidas. Gincana das frutas Objetivo: Realizar a abordagem inicial do assunto consumo de frutas com os nadadores, mostrando a importância destes Executores: Estagiárias da área de Nutrição Esportiva. Modo de conduzir: 1) breve preleção sobre a importância das frutas na alimen- 2) jogaram-se na piscina bexigas numeradas e não numeradas 4) as equipes entraram juntas na piscina para pegarem o maior número de bexigas que conseguirem em 20 segun- dos, sendo que cada participante pegou uma bexiga por vez, colocando-as em uma sacola que estava na borda da 5) a equipe que pegou o maior número de bexigas ganhou 1 ponto e a que pegou o maior número de bexigas nu- 6) cada equipe respondeu a pergunta relacionada ao número 7) as bexigas numeradas que as equipes não pegaram foram divididas entre as equipes para que cada uma delas res- 8) foram computados os erros e acertos em cada questão 9) ganhou o prêmio a equipe que obteve o maior número 10) prêmios: vencedores – 1 barra de cereal e 1 maçã; perde- 11) ao ?nal da gincana foram entregues informativos sobre a importância das frutas (Figura 1), para as crianças en- As crianças foram fotografadas durante a execução da Materiais utilizados: computador, impressora, papel sul- ?te, bexigas, bolas de gude, caneta, sacolas plásticas, barras de cereais e maçãs. Gincana das verduras Objetivo: Realizar a abordagem inicial do assunto consu- mo de verduras com os nadadores, mostrando a importância Executores: Estagiárias da área de Nutrição Esportiva. Modo de conduzir: 1) breve preleção sobre a importância das verduras na alimen- 3) cada participante atravessou a piscina chegando até uma das estagiárias, a qual estava na borda da piscina esperando o participante para fazer uma pergunta relacionada à palestra 4) o participante que respondesse a pergunta corretamente ganhava uma pulseira verde, a qual seria colocada no ato da resposta, mas se a pergunta fosse respondida errada ele 5) após respondida a pergunta o integrante da equipe voltava para a outra ponta da piscina para que o outro componente 6) ganhou o prêmio a equipe que teve o maior número de 7) prêmios: vencedores – 1 barrinha com polpa de fruta e 1 8) ao ?nal foram entregues informativos sobre a importância das verduras (Figura 3), para as crianças entregarem aos Novamente as crianças foram fotografadas durante a Materiais utilizados: computador, impressora, papel sul?te, pulseiras verdes e vermelhas, barrinhas com polpa de fruta e canetas. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 19 Gincana dos legumes Objetivo: Realizar a abordagem inicial do assunto consumo de legumes com os nadadores, mostrando a importância destes alimentos na alimentação do atleta infantil. Modo de conduzir: 1) breve preleção sobre a importância dos legumes na alimen- 3) com os olhos vendados, cada participante sentia o cheiro do legume cozido e tentava adivinhar o que era, se acertasse 4) após sentir o cheiro o participante que provasse o alimento ganhava 1 ponto, o que não quisesse provar não ganhava 5) ganhou o prêmio a equipe que obteve o maior número de 6) prêmios: vencedores – 1 certi?cado; perdedores – não 7) por ser a última gincana, foram entregues informativos (Figura 5) com orientações nutricionais para uma melhor performance dos atletas, para as crianças entregarem aos Materiais utilizados: computador, impressora, papel sul?te, batata, cenoura, chuchu e beterraba cozidos. Resultados e discussão Participaram das atividades educativas 30 nadadores competitivos do clube, sendo 27% do sexo feminino e 73% do sexo masculino. A idade média das crianças foi de 11,06 As gincanas foram preparadas de forma que fossem diver- tidas e ao mesmo tempo informativas, pois estas ajudaram os atletas na ?xação do conteúdo dado na preleção antecedente à gincana. Figura 5 - Informativo com orientações nutricionais para uma melhor performance dos atletas. Na primeira gincana, sobre a importância das frutas, das perguntas realizadas durante a atividade, houve 90% de acerto e 10% de erro. Na gincana sobre as verduras, houve 75% de Dessa forma, considera-se que durante as gincanas os atletas mirins conseguiram aprender o conteúdo que foi ministrado, pois no momento das perguntas nas gincanas a Na última gincana, sobre a importância dos legumes, não No estudo de Jorge e Peres [13], realizado na cidade de Bauru, com crianças, foi demonstrada a importância da brin- Os autores veri?caram que a aplicação das atividades educa- tivas foi um processo agradável tanto para quem o elaborou, Experiências anteriores mostram que o fornecimento apenas de orientações orais representa discursos vazios e re- petitivos, falhos em promover mudanças na alimentação dos indivíduos [13,14]. Assim, a vivência dos conceitos, de forma lúdica e divertida é um facilitador no processo de aprendizado e aquisição de novos conhecimentos, especialmente por parte do público infantil. junto de medidas que deve induzir as pessoas a atitudes tidas como desejáveis para a promoção da saúde e prevenção de doença, por isso a importância da utilização de estratégias que promovam o alcance dessa ?nalidade, entre elas, aulas 5. Conclusão a criatividade aliada ao conhecimento técnico cientí?co, o qual foi transmitido de uma forma divertida e agradável, facilitando o aprendizado. 7. Os atletas mirins representam um grupo no qual a adoção de hábitos alimentares adequados e saudáveis é determinante a educação nutricional ser inserida desde a infância para os pequenos atletas, do mesmo modo como enfatizou a impor- tância da realização de atividades educativas para o aprendiza- 10. do, uma vez que estas auxiliam na ?xação do conteúdo, além cedo forem instalados nas crianças ?sicamente ativas hábitos alimentares saudáveis, voltados para a prática de atividade física e para a qualidade de vida, maior a probabilidade de que estes permaneçam na vida futura dos atletas, além de competitivos. 1. Juzwiak CR, Paschoal V. Nutrição para crianças ?sicamente ativas. Nutrição, Saúde & Performance 2001;11:32-7. 15. Lollo PCB, Tavares MCGCF, Montagner PC. Educação física e nutrição. Lecturas Educación Física y Deportes 2004;10:1-9. Viebig RF, Patton CT. Nadadores mirins competitivos: ade- quação do estado nutricional. 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A despeito dos avisos e alertas da comunidade cientí?ca e sanções impostas pelos órgãos administrativos de musculação, um número cada vez maior de atletas continua a tomar essas drogas. Adotando uma posição eticamente neutra na questão do uso da droga no esporte, este trabalho apresenta alguns fatos a respeito dos esteróides anabólicos assim como alguns posicionamentos éticos a favor e contra seu uso no esporte. Contudo, os problemas de dosagem, ciclos e marcas dos esteróides mais adequados para os ?sicultores precisam de respostas, por isso análise criteriosa de dados clínicos é necessária. Pesquisas experimentais são importantes para tomada de decisão clínica com mais segurança e os atletas devem ser informados pelos pro?ssionais Palavras-chave: fisiculturismo, esteróides anabólicos. Abstract Bodybuilding athletes use anabolic steroids with stated purpose of performance improvement. In spite of scienti?c community alerts and punishments imposed by administrative doping agencies, a higher number of athletes are still using thses drugs. Adopting an ethically neutral position regarding this question, this study present some facts about anabolic steroids as well as some ethical positioning the pros and the cons of its use in sport. The problems of quantity and traces of steroids cycles more appropriate for bodybuilding need answers, so careful review of clinical data are needed. Research experiments are important for clinical decision-making with more security. The athletes should be informed by professionals who Key-words: bodybuilding, anabolic steroids. Endereço para correspondência: Marcus Vinicius Grecco, Rua Ribeiro de Barros, 81/31,Vila Pompéia, 05027-020 São Paulo SP, E-mail: mvgrecco@ig.com.br Introdução Os esteróides vieram para ?car. O tempo já provou isto, mas para conceituar-se esteróides, segundo Write [1], faz-se necessário o entendimento de certos termos como por exem- plo o metabolismo, signi?cando todas as funções do corpo envolvidas na produção, manutenção ou destruição de tecidos e das energias. Os processos de construção são citados como Outro conceito que precisa ser entendido é anabolismo ou processos miotrópicos: que é o processo de reparação, construção e crescimento dos tecidos. Os efeitos anabólicos associados a esteróides dizem respeito à síntese de proteínas para esta reconstrução. Já o catabolismo nada mais é do que o oposto do anabolismo, ou seja, o processo de quebra ou de Os hormônios são substâncias químicas segregadas de certa glândula que agem em um tecido alvo gerando um efeito especí?co. Para o ?sicultor o hormônio de maior interesse é a testosterona (hormônio sexual masculino). Esse hormônio tem duas funções básicas que é androgênica e anabólica. A androgênica regula o desenvolvimento das características secundarias masculina (timbre de voz, pêlos faciais, distri- buição de gordura etc) e a anabólica regula a manutenção e desenvolvimento da musculatura. A produção deste hormônio no organismo masculino é de 17 mg/dia, enquanto no femi- nino é de 0,25 mg/dia, daí a diferença de volume muscular entre os sexos. Portanto, Write [1] de?ne esteróides como: “compostos sintéticos de derivação anabólica que imitam os efeitos do hormônio testosterona (minimizando os efeitos Defendis [2] fala que o anabolismo é o que mais interessa aos atletas que utilizam esteróides, pois promove a síntese de proteínas para a recuperação e crescimento dos músculos, devendo-se dar preferência por esteróides mais anabólicos e menos androgênicos, pois, além da construção muscular (anabólicos), os efeitos colaterais são menores. Ainda, comenta o autor, que um dos mais importantes atributos ligados aos esteróides é a capacidade de retenção e armazenamento de nitrogênio, conseguida através da estimulação da síntese de proteínas. O nitrogênio é o componente básico da proteína, e o esteróide na corrente sangüínea contribui para ativar os genes responsáveis pela síntese protéica. Modi?cando o potencial dos genes, haverá modi?cação do metabolismo e conseqüentemente do anabolismo, in?uenciando na cons- Segundo Siegel [3], quando o ?sicultor está em ciclo de esteróide deve ingerir bastantes vitaminas e minerais, pois se acredita que esses nutrientes estejam em sinergismo com a droga (ajudam ou facilitam os esteróides na síntese de proteí- nas), na retenção do nitrogênio. Os anabolizantes sozinhos são inúteis para promover aumento de força e volume muscular se a alimentação não for adequada, assim como um trabalho de musculação pesado. Hat?eld [4] comenta que nem todas as moléculas dos esteróides atingem as células e permanecem ?utuando na corrente sangüínea e ao passarem pelo fígado são hidrolizadas em 17 cetosteróides. A estrutura modi?cada da molécula de esteróide que permanece ?utuando na corrente sanguínea, eventualmente, é recebida por outro tipo de receptor e pode in?uenciar diferentes mecanismos no corpo, e esta reação, Torna-se uma das razões de alguns efeitos colaterais causados Na opinião de Akis [5], o nível de massa muscular depende do potencial genético individual (quantidade de mitocôndrias nos músculos favorecendo a recuperação), e não, da maneira pela qual o atleta favorece o crescimento do músculo, inten- si?cando os treinos ou usando drogas. As drogas não fazem Wadler [6] diz que o metabolismo do carboidrato, da proteína, do lipídeo (gordura) e a eliminação, desintoxicação ou inativação de substâncias como a uréia, a bactéria, os hor- mônios (ex. esteróides anabólicos) e outras matérias nocivas são funções do fígado. Nos ?sicultores que usam esteróides, os efeitos das interrupções das funções do fígado em longo prazo são desconhecidos. Os efeitos em curto prazo foram mínimos e reversíveis ao cessar o uso de esteróide. Contudo, pode ocorrer a hepatite tóxica causada pelo uso continuado Viana [7] e Wadler [6], em seus estudos, comentam a relação da hipertensão como equilíbrio ?uido/eletrólito, dizendo que, muitos dos ?sicultores usuários de esteróides apresentam retenção de água (edema) no organismo, que Segundo Santarém [8], quando os ?sicultores adminis- tram esteróides não existe mais necessidade de segregação da quantidade normal de testosterona, sem isso, os testículos se atro?am e ocorre a eliminação na produção de espermatozói- de. O autor também comenta que o excesso de drogas pode fazer surgir, no corpo do ?sicultor, a ginecomastia, ou seja, a ?acidez em torno dos mamilos acompanhados de nódulos e sensibilidade no local. Quando o esteróide tem alto teor de componente androgênio leva o atleta a ser muito agressivo Complementam outros efeitos de casos clínicos isolados: como queda de cabelo, câncer, náuseas, ossi?cação prematura, disfunção gastrointestinal, sonolências, epistaxe, interrupção Já Colgan [9] relata que nos homens as drogas podem ter efeitos virilizantes, incluindo funções como o crescimento da vesícula seminal, do pênis, da próstata, aumento da puberdade e libido, mas não se sabe ainda até que ponto estas alterações podem chegar. Na mulher pode acontecer aumento do clitóris McArdle & Katch [10] discutem um pouco sobre os males dos esteróides sobre o sistema músculo-esquelético, descrevem que quando os atletas iniciantes fazem uso de Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 23 esteróides seus músculos aumentam de volume e os tecidos conectivos e tendinosos não acompanham a progressão po- dendo causar lesões. O volume anormal conseguido através das drogas pode tornar o músculo um tecido estruturalmente mais fraco. Adjudicam ainda, que usando drogas, as glândulas paratireóides – responsáveis pela distribuição do cálcio pelo organismo – podem trabalhar em excesso desviando o cálcio dos ossos para os músculos causando a osteoporose. Outro efeito apontado, quando termina o ciclo pode acontecer um enrijecimento nas articulações acometidas de dores, podendo Em seu estudo, Brainun [11] aponta que os atletas normais e saudáveis adaptaram o uso de esteróides em casos terapêu- ticos, para facilitar o desempenho no esporte, pois a droga aumenta o volume e a força muscular. Certa quantidade de força pode ser conseguida através da ação histológica resul- tante do aumento de ?uído celular (sarcoplasma) e edema em geral (retenção de água). Há ainda o aumento de volume muscular que é conseguido com o crescimento mio?brilar e o aumento do ?uido celular. Entretanto, permanece como con- dição prévia: para o máximo aumento de força e volume deve Salgado [12] relata que os ?sicultores que tomam este- róides aumentam a agressividade positiva fazendo com que treinem com mais a?nco; comenta também, que muitos deles, fazem uso de esteróides por achar que a massa muscular, a partir de um determinado estágio, não aumentará mais sem Wadler [6] aponta, ainda como benefícios, o uso de es- teróides em casos terapêuticos, para combater anemia, repor hormônios, peso abaixo do normal, infecções, osteoporose, estimular cicatrização etc. Em curto prazo os esteróides são seguros desde que tomadas as devidas precauções determina- das na bula. Os fabricantes e médicos contra-indicam o uso para gestantes, portadores de nefrose, obstrução biliar, câncer, lesões hepáticas, cardíacos e diabéticos. Foram observados efeitos colaterais irreversíveis somente em mulheres devido Segundo Voy [13], o uso das drogas tornou-se altamente so?sticado através de casos de auto-experimentação, que deram aos atletas um conhecimento, muitas vezes superiores aos dos médicos (na área prática), tornando-se um modo de vida profundamente difundida dentro do esporte (muscula- ção). O fato de que as drogas funcionam, tornou-se evidente a todos que pretendem aumentar a força e volume muscular e as tentativas legais de produção serviram para aumentar o Segundo Everson [14], o uso de esteróides pode ser bom desde que miniminizado seu efeito negativo e maximizado seu efeito positivo. Quem consegue esses efeitos são os “pioneiros” que começaram a utilizar vários métodos de ciclos das drogas para minimizar os riscos, sempre alertas para as novas drogas ou métodos utilizados para melhorar suas performances. Os atletas reconhecem as limitações da ajuda ergogênica que estão adotando e tem como normas a assistência médica para a monitorização de seu organismo e melhorar técnicas de treino. Como pioneiros, os atletas avaliam cuidadosamente a relação vícios e benefícios, continuando com cautela e mente Yesalis [15] comenta alguns pontos sobre essa nova ética que ronda o ?siculturismo, fala que não se consegue benefício algum através de teste antidoping em competições, pois, os atletas mais so?sticados sempre encontram uma maneira de mascarar o uso de drogas, criando uma atitude mais desleal do que aquela que os testes pretendem eliminar. As formas de tentativa de ludibriar os testes são mais perigosas que as Write [1] fala que nenhuma pesquisa ou evidência mostra que os ?ns são maiores que as recompensas, mediante o uso adequado de esteróides. As drogas estão à disposição de todos e a solução é a educação e o avanço cientí?co esclarecendo O uso da droga em um ?sicultor normal e saudável pode melhorar seu desempenho, mas é duvidoso que esta mesma droga o fará mais saudável. Dieta e alimentação Segundo Siegel [3], quando o ?sicultor estiver usando droga a alimentação deve conter uma ingestão de 500 calorias a mais por dia, devendo ser rica em proteína para suprimento desta necessidade calórica extra e também rica em aminoáci- dos essenciais. O motivo desta quantidade de calorias a mais em uma dieta deve-se ao fato de a biossíntese muscular ser acelerada devido ao uso das drogas chegando a ganhar cerca de meio quilo por ciclo (nas primeiras semanas). O autor ainda recomenda que se devem reduzir os níveis de manutenção as calorias quando cessado o uso de esteróides. Cada refeição deverá conter farinhas integrais, cereais, vegetais, ovos, frutas e leite e seus derivados e fígado, para aumentar o volume de sangue no corpo. Suplementar a dieta com vitaminas, minerais e enzimas de boa qualidade, já que os alimentos ingeridos poderiam não ter os nutrientes necessários para potencializar os ganhos de volume muscular durante o ciclo. Recomenda fazer 6 refeições ao dia com os nutrientes básicos, pois facilita Yessis [16] comenta que existem produtos naturais que têm o mesmo efeito que os esteróides anabólicos (aumento de força e massa muscular), mas com a vantagem de não causarem efeitos colaterais. Os mais estudados foram: a tirosina, que produz a norepinefrina, um neurotransmissor com a capacidade de aumentar a atividade mental, reduzir a fadiga e depressão e funciona também como liberador do GH – hormônio de crescimento importante para a síntese protéica; a inosina que é um aminoácido que ativa o sistema nervoso e contrações musculares, produzindo uma força comparada à dos esteróides; GO – uma substância extraída do óleo de farelo de arroz que age sobre o hipotálamo e faz desenvolver a massa muscular. Este regula a glândula pituitária que é responsável pela liberação e produção de testosterona e estrogênio, entre outros. Métodos para uso de esteróides anabólicos Para Fox & Matheus [17] existem várias maneiras para o ?sicultor manipular as drogas, uma dessas formas é o Stacking, que é o ato de usar mais de um esteróide anabólico ao mesmo tempo, pois, acredita-se que as drogas agem em sinergismo, uma ajuda à outra em suas funções. Na maioria das vezes os atletas usam uma oral e a outra injetável. Há ainda uma segun- da forma: o plateaning que segue um programa de ciclagem, não se usa a mesma por tempo su?ciente para que o corpo se habitue, resolvendo o problema da estabilização – quando os atletas percebem que as drogas não estão fazendo mais efeito de ganho de massa muscular. Uma terceira forma de manipu- lação de drogas é o staggering, que é um método para evitar a estabilização de uma ou duas drogas. Os usuários optam por largarem estas e usarem outras, acreditando continuar o Write [1] comenta sobre outros dois métodos usados, o taperig é o método mais seguro para não interromper o ciclo e parar repentinamente a dosagem e, sim, reduzir lentamente por um período de 4 a 6 semanas – sendo maior o tempo de uso, mais longo deverá ser o tempo de diminuição – e o shotgunning que é outro método (abusivo) que consiste em tomar vários tipos de drogas na esperança de que na falta de Segundo Voy [13] e Yesalis [15], embora existam dife- renças nos esteróides, a coisa não funciona desta forma. O interesse principal do ?sicultor é a retenção de nitrogênio para o crescimento muscular e nesta área todos os esteróides agem da mesma forma, sendo inútil a ingestão de vários. Cada esteróides tem uma “vida média”, que signi?ca o período de tempo que a droga permanece ativa antes de ser aromatizada ou hidrolizada. Aqueles que fazem uso de esteróides desenvol- veram a perigosa idéia de que quanto mais, melhor. Isto não é a crença correta, mesmo porque existem riscos potenciais Wadler [6] diz que a maneira e?ciente para determinar a dosagem é através da manutenção de um relatório de trei- namento diário, monitoração dos efeitos colaterais, tanto visualmente como por exame de sangue, e com assistência médica. São comuns os atletas que se dedicam a um trei- namento intenso com peso regular e uso de esteróides com base na seguinte fórmula: 1 mg por quilo de peso corporal ao dia. Mas para Leibovitz [18] esta dosagem é considerada alta, e segundo o autor, já existem casos em que essas doses Kawaushi [19] comenta que ciclo refere-se a manipula- ção da dosagem e tempo duração dos esteróides de acordo com o programa de treinamento. É impossível relacionar inúmeros ciclos que vem sendo utilizados através dos anos, bem como os motivos para que estes diferentes ciclos sejam Defendis [2] cita alguns ciclos que obtiveram sucesso ma- ximizando seus benefícios e minimizando os riscos das drogas usadas por vários ?siculturistas: o ciclo dura 6 semanas com um intervalo de 2 a 3 semanas entre eles. Durante 6 semanas, administra-se a droga, a partir deste tempo a dose é diminuída continuamente, permitindo ao corpo voltar gradualmente Os ciclos curtos ou infreqüentes de altas doses produzem resultados que passam rapidamente, já que os aumentos de volume e força provêm da retenção de água/ ?uido e da ação histológica. A ciclagem em longo prazo permite um aumento mais acentuado, em elementos mio?brilares da célula, o que A maioria dos esteróides se estabiliza em 6 ou 7 semanas e o procedimento da primeira dose de esteróides deve ser injetá- vel, pois os orais são mais tóxicos e possuem efeitos colaterais maiores, exceto aquele com menor porcentagem de androgênio que é menos tóxicos para o fígado. Os cientistas conseguiram manipular a estrutura química da molécula base da testosterona de tal forma que o efeito, antes de ser aromatizado ou hidro- lizado, é prolongado no sistema, além disso, alguns esteróides orais tiveram sua estrutura modi?cada de tal forma que não Hat?eld [4] mostra, nos quadros 1 e 2, que após a com- petição deve utilizar-se um programa de dosagem para “fora de temporada”, ou seja, decrescente, a ?m de “normalizar” as funções do corpo. Podem-se usar injeções de Primoblan e também um oral com taxa baixa de androgênio. (Ex. Anavar) nas últimas três semanas caso exista problema de redução do peso corporal. Anabolizantes, marcas e procedências Everson [14] fala de algumas drogas injetáveis usadas pelos atletas, tais como Dianabol (EUA) conhecida também como Anadrol 50 e usada para o desenvolvimento de volume e força, possuindo 40% de teor androgênio; Maxibolin (EUA) e Winstrol (EUA), usada para o desenvolvimento de volume com 10% de androgênio; Primobolan e Equipoise (EUA) que são drogas veterinárias para garanhões com 20% de teor androgênio, Deca Durabolin, Durateston e Parabolan todos de origem norte-americana e que são as mais perigosas para Viana [7] cita drogas orais como, por exemplo, Halotestim (EUA) usado para o aumento de volume e força com 40% de androgênio. Winstrol usada para ganho de volume com 20% de teor androgênio; Maxibolin e Proviron (EUA) ambas com 20% de androgênio e usada somente para ganho de volume e a terceira é a Oxandrolone (EUA) com 40% de androgênio e usada para ganho de volume e força. O autor observa que os esteróides mais seguros em relação aos efeitos colaterais são os mais anabólicos e menos androgênicos. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 25 Período fora de temporada Oral (ex. Anavar, Maxobolan ou Winstrol) Decadurabolin ou Primobolan) Gonadotrofina coriônica 1 e 2 semanas (começar os exames de sangue) 50 mg/dia 300 mg/semana 3 e 4 semanas (exame de sangue) 25 mg/dia 200 mg/semana 5 e 6 semanas 0 100 mg/semana 7 e 8 semanas 0 0 2cc a cada 2 dias Pré-temporada Oral Injetável Observação 6 semanas 20 mg D.bol/dia 100 mg/semana Caso seja necessário o uso de diuréticos antes das competições os fisicultores compensam com acrescí- mo de vitaminas protéicas Começam os preparativos Último dia: começam os diuréticos, quando com 5 semanas 40 mg D.bol/dia 200 mg/semana 4 semanas 20 mg D.bol/dia 50 mg D.Androl/dia 3 semanas 100 mg Androl/dia 300 mg/semana 2 semanas 50 mg Androl/dia 10 mg Halotes/dia 400 mg/semana 1 mg 1 semana 50 mg Androl/dia não é necessário 20 mg Halotestin Voy [13] comenta que na obsessão de alcançar o primeiro lugar, alguns ?sicultores se submetem ao uso de produtos inconcebíveis, usam anabolizantes feito de substância tirada de hormônios de boi, de placenta de mulheres grávidas, de mamilos de cachorro no período do cio, entre outros. O autor cita também drogas auxiliares dos anabolizantes usadas pelos ?sicultores: Periatrim é usado para aumentar o apetite, pois muitas drogas tiram a fome o que seria prejudicial para desenvolvimento. O Periatrim torna o apetite voraz, mas pode causar asma e glaucoma. Gonadotropina corionica e Clomid são usados pelos ?sicultores para que as taxas de espermatozói- des voltem ao normal depois de um ciclo e não usá-las mais do que 3 semanas após termino do ciclo. A dosagem deve ser de 2 cc por dia e enquanto a gonadotropina corionica atua McArdle & Katch [10] falam sobre outras drogas como: Sinemed, que é usada para aumentar o GH no organismo podendo causar náuseas e vômitos; Exobolina é uma droga alemã que é e?caz na síntese de proteína relacionada quimi- camente com a vitamina B 12 não sendo considerado um esteróide; Wydase – ingerida subcutaneamente em vários pontos do corpo, onde há mais depósitos de gordura – é usada como “difusor” para outras drogas e reduz tempora- riamente a gordura subcutânea, tempo bastante para fazer um trabalho de de?nição muscular e competir, presume-se Os autores continuam comentando que existem dezenas de drogas sendo utilizadas geralmente de forma indiscriminada na ânsia de melhorar a desempenho. A melhor forma de proceder é procurar um médico desportivo que informe tudo que o ?sicultor precisa saber. Passando pelo teste antidoping Sparkman [20] nos mostra métodos so?sticados para ludi- briar o teste antidoping existente no esporte. Os dois métodos mais usados em conjunto são: o uso de drogas substitutivas e a ciclagem. Como exemplo cita a utilização da gonadotropina que eleva o teor da testosterona do organismo ao seu nível normal, de modo que a testosterona ingerida ou injetada não possa ser detectada. Cita outro exemplo que é o do GH, que vem sendo usado há muito tempo e não foi detectada até o momento. Muitos ?sicultores, no ?nal da quarta ou sexta semana de preparação para a competição, mudam para este- róides de curta duração, interrompendo também o uso destes Salgado [12] diz que, como padrão, as drogas orais não são detectáveis se interrompidas 3 a 4 semanas antes, enquan- to as injetáveis permanecem no corpo até 2 meses depois de sua administração. A probenecida é um produto usado pelos ?siculturistas na tentativa de mascarar a presença de drogas no organismo, mas sua e?ciência não foi totalmente Write [1], durante um campeonato Nacional de ?sicultu- rismo nos EUA, em 1990, fez uma pesquisa sobre o uso de anabolizantes obtendo o seguinte resultado: dos 61 ?sicul- turistas entrevistados, 45 usavam esteróides (admitiram); um terço dos atletas acharam que o teste antidoping faz com que diminuam o consumo de esteróides; 70% deles têm usado outros métodos (anfetaminas, diuréticos e insulina); 20% usam GH; 80% falam que um nível de separação muscular e manutenção da massa não são conseguidos sem esteróides. O autor descobriu também que alguns ?siculturistas que ingerem vários tipos de anabolizantes, durante o período com- petitivo, tentam escapar dos testes antidoping reintroduzindo Outro grupo interessante descoberto é aquele que utiliza ciclos pesados fora de temporada competitiva e aumentam incrivelmente seu peso, então largam as drogas meses antes para que desapareçam do organismo; nesse período sem es- teróides tentam manter seus pesos através de treinos e uma Wadler [6] tendo contato com ?siculturistas descobriu que 90% deles estão cientes sobre alguns aspectos importantes do uso das drogas. Os ?siculturistas utilizam um programa administram drogas orais com intervalos, pois sabem que os efeitos colaterais são menos graves, e são difíceis de serem detectadas, quando interrompidas 3 a 4 semanas antes de competição. São orientados por médicos desportivos e têm consciência de que não adianta fazer ciclo se não tiverem uma alimentação e um treino intenso. Estão conscientes também de que as drogas podem acelerar a predisposição genética de doenças e as drogas orais, em doses exageradas, representam perigo maior de que qualquer outra forma de ingestão, pois submetem ao fígado uma carga de trabalho exagerado. Como interpretar os resultados do exame de sangue Segundo Hat?eld [4], o quadro 3 enumera vários com- ponentes do sangue (soro) que são tipicamente incluídos dos exames de sangue pedidos antes da administração do esteróides ou da terapia com esteróides. Estão apresentadas as variações “normais” para cada componente. Existem poucos dados que permitam uma classi?cação como “normal” no caso de um ?sicultor submetido a um treinamento intenso de musculação ou esforço extremo. A hipertro?a muscular, aumento de volume muscular, também tende a elevar algumas das taxas. Portanto, uma variação acima da “normal” seria adequada aos ?siculto- res. Em ?sicultores submetidos a treinamento estressante são comuns os níveis de DHL e TGO estarem altos, mas não é comum haver taxas de 10% a 20% acima da variação “normal” para estas duas enzimas séricas. A taxa elevada se deve ao stress Abaixo o autor explica o signi?cado de cada um dos itens citados no quadro 3 de interesse para o ?siculturista, enquanto Os aumentos e diminuições de cálcio no plasma sangüíneo se devem a muitos fatores diferentes, mas um dado signi?- cativo para o ?siculturista é o fato de que o uso freqüente de diuréticos, como Lasix, pode causar a diminuição deste. Uma taxa anormalmente alta pode indicar a ingestão de grandes doses de vitaminas D. O uso de esteróides não parece ser um A elevação de fósforo no sangue pode estar associada ao hipertiroidismo e secreção elevada de hormônios de cresci- mento. Nesta variação os esteróides parecem não ser fatores Com relação à glicose, há que se frisar que os esteróides podem alterar signi?cativamente a tolerância de açúcar no sangue. O nível elevado de glicose pode ser um sinal de con- A uréia é um produto derivado da quebra de proteína no fígado, e é segregada pela urina. O alto nível de NUS pode ser sinal de insu?ciência renal. O ?siculturista deve saber que a ingestão anormal de proteína pode causar uma discreta a moderada elevação do NUS, da mesma forma que o catabo- Elevações do ácido úrico podem signi?car gota, insu- ?ciência renal, ou insu?ciência cardíaca congestiva. Para o ?siculturista a consideração mais importante é que a hipe- Os esteróides anabólicos parecem não alterar as concentrações A hipercolesterolemia, não concomitante com elevações de bilirrubina e fosfato alcalino, pode signi?car doença no fí- gado. Os esteróides anabólicos podem freqüentemente causar elevações no colesterol, ao mesmo tempo em que causa uma diminuição na alta densidade de lipoproteínas. Neste caso Através do processo de modi?cação eletrônica da solução sérica (eletroforese), as proteínas do sangue tendem a ser acamar, possibilitando a determinação precisa dos níveis. A variação normal entre a albumina e a globulina é de 3,2 - 4,5 mg/dl e 2,3 - 3,5 g/dl respectivamente. A elevação da globulina e diminuição da albumina, ou seja, a variação inversa AG, Embora um nível normal de bilirrubina total elimine qualquer de?ciência na função excretora do fígado, um nível elevado de bilirrubina total pode ser freqüentemente indicati- vo de icterícia obstrutiva. A bilirrubina é um produto derivado Da mesma forma que o colesterol, os triglicérides podem ser relacionados com a doença da coronária. A eletroforese é utilizada para distinguir as diferentes classi?cações da hi- perlipidemia (o colesterol, os triglicérides, e fosfolipídios são classi?cados como lipídeos e circulam no sangue agregados a Existem muitas causas para a taxa elevada de CF (Creatina Fosfoquinase), incluindo: injeções intramusculares; exercícios vigorosos; doença no músculo esquelético; infarto no miocár- Parece normal que os ?sicultores que treinam muscula- ção possuam valores elevados de CF, embora na presença de outros sintomas ou taxas sangüíneas elevadas estas devem Quando existe uma taxa extremamente alta de fosfatase alcalina juntamente com testes elevados de função do fígado, geralmente suspeita-se de uma doença hepática. Se a leitura fosfatase alcalina estiver alta sem a correspondente elevação Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 27 dos testes de função do fígado, pode haver suspeita de do- A deidrogenase láctica é uma enzima envolvida na oxige- nação dos ácidos lácticos e pirúvicos. Portanto é encontrada em muitos tecidos do corpo, especialmente nos músculos esqueléticos. Praticamente qualquer lesão nos tecidos provoca elevação nas leituras do DHL. A fonte exata da elevação da lei- tura pode ser detectada através da eletroforese. Como muitas doenças podem estar associadas às elevações de DHL, devem ser feitos testes adicionais, particularmente relacionados com A TGO é uma enzima que cataliza a conversão de ami- noácidos em certos ácidos e vice-versa. É encontrada no coração, fígado, músculos esqueléticos, rim e ossos. As células dani?cadas provocam elevação nas taxas de TGO e o local exato da lesão pode geralmente ser determinado através de outras leituras elevadas dos testes. As taxas geralmente chegam ao pique nas 6 horas após a lesão, e voltam ao normal em mais ou menos 6 dias. Não são incomuns os níveis de TGO estarem elevados em atletas em treinamento intensivo, já que os músculos esqueléticos são submetidos a consideráveis Os esteróides anabólicos imitam a ocorrência normal de testosterona, inibindo assim sua secreção. Não são incomuns os níveis de testosterona caírem para bem abaixo do normal durante o uso de esteróides (homens e mulheres). Este efeito é Os eletrólitos em geral podem ?utuar no corpo depen- dendo de vários fatores tais como ambiente, diversas drogas sendo usadas, existência de certas doenças etc. De importância para o ?sicultor é o fato de que o uso de esteróides assim como o intenso calor pode causar desequilíbrio discreto ou grave de eletrólitos. O uso de diuréticos também provoca butazolidina). Como os eletrólitos desempenham um papel importante na função muscular, é comum ocorrer a perda de Hat?eld [4] insiste que o ?sicultor que está fazendo uso de esteróides anabólicos ou outras drogas, ou planejando usá-los, deve fazer um exame de sangue completo e procurar um médico especializado em medicina desportiva para a A listagem acima foi somente para informar aos usuários em potencial de alguns perigos, armadilhas. Muitas das taxas estão relacionadas de formas complexas. Além do mais, os componentes do sangue podem variar consideravelmente de um dia para outro, dependendo da droga, dosagens e outros fatores. São importantes que este exame seja repetido inúmeras vezes, especialmente durante um ciclo pesado de uso da droga, Os efeitos da maioria dos esteróides estão relacionados tanto com a dosagem como o tempo de uso, podendo causar ?utuações variáveis em muitas taxas do sangue em períodos bastante curtos de tempo. Para Sparkman [20] é importante observar que a inter- rupção do uso da droga irá causar uma volta imediata aos níveis normais dos elementos sangüíneos. Além disso, existe prova cientí?ca de que as taxas do sangue não se elevam de modo signi?cativo – e mesmo que isso ocorra, voltam ao normal rapidamente – durante o segmento de um programa de diminuição da dose com interrupções de esteróides ana- O ponto que tem sido enfatizado através de todo trabalho, é que o uso adequado dos esteróides pode certamente reduzir os perigos - somente um idiota se voltaria contra o que a ciência e a experiência têm para oferecer. Quadro 3 ? Descrição sobre a variação normal dos componentes Item Variação normal Cálcio 8,5 - 10,5 mg/dl Fosfato Inorgânico 2.5 - 4,5 mg/dl Glicose (Lm jejum) 70 -110 mg/dl NUS (Nitrogênio Oléico no Sangue) 10-26 mg/dl Ácido Úrico 2,1 - 7, 8, mg/dl (Homens) 2,0 - 6,4 mg/dl (Mulheres) Colesterol 150-300 mg/dl Proteína Total 6,0 - 7,8 mg/dl Bilirrubina 0,1 - 1,2 mg/dl Triglicérides 10 -190 mg/dl Creatina Fosfoquinase 55 - 170 Ul (Homens) 30 -135 Ul (Mulheres) Fosfatase Alcalina 30 - 85 mU/dl DHL (Dehidrogenase Láctica) 100 - 225 mU/dl TGO (Transaminase Glutamico Oxalo-Acético) 8 - 33 U/ml TGP (Transaminase Glutamico- Perubico) 1 - 36 U/ml Testosterona 246 - 1238 mg/dl (Ho- mens) 30 - 120 mg/dl (Mulheres) Sódio 136 - 142 mbq/l Potássio 3,8 - 5,0 mbq/l Conclusão O uso de esteróides anabólicos tornou-se um modo de vida profundamente arraigado dentro do esporte e em todo o mundo. O fato de que funcionam, tornou-se evidente a todos os atletas que querem ganhar força e volume, chegan- do a ser mais predominante nos esportes de resistência para aumentar a resistência muscular. As tentativas de proibição legal serviram apenas para exacerbar o problema do abuso da droga. Podemos dizer que a educação é a única forma de A pouca pesquisa feita a respeito do uso de esteróides anabólicos no esporte demonstrou claramente a existência de algumas linhas de condutas que ajudam a minimizar os riscos 3. envolvidos e manter os benefícios em nível de utilidade para os ?siculturistas. Estas linhas de conduta foram apresentadas 4. neste trabalho, principalmente falando nos ciclos, dosagens, métodos de uso de esteróides e outras drogas que auxiliam Em sua procura de vencer, os atletas tentam enganar os testes que lhes são impostos pelas respectivas autoridades des- 7. portivas. Alguns dos métodos mais utilizados para falsear os testes foram enumerados, sendo que os principais são o uso de 8. drogas substitutivas e o da ciclagem. A somatotropina (GH) é muito usada para ludibriar os testes, pois eleva a testosterona 9. ao seu nível normal de modo que a testosterona ingerida ou injetada não possa ser detectada, já que a testosterona sinté- tica diminui a testosterona endógena. Os esteróides orais são também muito usados, pois desaparecem rapidamente do sangue, mas são altamente tóxicos para o fígado. 12. O que foi citado acima é o que está acontecendo no mun- do dos esportes, não se podem desculpar estas práticas, mas 13. pode-se chamar a atenção de todos os ?sicultores que fazem 14. uso ou pretendem usar drogas de qualquer tipo para que pro- curem a maneira mais e?caz para fazê-lo. Isto sempre implicará 15. em: informar-se sobre as drogas a serem usadas; procurar auxílio de um médico competente em medicina desportiva e 17. Referências 1. Write J. 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Muscle Magazine Sparkman D. Passando pelo teste Anti-Doping. Medicina Desportiva 1994;1(2):30-32. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 29 Revisão Aspectos físicos e fisiológicos do jovem jogador de futebol Physical and physiological aspects of young soccer player Giovani dos Santos Cunha*, Alvaro Reischak de Oliveira* *Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Escola de Educação Física - LAPEX - Porto Alegre/RS Resumo O futebol é um dos esportes mais populares do mundo e seu desempenho depende de vários aspectos, como os fatores técnicos, táticos, físicos, ?siológicos e psicológicos. Durante uma partida de futebol, os jogadores percorrem em média 10 km, sendo a corrida a atividade predominante, mas exercícios de explosão como sprints, saltos, marcação e chute são importantes para o desempenho no futebol. A intensidade de trabalho durante uma partida de futebol é muito próxima do limiar anaeróbio (LAn). Os valores de LAn em jovens jogadores de futebol são compreendidos entre 80-90% da FC- ou entre 75-90% do VO . Tradicionalmente, jovens jogadores máx 2máx de futebol possuem valores de VO inferiores a 60 ml.kg-1.min-1, 2máx estes valores podem ser in?uenciados pela posição tática, tempo de treinamento e pelo processo de maturação biológica. A maturação biológica tem um impacto relevante no processo de detecção de talentos, pois é relacionada com o desempenho técnico e físico, no qual atletas mais avançados no processo maturacional possuem maiores níveis de força, potência e capacidade aeróbia em relação Palavras-chave: futebol, limiar anaeróbio, consumo máximo de oxigênio. Abstract Soccer is one of the most popular sports in the world, and its performance depends on many aspects, such as technical, tactical, physical, physiological and psychological factors. During a soccer match, players cover distances around 10 km, with running as the predominant activity. But sprints, jumps, marking and kicking are other important aspects to soccer performance. Physical work inten- sity during a soccer match is very close to the anaerobic threshold (LAn). LAn values of young soccer players are between 80-90% of maximum heart rate or between 75-90% of VO . Traditionally, 2max young soccer players have VO values less than 60 ml.kg-1.min-1, 2max and these values may be in?uenced by tactic position, years of training and biological maturation process. Biological maturation has a relevant impact upon the process of talent detection because it is related to technical and physical performance. More advanced athletes in regard to biological maturation process have higher levels of strength, power and aerobic capacity in relation to less advanced Key-words: soccer, anaerobic threshold, maximal oxygen uptake. Endereço para correspondência: Giovani dos Santos Cunha, UFRGS/ESEF – LAPEX, Rua Felizardo, 750, 90690 -200 Porto Alegre RS, E-mail: giovanicunha@yahoo.com.br Introdução Atualmente existe uma limitação de estudos sobre os efeitos do exercício físico e do treinamento desportivo sobre o metabolismo das crianças e adolescentes [1-12]. Mais espe- ci?camente no futebol, que é um dos esportes mais populares do mundo [13], praticado por homens, mulheres e crianças com diferentes níveis de desempenho [14], a maioria dos es- tudos com crianças são referentes à força e velocidade [15-17], padrão de atividade física durante o jogo [18, 19] e consumo 2máx O VO de jogadores de futebol internacional varia de 2máx 50-75 ml.kg-1.min-1 [16,18,21-27], sendo que esta capaci- dade ?siológica está relacionada com a posição tática. Os valores de limiar anaeróbio (LAn) em jogadores de futebol são compreendidos entre aproximadamente 80% e 90% da freqüência cardíaca máxima (FC ). Estima-se que a máx intensidade de trabalho médio, mensurado como %FC máx durante uma partida de futebol coincida como os valores de Embora estes valores de VO e LAn sejam evidentes em 2máx jogadores adultos, em jovens jogadores de futebol ainda não existe um consenso sobre o comportamento do VO e do 2máx A maturação biológica é referida como o progresso em dire- ção ao estado biologicamente adulto, que varia em timing e tempo [32] é um fator relevante na detecção de talentos e no treinamento [33,34]. Poucos estudos investigaram a relação entre o VO e a maturação biológica [35], entretanto, al- 2máx gumas evidências sugerem que ela possa in?uenciar o VO 2máx Torna-se importante identi?car o comportamento do VO e do LAn durante o processo de maturação biológica 2máx em jovens jogadores de futebol, para podermos prescrever e controlar o treinamento de forma adequada a cada etapa do crescimento destes atletas, visto que, o VO é considerado 2máx o melhor indicador de potência aeróbia [13,35,39] e o LAn é considerado o indicador mais sensível às alterações aeróbias Neste sentido, devido a limitações de estudos sobre os aspectos físicos e ?siológicos do jovem jogador de futebol, esta revisão abordará aspectos referentes às demandas físicas do futebol e a in?uência da maturação biológica sobre o VO 2máx e LAn em jovens jogadores de futebol. Demandas físicas do futebol O desempenho no futebol é multifatorial, onde podemos citar de forma resumida os fatores técnicos, táticos, físicos, ?siológicos e psicológicos [43]. Especi?camente, o futebol necessita de atividades físicas intermitentes, em que a se- qüência de ações requer uma variedade de habilidades em diversas intensidades. A corrida é a atividade predominante, mas exercícios de explosão como sprints, saltos, marcação e chute são fatores importantes para o desempenho no futebol [15]. Outro fator importante para o futebol é à distância percorrida, que em uma partida de futebol de alto nível são Muitos estudos têm apresentado que jogadores de meio- campo percorrem grandes distâncias durante o jogo e que jogadores pro?ssionais percorrem maiores distâncias do que jogadores amadores [44]. No 2º tempo, a intensidade do jogo diminui em relação ao 1º tempo, onde a distância percorrida A posição tática dos jogadores in?uencia a distância per- corrida durante uma partida, na qual os zagueiros percorrem aproximadamente 7700-9700 metros (m), meio-campistas A distância percorrida tem sido classi?cada como padrão de atividade física, como caminhar, trotar, correr, sprint e corrida de costas. Durante a partida, os jogadores percorrem caminhando aproximadamente 1000-3500 m, trotam 2000- 6000 m, correm 1000-2000 m, sprint 300-500 m e corrida Durante o jogo, um sprint ocorre aproximadamente a Os sprints constituem de 1-10% da distância percorrida total durante o jogo [44], que corresponde a 0,5-3,0% do tempo efetivo de jogo [47]. No contexto de endurance do jogo, cada jogador realiza entre 1000-1400 atividades de curta duração alternadas a cada 4-6 s [44,47]. As atividades realizadas no jogo são aproximadamente de 10-20 sprints, corridas de alta intensidade a cada 70 s, 15 desarmes, 10 cabeçadas, 50 envolvimentos com bola, 30 passes, além de mudanças de direção e grande esforço muscular para manter o equilíbrio e o controle da bola contra a pressão da defesa [47]. Mohr et al. [44] reportaram que laterais e atacantes realizam sprints em maiores distâncias do que zagueiros e meio-campistas. Da mesma forma que a distância percorrida, a capacidade de realizar sprint também diminui ao ?nal da A maioria dos resultados são referentes a jogadores pro- ?ssionais, por isso, Castagna et al. [19] veri?caram o padrão de atividade física de jovens jogadores de futebol durante os jogos (idade 11,8 anos), onde a duração de cada jogo era de 60 minutos e as medidas do campo eram de 100 x 65 m. Foi veri?cado que a distância percorrida total era de 6175 m, sendo que 1112 m e 32 m foram percorridos caminhando e caminhando de costas respectivamente. Em média os joga- dores percorriam 3200 m em baixa intensidade, 986 m em Em média 34 sprints com duração de 2,3 s eram realizados durante a partida, com velocidades máximas de 18 km.h-1, o tempo entre cada sprint foi de 118,5 segundos. A distancia percorrida diminuía 5,53% entre o 1° e o 2° tempo. Os autores concluíram que o padrão de atividade de jovens jogadores de futebol é intermitente e às vezes desempenhado em alta intensidade (9% do tempo total da partida). Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 31 Intensidade do jogo Por causa da duração do jogo, estima-se que o meta- bolismo aeróbio contribui com aproximadamente 90% do custo energético de uma partida de futebol [14]. A intensi- dade de trabalho médio, mensurada como %FC durante máx os 90 minutos de uma partida de futebol é próximo do LAn, compreendido entre 80-90% da FC dos jogadores máx [18,22,23,28,29]. Fisiologicamente, poderia ser impossível manter esta altíssima intensidade média por um longo perí- odo de tempo, principalmente devido ao acúmulo de lactato Assim, a fadiga é um componente importante para o desempenho no futebol. Em recente revisão, Mohr et al.[49] relatam que a fadiga pode ocorrer em 3 diferentes momentos durante o jogo: após períodos de alta intensidade de exercício tanto no 1° como no 2° tempo de partida, no início do 2º tem- po de partida e no ?nal da partida. A fadiga temporária após exercícios de alta intensidade durante o jogo não parece estar relacionada diretamente com as concentrações de glicogênio muscular, acúmulo de lactato, acidose ou a quebra da creatina fosfato. No entanto, isto pode estar relacionado a distúrbios na homeostase iônica do músculo ou ainda a um desequilíbrio na excitação do sarcolema. O desempenho máximo dos jogadores de futebol é inibido no início do 2° tempo, provavelmente devido a uma diminuição da temperatura muscular quando Realmente, as partidas de futebol apresentam períodos e situações de alta intensidade de exercício, nas quais ocorre um acúmulo de lactato sangüíneo localizado. Desta forma, os jogadores de futebol necessitam de períodos de baixa intensidade de exercício para poderem remover este lactato muscular acumulado. Em termos relativos, existe pouca ou nenhuma diferença entre a intensidade de exercício de joga- dores pro?ssionais e amadores, mas a intensidade absoluta é Stroiyer et al.[18] estudaram as demandas ?siológicas do futebol em jovens futebolistas (idade 12-14 anos) veri?caram que o VO durante a partida era em média maior no 1° tempo 2 min-1). Estes valores correspondem a 80-85% e 78-80% do VO respectivamente. A FC média também era em média 2máx maior no 1° tempo (180 bpm) do que no 2° tempo (175 Estabelecendo a relação entre FC-VO em teste de esforço 2 máximo, esta relação fornece uma mensuração indireta válida do VO durante uma partida de futebol. Estabelecendo a rela- 2 ção da FC-VO de cada atleta, esta pode re?etir exatamente o 2 gasto energético do exercício em estado de equilíbrio. Bangsbo [14] apresentou que a relação FC-VO é válida para exercí- 2 cios intermitentes, veri?cada pela comparação de exercícios A mesma relação FC-VO era estabelecida após um grande 2 aumento de intensidade [14], estes dados são suportados por estudos recentes [50,51]. A relação entre FC-VO pode ser 2 Assumindo que a relação FC-VO é uma estimativa válida 2 para o futebol, uma intensidade média de exercício de 85% da FC poderia corresponder a aproximadamente 75% do máx VO . Isto corresponde em média a 45, 48,8 e 52,5 de VO 2máx 2 2máx kg-1.min-1) respectivamente, re?etindo o gasto energético do futebol moderno [39]. VO durante a maturação biológica em jovens 2máx jogadores de futebol Tradicionalmente, jovens jogadores de futebol apresentam 2máx Stroyer et al. [18] veri?caram o VO em 3 grupos de jovens 2máx jogadores de futebol, classi?cados como elite (12 anos), não- elite (12 anos) e elite (14 anos). O VO correspondia a 58,7, 2máx 58,6 e 63,7 ml.kg.-1.min-1 respectivamente, não apresentando diferenças signi?cativas entre os grupos. Ao contrário, outros autores encontraram diferenças signi?cativas no VO os 2máx, valores correspondiam a 58,2 e 55,3 ml.kg-1.min-1 entre os grupos elite (12,3 anos) e não-elite (11,7 anos) de jogadores de futebol respectivamente [38]. Por outro lado, Chamari et al. [20] estabeleceram valores superiores (66,5 ml.kg-1.min-1, jogadores com 14 anos de idade) em comparação aos estudos Estudos transversais têm indicado que o VO absoluto 2máx (ml.min-1) aumenta gradualmente e continuamente em me- ninos dos 8 aos 16 anos de idade. Após esta idade, o VO 2máx continua a aumentar lentamente [12,36,52]. Resultados se- melhantes foram encontrados em jovens jogadores de futebol, onde o VO absoluto aumentava signi?cativamente tanto 2máx no grupo elite (2,46 para 3,99 l.min-1, n=21) como no grupo não elite (2,10 para 2,99 l.min-1, n=28) ao longo de três anos Entretanto, durante o crescimento e a maturação biológica o VO absoluto é altamente correlacionado com tamanho 2máx corporal, ocorrendo um aumento signi?cativo dos compo- nentes que determinam o VO , como pulmões, coração 2máx e músculo esquelético [53]. Assim, os valores de VO 2máx absoluto aumentam com o desenvolvimento das crianças, podendo aumentar de 1,2 l.min-1 para 2,7 l.min-1 dos 6 aos 12 anos de idade, este aumento acelerado é devido aos Desta forma, para efeitos independentes da idade cronológica, maturação biológica e sexo sobre o VO , é importante exami- 2 nar a confusa in?uência do tamanho corporal, ajustando-o Uma forma amplamente utilizada na literatura para tentar ajustar o VO ao tamanho corporal, é expressá-lo na forma 2máx relativa à massa corporal (ml.kg-1.min-1). Ao contrário da forma absoluta, quando o VO é expresso na forma rela- 2máx tiva, não existem incrementos com a idade cronológica nem com o estágio maturacional, ou seja, o VO apresenta um 2máx comportamento relativamente constante durante o processo Recentemente, este método tradicional de expressar o VO 2- (ml.kg-1.mim-1) tem sido contestado por não ajustar adequa- máx Durante os últimos anos, existe um importante debate sobre o melhor método para normalizar o VO e ajustar os efeitos 2máx da massa corporal em adultos e crianças. Em recente revisão, Nevill et al. [55] exploram uma variedade de modelos utilizados para descrever variáveis ?siológicas e antropológicas que variam com o tamanho corporal e com outras variáveis de confusão, como por exemplo, a idade cronológica. Os autores concluíram Sendo a alometria o método matemático que expressa a medida à qual uma variável (seja ?siológica, anatômica ou temporal) é relacionada com uma unidade de tamanho corporal, geralmente Entretanto, Welsman & Armstrong [59] enfatizam que não existe um método universalmente correto de normalizar o VO e remover os efeitos da massa corporal. Todos os 2máx métodos apresentam suas limitações, sendo que a técnica de normalização depende da natureza da pesquisa e que sua Apesar disto, vários autores têm sugerido que para facilitar as comparações entre grupos heterogêneos em tamanho corpo- ral, a maneira mais apropriada de remover os efeitos da massa corporal é utilizar a função potência (VO = aMb), onde (a) é 2max uma constante de escala e (b) é a valor do expoente referente à massa corporal. O expoente pode ser estimado através da análise de regressão linear após obtermos o logaritmo da equação da 2máx Atualmente existe um considerável debate sobre qual o valor que este expoente pode assumir (ex. b = 0,66; b = 0,75 ou b > 0,75) [11,53,55,56,60-62], sendo este expoente altamente especí?co de uma determinada amostra. Estudos com crianças demonstram que este expoente pode variar de b = 0,37 a b = 1,17 [37,53], com valor médio de b = 0,83 [53]. Tem sido sugerido que o tamanho da amostra, a composição corporal, o somatotipo, treinamento e o sexo podem ser responsáveis pela grande variação nos valores dos expoentes alométricos Vários autores têm utilizado o expoente alométrico b = 0,75 (VO ml.kg-0,75.min-1) a ?m de realizar comparações 2máx adequadas do VO entre jogadores de futebol de diferentes 2máx massas corporais [16,21-23,27,50,53,63]. Diversos autores concordam com esta a?rmação [53,56,60,64]. Neste sentido, Chamari et al.[20] compararam a capacidade aeróbia de joga- dores de futebol jovens e adultos utilizando um procedimento alométrico. Quando o VO foi expresso de forma relativa (66,6 2 e 66,5 ml.kg-1.min-1 , respectivamente), os valores de adultos e jovens foram semelhantes, mas quando expresso na forma alométrica (216 e 206 ml.kg-0,72.min-1 respectivamente), foi 5% maior nos adultos do que nos jovens. Os autores concluíram que na comparação com jovens jogadores de futebol, o VO 2máx de adultos era subestimado e a economia de movimento era Diferentemente da expressão relativa, quando o VO 2max é expresso na forma alométrica, este apresenta um aumento Welsman et al.[54] utilizaram tanto a expressão relativa como a alométrica para remover os efeitos do tamanho corporal sobre o VO dos grupos pré-púberes (n=24), púberes 2máx (n=26) e adultos (n=16). A expressão relativa estava de acordo com a literatura, demonstrando que não existia diferenças signi?cativas no VO (ml.kg-1.min-1) entre os grupos. Ao 2máx contrário, a análise alométrica (ml.kg-0,80.min-1) demonstrou um aumento progressivo do VO entre os grupos. Estas 2máx descobertas alteram a interpretação convencional do com- portamento do VO durante o crescimento e a maturação 2máx Embora a relação entre o VO e o tamanho corporal 2máx seja bem documentada e algumas vezes mal interpretada, relativamente poucos estudos têm investigado a relação entre o VO e a maturação biológica [11,35], principalmente em 2máx Malina et al.[17] estimaram a contribuição da experiência, do tamanho corporal e do estágio maturacional nas variações das capacidades funcionais de jogadores de futebol com idades de 13,2 -15,1 anos. Os autores veri?caram que a maturação biológica e o tempo de treinamento eram variáveis explicativas Armstrong et al. [65] argumentam que os estudos que não controlaram adequadamente a massa corporal pela alometria, esta relação entre o VO e a maturação biológica pode ser 2máx obscurecida pelo uso inapropriado da normalização dos va- Os autores veri?caram o VO de 93 meninos e 83 meninas 2máx de 12 anos de idade e constataram que o VO expresso 2máx Quando os dados eram expressos na forma alométrica, o VO apresentava um aumento com a maturação em ambos 2máx os sexos e uma signi?cativa in?uência da maturação biológica Claramente, a expressão tradicional (VO /massa) falha 2 em remover totalmente os efeitos da massa corporal, sendo inapropriado para estudos epidemiológicos que desejam comparar o VO entre grupos (ex. ativos e inativos ou 2máx crianças e adultos) que são associados ao tamanho corpo- ral [10,54]. Atualmente, muitos autores concordam que os modelos alométricos são os mais indicados para ajustar corretamente o VO à massa corporal [10-12,16,20-23- 2máx ,27,50,54,56,64,66-70].

Limiar anaeróbio em jovens jogadores de futebol Embora o metabolismo aeróbio seja predominante na ressíntese de energia durante uma partida de futebol, as ações

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mais importantes são desempenhadas por meio do metabo- lismo anaeróbio. A liberação de energia via metabolismo anaeróbio é exigida principalmente na execução de sprints, saltos e disputas pela bola. Estas ações são cruciais para o O padrão de lactato durante uma partida de futebol tem apresentado maiores valores no 1° tempo (4,1-7,0 mmol/L) do que no 2° tempo (2,7– 4,4 mmol/L) [47,49,72,73]. É importante notar que, a concentração de lactato em jogadores de futebol é largamente dependente do padrão de atividade do jogador. Realmente, tem sido apresentado que os valores de lactato são positivamente correlacionados com o aumento do McMillan et al. [42] têm indicado que a avaliação do lactato submáximo em jogadores de futebol pode ser utilizado com um indicador de alterações no desempenho de endurance em períodos especí?cos do treinamento. Estes autores indicam que as concentrações de lactato ?xadas entre 2 e 4 mmol.L-1 podem ser utilizadas para avaliar as respostas aeróbias de Os valores de LAn também podem ser expressos de várias maneiras, como por exemplo o método ventilatório (LV ), 2 %FC , %VO ou ainda a valores correspondentes a FC máx 2máx (bpm) e VO (ml.min-1, ml.kg.-1.min-1, ml.kg.-0,75.min-1). Os 2 valores de LV em jogadores de futebol são compreendidos en- 2 máx Quando o LV é expresso em %VO , Ho? et al. [50] 2 2máx veri?caram que este correspondia a 75% em jogadores com 22 anos de idade. Chamari et al. [20] identi?caram que o LV correspondia a 88,8% e 90,1% para jogadores com 14 e 2 17 anos de idade respectivamente [22]. Helgerud et al.[23] demonstraram que este valor correspondia a 82,4 ± 3,1% em Identi?camos uma limitação de estudos que veri?caram os limiares ventilatórios (LV e LV ) em jovens jogadores 12 de futebol, visto que, a intensidade de trabalho médio, men- surada como %FC durante os 90 minutos de uma partida máx de futebol é muito próxima do LV . Curiosamente, não en- 2 contramos nenhum estudo veri?cando o comportamento do LV e LV durante a maturação biológica em jogadores de 12 Klentrou et al. [74] compararam os limiares ventilatórios entre adultos e crianças praticantes de futebol. Quando os limiares ventilatórios eram expressos em %VO , os valores 2máx correspondiam 64,9 ± 7,1% e 57,7 ± 8,0 para LV e 80,0 ± 1 3,8 e 77,3 ± 5,1 para LV em crianças e adultos respectiva- 2 mente. Foi veri?cado que as crianças apresentavam um LV 1 2 Os autores atribuíram estas diferenças ao menor potencial enzimático da via glicolítica e ao padrão ventilatório em Outras possíveis explicações acerca das diferenças nos limiares ventilatórios (LV e LV ) e VO dos jovens jo- 1 2 2máx gadores de futebol poderiam ser atribuídas a alterações no padrão de utilização de substrato, metabolismo enzimático, distribuição do tipo de ?bras musculares e aos estoques de glicogênio muscular.

Maturação biológica, VO e LAn – perspecti- 2máx vas para o treinamento do futebol O desempenho no futebol é multifatorial e suas ativida- des físicas são de características intermitentes. A corrida é a atividade predominante, mas exercícios de explosão como sprints, saltos, marcação e chute são fatores importantes para o desempenho no futebol de alto nível [15]. Jogadores de futebol percorrem em uma partida cerca de 9-12 km [23,44- 46]. As atividades realizadas no jogo são aproximadamente de 10-20 sprints, que ocorrem aproximadamente a cada 90s e tem duração media de 2-4 s [47], corridas de alta intensidade a cada 70 s, cerca de 15 desarmes e 50 envolvimentos com bola, além de mudanças de direção e grande esforço muscular para manter o equilíbrio e o controle de bola contra a pressão Entretanto, os atletas necessitam recuperar suas reservas energéticas em pequenos intervalos de tempo ou ainda durante exercício de baixa intensidade. Durante este perí- odo, os níveis de ATP e PCr são restaurados em 70% em aproximadamente 30 s e totalmente restaurados dentro de aproximadamente 3 a 5 minutos [75]. Como no futebol uma atividade de alta intensidade ocorre aproximadamente a cada 70 s, o metabolismo anaeróbio poderia ser necessário para suprir estas demandas energéticas. A conseqüência metabólica é um aumento das concentrações H+, diminuição do pH, aumento das concentrações de lactato, que podem afetar o Tem sido sugerido que uma elevada capacidade aeróbia melhora a recuperação entre os exercícios intermitentes de alta intensidade, provavelmente por remover mais rapidamente o lactato sangüíneo e restaurar os níveis de ATP-PCr. Este fato demonstra a importância de um atleta possuir um elevado VO e LAn. Provavelmente, estes atletas conseguiriam su- 2máx portar exercícios de alta intensidade com uma menor parcela de energia proveniente da via anaeróbia, assim diminuindo as contrações de lactato e H+, resultando em uma melhor As adaptações induzidas pelo treinamento aeróbio têm sido extensivamente estudadas em adultos, entretanto, existem muitas controvérsias em relação às respostas do treinamento aeróbio em crianças e adolescentes. Tem sido sugerido que crianças não são aptas a aumentarem seu VO com o trei- 2máx namento aeróbio, principalmente antes da puberdade, ao contrário, tem sido veri?cado efeitos positivos do treinamento Baquet et al. [76] analisaram os procedimentos aplicados à prescrição e aos métodos de treinamento para veri?carem o real impacto que o treinamento aeróbio exerce sobre o VO 2máx

de crianças e adolescentes. Os autores excluíram os estudos que não atendiam a certos critérios como, ausência de grupo controle, procedimentos estatísticos inadequados, tamanho amostral insu?ciente, protocolo de treinamento inapropriado, populações especiais e estudos que não apresentavam os dados sobre VO . Foi levado em consideração o controle da ma- 2máx turação biológica, constituição dos grupos, consistência entre o treinamento e os procedimentos, sendo que dos 51 estudos analisados, 21 apenas foram selecionados. Os resultados de maneira geral sugerem que o treinamento aeróbio aumenta o VO de 5-6% em crianças e adolescentes independente- 2máx mente de sexo ou estágio maturacional. Quando somente os estudos que apresentavam um signi?cativo efeito do treina- mento aeróbio eram considerados, o VO aumentava de 2máx 8-10%. Os autores sugerem que as intensidades de treinamen- to sejam superiores a 80% da FC para esperar um aumento máx 2máx Mais especi?camente no futebol, McMillan et al. [21] veri?caram que após 10 semanas de treinamento aeróbio especí?co para o futebol (90-95%Fc ), o VO aumentava máx 2máx de 63,4 para 69,8 ml.kg-1min-1 em 11 jogadores (16,9 anos), sem que ocorresse prejuízos no desempenho de força, saltos Assumindo o pressuposto que crianças e adolescentes respondem positivamente ao treinamento aeróbio, onde aumentos no VO de 5-10% têm sido veri?cados, este 2máx fato demonstra que o treinamento aeróbio é um compo- Recentemente, tem sido apresentado que um aumento de 11% no VO após 8 semanas de treinamento com jovens 2máx jogadores de futebol, re?ete um incremento de 20% na dis- tância percorrida total de uma partida, aumento de 23% nos envolvimentos com bola e um aumento de 100% no número de sprints realizados por cada jogador [23]. Estas são algumas das vantagens que demonstram a relação entre uma alta capa- A maturação biológica exerce um claro efeito sobre o VO 2máx de jovens jogadores de futebol, sendo importante o seu controle, pois a maturação biológica é relacionada com o desempenho físico e atletas mais avançados no processo maturacional pos- suem níveis maiores de força, potência e capacidade aeróbia Recentemente, um efeito da maturação biológica sobre as habilidades especí?cas do futebol tem sido constatado em jovens jogadores de futebol [78,79]. Malina et al. [79] veri?caram que a maturação biológica tem efeito positivo sobre as habilidades especí?cas do futebol, como o controle da bola, controle da bola com a cabeça, drible em velocidade com passe e chute. Os autores concluíram que indivíduos mais avançados no processo maturacional apresentam um melhor desempenho nestas 4 habilidades especí?cas. Este fato tem grande impacto na detecção de talentos, pois se a maturação biológica não for controlada, indivíduos com processo maturacional mais lento geralmente serão excluídos e indivíduos mais adiantados no processo maturacional serão Visto que, o limiar anaeróbio é o indicador mais sensível às repostas do treinamento aeróbio e que a intensidade de trabalho médio, mensurada como %FC durante os 90 máx minutos de uma partida de futebol é muito próxima deste limiar. Torna-se importante desenvolver esta variável com o treinamento, pois quanto mais elevado for o LV , maior será 2 a intensidade que o atleta poderá manter durante jogo sem a contribuição do metabolismo anaeróbio, conseqüentemente, diminuindo as contrações de lactato e H+, resultando em uma melhor manutenção do desempenho físico.

Conclusão O futebol é um esporte de desempenho multifatorial, sendo necessário conhecer o comportamento do VO e do 2máx LAn durante o processo maturacional de jovens jogadores de futebol, visto que o VO é considerado o melhor indicador 2máx de capacidade aeróbia e o LAn é considerado o indicador mais sensível às alterações do condicionamento aeróbio em resposta ao treinamento. A expressão tradicional (VO ml.kg-1.min-1) 2máx falha em remover totalmente os efeitos da massa corporal, ocultando os efeitos da maturação biológica sobre o VO , 2máx di?cultando assim a comparação entre jovens jogadores de A maturação biológica deve ser controlada durante o trei- namento de futebol, principalmente no processo de detecção de talentos, pois in?uencia o VO , LAn e as capacidades 2máx técnicas dos jovens jogadores.

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Revisão Respostas fisiológicas ao remo competitivo Physiological responses to competitive rowing

Rafael Reimann Baptista*, Alvaro Reischak de Oliveira** *Curso de Educação Física da ULBRA Gravataí RS e Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto PUC-RS, **Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Resumo No início de uma regata, o barco é acelerado e a força nos re- mos alcança entre 1000 e 1500 N. Durante a regata, a velocidade é mantida em um nível inferior com um pico de força de 500-700 N por meio de 210-230 remadas em torno de 6,5 min. Remadores utilizam um padrão ?siológico ímpar de ritmo de competição; eles iniciam o esforço com uma largada vigorosa a qual exige uma de- manda excessiva do metabolismo anaeróbico, seguida de um severo estado estável aeróbico e um exaustivo sprint ?nal. Os remadores estão adaptados a este esforço devido a uma grande massa muscular e uma alta capacidade metabólica. Remadores apresentam valores de VO na ordem de 6,1 ± 0,6 L.min-1. Cálculos aeróbicos e 2máx anaeróbicos mostram que 70-75% da energia necessária para remar a distância padrão de 2000 m em homens é derivada da aerobiose enquanto que os 25-30% restantes são anaeróbicos. A respiração é sincronizada com a mecânica da remada, um fenômeno chamado de acoplamento respiratório-locomotor. O limiar de lactato de 4,0 mM superestima a intensidade correspondente a máxima fase estável de lactato (MLSS), enquanto que o limiar anaeróbico individual indica Palavras-chave: remo, fisiologia cardiovascular, fisiologia respiratória, lactato.

Abstract At the start of a rowing race, the boat is accelerated and the force on the oars reaches between 1000 and 1500 N. During the race, the speed is maintained at a lower level with a peak rowing force of 500-700 N for 210-230 strokes for about 6.5 min. Rowers utilize a unique physiological pattern of race pacing; they begin exertion with a vigorous sprint which places excessive demands on anaerobic metabolism followed by a severely high aerobic steady-state and then an exhaustive sprint at the ?nish. Rowers are adapted to this e?ort by a large muscle mass and high metabolic capacity. Oarsmen have VO values of 6.1 ± 0.6 L.min-1. Aerobic and anaerobic 2max calculations show that 70-75% of the energy necessary to row the standard 2000 m distance for men is derived from aerobiosis while the remaining 25-30% is anaerobic. The respiration is coupled with the mechanics of the rowing stroke, a phenomenon called locomotor-respiratory coupling. Lactate threshold of 4.0 mM ove- restimate the workload corresponding to maximal lactate steady state (MLSS), while individual anaerobic threshold presumably indicate Key-words: rowing, cardiovascular physiology, respiratory physiology, lactate.

Endereço para correspondência: Rafael Reimann Baptista, ULBRA Gravataí Curso de Educação Física, Av. Itacolomi 3600, 94170-240 Gravataí RS, Tel: (51) 3431 7677, E-mail: baptistarafael@terra.com.br

Introdução O remo é um esporte em que o sistema aeróbico possui a maior parte da responsabilidade pela produção energética, entre 70 e 75% da produção total de energia [1]. Todavia, em uma competição o?cial de remo, com a distância de 2000 m e a duração entre 5 a 7min, as rotas metabólicas anaeróbica lática e alática também são bastante requisitadas, na ordem de 25 a 30% da produção total de energia [1,2]. Normalmente os remadores realizam um esforço vigoroso nos primeiros 30 a 45 seg da prova, o que é necessário para iniciar o movimento e atingir uma velocidade de competição no barco, bem como Desta forma, os momentos iniciais e ?nais de uma regata apresentam uma predominância do metabolismo anaeróbico como fonte energética, enquanto durante a maior parte da prova a rota aeróbica é a principal fornecedora de ATP (Ade- nosina trifosfato) para a contração muscular. Tais característi- cas ?cam bastante evidenciadas quando se veri?ca a produção de força nos diferentes momentos da regata. Steinacker [3] apresenta dados que mostram um pico de produção de força na ordem de 1000 a 1500 N nos momentos iniciais da regata, No remo, bem como em outros esportes, o limiar de lactato é um dos parâmetros mais usados, tanto como indicador de desempenho físico quanto na prescrição do treinamento [4,5], podendo ser de?nido como o ponto de desequilíbrio entre a produção e remoção do lactato durante o fornecimento de energia para a execução de um exercício Além disso, as respostas ?siológicas máximas alcançadas em testes de campo e laboratório são largamente estudadas e empregadas como parâmetros de prescrição e controle do treinamento físico [9-12], existindo descrições na literatura de que o desempenho em atividades esportivas contínuas e prolongadas se correlacionam melhor com o limiar de lactato do que com a potência aeróbica máxima [13]. Desta forma o objetivo deste artigo foi revisar os aspectos ?siológicos do remo competitivo principalmente no que tange as respostas cardiovasculares e ventilatórias ao remo, bem como os aspec- tos metabólicos relacionados com o limiar anaeróbico e suas aplicações neste esporte.

Respostas cardiovasculares ao remo O remo é um esporte que possui um gesto esportivo ex- tremamente peculiar, de modo que suas respostas ?siológicas acompanham estas características e se diferenciam de outras modalidades esportivas. Além disso, o ergômetro utilizado na avaliação do remo (remoergômetro), em função de seu gesto esportivo, requisita a utilização de membros superio- res e inferiores, diferentemente da esteira ergométrica e do cicloergômetro que solicitam quase que exclusivamente a musculatura de membros inferiores.

É bem aceito que durante um exercício progressivo, a FC e o débito cardíaco (DC) de indivíduos não-atletas au- mentam linearmente enquanto que o volume sistólico (VS) normalmente alcança um platô a aproximadamente 40% do VO [14] Em remadores, entretanto, Rosiello et al. [15] demonstraram que em uma remo ergometria, com incremento de carga progressiva, ocorria um aumento inicial no VS e subseqüentemente um declínio no mesmo, contrastando com a expectativa de um platô nesta variável como a encontrada em estudos clássicos em esteira e cicloergômetro, avaliando A FC parece aumentar de forma similar em uma remo ergometria e em ciclo ergometria [18,19], embora Rosiello et al. [15] tenham veri?cado uma elevação progressivamente maior na FC em remoergômetro, à medida que a intensidade de exercício aumentava. Por outro lado, Rosiello et al. [15] veri?caram valores de FC máximas similares entre os dois ergômetros, ao contrário do VS que foi signi?cativamente me- Ambos, VS e FC, são responsáveis pela produção do DC e provocam, portanto, durante uma remo ergometria uma redução no DC quando comparado ao cicloergômetro, como con?rmam os achados de Cunningham et al. [19]. As explicações para estas diferenças foram relacionadas com a Rosiello et al. [15] e Cunningham et al. [19] concordam que devido à mecânica do gesto esportivo no remo, as intensas contrações durante a remada interferem no retorno venoso, causando, portanto, as alterações citadas acima. A postura corporal, bem como a massa muscular envolvida em um exercício, in?uencia o retorno venoso e conseqüentemente o volume sangüíneo central, o que modi?ca as respostas da Comparando as respostas da FC no remo com as respostas obtidas na corrida, Yoshiga e Higushi [21] veri?caram que em jovens, tanto em intensidades submáximas quanto máximas, a FC no remo era menor do que na corrida. Entretanto, no mesmo estudo, o VO e o VO foi maior no remo do que 2 2máx na corrida em todas as intensidades, bem como o lactato ao No estudo de Yoshiga e Higushi [21], a FC foi menor no Mesmo na intensidade máxima a FC foi menor no remo 194 As diferenças nas respostas da FC para estes dois tipos de exercícios são justi?cadas pelos autores em função da maior massa muscular envolvida no remo, o que proporciona uma maior bomba muscular aumentando o retorno venoso e atenuando a FC devido a um mecanismo de Frank-Starling aumentado, no caso da corrida, em função da posição ereta, o deslocamento de sangue para os membros inferiores em função da gravidade, requisita uma atividade simpática para controle da pressão arterial, o que aumenta as respostas de FC quando comparado ao remo [21].

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício – Volume 7 Número 1 – janeiro/abril 2008 39

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