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Fisiologia do Exercicio-2008

FISIOL DO E X E R FISIO DO E X FIS DO E Fisiologia_CAPA_v7n1.indd 1 Revista Revista Brasileira de ISSN 16778510 Brasileira de F I S I O L O G I A FISIOLOG DO E X E R C Í C DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA Brazilian Journal of Exercise Physiology FISIOLOGIA Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício DO E X E R C Í C I O DO FISIOLOGIA FISIOL DO E X E R C Í C I O EXERCÍCIO DO E X E R C FISIOLOGIA FISIOLOG DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C FISIOLOGIA NUTRIÇÃFOI S I O L O G I A F I S I O L O G DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA EXERCÍCIO · CorrelaçãDoO entre perfil lipídico E X E R C Í C DO e percentual de gordura FISIOLOGIA FISIOLOGIA E X E R C Í C I O · Nutrição de futebolistas infantis DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C I O DOe juvenis FISIOLOGIA O G I A · Educação nutricional FISIOLOGIA para nadadores infantis C Í C I O ESPORTE DO E X E R C Í C I O EXERCÍCIO DO · Aspectos físicos e fisiológicos L O G I A do jovem jogador de futebol F I S I O L FISIOLOGIA FISIOLOGIA · FISIOLOGIA ERCÍCIO Respostas fisiológicas ao remo DO E X E R C Í C I O competitivoDO E X E R C Í C I O DO E X E R DO E X E R C Í C I O F I S I O L O G I A · Freqüência cardíaca de um ciclista FISIOLOGIA FISIOLOGIAFISIOLO E X E R C Í C I Oaltamente treinado DO E X E R C Í C I O DO DO E X E R C Í ESTERÓIDESX E R C Í C I O I O L O G I A F I S I O L O G I A DO · Esteróides anabólicos no fisiculturismo XERCÍCIO FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C I O volume 07 - número 01 · Jan/Abr 2008 www.atlanticaeditora.com.br volume 07 - número 01 · Jan/Abr 2008 24/10/2008 17:10:00 O

Fisiol do e x e r F i seixo l do

Fis do e Revista Revista Brasileira de ISSN 16778510 Brasileira F i s i o l o g i a Fisiolo do e x e r c í do e x e r c í c i o Fisiologia de do e x e r c í c i o Fisiologia Brazilian Journal of Exercise Physiology Fisiologi Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício do e x e r c í c i Fisiologia Fisiol do e x e r c í c i o do e x e r Fisiologia Fisiolog e x e r c í c i o do e x e r c í c do Fisiologia exercício Fisiologia Fisiolo do NUTRIÇÃO Fisiologia exercício ? Perfil nutriciodnoal de praticantes do e x e r c í de badminton Fisiologia Fisiologia do e x e r c í c i o CARDIOLOGIA e x e r c í c i o do e x e r c í c i o do ? Qualidade de vida após revascularização ogiaFisiologiaFisiologi de miocárdio c í c i o ? Freqüência cardíaca máxima e consumo exercíci de oxigênio em dmuoheres saudáveis exercício l o g i a do ESPORTE Fisiologia Fisiologia Fisio ? Treinamento de força para fibromiálgicos ercício Fisiologia do e x e r c í c i o ? e x e r c í c i o e x e Fatores geradores de fadiga muscular do e x e r c í c i o do do F i s i o l o g i a ? Recondicionamento físico após lesão Fisiologia exercício Fisiologia Fisiolo do e x e r c í c i o MUSCULAÇÃO do e x e r c do

? do e x e r c í c i o Fisiologia i o l o g i a Consumo de recursos ergogênicos xercício Fisiologia do e x e r c í c i o do e x e r c í c i o do exercício volume 07 - núm ero 02 ? Mai/Ago 2008 www.atlanticaeditora.com.br volume 07 - número 02 ? Mai/Ago 2008 g

FISIOL DO E X E R FISIO DO E X FIS DO Fisiologia_CAPA_v7n3.indd 1 I

C E Revista Revista Brasileira de ISSN 16778510 Brasileira de F I S I O L O G I A FISIOLOG DO E X E R C Í C DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O FISIOLOGIA Brazilian Journal of Exercise Physiology FISIOLOGIA Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício DO E X E R C Í C I O DO FISIOLOGIA FISIOLO DO E X E R C Í C I O

FISIOLOGIA FISIOLOGI DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C FISIOLOGIA EXERCÍCIO FISIOLOGIA FISIOLOG DO ESPORTE FISIOLOGIA· EXERCÍCIO Jump Fit no dDeOsempenho dos exercícios DO E X E R C Í C resistidos FISIOLOGIA FISIOLOGIA E X E R C Í C I O· Identificação de riscos em adolescentes DO · DO E X E R C Í C I O DO E X E R C Í C I O Autopercepção da saúde após alongamento

? Revista Brasileira de FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O Brazilian Journal of Exercise Physiology Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício Índice volume 7 número 1 - janeiro/abril 2008

Carta ao leitor, Paulo Tarso Veras Farinatti ................................................................................................................... 3

Max Luciano Dias Ferrão, Estélio Henrique Martin Dantas ......................................................................................... 4

Daniel Medeiros Alves, Diego Vaz Vaguethi, Patrícia dos Santos Behling, Márcia Buchewaitz ..................................... 10

Eliane Araújo dos Santos Cristóvão, Renata Furlan Viebig........................................................................................... 16

Charles Ricardo Morgan ............................................................................................................................................. 21

Giovani dos Santos Cunha, Alvaro Reischak de Oliveira.............................................................................................. 29

Alvaro Reischak de Oliveira ......................................................................................................................................... 37

treinado, Débora Wagner, Carlos Mota, Felipe Carpes .............................................................................................. 43

NORMAS DE PUBLICAÇÃO .................................................................................................................................. 49

EVENTOS ................................................................................................................................................................. 51

Revista Brasileira de FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O Brazilian Journal of Exercise Physiology Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício

Editor Chefe Paulo de Tarso Veras Farinatti Editor Associado Pedro Paulo da Silva Soares Conselho Editorial Antonio Carlos Gomes (PR) Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega (RJ) Dartagnan Pinto Guedes (PR) Douglas S. Brooks (EUA) Emerson Silami Garcia (MG) Fernando Pompeu (RJ) Francisco Martins (PB) Jacques Vanfraechem (BEL) Luiz Fernando Kruel (RS) Martim Bottaro (DF) Patrícia Chakour Brum (SP) Paulo Sérgio Gomes (RJ) Rolando Baccis Ceddia (CAN) Robert Robergs (USA) Rosane Rosendo (RJ) Sebastião Gobbi (SP) Steven Fleck (USA) Yagesh N. Bhambhani (CAN) Vilmar Baldissera (SP)

Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício Corpo Diretivo: Paulo Sérgio C. Gomes (Presidente), Vilmar Baldissera, Patrícia Brum, Pedro Paulo da Silva Soares, Paulo Farinatti, Marta Pereira, Fernando Augusto Pompeu

Rio de Janeiro Rua da Lapa, 180/1103 20021-180 ? Rio de Janeiro ? RJ Tel/Fax: (21) 2221-4164 / 2517-2749 E-mail: atlantica@atlanticaeditora.com.br www.atlanticaeditora.com.br São Paulo Rua Teodoro Sampaio, 2550/cj 15 Pinheiros ? 05406-200 ? São Paulo ? SP Tel: (11) )3816-6192 Recife Rua Dona Rita de Souza, 212 52061-480 ? Recife ? PE Tel.: (81) 3444-2083 Assinaturas 1 ano ? R$ 175,00 Rio de Janeiro: (21) 2221-4164 São Paulo: (11) 3361-5595 Email: melloassinaturas@uol.com.br Recife: (81) 3444-2083 Editor executivo Dr. Jean-Louis Peytavin jeanlouis@atlanticaeditora.com.br Publicidade e marketing Rio de Janeiro: René C. Delpy Jr rene@atlanticaeditora.com.br (21) 2221-4164 Gerência de vendas e assinaturas Djalma Peçanha djalma@atlanticaeditora.com.br Editora Assistente Guillermina Arias Editoração e arte Cristiana Ribas Atendimento ao assinante atlantica@atlanticaeditora.com.br Redação e administração Todo o material a ser publicado deve ser enviado para o seguinte endereço por correio ou por email aos cuidados de: Jean-Louis Peytavin Rua da Lapa, 180/1103 20021-180 - Rio de Janeiro - RJ artigos@atlanticaeditora.com.br

Atlântica Editora edita as revistas Fisioterapia Brasil, Enfermagem Brasil, Neurociências, Nutrição Brasil e MN-Metabólica. I.P. (Informação publicitária): As informações são de responsabilidade dos anunciantes. © ATMC - Atlântica Multimídia e Comunicações Ltda - Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida, arquivada ou distribuída por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia ou outro, sem a permissão escrita do proprietário do copyri- ght, Atlântica Editora. O editor não assume qualquer responsabilidade por eventual prejuízo a pessoas ou propriedades ligado à confiabilidade dos produtos, métodos, instruções ou idéias expostos no material publicado. Apesar de todo o material publicitário estar em conformidade com os padrões de ética da saúde, sua inserção na revista não é uma garantia ou endosso da qualidade ou do valor do produto ou das asserções de seu fabricante.

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 6 Número 1 - janeiro/dezembro 2007 3

Editorial Carta ao leitor Prof. Dr. Paulo Tarso Veras Farinatti

Editor-Chefe da RBFEx É com prazer que apresentamos o primeiro número do volume 7 da Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício (RBFEx). A partir de 2008, a revista volta a ser publicada com periodicidade quadrimestral, com a perspectiva de, progressivamente, aumentar o número de artigos em cada A quantidade de manuscritos submetidos vem cres- cendo sistematicamente. De fato, de 2006 a 2008 o número Com isso, foi possível implementar um processo efetivo de revisão por pares, com a participação de um número expressivo de revisores. Além disso, projeta-se em prazo relativamente curto o aumento da periodicidade da revista, a ?m de se veicular um quantitativo anual de artigos com- patível com a indexação em bases de dados que permitam uma melhor classi?cação da RBFEx. Conforme apontado em ocasião anterior, estuda-se igualmente a possibilidade Para tanto, devem ser criadas seções especí?cas tratando dos diferentes ramos da ?siologia do exercício (básica, É claro que todos esses planos continuam dependen- do da colaboração dos pesquisadores que acreditam no projeto da RBFEx, alimentando-a com os resultados de seus trabalhos. Somos de opinião de que a diversi?cação de veículos quali?cados para divulgação do que se faz em termos de pesquisa é algo necessário para a popularização do consumo da produção de conhecimento da área em nosso país. Contamos com a ajuda de todos, agradecen- do muito àqueles que enviaram manuscritos, investiram energia e tempo na seleção de artigos para publicação e que, en?m, vêm participando ativamente do processo de Cordialmente.

Artigo original Correlação entre perfil lipídico e percentual de gordura de acordo com a característica dos sistemas energéticos glicolítico e oxidativo em indivíduos na faixa etária de 25 a 35 anos Correlation between lipid profile and the percentage of fat according to the characteristics of the oxidative and glycolic energy systems in people between 25 and 35 years old

Eduardo Fernandes de Miranda*, Marco Antonio Freitas de Souza**, Higor Lira Bastos**, Daniele Bueno Godinho Ribeiro***, Cesamar Fernandes de Miranda***, João Bartholomeu Neto****, Ricardo Yukio Asano****, Max Luciano Dias Ferrão*****, Estélio Henrique Martin Dantas******

*Especialista em Personal Training pela ESEFIC-SP, Professor da Faculdade UNIRG-TO, Laboratório do Exercício da Faculdade UNIRG-TO, **Acadêmico do curso de Educação Física da Faculdade UNIRG-TO, Bolsista do CNPq no Laboratório do Exer- cício da Faculdade UNIRG, ***Acadêmico do curso de Educação Física da Faculdade UNIRG-TO, Laboratório do Exercício da Faculdade UNIRG-TO, **** Professor da Faculdade UNIRG-TO, Laboratório do Exercício da Faculdade UNIRG-TO, *****Pes- quisador do Laboratório de Biociências da Motricidade Humanas, Professor da Universidade Estácio de Sá, ******Professor Titular do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciência da Motricidade Humana da UCB-RJ, Pesquisador do Laboratório de Biociências da Motricidade Humanas Resumo Objetivo: Analisar a correlação do per?l lipídico e percentual de gordura de acordo com a característica do sistema energético (oxidativo e glicolítico). Amostra: Foram convidados 25 indivíduos de ambos o sexo, com idade entre 25 e 35 anos. Materiais e métodos: Utilizou-se exame de dermatogli?a para dividir os grupos de acordo com a prevalência do sistema energético, avaliação antropométrica para determinação da composição corporal e análise de sangue para determinação do per?l lipídico. Análise dos dados: Através de uma estatística descritiva que foi composta por medidas de tendência Os resultados não demonstraram perfeita correlação, nem se obteve inexistência correlativa em ambos os grupos. Apenas os grupos fe- mininos apresentaram alta correlação como também signi?cância p < 0,05 em algumas das variáveis do per?l lipídico. Grupo oxidativo: TG = 0,8759; VLDL = 0,8612). Conclusão: Os grupos femininos, tanto o de sensibilidade ao sistema energético oxidativo quanto o do sistema energético glicolítico, apresentaram maior tendência às disfunções lipídicas quando seu percentual de gordura estavam fora Palavras-chave: perfil lipídico, sistema energético, percentual de gordura.

Abstract Objective: To analyze the correlation of the lipid pro?le and percentage of fat according to the characteristic of the energy system (oxidative and glycolic). Samples: 25 people of both sexes aged betwe- en 25 and 35 were invited. Materials and methods: A dermatogliphy exam was used to divide the groups according to the prevalence of the energy system, anthropometric assessment to determine the Data analysis: A descriptive statistic, which was composed by the measures of central tendency and the inferential statistics for the Pearson line correlation were needed. The results didn't show perfect correlation and the correlative inexistence wasn't reached in any of the sexes either. Only the female groups showed high correlation Oxidative group: (TG = 0.8522; VLDL = 0.8572) glycolic group: (LT = 0.8597; TG = 0.8759; VLDL = 0.8612). Conclusion: In the female groups the sensibility both to the oxidative energy system and to the glycolic energy system shows higher tendency to lipid Key-words: lipid profile, energy system, fat percentage.

Endereço para correspondência: Eduardo Fernandes de Miranda, Rua C 7, 134, 7735-070 Gurupi TO, Tel: 63-33125541, E-mail: eduardo251077@hotmail.com

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 5

Introdução A obesidade é uma desordem metabólica e nutricional crônica que tem conseqüências graves, como aumento dos adipócitos, a hiperlipidemia e a resistência à insulina. Atu- almente é considerada um dos mais graves problemas de Sabe-se que tal desordem metabólica é de etiologia mul- ticausal, ou seja, pode ser determinada por diversos fatores - genéticos, neuroendócrinos, metabólicos, dietéticos, am- bientais, sociais, familiares, psicológicos e medicamentosos -, que proporciona acúmulo excessivo de energia no organismo, O tratamento dietético da obesidade deve objetivar metas realistas quanto à velocidade de perda ponderal e à quantidade de peso perdido. Preconiza-se prescrição de dieta hipocalórica balanceada e enfatiza-se, inicialmente, a qualidade dos alimen- tos, seguindo modelo proposto pela pirâmide alimentar, com a intenção de que o paciente adquira critérios adequados de A ingestão calórica excessiva provocará um acúmulo de gordura, que está relacionado a dislipidemias, difusão ca- racterizada por distúrbios nos níveis de lipídios circulantes fração de colesterol da lipoproteína de baixa densidade (LDL) e de triglicerídeos, que atuam como fatores de risco. Entre- tanto, o colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL), que atua como fator de proteção do sistema cardiovascular, A pesquisa de Kannel [5] demonstra que, além do co- lesterol, as doenças coronarianas são precedidas por outras variáveis biologicamente plausíveis e correlação de fatores de predisposição de risco à saúde. As variáveis ambientais envolvidas na alteração do per?l lipídico incluem: tabagismo, sedentarismo e dieta, e estão associados posteriormente com Alguns estudos demonstraram a relação entre obesidade e o tipo de ?bra muscular, pois pessoas com predominância de ?bra tipo II (glicolíticas) terão maior probabilidade à obesidade; esse tipo de ?bra apresenta uma baixa e?ciên- cia na utilização da gordura como fonte energética. Desse modo, o indivíduo que apresenta predominância de ?bras tipo I (oxidativas) tem menor probabilidade de acúmulo de gordura por ter facilidade de utilizá-las como fonte de As ?bras musculares do tipo I (oxidativa) possuem um conteúdo mais e?ciente na captação de glicose (insulina- regulado) do que o metabolismo da glicose da ?bra muscu- lar do tipo II (glicolíticas) [9]. A partir dessas informações, por tal investigação, este trabalho visa veri?car, a predomi- nância do sistema energético e sua correlação entre per?l lipídico e o percentual de gordura em indivíduos entre 25 e 35 anos.

Materiais e métodos Amostra A amostra foi composta de 25 indivíduos na faixa etária de 25 a 35 anos, de ambos os sexos e residentes na cidade Gu- rupi/TO. Foram convidadas a serem voluntárias da pesquisa, as pessoas que estiveram presentes no Laboratório Labnort, no horário das 7 às 10 horas, nos meses de março e abril de 2007 e que apresentassem, em seu pedido de exame médico o per?l lipídico. A amostra foi dividida de acordo com as carac- terísticas dos desenhos dermatoglí?cos em grupo de sistema energético oxidativo (Grupo I) e grupo de sistema energético glicolítico (Grupo II). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Faculdade UNIRG, em fevereiro de 2007.

Procedimentos Para que as metas propostas por este estudo fossem alcançadas, utilizamos para determinar as características antropométricas uma balança com estadiômetro, da marca Balmak. Para obtermos o percentual de gordura, utilizamos o protocolo de três dobras de Jackson e Pollock e, para isso, foi Através do kit Labtest, chegamos ao per?l lipídico das pessoas que participaram do estudo. Para a dermatogli?a, utilizou- se o coletor da marca Print Matic e papel branco tamanho A4. O estudo de Abramova et al. [10] mostra um esquema de associações das impressões das digitais com as qualidades físicas, com a seguinte base: para o sistema energético glico- lítico, a qualidade física de velocidade e a força explosiva são caracterizadas pelo aumento das presilhas (L > 7), diminui- ção dos verticilos (W < 3), presença de aumento dos arcos (A) e redução do somatório das quantidades totais de linhas (SQTL). Já no sistema energético oxidativo, a resistência e as atividades de combinações motoras complexas são carac- terizadas pela diminuição dos A e L < 6, aumento dos W > 4 e maior contagem de SQTL. Com base em Silva et al. [11], podemos correlacionar os sistemas energéticos (glicolítico e oxidativo) com os parâmetros dermatoglí?cos.

Arco ?A? ? sem delta Presilha ?L? ? 1 delta Verticilo ?W? ? 2 delta

Análise estatística O tratamento estatístico foi realizado com o programa BioEstat 4.0 para determinar a característica descritiva da

amostra, através dos cálculos de média e desvio padrão. Em seguida foi determinada a normalidade da amostra através do teste de Shapiro-Wilk. Então, utilizou-se o teste de Pearson para determinar a correlação entre as variáveis do per?l lipí- dico e o percentual de gordura.

Resultados A Tabela I apresenta os valores das médias e desvio pa- drão das variáveis que caracterizam as amostras masculina e Utiliza-se o IMC como parâmetro de classi?cação da relação peso e altura dos sujeitos da pesquisa, que ?cam classi?cados Adiante, veri?ca-se que o percentual de gordura dos in- Já quando se trata do público feminino, nesta pesquisa, os resultados ?cam classi?cados como estar ?abaixo da média? em relação de percentual de gordura subcutânea. Essa clas- si?cação indica que o público da pesquisa se encontra com a quantidade de gordura subcutânea acima dos valores con- siderados saudáveis.

Variáveis Masculino Feminino Indivíduos 5 6 Índice massa cor- 27,71 ± 4,78b poral Percentual de 26,10 ± 7,75b gordura Lipídios totais 660,20 ± 239,04a Triglicerídeos 132,60 ± 70,97a Colesterol total 191,80 ± 63,54a HDL 43,00 ± 7,48c LDL 122,60 ± 48,42a VLDL 26,20 ± 13,81a 25,51 ± 6,20b

29,70 ± 7,55b 668,83 ± 161,58a 117,33 ± 83,64a 200,50 ± 41,63a 55,17 ± 19,49a 122,00 ± 42,01a 23,33 ± 16,87a c = abaixo da normalidade

A Tabela II apresenta os valores das médias e desvio padrão das variáveis que caracterizam a amostra masculina e feminina do grupo com predominância do sistema glicolítico. O IMC do grupo masculino aponta uma classi?cação de sobrepeso. Já a classi?cação do grupo feminino, dentro dos parâmetros do IMC, ?ca estabelecida como normal. Por conseguinte, apre- sentados os resultados dos valores de percentual de gordura da amostra, nota-se que tanto o grupo masculino quanto o grupo feminino estão classi?cados, segundo Pollok e Wilmore, como abaixo da média predita, ou seja, com valores acima do recomendado para uma população com essas características Com esses resultados expostos nas Tabelas I e II, o estudo de Pinto [12], que parte de uma análise do estudo nutricional em adolescentes na faixa etária entre 14 e 18 anos, demonstra que, de acordo com o gênero, encontrou-se uma prevalência maior de obesidade entre os jovens do sexo masculino quando comparados aos valores do sexo feminino no índice de massa corpórea, no mesmo estudo o autor apresenta o resultado da gordura subcutânea, cuja prevalência foi maior no %G no sexo feminino cerca de 92% e de 56% no sexo masculino, con?rmando os escores do estudo expostos na Tabela II. Ali- cerçando aos resultados obtidos da pesquisa, Paula [13], em seu estudo com participação de adultos com idade superior a 20 anos (homens e mulheres), com enfermidades crônicas não transmissíveis (hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia), mostrou que, independentemente de tais en- fermidades, 75% dos indivíduos estavam com IMC acima do normal, ditos em obesidade grau I (Organização Mundial de Saúde 1995, 1997). Conclui-se que as ECNT (enfermidades crônicas não transmissíveis) foram mais prevalentes dentre os indivíduos classi?cados como obesos e, no entanto, os indivíduos do sexo feminino estão mais susceptíveis a tais enfermidades.

Variáveis Masculino Feminino Indivíduos 7 7 Índice massa 28,02 ± 3,38b corporal Percentual de 22,69 ± 8,78b gordura Lipídios totais 656,70 ± 88,19a Triglicerídeos 150,43 ± 52,62a Colesterol total 185,57 ± 21,28a HDL 46,00 ± 12,87c LDL 95,40 ± 33,79a VLDL 29,89 ± 10,69a 23,47 ± 2,87ª

27,13 ± 6,30b 629,14 ± 121,09a 113,57 ± 45,21a 187,43 ± 32,12a 54,14 ± 9,65c 111,00 ± 26,94a 22,29 ± 9,20a c = abaixo da normalidade

O Grá?co 1 apresenta os resultados da correlação entre percentual de gordura e per?l lipídico nos grupos masculino e feminino, para os que têm maior predominância para uti- lização da fonte energética oxidativa. É notória a diferença entre os sexos na correlação dos dados, pois no grupo mascu- lino as variáveis analisadas que caracterizam o per?l lipídico foram: TG (triglicerídeos) e VLDL (lipoproteína de muito já os LT (lipídios totais), o CT (colesterol total) e os LDL (lipídios de lipoproteína de baixa densidade) apresentaram média baixa correlação, sendo que na HDL (lipoproteína de alta densidade) foi determinada uma média correlação com o percentual de gordura. Adiante, observou-se que no grupo feminino ocorreu uma maior alteração nas correlações das variáveis do per?l lipídico, principalmente nos: TG, VLDL, que foram classi?cados por apresentar uma média alta correlação; nos LT, para os quais se notou uma média correlação; nos LDL, com média baixa correlação; e, por

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 7

?m, as HDL, apresentaram uma baixa correlação com o No entanto, é possível a?rmar, também, que os indivíduos do sexo feminino deste grupo demonstraram uma maior cor- relação em algumas das variáveis lipídicas com o percentual de gordura quando comparado com os dados dos indivíduos do sexo masculino, com isso exibem uma maior tendência a disfunções lipídicas.

Grá?co 1 - Correlação entre percentual de gordura e per?l lipídico do grupo I.

*indica significancia para p < 0,05. LT: Lipidios totais. TG: Trigliceride- os. HDL: Lipoproteína de alta densidade. LDL: Lipoproteína de baixa densidade. VLDL: Lipoproteína de muito baixa densidade.

O Grá?co 2 apresenta os resultados da correlação entre percentual de gordura e per?l lipídico no grupo masculino Diante dos resultados, nota-se que, nos indivíduos do sexo masculino, as variáveis analisadas que caracterizam o per?l lipídico, tais como LT (lipídios totais), HDL (lipoproteína de alta densidade), e LDL (lipoproteína de baixa densidade), apresentam média baixa correlação com o percentual de gordura subcutânea; já entre os TG (triglicerídeos), a VLDL (lipoproteína de muito baixa densidade) mostrou-se com baixa correlação; no entanto, em relação ao CT (colesterol total), veri?cou-se uma média correlação. Trataremos, agora, dos convocados do sexo feminino. Pode-se a?rmar que as va- riáveis do per?l lipídico apresentaram uma maior correlação com o percentual de gordura, quando comparados com os resultados dos indivíduos do sexo masculino, pois os dados abaixo demonstram claramente tal a?rmativa. Houve alta correlação entre LT, TG e VLDL; adiante, no CT e LDL percebeu-se média alta correlação e, por ?m, no HDL, nota-se média baixa correlação. Portanto, nos resultados analisados dentro do universo da pesquisa, é valido dizer que existe correlação entre o per?l lipídico e o percentual de gordura, tanto nos indivíduos do sexo masculino quanto e, principalmente, nos do sexo feminino. Mesmo assim, é preciso salientar que não se obteve perfeita correlação nem se demonstrou inexistência nas classi?cações das estimativas de correlação.

Grá?co 2 - Correlação entre percentual de gordura e per?l lipídico no grupo II

*indica significância para p < 0,05. **indica significância para p < 0,01. LT: Lipidios totais. TG: Triglicerideos. HDL: Lipoproteína de alta densidade. LDL: Lipoproteína de baixa densidade. VLDL: Lipoproteína de muito baixa densidade.

Discussão Diversos estudos foram realizados em diferentes regiões do país, com o intuito de detectar os níveis de sobrepeso e obesidade, mas tais informações que representam a população brasileira ainda são escassas devido à dimensão territorial, Portanto, na região norte do nosso país, ainda existem poucos estudos sobre obesidade e sobrepeso, o que di?culta uma discussão mais aprofundada sobre os dados apresenta- Um estudo feito nas principais capitais do país, realizado pelo Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição [13], evidenciou que 32% da população brasileira apresentam algum tipo de sobrepeso, destes, 8% são obesos, sendo tal prevalência maior entre as mulheres, as quais chegam a 38%, enquanto nos homens essa proporção chega a 27%. A proporção de sobrepeso e obesidade aumenta com a idade, principalmente entre os 45 e 55 anos: nos homens o índice chega a 37% e nas mulheres a 55%. Cerca de 60% das mu- lheres no período da menopausa ganham peso entre 2,5 kg a Portanto, dentro da faixa etária de 25 a 35 anos, a proba- bilidade de adquirir obesidade é menor, pois o metabolismo basal nesta faixa etária é mais elevado, quando comparado às faixas etárias posteriores. Após os 35 anos de idade, inicia-se a diminuição das variáveis orgânicas, como massa muscular, A diminuição da massa muscular está relacionada à idade, que, por sua vez, está diretamente relacionada à diminuição do gasto calórico diário, aumentando assim as possibilidades Em estudo com a participação de adolescentes de ambos os sexos, veri?cou-se maior percentual de risco de sobrepeso no sexo masculino e de gordura corporal elevada, no feminino.

Com isso, o percentual de gordura corporal apresentou uma tendência a ser signi?cativamente maior no sexo feminino É nesse sentido que o estudo de Martins [17] investigou 237 mulheres portuguesas obesas com idade média de 31 ± 14 anos e IMC médio de 34,2 ± 6,0 kg/m2, e observou índices de hipercolesterolemia (200 mg/dl) de 36% e de hipertrigliceri- demia (200 mg/dl) de 10%. Em outra investigação, Cercato [18], em São Paulo, estudou 412 mulheres obesas com idade média de 42,9 ± 13,4 anos e IMC médio de 38,9 ± 7,2 kg/ m2; observou freqüências maiores de hipercolesterolemia (colesterol 240 mg/dl em 53%) e de hipertrigliceridemia Partindo desses achados e com a análise dos resultados dos indivíduos do sexo feminino do presente estudo, notou-se alta correlação em algumas das variáveis do per?l lipídico com o percentual de gordura. Do mesmo modo, os escores obtidos pelo grupo de predominância de fonte energética glicolítica apresentaram uma maior correlação em todas as variáveis do per?l lipídico do que as do grupo com predominância de utilização da fonte energética oxidativa. Esse fato pode ser justi?cado pelo tipo de sistema predominante na ?bra mus- cular esquelética, entretanto não é o único determinante para obesidade. O sistema oxidativo geralmente tem uma atividade na realidade, foi formado para possuir um conteúdo mais alto do transportador de glicose (insulina-regulado) e maior sensibilidade à insulina do que para metabolismo de glicose Com os resultados expostos nos gráficos do estudo, pode-se dizer que houve correlações das variáveis do per?l lipídico com o percentual de gordura no grupo masculino e principalmente no público feminino, salientando que não apresentou inexistência, como também não atingiu perfeição correlativa. Entende-se que o fato ocorreu pelo baixo percen- tual de gordura, juntamente pela não constatação de valores do IMC com níveis de classi?cação que indicam obesidade Estudo realizado em crianças gravemente obesas apre- sentou positividade na correlação com colesterol total (CT), Com base no estudo de Quintão [20], a dislipidemia está relacionada a valores aumentados de colesterol total, valores aumentados de LDL, valores aumentados de triglicerídeos e valores diminuídos de HDL. Dessa forma, os achados da pesquisa expostos, não demonstraram alterações anormais relacionadas às dislipidemias, como pode ser visto nas Tabelas I e II.

Conclusão Os dados da pesquisa cientí?ca demonstraram que, nos grupos masculino e feminino, existem altas estimativas cor- relacionais entre o per?l lipídico e o percentual de gordura.

No entanto, os escores correlacionais obtidos nos grupos do sexo feminino (oxidativo e glicolítico), apresentaram diferença entre si, quanto ao grau correlacional e de signi?cância devido a predominância da fonte energética, assim o grupo femini- no com predominância a utilização do sistema energético glicolítico atingiu alta estimativa de correlação assim como a Portanto, o grupo feminino, tanto com predominância do sistema energético oxidativo como do sistema energético glico- lítico, tem uma maior tendência a disfunções lipídicas do que os indivíduos do sexo masculino com a mesma sensibilidade A investigação revela que, para obter resultados mais ex- pressivos relacionados à estimativa de correlação, teríamos que selecionar um grupo com percentual de gordura mais elevado e com os níveis de IMC indicadores de obesidade. Por ?m, estudos com o propósito de investigar a este assunto ainda são muito escassos no meio cientí?co e, nesse sentido, existe a necessidade de outras investigações para que tais con?rmações possam ser ampliadas e mais fundamentadas.

Agradecimentos Agradecemos aos Doutores Jusábdon Naves Cansado e Wanderly Fernandes de Miranda, proprietários do Laborató- rio Clínico Labnort, onde foi feito o exame de identi?cação do per?l lipídico. Também somos gratos aos acadêmicos de Educação Física da Faculdade UNIRG, que participaram como amostra da pesquisa e, em especial, ao acadêmico Marco Antonio Freitas Souza.

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Artigo original Nutrição de futebolistas infantis e juvenis Nutrition in sub-15 and sub-17 soccer players

Silvia Teixeira de Pinho*, Daniel Medeiros Alves**, Diego Vaz Vaguethi ***, Patrícia dos Santos Behling****, Márcia Buchewaitz*****

*Mestranda em Educação Física da ESEF ? UFPEL, **Especialista em Treinamento Desportivo ? UEL, Preparador Físico do Grê- mio Esportivo Bagé, ***Graduado em Nutrição pela UFPEL, ****Graduada em Educação Física da ESEF ? UFPEL, *****Professora e Diretora da Nutrição da UFPEL

Resumo O presente estudo teve como objetivo traçar o per?l nutricio- nal de jogadores de futebol e discutir a adequação dietética com as necessidades para esse esporte. A amostra foi composta de 20 jogadores infantis e 20 jogadores juvenis. Para avaliar o hábito ali- mentar, aplicou-se o questionário recordatório alimentar e os dados foram analisados no software de análise de macro e micronutrientes (DietWin, 2003). Os resultados encontrados demonstraram uma adequação calórica em 40% dos atletas juvenis e apenas 20% dos atletas infantis. A adequação dos macronutrientes na categoria Já a categoria infantil apresentou uma dieta hipolipídica (50%), hipoprotéica (80%) e hiperglicídica (50%). Sobre os micronutrien- tes encontrou-se um consumo abaixo do recomendado (< 70% adequação) em vitamina C, vitamina A, cálcio e cobre, além de uma ingestão excedente (> 110% adequação) de ferro para as duas categorias. Esses resultados permitem concluir que é necessário que se faça uma intervenção nutricional nesse grupo de atletas, tanto para otimizar o desempenho como para garantir uma prática mais Palavras-chave: futebol, nutrição, composição corporal, dieta.

Abstract The aim of the present study was to draw the ?eld soccer players' corporal and feeding pro?le and to discuss the dietary adaptation with the needs of this sport. The sample was composed by 20 players 14 to 15 years old and 20 players 16 and 17 years old. To make the evaluation of feeding habits, we used the nutritional questio- nnaire, analyzed by DietWin 2003 software. The results pointed out a caloric adaptation on 40% of the sub-17 players and only 20% of the sub-15 players. An appropriation of macronutrients in the younger category was 50% (CHO), 50% (proteins) and 60% (fat). The sub-15 players presents a diet with less fat (50%) and protein (80%), and hyperglicidic (50%). About the micronutrients was found a consumption below the recommended level (< 70% adaptation) in vitamin C, vitamin A, calcium and copper and a spare (>110% adaptation) ingestion of iron in most of players of the two categories. The results showed that it is necessary to make a nutritional intervention in teenage soccer players to increase the sport performance as well as to obtain healthier dietary practices Key-words: soccer, nutrition, corporal composition, diet.

Endereço para correspondência: Silvia Teixeira de Pinho, Rua Carlos Gotuzo Giacoboni, 1271, 96040-240 Pelotas RS, Tel: (53) 9157 3329, E-mail: silvia_esef@yahoo.com.br

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Introdução O futebol é um dos esportes mais praticados no mundo, e conseqüentemente no Brasil. Apesar disso, o futebol ainda carece de estudos cientí?cos sobre os efeitos da prática dessa modalidade em crianças e adolescentes [1]. Embora os aspec- tos relacionados ao alto rendimento sejam amplamente dis- cutidos na literatura mundial, os atletas em fase de formação Segundo Ribas [2], o exercício altera as necessidades dieté- ticas do atleta, devido ao aumento na utilização de substratos energéticos. A falta de orientação nutricional pode levar a erros na reposição energética, comprometendo assim, não só Uma aparente solução para resolver as possíveis de?ci- ências alimentares de atletas é a suplementação. Porém, a escassez de estudos nutricionais para atletas, di?culta a adoção da melhor estratégia alimentar por parte dos pro?ssionais atuantes na educação física e no esporte, impedindo a?rmar Acredita-se que a prática do futebol requisita dos atletas elevadas demandas energéticas que compreendem valores entre 3150 a 4300 kcal [3,4]. No entanto, diferentes estudos têm demonstrado que o gasto calórico pode ser de 2100 a 2520 kcal em uma única partida [5,6]. No que se refere à reposição calórica, os atletas de futebol ingerem menos calorias do que necessitam para a reposição de seu desgaste [5], ressaltando a importância da utilização de soluções ricas em carboidratos (CHO) com o intuito de retardar o início da fadiga muscular durante o exercício. Além disso, essa estratégia dietética tem a propriedade também de promover a reposição da perda hídrica devido ao desgaste imposto O estabelecimento de uma dieta equilibrada possibilita ao atleta o aporte calórico e de macronutrientes compatíveis com o exercício, recuperando o desgaste ocorrido [7-9]. Nenhum alimento garante altos níveis de performance em todos os atletas [4], sendo necessário uma adequada orientação nutri- cional apoiada na experiência e no conhecimento cientí?co, evitando problemas como a superestimação ou subestimação Os cuidados nutricionais com atletas devem oportunizar um adequado desempenho esportivo e a reposição dos nu- trientes utilizados durante a atividade, bem como proporcio- nar a reposição das perdas de vários nutrientes que ocorreram A adequada ingestão de carboidratos garante a reposi- ção do glicogênio muscular e hepático utilizado durante a atividade física [10]. Após os exercícios, o carboidrato é utilizado para repor rapidamente os estoques de glicogênio, bene?ciando assim a recuperação e a preparação dos mesmos músculos para atividades posteriores. Atletas que treinam diariamente de forma intensa devem ingerir de 60 a 70% do valor energético diário total ou de 6-10 g de carboidratos/kg Ressalta-se que crianças e adolescentes esportistas de- mandam um cuidado especial no que se refere ao seu estado nutricional tendo em vista que estão em uma fase da vida sobre intenso crescimento e desenvolvimento e que a prática esportiva poderá provocar modi?cações de suas necessidades nutricionais normais. Dessa maneira, torna-se importante a realização de avaliação periódica de parâmetros de crescimento e desenvolvimento, bem como de aspectos nutricionais que O treinamento é capaz de estimular o crescimento mus- cular, porém sem uma dieta equilibrada, o resultado ?ca limitado. Segundo Miller [14], além de fatores genéticos e do treinamento, o principal fator que in?uência a performance Considerando as demandas ?siológicas decorrentes da prática do futebol e o papel da nutrição dos atletas para o fortalecimento desse esporte, o presente estudo objetivou analisar o per?l nutricional de jogadores infantis e juvenis de futebol de campo na cidade de Pelotas, e assim discutir a adequação dietética dos mesmos em comparação com as necessidades requeridas para esse esporte.

Material e métodos A amostra foi composta de 20 jogadores de futebol de campo com idades de 14 e 15 anos (categoria infantil) e 20 jogadores de 16 e 17 anos (categoria juvenil), de duas equi- pes classi?cadas para as semi?nais do campeonato citadino, na cidade de Pelotas, RS, todos ?liados à liga pelotense de futebol. A escolha pelos atletas se deu aleatoriamente, repre- sentando aproximadamente um terço da população total de A rotina de treinamento dos atletas constava de 5 sessões de treinamento semanais, com duração de aproximadamente Para a avaliação não foram considerados os níveis de matu- Foram coletados dados de peso e altura dos jogadores e também as medidas das pregas cutâneas: triciptal (DTR) e subescapular (DSE), utilizando-se o compasso de dobras cutâneas. Para a análise do percentual de gordura utilizou-se a equação proposta por Slaughter [13].Os materiais utilizados foram: uma balança analógica e estadiômetro (marca Secca) para medir a estatura, um compasso de dobras cutâneas (marca Os valores médios encontrados para estatura, peso, IMC Observa-se que o peso médio do grupo de jogadores juvenil apresentou valor superior ao grupo infantil o que é indicativo de ingestão alimentar maior.

Ida- Altu- Peso IMC DSE DTR % de ra Gord Juve- Mé- 16,4 1,75 58,2 21,1 8,7 8,9 13,8 nil dia Desv 0,6 0,06 7,3 1,9 1,6 1,8 2,5 Pad In- Mé- 14,4 1,69 55,9 19,9 9,5 8,5 13,6 fantil dia Desv 0,7 0,06 6,9 2,3 1,6 1,8 2,4 Pad

Para avaliar o hábito alimentar, aplicou-se o questionário recordatório alimentar de 24 horas, em 3 dias não consecu- tivos da semana (sendo 1 no ?m de semana) para se obter uma amostra de consumo, representativa da dieta habitual de cada jogador conforme o procedimento apresentado por O questionário foi aplicado por estudantes do curso de nutrição e de educação física da Universidade Federal de Pelotas, sob a orientação e supervisão de uma professora do curso de nutrição, sendo o mesmo aplicado em uma sala onde cada aluno era entrevistado individualmente antes das Os resultados dos dados de ingestão calórica de macro e micro-nutrientes foram representados pela média dos 3 dias de recordatório, analisados em software de análises de alimentos (DietWin, 2003) e expressos em percentuais. Os percentuais encontrados de consumo foram comparados às recomendações do Institute of Medicine's Food and Nutrition Board que preconiza as Referências de Ingestão Dietética (DRI's) [16] para todos os nutrientes. A estimativa do gasto energético dos jogadores foi determinada através da Taxa de Metabolismo Basal (TMB) dos mesmos, calculada pela equação 66,5 + (13,75 x kg) + (5,003 x cm) - (6,775 x age) [17]. Após a divisão do valor da TMB por hora, o resultado foi multiplicado pelas constantes metabólicas, considerando as atividades despendidas com as horas de treinamento físico e outras atividades consideradas leves e muito leves, segundo Foram analisados os valores percentuais de adequação dietética para o consumo calórico, consumo de macronutri- netes e micronutrientes (vitaminas e minerais) nas categorias Os participantes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido antes da coleta de dados.

Resultados Observa-se na Figura I sobre a ingestão calórica total, que 40% dos jogadores da categoria juvenil consumiam dieta adequada e 30% acima do recomendado. Para a categoria infantil, observa-se que a grande maioria (70%), apresentou uma dieta hipercalórica.

Figura 1 - Percentual de atletas em função do percentual de adequa- ção da ingestão calórica total de futebolistas infantis e juvenis.

Os resultados demonstram um consumo excessivo dos jogadores, contrariando os estudos realizados por Rico-Sanz [5] e Leblanc et al. [19], onde a ingestão de energia total dos A Tabela II apresenta a análise da adequação dos macronu- trientes, respectivamente para as categorias juvenil e infantil. A dieta dos jogadores da categoria juvenil apresentou expressivo percentual de adequação de acordo com o recomendado para todos os nutrientes CHO (50%); proteínas (50%) e lipídeos (60%). Entretanto, pode-se observar também na Tabela II que a dieta dos jogadores da categoria infantil apresentou-se, em sua maioria: hiperglicídica (50% acima da adequação) hipoprotéica (80% abaixo do recomendado) e hipolipídica (50% abaixo do recomendado), respectivamente.

Adequação Nutriente Abaixo Recomendado Acima Carboidratos 30% 50% 20% Juvenil Proteínas 40% 50% 10% Lipídeos 20% 60% 20% Carboidratos 20% 30% 50% Infantil Proteínas 80% 20% - Lipídeos 50% 30% 20% Lipídeos: 25 ? 30 %

No presente estudo, 50% dos jogadores da categoria ju- venil apresentaram a proporção recomendada de consumo de CHO, entretanto uma parcela expressiva da amostra (30%) apresentou baixa adequação do consumo desse nutriente, con?rmando os resultados observados na literatura para essa modalidade esportiva. Entretanto, a categoria infantil [19], pois a maioria consumia CHO em proporções acima do Com relação ao consumo de proteínas, observa-se que ocorreu adequação em metade dos jogadores da categoria ju- venil (50%), entretanto parcela signi?cativa apresentou dieta

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hipoprotéica (40%). O mesmo não aconteceu com a categoria infantil que em sua maioria apresentou dieta hipoprotéica (80%). No estudo de Rico-Sanz [5] foram encontrados percentuais de proteína de 14% e 14,4%, ressaltando um Uma vez que a depleção de glicogênio é observada após as partidas de futebol [5], alimentos contendo grandes quantidades de carboidratos são importantes, pois auxiliam na reposição da reserva de glicogênio corporal. Os resultados demonstram que a quantidade de carboidratos ingerida pelos atletas da categoria juvenil está adequada ao recomendado (60 ?70%). Já nos jogadores da categoria infantil, observa-se que a metade teve uma ingestão superior ao recomendado para carboidratos e uma ingestão inferior em proteínas. Este fato pode estar relacionado com um balanço nitrogenado negativo, comprometendo o crescimento e desenvolvimento A Tabela III indica o percentual de adequação das vitami- A análise da adequação de ingestão dos micronutrientes nas duas tabelas mostra que os percentuais de adequação são muito semelhantes para as duas categorias. Pode-se notar que uma parte dos jogadores da categoria infantil teve um consumo inadequado de vitaminas, sendo que todos (100%) ingeriram quantidade marginal (< 70% adequação) de vita- mina C e 70%, de vitamina A. A maioria dos jogadores da categoria juvenil também não atingiu o percentual adequado para o consumo de vitamina A, sendo 70% com ingestão marginal (< 70% adequação). O mesmo observa-se quanto Tabela III - Análise da adequação do consumo de vitaminas.

ao consumo de vitamina C, ressaltando que 80% tiveram A ingestão insu?ciente das vitaminas A e C pode compro- meter o crescimento ósseo [20], fato relevante por se tratar de atletas em fase de crescimento. Além disso, essas vitaminas desempenham um papel importante no metabolismo aeró- bio [21], e uma ingestão inadequada pode comprometer o desenvolvimento da capacidade aeróbia, importante para o Quanto às demais vitaminas, na dieta da categoria juvenil os maiores percentuais estavam acima do recomendado e para a categoria infantil os maiores percentuais encontraram-se Com relação aos minerais, os resultados encontrados também apresentaram semelhanças entre as duas categorias. Na categoria juvenil (Tabela IV), constata-se que 70% dos jogadores não atin- giram um consumo maior que 70% de adequação de cálcio. Igual resultado pôde ser constatado quanto ao consumo de cobre, já que 100% obtiveram um consumo marginal. Quanto aos jogado- res da categoria infantil (Tabela IV), apresentaram uma ingestão inadequada para cálcio (80%) e cobre (100%) e um consumo superior em ferro (90%). Com relação à ingestão de ferro dos jogadores da categoria juvenil, veri?ca-se que a maior parte (60%) atingiu um percentual maior do que o recomendado.

Discussão Vários estudos realizados com atletas de futebol constata- ram que as gorduras têm importante participação na ingestão

Vitaminas Adequação < 70 % 70 ? 80 % 80 ? 110 % > 110 % Juvenil Infantil Juvenil Infantil Juvenil Infantil Juvenil Infantil Vitamina C 80% 100% - - - - 20% - Vitamina B12 - 10% 20% - 10% 20% 70% 70% Vitamina B6 40% 30% 10% 10% 30% 40% 20% 20% Vitamina A 70% 70% 10% 10% 10% - 10% 20% Vitamina B2 20% 20% - - 20% 30% 60% 50% Vitamina B1 30% 20% - 40% 30% 30% 40% 20% Vitamina E 20% - - - 20% 20% 60% 80% Niacina 30% 20% - 20% 30% 40% 40% 20% Minerais Adequação < 70 % 70 ? 80 % 80 ? 110 > 110 % Juvenil Infantil Juvenil Infantil Juvenil Infantil Juvenil Infantil Cálcio 70% 80% - - 20% 20% 10% - Cobre 100% 100% - - - - - - Ferro - 10% - - 40% - 60% 90% Folato 40% 50% 10% 10% 20% 30% 30% 10% Fósforo 10% 20% 10% 10% 20% 20% 60% 50% Magnésio 40% 10% 10% 30% 30% 30% 20% - Zinco 20% 10% - 20% 30% 30% 50% 40%

energética total desses atletas e ao mesmo tempo apresentam um baixo consumo de CHO [4,16,17]. Leblanc et al. [19], também veri?caram em seu estudo que a dieta dos atletas apresentava uma ingestão na proporção de macronutrientes ingeridos oriundas das gorduras (29,1 a 34,1% do VCT) e ao mesmo tempo baixa em carboidratos (48,5 a 56,6% do VCT). Ruiz et al. [18], estudando jogadores de 14 anos de idade, mostraram que a contribuição de CHO na ingestão Apesar dos carboidratos e gorduras serem quantitativa- mente os combustíveis preferenciais para o exercício, alguns tipos de atividades podem aumentar a oxidação de amino- ácidos, principalmente os de cadeia rami?cada [22]. Como resultado do aumento da oxidação de aminoácidos, estes são irreversivelmente perdidos. No caso que esses aminoácidos não sejam repostos pela dieta, o processo normal de síntese protéica será prejudicado, o que resultaria em uma redução das proteínas corporais, podendo levar a uma perda crônica de massa muscular, que é relevante no desempenho do jogador Uma ingestão de 1,4 - 1,7 g/kg/dia de proteína estaria adequada para jogadores de futebol [21]. Outra recomendação seria de 12 ? 15% da ingestão energética de proteínas para adolescentes esportistas [24], o que se pode observar na dieta A recomendação de consumo de gorduras na dieta é de 25 ? 30% das calorias totais. Juntamente com o carboidrato, O objetivo da utilização de gordura durante o exercício é poupar o uso do glicogênio muscular [25]. Neste estudo encontrou-se um consumo adequado de gordura em 60% dos jogadores da categoria juvenil, entretanto, metade dos jogadores da categoria infanto-juvenil teve uma ingestão abaixo do recomendado. A restrição excessiva do consumo de gorduras pode prejudicar o crescimento e desenvolvimento, por restringir o consumo energético e também a absorção de Em um estudo realizado com atletas nadadores com idades entre 13 e 21 anos [27], foi observado baixo consumo em vitamina A e elevada ingestão em ferro para os homens, dados Porém, a pesquisa realizada com atletas nadadores também constatou o consumo excedente em vitamina C, resultado Algumas vitaminas e minerais desempenham um papel chave no metabolismo energético [21]. A atividade física au- menta a necessidade do consumo de alguns destes nutrientes, o que pode ser alcançado mediante a ingestão de uma dieta adequada [11]. Estudos alertam que o aumento da ingestão de cálcio e vitamina E, diminui os efeitos provocados pelos Ainda não há evidências cientí?cas de que a suplementação de vitaminas e minerais promova um efeito ergogênico para os atletas. No entanto, a suplementação pode ser útil quando houver necessidade de compensar dietas de?citárias devido a aspectos, como: estilo de vida, desgaste físico devido ao treinamento intenso, correção de inadequação nutricional, No estudo feito por Leblanc et al. [19], também foi cons- tatado um baixo consumo de cálcio e consumo satisfatório de ferro pelos atletas, igualmente encontrado no presente trabalho para as duas categorias de jogadores. Os estudos demonstram que a carência de cálcio pode levar à desmine- ralização óssea, havendo diminuição da calcemia, tornado os ossos mais predispostos à fraturas. A ingestão adequada de cálcio é importante para maximizar o depósito deste mineral Em outro estudo, realizado por Rico-Sanz et al. [5], foi veri?cado que as ingestões de cálcio também estavam abai- xo do recomendado, o que reforça a importância de se ter um maior cuidado com esse nutriente, já que a amostra da presente pesquisa é composta por adolescentes e, em média, essa população consome quantidades menores do que a Considerando as limitações deste estudo na área da reposição hídrica, na utilização de suplementos por parte dos atletas analisados e nos níveis de maturação biológica, o estudo contribuiu para apontar problemas e soluções práticas relativos aos aspectos nutricionais dos atletas analisados.

Conclusão Dentro dos objetivos propostos pelo estudo, foi possível constatar através dos resultados encontrados um elevado consumo de carboidratos, um baixo consumo de proteínas e gorduras dos jogadores da categoria infantil, sendo que a maioria destes obteve ingestão do valor calórico total acima do recomendado. Já nos jogadores da categoria juvenil, os percentuais de adequação de macronutrientes apresentaram- se dentro da normalidade e a ingestão do valor calórico total Com relação aos micronutrientes, os resultados das duas categorias foram muito semelhantes, veri?cando-se ingestão marginal (< 70%) de vitamina C, vitamina A, cálcio e cobre nas duas categorias. No entanto, houve um elevado consumo de ferro, também observado nas duas categorias. Esse con- sumo inadequado das vitaminas A e C pode comprometer o desenvolvimento ósseo, fazendo-se necessária uma interven- ção nutricional no sentido de garantir o crescimento de forma Com base nesses resultados, é aconselhável uma educa- ção nutricional a esses jogadores de futebol, sugerindo uma adequação calórica, adequação dos macronutrientes, vita- minas e minerais, não apenas com o intuito de melhorar o desempenho esportivo, mas também para promover hábitos alimentares mais saudáveis que persistam no decorrer da vida desses jogadores.

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atividades esportivas de adolescentes. Muitas das recomen- dações são originadas de estudos com adultos, o que reforça 15. Portanto, sugere-se que novos estudos sejam realizados com o objetivo de difundir os conhecimentos referentes à nutrição aplicada ao esporte e em especial ao futebol.

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Artigo original Educação nutricional aplicada para nadadores infantis de um clube do município de São Paulo Nutritional education applied for young swimmers of a club in the city of São Paulo

Juliana Oliveira Figueiredo*, Tatiana Akemi Kondo*, Eliane Araújo dos Santos Cristóvão*, Renata Furlan Viebig**

*Graduandas do Curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo-SP, **Nutricionista, Especialista em Nutrição Clínica, Doutoranda em Medicina Preventiva pela FMUSP, Docente do Curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo-SP

Resumo Objetivo: Demonstrar, por meio de gincanas aplicadas à popu- lação estudada, como as atividades educativas são importantes para introduzir a educação nutricional de atletas infantis, especialmente para o incentivo ao aumento do consumo de frutas, verduras e legumes. Materiais e métodos: O estudo foi realizado com 30 nada- dores mirins e para estes foram aplicadas três gincanas educativas, focadas no tema ?importância do consumo de frutas e hortaliças para nadadores?. Resultados: Na gincana sobre a importância das frutas, das perguntas realizadas durante a atividade houve 90% de acerto e 10% de erro, enquanto que na gincana sobre as verduras houve 75% de acerto e 25% de erro. Na gincana sobre legumes não houve perguntas. Conclusão: Quanto mais cedo forem instalados nas crianças ?sicamente ativas hábitos alimentares saudáveis, dire- cionados para o desempenho no esporte, maior a probabilidade de que permaneçam na vida futura como uma garantia de melhores Palavras-chave: educação nutricional, criança, frutas, hortaliças, atividade física.

Abstract Objective: To demonstrate through education activities how is important to introduce nutritional education for young athletes, Materials and methods: The sample was composed by 30 swimming children and were applied three educative activities, with focus in the theme importance of fruit and vegetables consumption for swimmers. Results: In the activities about the importance of fruits, of the asked questions during the activity, we observed 90% correct and 10% incorrect, while in the activities about vegetables, 75% were correct and 25% incorrect. On the second part of the activity about vegetables we did not make any questions. Conclusion: The earlier the nutritional healthy patterns are installed in the physically active children, aiming at sport's performance, more probability that these remain in future life, as a guarantee of better results in Key-words: nutritional education, children, fruits, vegetables, physical activity.

Endereço para correspondência: Juliana Oliveira Figueiredo, Rua Benedito Jacinto Mendes, 163, 03922-000 São Paulo SP, Tel: (11) 6705-0284, E-mail: ju.oliveira20@gmail.com

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Introdução As crianças praticantes de atividades físicas necessitam de um maior cuidado com a alimentação, uma vez que esta deve suprir as necessidades da fase de desenvolvimento desses indivíduos, além de fornecer a energia adicional que é exigida A educação física tem forte ligação com a nutrição tanto na área de cunho mais pedagógico e escolar, como no trei- namento em esportes, visando alto rendimento ou mesmo a Os atletas jovens comumente adotam comportamentos alimentares inadequados, os quais podem comprometer o estado nutricional destes, bem como seu desempenho no esporte [3]. Estudos mostram que os atletas não prestam atenção à alimentação, e consequentemente, prejudicam seu Geralmente, os indivíduos não pensam na alimentação como uma fonte de energia para a execução de suas atividades diárias, ou de nutrientes para a constituição do seu corpo, mas, fundamentalmente, em termos de prazer gustativo, olfatório e visual [6]. Assim, percebe-se que a maioria dos atletas ignora Nos últimos anos, notou-se que no Brasil os padrões ali- mentares modi?caram-se, elucidando em partes o contínuo aumento de adiposidade nas crianças em geral, como o baixo consumo de frutas, hortaliças e leite, além do consumo eleva- do de guloseimas (bolachas recheadas, salgadinhos e doces) e Atualmente, estima-se que no Brasil o consumo de frutas e hortaliças seja inferior a metade do que é recomendado nu- tricionalmente [10]. Estes alimentos são fontes de vitaminas e minerais, os quais devem ter as necessidades atingidas com uma dieta quali-quantitativamente adequada, suprindo a Desta maneira, a escolha de uma alimentação adequada e principalmente equilibrada promove uma melhoria na res- Assume-se, assim, que a prescrição dietética, de acordo com o gasto energético, sexo, idade, o calendário de competição e treinamento e o momento de ingestão de uma refeição apro- priada à prática desportiva, é essencial para a performance de Diante das práticas alimentares inadequadas destes indiví- duos, a educação alimentar e nutricional torna-se fundamental para converter os hábitos errôneos em saudáveis, propiciando conhecimento, principalmente, sobre as vantagens do consu- O presente estudo objetivou demonstrar, através de ginca- nas aplicadas à população estudada, como as atividades edu- cativas são importantes para auxiliar na educação nutricional de atletas infantis, no incentivo ao aumento do consumo de frutas, verduras e legumes.

Materiais e métodos O estudo foi realizado com 33 nadadores mirins, meninos e meninas, com idade entre 6 e 10 anos, das equipes competi- Foram aplicadas 3 gincanas visando a educação nutricio- nal dessa população, especi?camente educativas, focadas no tema ?importância do consumo de frutas e hortaliças para A seguir, são descritos os procedimentos empregados em cada uma das atividades educativas empreendidas.

Gincana das frutas Objetivo: Realizar a abordagem inicial do assunto consumo de frutas com os nadadores, mostrando a importância destes Executores: Estagiárias da área de Nutrição Esportiva.

Modo de conduzir: 1) breve preleção sobre a importância das frutas na alimen- 2) jogaram-se na piscina bexigas numeradas e não numeradas 4) as equipes entraram juntas na piscina para pegarem o maior número de bexigas que conseguirem em 20 segun- dos, sendo que cada participante pegou uma bexiga por vez, colocando-as em uma sacola que estava na borda da 5) a equipe que pegou o maior número de bexigas ganhou 1 ponto e a que pegou o maior número de bexigas nu- 6) cada equipe respondeu a pergunta relacionada ao número 7) as bexigas numeradas que as equipes não pegaram foram divididas entre as equipes para que cada uma delas res- 8) foram computados os erros e acertos em cada questão 9) ganhou o prêmio a equipe que obteve o maior número 10) prêmios: vencedores ? 1 barra de cereal e 1 maçã; perde- 11) ao ?nal da gincana foram entregues informativos sobre a importância das frutas (Figura 1), para as crianças en- As crianças foram fotografadas durante a execução da Materiais utilizados: computador, impressora, papel sul- ?te, bexigas, bolas de gude, caneta, sacolas plásticas, barras de cereais e maçãs.

Gincana das verduras Objetivo: Realizar a abordagem inicial do assunto consu- mo de verduras com os nadadores, mostrando a importância Executores: Estagiárias da área de Nutrição Esportiva.

Modo de conduzir: 1) breve preleção sobre a importância das verduras na alimen- 3) cada participante atravessou a piscina chegando até uma das estagiárias, a qual estava na borda da piscina esperando o participante para fazer uma pergunta relacionada à palestra 4) o participante que respondesse a pergunta corretamente ganhava uma pulseira verde, a qual seria colocada no ato da resposta, mas se a pergunta fosse respondida errada ele 5) após respondida a pergunta o integrante da equipe voltava para a outra ponta da piscina para que o outro componente 6) ganhou o prêmio a equipe que teve o maior número de 7) prêmios: vencedores ? 1 barrinha com polpa de fruta e 1 8) ao ?nal foram entregues informativos sobre a importância das verduras (Figura 3), para as crianças entregarem aos Novamente as crianças foram fotografadas durante a Materiais utilizados: computador, impressora, papel sul?te, pulseiras verdes e vermelhas, barrinhas com polpa de fruta e canetas.

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Gincana dos legumes Objetivo: Realizar a abordagem inicial do assunto consumo de legumes com os nadadores, mostrando a importância destes alimentos na alimentação do atleta infantil.

Modo de conduzir: 1) breve preleção sobre a importância dos legumes na alimen- 3) com os olhos vendados, cada participante sentia o cheiro do legume cozido e tentava adivinhar o que era, se acertasse 4) após sentir o cheiro o participante que provasse o alimento ganhava 1 ponto, o que não quisesse provar não ganhava 5) ganhou o prêmio a equipe que obteve o maior número de 6) prêmios: vencedores ? 1 certi?cado; perdedores ? não 7) por ser a última gincana, foram entregues informativos (Figura 5) com orientações nutricionais para uma melhor performance dos atletas, para as crianças entregarem aos Materiais utilizados: computador, impressora, papel sul?te, batata, cenoura, chuchu e beterraba cozidos.

Resultados e discussão Participaram das atividades educativas 30 nadadores competitivos do clube, sendo 27% do sexo feminino e 73% do sexo masculino. A idade média das crianças foi de 11,06 As gincanas foram preparadas de forma que fossem diver- tidas e ao mesmo tempo informativas, pois estas ajudaram os atletas na ?xação do conteúdo dado na preleção antecedente à gincana.

Figura 5 - Informativo com orientações nutricionais para uma melhor performance dos atletas.

Na primeira gincana, sobre a importância das frutas, das perguntas realizadas durante a atividade, houve 90% de acerto e 10% de erro. Na gincana sobre as verduras, houve 75% de Dessa forma, considera-se que durante as gincanas os atletas mirins conseguiram aprender o conteúdo que foi ministrado, pois no momento das perguntas nas gincanas a Na última gincana, sobre a importância dos legumes, não No estudo de Jorge e Peres [13], realizado na cidade de Bauru, com crianças, foi demonstrada a importância da brin- Os autores veri?caram que a aplicação das atividades educa- tivas foi um processo agradável tanto para quem o elaborou, Experiências anteriores mostram que o fornecimento apenas de orientações orais representa discursos vazios e re- petitivos, falhos em promover mudanças na alimentação dos indivíduos [13,14]. Assim, a vivência dos conceitos, de forma lúdica e divertida é um facilitador no processo de aprendizado e aquisição de novos conhecimentos, especialmente por parte do público infantil.

junto de medidas que deve induzir as pessoas a atitudes tidas como desejáveis para a promoção da saúde e prevenção de doença, por isso a importância da utilização de estratégias que promovam o alcance dessa ?nalidade, entre elas, aulas 5.

Conclusão a criatividade aliada ao conhecimento técnico cientí?co, o qual foi transmitido de uma forma divertida e agradável, facilitando o aprendizado. 7. Os atletas mirins representam um grupo no qual a adoção de hábitos alimentares adequados e saudáveis é determinante a educação nutricional ser inserida desde a infância para os pequenos atletas, do mesmo modo como enfatizou a impor- tância da realização de atividades educativas para o aprendiza- 10. do, uma vez que estas auxiliam na ?xação do conteúdo, além cedo forem instalados nas crianças ?sicamente ativas hábitos alimentares saudáveis, voltados para a prática de atividade física e para a qualidade de vida, maior a probabilidade de que estes permaneçam na vida futura dos atletas, além de competitivos.

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Revisão Esteróides anabólicos no fisiculturismo Anabolic steroids in bodybuilding

Marcus Vinicius Grecco*, Charles Ricardo Morgan** *Educador físico e ?sioterapeuta, mestrando na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, **Fisioterapeuta, mestrando Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Resumo Os atletas de ?siculturismo utilizam os esteróides anabólicos com a ?nalidade declarada de aprimorar seu desempenho. A despeito dos avisos e alertas da comunidade cientí?ca e sanções impostas pelos órgãos administrativos de musculação, um número cada vez maior de atletas continua a tomar essas drogas. Adotando uma posição eticamente neutra na questão do uso da droga no esporte, este trabalho apresenta alguns fatos a respeito dos esteróides anabólicos assim como alguns posicionamentos éticos a favor e contra seu uso no esporte. Contudo, os problemas de dosagem, ciclos e marcas dos esteróides mais adequados para os ?sicultores precisam de respostas, por isso análise criteriosa de dados clínicos é necessária. Pesquisas experimentais são importantes para tomada de decisão clínica com mais segurança e os atletas devem ser informados pelos pro?ssionais Palavras-chave: fisiculturismo, esteróides anabólicos.

Abstract Bodybuilding athletes use anabolic steroids with stated purpose of performance improvement. In spite of scienti?c community alerts and punishments imposed by administrative doping agencies, a higher number of athletes are still using thses drugs. Adopting an ethically neutral position regarding this question, this study present some facts about anabolic steroids as well as some ethical positioning the pros and the cons of its use in sport. The problems of quantity and traces of steroids cycles more appropriate for bodybuilding need answers, so careful review of clinical data are needed. Research experiments are important for clinical decision-making with more security. The athletes should be informed by professionals who Key-words: bodybuilding, anabolic steroids.

Endereço para correspondência: Marcus Vinicius Grecco, Rua Ribeiro de Barros, 81/31,Vila Pompéia, 05027-020 São Paulo SP, E-mail: mvgrecco@ig.com.br

Introdução Os esteróides vieram para ?car. O tempo já provou isto, mas para conceituar-se esteróides, segundo Write [1], faz-se necessário o entendimento de certos termos como por exem- plo o metabolismo, signi?cando todas as funções do corpo envolvidas na produção, manutenção ou destruição de tecidos e das energias. Os processos de construção são citados como Outro conceito que precisa ser entendido é anabolismo ou processos miotrópicos: que é o processo de reparação, construção e crescimento dos tecidos. Os efeitos anabólicos associados a esteróides dizem respeito à síntese de proteínas para esta reconstrução. Já o catabolismo nada mais é do que o oposto do anabolismo, ou seja, o processo de quebra ou de Os hormônios são substâncias químicas segregadas de certa glândula que agem em um tecido alvo gerando um efeito especí?co. Para o ?sicultor o hormônio de maior interesse é a testosterona (hormônio sexual masculino). Esse hormônio tem duas funções básicas que é androgênica e anabólica. A androgênica regula o desenvolvimento das características secundarias masculina (timbre de voz, pêlos faciais, distri- buição de gordura etc) e a anabólica regula a manutenção e desenvolvimento da musculatura. A produção deste hormônio no organismo masculino é de 17 mg/dia, enquanto no femi- nino é de 0,25 mg/dia, daí a diferença de volume muscular entre os sexos. Portanto, Write [1] de?ne esteróides como: ?compostos sintéticos de derivação anabólica que imitam os efeitos do hormônio testosterona (minimizando os efeitos Defendis [2] fala que o anabolismo é o que mais interessa aos atletas que utilizam esteróides, pois promove a síntese de proteínas para a recuperação e crescimento dos músculos, devendo-se dar preferência por esteróides mais anabólicos e menos androgênicos, pois, além da construção muscular (anabólicos), os efeitos colaterais são menores. Ainda, comenta o autor, que um dos mais importantes atributos ligados aos esteróides é a capacidade de retenção e armazenamento de nitrogênio, conseguida através da estimulação da síntese de proteínas. O nitrogênio é o componente básico da proteína, e o esteróide na corrente sangüínea contribui para ativar os genes responsáveis pela síntese protéica. Modi?cando o potencial dos genes, haverá modi?cação do metabolismo e conseqüentemente do anabolismo, in?uenciando na cons- Segundo Siegel [3], quando o ?sicultor está em ciclo de esteróide deve ingerir bastantes vitaminas e minerais, pois se acredita que esses nutrientes estejam em sinergismo com a droga (ajudam ou facilitam os esteróides na síntese de proteí- nas), na retenção do nitrogênio. Os anabolizantes sozinhos são inúteis para promover aumento de força e volume muscular se a alimentação não for adequada, assim como um trabalho de musculação pesado.

Hat?eld [4] comenta que nem todas as moléculas dos esteróides atingem as células e permanecem ?utuando na corrente sangüínea e ao passarem pelo fígado são hidrolizadas em 17 cetosteróides. A estrutura modi?cada da molécula de esteróide que permanece ?utuando na corrente sanguínea, eventualmente, é recebida por outro tipo de receptor e pode in?uenciar diferentes mecanismos no corpo, e esta reação, Torna-se uma das razões de alguns efeitos colaterais causados Na opinião de Akis [5], o nível de massa muscular depende do potencial genético individual (quantidade de mitocôndrias nos músculos favorecendo a recuperação), e não, da maneira pela qual o atleta favorece o crescimento do músculo, inten- si?cando os treinos ou usando drogas. As drogas não fazem Wadler [6] diz que o metabolismo do carboidrato, da proteína, do lipídeo (gordura) e a eliminação, desintoxicação ou inativação de substâncias como a uréia, a bactéria, os hor- mônios (ex. esteróides anabólicos) e outras matérias nocivas são funções do fígado. Nos ?sicultores que usam esteróides, os efeitos das interrupções das funções do fígado em longo prazo são desconhecidos. Os efeitos em curto prazo foram mínimos e reversíveis ao cessar o uso de esteróide. Contudo, pode ocorrer a hepatite tóxica causada pelo uso continuado Viana [7] e Wadler [6], em seus estudos, comentam a relação da hipertensão como equilíbrio ?uido/eletrólito, dizendo que, muitos dos ?sicultores usuários de esteróides apresentam retenção de água (edema) no organismo, que Segundo Santarém [8], quando os ?sicultores adminis- tram esteróides não existe mais necessidade de segregação da quantidade normal de testosterona, sem isso, os testículos se atro?am e ocorre a eliminação na produção de espermatozói- de. O autor também comenta que o excesso de drogas pode fazer surgir, no corpo do ?sicultor, a ginecomastia, ou seja, a ?acidez em torno dos mamilos acompanhados de nódulos e sensibilidade no local. Quando o esteróide tem alto teor de componente androgênio leva o atleta a ser muito agressivo Complementam outros efeitos de casos clínicos isolados: como queda de cabelo, câncer, náuseas, ossi?cação prematura, disfunção gastrointestinal, sonolências, epistaxe, interrupção Já Colgan [9] relata que nos homens as drogas podem ter efeitos virilizantes, incluindo funções como o crescimento da vesícula seminal, do pênis, da próstata, aumento da puberdade e libido, mas não se sabe ainda até que ponto estas alterações podem chegar. Na mulher pode acontecer aumento do clitóris McArdle & Katch [10] discutem um pouco sobre os males dos esteróides sobre o sistema músculo-esquelético, descrevem que quando os atletas iniciantes fazem uso de

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esteróides seus músculos aumentam de volume e os tecidos conectivos e tendinosos não acompanham a progressão po- dendo causar lesões. O volume anormal conseguido através das drogas pode tornar o músculo um tecido estruturalmente mais fraco. Adjudicam ainda, que usando drogas, as glândulas paratireóides ? responsáveis pela distribuição do cálcio pelo organismo ? podem trabalhar em excesso desviando o cálcio dos ossos para os músculos causando a osteoporose. Outro efeito apontado, quando termina o ciclo pode acontecer um enrijecimento nas articulações acometidas de dores, podendo Em seu estudo, Brainun [11] aponta que os atletas normais e saudáveis adaptaram o uso de esteróides em casos terapêu- ticos, para facilitar o desempenho no esporte, pois a droga aumenta o volume e a força muscular. Certa quantidade de força pode ser conseguida através da ação histológica resul- tante do aumento de ?uído celular (sarcoplasma) e edema em geral (retenção de água). Há ainda o aumento de volume muscular que é conseguido com o crescimento mio?brilar e o aumento do ?uido celular. Entretanto, permanece como con- dição prévia: para o máximo aumento de força e volume deve Salgado [12] relata que os ?sicultores que tomam este- róides aumentam a agressividade positiva fazendo com que treinem com mais a?nco; comenta também, que muitos deles, fazem uso de esteróides por achar que a massa muscular, a partir de um determinado estágio, não aumentará mais sem Wadler [6] aponta, ainda como benefícios, o uso de es- teróides em casos terapêuticos, para combater anemia, repor hormônios, peso abaixo do normal, infecções, osteoporose, estimular cicatrização etc. Em curto prazo os esteróides são seguros desde que tomadas as devidas precauções determina- das na bula. Os fabricantes e médicos contra-indicam o uso para gestantes, portadores de nefrose, obstrução biliar, câncer, lesões hepáticas, cardíacos e diabéticos. Foram observados efeitos colaterais irreversíveis somente em mulheres devido Segundo Voy [13], o uso das drogas tornou-se altamente so?sticado através de casos de auto-experimentação, que deram aos atletas um conhecimento, muitas vezes superiores aos dos médicos (na área prática), tornando-se um modo de vida profundamente difundida dentro do esporte (muscula- ção). O fato de que as drogas funcionam, tornou-se evidente a todos que pretendem aumentar a força e volume muscular e as tentativas legais de produção serviram para aumentar o Segundo Everson [14], o uso de esteróides pode ser bom desde que miniminizado seu efeito negativo e maximizado seu efeito positivo. Quem consegue esses efeitos são os ?pioneiros? que começaram a utilizar vários métodos de ciclos das drogas para minimizar os riscos, sempre alertas para as novas drogas ou métodos utilizados para melhorar suas performances. Os atletas reconhecem as limitações da ajuda ergogênica que estão adotando e tem como normas a assistência médica para a monitorização de seu organismo e melhorar técnicas de treino. Como pioneiros, os atletas avaliam cuidadosamente a relação vícios e benefícios, continuando com cautela e mente Yesalis [15] comenta alguns pontos sobre essa nova ética que ronda o ?siculturismo, fala que não se consegue benefício algum através de teste antidoping em competições, pois, os atletas mais so?sticados sempre encontram uma maneira de mascarar o uso de drogas, criando uma atitude mais desleal do que aquela que os testes pretendem eliminar. As formas de tentativa de ludibriar os testes são mais perigosas que as Write [1] fala que nenhuma pesquisa ou evidência mostra que os ?ns são maiores que as recompensas, mediante o uso adequado de esteróides. As drogas estão à disposição de todos e a solução é a educação e o avanço cientí?co esclarecendo O uso da droga em um ?sicultor normal e saudável pode melhorar seu desempenho, mas é duvidoso que esta mesma droga o fará mais saudável.

Dieta e alimentação Segundo Siegel [3], quando o ?sicultor estiver usando droga a alimentação deve conter uma ingestão de 500 calorias a mais por dia, devendo ser rica em proteína para suprimento desta necessidade calórica extra e também rica em aminoáci- dos essenciais. O motivo desta quantidade de calorias a mais em uma dieta deve-se ao fato de a biossíntese muscular ser acelerada devido ao uso das drogas chegando a ganhar cerca de meio quilo por ciclo (nas primeiras semanas). O autor ainda recomenda que se devem reduzir os níveis de manutenção as calorias quando cessado o uso de esteróides. Cada refeição deverá conter farinhas integrais, cereais, vegetais, ovos, frutas e leite e seus derivados e fígado, para aumentar o volume de sangue no corpo. Suplementar a dieta com vitaminas, minerais e enzimas de boa qualidade, já que os alimentos ingeridos poderiam não ter os nutrientes necessários para potencializar os ganhos de volume muscular durante o ciclo. Recomenda fazer 6 refeições ao dia com os nutrientes básicos, pois facilita Yessis [16] comenta que existem produtos naturais que têm o mesmo efeito que os esteróides anabólicos (aumento de força e massa muscular), mas com a vantagem de não causarem efeitos colaterais. Os mais estudados foram: a tirosina, que produz a norepinefrina, um neurotransmissor com a capacidade de aumentar a atividade mental, reduzir a fadiga e depressão e funciona também como liberador do GH ? hormônio de crescimento importante para a síntese protéica; a inosina que é um aminoácido que ativa o sistema nervoso e contrações musculares, produzindo uma força comparada à dos esteróides; GO ? uma substância extraída do óleo de farelo de arroz que age sobre o hipotálamo e faz

desenvolver a massa muscular. Este regula a glândula pituitária que é responsável pela liberação e produção de testosterona e estrogênio, entre outros.

Métodos para uso de esteróides anabólicos Para Fox & Matheus [17] existem várias maneiras para o ?sicultor manipular as drogas, uma dessas formas é o Stacking, que é o ato de usar mais de um esteróide anabólico ao mesmo tempo, pois, acredita-se que as drogas agem em sinergismo, uma ajuda à outra em suas funções. Na maioria das vezes os atletas usam uma oral e a outra injetável. Há ainda uma segun- da forma: o plateaning que segue um programa de ciclagem, não se usa a mesma por tempo su?ciente para que o corpo se habitue, resolvendo o problema da estabilização ? quando os atletas percebem que as drogas não estão fazendo mais efeito de ganho de massa muscular. Uma terceira forma de manipu- lação de drogas é o staggering, que é um método para evitar a estabilização de uma ou duas drogas. Os usuários optam por largarem estas e usarem outras, acreditando continuar o Write [1] comenta sobre outros dois métodos usados, o taperig é o método mais seguro para não interromper o ciclo e parar repentinamente a dosagem e, sim, reduzir lentamente por um período de 4 a 6 semanas ? sendo maior o tempo de uso, mais longo deverá ser o tempo de diminuição ? e o shotgunning que é outro método (abusivo) que consiste em tomar vários tipos de drogas na esperança de que na falta de Segundo Voy [13] e Yesalis [15], embora existam dife- renças nos esteróides, a coisa não funciona desta forma. O interesse principal do ?sicultor é a retenção de nitrogênio para o crescimento muscular e nesta área todos os esteróides agem da mesma forma, sendo inútil a ingestão de vários. Cada esteróides tem uma ?vida média?, que signi?ca o período de tempo que a droga permanece ativa antes de ser aromatizada ou hidrolizada. Aqueles que fazem uso de esteróides desenvol- veram a perigosa idéia de que quanto mais, melhor. Isto não é a crença correta, mesmo porque existem riscos potenciais Wadler [6] diz que a maneira e?ciente para determinar a dosagem é através da manutenção de um relatório de trei- namento diário, monitoração dos efeitos colaterais, tanto visualmente como por exame de sangue, e com assistência médica. São comuns os atletas que se dedicam a um trei- namento intenso com peso regular e uso de esteróides com base na seguinte fórmula: 1 mg por quilo de peso corporal ao dia. Mas para Leibovitz [18] esta dosagem é considerada alta, e segundo o autor, já existem casos em que essas doses Kawaushi [19] comenta que ciclo refere-se a manipula- ção da dosagem e tempo duração dos esteróides de acordo com o programa de treinamento. É impossível relacionar inúmeros ciclos que vem sendo utilizados através dos anos, bem como os motivos para que estes diferentes ciclos sejam Defendis [2] cita alguns ciclos que obtiveram sucesso ma- ximizando seus benefícios e minimizando os riscos das drogas usadas por vários ?siculturistas: o ciclo dura 6 semanas com um intervalo de 2 a 3 semanas entre eles. Durante 6 semanas, administra-se a droga, a partir deste tempo a dose é diminuída continuamente, permitindo ao corpo voltar gradualmente Os ciclos curtos ou infreqüentes de altas doses produzem resultados que passam rapidamente, já que os aumentos de volume e força provêm da retenção de água/ ?uido e da ação histológica. A ciclagem em longo prazo permite um aumento mais acentuado, em elementos mio?brilares da célula, o que A maioria dos esteróides se estabiliza em 6 ou 7 semanas e o procedimento da primeira dose de esteróides deve ser injetá- vel, pois os orais são mais tóxicos e possuem efeitos colaterais maiores, exceto aquele com menor porcentagem de androgênio que é menos tóxicos para o fígado. Os cientistas conseguiram manipular a estrutura química da molécula base da testosterona de tal forma que o efeito, antes de ser aromatizado ou hidro- lizado, é prolongado no sistema, além disso, alguns esteróides orais tiveram sua estrutura modi?cada de tal forma que não Hat?eld [4] mostra, nos quadros 1 e 2, que após a com- petição deve utilizar-se um programa de dosagem para ?fora de temporada?, ou seja, decrescente, a ?m de ?normalizar? as funções do corpo. Podem-se usar injeções de Primoblan e também um oral com taxa baixa de androgênio. (Ex. Anavar) nas últimas três semanas caso exista problema de redução do peso corporal.

Anabolizantes, marcas e procedências Everson [14] fala de algumas drogas injetáveis usadas pelos atletas, tais como Dianabol (EUA) conhecida também como Anadrol 50 e usada para o desenvolvimento de volume e força, possuindo 40% de teor androgênio; Maxibolin (EUA) e Winstrol (EUA), usada para o desenvolvimento de volume com 10% de androgênio; Primobolan e Equipoise (EUA) que são drogas veterinárias para garanhões com 20% de teor androgênio, Deca Durabolin, Durateston e Parabolan todos de origem norte-americana e que são as mais perigosas para Viana [7] cita drogas orais como, por exemplo, Halotestim (EUA) usado para o aumento de volume e força com 40% de androgênio. Winstrol usada para ganho de volume com 20% de teor androgênio; Maxibolin e Proviron (EUA) ambas com 20% de androgênio e usada somente para ganho de volume e a terceira é a Oxandrolone (EUA) com 40% de androgênio e usada para ganho de volume e força. O autor observa que os esteróides mais seguros em relação aos efeitos colaterais são os mais anabólicos e menos androgênicos.

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Período fora de temporada Oral (ex. Anavar, Maxobolan ou Winstrol) Decadurabolin ou Primobolan) Gonadotrofina coriônica 1 e 2 semanas (começar os exames de sangue) 50 mg/dia 300 mg/semana 3 e 4 semanas (exame de sangue) 25 mg/dia 200 mg/semana 5 e 6 semanas 0 100 mg/semana 7 e 8 semanas 0 0 2cc a cada 2 dias Pré-temporada Oral Injetável Observação 6 semanas 20 mg D.bol/dia 100 mg/semana Caso seja necessário o uso de diuréticos antes das competições os fisicultores compensam com acrescí- mo de vitaminas protéicas Começam os preparativos Último dia: começam os diuréticos, quando com 5 semanas 40 mg D.bol/dia 200 mg/semana 4 semanas 20 mg D.bol/dia 50 mg D.Androl/dia 3 semanas 100 mg Androl/dia 300 mg/semana 2 semanas 50 mg Androl/dia 10 mg Halotes/dia 400 mg/semana 1 mg 1 semana 50 mg Androl/dia não é necessário 20 mg Halotestin Voy [13] comenta que na obsessão de alcançar o primeiro lugar, alguns ?sicultores se submetem ao uso de produtos inconcebíveis, usam anabolizantes feito de substância tirada de hormônios de boi, de placenta de mulheres grávidas, de mamilos de cachorro no período do cio, entre outros. O autor cita também drogas auxiliares dos anabolizantes usadas pelos ?sicultores: Periatrim é usado para aumentar o apetite, pois muitas drogas tiram a fome o que seria prejudicial para desenvolvimento. O Periatrim torna o apetite voraz, mas pode causar asma e glaucoma. Gonadotropina corionica e Clomid são usados pelos ?sicultores para que as taxas de espermatozói- des voltem ao normal depois de um ciclo e não usá-las mais do que 3 semanas após termino do ciclo. A dosagem deve ser de 2 cc por dia e enquanto a gonadotropina corionica atua McArdle & Katch [10] falam sobre outras drogas como: Sinemed, que é usada para aumentar o GH no organismo podendo causar náuseas e vômitos; Exobolina é uma droga alemã que é e?caz na síntese de proteína relacionada quimi- camente com a vitamina B 12 não sendo considerado um esteróide; Wydase ? ingerida subcutaneamente em vários pontos do corpo, onde há mais depósitos de gordura ? é usada como ?difusor? para outras drogas e reduz tempora- riamente a gordura subcutânea, tempo bastante para fazer um trabalho de de?nição muscular e competir, presume-se Os autores continuam comentando que existem dezenas de drogas sendo utilizadas geralmente de forma indiscriminada na ânsia de melhorar a desempenho. A melhor forma de proceder é procurar um médico desportivo que informe tudo que o ?sicultor precisa saber.

Passando pelo teste antidoping Sparkman [20] nos mostra métodos so?sticados para ludi- briar o teste antidoping existente no esporte. Os dois métodos mais usados em conjunto são: o uso de drogas substitutivas e a ciclagem. Como exemplo cita a utilização da gonadotropina que eleva o teor da testosterona do organismo ao seu nível normal, de modo que a testosterona ingerida ou injetada não possa ser detectada. Cita outro exemplo que é o do GH, que vem sendo usado há muito tempo e não foi detectada até o momento. Muitos ?sicultores, no ?nal da quarta ou sexta semana de preparação para a competição, mudam para este- róides de curta duração, interrompendo também o uso destes Salgado [12] diz que, como padrão, as drogas orais não são detectáveis se interrompidas 3 a 4 semanas antes, enquan- to as injetáveis permanecem no corpo até 2 meses depois de sua administração. A probenecida é um produto usado pelos ?siculturistas na tentativa de mascarar a presença de drogas no organismo, mas sua e?ciência não foi totalmente Write [1], durante um campeonato Nacional de ?sicultu- rismo nos EUA, em 1990, fez uma pesquisa sobre o uso de anabolizantes obtendo o seguinte resultado: dos 61 ?sicul- turistas entrevistados, 45 usavam esteróides (admitiram); um terço dos atletas acharam que o teste antidoping faz com que diminuam o consumo de esteróides; 70% deles têm usado outros métodos (anfetaminas, diuréticos e insulina); 20% usam GH; 80% falam que um nível de separação muscular e manutenção da massa não são conseguidos sem esteróides.

O autor descobriu também que alguns ?siculturistas que ingerem vários tipos de anabolizantes, durante o período com- petitivo, tentam escapar dos testes antidoping reintroduzindo Outro grupo interessante descoberto é aquele que utiliza ciclos pesados fora de temporada competitiva e aumentam incrivelmente seu peso, então largam as drogas meses antes para que desapareçam do organismo; nesse período sem es- teróides tentam manter seus pesos através de treinos e uma Wadler [6] tendo contato com ?siculturistas descobriu que 90% deles estão cientes sobre alguns aspectos importantes do uso das drogas. Os ?siculturistas utilizam um programa administram drogas orais com intervalos, pois sabem que os efeitos colaterais são menos graves, e são difíceis de serem detectadas, quando interrompidas 3 a 4 semanas antes de competição. São orientados por médicos desportivos e têm consciência de que não adianta fazer ciclo se não tiverem uma alimentação e um treino intenso. Estão conscientes também de que as drogas podem acelerar a predisposição genética de doenças e as drogas orais, em doses exageradas, representam perigo maior de que qualquer outra forma de ingestão, pois submetem ao fígado uma carga de trabalho exagerado.

Como interpretar os resultados do exame de sangue Segundo Hat?eld [4], o quadro 3 enumera vários com- ponentes do sangue (soro) que são tipicamente incluídos dos exames de sangue pedidos antes da administração do esteróides ou da terapia com esteróides. Estão apresentadas as variações ?normais? para cada componente. Existem poucos dados que permitam uma classi?cação como ?normal? no caso de um ?sicultor submetido a um treinamento intenso de musculação ou esforço extremo. A hipertro?a muscular, aumento de volume muscular, também tende a elevar algumas das taxas. Portanto, uma variação acima da ?normal? seria adequada aos ?siculto- res. Em ?sicultores submetidos a treinamento estressante são comuns os níveis de DHL e TGO estarem altos, mas não é comum haver taxas de 10% a 20% acima da variação ?normal? para estas duas enzimas séricas. A taxa elevada se deve ao stress Abaixo o autor explica o signi?cado de cada um dos itens citados no quadro 3 de interesse para o ?siculturista, enquanto Os aumentos e diminuições de cálcio no plasma sangüíneo se devem a muitos fatores diferentes, mas um dado signi?- cativo para o ?siculturista é o fato de que o uso freqüente de diuréticos, como Lasix, pode causar a diminuição deste. Uma taxa anormalmente alta pode indicar a ingestão de grandes doses de vitaminas D. O uso de esteróides não parece ser um A elevação de fósforo no sangue pode estar associada ao hipertiroidismo e secreção elevada de hormônios de cresci- mento. Nesta variação os esteróides parecem não ser fatores Com relação à glicose, há que se frisar que os esteróides podem alterar signi?cativamente a tolerância de açúcar no sangue. O nível elevado de glicose pode ser um sinal de con- A uréia é um produto derivado da quebra de proteína no fígado, e é segregada pela urina. O alto nível de NUS pode ser sinal de insu?ciência renal. O ?siculturista deve saber que a ingestão anormal de proteína pode causar uma discreta a moderada elevação do NUS, da mesma forma que o catabo- Elevações do ácido úrico podem signi?car gota, insu- ?ciência renal, ou insu?ciência cardíaca congestiva. Para o ?siculturista a consideração mais importante é que a hipe- Os esteróides anabólicos parecem não alterar as concentrações A hipercolesterolemia, não concomitante com elevações de bilirrubina e fosfato alcalino, pode signi?car doença no fí- gado. Os esteróides anabólicos podem freqüentemente causar elevações no colesterol, ao mesmo tempo em que causa uma diminuição na alta densidade de lipoproteínas. Neste caso Através do processo de modi?cação eletrônica da solução sérica (eletroforese), as proteínas do sangue tendem a ser acamar, possibilitando a determinação precisa dos níveis. A variação normal entre a albumina e a globulina é de 3,2 - 4,5 mg/dl e 2,3 - 3,5 g/dl respectivamente. A elevação da globulina e diminuição da albumina, ou seja, a variação inversa AG, Embora um nível normal de bilirrubina total elimine qualquer de?ciência na função excretora do fígado, um nível elevado de bilirrubina total pode ser freqüentemente indicati- vo de icterícia obstrutiva. A bilirrubina é um produto derivado Da mesma forma que o colesterol, os triglicérides podem ser relacionados com a doença da coronária. A eletroforese é utilizada para distinguir as diferentes classi?cações da hi- perlipidemia (o colesterol, os triglicérides, e fosfolipídios são classi?cados como lipídeos e circulam no sangue agregados a Existem muitas causas para a taxa elevada de CF (Creatina Fosfoquinase), incluindo: injeções intramusculares; exercícios vigorosos; doença no músculo esquelético; infarto no miocár- Parece normal que os ?sicultores que treinam muscula- ção possuam valores elevados de CF, embora na presença de outros sintomas ou taxas sangüíneas elevadas estas devem Quando existe uma taxa extremamente alta de fosfatase alcalina juntamente com testes elevados de função do fígado, geralmente suspeita-se de uma doença hepática. Se a leitura fosfatase alcalina estiver alta sem a correspondente elevação

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dos testes de função do fígado, pode haver suspeita de do- A deidrogenase láctica é uma enzima envolvida na oxige- nação dos ácidos lácticos e pirúvicos. Portanto é encontrada em muitos tecidos do corpo, especialmente nos músculos esqueléticos. Praticamente qualquer lesão nos tecidos provoca elevação nas leituras do DHL. A fonte exata da elevação da lei- tura pode ser detectada através da eletroforese. Como muitas doenças podem estar associadas às elevações de DHL, devem ser feitos testes adicionais, particularmente relacionados com A TGO é uma enzima que cataliza a conversão de ami- noácidos em certos ácidos e vice-versa. É encontrada no coração, fígado, músculos esqueléticos, rim e ossos. As células dani?cadas provocam elevação nas taxas de TGO e o local exato da lesão pode geralmente ser determinado através de outras leituras elevadas dos testes. As taxas geralmente chegam ao pique nas 6 horas após a lesão, e voltam ao normal em mais ou menos 6 dias. Não são incomuns os níveis de TGO estarem elevados em atletas em treinamento intensivo, já que os músculos esqueléticos são submetidos a consideráveis Os esteróides anabólicos imitam a ocorrência normal de testosterona, inibindo assim sua secreção. Não são incomuns os níveis de testosterona caírem para bem abaixo do normal durante o uso de esteróides (homens e mulheres). Este efeito é Os eletrólitos em geral podem ?utuar no corpo depen- dendo de vários fatores tais como ambiente, diversas drogas sendo usadas, existência de certas doenças etc. De importância para o ?sicultor é o fato de que o uso de esteróides assim como o intenso calor pode causar desequilíbrio discreto ou grave de eletrólitos. O uso de diuréticos também provoca butazolidina). Como os eletrólitos desempenham um papel importante na função muscular, é comum ocorrer a perda de Hat?eld [4] insiste que o ?sicultor que está fazendo uso de esteróides anabólicos ou outras drogas, ou planejando usá-los, deve fazer um exame de sangue completo e procurar um médico especializado em medicina desportiva para a A listagem acima foi somente para informar aos usuários em potencial de alguns perigos, armadilhas. Muitas das taxas estão relacionadas de formas complexas. Além do mais, os componentes do sangue podem variar consideravelmente de um dia para outro, dependendo da droga, dosagens e outros fatores. São importantes que este exame seja repetido inúmeras vezes, especialmente durante um ciclo pesado de uso da droga, Os efeitos da maioria dos esteróides estão relacionados tanto com a dosagem como o tempo de uso, podendo causar ?utuações variáveis em muitas taxas do sangue em períodos bastante curtos de tempo.

Para Sparkman [20] é importante observar que a inter- rupção do uso da droga irá causar uma volta imediata aos níveis normais dos elementos sangüíneos. Além disso, existe prova cientí?ca de que as taxas do sangue não se elevam de modo signi?cativo ? e mesmo que isso ocorra, voltam ao normal rapidamente ? durante o segmento de um programa de diminuição da dose com interrupções de esteróides ana- O ponto que tem sido enfatizado através de todo trabalho, é que o uso adequado dos esteróides pode certamente reduzir os perigos - somente um idiota se voltaria contra o que a ciência e a experiência têm para oferecer.

Quadro 3 ? Descrição sobre a variação normal dos componentes Item Variação normal Cálcio 8,5 - 10,5 mg/dl Fosfato Inorgânico 2.5 - 4,5 mg/dl Glicose (Lm jejum) 70 -110 mg/dl NUS (Nitrogênio Oléico no Sangue) 10-26 mg/dl Ácido Úrico 2,1 - 7, 8, mg/dl (Homens) 2,0 - 6,4 mg/dl (Mulheres) Colesterol 150-300 mg/dl Proteína Total 6,0 - 7,8 mg/dl Bilirrubina 0,1 - 1,2 mg/dl Triglicérides 10 -190 mg/dl Creatina Fosfoquinase 55 - 170 Ul (Homens) 30 -135 Ul (Mulheres) Fosfatase Alcalina 30 - 85 mU/dl DHL (Dehidrogenase Láctica) 100 - 225 mU/dl TGO (Transaminase Glutamico Oxalo-Acético) 8 - 33 U/ml TGP (Transaminase Glutamico- Perubico) 1 - 36 U/ml Testosterona 246 - 1238 mg/dl (Ho- mens) 30 - 120 mg/dl (Mulheres) Sódio 136 - 142 mbq/l Potássio 3,8 - 5,0 mbq/l

Conclusão O uso de esteróides anabólicos tornou-se um modo de vida profundamente arraigado dentro do esporte e em todo o mundo. O fato de que funcionam, tornou-se evidente a todos os atletas que querem ganhar força e volume, chegan- do a ser mais predominante nos esportes de resistência para aumentar a resistência muscular. As tentativas de proibição legal serviram apenas para exacerbar o problema do abuso da droga. Podemos dizer que a educação é a única forma de A pouca pesquisa feita a respeito do uso de esteróides anabólicos no esporte demonstrou claramente a existência de

algumas linhas de condutas que ajudam a minimizar os riscos 3. envolvidos e manter os benefícios em nível de utilidade para os ?siculturistas. Estas linhas de conduta foram apresentadas 4. neste trabalho, principalmente falando nos ciclos, dosagens, métodos de uso de esteróides e outras drogas que auxiliam Em sua procura de vencer, os atletas tentam enganar os testes que lhes são impostos pelas respectivas autoridades des- 7. portivas. Alguns dos métodos mais utilizados para falsear os testes foram enumerados, sendo que os principais são o uso de 8. drogas substitutivas e o da ciclagem. A somatotropina (GH) é muito usada para ludibriar os testes, pois eleva a testosterona 9. ao seu nível normal de modo que a testosterona ingerida ou injetada não possa ser detectada, já que a testosterona sinté- tica diminui a testosterona endógena. Os esteróides orais são também muito usados, pois desaparecem rapidamente do sangue, mas são altamente tóxicos para o fígado. 12. O que foi citado acima é o que está acontecendo no mun- do dos esportes, não se podem desculpar estas práticas, mas 13. pode-se chamar a atenção de todos os ?sicultores que fazem 14. uso ou pretendem usar drogas de qualquer tipo para que pro- curem a maneira mais e?caz para fazê-lo. Isto sempre implicará 15. em: informar-se sobre as drogas a serem usadas; procurar auxílio de um médico competente em medicina desportiva e 17.

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Revisão Aspectos físicos e fisiológicos do jovem jogador de futebol Physical and physiological aspects of young soccer player

Giovani dos Santos Cunha*, Alvaro Reischak de Oliveira* *Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Escola de Educação Física - LAPEX - Porto Alegre/RS

Resumo O futebol é um dos esportes mais populares do mundo e seu desempenho depende de vários aspectos, como os fatores técnicos, táticos, físicos, ?siológicos e psicológicos. Durante uma partida de futebol, os jogadores percorrem em média 10 km, sendo a corrida a atividade predominante, mas exercícios de explosão como sprints, saltos, marcação e chute são importantes para o desempenho no futebol. A intensidade de trabalho durante uma partida de futebol é muito próxima do limiar anaeróbio (LAn). Os valores de LAn em jovens jogadores de futebol são compreendidos entre 80-90% da FC- ou entre 75-90% do VO . Tradicionalmente, jovens jogadores máx 2máx de futebol possuem valores de VO inferiores a 60 ml.kg-1.min-1, 2máx estes valores podem ser in?uenciados pela posição tática, tempo de treinamento e pelo processo de maturação biológica. A maturação biológica tem um impacto relevante no processo de detecção de talentos, pois é relacionada com o desempenho técnico e físico, no qual atletas mais avançados no processo maturacional possuem maiores níveis de força, potência e capacidade aeróbia em relação Palavras-chave: futebol, limiar anaeróbio, consumo máximo de oxigênio.

Abstract Soccer is one of the most popular sports in the world, and its performance depends on many aspects, such as technical, tactical, physical, physiological and psychological factors. During a soccer match, players cover distances around 10 km, with running as the predominant activity. But sprints, jumps, marking and kicking are other important aspects to soccer performance. Physical work inten- sity during a soccer match is very close to the anaerobic threshold (LAn). LAn values of young soccer players are between 80-90% of maximum heart rate or between 75-90% of VO . Traditionally, 2max young soccer players have VO values less than 60 ml.kg-1.min-1, 2max and these values may be in?uenced by tactic position, years of training and biological maturation process. Biological maturation has a relevant impact upon the process of talent detection because it is related to technical and physical performance. More advanced athletes in regard to biological maturation process have higher levels of strength, power and aerobic capacity in relation to less advanced Key-words: soccer, anaerobic threshold, maximal oxygen uptake.

Endereço para correspondência: Giovani dos Santos Cunha, UFRGS/ESEF ? LAPEX, Rua Felizardo, 750, 90690 -200 Porto Alegre RS, E-mail: giovanicunha@yahoo.com.br

Introdução Atualmente existe uma limitação de estudos sobre os efeitos do exercício físico e do treinamento desportivo sobre o metabolismo das crianças e adolescentes [1-12]. Mais espe- ci?camente no futebol, que é um dos esportes mais populares do mundo [13], praticado por homens, mulheres e crianças com diferentes níveis de desempenho [14], a maioria dos es- tudos com crianças são referentes à força e velocidade [15-17], padrão de atividade física durante o jogo [18, 19] e consumo 2máx O VO de jogadores de futebol internacional varia de 2máx 50-75 ml.kg-1.min-1 [16,18,21-27], sendo que esta capaci- dade ?siológica está relacionada com a posição tática. Os valores de limiar anaeróbio (LAn) em jogadores de futebol são compreendidos entre aproximadamente 80% e 90% da freqüência cardíaca máxima (FC ). Estima-se que a máx intensidade de trabalho médio, mensurado como %FC máx durante uma partida de futebol coincida como os valores de Embora estes valores de VO e LAn sejam evidentes em 2máx jogadores adultos, em jovens jogadores de futebol ainda não existe um consenso sobre o comportamento do VO e do 2máx A maturação biológica é referida como o progresso em dire- ção ao estado biologicamente adulto, que varia em timing e tempo [32] é um fator relevante na detecção de talentos e no treinamento [33,34]. Poucos estudos investigaram a relação entre o VO e a maturação biológica [35], entretanto, al- 2máx gumas evidências sugerem que ela possa in?uenciar o VO 2máx Torna-se importante identi?car o comportamento do VO e do LAn durante o processo de maturação biológica 2máx em jovens jogadores de futebol, para podermos prescrever e controlar o treinamento de forma adequada a cada etapa do crescimento destes atletas, visto que, o VO é considerado 2máx o melhor indicador de potência aeróbia [13,35,39] e o LAn é considerado o indicador mais sensível às alterações aeróbias Neste sentido, devido a limitações de estudos sobre os aspectos físicos e ?siológicos do jovem jogador de futebol, esta revisão abordará aspectos referentes às demandas físicas do futebol e a in?uência da maturação biológica sobre o VO 2máx e LAn em jovens jogadores de futebol.

Demandas físicas do futebol O desempenho no futebol é multifatorial, onde podemos citar de forma resumida os fatores técnicos, táticos, físicos, ?siológicos e psicológicos [43]. Especi?camente, o futebol necessita de atividades físicas intermitentes, em que a se- qüência de ações requer uma variedade de habilidades em diversas intensidades. A corrida é a atividade predominante, mas exercícios de explosão como sprints, saltos, marcação e chute são fatores importantes para o desempenho no futebol [15]. Outro fator importante para o futebol é à distância percorrida, que em uma partida de futebol de alto nível são Muitos estudos têm apresentado que jogadores de meio- campo percorrem grandes distâncias durante o jogo e que jogadores pro?ssionais percorrem maiores distâncias do que jogadores amadores [44]. No 2º tempo, a intensidade do jogo diminui em relação ao 1º tempo, onde a distância percorrida A posição tática dos jogadores in?uencia a distância per- corrida durante uma partida, na qual os zagueiros percorrem aproximadamente 7700-9700 metros (m), meio-campistas A distância percorrida tem sido classi?cada como padrão de atividade física, como caminhar, trotar, correr, sprint e corrida de costas. Durante a partida, os jogadores percorrem caminhando aproximadamente 1000-3500 m, trotam 2000- 6000 m, correm 1000-2000 m, sprint 300-500 m e corrida Durante o jogo, um sprint ocorre aproximadamente a Os sprints constituem de 1-10% da distância percorrida total durante o jogo [44], que corresponde a 0,5-3,0% do tempo efetivo de jogo [47]. No contexto de endurance do jogo, cada jogador realiza entre 1000-1400 atividades de curta duração alternadas a cada 4-6 s [44,47]. As atividades realizadas no jogo são aproximadamente de 10-20 sprints, corridas de alta intensidade a cada 70 s, 15 desarmes, 10 cabeçadas, 50 envolvimentos com bola, 30 passes, além de mudanças de direção e grande esforço muscular para manter o equilíbrio e o controle da bola contra a pressão da defesa [47]. Mohr et al. [44] reportaram que laterais e atacantes realizam sprints em maiores distâncias do que zagueiros e meio-campistas. Da mesma forma que a distância percorrida, a capacidade de realizar sprint também diminui ao ?nal da A maioria dos resultados são referentes a jogadores pro- ?ssionais, por isso, Castagna et al. [19] veri?caram o padrão de atividade física de jovens jogadores de futebol durante os jogos (idade 11,8 anos), onde a duração de cada jogo era de 60 minutos e as medidas do campo eram de 100 x 65 m. Foi veri?cado que a distância percorrida total era de 6175 m, sendo que 1112 m e 32 m foram percorridos caminhando e caminhando de costas respectivamente. Em média os joga- dores percorriam 3200 m em baixa intensidade, 986 m em Em média 34 sprints com duração de 2,3 s eram realizados durante a partida, com velocidades máximas de 18 km.h-1, o tempo entre cada sprint foi de 118,5 segundos. A distancia percorrida diminuía 5,53% entre o 1° e o 2° tempo. Os autores concluíram que o padrão de atividade de jovens jogadores de futebol é intermitente e às vezes desempenhado em alta intensidade (9% do tempo total da partida).

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Intensidade do jogo Por causa da duração do jogo, estima-se que o meta- bolismo aeróbio contribui com aproximadamente 90% do custo energético de uma partida de futebol [14]. A intensi- dade de trabalho médio, mensurada como %FC durante máx os 90 minutos de uma partida de futebol é próximo do LAn, compreendido entre 80-90% da FC dos jogadores máx [18,22,23,28,29]. Fisiologicamente, poderia ser impossível manter esta altíssima intensidade média por um longo perí- odo de tempo, principalmente devido ao acúmulo de lactato Assim, a fadiga é um componente importante para o desempenho no futebol. Em recente revisão, Mohr et al.[49] relatam que a fadiga pode ocorrer em 3 diferentes momentos durante o jogo: após períodos de alta intensidade de exercício tanto no 1° como no 2° tempo de partida, no início do 2º tem- po de partida e no ?nal da partida. A fadiga temporária após exercícios de alta intensidade durante o jogo não parece estar relacionada diretamente com as concentrações de glicogênio muscular, acúmulo de lactato, acidose ou a quebra da creatina fosfato. No entanto, isto pode estar relacionado a distúrbios na homeostase iônica do músculo ou ainda a um desequilíbrio na excitação do sarcolema. O desempenho máximo dos jogadores de futebol é inibido no início do 2° tempo, provavelmente devido a uma diminuição da temperatura muscular quando Realmente, as partidas de futebol apresentam períodos e situações de alta intensidade de exercício, nas quais ocorre um acúmulo de lactato sangüíneo localizado. Desta forma, os jogadores de futebol necessitam de períodos de baixa intensidade de exercício para poderem remover este lactato muscular acumulado. Em termos relativos, existe pouca ou nenhuma diferença entre a intensidade de exercício de joga- dores pro?ssionais e amadores, mas a intensidade absoluta é Stroiyer et al.[18] estudaram as demandas ?siológicas do futebol em jovens futebolistas (idade 12-14 anos) veri?caram que o VO durante a partida era em média maior no 1° tempo 2 min-1). Estes valores correspondem a 80-85% e 78-80% do VO respectivamente. A FC média também era em média 2máx maior no 1° tempo (180 bpm) do que no 2° tempo (175 Estabelecendo a relação entre FC-VO em teste de esforço 2 máximo, esta relação fornece uma mensuração indireta válida do VO durante uma partida de futebol. Estabelecendo a rela- 2 ção da FC-VO de cada atleta, esta pode re?etir exatamente o 2 gasto energético do exercício em estado de equilíbrio. Bangsbo [14] apresentou que a relação FC-VO é válida para exercí- 2 cios intermitentes, veri?cada pela comparação de exercícios A mesma relação FC-VO era estabelecida após um grande 2 aumento de intensidade [14], estes dados são suportados por estudos recentes [50,51]. A relação entre FC-VO pode ser 2 Assumindo que a relação FC-VO é uma estimativa válida 2 para o futebol, uma intensidade média de exercício de 85% da FC poderia corresponder a aproximadamente 75% do máx VO . Isto corresponde em média a 45, 48,8 e 52,5 de VO 2máx 2 2máx kg-1.min-1) respectivamente, re?etindo o gasto energético do futebol moderno [39].

VO durante a maturação biológica em jovens 2máx jogadores de futebol Tradicionalmente, jovens jogadores de futebol apresentam 2máx Stroyer et al. [18] veri?caram o VO em 3 grupos de jovens 2máx jogadores de futebol, classi?cados como elite (12 anos), não- elite (12 anos) e elite (14 anos). O VO correspondia a 58,7, 2máx 58,6 e 63,7 ml.kg.-1.min-1 respectivamente, não apresentando diferenças signi?cativas entre os grupos. Ao contrário, outros autores encontraram diferenças signi?cativas no VO os 2máx, valores correspondiam a 58,2 e 55,3 ml.kg-1.min-1 entre os grupos elite (12,3 anos) e não-elite (11,7 anos) de jogadores de futebol respectivamente [38]. Por outro lado, Chamari et al. [20] estabeleceram valores superiores (66,5 ml.kg-1.min-1, jogadores com 14 anos de idade) em comparação aos estudos Estudos transversais têm indicado que o VO absoluto 2máx (ml.min-1) aumenta gradualmente e continuamente em me- ninos dos 8 aos 16 anos de idade. Após esta idade, o VO 2máx continua a aumentar lentamente [12,36,52]. Resultados se- melhantes foram encontrados em jovens jogadores de futebol, onde o VO absoluto aumentava signi?cativamente tanto 2máx no grupo elite (2,46 para 3,99 l.min-1, n=21) como no grupo não elite (2,10 para 2,99 l.min-1, n=28) ao longo de três anos Entretanto, durante o crescimento e a maturação biológica o VO absoluto é altamente correlacionado com tamanho 2máx corporal, ocorrendo um aumento signi?cativo dos compo- nentes que determinam o VO , como pulmões, coração 2máx e músculo esquelético [53]. Assim, os valores de VO 2máx absoluto aumentam com o desenvolvimento das crianças, podendo aumentar de 1,2 l.min-1 para 2,7 l.min-1 dos 6 aos 12 anos de idade, este aumento acelerado é devido aos Desta forma, para efeitos independentes da idade cronológica, maturação biológica e sexo sobre o VO , é importante exami- 2 nar a confusa in?uência do tamanho corporal, ajustando-o Uma forma amplamente utilizada na literatura para tentar ajustar o VO ao tamanho corporal, é expressá-lo na forma 2máx relativa à massa corporal (ml.kg-1.min-1). Ao contrário da forma absoluta, quando o VO é expresso na forma rela- 2máx tiva, não existem incrementos com a idade cronológica nem

com o estágio maturacional, ou seja, o VO apresenta um 2máx comportamento relativamente constante durante o processo Recentemente, este método tradicional de expressar o VO 2- (ml.kg-1.mim-1) tem sido contestado por não ajustar adequa- máx Durante os últimos anos, existe um importante debate sobre o melhor método para normalizar o VO e ajustar os efeitos 2máx da massa corporal em adultos e crianças. Em recente revisão, Nevill et al. [55] exploram uma variedade de modelos utilizados para descrever variáveis ?siológicas e antropológicas que variam com o tamanho corporal e com outras variáveis de confusão, como por exemplo, a idade cronológica. Os autores concluíram Sendo a alometria o método matemático que expressa a medida à qual uma variável (seja ?siológica, anatômica ou temporal) é relacionada com uma unidade de tamanho corporal, geralmente Entretanto, Welsman & Armstrong [59] enfatizam que não existe um método universalmente correto de normalizar o VO e remover os efeitos da massa corporal. Todos os 2máx métodos apresentam suas limitações, sendo que a técnica de normalização depende da natureza da pesquisa e que sua Apesar disto, vários autores têm sugerido que para facilitar as comparações entre grupos heterogêneos em tamanho corpo- ral, a maneira mais apropriada de remover os efeitos da massa corporal é utilizar a função potência (VO = aMb), onde (a) é 2max uma constante de escala e (b) é a valor do expoente referente à massa corporal. O expoente pode ser estimado através da análise de regressão linear após obtermos o logaritmo da equação da 2máx Atualmente existe um considerável debate sobre qual o valor que este expoente pode assumir (ex. b = 0,66; b = 0,75 ou b > 0,75) [11,53,55,56,60-62], sendo este expoente altamente especí?co de uma determinada amostra. Estudos com crianças demonstram que este expoente pode variar de b = 0,37 a b = 1,17 [37,53], com valor médio de b = 0,83 [53]. Tem sido sugerido que o tamanho da amostra, a composição corporal, o somatotipo, treinamento e o sexo podem ser responsáveis pela grande variação nos valores dos expoentes alométricos Vários autores têm utilizado o expoente alométrico b = 0,75 (VO ml.kg-0,75.min-1) a ?m de realizar comparações 2máx adequadas do VO entre jogadores de futebol de diferentes 2máx massas corporais [16,21-23,27,50,53,63]. Diversos autores concordam com esta a?rmação [53,56,60,64]. Neste sentido, Chamari et al.[20] compararam a capacidade aeróbia de joga- dores de futebol jovens e adultos utilizando um procedimento alométrico. Quando o VO foi expresso de forma relativa (66,6 2 e 66,5 ml.kg-1.min-1 , respectivamente), os valores de adultos e jovens foram semelhantes, mas quando expresso na forma alométrica (216 e 206 ml.kg-0,72.min-1 respectivamente), foi 5% maior nos adultos do que nos jovens. Os autores concluíram que na comparação com jovens jogadores de futebol, o VO 2máx de adultos era subestimado e a economia de movimento era Diferentemente da expressão relativa, quando o VO 2max é expresso na forma alométrica, este apresenta um aumento Welsman et al.[54] utilizaram tanto a expressão relativa como a alométrica para remover os efeitos do tamanho corporal sobre o VO dos grupos pré-púberes (n=24), púberes 2máx (n=26) e adultos (n=16). A expressão relativa estava de acordo com a literatura, demonstrando que não existia diferenças signi?cativas no VO (ml.kg-1.min-1) entre os grupos. Ao 2máx contrário, a análise alométrica (ml.kg-0,80.min-1) demonstrou um aumento progressivo do VO entre os grupos. Estas 2máx descobertas alteram a interpretação convencional do com- portamento do VO durante o crescimento e a maturação 2máx Embora a relação entre o VO e o tamanho corporal 2máx seja bem documentada e algumas vezes mal interpretada, relativamente poucos estudos têm investigado a relação entre o VO e a maturação biológica [11,35], principalmente em 2máx Malina et al.[17] estimaram a contribuição da experiência, do tamanho corporal e do estágio maturacional nas variações das capacidades funcionais de jogadores de futebol com idades de 13,2 -15,1 anos. Os autores veri?caram que a maturação biológica e o tempo de treinamento eram variáveis explicativas Armstrong et al. [65] argumentam que os estudos que não controlaram adequadamente a massa corporal pela alometria, esta relação entre o VO e a maturação biológica pode ser 2máx obscurecida pelo uso inapropriado da normalização dos va- Os autores veri?caram o VO de 93 meninos e 83 meninas 2máx de 12 anos de idade e constataram que o VO expresso 2máx Quando os dados eram expressos na forma alométrica, o VO apresentava um aumento com a maturação em ambos 2máx os sexos e uma signi?cativa in?uência da maturação biológica Claramente, a expressão tradicional (VO /massa) falha 2 em remover totalmente os efeitos da massa corporal, sendo inapropriado para estudos epidemiológicos que desejam comparar o VO entre grupos (ex. ativos e inativos ou 2máx crianças e adultos) que são associados ao tamanho corpo- ral [10,54]. Atualmente, muitos autores concordam que os modelos alométricos são os mais indicados para ajustar corretamente o VO à massa corporal [10-12,16,20-23- 2máx ,27,50,54,56,64,66-70].

Limiar anaeróbio em jovens jogadores de futebol Embora o metabolismo aeróbio seja predominante na ressíntese de energia durante uma partida de futebol, as ações

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mais importantes são desempenhadas por meio do metabo- lismo anaeróbio. A liberação de energia via metabolismo anaeróbio é exigida principalmente na execução de sprints, saltos e disputas pela bola. Estas ações são cruciais para o O padrão de lactato durante uma partida de futebol tem apresentado maiores valores no 1° tempo (4,1-7,0 mmol/L) do que no 2° tempo (2,7? 4,4 mmol/L) [47,49,72,73]. É importante notar que, a concentração de lactato em jogadores de futebol é largamente dependente do padrão de atividade do jogador. Realmente, tem sido apresentado que os valores de lactato são positivamente correlacionados com o aumento do McMillan et al. [42] têm indicado que a avaliação do lactato submáximo em jogadores de futebol pode ser utilizado com um indicador de alterações no desempenho de endurance em períodos especí?cos do treinamento. Estes autores indicam que as concentrações de lactato ?xadas entre 2 e 4 mmol.L-1 podem ser utilizadas para avaliar as respostas aeróbias de Os valores de LAn também podem ser expressos de várias maneiras, como por exemplo o método ventilatório (LV ), 2 %FC , %VO ou ainda a valores correspondentes a FC máx 2máx (bpm) e VO (ml.min-1, ml.kg.-1.min-1, ml.kg.-0,75.min-1). Os 2 valores de LV em jogadores de futebol são compreendidos en- 2 máx Quando o LV é expresso em %VO , Ho? et al. [50] 2 2máx veri?caram que este correspondia a 75% em jogadores com 22 anos de idade. Chamari et al. [20] identi?caram que o LV correspondia a 88,8% e 90,1% para jogadores com 14 e 2 17 anos de idade respectivamente [22]. Helgerud et al.[23] demonstraram que este valor correspondia a 82,4 ± 3,1% em Identi?camos uma limitação de estudos que veri?caram os limiares ventilatórios (LV e LV ) em jovens jogadores 12 de futebol, visto que, a intensidade de trabalho médio, men- surada como %FC durante os 90 minutos de uma partida máx de futebol é muito próxima do LV . Curiosamente, não en- 2 contramos nenhum estudo veri?cando o comportamento do LV e LV durante a maturação biológica em jogadores de 12 Klentrou et al. [74] compararam os limiares ventilatórios entre adultos e crianças praticantes de futebol. Quando os limiares ventilatórios eram expressos em %VO , os valores 2máx correspondiam 64,9 ± 7,1% e 57,7 ± 8,0 para LV e 80,0 ± 1 3,8 e 77,3 ± 5,1 para LV em crianças e adultos respectiva- 2 mente. Foi veri?cado que as crianças apresentavam um LV 1 2 Os autores atribuíram estas diferenças ao menor potencial enzimático da via glicolítica e ao padrão ventilatório em Outras possíveis explicações acerca das diferenças nos limiares ventilatórios (LV e LV ) e VO dos jovens jo- 1 2 2máx gadores de futebol poderiam ser atribuídas a alterações no padrão de utilização de substrato, metabolismo enzimático, distribuição do tipo de ?bras musculares e aos estoques de glicogênio muscular.

Maturação biológica, VO e LAn - perspecti- 2máx vas para o treinamento do futebol O desempenho no futebol é multifatorial e suas ativida- des físicas são de características intermitentes. A corrida é a atividade predominante, mas exercícios de explosão como sprints, saltos, marcação e chute são fatores importantes para o desempenho no futebol de alto nível [15]. Jogadores de futebol percorrem em uma partida cerca de 9-12 km [23,44- 46]. As atividades realizadas no jogo são aproximadamente de 10-20 sprints, que ocorrem aproximadamente a cada 90s e tem duração media de 2-4 s [47], corridas de alta intensidade a cada 70 s, cerca de 15 desarmes e 50 envolvimentos com bola, além de mudanças de direção e grande esforço muscular para manter o equilíbrio e o controle de bola contra a pressão Entretanto, os atletas necessitam recuperar suas reservas energéticas em pequenos intervalos de tempo ou ainda durante exercício de baixa intensidade. Durante este perí- odo, os níveis de ATP e PCr são restaurados em 70% em aproximadamente 30 s e totalmente restaurados dentro de aproximadamente 3 a 5 minutos [75]. Como no futebol uma atividade de alta intensidade ocorre aproximadamente a cada 70 s, o metabolismo anaeróbio poderia ser necessário para suprir estas demandas energéticas. A conseqüência metabólica é um aumento das concentrações H+, diminuição do pH, aumento das concentrações de lactato, que podem afetar o Tem sido sugerido que uma elevada capacidade aeróbia melhora a recuperação entre os exercícios intermitentes de alta intensidade, provavelmente por remover mais rapidamente o lactato sangüíneo e restaurar os níveis de ATP-PCr. Este fato demonstra a importância de um atleta possuir um elevado VO e LAn. Provavelmente, estes atletas conseguiriam su- 2máx portar exercícios de alta intensidade com uma menor parcela de energia proveniente da via anaeróbia, assim diminuindo as contrações de lactato e H+, resultando em uma melhor As adaptações induzidas pelo treinamento aeróbio têm sido extensivamente estudadas em adultos, entretanto, existem muitas controvérsias em relação às respostas do treinamento aeróbio em crianças e adolescentes. Tem sido sugerido que crianças não são aptas a aumentarem seu VO com o trei- 2máx namento aeróbio, principalmente antes da puberdade, ao contrário, tem sido veri?cado efeitos positivos do treinamento Baquet et al. [76] analisaram os procedimentos aplicados à prescrição e aos métodos de treinamento para veri?carem o real impacto que o treinamento aeróbio exerce sobre o VO 2máx

de crianças e adolescentes. Os autores excluíram os estudos que não atendiam a certos critérios como, ausência de grupo controle, procedimentos estatísticos inadequados, tamanho amostral insu?ciente, protocolo de treinamento inapropriado, populações especiais e estudos que não apresentavam os dados sobre VO . Foi levado em consideração o controle da ma- 2máx turação biológica, constituição dos grupos, consistência entre o treinamento e os procedimentos, sendo que dos 51 estudos analisados, 21 apenas foram selecionados. Os resultados de maneira geral sugerem que o treinamento aeróbio aumenta o VO de 5-6% em crianças e adolescentes independente- 2máx mente de sexo ou estágio maturacional. Quando somente os estudos que apresentavam um signi?cativo efeito do treina- mento aeróbio eram considerados, o VO aumentava de 2máx 8-10%. Os autores sugerem que as intensidades de treinamen- to sejam superiores a 80% da FC para esperar um aumento máx 2máx Mais especi?camente no futebol, McMillan et al. [21] veri?caram que após 10 semanas de treinamento aeróbio especí?co para o futebol (90-95%Fc ), o VO aumentava máx 2máx de 63,4 para 69,8 ml.kg-1min-1 em 11 jogadores (16,9 anos), sem que ocorresse prejuízos no desempenho de força, saltos Assumindo o pressuposto que crianças e adolescentes respondem positivamente ao treinamento aeróbio, onde aumentos no VO de 5-10% têm sido veri?cados, este 2máx fato demonstra que o treinamento aeróbio é um compo- Recentemente, tem sido apresentado que um aumento de 11% no VO após 8 semanas de treinamento com jovens 2máx jogadores de futebol, re?ete um incremento de 20% na dis- tância percorrida total de uma partida, aumento de 23% nos envolvimentos com bola e um aumento de 100% no número de sprints realizados por cada jogador [23]. Estas são algumas das vantagens que demonstram a relação entre uma alta capa- A maturação biológica exerce um claro efeito sobre o VO 2máx de jovens jogadores de futebol, sendo importante o seu controle, pois a maturação biológica é relacionada com o desempenho físico e atletas mais avançados no processo maturacional pos- suem níveis maiores de força, potência e capacidade aeróbia Recentemente, um efeito da maturação biológica sobre as habilidades especí?cas do futebol tem sido constatado em jovens jogadores de futebol [78,79]. Malina et al. [79] veri?caram que a maturação biológica tem efeito positivo sobre as habilidades especí?cas do futebol, como o controle da bola, controle da bola com a cabeça, drible em velocidade com passe e chute. Os autores concluíram que indivíduos mais avançados no processo maturacional apresentam um melhor desempenho nestas 4 habilidades especí?cas. Este fato tem grande impacto na detecção de talentos, pois se a maturação biológica não for controlada, indivíduos com processo maturacional mais lento geralmente serão excluídos e indivíduos mais adiantados no processo maturacional serão Visto que, o limiar anaeróbio é o indicador mais sensível às repostas do treinamento aeróbio e que a intensidade de trabalho médio, mensurada como %FC durante os 90 máx minutos de uma partida de futebol é muito próxima deste limiar. Torna-se importante desenvolver esta variável com o treinamento, pois quanto mais elevado for o LV , maior será 2 a intensidade que o atleta poderá manter durante jogo sem a contribuição do metabolismo anaeróbio, conseqüentemente, diminuindo as contrações de lactato e H+, resultando em uma melhor manutenção do desempenho físico.

Conclusão O futebol é um esporte de desempenho multifatorial, sendo necessário conhecer o comportamento do VO e do 2máx LAn durante o processo maturacional de jovens jogadores de futebol, visto que o VO é considerado o melhor indicador 2máx de capacidade aeróbia e o LAn é considerado o indicador mais sensível às alterações do condicionamento aeróbio em resposta ao treinamento. A expressão tradicional (VO ml.kg-1.min-1) 2máx falha em remover totalmente os efeitos da massa corporal, ocultando os efeitos da maturação biológica sobre o VO , 2máx di?cultando assim a comparação entre jovens jogadores de A maturação biológica deve ser controlada durante o trei- namento de futebol, principalmente no processo de detecção de talentos, pois in?uencia o VO , LAn e as capacidades 2máx técnicas dos jovens jogadores.

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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 37

Revisão Respostas fisiológicas ao remo competitivo Physiological responses to competitive rowing

Rafael Reimann Baptista*, Alvaro Reischak de Oliveira** *Curso de Educação Física da ULBRA Gravataí RS e Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto PUC-RS, **Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Resumo No início de uma regata, o barco é acelerado e a força nos re- mos alcança entre 1000 e 1500 N. Durante a regata, a velocidade é mantida em um nível inferior com um pico de força de 500-700 N por meio de 210-230 remadas em torno de 6,5 min. Remadores utilizam um padrão ?siológico ímpar de ritmo de competição; eles iniciam o esforço com uma largada vigorosa a qual exige uma de- manda excessiva do metabolismo anaeróbico, seguida de um severo estado estável aeróbico e um exaustivo sprint ?nal. Os remadores estão adaptados a este esforço devido a uma grande massa muscular e uma alta capacidade metabólica. Remadores apresentam valores de VO na ordem de 6,1 ± 0,6 L.min-1. Cálculos aeróbicos e 2máx anaeróbicos mostram que 70-75% da energia necessária para remar a distância padrão de 2000 m em homens é derivada da aerobiose enquanto que os 25-30% restantes são anaeróbicos. A respiração é sincronizada com a mecânica da remada, um fenômeno chamado de acoplamento respiratório-locomotor. O limiar de lactato de 4,0 mM superestima a intensidade correspondente a máxima fase estável de lactato (MLSS), enquanto que o limiar anaeróbico individual indica Palavras-chave: remo, fisiologia cardiovascular, fisiologia respiratória, lactato.

Abstract At the start of a rowing race, the boat is accelerated and the force on the oars reaches between 1000 and 1500 N. During the race, the speed is maintained at a lower level with a peak rowing force of 500-700 N for 210-230 strokes for about 6.5 min. Rowers utilize a unique physiological pattern of race pacing; they begin exertion with a vigorous sprint which places excessive demands on anaerobic metabolism followed by a severely high aerobic steady-state and then an exhaustive sprint at the ?nish. Rowers are adapted to this e?ort by a large muscle mass and high metabolic capacity. Oarsmen have VO values of 6.1 ± 0.6 L.min-1. Aerobic and anaerobic 2max calculations show that 70-75% of the energy necessary to row the standard 2000 m distance for men is derived from aerobiosis while the remaining 25-30% is anaerobic. The respiration is coupled with the mechanics of the rowing stroke, a phenomenon called locomotor-respiratory coupling. Lactate threshold of 4.0 mM ove- restimate the workload corresponding to maximal lactate steady state (MLSS), while individual anaerobic threshold presumably indicate Key-words: rowing, cardiovascular physiology, respiratory physiology, lactate.

Endereço para correspondência: Rafael Reimann Baptista, ULBRA Gravataí Curso de Educação Física, Av. Itacolomi 3600, 94170-240 Gravataí RS, Tel: (51) 3431 7677, E-mail: baptistarafael@terra.com.br

Introdução O remo é um esporte em que o sistema aeróbico possui a maior parte da responsabilidade pela produção energética, entre 70 e 75% da produção total de energia [1]. Todavia, em uma competição o?cial de remo, com a distância de 2000 m e a duração entre 5 a 7min, as rotas metabólicas anaeróbica lática e alática também são bastante requisitadas, na ordem de 25 a 30% da produção total de energia [1,2]. Normalmente os remadores realizam um esforço vigoroso nos primeiros 30 a 45 seg da prova, o que é necessário para iniciar o movimento e atingir uma velocidade de competição no barco, bem como Desta forma, os momentos iniciais e ?nais de uma regata apresentam uma predominância do metabolismo anaeróbico como fonte energética, enquanto durante a maior parte da prova a rota aeróbica é a principal fornecedora de ATP (Ade- nosina trifosfato) para a contração muscular. Tais característi- cas ?cam bastante evidenciadas quando se veri?ca a produção de força nos diferentes momentos da regata. Steinacker [3] apresenta dados que mostram um pico de produção de força na ordem de 1000 a 1500 N nos momentos iniciais da regata, No remo, bem como em outros esportes, o limiar de lactato é um dos parâmetros mais usados, tanto como indicador de desempenho físico quanto na prescrição do treinamento [4,5], podendo ser de?nido como o ponto de desequilíbrio entre a produção e remoção do lactato durante o fornecimento de energia para a execução de um exercício Além disso, as respostas ?siológicas máximas alcançadas em testes de campo e laboratório são largamente estudadas e empregadas como parâmetros de prescrição e controle do treinamento físico [9-12], existindo descrições na literatura de que o desempenho em atividades esportivas contínuas e prolongadas se correlacionam melhor com o limiar de lactato do que com a potência aeróbica máxima [13]. Desta forma o objetivo deste artigo foi revisar os aspectos ?siológicos do remo competitivo principalmente no que tange as respostas cardiovasculares e ventilatórias ao remo, bem como os aspec- tos metabólicos relacionados com o limiar anaeróbico e suas aplicações neste esporte.

Respostas cardiovasculares ao remo O remo é um esporte que possui um gesto esportivo ex- tremamente peculiar, de modo que suas respostas ?siológicas acompanham estas características e se diferenciam de outras modalidades esportivas. Além disso, o ergômetro utilizado na avaliação do remo (remoergômetro), em função de seu gesto esportivo, requisita a utilização de membros superio- res e inferiores, diferentemente da esteira ergométrica e do cicloergômetro que solicitam quase que exclusivamente a musculatura de membros inferiores.

É bem aceito que durante um exercício progressivo, a FC e o débito cardíaco (DC) de indivíduos não-atletas au- mentam linearmente enquanto que o volume sistólico (VS) normalmente alcança um platô a aproximadamente 40% do VO [14] Em remadores, entretanto, Rosiello et al. [15] demonstraram que em uma remo ergometria, com incremento de carga progressiva, ocorria um aumento inicial no VS e subseqüentemente um declínio no mesmo, contrastando com a expectativa de um platô nesta variável como a encontrada em estudos clássicos em esteira e cicloergômetro, avaliando A FC parece aumentar de forma similar em uma remo ergometria e em ciclo ergometria [18,19], embora Rosiello et al. [15] tenham veri?cado uma elevação progressivamente maior na FC em remoergômetro, à medida que a intensidade de exercício aumentava. Por outro lado, Rosiello et al. [15] veri?caram valores de FC máximas similares entre os dois ergômetros, ao contrário do VS que foi signi?cativamente me- Ambos, VS e FC, são responsáveis pela produção do DC e provocam, portanto, durante uma remo ergometria uma redução no DC quando comparado ao cicloergômetro, como con?rmam os achados de Cunningham et al. [19]. As explicações para estas diferenças foram relacionadas com a Rosiello et al. [15] e Cunningham et al. [19] concordam que devido à mecânica do gesto esportivo no remo, as intensas contrações durante a remada interferem no retorno venoso, causando, portanto, as alterações citadas acima. A postura corporal, bem como a massa muscular envolvida em um exercício, in?uencia o retorno venoso e conseqüentemente o volume sangüíneo central, o que modi?ca as respostas da Comparando as respostas da FC no remo com as respostas obtidas na corrida, Yoshiga e Higushi [21] veri?caram que em jovens, tanto em intensidades submáximas quanto máximas, a FC no remo era menor do que na corrida. Entretanto, no mesmo estudo, o VO e o VO foi maior no remo do que 2 2máx na corrida em todas as intensidades, bem como o lactato ao No estudo de Yoshiga e Higushi [21], a FC foi menor no Mesmo na intensidade máxima a FC foi menor no remo 194 As diferenças nas respostas da FC para estes dois tipos de exercícios são justi?cadas pelos autores em função da maior massa muscular envolvida no remo, o que proporciona uma maior bomba muscular aumentando o retorno venoso e atenuando a FC devido a um mecanismo de Frank-Starling aumentado, no caso da corrida, em função da posição ereta, o deslocamento de sangue para os membros inferiores em função da gravidade, requisita uma atividade simpática para controle da pressão arterial, o que aumenta as respostas de FC quando comparado ao remo [21].

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Respostas ventilatórias no remo Faria e Faria [22] veri?caram que a FC, VO e a VE 2 (ventilação) de remadoras em um teste de exercício não era signi?cativamente diferente em um remoergômetro adaptado usando apenas membros superiores, apenas membros infe- riores ou a combinação de ambos, a uma mesma intensidade Entretanto, esses autores realizaram também uma compa- ração em um modo recíproco, ou seja, com a remoergometria adaptada de membros superiores sendo realizada com a carga relativa dos membros inferiores e vice-versa. Nessa situação, embora o VO não tenha se mostrado signi?cantemente 2 diferente, a FC foi maior devido aos membros superiores Conseqüentemente, uma parte do débito cardíaco é direcio- nada para os membros superiores aumentando a resistência vascular periférica, causando um con?ito no sistema circula- tório bem como tônus simpático aumentado, o que segundo A análise das relações entre o VO e a produção de dióxido 2 de carbono (VCO ) possibilita o estudo dos metabolismos 2 energéticos predominantemente envolvidos em um deter- minado esporte. Diversos autores têm publicado diferentes posicionamentos quanto aos percentuais de contribuição das rotas aeróbicas e anaeróbicas de produção de energia durante a prática do remo, como pode ser observado na Tabela I.

No de Aeróbi- Anaeróbi- Autor atletas ca (%) ca (%) Russel et al. (1998) 19 84 16 Hagerman et al. (1978) 310 70 30 Hartmann (1987) 17 82 18 Mickelson e Hagerman (1982) 25 72 28 Roth et al. (1983) 10 67 33 Secher et al. (1982) 7 70-86 30-14 Messonier et al. (1997) 13 86 14 Remadores adultos de elite possuem valores de VO 2 máx absoluto na ordem de 6,1 L.min-1, enquanto que remadoras adultas de elite apresentam valores um pouco menores na ordem de 4,1 L.min-1 [1]. O VO absoluto tem se mostrado 2 máx mais importante do que o relativo à massa corporal na ava- liação da potência aeróbica de remadores, devido ao suporte da massa corporal pelo acento do barco e pela grande massa corporal apresentada pelos remadores comparada a outros As contrações musculares periódicas envolvidas no mo- vimento do remo elevam a pressão pleural, a qual reduz o retorno venoso, o volume diastólico ?nal e o volume de ejeção do coração [15,23]. Além disso, a pressão intra-abdominal aumentada durante algumas fases do movimento da remada di?culta a ventilação. Essas mudanças ?siológicas são enca- radas como limitantes da VE e do VO durante um exercício 2 Contrariamente, Yoshiga e Higushi [24] comparando as respostas ventilatórias entre o remo e a corrida, encontraram maiores valores de VE máxima no remo (157 ± 16 L.min-1) do que na corrida (147 ± 13 L.min-1). Da mesma forma, o VO se mostrou maior no remo (4,5 ± 0,5 L.min-1) do que 2máx A autora atribui essas diferenças à maior massa muscular envolvida na prática do remo, a qual exige um maior VO 2 para os músculos ativos [24]. Tais diferenças parecem estar relacionadas também com um fenômeno característico no remo, o acoplamento da respiração com o movimento da O acoplamento da respiração com o gesto esportivo tem sido observado durante a prática de diferentes exercícios físicos de movimentos cíclicos por seres humanos como a corrida e o ciclismo por exemplo, mas é no remo que este acoplamento [23] encontraram indicações de um padrão respiratório de 2:1, ou seja, uma inspiração ocorrendo no início do movimento da remada e outra no ?nal da mesma. Os resultados ventilatórios veri?cados por Siegmund et al. [23] sugerem que este seria um padrão preferencial de respiração pelos remadores e que esse padrão indica que os períodos citados no movimento da remada seriam vantajosos para maiores volumes de inspiração e expiração, o que pode ser usado pelos remadores para tirar [25] re-analisaram os dados publicados por Siegmund et al. [23] e concluíram, através de um estudo qualitativo da análise espectral dos dados ventilatórios, que o gasto energético expresso através do consumo de O era menor 2 durante os episódios de acoplamento do que comparado aos episódios de não acoplamento, sugerindo que esse fenômeno é dependente da demanda aeróbica envolvida no exercício.

Limiar anaeróbico no remo Ao que tudo indica, o termo limiar anaeróbico foi primei- ramente descrito na literatura por Wassermann e Mcilroy [26] ao estudarem as respostas de pacientes cardiopatas ao exercí- cio, no qual o acúmulo de lactato foi diretamente relacionado à hipóxia muscular. O limiar anaeróbico foi, então, de?nido por alguns autores como sendo a intensidade de exercício acima da qual o consumo de oxigênio não consegue suprir totalmente a demanda metabólica, embora esta de?nição Parece haver uma tendência entre os pesquisadores de uma de?nição mais contemporânea de limiar anaeróbico,

direcionando essa de?nição a um termo como limiar de lactato, que estaria associado a uma intensidade de exercí- cio relacionado a um aumento abrupto nas concentrações de lactato, devido a uma maior produção do mesmo pelo músculo em exercício frente à capacidade do organismo de Atualmente, o limiar anaeróbico é um dos parâmetros mais usados tanto como indicador de desempenho físico quanto na prescrição do treinamento, existindo evidências de que o desempenho em atividades esportivas contínuas e prolongadas correlaciona-se melhor com o limiar anaeróbico do que com 2máx Apesar de não haver uma concordância na literatura entre as causas relacionadas com o acúmulo de lactato, em que basicamente dois grupos de pesquisadores parecem apresentar teorias antagônicas na explicação desse fenômeno, representados de um lado por uma visão mais conservadora, aceitando a relação do acúmulo de lactato com a anaerobiose [26,28-30] e de outro por uma abordagem mais revolucioná- ria, que nega esta relação direta [6,31,32], o limiar anaeróbico representa uma ferramenta útil de avaliação e prescrição de O limiar anaeróbico pode ser avaliado por métodos invasivos (como a lactacidêmia) e não-invasivos (como o limiar ventilatório), cada qual apresentando prós e contras e determinando, normalmente em função do método adotado, A determinação dos limiares ventilatórios, onde os trabalhos de Wassermann e Macilroy [26] e Wasserman et al. [30] demonstraram que os níveis de lactato apresentam uma forte correlação com a ventilação em função do tam- ponamento dos íons hidrogênio (H+) pelo íon bicarbonato (HCO -), e subseqüente eliminação na forma de dióxido 3 de carbono (CO ) pela respiração (H+ + HCO - ? H CO 2 323 22 Essas respostas podem ser avaliadas através da análise grá?ca de parâmetros como a própria ventilação, a produção de dióxido de carbono, os equivalentes ventilatórios de O e 2 CO e as pressões expiratórias de O e CO , utilizando uma 2 22 avaliação visual das quebras de linearidade nas curvas em No remo, entretanto, o acoplamento da respiração ao gesto esportivo apresentado pelos atletas [23,25] di?culta, e até impossibilita, a detecção dos limiares ventilatórios. Um Existe na literatura uma grande diversidade de nomen- claturas no que diz respeito à detecção do limiar de lactato, como podemos observar na Tabela II. Podemos basicamente distinguir os métodos que usam concentrações ?xas de lactato A utilização da concentração ?xa de lactato de 4 mM (AT4 ? Anaerobic Threshold of 4 mM) adotada por autores como Heck et al. [33] e Urhaunsen et al. [34,35] é justi?cada como a máxima concentração estável de lactato em um teste em es- teira ergométrica, ou como muitas vezes é expresso na Língua A intensidade de exercício correspondente a esta concen- tração ?xa, quando imposta aos atletas em um teste de carga ?xa de 20 minutos, não apresenta um aumento maior do que 1 mM no lactato plasmático [33] e é denominada por outros autores como início do acúmulo de lactato sangüíneo ou como normalmente é referida pela sua sigla em inglês OBLA (Onset of Blood Lactate Accumulation) como referem Sjödin e Jacobs [36].

Tabela II - Nomenclaturas usadas por alguns estudos para descrever Autor Nomenclatura Wasserman & Mcilroy (1964) Wasserman et al. (1973)

Farrel et al. (1979) Kindermann et al. (1979) Ivy et al. (1980)

Sjödin e Jacobs (1981) Stegmann et al. (1981) Conconi et al. (1982)

Heck et al. (1985) Cheng et al. (1992) Tegtbur et al. (1993) Limiar anaeróbico Limiar ventilatório Início do acúmulo de lactato plasmático Limiar aeróbico/anaeróbico Limiar de lactato Início do acúmulo de lactato sangüíneo Limiar anaerobico individual Limiar de freqüência cardíaca Máxima fase estável do lactato Distância máxima Velocidade de lactato mínimo

Uma crítica que pode ser feita ao método AT4 é a varia- bilidade dos níveis de lactato encontrado no trabalho original publicado por Heck et al. [33], que vão de 3,05 a 5,5 mM, possibilitando que indivíduos submetidos a esta intensidade não estejam trabalhando efetivamente no limiar, mas sim No entanto, apesar dessa variabilidade, o método de AT4 ainda é considerado um dos mais utilizados na determinação do limiar de lactato no remo [37]. Talvez devido às limitações do uso de concentrações ?xas de lactato na identi?cação do limiar anaeróbico, muitas são as propostas de individualização [38], propõem a utilização de um limiar anaeróbico individual ou IAT (Individual Anaerobic Threshold). Este método baseia- se na habilidade individual do atleta de manter um estado De fato, em um estudo subseqüente realizado por Jaco- bs [39], a intensidade de exercício correspondente ao IAT mostrou ser a maior potência que pode ser mantida pelos atletas por um período de exercício entre 15 a 20 min, sem Beneke [40], assim como Bourgois et al. [37] também refere que o limiar de AT4 é método mais comumente usado para a detecção de limiar de lactato em remadores, e

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juntamente com o IAT, parece ser bastante representativo do MLSS em corrida e ciclismo. Visando veri?car se esses dois métodos também teriam uma boa correlação com o MLSS no remo, os pesquisadores usaram de um teste de exercício máximo em remoergômetro para comparar a potência de limiar entre os métodos AT4 e IAT. O estudo concluiu não haver diferenças signi?cativas entre os dois métodos, todavia, as cargas de trabalho identi?cadas pelo AT4 foram sempre Contrariamente, Urhaunsen et al. [35] avaliando ciclis- tas, triatletas e remadores veri?caram que o IAT proposto por Stegmann et al. [38] é altamente correlacionado com o MLSS, mas uma vez que a intensidade de IAT seja excedida em apenas 5%, metade dos atletas estudados apresentou um No sentido de individualizar o limiar de lactato, um dos modelos relativamente recentes e de fácil aplicação encontrado na literatura é o método proposto inicialmente por Cheng et al. [41] e posteriormente utilizado também por Nicholson e Sleivert [42] e Zhou e Weston [43], intitulado Dmáx (ma- Nessa proposta, os autores ?zeram uso dos valores de lactato, VE, freqüência respiratória e produção de CO , 2 coletados durante um teste incremental em cicloergôme- tro, os quais foram plotados contra os valores de VO , 2 construindo-se uma linha de tendência exponencial. Essa curva demonstra o comportamento das respostas ?siológicas frente ao exercício realizado e apresenta um comportamento crescente em função do aumento da intensidade. Posterior- mente, uma reta unindo o ponto inicial e ?nal da curva é confeccionada e a maior distância entre a curva e a reta construída é considerada o limiar de lactato, daí o nome No estudo de Cheng et al. [41] ao se utilizar o método Dmáx. a partir das respostas de ventilação, freqüência respi- ratória, VCO e lactato, o limiar de lactato não se mostrou 2 signi?cativamente diferente daquele determinado pelos equivalentes ventilatórios e pelo OBLA. Além disso, quando as diferentes variáveis ventilatórias e metabólicas foram utili- zadas no método Dmáx., não foram encontradas diferenças Alguns anos mais tarde, Nicholson e Sleivert [42] com- pararam a velocidade de limiar em corrida entre os métodos Dmáx. e AT4. Nesse estudo os autores veri?caram que o método AT4 superestimou a intensidade de limiar quando Os resultados provenientes da pesquisa de Nicholson e Sleivert [42] vão ao encontro de um estudo realizado pelo nosso laboratório [44], no qual o método AT4 superesti- mou a intensidade de limiar quando comparado ao método Dmáx. em remadores. Em nosso estudo, os valores de lacta- to, potência e freqüência cardíaca foram signi?cativamente menores (P < 0,05) quando identi?cados no limiar de lactato pelo método Dmáx. do que pelo método AT4.

Conclusão A ?siologia do remo enfatiza a especi?cidade das respos- tas ao treinamento. O trabalho muscular realizado resulta em respostas cardíacas, ventilatórias e metabólicas bastante diferenciadas. As evidências disponíveis sobre a ?siologia deste esporte reforçam que os remadores necessitam de uma grande potência muscular e potência aeróbica. A técnica de determinação do limiar de lactato Dmáx. parece ser a mais adequada para estes atletas.

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Relato de caso Efeito do percurso sobre a freqüência cardíaca de um ciclista altamente treinado Effects of course on heart rate response of a highly trained cyclist

Débora Wagner*, Carlos Mota*, Felipe Carpes** *Universidade Federal de Santa Maria, Laboratório de Biomecânica, **Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Laboratório de Pesquisa do Exercício

Resumo O objetivo deste estudo foi descrever a intensidade do exercício de acordo com o percurso no ciclismo mountain-bike. Um atleta de destaque, 21 anos, consumo máximo de oxigênio de 75,42 ml/ kg/min, freqüência cardíaca (FC) máxima de 200 bpm, e posicio- nado entre os 5 melhores do ranking nacional teve uma sessão de treinamento monitorada. O atleta foi avaliado em laboratório para determinação do consumo máximo de oxigênio, FC máxima e limiar anaeróbico. A sessão teve duração de 251 minutos, FC média de 164 batimentos por minuto, correspondente a 82% da FC máxima em laboratório. A maior FC ocorreu no início do treino. O atleta sus- tentou 9 minutos (4% do tempo total) de exercício em intensidade superior a 90% da FC máxima (esforço anaeróbico). A intensidade entre 80% e 90% da FC máxima, de esforço intenso, foi suportada durante 178 minutos (71% do tempo total do treino). Intensidades abaixo ou muito próximas de 80% da FC máxima totalizaram 63 minutos (25% do tempo da corrida). Estes resultados comprovam a alta intensidade do exercício adotada no treinamento do ciclista mountain-bike, sendo que o atleta avaliado foi capaz de sustentar altas intensidades durante um tempo superior àquelas observadas Palavras-chave: treinamento, mountain bike, fisiologia do exercício, desempenho humano, ciclo ergômetro.

Abstract The purpose of this study was to describe pro?le of exercise One elite cyclist, 21 years old, maximal oxygen uptake of 75.42 ml/kg/min, maximal heart rate (HR) of 200 bpm, and positioned among the ?ve MTB national top-ranking was evaluated during a training session. The cyclist was tested in laboratory to achieve the maximal oxygen uptake, maximal HR and anaerobic threshold. The training session had duration of 251 minutes and mean HR of 164 bpm, which was corresponding to 82% of HR maximal observed in laboratory. The highest HR was observed at the beginning of the training. The athlete was able to maintain 9 minutes (4% of the total time) at exercise intensity higher than 90% of HR maximal (anaerobic e?ort). The exercise intensity zone between 80%-90% of HR maximal was maintained during 178 min (71% of the total time). Intensity below 80% of HR maximal summed 63 minutes (25% of the total time). The result indicates the high exercise in- tensity of MTB cycling. The MTB exercise intensity is higher than observed on the road cycling, and the MTB athlete evaluated was Key-words: training, mountain bike, exercise physiology, human performance, cycle ergometer.

Endereço para correspondência: Felipe Pivetta Carpes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Educação Física - Laboratório de Pesquisa do Exercício, Rua Felizardo, 750, 90690-200, Porto Alegre RS, Tel: 51-3308-5859, E-mail: felipecarpes@gmail.com

Introdução A freqüência cardíaca (FC) re?ete a quantidade de trabalho que o coração realiza para satisfazer as demandas aumentadas do corpo durante uma atividade [1], sendo controlada pela atividade do sistema nervoso autônomo através dos ramos simpático e parassimpático [2]. Seu monitoramento tem sido amplamente utilizado no treinamento esportivo e atualmente o uso de monitores cardíacos por parte dos atletas é comum e altamente funcional. Tudo isso porque o uso destes instru- mentos facilita o controle da intensidade do treinamento, principalmente quando se conhece a freqüência cardíaca A cinética da freqüência cardíaca (FC) durante o exercício tem sido utilizada para descrever o per?l da intensidade do esforço [4-6]. A sua fácil mensuração facilita a utilização em situações de campo, onde demais medidas ?siológicas se tor- nam difíceis devido à exigência de tecnologia especí?ca para aquisição e armazenamento de dados que são comuns somente em ambiente laboratorial, como por exemplo, a medida do consumo de oxigênio, que é mais difícil de ser obtida em campo quando comparada a FC. Quando um atleta compete utilizando um analisador de gases portátil, por exemplo, o peso do equipamento e o desconforto acarretam um estresse Um grande número de estudos tem descrito a intensidade do exercício com base na freqüência cardíaca durante o ci- clismo de estrada [7-13], mas poucos têm o foco no ciclismo O MTB caracteriza-se por ser um esporte de resistência praticado em trajetos com subidas e descidas em terrenos bastante irregulares e trilhas, onde os atletas suportam alta intensidade de exercício, inclusive superior ao observado no ciclismo de estrada [6]. Considerado esporte olímpico desde 1996 [6], a União Internacional de Ciclismo (UCI) sugere competições com duração de 105 a 135 minutos e calendários anuais incluindo um número máximo de 26 com- petições, no entanto a maioria dos atletas acaba por superar essas recomendações. Com base no prolongado tempo de exercício no ciclismo MTB, combinado ao terreno irregular enfrentado pelos atletas, este estudo teve por objetivo analisar o comportamento da FC durante uma sessão de treinamento de um atleta de elite com destaque nacional, relacionando a freqüência cardíaca ao percurso desenvolvido por um tempo prolongado (mais de 200 minutos).

Relato de caso Para o desenvolvimento deste estudo de caso, monitorou-se um atleta de elite de ciclismo mountain bike, do sexo masculino, com 12 anos de experiência em competições neste esporte, sen- do 7 anos de participação como atleta federado em competições nacionais e internacionais, repetidas vezes campeão estadual e nacional, participante de competições a nível internacional como campeonatos Pan-Americanos e Mundiais, e na opor- tunidade posicionado em quarto lugar no ranking nacional, tendo sido campeão da Copa Internacional PowerBar Reebok no ano em que os dados foram coletados. Ele não apresentava sintomas de overtraining com base em informações sobre suas características de sono e rotina de treinamento. O atleta con- cordou em participar voluntariamente no estudo e submeteu-se aos procedimentos que foram empregados seguindo os preceitos do Comitê de Ética em Pesquisa com Humanos da Instituição O treinamento do ciclista avaliado cobria aproximada- mente 400 km semanais realizados em trilhas e asfalto, com intensidade média de 75-90% FC máxima (FCmáx) avaliada previamente em laboratório. Suas características físicas e de desempenho estavam de acordo como reportado para ciclistas MTB competitivos de nível internacional [6-15-17], sendo melhor detalhadas em estudo anterior [4].

Avaliação em laboratório Na semana prévia a avaliação em campo, o ciclista foi ava- liado em laboratório para obtenção de algumas características físicas e ?siológicas (Tabela I) que serviram como parâmetro para avaliação do desempenho em campo. Para determina- ção do consumo máximo de oxigênio (VO máx) o ciclista 2 foi submetido a um teste progressivo máximo em um ciclo ergômetro SRM com acurácia de ± 0,5% reportada pelo fabri- cante (SRM Science, Welldorf, Alemanha). Durante o teste, Esta escolha da cadência durante a avaliação é explicada por experiências prévias em nosso laboratório onde este ciclista apresentou uma cadência preferida de 103 rpm durante uma simulação de ciclismo contra-relógio de 40 km e também pelo fato que ciclistas bem treinados preferem altas cadências a ?m O teste incremental tinha carga inicial de 100W, com incrementos de 50W a cada três minutos. A exaustão foi de?nida como o ponto onde a manutenção da carga imposta não foi mais possível. O valor de consumo de oxigênio mais alto obtido durante 30 segundos foi considerado o VO de 2 pico. A análise de gases foi feita a cada respiração, através de um ergo espirômetro VMAX 229 Séries (Sensor Medics, Yorba Linda, CA) que foi calibrado antes da sessão seguindo Para a determinação da concentração de lactato sanguíneo em resposta à carga aplicada, amostras capilares de sangue foram coletadas do lóbulo da orelha direita antes do exercício, quando o ciclista permaneceu em repouso e durante o teste máximo a cada estágio de carga (cada 3 minutos). As amostras foram analisadas após o término do teste através de um anali- Os dados do lactato sangüíneo foram usados para determinar a concentração de lactato no repouso, a concentração máxima do lactato e o ponto do limiar anaeróbico individual (LA)

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do ciclista [19]. A FC foi monitorada a cada cinco segundos durante o teste máximo empregando-se um monitor de FC Polar Accurex Plus (Polar Electro, Oy, Finland).

Tabela I - Características físicas e de desempenho do ciclista ava- Idade 21 anos Estatura 1,85 m Massa corporal 72,1 kg Percentual de gordura 6,63 % VO 5,43 L/min 2máx VO 75,3 ml/kg/min 2máx LA 89 % %VO2máx FC 177 bpm LA FC de repouso 51 bpm FCmáx de laboratório 200 bpm FCmáx no campo 182 bpm Potência máxima produzida 475 W Razão Potência/massa 6,59 W/kg Lactato no repouso 1,24 mmol/L Lactato máximo 11,06 mmol/L VO : consumo máximo de oxigênio; LA : limiar anaeróbico 2máx %VO2max relativo ao consumo máximo de oxigênio; FC : freqüência cardíaca cor- LA respondente ao limiar de lactato; FC de repouso: freqüência cardíaca de repouso; FCmáx: freqüência cardíaca máxima.

Avaliação em campo O tempo total da prova foi de 4h11min, em um dia enso- larado, sem vento, e com temperatura de aproximadamente 24°C. A coleta de dados em campo foi realizada durante uma sessão de treinamento de ciclismo mountain-bike em um terreno que combinava 9 trechos de subidas e 9 trechos de descidas, continuamente, compreendendo aproximadamente 500 metros. A sessão monitorada teve a con?guração de ida e volta, logo, os mesmos trechos que representavam subidas na ida, na volta eram descidas, e vice-versa, o que possibilitou a comparação entre as situações. A FC durante o exercício foi monitorada a cada cinco segundos com um Polar S725 (Polar Durante o treino, o ciclista adotou a posição característica do MTB ? inclinação do tronco de aproximadamente 70º segurando o guidão com os cotovelos levemente ?exionados. A adoção dessa postura minimizou os efeitos do posicionamento sobre a resposta da freqüência cardíaca [20]. O comprimento de pé-de-vela utilizado pelo ciclista foi de 172,5 mm em um sistema de pé-de-vela convencional montado com pedais de engate MTB em uma bicicleta Bianchi Carbon MTB do próprio atleta.

Análise estatística Para a análise da FC mensurada durante o exercício, os dados foram agrupados em média para cada minuto, sendo analisados em relação ao tempo total de prova. Os valores de FC reportados foram classi?cados de acordo com zonas de intensidade em percentual da FCmáx [4]. As quatro zonas de intensidade foram > 90% (anaeróbica), 80-90% (aeróbico intenso), 70-80% (aeróbico moderado) e < 70% FCmáx (aeróbico intermediário) [4-7-11-20-21]. O tempo em que o atleta sustentou cada zona de intensidade foi computado, assim como o tempo suportado em intensidade acima do limiar anaeróbico. Devido ao relevo do percurso, as variações da FC em reposta as descidas e subidas foram comparadas através de teste t de Student, seguindo um nível de signi?- cância de 0,05. O pacote estatístico utilizado foi o Statistica 5.1 (StatSoft Inc., EUA).

Resultados O ciclista avaliado suportou uma intensidade média de exercício correspondente a 82% da FCmáx observada pre- viamente em laboratório, con?rmando a expectativa de alta intensidade esperada para um evento como o estudado. A FC foi monitorada do início ao ?m do exercício, sendo que a FC máxima foi de 182 bpm, alcançada logo no início do percurso, durante o primeiro aclive observado. A FC míni- ma foi de 119 bpm, reportada durante uma das descidas. A média da FCmáx e FCmin observada durante o percurso de ida foi de 175 bpm e 138 bpm, respectivamente, enquanto que a média da FCmáx e FCmin avaliada durante o trajeto de volta foi de 172 bpm e 136 bpm, respectivamente. Na Figura I o comportamento da FC ao longo do percurso é apresentado.

Figura I - Comportamento da freqüência cardíaca ao longo do Foi observado que o atleta permaneceu 4% do tempo total Na Figura II é ilustrado o tempo em que o atleta manteve o exercício sob cada uma das zonas de intensidade utilizadas para a análise dos resultados.

Figura II - Tempo de exercício sustentado para cada uma das zonas de intensidade avaliadas.

A comparação da FC entre as subidas e descidas mostrou diferença estatisticamente signi?cativa para a FC mínima, FC média e FC máxima (p < 0,05), sendo sempre a menor FC observada nas descidas (Figura III). A freqüência cardíaca média nas descidas apresentou diferença de aproximadamente 24 bpm abaixo do observado para subidas. Para os máximos e mínimos valores observados em subidas e descidas a diferença foi de 8 bpm e 23 bpm, respectivamente.

Figura III - Freqüência cardíaca mínima, média e máxima obser- * p < 0,05 (diferença estatisticamente signi?cativa em relação aos valores observados para subidas).

Discussão O objetivo deste estudo foi analisar o comportamento da freqüência cardíaca de um ciclista MTB de elite durante uma sessão de treinamento. As respostas especí?cas para subidas e descidas também foram analisadas. Os resultados indicam que o atleta de elite avaliado apresentou uma alta capacidade aeróbica, sendo capaz de suportar 71% do tempo total de exercício com intensidade correspondente a 80-90% FCmáx. Para as descidas, a FC foi sempre menor, seja ela a máxima, mínima ou média, comparada à subida. A capa- cidade do atleta avaliado em suportar alta intensidade de exercício pode estar relacionada ao tempo de treinamento, cerca de 12 anos, e o fato do referido atleta ter iniciado a participação em eventos competitivos em idade precoce, o que pode ter lhe rendido uma capacidade diferenciada de O início do exercício acarretou grande variação na FC, o que pode ser explicado pelo fato da FC aumentar de acordo com o aumento na intensidade do exercício [1], e também porque é justamente no começo do treino ou competição que o atleta vai buscar a intensidade adequada para o seu ritmo durante o percurso. No início de uma competição MTB os atletas buscam uma largada mais rápida a ?m de assumir a frente do pelotão, o que facilitará a entrada so- zinho em trilhas e percursos mais difíceis [6], acarretando elevação abrupta na FC. A intensidade média suportada pelo atleta con?rmou o reportado pela literatura [10], sobre a capacidade dos ciclistas de estrada em manter o exercício em intensidades elevadas, o que também é reportado para Embora o treino avaliado tenha um predomínio de vias aeróbicas, durante uma parcela do exercício foi suportada uma intensidade anaeróbica, o que confere ao atleta a capacidade de suportar aumentos abruptos na intensidade em resposta a escapadas, onde o atleta se distância do pelotão repentina- mente na busca de uma melhor posição, ou sprints, realizados geralmente no ?nal da prova. Em dados coletados durante uma competição na mesma temporada deste estudo, este mesmo atleta foi capaz de suportar uma intensidade acima do seu limiar anaeróbico durante um tempo superior a 60 Uma alta intensidade de exercício também foi reportada em 14 ciclistas amadores [21] durante uma competição de cicloturismo. Os autores utilizaram metodologia semelhante à empregada no presente estudo para avaliar a intensidade de exercício com base na FC. A intensidade média manti- da durante o trajeto de 230 km foi correspondente a 77% Os resultados demonstraram que durante 18,5% do tempo total da competição (10h14min) o exercício foi mantido sob intensidade abaixo de 70% FCmáx, 28% do tempo total sob uma intensidade classi?cada como aeróbica moderada, 39,5% do tempo total em intensidade considerada como aeróbica intensa e 14% em intensidade considerada anaeróbica. O atleta avaliado no presente estudo sustentou 71% do tempo total de exercício sob intensidade correspondente a 80-90% FCmáx. No presente estudo, o fato do exercício ter uma duração substancialmente menor que a reportada para os 14 ciclistas [21] pode explicar as diferenças nas intensidades e no tempo para cada zona de Nos trechos de subidas e descidas o comportamento da FC foi similar. A maior FC durante o percurso foi observada durante um trecho de subida. Embora a FC continuasse alta durante toda a prova, a FC máxima, mí- nima e média nas descidas foi menor do que nas subidas (p < 0,05), re?etindo assim, a diminuição da intensidade

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cessidade de produzir altas magnitudes de força, devido a aceleração da gravidade que favorece o ciclista em trajetos 3. O fato de que os ciclistas comumente pedalam em pé para vencer uma subida pode in?uenciar a FC de maneira signi?cativa, embora não afete a e?ciência muscular quando ergômetro [25]. A FC observada para o atleta avaliado na subida foi semelhante ao relatado na literatura [26] para 14 ao adotar uma baixa cadência e 170,79 ± 5,73 bpm quan- do uma alta cadência era mantida durante as subidas. As mudanças nas demandas ?siológicas dependem da reposta cardíaca [27] e isso faz com que durante a subida sejam observados os maiores valores de FC devido às mudanças [6]. No entanto, isto não foi observado na sessão de treino do atleta avaliado, onde a FC apresentou sempre uma resposta similar, talvez pelo fato do trajeto envolver subidas, onde a menores. Este é um resultado que também contraria o re- portado por outros autores [21-28], os quais a?rmam ocorrer diminuição da FC durante o percurso da corrida, baseados na hipótese de depleção do glicogênio durante atividades de duração prolongada. 12.

Conclusão A intensidade registrada durante a sessão de treinamento mostrou que o atleta avaliado sustentou um exercício intenso ao longo de mais de 4 horas de atividade, o que corrobora o reportado pela literatura quanto à alta intensidade observada no ciclismo MTB. O atleta avaliado demonstrou um desem- penho de alto nível competitivo ao sustentar uma intensidade de exercício classi?cada como de moderada a alta (80-90% FCmáx) durante 71% do tempo total de exercício. 16. A capacidade física do atleta se deve a um treinamento de alta intensidade, podendo estar ligada também ao fato do atleta ter começado a participar em eventos competitivos em 17. uma idade bastante precoce.

Agradecimentos Os autores gostariam de agradecer a disponibilidade do foi monitorado e também a Polar Eletro Oy da Finlândia e Referências 1. Almeida MB, Araújo CGS. Efeitos do treinamento aeróbico sobre a freqüência cardíaca. Rev Bras Med Esp 2003;9(2):104- 12.

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Normas de publicação Fisiologia do Exercício A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício é uma publicação com periodicidade bimestral e está aberta para a publicação e divulgação de artigos cientí?cos das áreas relacionadas à atividade Os artigos publicados na Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício poderão também ser publicados na versão eletrônica da revista (Internet) assim como em outros meios eletrônicos (CD-ROM) ou outros que surjam no futuro, sendo que pela A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício assume o ?estilo Vancouver? (Uniform requirements for manuscripts submitted to biomedical journals) preconizado pelo Comitê Internacional de Diretores de Revistas Médicas, com as especi?cações que são detalhadas a seguir. Ver o texto completo em inglês desses Requisitos Uniformes no site do International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE), www.icmje.org, na versão atualizada de outubro de 2007 (o texto completo dos requisitos está disponivel, em inglês, no site de Atlântica Editora em Os autores que desejarem colaborar em alguma das seções da revista podem enviar sua contribuição (em arquivo eletrônico/e- mail) para nossa redação, sendo que ?ca entendido que isto não O Comitê Editorial poderá devolver, sugerir trocas ou retorno de acordo com a circunstância, realizar modi?cações nos textos recebidos; neste último caso não se alterará o conteúdo cientí?co, limitando-se unicamente ao estilo literário.

1. Editorial Trabalhos escritos por sugestão do Comitê Cientí?co, ou por Extensão: Não devem ultrapassar três páginas formato A4 em corpo (tamanho) 12 com a fonte English Times (Times Roman) com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, sobrescrito, etc; a bibliogra?a não deve conter mais que dez referências.

2. Artigos originais São trabalhos resultantes de pesquisa cientí?ca apresentando dados originais de descobertas com relação a aspectos experimentais ou observacionais, e inclui análise descritiva e/ou inferências de dados próprios. Sua estrutura é a convencional que traz os seguintes itens: Introdução, Material e métodos, Texto: Recomendamos que não seja superior a 12 páginas, formato A4, fonte English Times (Times Roman) tamanho 12, com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, Tabelas: Considerar no máximo seis tabelas, no formato Excel/ Figuras: Considerar no máximo 8 ?guras, digitalizadas (formato .tif ou .gif ) ou que possam ser editados em Power-Point, Excel, Bibliografia: É aconselhável no máximo 50 referências bibliográ?cas.

Os critérios que valorizarão a aceitação dos trabalhos serão o de rigor metodológico cientí?co, novidade, originalidade, concisão da exposição, assim como a qualidade literária do texto.

3. Revisão Serão os trabalhos que versem sobre alguma das áreas relacionadas à atividade física, que têm por objeto resumir, analisar, avaliar ou sintetizar trabalhos de investigação já publicados em revistas cientí?cas. Quanto aos limites do trabalho, aconselha-se o mesmo dos artigos originais.

4. Atualização ou divulgação São trabalhos que relatam informações geralmente atuais sobre tema de interesse dos pro?ssionais de Educação Física (novas técnicas, legislação, etc) e que têm características distintas de um artigo de revisão.

5. Relato ou estudo de caso São artigo de dados descritivos de um ou mais casos explorando um método ou problema através de exemplo. Apresenta as características do indivíduo estudado, com indicação de sexo, idade e pode ser realizado em humano ou animal.

6. Comunicação breve Esta seção permitirá a publicação de artigos curtos, com maior rapidez. Isto facilita que os autores apresentem observações, resultados iniciais de estudos em curso, e inclusive realizar comentários a trabalhos já editados na revista, com condições de Texto: Recomendamos que não seja superior a três páginas, formato A4, fonte English Times (Times Roman) tamanho 12, com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, Tabelas e ?guras: No máximo quatro tabelas em Excel e ?guras digitalizadas (formato .tif ou .gif ) ou que possam ser editados em Power Point, Excel, etc Bibliografia: São aconselháveis no máximo 15 referências bibliográ?cas.

7. Resumos Nesta seção serão publicados resumos de trabalhos e artigos inéditos ou já publicados em outras revistas, ao cargo do Comitê Cientí?co, inclusive traduções de trabalhos de outros idiomas.

8. Correspondência Esta seção publicará correspondência recebida, sem que necessariamente haja relação com artigos publicados, porém Caso estejam relacionados a artigos anteriormente publicados, será enviada ao autor do artigo ou trabalho antes de se publicar Texto: Com no máximo duas páginas A4, com as especi?cações anteriores, bibliogra?a incluída, sem tabelas ou ?guras.

PREPARAÇÃO DO ORIGINAL 1. Normas gerais 1.1 Os artigos enviados deverão estar digitados em processador de texto (Word), em página de formato A4, formatado da seguinte maneira: fonte Times Roman (English Times) tamanho 12, com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, 1.2 Numere as tabelas em romano, com as legendas para cada 1.3 Numere as ?guras em arábico, e envie de acordo com as As imagens devem estar em tons de cinza, jamais coloridas, e com resolução de qualidade grá?ca (300 dpi). Fotos e desenhos 1.4 As seções dos artigos originais são estas: resumo, introdução, material e métodos, resultados, discussão, conclusão e bibliogra?a. O autor deve ser o responsável pela tradução do O envio deve ser efetuado em arquivo, por meio de disquete, CD-ROM ou e-mail. Para os artigos enviados por correio em mídia magnética (disquetes, etc) anexar uma cópia impressa e identi?car com etiqueta no disquete ou CD-ROM o nome do artigo, data e autor.

2. Página de apresentação A primeira página do artigo apresentará as seguintes informações: - Nome completo dos autores, com a quali?cação curricular e - Autor que se responsabiliza pela correspondência, com o - Título abreviado do artigo, com não mais de 40 toques, para - As fontes de contribuição ao artigo, tais como equipe, aparelhos, etc.

3. Autoria Todas as pessoas consignadas como autores devem ter participado do trabalho o su?ciente para assumir a responsabilidade pública O crédito como autor se baseará unicamente nas contribuições essenciais que são: a) a concepção e desenvolvimento, a análise e interpretação dos dados; b) a redação do artigo ou a revisão crítica de uma parte importante de seu conteúdo intelectual; c) a aprovação de?nitiva da versão que será publicada. Deverão ser cumpridas simultaneamente as condições a), b) e c). A participação exclusivamente na obtenção de recursos ou na coleta de dados não justi?ca a participação como autor. A supervisão Os Editores podem solicitar justi?cativa para a inclusão de autores durante o processo de revisão do manuscrito, especialmente se o total de autores exceder seis.

4. Resumo e palavras-chave (Abstract, Key-words) Na segunda página deverá conter um resumo (com no máximo 150 palavras para resumos não estruturados e 200 palavras para O conteúdo do resumo deve conter as seguintes informações: - Procedimentos básicos empregados (amostragem, metodologia, - Descobertas principais do estudo (dados concretos e - Conclusão do estudo, destacando os aspectos de maior Em seguida os autores deverão indicar quatro palavras-chave para facilitar a indexação do artigo. Para tanto deverão utilizar os termos utilizados na lista dos DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) da Biblioteca Virtual da Saúde, que se encontra no endereço Internet seguinte: http://decs.bvs.br. Na medida do possível, é melhor usar os descritores existentes.

5. Agradecimentos Os agradecimentos de pessoas, colaboradores, auxílio ?nanceiro e material, incluindo auxílio governamental e/ou de laboratórios farmacêuticos devem ser inseridos no ?nal do artigo, antes as referências, em uma secção especial.

6. Referências As referências bibliográ?cas devem seguir o estilo Vancouver de?nido nos Requisitos Uniformes. As referências bibliográ?cas devem ser numeradas por numerais arábicos entre parênteses e relacionadas em ordem na qual aparecem no texto, seguindo as seguintes normas: Livros - Número de ordem, sobrenome do autor, letras iniciais de seu nome, ponto, título do capítulo, ponto, In: autor do livro (se diferente do capítulo), ponto, título do livro (em grifo - itálico), ponto, local da edição, dois pontos, editora, ponto e vírgula, ano Exemplo: New-York: Raven press; 1995. p.465-78.

Artigos ? Número de ordem, sobrenome do(s) autor(es), Título do trabalha, ponto. Título da revista ano de publicação seguido de ponto e vírgula, número do volume seguido de dois pontos, páginas inicial e ?nal, ponto. Não utilizar maiúsculas ou itálicos. Os títulos das revistas são abreviados de acordo com o Index Medicus, na publicação List of Journals Indexed in Index Medicus ou com a lista das revistas nacionais, disponível no site da Biblioteca Virtual de Saúde (www.bireme.br). Devem ser citados todos os autores até 6 autores. Quando mais de 6, colocar Exemplo: Yamamoto M, Sawaya R, Mohanam S. Expression and localization of urokinase-type plasminogen activator receptor in human gliomas. Cancer Res 1994;54:5016-20.

Os artigos, cartas e resumos devem ser enviados para: Guillermina Arias - Atlantica Editora Rua da Lapa, 180/1103 - Lapa - 20241-080 Rio de Janeiro RJ Tel: (21) 2221 4164 - E-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 1 - janeiro/abril 2008 51

Calendário de eventos Setembro 4 a 6 de setembro 9th IHRSA - Fitness Brasil - Latin American Conference & Trade Show São Paulo, SP Informações: www.fitnessbrasil.com.br 17 a 20 de setembro XII Congresso de Ciências do Desporto e Educação Física dos Países de Lingua Portuguesa Ciências do Desporto e Educação Física: Paz, Direitos Humanos e Inclusão Social Porto Alegre, RS Informações: www.esef.ufrgs.br/xiipalops Outubro 9 a 11 de outubro XXXI Simpósio Internacional de Ciência do Esporte ?Da teoria à prática: do fitness ao alto rendimento? São Paulo, SP Informações: www.celafiscs.org.br/ 10 a 12 de outubro 8ª Convenção Norte-Nordeste Fitness Brasil Salvador, BA Informações: www.fitnessbrasil.com.br

Novembro 9 a 12 de novembro V Congresso Brasileiro de História da Educação Aracajú, SE Informações: www.sbhe.org.br/

Resenha Envelhecimento promoção de saúde e exercício Paulo de Tarso Veras Farinatti Editora Manole

Com o aumento da expectativa de vida, iniciativas que aumentem as chances de um envelhecimento saudável e autônomo tornam-se cada vez mais importantes. Envelheci- mento, promoção da saúde e exercício aborda as características e precauções associadas ao planejamento e desenvolvimento de programas de atividades físicas para idosos, com destaque Este volume apresenta fundamentalmente: · Aspectos conceituais da promoção da saúde e do envelhe- cimento.

· Estratégias para prescrição do exercício e apreciação da · Impacto dos exercícios sobre a autonomia e a qualidade · Instrumentos de avaliação da aptidão física e da autonomia de forma geral Atualizada e voltada para a realidade da população brasi- leira, a obra será de grande aproveitamento para pro?ssionais da área da saúde e esporte que trabalham com idosos.

Novos desa?os, Walace D. Monteiro .......................................................................................................................... 55

Luiza Antoniazzi Gomes de Gouveia, Nathalia Caldeira, Marcia Nacif ........................................................................ 56

Marcus Vinícius de Mello Pinto .................................................................................................................................. 60

Janaína Lubiana Altoé, Cintia Lúcia de Lima, João Carlos Bouzas Marins ................................................................... 67

das academias de Santa Maria, RS, Cati Reckelberg Azambuja, Daniela Lopes dos Santos ........................................ 74

Sérgio Siqueira Teotônio, José Sílvio de Oliveira Barbosa ............................................................................................. 81

Vanessa Rodrigues Figueiredo, Dernival Bertoncello ................................................................................................... 93

Marcus Vinicius Grecco ............................................................................................................................................ 100

NORMAS DE PUBLICAÇÃO ............................................................................................................................. 106

EVENTOS ............................................................................................................................................................... 108

Revista Brasileira de FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O Brazilian Journal of Exercise Physiology Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício

Editor Chefe Paulo de Tarso Veras Farinatti Editor Associado Pedro Paulo da Silva Soares Conselho Editorial Antonio Carlos Gomes (PR) Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega (RJ) Dartagnan Pinto Guedes (PR) Douglas S. Brooks (EUA) Emerson Silami Garcia (MG) Fernando Pompeu (RJ) Francisco Martins (PB) Jacques Vanfraechem (BEL) Luiz Fernando Kruel (RS) Martim Bottaro (DF) Patrícia Chakour Brum (SP) Paulo Sérgio Gomes (RJ) Rolando Baccis Ceddia (CAN) Robert Robergs (USA) Rosane Rosendo (RJ) Sebastião Gobbi (SP) Steven Fleck (USA) Yagesh N. Bhambhani (CAN) Vilmar Baldissera (SP)

Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício Corpo Diretivo: Paulo Sérgio C. Gomes (Presidente), Vilmar Baldissera, Patrícia Brum, Pedro Paulo da Silva Soares, Paulo Farinatti, Marta Pereira, Fernando Augusto Pompeu

Atlântica Editora Rua Teodoro Sampaio, 2550/cj15 05406-200 ? São Paulo ? SP

Atendimento e distribuição Shalon / Antonio Carlos Mello Praça Ramos Azevedo, 206/1910 01037-010 ? São Paulo ? SP (11) 3361 5595/ 3361 9932 Assinaturas 1 ano (6 edições ao ano): R$ 180,00 São Paulo: (11) 3361-5595 Editor executivo Dr. Jean-Louis Peytavin jeanlouis@atlanticaeditora.com.br Publicidade e marketing Rio de Janeiro: René C. Delpy Jr rene@atlanticaeditora.com.br (21) 2221-4164 Editora Assistente Guillermina Arias Editoração e arte Cristiana Ribas Atendimento ao assinante atlantica@atlanticaeditora.com.br Redação e administração Todo o material a ser publicado deve ser enviado para o email: artigos@atlanticaeditora.com.br

Atlântica Editora edita as revistas Fisioterapia Brasil, Enfermagem Brasil, Neurociências, Nutrição Brasil e MN-Metabólica. I.P. (Informação publicitária): As informações são de responsabilidade dos anunciantes. © ATMC - Atlântica Multimídia e Comunicações Ltda - Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida, arquivada ou distribuída por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia ou outro, sem a permissão escrita do proprietário do copyri- ght, Atlântica Editora. O editor não assume qualquer responsabilidade por eventual prejuízo a pessoas ou propriedades ligado à confiabilidade dos produtos, métodos, instruções ou idéias expostos no material publicado. Apesar de todo o material publicitário estar em conformidade com os padrões de ética da saúde, sua inserção na revista não é uma garantia ou endosso da qualidade ou do valor do produto ou das asserções de seu fabricante.

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 2 - maio/agosto 2008 55

Editorial Novos desafios Walace D. Monteiro Editor Associado da RBFEx

Este volume da Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício (RBFEx) concretiza a retomada da proposta original de publicação trimestral do periódico. A partir de 2008 a revista retoma sua periodicidade, graças ao empe- nho de algumas pessoas que insistiram em não abandonar o projeto de criação da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício, da qual a RBFEx é órgão o?cial. Além de manter a periodicidade da revista, o próximo desa?o recai na indexação da mesma em algumas bases de dados para o seu crescimento. Esse trabalho já está sendo realizado, para que no próximo ano possamos aumentar o impacto das publicações, o que despertará maior interesse dos pes- Visando aumentar a demanda de artigos encaminha- dos à revista a partir de 2009, estamos criando áreas espe- cí?cas relacionadas à ?siologia do exercício. Desta forma, a revista passará a conter sessões direcionadas aos seguintes aspectos: a) ?siologia do exercício aplicada ao treinamento de alto rendimento; b) ?siologia do exercício aplicada ao condicionamento físico de não-atletas; c) ?siologia do exercício aplicada à prescrição de exercícios para populações com necessidades especiais (criança, idosos, indivíduos com e) ?siologia do exercício e morfologia corporal; f ) ?siolo- gia básica. Também serão aceitos artigos de revisão sobre Por ?m, é importante destacar que estamos reformulando o sistema de envio de manuscritos através de submissão Novos revisores serão adicionados ao grupo existente para agilizar os pareceres dos trabalhos encaminhados, o que é fundamental para a manutenção da periodicidade e quali- dade da revista. Todas essas inovações estão sendo possíveis devido à estrutura da Atlântica Editora, que sempre nos Além de melhorar a consistência do periódico, as inovações implementadas na RBFEx têm um desa?o maior, que é fomentar a retomada das atividades da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício. Reconhecemos que esse é um passo mais ambicioso, contudo, viável de ser atingido e esperamos que a RBFEx possa contribuir. É claro, as mudanças implementadas de nada adiantarão sem a colaboração dos pesquisadores, enviando trabalhos para serem publicados. Acreditamos que a maior diversi?cação de áreas relacionadas à ?siologia do exercício, bem como a retomada da periodicidade da revista sejam passos nessa direção. Mais uma vez agradecemos aos que ajudaram e conclamamos os interessados para enviar estudos e suges- tões para o aprimoramento da revista.

Artigo original Perfil nutricional de praticantes de badminton Nutricional profile of badminton players

Heloá Urban Papadopoli*, Luiza Antoniazzi Gomes de Gouveia*, Nathalia Caldeira*, Marcia Nacif, D.Sc. **

*Graduandas em nutrição pelo Centro Universitário São Camilo, **Nutricionista, especialista em Nutrição Hospitalar pelo HC ? FMUSP, Professora do Centro Universitário São Camilo e da Universidade Paulista

Resumo Introdução: O badminton é um esporte individual ou de duplas, semelhante ao tênis, praticado com raquete e uma peteca. Esta ativi- dade física é do tipo intermitente, e exige força, velocidade, agilidade, bons re?exos e resistência. O presente estudo teve como objetivo realizar a avaliação dos parâmetros antropométricos e nutricionais de atletas integrantes de uma equipe competitiva de badminton, ?liados a um clube da zona sul de São Paulo. Métodos: A amostra foi composta por 6 atletas adolescentes, sendo veri?cados peso, altura, circunferências, dobras cutâneas e dados referentes ao consumo alimentar. Resultados: Segundo o índice de massa corpórea, 16,7% dos jogadores apresentaram sobrepeso, enquanto 83,3% estavam eutró?cos. Em relação ao percentual de gordura corporal, 66,7% estavam acima dos padrões recomendados, e 33,33% apresentavam percentual de gordura adequado. O consumo médio de carboidratos, lipídios, ferro e cálcio estavam inadequados, enquanto ao consumo de proteínas, vitaminas A e C se mostraram adequados. Conclusão: São necessárias intervenções nutricionais, a ?m de otimizar o desem- Palavras-chave: badminton, consumo alimentar, adolescente, antropometria.

Abstract Background: The badminton is a sport of individual or double, similar to tennis, practiced with racket and a shuttle. This physical activity is intermittent, and requires strength, speed, agility, good re?exes and endurance. This study aimed to carry out the evaluation of anthropometric and nutrition parameters of athletes members of a competitive team of badminton, a?liated to a club of the south area of São Paulo. Methods: The sample was composed of 6 athletes adolescents, and checked weight, height, circumferences, skinfold thickness and data on food consumption. Results: According to the body mass index, 16.7% of the players showed overweight, while 83.3% were normal. Regarding the percentage of body fat, 66.7% were above the recommended standards, and 33.33% had adequate percentage of fat. The average consumption of carbohydrates, lipi- ds, iron and calcium were inadequate, while the consumption of protein, vitamins A and C were adequate. Conclusion: Nutritional interventions are needed, in order to optimize the performance of Key-words: badminton, food consumption, teenager, anthropometry.

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 2 - maio/agosto 2008 57 Introdução O badminton é um esporte individual ou de duplas, semelhante ao tênis, praticado com raquete e uma peteca ou volante. O objetivo do jogo é, usando a raquete, rebater a peteca sobre a rede para a quadra do adversário, sem deixar a peteca tocar no chão. Aquele que deixar a peteca cair dentro do seu lado da quadra, ou rebater a peteca para fora da quadra, perde a jogada. O jogo tem duração máxima de três ?games?, o famoso melhor de três, sendo o vencedor do game aquele Esta atividade física é do tipo intermitente e exige força, velocidade, agilidade, bons re?exos e resistência. Esse esporte que teve sua origem na Índia, atualmente é praticado por equipes de todos os continentes, sendo mais de 130 membros da Federação Intermacional de Badminton (IBF) [2]. Sua popularidade aumentou em decorrência de sua inclusão como esporte o?cial nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992, nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, Argentina, em 1995, e principalmente no Brasil pelos Jogos Pan-Americanos Praticantes de atividade física tem uma demanda energé- tica aumentada pelo organismo, pois a energia correponde diretamente à capacidade do indivíduo realizar o trabalho. A avaliação nutricional e o cálculo das necessidades nutricionais, levando em consideração a modalidade praticada, a fase de treinamento e os objetivos da equipe são essenciais para uma A alimentação adequada de praticantes de atividade física e de atletas é essencial para a manutenção da saúde, controle do peso e da composição corporal, melhora do rendimento em treinamentos e competições. Os nutrientes fornecem a energia necessária para o trabalho realizado durante a atividade física, O excesso de peso e, mais especi?camente, o excesso de gordura corporal podem ser vistos como um fator de limitação da performance dos atletas. As características da composição corporal dos atletas podem guiar os treinadores, preparadores físicos e ?siologistas do exercício com informações relevantes no decorrer de um processo de treinamento seja num determi- nado momento, seja durante toda uma temporada ou mesmo Tendo em vista a necessidade de se conhecer melhor as par- ticularidades de um esporte cada vez mais em ascensão como o badminton e as características de seus atletas, o presente estudo teve como objetivo realizar a avaliação dos parâmetros antropométricos e nutricionais de atletas integrantes de uma equipe competitiva de badminton, ?liados a um clube da zona sul de São Paulo ? SP.

Material e métodos Estudo transversal realizado em um clube localizado na zona sul da cidade de São Paulo, com 6 adolescentes, 2 do sexo feminino e 4 do sexo masculino, com idades entre 14 a Para a avaliação antropométrica, verificou-se o peso corporal a partir de balança digital (marca Gradiente®, com capacidade de 150 kg e intervalo 100 g) com a pessoa descalça, usando roupas leves e sem nenhum acessório. O adolescente foi orientado a ?car de costas para a balança, ereto, com os pés juntos e braços estendidos ao longo do corpo. A altura foi veri?cada utilizando-se uma ?ta métrica inelástica (milime- trada, da marca Fiber-glass Japan Butter?y) ?xada na parede, sem relevos, onde o adolescente também permaneceu com os pés descalços, ereto, com os braços estendidos, cabeça livre de adereços e erguida. Os calcanhares, nádegas e ombros foram encostados na parede e a medição foi feita com auxílio de um Foram medidas as circunferências de braço, cintura, qua- dril e abdômen, com o auxílio de uma ?ta métrica inelástica (a mesma utilizada para veri?car a estatura). As dobras cutâneas foram veri?cadas com o auxílio de adipômetro (da marca O IMC foi calculado através da fórmula P/h2 (na qual, P = peso e h = altura). Os pontos de corte utilizados foram àqueles propostos pela curva de IMC/IDADE da Organização O risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares foi estimado a partir dos valores de perímetro abdominal, segundo a IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Pre- venção da Aterosclerose do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia [8] e os pontos de corte para análise do abdômen isolado são: mulheres com valores de CA acima de 80 cm e homens com valores de CA maiores a 94 cm foram classi?cados como apresentando um acúmulo de gordura abdominal considerado como risco associado ao A porcentagem de gordura foi calculada segundo as equa- ções de Slaughter [9] e classi?cada de acordo com os pontos Para a avaliação do consumo alimentar foi aplicado um recordatório de 24 horas aos atletas, a ?m de avaliar a ade- quação nutricional, em relação ao valor calórico, macro e micronutrientes. Estes dados foram calculados por meio do Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário São Camilo, por meio do documento 047/05.

Resultados Todos treinavam badminton com freqüência de 6 vezes na Na tabela I podem ser observados os valores médios, mínimos e máximos e desvios-padrão obtidos na avaliação antropométrica dos atletas.

Tabela I - Valores médios, mínimos, máximos e desvios-padrão dos Parâmetros antro- Desvio- Máxi- pométricos Média padrão Mínimo mo Peso (kg) 60,5 5,43 53,5 68 Estatura (cm) 165 7,38 156 177 IMC (kg/m2) 22,2 1,08 20,86 24,09 Circunferência do braço (cm) 27,78 1,86 26 31,5 Circunferência abdo- minal (cm) 80,6 4,4 75,5 86,5 Circunferência do quadril (cm) 95,58 3,12 91,5 99,5 Circunferência da cintura (cm) 73,86 4,97 71 80,5 Dobra cutânea tricip- tal (mm) 15,5 3,69 10 20 Dobra cutânea bicip- tal (mm) 10,5 2,87 6 14 Dobra cutânea suprailiaca (mm) 15 4 9 21 Dobra cutânea abdominal (mm) 20 6,83 11 31 Dobra cutânea su- bescapular (mm) 10,8 1,46 9 13 % de gordura 21,38 4,28 14,6 25,7 A avaliação do estado nutricional dos atletas, por meio do indicador IMC, mostrou que 16,7% (n = 1) dos jogadores apresentaram sobrepeso (classi?cados entre os percentis 85 e Com relação aos valores de percentual de gordura corporal, veri?cou-se que 66,7 % (n = 4), estavam acima dos padrões recomendados por Deurenberg et al. [10], e 33,33% (n = 2) De acordo com a IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose do Departamento de Ateroscle- rose da Sociedade Brasileira de Cardiologia [8], nenhum atleta Na Tabela II podem ser observados valores médios e desvio-padrão de calorias, macronutrientes e micronutrientes Em relação ao consumo alimentar pôde-se observar que o consumo médio de carboidratos dos atletas está abaixo do recomendado, que é de 60-70% do aporte calórico segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, enquanto que a média do consumo de lipídios está acima dos 30% do VET recomendados por esta Instituição. Quanto à ingestão média de proteínas veri?cou-se que os valores consumidos pelos atletas estão de acordo com a recomendação de 1,2 a A média de ingestão das vitaminas A e C está adequada, segundo as DRIs [11]. De forma contrária, a ingestão de ferro e cálcio está abaixo do recomendado pela Diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte [4].

Tabela II - Valores médios e desvios-padrão de calorias, macro e micronutrientes do recordatório de 24h dos jogadores adolescentes Desvio Calorias, macro e micronutrientes Média padrão Carboidrato (% VET*) 49,79 7,93 Lipídio (% VET) 34,3 5,59 Proteína (% VET) 15,92 3,89 Caloria 2349,72 201,34 Vitamina A (?g) 665,48 266,13 Vitamina C (mg) 123,87 97,9 Ferro (mg) 12,65 5,73 Cálcio (mg) 576,22 292,33 *VET = Valor Energético Total

Discussão A composição corporal e a força muscular podem tanto re?etir no estado de saúde como predizer o desempenho em determinadas modalidades esportivas [12]. Tendo em vista a falta de estudos realizados com atletas e praticantes de badmin- ton, é muito difícil precisar quais são as exigências ?siológicas ocasionadas pela prática deste esporte e os re?exos que essas Os jogadores adolescentes de badminton, participantes do presente estudo, mostraram-se eutró?cos em sua maioria em relação ao IMC, dado também observado por Nunes e Pazin [13], em estudo com jogadores adolescentes de tênis Em estudo com jogadores de basquete com idade média de 15,1 anos foi observado que 57,1% dos adolescentes apre- sentavam percentual de gordura corporal acima dos padrões recomendados, e nenhum atleta apresentava percentual de gordura baixo ou muito baixo [14]. No presente estudo foram observados 66,7% dos atletas com percentual de gordura acima dos padrões recomendados por Deurenberg et al. [10] e nenhum atleta apresentou percentual de gordura baixo ou A adequação do consumo energético e nutricional é es- sencial para a manutenção da performance, da composição corporal e da saúde desses indivíduos. A baixa ingestão de energia pode resultar em fornecimento insu?ciente de im- portantes nutrientes relacionados ao metabolismo energético, à reparação tecidual, ao sistema antioxidante e à resposta O consumo energético médio encontrado foi de 2349,72 Kcal. Apesar de se considerar uma grande variação individual do gasto energético, estes valores merecem uma análise cui- dadosa, pois desvios no consumo de energia trazem consigo alterações metabólicas e ?siológicas.

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 2 - maio/agosto 2008 59

As recomendações de carboidratos para atletas são de 6-10 g/kg de peso corporal por dia ou 60-70% da ingestão energética diária; entretanto, a necessidade individual de- penderá do gasto energético, da modalidade esportiva, do sexo e das condições ambientais. A média de consumo de carboidratos foi de 49,79% do VET neste estudo, estando abaixo do recomendado. O consumo adequado de carboi- dratos é fundamental para a otimização dos estoques iniciais de glicogênio muscular, a manutenção dos níveis de glicose sangüínea durante o exercício e a adequada reposição das Em geral, a ingestão dietética de lipídios de atletas deve seguir as recomendações para a população geral, ou seja, não deve ultrapassar 30% do VET. No presente estudo observou- se um consumo médio de 34,3% do VET, sendo este um valor acima da recomendação e que exige atenção, pois o elevado consumo de lipídios pode signi?car um dé?cit na ingestão de carboidratos, dado observado no presente estudo, representando menores quantidades de glicogênio e perda de As proteínas contribuem para o fornecimento de energia em exercício de endurance, sendo ainda necessária na síntese protéica muscular no pós-exercício. Atualmente, recomenda- se que os atletas de endurance tenham uma ingestão diária de proteínas entre 1,2 a 1,6 g/kg/peso corporal [4]. O consumo médio de proteínas encontrado foi de 15,92% do VET, As vitaminas e minerais participam de processos celulares relacionados ao metabolismo energético; contração, reparação e crescimento muscular; defesa antioxidante e resposta imu- ne. Contudo, tanto o exercício agudo como o treinamento podem levar a alterações no metabolismo, na distribuição e na excreção de vitaminas e minerais. Em vista disso, as ne- cessidades de micronutrientes especí?cos podem ser afetadas conforme as demandas ?siológicas, em resposta ao esforço [16]. A média de ingestão das vitaminas A e C estava adequada A ingestão média de ferro e cálcio se mostrou insu?ciente em todos os atletas. O consumo insu?ciente de ferro causa fadiga e anemia, diminuindo o desempenho e interferindo no treinamento. Recomenda-se atenção especial ao consumo de O consumo adequado de cálcio é particularmente impor- tante para a mineralização adequada e manutenção do osso em crescimento, prevenindo a ocorrência de fraturas e também a osteoporose. Esta substância é perdida no suor e o exercício pode aumentar sua necessidade em atletas [16,17].

Conclusão Embora a maioria dos atletas tenha se apresentado eu- tró?co em relação ao IMC, houve elevada prevalência de indivíduos com porcentagem de gordura acima dos padrões recomendados.

Analisando os dados de ingestão de macronutrientes e micronutrientes, acredita-se que sejam necessárias interven- ções nutricionais, a ?m de otimizar o desempenho atlético Assim, são necessários mais estudos sobre avaliação do estado nutricional e de hábitos alimentares, e que visem a determinação do gasto energético e do per?l ideal de jogadores e praticantes desta modalidade esportiva.

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Artigo original Avaliação da qualidade de vida em pacientes submetidos à revascularização do miocárdio que realizaram reabilitação cardíaca fase I Evaluation of quality of life in patients submitted to myocardial revascularization that participated in a phase I cardiac rehabilitation program

Jaime Luiz Nunes de Aguiar, Esp*, Fabiano Souza Barbosa, Esp*, André Luis dos Santos Silva, D.Sc.*, Hélio Ricardo dos Santos, D.Sc.*, Lamara Laguardia V. Rocha, M.Sc.*, Natália Cardoso Lima**, Daniel Almeida da Costa, Esp ***, Marcus Vinícius de Mello Pinto, D.Sc.****

*Fisioterapeutas, Professores da Faculdade de Minas (FAMINAS ? MG), **Graduanda em Fisioterapia da Faculdade de Minas (FAMINAS ? MG), ***Médico, Professor da Faculdade de Minas. FAMINAS ? MG e Mestrando em Ciências da Reabilitação do Centro Universitário de Caratinga ? MG, ****Professor e Pesquisador do Laboratório de In?amação, Dor e Laser ? LABIINFLA do Programa de Mestrado em Ciências da Reabilitação do Centro Universitário de Caratinga ? MG

Resumo O objetivo deste estudo foi avaliar a qualidade de vida de pa- cientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio que participaram de um programa de reabilitação cardíaca fase I. Foram incluídos neste estudo 11 indivíduos de ambos os sexos (63,63% do sexo masculino e 36,36% do feminino) com faixa etária variando entre 33 e 73 anos e submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio, com quadro clínico estável, participantes do programa de reabilitação cardíaca fase I. Os dados foram obtidos após rea- lização da cirurgia utilizando como instrumento o questionário WHOQOL-Bref. A análise dos resultados aponta um nível de satisfação elevada em várias modalidades avaliadas; 63,60% dos pa- cientes classi?cam sua qualidade de vida como boa e têm capacidade de locomoção funcional. Apesar de revelarem que a dor é um fator limitante de algumas atividades (45,40%) e que houve prejuízo em relação ao sono (45,40%); consideram-se satisfeitos na capacidade de realizar atividades diárias (63,60%). Este estudo sugere os benefícios da reabilitação cardíaca fase I, a qual proporcionou autocon?ança e Palavras-chave: revascularização do miocárdio, qualidade de vida, reabilitação cardíaca.

Abstract The objective of this study was to evaluate quality of life of patients who underwent myocardial revascularization surgery and participated in a phase I cardiac rehabilitation program. 11 individu- als of both genders (63.63% male and 36.36% female), aged 33-73 years old, were submitted to myocardial revascularization surgery, with stable clinical course, and carried out a phase I cardiac reha- bilitation program. Data were obtained after a surgery's procedure, by using a questionnaire WHOQOL-Bref. The results suggested a high level of treatments satisfaction; 63.60% of the patients classi?ed their life quality as good and have locomotor capacity. Although they con?rm that the most common activity limitation was pain (45.40%) and had some problems to sleep (45.40%) they were satis?ed to perform daily activities (63.60%). This study suggests the bene?ts of phase I cardiac rehabilitation, which have provided Key-words: myocardial revascularization, quality of life, cardiac rehabilitation.

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 2 - maio/agosto 2008 61 Introdução A reabilitação cardíaca (RC) é o processo de desenvolvi- mento e manutenção do nível desejável de atividade física, social e psicológica após o início da doença coronária sin- tomática. Os maiores objetivos são: melhora da capacidade funcional e da qualidade de vida, mudança de hábitos após evento coronário, modi?cação dos fatores de risco e redução Os benefícios ocorrem a partir de oito semanas, destacan- do-se os aumentos entre 30% e 40% do consumo máximo de Melhora da qualidade de vida e estabilidade psicológica A avaliação da qualidade de vida (QV) é de suma impor- tância, uma vez que permite perceber o impacto que a doença e as terapêuticas têm nas diferentes áreas de funcionamento do doente, estendendo-se desde o nível somático, com a avaliação dos sintomas físicos, a capacidade funcional e o sono, até à avaliação das respostas emocionais, da capacidade de recreação A fase I da RC aplica-se ao paciente internado. É o pas- so inicial em direção a uma vida ativa e produtiva. Devem predominar a combinação de exercício físico de baixa inten- sidade, técnicas para o controle do estresse e programas de educação em relação aos fatores de risco. O programa, nesta fase, objetiva que o paciente tenha alta hospitalar com as melhores condições físicas e psicológicas possíveis, munido O presente estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida em pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio que participaram do programa de reabilitação cardíaca fase I, através do questionário WHOQOL-Bref.

Fatores de risco para doença cardiovascular A doença cardiovascular (DC) é multifatorial e sistêmica, liga- É nesse conjunto de fatores de risco que a RC atua, em nível primário tentando diminuir a incidência da doença ar- terial coronariana (DAC), e em nível secundário pela redução da morbidade e mortalidade. A prática de exercícios físicos, isoladamente, parece trazer benefício pequeno em relação à morbidade e mortalidade na DAC. Ocorre diminuição mais signi?cativa destas taxas com a associação do exercício à cor- reção dos vários fatores de risco cardiovasculares e mudanças Um dos principais fatores de risco para complicações cardiovasculares é a hipertensão arterial sistêmica (HAS), pois atua diretamente na parede das artérias, podendo produzir lesões. Daí a importância do tratamento anti-hipertensivo na A HAS é o fator mais importante: 80% das mortes por acidente vascular cerebral estão associadas à hipertensão arte- rial, enquanto que 40% das mortes por doenças coronarianas se acompanham de hipertensão. Além disso, a doença hiper- tensiva causa diretamente a morte de 5% dos que morrem por doenças cardiovasculares [5].

Infarto agudo do miocárdio Entre as doenças cardiovasculares, a de maior incidência é a DAC cujas principais manifestações clínicas são a angina pectoris, o infarto agudo do miocárdio (IAM) e a morte Aspectos como utilização de novas tecnologias de reconhe- cida e?cácia, admissão em uma unidade de terapia intensiva, tempo decorrido entre o início dos sintomas e o primeiro atendimento têm mostrado importante impacto na redução A indicação de cirurgia de revascularização do miocár- dio (CRVM) precoce, realizada logo após o IAM, tem sido amplamente discutida com base em observações clínicas, sem que haja consenso sobre os riscos e benefícios deste procedimento, bem como, sobre o intervalo de tempo ideal entre o procedimento e o IAM. Durante muito tempo a re- vascularização precoce foi considerada de risco. Entretanto, mais recentemente, têm sido registrados baixos índices de morbi-mortalidade em pacientes operados nos primeiros dias ou semanas após o IAM [7].

Cirurgia de revascularização do miocárdio A introdução a CRVM, há mais de duas décadas, possi- bilitou uma nova e e?caz terapêutica a pacientes com doença arterosclerótica avançada, com alívio sintomático em grande número de pacientes e aumento da sobrevida em alguns Na CRVM um vaso sangüíneo (geralmente a veia safena e/ou a artéria mamária interna) é anastomosado com a arté- ria coronária; distal ao ponto ocluído, e a aorta ascendente, de forma a isolar o local do vaso obstruído e restabelecer a perfusão da artéria coronária. O objetivo da revasculariza- ção do miocárdio é aliviar a angina e preservar a função do A cirurgia é uma das opções no tratamento cirúrgico destes indivíduos e tem como objetivos: prolongar a vida, promover alívio da dor de angina e melhorar a qualidade de vida dos pacientes [10].

Isso permite o retorno mais rápido às atividades laborativas, redução no número de re-internações hospitalares e redução nos custos a longo prazo [12] Idealizada inicialmente para portadores de DAC, a RC abrange também os pacientes com HAS, doença arterial periférica, valvopatia, cardiopatia congênita, particularmente na sua fase pós-operatória e, mais recentemente, insu?ciência Os programas de reabilitação cardiovascular normalmente Inicialmente a fase I compreende o período de conva- lescença ou fase hospitalar. Esta deve ter sua duração em torno de 7 a 14 dias e tem seu início em até 24 horas após o desaparecimento dos sintomas ou de eventuais complica- ções. Sua ?nalidade é inspirar con?ança ao paciente, reduzir a tensão e o medo, evitar a ocorrência de tromboses venosas, atelectasias pulmonares e reduzir os malefícios do repouso sobre a capacidade física [15]. Inicia-se após o paciente ter A fase II se inicia quando o paciente tem alta hospitalar e volta para casa. Nesta fase, o paciente deve ser submetido a tra- balho de equipe multidisciplinar que objetive, além da prática orientada e supervisionada de exercícios, fornecer orientação nutricional e esclarecimentos [16]. Em relação à fase III da reabilitação cardiovascular, sugere-se também o emprego de atividades para o ganho de ?exibilidade, elasticidade muscular, força e resistência muscular, capacidade cardiorespiratória, bem como da melhora da composição corporal. Tais atividades têm como ?nalidade gerar incrementos nos componentes da aptidão física, facilitando a realização das atividades físicas diárias [17]. A fase IV é considerada como sendo de manu- tenção a longo prazo. Nesta fase devem ser enfatizados tipos diferentes de exercícios de força e resistência muscular, bem como a independência do paciente [18].

Qualidade de vida A qualidade de vida (QV) está diretamente relacionada com a recuperação depois da cirurgia cardíaca, em especial à dimensão física. O indicador de uma baixa qualidade de vida após a cirurgia cardíaca é uma de?ciente recuperação do A QV foi de?nida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como ?a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, Assim, inicialmente, foi desenvolvido um instrumento de avaliação de QV com 100 questões (o WHOQOL-100). O desenvolvimento do WHOQOL-100 seguiu a metodologia envolvendo a participação de vários países, representando diferentes culturas, tendo sido desenvolvida uma versão brasileira [21].

A necessidade de instrumentos curtos que demandem pouco tempo para seu preenchimento, mas com características psicométricas satisfatórias, fez com que o Grupo de Qualida- de de Vida da OMS desenvolvesse uma versão abreviada do Dados demonstram que o impacto do treinamento físico associado à mudança de estilo de vida diminuiu a mortalidade cardíaca de 20 a 35%. A redução na mortalidade aumenta a longevidade, aumentando a expectativa de vida; com isto a pre- ocupação em estudar a qualidade de vida das pessoas [12].

Materiais e métodos Onze indivíduos de ambos os sexos com faixa etária compreendida entre 33 e 73 anos que foram submetidos à cirurgia de revascularização Miocárdica participaram do pro- grama de reabilitação cardíaca fase I do Hospital Prontocor, Foi entregue a todos os participantes o questionário au- topreenchível, WHOQOL-Bref, composto de 26 questões, O questionário utilizado consta de 26 questões, sendo duas questões gerais de qualidade de vida e as demais 24 re- presentam cada uma das 24 facetas que compõe o instrumento original [20]. Estas 24 questões são agrupadas em quatro domínios: físico (7 itens), psicológico (6 itens), relações sociais O instrumento não admite um escore total de QV, por- tanto cada domínio é pontuado de forma independente, entretanto o questionário permite a obtenção de um escore Assim, após o cálculo do escore bruto é possível obter uma média geral de cada domínio e dessa forma, o escore pode variar de zero a cem, sendo que quanto maior o valor, melhor A pesquisa foi aprovada pelos Comitês de Ética em Pesquisa do Hospital Prontocor e da Faculdade de Minas ? FAMINAS.

Resultados A média de idade da população de estudo foi de 57.72 anos, sendo 63,64% do sexo masculino com média de idade de 61,85 anos e o restante 36,36% pertencentes ao sexo Em relação ao preenchimento correto do questionário WHOQOL-Bref, 36,40% dos participantes foram capazes de realizar o preenchimento sem auxílio. Já 63,60% necessitaram Nas tabelas abaixo, pode-se observar a análise das perguntas Ao serem questionados sobre como avaliavam sua quali- dade de vida, 63,6% dos pacientes classi?cam sua qualidade de vida como boa (Tabela I).

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Em relação à satisfação com sua saúde, os pacientes re- velam satisfação, já que 63,3% assinalaram essa alternativa e As questões de 3 a 9 apresentam como opção de resposta nada-muito-mais ou menos-bastante e extremamente. O percentual geral obtido em cada questão se apresenta na As questões de 10 a 14 têm como opção de resposta: nada-muito pouco-médio-muito e completamente, assim, na Tabela IV, apresentamos os percentuais gerais obtidos Em relação à capacidade de locomoção, esse não foi um fator que obteve prejuízo após a CRVM, já que 63,60% dos pacientes revelaram que sua capacidade para locomoção está As questões de 16 a 25 têm como opção de resposta muito insatisfeito-insatisfeito-nem satisfeito, nem insatisfeito- satisfeito-muito satisfeito. As respostas obtidas se mostram na Quando questionados em relação à freqüência com que sentem sentimentos negativos, tais como ansiedade e depres- são, observa-se que apenas 9,20% dos pacientes têm esses sentimentos frequentemente e 45,40% nunca ou algumas vezes. (Tabela VII) Em relação à pontuação frente aos domínios do questio- nário utilizado, realizou-se a distribuição da pontuação obtida por cada indivíduo (Tabela VIII).

Tabela VIII - Distribuição absoluta dos escores brutos frente a Físico Psicoló- Relações Meio am- gico sociais biente Indivíduo 1 21 26 8 40 Indivíduo 2 25 23 12 37 Indivíduo 3 18 24 8 27 Indivíduo 4 18 24 8 27 Indivíduo 5 26 22 11 25 Indivíduo 6 19 21 6 25 Indivíduo 7 23 25 12 33 Indivíduo 8 18 23 11 29 Indivíduo 9 20 21 10 30 Indivíduo 10 23 22 10 31 Indivíduo 11 22 21 16 32 A Tabela IX mostra a média do escore bruto obtido em cada domínio de acordo com o sexo.

Tabela IX - Média (desvio padrão) do escore bruto de cada domínio, Domínios Sexo Masculino Feminino Físico 20 (2.08) 23.2 (3.09) Psicológico 23.4 (1.90) 22 (0.81) Relações sociais 10.4 (2.93) 9.7 (2.62) Meio ambiente 31.1 (4.52) 29. (5.74) Ao estrati?car por gênero percebe-se que os indivíduos do sexo masculino mostraram índices maiores de qualidade de vida com relação ao sexo oposto, entretanto esses valores permaneceram muito próximos demonstrando qualidade de vida adequada para ambos os sexos (Grá?co 1).

Grá?co 1 - Média geral do somatório dos domínios, estrati?cado por sexo.

Ao dicotomizar por faixa etária percebe-se que os indiví- duos acima de 60 anos relataram melhor qualidade de vida em relação aos menores que 60 anos (Grá?co 2).

Grá?co 2 - Média geral do somatório dos domínios após dicoto- mização por idade.

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físico se mostram posteriormente com médias de 20,18% e A média e a mediana do escore geral foram 84,81 (dp = 8,37) e 84 pontos, respectivamente, demonstrando boa quali- dade de vida entre os participantes. A faixa de pontuação ob- tida nos escores brutos do WHOQOL variou de 71 a 97.

Discussão Apesar dos receios provenientes da cirurgia e de todo o processo pós-operatório, observou-se, após a realização da cirurgia, que os pacientes sentiam-se satisfeitos de forma geral. Estes resultados suportam os achados, que estuda- ram 862 pacientes provenientes de CRVM e submetidos à fase I da RC [22]. Em relação à satisfação com sua saúde, este estudo identi?ca a mesma porcentagem em relação à satisfação com a qualidade de vida. O autor ainda revela que tais pacientes haviam retornado às atividades diárias mais rapidamente por sentirem-se preparados ?sicamente para este retorno e emocionalmente estáveis, semelhantes É relatado que os pacientes que passaram pela reabilitação cardíaca não perceberam benefícios além daqueles decorren- tes do procedimento cirúrgico [23]. Tais pacientes foram entrevistados 6 meses e 1 ano após a cirurgia e tiveram suas respostas equiparadas aos pacientes que não passaram pela Em nosso estudo, observa-se que a dor física ainda é um limitante das atividades. A dor do paciente reduz a movimentação, evita respiração profunda, e interrompe o sono, provocando desgaste físico e menor motivação para o Observou-se que os pacientes que passaram pela reabi- litação cardíaca no período hospitalar, relataram ganhos no campo emocional mesmo tendo sido entrevistados 6 meses De acordo com um determinado estudo, os pacientes relataram (12%) comprometimento de funções intelectuais, como a memória [14]. Em nosso estudo, esta não foi uma Com relação à alteração no padrão de humor, relatada no grupo estudado como tristeza, depressão e desânimo, alguns autores referem que no período pós-operatório do paciente revascularizado são comuns crises de choro e momentos de tristeza por se tratar de um tempo de re?exão para o doente que costuma analisar sua vida anterior [26]. Em nosso estudo a grande maioria revela nunca ter sentimentos negativos. Este é um resultado que leva em consideração o bom nível de sa- tisfação revelado em outros aspectos, tais como: segurança no dia-a-dia, condições favoráveis de moradia e transporte, acesso Na categoria locomoção, os pacientes revelam que estão satisfeitos. Por isso, a importância da reabilitação cardíaca em todos os aspectos, incluindo realização de um plano educacio- nal e orientação para alta hospitalar, além disso, o paciente ao receber alta hospitalar, deve estar con?ante em sua capacidade No presente estudo os pacientes revelam insatisfação mo- derada em relação à capacidade de trabalho por não estarem Quanto às atividades sexuais, revela-se que após cirurgia de RVM, há tendência ao não retorno à vida sexual na po- pulação estudada [18]. Esta situação pode ser evidenciada em nosso estudo, já que entre aqueles que responderam esse quesito, apenas uma pequena parcela mostra-se satisfeito com sua vida sexual.

Conclusão Após um mês da realização da cirurgia de revascularização miocárdica, a avaliação de qualidade de vida dos participantes deste estudo revela que a autocon?ança foi devolvida, trazendo melhor perspectiva de vida e segurança para a retomada das Os participantes encontravam-se física e emocionalmente melhores, referindo benefícios trazidos pela reabilitação cardí- aca. Isto leva a concluir a importância de estudos qualitativos e quantitativos para orientar a elaboração de demais estratégias que maximizem os efeitos da reabilitação cardíaca em todos os grupos de pacientes.

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Artigo original Análise comparativa de testes laboratoriais de esteira e de campo para determinar a freqüência cardíaca máxima e o consumo máximo de oxigênio em mulheres saudáveis Comparative analysis between treadmill laboratory tests and field tests to determine the maximum heart rate and maximal oxygen uptake in healthy women

Lawrens Fabrício Cardozo Makkai*, Daniela Fantoni de Lima Alexandrino**, Janaína Lubiana Altoé***, Cintia Lúcia de Lima****, João Carlos Bouzas Marins, D.Sc.*****

*Especialista em avaliação e prescrição de atividades motoras para portadores de necessidades especiais e grupos especiais (em anda- mento) pela UNIFOA e participante do Grupo de Pesquisa - Aspectos Biodinâmicos do Movimento Humano (UFJF), **Especialista em musculação e personal trainer (UCB), Especialista em organização e administração da recreação e do lazer (em andamento) pela UFJF e participante do grupo de pesquisa Corpo e Diversidade cadastrado no CNPq pela FAEFID (UFJF), ***Educação Física, Universidade Federal de Viçosa (UFV), ****Educação Física, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Especia- lista em Educação pela UNIPAC e participante do Grupo de Pesquisa Corpo e Diversidade cadastrado no CNPq pela FAEFID (UFJF),*****Professor Adjunto e coordenador do Laboratório de Performance Humana (LAPEH) do departamento de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Resumo Os objetivos deste estudo foram comparar e analisar as respostas da FC e do VO de dois protocolos máximos de esteira (Bruce máx 2máx e Balke) e dois de campo (Cureton 1600 m e Cooper 2400 m), além de comparar os dados da FC obtida com a predita pelas máx equações de estimação da FC de Tanaka e Marins. Foram ava- máx liadas mulheres (n = 30) com idade média 22,4 ± 1,44 anos. Para determinar as diferenças entre VO e FC (obtida e estimada) 2máx máx optou-se pelo teste de análise da variância Anova One Way, múltiplas comparações ? Tukey. Os resultados do VO indicam haver dife- 2máx Concluímos que o protocolo de Balke proporciona o registro do maior VO e Cooper a maior FC . A equação de Tanaka é mais 2máx Máx indicada para predizer a FC na população estudada, nos quatro máx Palavras-chave: freqüência cardíaca, consumo de oxigênio, equação de predição.

Abstract The present study aims at comparing and analyzing the res- ponses of the HR and VO from two treadmill maximum max 2max protocols performed in laboratory (Bruce and Balke) and two of ?eld (Cureton 1600 m and Cooper 2400 m), as well as comparing the HR data obtained from these tests to the prediction equations max suggested by Tanaka and Marins. The sample comprised women (n = 30) aged 22.4 ± 1.44 years. The One Way Analysis of Variance, multiple comparisons - Tukey was chosen in order to determine the di?erences between HR and VO (obtained and estimated max 2max ones). The results regarding the VO show a signi?cant di?erence 2max between Balke and Cureton protocols. Therefore, we can conclude that Balke protocol provides the register of the highest VO and 2max Cooper as well as the highest HR . Tanaka equation showed to be max the most adequate one to predict the HR in the studied sample, max Key-words: heart rate, oxygen consumption, prediction equations.

Introdução Para a avaliação do componente cardiorrespiratório tem-se o teste de esforço máximo, como sendo um dos exames não invasivos mais utilizados para avaliar atletas, pessoas aparente- mente saudáveis e pessoas com doença cardiovascular suspeita ou conhecida [1]. Essa avaliação física determina entre outros dados a freqüência cardíaca máxima (FC ) e o consumo má- máx ximo de oxigênio (VO ) parâmetros esses importantes para 2máx , a prescrição de exercícios aeróbicos de forma precisa. Esses parâmetros podem ser identi?cados avaliando a capacidade cardiorrespiratória em testes de esteira ergométrica, sendo importante devido a sua homogeneização das condições de avaliação e reprodutibilidade em laboratório. Contudo, esse tipo de procedimento apresenta limitações, como o custo elevado, utilização de aparelhagem so?sticada e inviável para Como alternativa, têm sido proposto protocolos de campo, devido à redução de custos e a aplicação em vários indivíduos em um período curto de tempo. Esses testes foram difundidos no mundo inteiro por sua praticidade, sendo uti- lizados para avaliar escolares, atletas e a população em geral, fornecendo dados para a prescrição de exercícios, seleção esportiva, avaliação da progressão do treinamento e testes Os objetivos de um teste de esforço variam conforme a interpretação do avaliador. Em um diagnóstico médico, o en- foque principal é identi?car possíveis disfunções miocárdicas, distúrbios hemodinâmicos esforço-induzidos e prognosticar doenças cardiovasculares que venham a limitar ou mesmo Especi?camente no campo da Educação Física um teste de esforço terá como principais pontos, avaliar a progressão da preparação física, estabelecer a FC e as zonas metabólicas máx de treinamento, identi?car o limiar anaeróbico, auxiliando assim, a correta prescrição do exercício [7]. O pro?ssional de educação física utiliza-se deste tipo de teste para direcionar e periodizar o seu trabalho atendendo os objetivos do indivíduo A forma de aplicação de um teste de esforço inclui ergôme- tro de braço, cicloergômetro de membros inferiores e esteira rolante, usualmente empregados em laboratório [8]. Contudo, testes de campo são alternativas usuais para determinar o VO e a FC , além de possuir a vantagem de reproduzir as 2máx máx condições em exercício mais próximas do ambiente real, como a temperatura externa e correntes de ar. Cabe ainda destacar que o valor máximo da FC seja determinado individualmente [9], sendo que os testes de campo são uma excelente forma Max Quando não se torna possível a realização do teste de esforço máximo por um professor de Educação Física, devido a fatores estruturais, idade elevada, problemas ortopédicos, coronarianos, obesidade mórbida entre outros, torna-se ne- cessário o emprego de equações que predizem a FC , sendo máx uma alternativa interessante para prescrição de exercício [2], visto que, atualmente existem equações que predizem a FC com margens de erros mínimas de 1,6 a 1,8 bpm para máx uma prova máxima [11]. Em contrapartida, a seleção de uma equação inadequada pode gerar interpretações errôneas sobre Contudo, é necessário observar que existem várias equações propostas, sendo validadas em populações de per?l totalmente diferente, além de fatores como tipo de ergômetro, estado de saúde, gênero e idade [10]. Estabelecer a equação mais ?dedig- na para cada per?l populacional signi?ca prescrever exercícios Comparando mulheres e homens ?sicamente saudáveis no que tange a FC , parece não existir diferenças signi?- máx cativas dos seus valores na literatura [11-14]. As mulheres geralmente apresentam em cada nível de esforço submáximo uma FC mais alta do que os homens, este fato se associa a um menor volume sistólico [15]. Considerando o VO 2máx, foi demonstrado que as diferenças dos valores encontrados entre homens e mulheres, podem, em parte, ser explicado pela maior porcentagem de gordura corporal nas mulheres e menores taxas de hemoglobina no sangue, acarretando assim, em uma redução da capacidade de transporte de oxigênio em relação aos homens agindo de forma negativa no resultado 2máx Assim, os objetivos deste estudo foram comparar as respostas da FC e do VO obtidos em testes de esteira máx 2máx segundo protocolos de Balke [7] e Bruce et al. [17] e os testes de campo de 1600 m de Cureton et al.[18] e 2.400 m de Cooper [5], além de validar as equações de Tanaka et al.[19] [FC = 208,75 ? 0,73 (idade)] e Marins [20] [FC máx máx = 222,2 ? 1,155 (idade)] para estimar a freqüência cardíaca Por último, pretendeu-se veri?car se as equações de Bruce et al. [17] [VO = 42,9 ? 0,312 (idade)] e Neto et al. [21] 2máx [VO = 58,684 ? 0,3124 (idade)] ambas para mulheres 2máx ativas estimam o VO de maneira adequada em jovens 2máx aparentemente saudáveis.

Material e métodos Sujeitos A amostra foi composta por um total de 30 indivíduos do gênero feminino, estudantes universitárias, com idade entre 19 e 27 anos (média de 22,4 ± 1,44 anos), saudáveis e ?sicamente ativas, que se apresentaram como voluntárias para a realização deste estudo. Todas tinham plena consciência dos riscos envolvidos na realização dos testes e eram livres para abandonar a pesquisa em qualquer momento. Ao longo de todo o estudo, foram adotadas as normativas brasileiras para estudos com seres humanos. Para melhor visualização da amostra, a Tabela I traz referências do grupo em questão.

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Idade (anos) %G* MCM ( kg) GT (kg) Média 22,4 21,60 44,87 12,57 Desvio-padrão 1,44 4,68 3,55 3,7 Máximo 27 32,2 55,16 21,28 Mínimo 19 14,5 37,23 1,59 * Cálculo estimado do percentual de gordura (%G) pela técnica de Jackson e Pollock [32]. MCM = massa corporal magra; GT = gordura total.

Procedimentos O estudo foi desenvolvido a partir da coleta de dados no Laboratório de Performance Humana (LAPEH - UFV), além de uma pista o?cial de 400 m de atletismo. Cada um dos indivíduos foi submetido à realização de quatro testes distintos de esforço máximo. Não houve uma ordem pre- determinada para aplicação dos testes, sendo feita de forma Na fase que antecedeu os testes, os indivíduos foram ins- truídos a abster-se de comida pelo menos entre duas ou três horas antes dos testes, a manter a hidratação de forma a não se super-hidratarem, a evitar o álcool, a ter pelo menos 8 horas de sono na noite anterior ao teste e estarem com vestimentas As avaliadas responderam ao PAR-Q proposto por Thomas et al. [22] e receberam um termo de consentimento, revelando todos os riscos possíveis de ocorrer durante a realização dos testes, devendo ser assinado pela voluntária caso estivesse de Foram fornecidas informações prévias a respeito de cada protocolo a ser aplicado, sendo as avaliadas instruídas a evitar segurar-se no corrimão da esteira e a manter o ritmo de corrida no caso do teste de campo. Foi apresentada a cada uma a escala do índice de percepção de esforço (IPE) que compreende Quatro diferentes protocolos de teste de esforço máximo foram aplicados. Nos testes realizados em laboratório foi utilizada uma esteira rolante (Eca?x EG 700X®). O teste de campo foi aplicado na pista de atletismo de 400 metros do A FC foi registrada por meio de monitores cardíacos da marca Polar® S 610i, e a pressão arterial (PA) monitorada com um es?gmomanômetro de coluna de mercúrio da marca Tycos® e um estetoscópio da marca Wan Méd®. A FC prevista máx Fatores ambientais como temperatura e umidade relativa do ar, no laboratório, foram controlados, sendo mantidos valores entre 21 e 23 °C e aproximadamente 60 a 80% de Foram empregados protocolos máximos em esteira rolante de Bruce et al. e Balke, e no campo através dos protocolos de 1600 m de Cureton et al. e 2.400 m de Cooper. Os quatro testes foram realizados exclusivamente na parte da manhã, caso o primeiro tenha sido feito nesse período, ou exclusiva- mente na parte da tarde, caso o primeiro tenha sido realizado Antes de iniciar os testes, o indivíduo permanecia um tempo assentado em repouso (entre 5 e 15 minutos), para serem coletados o menor valor de FC e pressão arterial (PA) inicial. Para desenvolvimento do protocolo, valores de segu- rança para essas variáveis foram preestabelecidos, como FC < 100 bpm, PA diastólica < 90 mmHg e PA sitólica < 140 mmHg, representando uma ação mais conservadora que a As avaliações foram realizadas com intervalos de pelo menos 48 horas. Para os testes de esteira rolante foi feito um aquecimento de três minutos, com velocidade de 3,0 milhas por hora (mph), sem inclinação. No caso dos testes de campo, o aquecimento foi feito por meio da realização de três voltas na pista de atletismo, sendo uma caminhada rápida na primeira e um trote nas duas últimas, mantendo em todas as situações a FC abaixo de 140 bpm. Na esteira, a FC foi registrada a cada minuto, a PA e o IPE no ?nal de cada estágio, desde o aquecimento até o ?nal dos testes. Na O tratamento estatístico deste estudo empregou uma estatística descritiva, com a média, desvio-padrão, valor má- ximo e valor mínimo para cada um dos parâmetros obtidos Para determinar a existência de diferenças signi?cativas do VO ml(kg.min)-1 e FC calculado e obtido, optou-se 2máx máx pelo teste de análise de variância Anova One Way, múlti- plas comparações ? Tukey, sendo considerado um nível de signi?cância de p < 0,05 para considerar válida a hipótese estatística. Utilizou-se o programa estatístico Software Sigma Start®, versão 2.0. As equações utilizadas para estimar a FC foram de Tanaka et al., que corresponde a [208,75 - (0,73 x idade)], e Marins [222,2 - (1,155 x idade)]. Já para estimar o VO adotou-se as equações de Bruce et al. [VO = 2máx 2máx 42,9 ? 0,312 x idade] e Neto et al. [VO = 58,684 ? 2máx 0,3124 x idade].

Tabela II - FC obtida nos quatro protocolos de esforço máximo de Balke, Bruce, Cureton e Cooper e estimada por Tanaka et al. [19] e máx Cureton Cooper Tanaka et al. [19] Marins [7] Balke Bruce 1600 m 2400 m 208,75 - (0,73 x id) 222,2 - (1,155 x id) Média 192,2 189,5 192,6 194,1 192,4 196,3 DP 7,31 6,35 6,42 6,08 1,54 2,29 Máximo 204 205 206 204 195 200 Mínimo 178 179 179 180 189 191 id = idade; m = metros; DP = desvio-padrão.

Tabela III - Níveis de signi?cância das médias de FC (bpm) máx Diferença Grupos FCmáx (bpm) entre médias Marins vs. Balke 196,3 192,2 4,0* Marins Bruce 196,3 189,5 6,7* Marins vs. Tanaka 196,3 192,4 3,9* Marins vs. Cureton 1600 m 196,3 192,6 3,7 Marins vs. Cooper 2400 m 196,3 194,1 2,2 Cooper 2400 m vs. Balke 194,1 192,2 1,8 Cooper 2400 m vs. Bruce 194,1 189,5 4,5* Cooper 2400 m vs. Tanaka 194,1 192,4 1,7 Cooper 2400 m vs. Cureton 194,1 192,6 1,5 1600 m Cureton 1600 m vs. Balke 192,6 192,2 0,3 Cureton 1600 m vs. Bruce 192,6 189,5 3,0 Cureton 1600 m vs. Tanaka 192,6 192,4 0,2 Tanaka vs. Balke 192,4 192,2 0,1 Tanaka vs. Bruce 192,4 189,5 2,8 Bruce vs Balke 189,5 192,2 2,7 * Diferença significativa p < 0,05; bpm = batimento por minuto.

Os dados estatísticos mostram que a equação de Ma- rins pode ser empregada para estimar a FC somente máx nos testes de campo de 1600 m e 2.400 m. Já a equação de Tanaka et al. mostrou ser adequada tanto para os testes de campo deste estudo como para os de esteira de Balke e Bruce et al., concordando com os estudos de Marins e Fernandez [10,11] em estudantes universitários de que Cabe destacar que a equação de Marins não foi testada Ao comparar as médias da FC obtidas em cada protoco- máx lo, observa-se que o valor mais alto registrado (194,1 ± 6,08 bpm) para essa variável foi encontrado no protocolo de 2.400 m de Cooper apontando não existir diferença signi?cativa entre os protocolos, exceto entre Bruce et al. vs. Cooper onde ocorreu essa diferença. Esses resultados estão de acordo com os encontrados por Froelicher et al. [24], que ao compara- rem a FC em dois protocolos máximos em esteira (Bruce máx vs. Balke), não observaram diferenças signi?cativas entre os Entre os protocolos realizados em esteira rolante, o gru- po apresentou valor médio mais elevado em Balke (192,2 ± 7,31 bpm). Assim como nesse estudo, já se observou em outras pesquisas que os testes de campo tendem a provocar maior FC em relação aos de laboratório [8,9]. É possível máx especular que o valor mais alto obtido em pista foi decor- rente das condições ambientais, incontroláveis no teste de campo, levando o sistema cardiovascular a um maior estresse físico [25]. Já nos testes realizados em laboratório, as con- dições ambientais controladas minimizaram a in?uência da temperatura e da umidade nas respostas cronotrópicas Todos os protocolos apresentaram característica de um teste máximo segundo as considerações feitas por Lazzoli [26], de que testes que levassem o avaliado a atingir patama- res superiores a 85% da FC calculada seriam considerados máx máximos. Outro critério para validação é a veri?cação dos valores apresentados no último registro da FC com variação de 10 bpm em relação a FC calculada [27]. Portanto, máx todas as voluntárias envolvidas neste trabalho apresentaram respostas condizentes com as considerações dos referidos Para indicar o emprego de uma equação estimativa da FC , Robergs e Landwehr [28] estabeleceram limites de máx ± 3 bpm para testes máximos e ± 8 bpm para prescrição de exercícios. Neste estudo a equação de Tanaka et al. re- gistrou intervalo de + 0,1 bpm a + 2,8 bpm e Marins com intervalo de + 2,2 bpm a + 6,7 bpm em relação aos quatro Quando comparados os resultados da FC estimada, máx em relação à idade, pelas equações de Tanaka et al. e Marins, encontrou-se diferença estatisticamente signi?cativa (p < 0,05) entre elas, percebeu-se que os valores estimados por Tanaka et al. se encontravam em maior porcentagem dentro da faixa de ?utuação de ± 8 bpm (tabela IV), corroborando com os valores encontrados no estudo de Marins e Fernandez [11] obtendo 81% da amostra dentro da faixa, em comparação a Marins visto na Tabela V.

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Tabela IV - Comparação da faixa de ?utuação de ± 8 bpm da FC obtida nos quatro protocolos com a predita pela equação de máx Abaixo da Dentro da Acima da Teste faixa de ± faixa de ± faixa de ± 8 bpm 8 bpm 8 bpm Balke 15% 75% 10% Bruce 5% 90% 5% Cureton 1600 m 10% 83,33% 6,66% Cooper 2400 m 6,66% 76,66% 16,66% Tabela V - Comparação da faixa de ?utuação de ± 8 bpm da FC obtida nos quatro protocolos com a predita pela equação de máx Abaixo da Dentro da Acima da Teste faixa de ± faixa de ± faixa de ± 8 bpm 8 bpm 8 bpm Balke 30% 70% 0% Bruce 30% 70% 0% Cureton 1600 m 23,33% 73,33% 3,33% Cooper 2400 m 13,33% 86,66% 0% Assim, ?siologicamente, a equação de Tanaka et al. é mais recomendada para sujeitos com características seme- lhantes às deste grupo estudado. Quanto à equação esti- mativa desenvolvida por Marins, foi encontrada diferença signi?cativa ao ser comparada com os protocolos de Balke e Bruce et al., sendo adequada aos protocolos de Cureton et al. 1600 metros e Cooper 2400 metros, retomando, assim, sua proposta inicial tendo em vista que foi desenvolvida tomando como base resultados de FC obtida no teste de máx Os resultados obtidos rati?cam as indicações de Marins [20] para o uso da sua equação para o teste de Cooper de 2.400 m. Contudo, o uso da equação de Tanaka et al. apon- ta ser superior para uso deste grupo. Para o grupo avaliado, tanto para a interpretação dos testes ergométricos como para prescrição de exercícios e Marins utilizada para prescrição de exercícios e para os protocolos de pista. Sendo assim, deve existir por parte do avaliador uma análise para selecionar uma fórmula adequada para determinado teste, evitando assim, mascarar a real intensidade da faixa de treinamento do indivíduo podendo gerar resultados desfavoráveis quanto aos seus objetivos.

responsável pela interrupção do teste reduzindo possivelmente os valores reais do VO do grupo. No trabalho de Kang 2máx et al.[29] veri?cou-se valores próximos a deste estudo 40,84 ml(kg.min)-1. Testes mais curtos acarretam em valores menores de VO , possivelmente por causa de limitações musculares 2máx Os resultados deste estudo sinalizam que uma anamnese prévia auxilia a estabelecer qual tipo de teste poderá ser mais indicado. Em mulheres corredoras com hábito de corrida o teste de esteira de Bruce et al. poderá ser o mais indicado. Por outro lado, o teste de esteira de Balke será recomendado em mulheres ativas, porém, não corredoras minimizando o risco Quanto aos protocolos de Cureton et al. e Cooper, obser- varam-se valores médios para a capacidade aeróbica de 43,59 ± 3,0 ml(kg.min)-1 e 36,29 ± 3,15 ml(kg.min)-1 respectivamente, con?rmando os resultados encontrados por Makkai [25], para esses protocolos, possivelmente esta diferença entre os testes se deva ao fato do protocolo de Cureton et al. ter um tempo de duração menor, sendo assim, o resultado pode ter sido in?uenciado pelo componente anaeróbico. Outro propósito está relacionado com a temperatura ambiente e a umidade do ar, que no caso, poderia afetar o desempenho negativa- mente no teste de Cooper por este ser mais longo, expondo a avaliada a um maior desgaste físico durante a avaliação. É imprescindível que sejam padronizadas as aplicações no que Pollock e Wilmore [30] sugerem então, que para a realiza- ção de um teste de campo seja feito um período de adaptação para que o avaliado experimente o percurso e ritmo do teste, sabendo, dessa forma, o seu tempo médio por volta, apresen- tando assim, um melhor desempenho aeróbico, mais próximo do real. No presente estudo, a maior parte das avaliadas já possuía este conhecimento, contudo em poucos casos foi possível observar avaliadas com di?culdade em administrar Um ponto importante a ser ressaltado é em relação ao tempo de duração do protocolo que segundo a literatura, a faixa recomendável concentra-se entre 8 a 15 minutos [7,30,31]. Contrariando esses autores Astorino et al. [12] investigou sobre tempo ideal para duração de protocolos máximos para homens e mulheres em idade universitária, veri?cou que protocolos com tempo acima de 13 minutos causavam menores resultados de VO 3,45 ± 0,79 L.min-1 2máx versus 3.58 ± 0,83 L.min-1 do protocolo com 10 minutos de duração, concluiu seus achados determinando um tempo entre 10 ± 2 minutos como sendo ideal para aquisição do VO e que tempos acima de 13 minutos causariam redução 2máx Para este estudo o protocolo de Balke obteve o valor médio mais elevado para o consumo máximo de oxigênio 44,88 ± 4,53 ml(kg.min)-1, porém, a duração da avaliação na esteira para este teste oscilou de 19 a 22 minutos, ultrapassando excessivamente o limite recomendado. Para solucionar este problema quanto à aplicação deste protocolo, sugere-se iniciar o teste desconsiderando os estágios iniciais visando manter a avaliação dentro da faixa de tempo predita como ideal, para a amostra deste estudo recomenda-se partir entre o sétimo e décimo estágio do protocolo de Balke.

Conclusão Ao comparar as médias da FC obtidas em cada pro- máx tocolo, observa-se que os valores foram próximos, sendo o protocolo de 2.400 m de Cooper tendendo apresentar a máx Dos quatro protocolos de esforço máximo aplicados, os resultados indicam haver diferença estatisticamente signi?ca- tiva na predição do VO entre os protocolos, com exceção 2máx apenas entre os protocolos de Balke vs. Cureton et al., onde Conclui-se que a equação de Tanaka et al. tem aplica- bilidade aceitável para ser usada nos quatro protocolos, já a desenvolvida por Marins teve resultados consideráveis para o A equação de predição do VO de Bruce et al. apre- 2máx sentou resultados que tendem a subestimar o VO obtido, 2máx exceto em Cooper, já a equação de Neto et al. revelou valores que superestimam o VO em todos os protocolos para a 2máx população analisada neste trabalho, porém, para concretiza- ção destes resultados deve ser aplicado o teste máximo com analisador de gases.

Agradecimentos Estudo parcialmente ?nanciado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

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Artigo original Consumo de recursos ergogênicos farmacológicos por praticantes de musculação das academias de Santa Maria RS Pharmacological ergogenic resources consumption among gymnastic academy performers in Santa Maria RS

Cati Reckelberg Azambuja*, Daniela Lopes dos Santos* *Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS

Resumo O objetivo deste trabalho foi veri?car como ocorre o uso de recursos ergogênicos farmacológicos por praticantes de musculação das academias da cidade de Santa Maria, RS. A amostra estrati?cada proporcional constituiu-se de 236 indivíduos, escolhidos aleatoria- mente, de ambos os sexos, das academias de Santa Maria, RS. O instrumento de coleta de dados foi um questionário, previamente validado, composto por 22 questões sobre o uso de recursos ergo- gênicos farmacológicos, tipos mais utilizados, faixa etária, nível de escolaridade, renda, metodologia adotada para o treino, orientação, ?nalidade de uso, efeitos adversos e controle bioquímico. Os dados A média de idade da amostra foi de 24,4 ± 7,04 anos, sendo que a maioria dos pesquisados foi do sexo masculino (77,12%), com nível de escolaridade superior incompleto (36,44%) e sem renda própria (56,36%). Os resultados indicaram médio consumo de recursos ergogênicos (n = 10; 4,24%). Deca-Durabolin (60%), Durateston (50%) e Hemogenim (40%) foram as substâncias mais citadas, motivados pelo aumento no desempenho (60%) e de peso (50%), sendo que, 50% por vontade própria e 30% por indicação do professor da academia. A aquisição destes ocorreu em farmácias (50%) e através de professores (20%). A maioria dos usuários administrou a substância na forma injetável (50%) e oral (50%), com freqüência de uso diário (40%). Apesar de 80% dos entrevistados que utilizaram ergogênicos terem conhecimento dos possíveis efeitos adversos, somente 10% realizaram exames bioquí- micos de controle das alterações hormonais. Os efeitos colaterais relatados foram irritação (50%), euforia e agressividade (40%); e a média do valor gasto mensalmente na aquisição de REF foi de R$ Palavras-chave: recursos ergogênicos, dopagem, musculação.

Abstract The aim of this work was to verify how the use of pharmaco- logical ergogenic resources occurs when bodybuilder performers The ratio of the strati?ed sample is constituted of 236 individuals, randomly chosen, both sexes, from Santa Maria, in RS ? Brazil, gymnastic academies. The means through which data was collected was a previously validated questionnaire, containing 22 questions about the use of the pharmacological ergogenic resources, much adopted types of those resources, age range, education level, income, training methodology used, orientation, usage target, adverse e?ects and biochemical control. Data was examined using percentage, ave- rages and pattern de?ections. Sample average age was from 24.4 ± 7.04 years, mostly men (77.12%), incomplete third grade education level (36.44%), who did not have their own income (56.36%). The results indicated medium consumption of ergogenic resources (n = 10; 4.24%). Most mentioned substances were Deca-Durabolin (60%), Durateston (50%) and Hemogenim (40%), mainly because of their e?ect in the performance increase (60%) and in weight (50%), and considering that 50% were choosing themselves those products while 30% were using those products after their being indicated by the coach. The purchasing of those products occurred through shopping them in the drugstores (50%) and through coaches (20%). Most users took the substance in the form of shots (50%) and orally (50%), of daily usage (40%). Among the sample group, 80% of the interviewed who were using ergogenics had known of the possible adverse e?ects and even so, only 10% took biochemical control testing on hormonal alterations. The side e?ects reported were irritation (50%), euphoria and aggressiveness (40%); and the monthly average expenditure in the acquisition of pharmacological ergogenic resource was of R$ 236.50 ± 168.05 (R$ Key-words: ergogenic resources, doping, bodybuilder.

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 2 - maio/agosto 2008 75 Introdução A busca pelo corpo perfeito, tão evidenciado pela mídia, a falta de organização em relação às atividades diárias e con- seqüentemente a ilusão de resultados rápidos e facilitados e a necessidade de melhor desempenho em competições são ape- nas alguns dos motivos que tem levado as pessoas a utilizarem A crescente comercialização observada no meio esportivo aumentou a pressão sobre o atleta para alcançar o seu rendi- mento máximo a curto prazo [2]. No caso de atletas de alto nível, o uso de drogas transcende a questão da saúde indi- vidual. As drogas que favorecem o desempenho nas diversas modalidades são consideradas, eticamente, indesejáveis e, portanto, ilícitas, independentemente de produzirem danos para a saúde [3]. O American College of Sports Medicine - ACSM apóia princípios éticos e deplora o uso de esteróides Mais preocupante do que este fato, é o de que os freqüenta- dores de academias têm dividido com os atletas os percentuais de uso destas drogas que, em sua maioria, são substâncias de procedência duvidosa, muitas vezes, manipuladas sem cuidados adequados de higiene, proporcionando, inclusive, Os recursos ergogênicos farmacológicos, condenados pelo Comitê Olímpico Internacional - COI são drogas destinadas a funcionar como hormônios ou neurotransmissores encontra- dos naturalmente no corpo humano. Eles podem intensi?car a potência física, afetar a força mental e o limite mecânico, o que tem despertado preocupação, visto que o consumo vem A utilização de substâncias químicas com o propósito da O exercício e o estresse físico e emocional causam alterações bioquímicas e funcionais importantes que podem modi?car Portanto, este estudo buscou averiguar como ocorre o uso de recursos ergogênicos farmacológicos - REF nos praticantes de musculação das academias de Santa Maria, RS.

Recursos ergogênicos farmacológicos Ergogênicos são aquelas substâncias ou fenômenos que melhoram o desempenho de um atleta [8]. Os recursos er- gogênicos farmacológicos fazem parte da Toxicologia Social que, segundo Oga [9], é a área da Toxicologia que estuda os efeitos nocivos decorrentes do uso não médico de fármacos ou drogas, causando danos não somente ao indivíduo mas Por fármaco entende-se uma substância de estrutura quí- mica de?nida que, quando em contato ou introduzida em Droga é a matéria prima de origem mineral, vegetal ou animal que contém um ou mais fármacos [10].

perfeito? para o praticante de musculação que possui objetivos estéticos. Infelizmente, cada vez mais o efeito terapêutico dos anabolizantes é desvirtuado a ponto da própria concepção leiga do seu nome ser associada a um perigo iminente, o que de fato se justi?ca em decorrência dos abusos cometidos e dos episódios trágicos freqüentemente relatados [15].

Materiais e métodos A coleta de dados ocorreu entre os meses de setembro e novembro de 2004, sendo que a amostra estrati?cada proporcional constituiu-se de 236 indivíduos, escolhidos aleatoriamente, de ambos os sexos, das academias inscritas no Departamento de Estágios de Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Santa Maria. O instrumento utilizado para avaliar o objetivo proposto foi um questionário, previamente validado, composto por 22 questões sobre o uso de recursos ergogênicos farmacológicos, tipos mais utilizados, faixa etária, nível de escolaridade, renda, metodologia adotada para o treino, orientação, ?nalidade de uso, efeitos adversos e controle bioquímico, acompanhado de termo de consentimento livre e esclarecido. A análise dos dados foi realizada através de estatística descritiva [16] para de- terminação da média aritmética, desvio padrão e percentuais e de forma qualitativa, conforme os objetivos da pesquisa.

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?siológica entre alongamento e ?exionamento repercute de forma negativa entre aqueles que realizam exercícios físicos com a intenção hipertró?ca, ressaltando-se que, segundo Guiselini [27], músculos muito encurtados podem exercer uma pressão muito grande em partes do corpo mais susce- Os REF mais citados, entre os usuários, foram os classi- ?cados no grupo de EAA ? Hemogenim, Deca-Durabolin e O estudo realizado por Iriart & Andrade [21], em Salvador (BA), veri?cou a predominância do uso de Testosterona e Nandrolona, além da combinação de Testosterona e Estra- diol. Segundo Araújo et al. [24], dos 17 usuários de EAA das academias de Goiânia (GO), 66% utilizavam Hemogenim e Testosteron.

Tabela I - Distribuição da freqüência e percentagem de usuários, segundo o tipo de REF usado pelos praticantes de musculação das Recurso ergogênico farmacológico f %* Deca-Durabolin 6 60.00 Durateston 5 50.00 Hemogenim 4 40.00 Winstrol 3 30.00 Testosterona 3 30.00 Cocaína 2 20.00 Ecstasy 3 30.00 *A soma dos percentuais não totaliza 100% por ter sido permitido a marcação de mais de uma opção.

A Tabela II demonstra que as formas de administração mais utilizadas foram oral e injetável. Iriart & Andrade [21] relataram no seu estudo que a via de administração injetável Foi veri?cado, também, que 70% dos usuários da amostra fazem uso combinado de REF, na tentativa de potencializar os efeitos anabólicos e, muitas vezes, minimizar os efeitos androgênicos e adversos [4].

Tabela II - Distribuição da freqüência e percentagem de usuários, segundo a forma de administração de REF usado entre os praticantes Formas de Administração REF f %* Oral 5 50.00 Injetável 5 50.00 Supositório 2 20.00 Adesivo 1 10.00 A soma dos percentuais não totaliza 100% por ter sido permitido a marcação de mais de uma opção Quanto a freqüência de uso dos ergogênicos, na Tabela III, veri?ca-se que houve predominância da aplicação diária e semanal que, reforçada pela combinação de uso oral e injetável que, segundo Lise et al. [4], caracterizaram a meto- dologia ?mista?. Foi identi?cado entre os pesquisados um que adotava o ?ciclo? (cycling), que usava o EAA por 8 semanas consecutivas e, após um intervalo não de?nido, retomava a administração.

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(20%). Outra importante ressalva faz-se necessária, visto que se veri?cou que nem todos os instrutores de musculação das academias de Santa Maria (RS) são pro?ssionais formados em Educação Física. Pesquisas têm demonstrado que, além dos farmacológicos, recursos ergogênicos nutricionais têm sido indicados por instrutores e professores das academias [24,18,30]. Segundo o Código de Ética do Conselho Federal de Educação Física - CONFEF [31], esta prática caracteriza exercício irregular da pro?ssão e demonstra uma atitude Os usuários de REF também foram questionados quanto Foram relatados, principalmente, irritação, euforia e agressivi- dade (Tabela IV). Lise et al. [4] considera a euforia e a irritação como efeitos adversos comuns. Segundo o estudo de Araújo et al. [24], os usuários de anabolizantes referiram-se à euforia (81%) e aumento de cravos e espinhas (94%).

Tabela IV - Distribuição da freqüência e percentagem dos efeitos adversos causados pelo uso de REF por praticantes de musculação Efeito adverso f %* Irritação 5 50.00 Euforia 4 40.00 Agressividade 4 40.00 Hálito forte 4 40.00 Cãimbras 2 20.00 Tremores 2 20.00 A soma dos percentuais não totaliza 100% por ter sido permitido a marcação de mais de uma opção.

A maioria dos usuários (80%) a?rmou ter conhecimento Apesar de alarmante, este dado con?rma os achados discutidos anteriormente: usuários com maior grau de escolaridade e independência ?nanceira deixaram-se iludir pelos benefícios ergogênicos imediatos, para alcançar objetivos puramente estéticos, menosprezando os potenciais riscos para a saúde, Entretanto, segundo Iriart & Andrade [21], no estudo realizado entre jovens de um bairro popular de Salvador (BA), foi observado que ?de maneira geral, os ?siculturistas entre- vistados não demonstraram bom nível de informação sobre Ressalta-se a falta de informação em relação às propriedades farmacológicas dos EAA, o conhecimento informal através de experiências próprias ou de amigos e a tolerância aos sintomas Con?rmando o exposto anteriormente e, apesar dos usu- ários terem a?rmado possuir conhecimento sobre os efeitos adversos causados pelo uso de REF, 90% destes não realizam exames bioquímicos para controlar as possíveis alterações metabólicas, demonstrando que talvez este conhecimento restrinja-se aos efeitos mais comuns e menos preocupantes.

Apesar de não ser objeto de estudo desta pesquisa, é im- portante registrar que 3,39% (n = 8) informaram o uso de suplementos nutricionais, demonstrando o desconhecimento, por parte dos usuários, do tipo de recurso ergogênico que Os recursos ergogênicos nutricionais - REN citados foram Creatina, L-Carnitina, Albumina, Proteína de Soja Texturizada e Levedura de Cerveja, motivados por melhora de desempenho e pela vontade de emagrecer. Foi veri?cado que a indicação ocorreu por vontade própria, através de amigos e familiares e por informações obtidas por meio de publica- ções especializadas. A grande maioria relatou que adquiriu os produtos em lojas do ramo e em farmácias. A administração acontecia na forma oral, líquidos, cápsulas e em pó, diaria- mente ou somente em dias de treino. Os resultados obtidos com o uso de REN foram diversos, desde emagrecimento, maior disposição para treinar e aumento de massa muscular, até o não reconhecimento de nenhum efeito. Os usuários de REN a?rmaram possuir conhecimento sobre os efeitos ad- versos, porém, o único relatado foi cefaléia esporádica e não realizam exames bioquímicos de controle. Em relação ao gasto mensal na aquisição dos suplementos, veri?cou-se que estes se encontram numa faixa de valores bem inferior a dos REF, concentrando-se em aproximadamente R$ 20,00.

Conclusão Os dados produzidos neste estudo permitem concluir que o uso de recursos ergogênicos farmacológicos por praticantes de musculação nas academias de Santa Maria, RS é consi- derado de médio para alto quando comparado às pesquisas Entre os recursos ergogênicos farmacológicos mais uti- lizados, os esteróides anabolizantes androgênicos ganharam destaque, sendo, o Deca-Durabolin, Hemogenin e Durates- Todos os usuários eram do sexo masculino e, a maioria deles, tinha idade entre 23 e 28 anos, nível de escolaridade superior, renda até 6 salários mínimos e comprometiam entre A estética foi a maior motivação entre os usuários para praticar a musculação. O tempo de treino variou até três anos, sendo a hipertro?a, o principal objetivo. A maior parte dos usuários treinava de quatro a seis dias por semana, em rotinas Melhor desempenho físico foi o motivo que levou os usuários a utilizarem os REF, por vontade própria, adquiridos, A administração ocorria nas formas oral e injetável, dia- Contudo, os usuários de REF admitiram ter conhecimento sobre os efeitos colaterais e não realizarem exames bioquímicos de controle. Euforia, irritação e agressividade foram os efeitos adversos mais assinalados.

de REF entre os praticantes de exercícios físicos brasileiros, faz-se necessário a realização de outros trabalhos para identi- ?car com maior precisão o consumo destas substâncias pelos Considera-se de suma importância a divulgação das conse- qüências do uso de REF e orientação das pessoas diretamente envolvidas na prática esportiva, visto que o consumo deste tipo de substância apresenta-se signi?cativa. 18.

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Revisão Treinamento de força muscular em portadores da síndrome da fibromialgia Muscle strength training in patients with fibromyalgia syndrome

Sérgio Siqueira Teotônio*, José Sílvio de Oliveira Barbosa**

*Licenciatura Plena em Educação Física e Desportos na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, **Orientador, UERJ

Resumo A Síndrome da Fibromialgia (SFM) é uma condição dolorosa generalizada, crônica, não-in?amatória. É considerada síndrome pela razão de englobar uma série de manifestações clínicas, como dor, fadiga, indisposição, distúrbios do sono, entre outras. Apesar de a SFM poder apresentar-se de forma extremamente dolorosa e inca- pacitante, ela não ocasiona comprometimento articular in?amatório ou restritivo. A dor muscular é uma manifestação muito freqüente na ?bromialgia, podendo ser difusa ou acometer preferencialmente algumas regiões, como o pescoço e os ombros. Os exercícios físicos geralmente são incluídos no programa de reabilitação de pacientes com SFM. Apesar de haver muitos estudos examinando o efeito do treinamento aeróbio, relaxamento muscular e alongamentos, o treinamento de força (TF) como meio de tratamento foi pouco estudado. Apenas recentemente, os pesquisadores têm avaliado e incluído o TF em programas de exercício físico para indivíduos com ?bromialgia. Assim, o TF vem surgindo como mais uma estratégia de intervenção ou opção de tratamento, no sentido de intervir positivamente no tratamento da SFM, minimizando o quadro miálgico, bem como melhorando a qualidade de vida dos Palavras-chave: treinamento, força, fibromialgia.

Abstract The Fibromyalgia Syndrome (FMS) is a non-in?ammatory chronic pain condition. It is considered a syndrome due to clinical symptoms: musculoskeletal pain, fatigue, tiredness, sleep disturban- ces and headache. Although FMS maybe extremely painful, there is no in?ammatory or restrictive ?ndings. Pain may be di?use or There are several studies analyzing e?ects of aerobic training, mus- cular relaxation, stretching on FMS, but few researches focused on resistance training (RT) as treatment tool for FMS. There are recent studies including RT in physical exercises programs for FMS, so that RT appears as an auxiliary tool for FMS treatment. Exercises are commonly included. Treatment plans must be individualized to respond to the patient's needs and lifestyle. Several studies show the e?ect of aerobic treatment, muscular relaxing and extension. Exercise has proven to be bene?cial and essential as a natural treatment for ?bromyalgia. Strength training as a treatment for ?bromyalgia has not been much studied. Nowadays it has been included as another way of treatment and can produce great improvements in overall Key-words: training, strength, fibromyalgia.

Introdução A Educação Física vem ampliando seu campo de ação e se especializando em diferentes áreas em função da crescente demanda por atividades preventivas e terapêuticas. A pres- crição de exercícios está buscando cada vez mais atender às Para pessoas portadoras de doenças crônicas isso não é diferente. Como veremos mais adiante, diversos estudos vêm sinalizando para a importância da inclusão de exercícios físicos, Há uma crescente demanda por estas atividades, ainda mais Dentre as patologias que apresentam dor crônica, a Síndro- me da Fibromialgia (SFM) ? ou, simplesmente, ?bromialgia ? vem despertando cada vez mais interesse de pesquisadores pela necessidade de respostas a diversas questões que continuam parcialmente respondidas e pelo grande número de pessoas que procuram clínicas, ambulatórios, centros esportivos, clubes e academias em busca de exercícios físicos adaptados a suas necessidades. Vale ressaltar o aumento da pesquisa e melhoria da qualidade cientí?ca de estudos sobre SFM e Para que possa ser oferecida mais uma variedade de atividade física ao portador de ?bromialgia, possibilitando mais um au- xílio ao controle de seu quadro clínico e ainda melhorando sua qualidade de vida, buscou-se através desta revisão de literatura, identi?car os prováveis benefícios proporcionados pelo treina- mento de força, ainda hoje carente de um número maior de Sabendo que a ?bromialgia é uma patologia que acomete o músculo esquelético, torna-se necessário saber sobre sua estrutura e funcionamento, como ele se compõe, assim como sobre a síndrome e da possível contribuição do treinamento de força no controle do quadro clínico e melhora da qualidade Este trabalho divide-se, portanto, em quatro partes: a primeira faz uma descrição da síndrome da ?bromialgia; em seguida, uma breve abordagem sobre os aspectos musculares do corpo humano; depois, as possíveis contribuições do treinamento de força para os portadores da síndrome; e por ?m, são apresentadas algumas sugestões para prescrição de Para o desenvolvimento deste estudo, optou-se pela pes- quisa bibliográ?ca, em função desta demonstrar diferentes metodologias empregadas no treinamento da força muscular em portadores da SFM e seus respectivos resultados, auxi- liando para uma futura prescrição de exercícios mais segura e com alguma perspectiva.

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tados na maioria dos casos [6]. Assim, o tratamento da SFM ajuda o ?bromiálgico a lidar com as tarefas da vida diária de Após o diagnóstico e a avaliação do médico, bem como a identi?cação de qualquer doença associada, o próximo passo Segundo Norm e Hanson [7], o objetivo imediato é educar e informar o paciente sobre sua doença, assegurando-lhe que seus sintomas são reais e podem ser controlados. Em seguida a isso, a terapêutica pode ser dividida em não- medicamentosa e medicamentosa. Na realidade, as duas Apenas 25 a 45% dos pacientes respondem, contudo, ao tratamento com drogas [8]. Após cinco anos, mais de 80% continuam sintomáticos [9]. Sendo assim, a terapia medica- mentosa sozinha é insu?ciente no tratamento de pacientes ?bromiálgicos. As formas de tratamento não medicamentoso atualmente utilizadas são: acupuntura, tratamento cogniti- vo comportamental, biofeedback (técnica de relaxamento e reeducação corporal na qual o indivíduo monitora sua contração e relaxamento por meio de eletroneuromiogra?a ? EMG) e exercícios físicos [1].

Definição e breve histórico No início do século XX, pessoas que apresentavam dor generalizada e uma série de queixas mal de?nidas não tinham Por vezes, diagnósticos envolvendo problemas emocionais consideravam tais problemas como fator determinante desse quadro ou então um diagnóstico errôneo estabelecia como ??brosite?, in?amação das ?bras musculares. Isso ocorria, pois se acreditava que houvesse o envolvimento de um processo Atualmente sabe-se que as dores difusas ? com recorrência durante determinado tempo ? não estão somente relacionadas com problemas emocionais ou estresse da vida diária, como é o caso da Síndrome da Fibromialgia [11].

Epidemiologia Com base em pesquisas internacionais, a freqüência da ?bromialgia é de 1 a 5% na população em geral [11]. Nos serviços de clínica médica, essa freqüência é em torno de 5%, e nos indivíduos hospitalizados, 7.5%. Em clínicas de reumatologia, por sua vez, essa síndrome é detectada entre 14% dos atendimentos. No Brasil, uma pesquisa feita com as populações de Porto Alegre, Fortaleza e Rio de Janeiro, em 1982, observou que 10% da população total destes estados era portadora de ?bromialgia, além de ressaltar a in?uência A ?bromialgia é mais freqüente no sexo feminino, que cor- responde a 80% dos casos [11]. As estimativas de prevalência variam de acordo com os estudos, a população avaliada e a metodologia aplicada, mas, de maneira geral, a ?bromialgia afeta indivíduos do sexo feminino, entre 80 e 90% dos casos detectados. Cerca de 10 % das mulheres adultas jovens entre 20 e 49 anos são afetadas, sendo que a prevalência tende a se elevar com a idade, alcançando cerca de 23% das mulheres Em média, a idade do seu início varia entre 29 e 37 anos, sendo a idade de seu diagnóstico entre 34 e 57 anos, pois em geral tardiamente o paciente consegue encontrar um pro?s- sional que lhe dê um diagnóstico preciso. Os sintomas de dor, fadiga e distúrbios do sono tendem a instalar-se lentamente na vida adulta. No entanto, 25% dos casos referem apresentar estes sintomas desde a infância [11].

presente e manifestar-se como ?cutis marmorata? em especial A dor muscular, apesar de difusa, pode acometer prefe- rencialmente algumas regiões, como o pescoço e os ombros e então propagar-se para outras áreas do corpo. O indivíduo descreve sua sensação de dor das mais diferentes formas, desde um leve incômodo até uma condição incapacitante. Por vezes relata ardência, dor em pontadas, rigidez, câimbras [21].

Possíveis fatores desencadeantes A ?bromialgia está relacionada à interação de fatores ge- néticos, neuroendócrinos, psicológicos e distúrbios do sono [22]. Frente a processos dolorosos, a esforços repetitivos, à artrite crônica, a situações estressantes como cirurgias ou traumas, processos infecciosos, condições psicológicas e até retirada de medicações, como corticosteróides, pode haver alterações nos mecanismos de percepção da dor, predispon- do o indivíduo à ?bromialgia [24,25]. Assim sendo, uma infecção, um episódio de gripe ou um acidente de carro pode estimular o aparecimento dessa síndrome. Por outro lado, os sintomas de ?bromialgia podem provocar alterações no humor e diminuição da atividade física, o que agrava a condição de dor. Pode-se observar, portanto, uma ?via de mão dupla? Não se pode a?rmar que a ?bromialgia seja uma condição psiquiátrica primária, porém fatores psicológicos apresentam Parece que os distúrbios psicológicos como a ansiedade, depressão e estresse atuam como fatores de retro-alimentação positiva à condição dolorosa crônica em portadores da SFM Doenças crônicas, como as artropatias in?amatórias, devem, muitas vezes, ser encaradas dentro de um contexto biopsicossocial, uma vez que não existe um processo biológico único envolvido em sua origem, no entanto, evidências de lesão tecidual estão presentes. O termo ?síndromes disfuncio- nais? foi proposto por Yunus [24] para melhor compreender os mecanismos bio?siológicos envolvidos em síndromes crônicas nas quais não se detecta lesão tecidual. Pela denominação ?mecanismos bio?siológicos?, entende-se a natureza de uma determinada entidade clínica, suas causas, processos e con- seqüências. Este modelo integrado é o que melhor se aplica Uma idéia bastante razoável sugerida por Feldman [28], para explicar como o músculo esquelético é afetado pela SFM, engloba, entre outros fatores, a microcirculação muscular e o microtrauma repetitivo do músculo. Fatores preexistentes (alterações nos receptores de serotonina, endor?na) e fatores precipitantes (trauma repetitivo, descondicionamento, distúr- bios do sono) poderiam ativar nociceptores e meconoceptores, que ocasionariam excitação na neurotransmissão da dor por meio do Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Simpático (SNS); a dor e a inatividade conduziriam ao des- condicionamento do músculo e à fadiga, ?cando o músculo mais exposto ao microtrauma. Os distúrbios do sono e outras condições orgânicas ou psicológicas poderiam agravar o mi- crotrauma muscular.

Diagnóstico Estudos demonstram que a de?nição do diagnóstico bem como a melhor compreensão por parte do paciente sobre a natureza da sua doença contribuem para aliviar seu ?com- portamento doentio?, aliviar sua sintomatologia complexa e conseqüentemente reduzir sua procura por serviços médicos diminuindo os gastos com a saúde. Estes pacientes adquirem melhores condições de enfrentamento de situações adversas Como não existem exames complementares que por si só con?rmem o diagnóstico, a experiência clínica do pro?ssional que avalia o indivíduo com ?bromialgia é fundamental para o sucesso do diagnóstico e do tratamento. Porém, é importante ressaltar que a boa descrição dos sintomas ? em detalhes ? e da duração dos mesmos são fatores também determinantes Há pesquisas que indicam, ainda, que o portador da SFM Em 1990 foram elaborados critérios diagnósticos que, embora sejam atualmente criticados, ainda são muito utiliza- dos, sobretudo em estudos de pesquisa clínica. Esses critérios auxiliam no diagnóstico dessa síndrome, diferenciando-a de outras condições que acarretem dor muscular ou óssea. Eles valorizam a questão da dor difusa por um período maior que três meses e a presença de pontos dolorosos padronizados [32- 35]. Esses pontos são considerados presentes quando, ao serem pressionados pelo médico a uma certa intensidade (4 kgf de pressão máxima), o indivíduo refere dor [36]. A presença de sensibilidade dolorosa em determinados sítios anatômicos, é um achado clínico importante e são chamados de ?tender Faz-se importante ressaltar que os ?pontos dolorosos? não são geralmente conhecidos pelos pacientes, e nor- malmente não se situam na zona central de dor por eles referida. Os critérios de resposta dolorosa em pelo menos 11 desses 18 pontos é recomendado como proposta de classi?cação, mas não deve ser considerado como essencial para o diagnóstico. Alguns pacientes com menos de 11 sítios dolorosos podem ser classi?cados como portadores de ?bromialgia [38].

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Desde 1990 esses critérios estabelecidos pelo Colégio Americano de Reumatologia (ACR) são adotados internacio- nalmente para o diagnóstico da ?bromialgia [39].

Fatores moduladores As manifestações de dor podem variar de acordo com o horário do dia, intensidade dos esforços físicos realizados, condições climáticas, aspectos emocionais e ligados ao pa- drão do sono [40]. Os principais fatores geradores e também moduladores são: estresse emocional, processos infecciosos (principalmente virais) e traumas físicos (DORT, cervicalgia pós-acidente, cirurgias de grande porte). As situações de es- tresse, falta de condicionamento físico e a reação psicológica às doenças poderiam atuar como ampli?cadores nociceptivos e perpetuadores dos sintomas dessa síndrome [1].

A dor Devido ao fato de a dor muscular ser o sintoma principal desta condição, os estudos do músculo tem recebido atenção de muitos investigadores. Durante os últimos anos, os estudos controlados, comparando a estrutura e a função muscular Os achados histológicos nesses pacientes, tanto por micros- copia ótica como por microscopia eletrônica, têm se mostrado normais ou com alterações estruturais não-especí?cas, que A isquemia ou o distúrbio metabólico parece exercer influência, pelo menos nos sítios denominados ?tender points?, pois os estudos do metabolismo muscular concluí- ram que existem anormalidades de oxigenação nesses pontos musculares [45,46]. Contudo, não foi provado ainda se tal anormalidade seria uma alteração primária do músculo, ou seria secundário ao descondicionamento físico aeróbio desses indivíduos, uma vez que cerca de 80% dos ?bromiálgicos apresentam níveis abaixo da média nos estudos de condicio- Uma antiga hipótese sobre a possibilidade de que ?a hipóxia produziria espasmo muscular e isquemia, que con- seqüentemente aumentaria a dor causando mais espasmos, e assim formaria um ciclo vicioso?, não se sustentou pela falta de evidência eletro?siológica de espasmo muscular nestes A força e o desempenho muscular de pacientes portadores de SFM são comparáveis aos das pessoas normais [48,49]. Po- rém, existe uma diminuição da contração voluntária máxima (provavelmente pela falta de esforço voluntário) e, em alguns casos, uma diminuição na capacidade de relaxamento durante Trabalhos recentes aplicando a técnica de espectroscopia por ressonância magnética nuclear utilizando fósforo (P31), no intuito de estudar o metabolismo muscular na ?bromial- gia, não conseguiram demonstrar anormalidades, tanto nos Os estudos de ?uxo sangüíneo muscular demonstram alterações que podem ser justi?cadas apenas pelo descondi- Outra hipótese sugere que a origem da dor nesta síndrome seria por tensão muscular excessiva, que conduziria a uma excitabilidade elevada de seus nociceptores, ocasionando um aumento no tônus muscular, juntamente com uma disfunção simpática que levaria a um distúrbio na microcirculação e, novamente, a uma excitação de nociceptores [54]. Entretanto, estudos de eletroneuromiogra?a não demonstraram tensão muscular excessiva ou qualquer disfunção nervosa simpática Há também hipótese bastante razoável, em que são consi- deradas alterações centrais (sistema nervoso central) e periféri- cas (musculatura) na ?bromialgia, que engloba, dentre outros fatores, a microcirculação muscular e o microtrauma repetitivo no músculo. Fatores genéticos (alterações nos receptores de serotonina, endor?na) e fatores precipitantes (trauma repe- titivo, descondicionamento, distúrbios do sono) poderiam levar os nociceptores e mecanoceptores, que ocasionariam ex- citação na neurotransmissão da dor através SNC e do sistema nervoso simpático, a dor e a inatividade, que conduziriam ao descondicionamento do músculo e a fadiga, ?cando o mús- culo mais exposto ao microtrauma. Os distúrbios do sono e outras condições orgânicas ou psicológicas poderiam agravar o microtrauma muscular [47]. Como se percebe, então, essa hipótese envolve também fatores centrais, como o estado Yunus [60] propõe um modelo de ?siopatologia que integram muitas das idéias publicadas e que sugere que o distúrbio primário na ?bromialgia seria uma alteração em algum mecanismo central de controle da dor, o qual poderia resultar de uma disfunção de neurotransmissores.

Tal disfunção neuro-hormonal incluiria uma de?ciência de neurotransmissores inibitórios em níveis espinhais ou supra- espinhas (serotonina, encefalina, norepinefrina e outros), ou uma hiperatividade de neurotransmissores excitatórios (substâncias P, glutamato, bradimicina e outros peptídeos), ou ainda ambas as condições poderiam ser geneticamente predeterminadas e talvez desencadeadas por algum estresse não-especí?co como, por exemplo, uma infecção viral, Uma excelente revisão foi publicada discutindo as anormalidades do eixo hipó?se-hipotálamo-adrenal e o sistema nervoso simpático, que são os principais sistemas de resposta ao estresse, e suas interações com outras dis- funções neuro-hormonais, e que podem todas contribuir para essa síndrome dolorosa crônica. Neste trabalho, sugere-se que a vulnerabilidade ao desenvolvimento de ?bromialgia possa ser in?uenciada por fatores genéticos, ambientais e hormonais, causando alterações nos receptores neuro-hormonais; algum fator estressante agudo poderia desencadear o desenvolvimento de perturbação do eixo hipó?se-hipotálamo-adrenal por mecanismos ainda não esclarecidos, mas que poderia envolver o sistema nervoso simpático e o sistema serotoninérgico. Talvez, então, o eixo hipó?se-hipotálamo-adrenal possa desempenhar um papel na mediação e na perpetuação dos sintomas da síndrome Evidências de anormalidades centrais e neuro-hormonais têm sido declaradas desde os primeiros estudos de polisono- gra?a em ?bromialgia que reportaram um padrão anormal de instrução de ondas alfa durante os estágios 2, 3 e 4 do sono não-REM, conhecido como traçado ?alfa no delta? [6,62]. Esse achado corresponde a um aumento da tonicidade muscular global, a um aumento na freqüência respiratória e ao aparecimento de mioclonias. Convém lembrar que esses achados não são exclusivos da ?bromialgia, podendo ocorrer na síndrome da fadiga crônica, na artrite reumatóide, na depressão e em outras condições ou, até mesmo, em pessoas Apesar da incerteza quanto à causa dos distúrbios do sono na ?bromialgia, sabe-se que alterações nos neuro-hormônios modulares da dor exercem in?uência na ?siologia do sono e nos sintomas desta síndrome. A de?ciência de serotonina, um neuro-hormônio inibitório da dor, pode contribuir para as anomalias do sono, depressão e ampli?cação da A liberação de sustância-P, um neuro-hormônio ex- citatório, é influenciada pela deficiência de serotonina, seja no sistema nervoso central, seja no sistema nervoso periférico e pode causar um aumento na percepção da Alguns acreditam que o triptofano, um precursor da serotonina e também um neuromodulador, e outros nove aminoácidos teriam sua concentração plasmática diminuída na ?bromialgia e ainda, que existiria uma maior a?nidade na ligação de imipramina aos receptores serotonérgicos plaque- Pesquisas também evidenciaram uma diminuição dos níveis de triptofano e de outros aminoácidos, e um au- mento da concentração de substância-P, endor?nas e ácido 5-hidroxi-indolacético no sangue e no líquor de portadores Em contraste com os estudos dos neuropeptídios mo- duladores da dor, pouca atenção foi dada a investigação das Os primeiros estudos neste sentido empregaram a tomogra?a computadorizada por emissão de fóton único (SPECT), no sentido de estudar ?uxo sanguíneo cerebral. Em um deles constatou-se uma diminuição signi?cativa do ?uxo sanguíneo nas regiões bilaterais do tálamo e do núcleo caudado cerebral dos portadores da ?bromialgia quando comparados com indivíduos saudáveis [64]. Esses achados trazem implicações importantes, uma vez que o tálamo exerce papel essencial na integração dos sinais da dor e nas gerações de sinais que regulam o eixo hipó?se-hipotálamo-adrenal e, por sua vez, o núcleo caudado também está envolvido na percepção da dor, pois se demonstrou que uma quantidade expressiva de neurônios nociceptores especí?cos estão sitiados no núcleo Em outro estudo, os resultados mostraram uma média normal de ?uxo sangüíneo local e demonstrou reduções principalmente em áreas frontais, e também em regiões temporais, centrais e/ou parietais do córtex cerebral, sendo algumas de envolvimento bilateral [66]. Este trabalho pode ser interpretado como uma possibilidade da ?bromialgia estar correlacionada com os distúrbios discretos, primários e/ou secundários, da função cerebral e com uma acentuação da Ambos os estudos sustentam a hipótese de que a anor- malidade de percepção da dor, que ocorre na ?bromilagia, possa ser o resultado de um distúrbio funcional em estruturas As mais diversas anormalidades têm sido observadas nos Dentre elas as mais importantes são a substância-P elevada no líquor, a serotonina reduzida nas plaquetas; um nível baixo de triptofano e de adenosina e um metabolismo anormal de e diminuição de ?uxo a sangüíneo em determinadas estruturas Nenhumas dessas disfunções são especí?cas, portanto não devem ser empregadas para ?ns diagnósticos. Contudo, elas vêm possibilitando um melhor discernimento desta moléstia e conduzindo as diferentes atitudes terapêuticas em relação A ?gura a seguir é proposta como um esquema resumido da hipótese neuro-hormonal da ?siopatologia da ?bromialgia adaptada por Cro?ord e Demitrack.

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Figura 2 - Esquema resumido da hipótese neuro-hormonal da ?siopatologia da ?bromialgia ? adaptado de Cro?ord e Demitrack [1].

Exercícios e a fibromialgia Um dos primeiros investigadores a observar a relação entre dor e exercício foi Moldofsky [6]. Este estudo de- monstrou que a privação do sono diminui o limiar de dor em sedentários, mas o mesmo não acontece em indivíduos treinados. Apenas uma década mais tarde, ensaios clínicos foram publicados demonstrando que exercícios aeróbios e o treinamento de força contribuem na diminuição da dor na Tendo referência no quadro apresentado, obtemos um somatório de resultados que ajudam a perceber o quanto pode o treinamento de força vir a contribuir na melhoria do quadro no quadro de depressão; uma melhora signi?cativa da força muscular, sem aumento do quadro de dor proporcionado pela síndrome; e ainda, possivelmente ser responsável por De acordo com o levantamento bibliográ?co, consultando artigos de periódicos nacionais, internacionais e eletrônicos no sistema Medline e Scielo e livros recentemente publicados, foram publicados nos últimos 20 anos: 30 ensaios clínicos sobre exercício físico no tratamento da ?bromialgia, incluindo aproximadamente 1500 indivíduos: 12 avaliaram o condicio- namento aeróbio; 10 estudaram programas combinados ou associados ao tratamento medicamentoso ou outras inter- venções não-farmacológicas [2]; apenas 5 foram encontrados Apesar das evidências relatadas em estudos cientí?cos demonstrarem um efeito bené?co do trabalho de força, ainda são necessários estudos que aprofundem os conhecimentos sobre os verdadeiros mecanismos que podem estar gerando esses efeitos positivos, assim como o estabelecimento de dose-resposta (freqüência, intensidade e volume) adequada e os efeitos crônicos. Com isso, são necessárias pesquisas com uma amostra maior, que possa comprovar a efetividade do treinamento de força. Tudo isso dará um maior embasamento teórico à prática dessa atividade.

Tabela I - Principais estudos encontrados envolvendo treinamento de força e portadores da SFM Autor Exercício Freqüência Intensidade Sujeitos Resultados A = 3x semana Martin et al. [68] A = exercício aeróbico, força 6 semanas A = 18 Melhora significativa nos pontos e flexibilidade B = 1x semana 60-80% FCmáx. B = 20 de dor, escore de mialgia e condi- B = relaxamento 6 semanas cionamento aeróbio do grupo A. A = Treinamento de força Häkkinen et al. B = Controle A = 11 Melhora da força muscular e do [69] (sem treinamento) 2x semana Cargas B = 10 quadro de depressão em A com- C = Indivíduos Saudáveis 21 semanas crescentes C = 12 parado a B. (com treinamento) A = fortalecimento Melhora significativa da força 2x Jones et al. [70] progressivo 12 semanas 0,5 a 1,5 kg A = 28 mais em A comparado a B, sem B = flexibilidade estática B = 28 aumento da dor. A = musculação 2x semana Geel et al. [71] B = controle (sem treina- 8 semanas 60-70% de 1RM A = 10 Redução dos sintomas clínicos e mento) B = 6 melhoria da força muscular. Treinamento de força e exer- 20 semanas Cargas N = 15 Treinamento de força é seguro. Rooks et al. [72] cício aeróbio progressivas A = treinamento de força Häkkinen et al. B = controle Cargas A = 11 Magnitude e o tempo de curso de [73] (sem treinamento) 21 semanas crescentes B = 10 adaptação neromuscular compatí- C = Indivíduos saudáveis C = 12 veis entre os grupos A e C. (com treinamento) A = musculação Aumento de 33% na força de Valkeinen et al. B = controle 2x semana Cargas progres- A = 13 extensão de perna e de 13% na [74] (sem treinamento) 21 semanas sivas B = 11 flexão no grupo A em relação a B. A = Treinamento de força Kingsley et al [75] B = Controle 2x semana 40-80% 1 RM A =15 Melhoria da força e do quadro (sem treinamento) 12 semanas B =14 clínico.

durante o estudo, foi responsável pela não ocorrência de alte- rações ?siológicas. Chegou-se a conclusão que o treinamento de força pode ser seguro, viável e bené?co para portadores de SFM e que mulheres com esta síndrome podem executar exercícios submáximos a uma intensidade su?ciente para estimular adaptações ?siológicas na força muscular, sendo a aderência e a progressão do exercício fatores fundamentais para este processo. Os resultados obtidos sugerem a inclusão do treinamento de força nos programas de exercícios voltados Outro estudo realizado por King et al. [77] foi de grande importância para a constatação de como pode ser bené?co o treinamento de força para melhoria do quadro da SFM. Em um estudo randomizado, com treinamento de força isolado e uma baixa evasão (9%), concluiu-se que mulheres com SFM podem participar de um programa de treinamento de força especialmente delineado e obterem uma melhoria geral em seu quadro clínico, sem exacerbação dos sintomas por conta dos Existem pesquisas que compararam a força de mulheres com ?bromialgia e mulheres saudáveis e veri?cou-se que, em ambas, o sistema neuromuscular possui a mesma capacidade para se exercitar, mostrando também que este treino trouxe resultados positivos no tratamento dos sintomas da síndrome [28].

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Short-Form Health Survey (SF-36), instrumento genérico que avalia a incapacidade física e para o trabalho. 6. Estabelecer os objetivos de seu programa: informar aos portadores da SFM que o tratamento que irá propor é mais paliativo, ou seja, tem como objetivo maior o de amenizar seu quadro clínico, e não de provocar um desa- há cura para a SFM. É importante estabelecer objetivos em curto, médio e longo prazos. Dentre os principais objetivos miálgico, a melhora do sono e da capacidade funcional, o reforço muscular, o aumento da resistência aeróbia e o alívio do estresse.

Conclusão portadores da Síndrome da Fibromialgia (SFM). Apenas re- centemente o TF tem sido reconhecido como um recurso para promover saúde e melhoria da qualidade de vida em pessoas os estudos que buscaram obter seus efeitos em portadores da SFM, além disso, as amostras estudadas foram pequenas e o Portanto, há necessidade de um número maior de estudos sobre a e?cácia e efetividade, os benefícios e mecanismos do 14. treinamento de força para portadores de ?bromialgia, assim como estudos com maiores amostras, maior tempo de inter- venção, e entre outras, questões metodológicas que possam interferir nas evidências produzidas. 15. Pesquisas com relação à aplicação dos princípios do trei- namento tornam-se necessárias, para maior seguridade no ato Tendo em vista que é uma síndrome que acomete grande porcentagem da população nacional, precisa ser mais divul- de força pode ser recomendado e utilizado, pois é e?caz e parece não acarretar lesão para os portadores da Síndrome da 19. Fibromialgia (SFM), quando bem direcionado.

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Revisão Estudo sobre os fatores geradores de fadiga muscular A study about the factors involved in muscle fatigue

Daniela Silva Scalon*, Vanessa Rodrigues Figueiredo*, Dernival Bertoncello, Ft., D.Sc.**

*Acadêmicas do curso de Fisioterapia da Universidade de Uberaba, **Docente responsável pelo Laboratório de Bioengenharia e disci- plina de Ciências Fisiológicas da Universidade de Uberaba, Uberaba ? MG

Resumo A fadiga é um processo ?siológico em que ocorre depleção das reservas energéticas associada ao acúmulo de catabólitos no organismo ou a outros fatores. Isto di?culta a continuação da atividade física, podendo provocar até incapacidade temporária Pode ser encarada como um elemento importante ou até mesmo essencial do estímulo global para os músculos aprimorarem sua força ou fazerem outras adaptações estruturais e metabólicas. A fadiga parece preceder uma lesão funcionando como mecanismo Este estudo teve o objetivo de avaliar os fatores geradores de fadiga muscular, procurando identi?car aqueles que envolvem aspectos clínicos. Para isso, foram realizadas buscas em bases de dados que O período tomado como base para coleta de artigos cientí?cos foi dos últimos 10 anos. A pesquisa também tomou como base livros e textos de caráter didático relacionados ao tema. Conclui-se com esta pesquisa quais os principais agentes metabólicos que levam à fadiga, seja ela de origem central ou periférica. Procurou-se elucidar a função deste processo não como falha do organismo, mas sim como Palavras-chave: fadiga muscular, lesões musculares, fadiga central, fadiga periférica.

Abstract Fatigue is a physiological process in which there is a depletion of energy reserves related to the accumulation of catabolites in the organism or to other factors. It makes it hard to continue the phy- sical activity and it can even cause temporary incapacity to physical exercise and/or psychological performance. It can be considered as an important or even an essential factor to global stimulus in order to make muscles gain strength and make structural and metabolic adaptations. Fatigue seems to be a lesion working as a mechanism of protection to avoid the total debility of physical reserves. This study aims at evaluating the factors responsible for muscular fatigue, trying to identify those which involve clinical aspects. To accomplish it, our research database included data from scienti?c publications, such as Medline, Pubmed and Lilacs. The articles consulted were published within ten years. The research was also based on textbooks related to the subject. This research points the main metabolic agents that lead to central or peripheral fatigue. We tried to elucidate the function of this process not as a failure of the organism, but as a Key-words: muscle fatigue, muscle damage, central fatigue, peripheral fatigue.

Introdução Na ?siologia do exercício a fadiga muscular tem se des- tacado como um dos temas mais estudados [1]. Durante este processo, ocorre esgotamento das reservas energéticas e redução da atividade enzimática, os quais provocam o acú- mulo de catabólitos e leva a distúrbios hídricos, alterações nas trocas eletrolíticas, na coordenação (inter e intramuscular), na percepção sensorial, além de diminuição na produção do neu- Dentre os fatores geradores desse processo, estão a mo- vimentação de íons potássio (K+), sódio (Na+), cloro (Cl-), modi?cações de pH, temperatura e do ?uxo sangüíneo, além de resultados metabólicos da hidrólise, como a adenosina monofostato (AMP), adenosina difosfato (ADP), inosina monofosfato (IMP), fosfato inorgânico (Pi) e amônia; lesão muscular, destacando aquela ocorrida por exercício predo- minantemente em contrações excêntricas; também, o stress oxidativo ou a perda da homeostasia do íons cálcio (Ca++) Da mesma forma, ocorre queda na produção hormonal, em especial de corticóides e adrenalina e acúmulo ou falta de acetilcolina nas sinapses, essenciais para realização da Essas modi?cações ?siológicas fazem com que haja queda da capacidade de desempenho físico e/ou psicológico; ainda assim sendo possível a manutenção da carga mesmo que isto custe maior gasto energético. Podem surgir distúrbios na atenção, na concentração e no pensamento em conjunto com Até 1977, Guyton [9] de?nia a fadiga como um processo com origem apenas sobre a depleção de ATP nas ?bras muscu- lares, de modo que o trabalho nervoso continuaria a funcionar ? os impulsos nervosos seriam transmitidos, normalmente, da junção neuromuscular para a ?bra muscular e os potenciais Em conceito mais atual, Pires e Grosso [10] conceituaram a fadiga como falência da propagação do potencial de ação e do acoplamento do sistema de contração-relaxamento. Pode-se encontrar esse resultado através da eletroestimulação neu- romuscular de baixa e média freqüência. É mais apropriado conceituar a fadiga como um mecanismo protetor da vida por prevenir o início de aumento de força muscular irresponsável e suas conseqüentes e numerosas lesões desportivas, além de Os dois principais processos implicados no surgimento do fenômeno da fadiga, que são constituídos da transmissão do sinal nervoso e da cadeia energética metabólica, interagem fortemente e se sobrepõem constantemente, constituindo em tal modo, seja singular ou sinergicamente, a causa desenca- Outro fator relacionado à fadiga é a emoção intensa que acompanha competições importantes, pois são capazes de desencadear os fatores psicológicos e emocionais que devem ser considerados tanto na análise da estrutura quanto na me- todologia do desenvolvimento da resistência à fadiga [13]. A fadiga muscular pode acontecer em quase todos os exercícios físicos, sejam eles realizados por indivíduos sadios ou por O presente estudo procurou oferecer embasamento teórico sobre os fatores desencadeadores de fadiga, os quais poderão contribuir para outros trabalhos e para melhores avaliações de pacientes e atletas. Assim, este estudo teve o objetivo de identi?car os fatores geradores de fadiga muscular procurando relacionar aqueles que envolvem aspectos práticos.

Material e métodos Foram utilizados neste estudo buscas em bases de dados, que contemplam periódicos cientí?cos, como Medline e Bireme, usando as combinações de palavras: fadiga muscular (muscle fatigue), fadiga física (physical fatigue), exercícios e fadiga (fatigue and exercise) Os artigos selecionados foram os compreendidos no perí- A partir dessas informações, foi elaborado um texto de revisão no qual foram discutidos os aspectos da fadiga mus- cular periférica, fadiga central e os instrumentos de avaliação da fadiga.

Fatores determinantes do processo de fadiga Ascensão et al. [1] citam que a ocorrência de fadiga pode ser in?uenciada pela idade, sexo e pela prevalência dos padrões O sistema neuromuscular possui características impor- tantes como a capacidade de adaptação crônica de acordo com os diferentes estímulos recebidos. A fadiga muscular é um exemplo comum de adaptação às alterações agudas que ocorrem em exercícios intensos e suas manifestações podem ocorrer durante e após o exercício, seja ele máximo ou sub- Adicionalmente, os mecanismos responsáveis pela fadiga dependem de fatores como intensidade, tipo (aeróbico ou anaeróbico) e duração do exercício, atividade contrátil, com- posição ?brosa do músculo em contração ? as ?bras do tipo II se fadigam mais facilmente que as ?bras tipo I ? e nível de Em exercício físico intenso e prolongado, a fadiga está rela- cionada à hipoglicemia ?diminuição da glicose e conseqüente diminuição da oxidação de carboidratos. Já em exercícios com intensidade alta (90% de VO ) e de curta duração, uma 2máx parte da energia, que seria destinada para a atividade física, é utilizada na produção de metabólitos como o lactato, íons hi- drogênio (H+), Pi e ADP que acabam por acumular-se levando à diminuição do rendimento, mesmo tendo sido utilizados os fosfatos de alta energia e preservado o glicogênio [5].

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Pinto et al. [16] a?rmam que o aumento da temperatura corporal, gerado pelo metabolismo na atividade física e/ou in?uência ambiental, como também o estado de hidrata- ção do indivíduo, poderiam acelerar o início da fadiga. Os mecanismos capazes de diminuir a elevação da temperatura corporal em ambientes quentes podem ser: a umidi?cação da pele; resfriamento facial; o uso de roupas especiais; a exposição prévia a ambientes frios e a imersão em água fria poderiam A fadiga possui causas multifatoriais e pode ser dividida em dois componentes principais: a fadiga periférica, ou local, e a fadiga central. Na fadiga periférica ocorrem as modi?- cações ?siológicas já descritas e que resultam em disfunção no processo de contração. Esta alteração é levada ao sistema nervoso central através de nervos sensoriais (fadiga central) que, por sua vez, transmite sinais inibitórios provocando um declínio ou queda total do desempenho físico cujo ob- jetivo é preservar a integridade estrutural da ?bra muscular, Porém, também pode resultar de decréscimo progressivo da velocidade e freqüência de condução em impulso voluntário Segundo Santos, Dezan e Sarraf [8], a fadiga central acontece quando é afetada a parte nervosa da contração muscular, e a periférica, quando se veri?ca deterioração dos processos bioquímicos e contráteis.

Fadiga periférica Um erro, ou uma limitação em um ou mais processos na unidade motora ? neurônios motores, nervos periféricos, nas ligações neuromusculares ou ?bras musculares ? leva à A fadiga sináptica ocorre quando o período de excitação é progressivamente prolongado e intensi?cado, reduzindo gradualmente a transmissão sináptica, tornando deprimida A acetilcolina é um neurotransmissor que possui como principal precursor a colina, cujo consumo reduzido parece provocar a diminuição da capacidade dos impulsos nos mús- O início desse modo de fadiga depende do tipo de ?bra muscular utilizada no exercício, pois as ?bras de contração rápida (tipo II) têm melhor desempenho anaeróbico favore- cendo maior capacidade de formar ácido lático. Contudo, o acúmulo de ácido lático poderia di?cultar a função mus- cular através de dois mecanismos ?siológicos. Por um lado, o aumento de H+ reduz o pH intracelular deteriorando o processo de excitação-contração por reduzir a quantidade de Ca++ liberada pelo retículo sarcoplasmático (RS) de modo que interfere na capacidade de ?xação cálcio-troponina. Por outro lado, uma maior concentração de H+ torna a glicólise mais lenta, reduzindo, por conseguinte, a disponibilidade de ATP na produção de energia [8].

centrações de lactato por aumentar a concentração de íons Essas alterações no retículo sarcoplasmático podem ser críticas, pois ele atua como local de armazenamento de Ca++ e ainda controla as concentrações citoplasmáticas deste íon, a qual regula a força das contrações. A redução de Ca++ pode causar di?culdade no relaxamento e a redução da força pe- A análise do lactato plasmático permite veri?car as fases aeróbica e anaeróbica durante o esforço físico e de?nir o mo- mento em que o indivíduo estará mais predisposto à fadiga [5]. É possível ainda, predizer o treinamento ideal e, assim, permitir que a pessoa tenha melhora da performance sem prejudicar suas funções corporais.

Fadiga central A importância do metabolismo de proteínas e aminoácidos para o desempenho em atividades prolongadas permaneceu Pode-se dizer que a fadiga central ocorre por queda da condução do impulso nervoso de forma voluntária ou involuntária, causando redução relativa de unidades mo- toras e da freqüência de ativação dos motoneurônios. Para estudar o papel do sistema nervoso central na produção da fadiga, utilizam-se exercícios em contrações interpoladas nos quais se promove, através da eletroestimulação, uma contração maior que a máxima e, assim, compara-se com a máxima gerada pelo indivíduo. Nesta situação ocor- re feedback re?exo advindo de mecanoceptores ? fusos neuromusculares, e/ou órgãos tendinosos de Golgi, ou terminações nervosas do tipo III e IV ? sensíveis ao acú- mulo de alguns metabólitos que, por isso, inibem a taxa de descarga dos motoneurônios durante a fadiga. Além disso, ocorre dé?cit na condução do impulso nervoso a partir das regiões superiores do cérebro [1]. Quando ocorre em nível supra-espinhal é através da inibição aferente desde os fusos neuromusculares, sendo que pode acontecer redução de sensibilidade causada pela excessiva utilização da maior O neurotransmissor dopamina foi o primeiro a ser es- tudado em sua relação com a fadiga central. Possivelmente ela inibe parte das sínteses de metabolismo da serotonina (5-HT) retardando a fadiga central. Baixas concentrações de dopamina possivelmente diminuem a coordenação e leva à perda de motivação. O aumento da dopamina em rela- ção a 5-HT, em algumas regiões do cérebro, pode levar ao desenvolvimento de motivação, estimulação e coordenação muscular. Entretanto, quando a serotonina está em maior concentração em relação à dopamina, é possível a ocorrência Alguns esportistas passaram a ingerir drogas dopami- nérgicas a ?m de aumentar o desempenho por melhorar a função motora. Além disso, utilizou-se para a perda de peso por ser um agente também anorético e supressor de Tem sido estudada a comparação do tempo de exercício até a exaustão com a variação da síntese e liberação, no cére- bro, de alguns neurotransmissores, os mesmos, associados à motivação, à atenção, ao humor, à depressão, e à coordenação neuromuscular. Por exemplo, a razão serotonina/dopamina, o papel da cafeína ? bloqueia receptores da adenosina, a qual é um potente inibidor excitatório do SNC ? em exercícios de Conforme Kreider apud Rogero, Mendes e Tirapegui [20], quando há diminuição dos estoques de energia como conseqüência da redução do glicogênio muscular, pode ocor- rer estimulação da oxidação intramuscular de aminoácidos de cadeia rami?cada (AACR), como a leucina, isoleucina e valina, os quais competem com o triptofano livre pela ligação a um mesmo transportador de aminoácidos neutros na barreira hemato-encefálica fazendo com que haja sua di- minuição plasmática. Isto facilitaria a captação hipotalâmica de triptofano e, a partir deste, ocorreria maior produção de serotonina estabelecendo-se a fadiga central caracterizada, Portanto, a fadiga que ocorre por aumento da atividade serotonérgica no cérebro é chamada fadiga central [5], visto que a modulação da serotonina relaciona-se diretamente com a regulação da dor, comportamento alimentar, humor, fadiga A amônia (NH ) em acúmulo no cérebro pode prejudicar 3 Pode ser resultado do catabolismo dos AACR associado à O triptofano (TPF) é encontrado no plasma de forma livre ou ligado à albumina. No exercício prolongado, há aumento da forma livre, pois os ácidos graxos, que estão em maiores concentrações, competem com o TPF para ligarem- se à albumina. O TPF é transportado através da barreira hemato-encefálica em sua forma livre, ou seja, quando não está ligado à albumina, gerando um acréscimo na síntese Alguns estudos, por isso, sugerem a suplementação ergo- gênica com AACR já que concorrem com o TPF pela entrada no cérebro podendo retardar a fadiga em exercícios de longa A acetilcolina é um neurotransmissor produzido de acor- do com a disponibilidade de seu precursor, a colina, sendo Portanto, há relação entre a queda plasmática de colina e o início da fadiga em exercícios de longa duração, mesmo que ainda não esteja determinado se esta é um tipo de fadiga central ou de fadiga periférica. Contudo, não houve sucesso em estudo conduzido por Spector et al. , citado por Ascensão [1], com suplementação oral de bitartrato de colina, pois não houve como resultado aumento do tempo de exercício até a exaustão ou aumento plasmático de colina.

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do momento [23,30]. A escala analógica de dor também é apresentada como uma ferramenta útil na prática clínica, a ?m de considerar o fator dor como sinal da presença de fadiga [31,32].

Implicações da fadiga para a clínica Através da eletroestimulação (EE) pode-se promover fortalecimento e hipertro?a muscular, ajudando como um complemento no processo e facilitando a conduta ?siotera- pêutica. É realizada através de corrente elétrica fazendo com que ocorra contração muscular. Porém, devido à fadiga, a Binder Mac Leond e Mc Dermond apud Pires e Grosso [10] a?rmam que os fatores determinantes da força muscular são a intensidade e a freqüência, propondo que quanto maior a freqüência, maior a fadiga muscular. Os segundos autores indicam a corrente de média freqüência para produzir maior A fadiga muscular induzida pela EE pode ser avaliada pela análise da atividade do sinal eletromiográ?co e também pela A mensuração da eletromiogra?a, dos metabólitos e da força durante um exercício cansativo, possibilita a identi?ca- Em relação aos atletas de alta performance, as lesões provenientes do processo de supertreinamento comumente ocorre após sucessivas manifestações de fadiga. Os métodos para avaliação e identi?cação do overtraining são pouco uti- lizados. No entanto, se o treinador conhecer os mecanismos geradores de fadiga, pode identi?car o momento de parar ou diminuir a carga de treinamento, através dos sinais e sintomas Na clínica geral ou de especialidades, os fatores gerado- res de fadiga podem ser indicativos da presença de doença, já instalada ou em vias de desenvolvimento. Um exemplo é das manifestações clínicas da ?bromialgia, cujos sinais e sintomas são muitas vezes decorrentes do processo de fadiga Visto que os fatores desencadeantes da fadiga muscular sofrem a in?uência do estado emocional do indivíduo, há que se sugerir a estimulação verbal, na qual parece ser necessário certo apelo psicológico no intuito de elevar o limiar de fadiga por tornar forte a vontade de realizar e vencer a atividade imposta. Isso pode ser conseguido com frases imperativas de incentivo cuidando para que não haja aumento, por essa in?uência, da ?auto-cobrança?, pois esta poderia, de forma Também, estímulos táteis na atividade ativo-assistida poderiam incentivar positivamente, pois assim é demonstra- do que com um pouco mais de vontade, pode-se chegar ao Outra condição seria evitar o excesso de treinamento que, portanto, deverá ser quanti?cado e quali?cado indivi- dualmente de modo que o terapeuta deverá estar atento às Um indivíduo melhor condicionado parece ter um limiar de fadiga mais elevado comparando-se àquele descondicionado considerando a melhor capacidade anaeróbica ou metabólica em geral.

Conclusão A redução, principalmente, de fosfocreatina e glicogênio além de alterações em outros compostos desempenham papel-chave no desencadeamento da fadiga. Não obstante, é in?uente o aspecto psicológico ou de motivação individual, os quais imperam no desempenho físico de forma voluntária ou involuntariamente. Novas pesquisas devem ser realizadas no intuito de desvendar como alguns outros componentes, não citados neste trabalho, estão relacionados a esse proces- so, por exemplo, o monóxido de azoto, os radicais livres e Ao ?nalizar essa revisão pode-se concluir que a fadiga é representada por fenômenos sucessivos e interdependentes e, mesmo sem saber qual o fator desencadeante inicial, este processo acontece na cadeia ?siológica da contração muscular visando à proteção. Desta forma, funciona como mecanismo protetor da atividade celular por prevenir o início de aumento de força muscular excessivo e suas conseqüentes e numerosas lesões desportivas. Além disso, protege os processos de recu- perações subseqüentes.

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Opinião Protocolo de recondicionamento físico após lesão nas categorias de base de futebol no São Paulo Futebol Clube Physical reconditioning protocol after injury in soccer players of São Paulo Football Club

Marco Aurélio Buchaim Regos*, Marcus Vinicius Grecco** *Preparador Físico do Centro de Formação de Atletas do São Paulo Futebol Clube, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UNI- FESP e Especializando em Treinamento Desportivo pela UNIFESP, **Mestrando em Fisiopatologia das Afecções Músculo-Esqueléti- ca da Faculdade de Medicina da USP

Resumo Uma das áreas mais desa?adoras da reabilitação desportiva é o recondicionamento do atleta após lesão atlética. O objetivo de qualquer programa de recondicionamento físico é levar o atleta ao estado ideal anterior à lesão e elaborar um programa de manutenção preventiva capaz de minimizar a possibilidade de o atleta ter nova lesão. Os protocolos mostrados neste trabalho ajudam o preparador físico a ter constância e continuidade durante todo o processo de recondicionamento físico, lembrando que se trata apenas de diretri- zes, pois sabemos que cada atleta tem suas necessidades especí?cas quando se trata de futebol. Portanto, são essenciais as avaliações iniciais e as reavaliações subseqüentes ao programa de recondicio- Palavras-chave: recondicionamento físico, lesão, futebol.

Abstract One of the most challenging areas of sports rehabilitation is the athlete reconditioning after athletic injury. The objective of any program of physical reconditioning is to take the athlete to previous ideal state of the injury and to elaborate a program of preventive The protocols shown in this work, help the physical instructor to have constancy and continuity during all the process of physical reconditioning, remembering that these are only some procedures, because we know that each athlete has its speci?c needs when we are talking about soccer. Therefore, it is essential the initial evaluations and the subsequent reevaluation to the physical reconditioning Key-words: physical reconditioning, injury, soccer.

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 2 - maio/agosto 2008 101 Introdução O atleta, após a reabilitação ?sioterápica, estará clinica- mente recuperado, mas, dependendo do grau da lesão e do tempo que o atleta esteve em recuperação, ele não estará apto a suportar as cargas de treinamento e competição. De um modo geral, na Fisioterapia, o foco principal é restabelecer clinicamente o membro lesionado, fazendo com que haja um dé?cit de coordenação intra e intermuscular nos demais Para que este dé?cit seja minimizado, torna-se necessário um período de recondicionamento físico para que o atleta tenha condições físicas e psicológicas de voltar a trabalhar em grupo. Antes de o atleta entrar em um programa de recondi- cionamento físico, será preciso seguir os critérios provenientes de uma avaliação detalhada da equipe de medicina esportiva, composta por médicos e ?sioterapeutas: · ter amplitude normal do movimento da coluna e extremi- · força muscular até 20% de diferença com o lado não co- O condicionamento físico (CF) pode ser entendido como exercícios orientados, que visam aumentar qualitativa e ou quantitativamente o desempenho físico. A função do CF não se embasa exclusivamente no aumento de rendimento físico do atleta, mas também na prevenção de lesões, manutenção da saúde do atleta e da capacidade funcional do movimento. Em geral, o CF indica modi?cação do rendimento físico, re?etido na performance geral dos atletas. O objetivo principal do CF é o desenvolvimento das capacidades motoras (condicionais e coordenativas) do atleta, necessárias para obter um melhor Na prática, traduz-se pela execução variada de exercícios apro- priados para ?ns de performance educacional no movimento esportivo. O CF é pautado por uma visão de totalidade que reconhece, na dinâmica da organização dos diversos sistemas corporais envolvidos na prática de exercícios, a capacidade de interação com o meio ambiente, possibilitando uma via de desenvolvimento do potencial atlético. A plasticidade humana, funcional ou estrutural, caracteriza-se como um grande diferen- cial no processo de adaptação ao treinamento, demonstrando a capacidade de interação de organismo humano e meio am- biente, resultando, dessa maneira, na organização e obtenção O grande mérito do CF, com intuito reabilitativo, é fazer com que o atleta retorne às suas atividades nas mesmas con- dições prévias a uma lesão, promovendo também a prevenção de lesões e estabelecendo a manutenção e progressão para um CF ideal de alto rendimento. No entanto, a estrutura deve estar baseada em uma equipe interdisciplinar (médico, ?sioterapeuta, educador físico, nutricionista etc.) e recursos materiais (espaço físico, material esportivo e de avaliação etc.) que proporcionarão condições para que a prescrição do recondicionamento físico possa ser realizada e cumprida com êxito frente a todos os aspectos envolvidos no retorno ao esporte competitivo. O São Paulo Futebol Clube é um centro de excelência no que diz respeito à reabilitação e preparação física de atletas de futebol. Seu departamento médico realiza, além do diagnóstico e tratamento, avaliações e orientações de condicionamento físico e aptidão física, que servirão como parâmetros mensuráveis e objetivos da evolução, estado clínico Por se tratar de categorias de base no futebol competitivo, o condicionamento físico (CF) tem que ser respaldado, além de avaliações ?siológicas e de aptidão física, de uma boa ava- liação maturacional para controle adequado de sobrecarga de treino, que se resume na averiguação dos seguintes itens: · idade de espemarca, desenvolvimento dos genitais e pêlos · análise percentual de maturação das cartilagens de cresci- · análise laboratorial de dosagens plasmáticas dos hormônios adrenal desidroepiandrosterona que indicado para avaliar Os protocolos, que serão apresentados, foram elaborados pelo preparador físico responsável pelo recondicionamento físico destes atletas das categorias de base de futebol do São Paulo Futebol Clube. O objetivo dos protocolos é reintegrar o atleta ao grupo em condições de suportar as cargas de trei- no e competição sem ter que trabalhar separado do grupo e não dividir o foco do preparador físico de cada categoria com trabalhos paralelos ao trabalho do grupo. Sendo assim, o trabalho de recondicionamento físico que se inicia após a alta da ?sioterapia irá abordar capacidades físicas latentes ao bom desempenho do atleta dentro de campo [1,4,3].

faléias, insônia, sensação de exaustão, maior tensão, maiores oscilações de humor, falta de apetite e depressão psicológica, podendo qualquer atleta sofrer um desses sintomas ou uma combinação deles. Todos os sintomas estão relacionados à queda nos níveis de testosterona e à beta-endor?na, um composto neuroendócrino que é o principal precursor das sensações de euforia após os exercícios [6,5,7]. Esses sintomas não são patológicos e podem ser revertidos com um reinício O trabalho de força será orientado apenas para sua ma- nifestação de resistência de força, utilizando os exercícios e métodos aplicados na sua própria categoria.

Resistência A resistência cardiovascular (VO ) é visivelmente afeta- 2 da por médias e longas fases de inatividade. Estudos têm mostrado uma queda de 6% no VO após 2-4 semanas de 2, inatividade, e declínios de 15% após uma interrupção de 3 A manutenção da resistência cardiovascular é mais difícil quando o treinamento regular é interrompido, em compara- ção com a força, velocidade e agilidade. Estudos mostram que o treinamento de resistência cardiovascular deve ser realizado 3 vezes por semana, para que não haja declínio nos valores 2 O trabalho de resistência poderá ser orientado para a ca- pacidade aeróbia, potência aeróbia e resistência mista aeróbia- anaeróbia, de acordo com a necessidade do atleta e do tempo em que esteve parado. Propõe-se a corrida contínua com o objetivo exclusivamente regenerativo nos dias seguintes aos treinos de força e coordenação. Os métodos de treinamento intervalado e as corridas com variação de velocidade serão uti- lizados de acordo com a evolução individual de cada atleta.

Velocidade A velocidade tende a ser a primeira capacidade a ser afe- tada pela inatividade, já que o rompimento da proteína e a degeneração das unidades motoras diminuem as capacidades de potência da contração muscular. A velocidade requer um alto nível de adaptação das células nervosas. Sua perda pode, em princípio, estar relacionada à sensibilidade do Sistema Nervoso à inatividade [10]. Uma melhora da velocidade está, igualmente, ligada à da força. O trabalho de velocidade será orientado para o aspecto coordenativo da corrida de veloci- Os estímulos de velocidade são os exercícios educativos e coordenativos de corrida, exercícios de agilidade e mudanças de direção em espaços pequenos, multisaltos, pliometria com os dois pés ou um pé só. São empregados tempos de recupera- ção completa entre os exercícios e séries, enfatizando sempre a qualidade do movimento. Os atletas que ?cam afastados muito tempo têm uma alteração no padrão da marcha ou da corrida, precisando de estímulos proprioceptivos para recuperar seu padrão normal de movimento. O estímulo de velocidade sem sobrecargas adicionais e recuperação completa é muito importante para a coordenação intramuscular (sin- cronização das unidades motoras) e intermuscular, pois exige maiores amplitudes articulares e alta freqüência de execução, atuando seletivamente sobre as ?bras musculares IIb [2,11].

Coordenação A Coordenação está presente em todas as capacidades citadas acima, pois todas elas estão intimamente ligadas entre si (Figura 1).

Figura 1 - Interrelação da coordenação com outras qualidades físicas.

A coordenação é a capacidade de um atleta acionar di- ferentes grupos musculares para produzir um determinado movimento especí?co. Os atletas com capacidades coordena- tivas bem desenvolvidas otimizam suas capacidades físicas e obtêm uma melhor performance na sua modalidade esportiva [12]. São utilizados exercícios de propriocepção e equilíbrio, exercícios cognitivos e exercícios combinados. Os exercícios e métodos aplicados serão adotados de acordo com o protocolo utilizado em cada categoria.

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do preparador físico é fundamental no acompanhamento e Nas Tabelas, o soccer test refere-se a uma medida de resistência aeróbica contendo 4 níveis de intensidade, cada um deles com 60 metros. Entre um nível e outro aumenta- se a velocidade da corrida por estimulo auditivo. Ao ?nal de cada nível há um intervalo de 10 segundos para se passar para o próximo nivel. Ao ?nal do 4º nível, caso o atleta consiga Tabela I - Protocolo de recondicionamento físico (Categoria Sub 15).

alcançá-lo, afere-se a freqüência cardíaca. O treino contínuo refere-se ao treinamento de resistencia aeróbia, mantendo- se uma intensidade estável determinada pelo treinador. A potência aeróbia-treino intervalado (4x2, signi?ca 4 minu- tos em velocidade baixa e 2 minutos em velocidade alta) determinando-se a intensidade do treino através do soccer test e aplicada para aumentar o limiar anaeróbio.

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Os critérios que valorizarão a aceitação dos trabalhos serão o de rigor metodológico cientí?co, novidade, originalidade, concisão da exposição, assim como a qualidade literária do texto.

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3. Autoria Todas as pessoas consignadas como autores devem ter participado do trabalho o su?ciente para assumir a responsabilidade pública O crédito como autor se baseará unicamente nas contribuições essenciais que são: a) a concepção e desenvolvimento, a análise e interpretação dos dados; b) a redação do artigo ou a revisão crítica de uma parte importante de seu conteúdo intelectual; c) a aprovação de?nitiva da versão que será publicada. Deverão ser cumpridas simultaneamente as condições a), b) e c). A participação exclusivamente na obtenção de recursos ou na coleta de dados não justi?ca a participação como autor. A supervisão Os Editores podem solicitar justi?cativa para a inclusão de autores durante o processo de revisão do manuscrito, especialmente se o total de autores exceder seis.

4. Resumo e palavras-chave (Abstract, Key-words) Na segunda página deverá conter um resumo (com no máximo 150 palavras para resumos não estruturados e 200 palavras para O conteúdo do resumo deve conter as seguintes informações: - Procedimentos básicos empregados (amostragem, metodologia, - Descobertas principais do estudo (dados concretos e - Conclusão do estudo, destacando os aspectos de maior Em seguida os autores deverão indicar quatro palavras-chave para facilitar a indexação do artigo. Para tanto deverão utilizar os termos utilizados na lista dos DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) da Biblioteca Virtual da Saúde, que se encontra no endereço Internet seguinte: http://decs.bvs.br. Na medida do possível, é melhor usar os descritores existentes.

5. Agradecimentos Os agradecimentos de pessoas, colaboradores, auxílio ?nanceiro e material, incluindo auxílio governamental e/ou de laboratórios farmacêuticos devem ser inseridos no ?nal do artigo, antes as referências, em uma secção especial.

6. Referências As referências bibliográ?cas devem seguir o estilo Vancouver de?nido nos Requisitos Uniformes. As referências bibliográ?cas devem ser numeradas por numerais arábicos entre parênteses e relacionadas em ordem na qual aparecem no texto, seguindo as seguintes normas: Livros - Número de ordem, sobrenome do autor, letras iniciais de seu nome, ponto, título do capítulo, ponto, In: autor do livro (se diferente do capítulo), ponto, título do livro (em grifo - itálico), ponto, local da edição, dois pontos, editora, ponto e vírgula, ano Exemplo: New-York: Raven press; 1995. p.465-78.

Artigos ? Número de ordem, sobrenome do(s) autor(es), Título do trabalha, ponto. Título da revista ano de publicação seguido de ponto e vírgula, número do volume seguido de dois pontos, páginas inicial e ?nal, ponto. Não utilizar maiúsculas ou itálicos. Os títulos das revistas são abreviados de acordo com o Index Medicus, na publicação List of Journals Indexed in Index Medicus ou com a lista das revistas nacionais, disponível no site da Biblioteca Virtual de Saúde (www.bireme.br). Devem ser citados todos os autores até 6 autores. Quando mais de 6, colocar Exemplo: Yamamoto M, Sawaya R, Mohanam S. Expression and localization of urokinase-type plasminogen activator receptor in human gliomas. Cancer Res 1994;54:5016-20.

Calendário de eventos 2008 Novembro 9 a 12 de novembro V Congresso Brasileiro de História da Educação Aracajú, SE Informações: http://www.sbhe.org.br/ 5 a 8 de dezembro Australian and New Zealand Society for Comparative Physiology and Biochemistry University of Sydney http://www.zoo.latrobe.edu.au/anzscpb/ E-mail: Mike.Thompson@bio.usyd.edu.au 2009

Revista Brasileira de FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O Brazilian Journal of Exercise Physiology Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício Índice volume 7 número 3 - setembro/dezembro 2008

Que 2009 possa nos sorrir a todos! Paulo Tarso Veras Farinatti............................................................................... 111

Éric Machado Guimarães, Samuel Santos Valença ..................................................................................................... 112

Humberto Miranda, Je?erson da Silva Novaes .......................................................................................................... 118

Josenei Braga dos Santos, Everton Silveira Campos, André Junqueira Xavier ............................................................ 123

Regina Miranda Burneiko, Ivânia Garavello, Ethel L B Novelli ................................................................................. 127

Karla Denise de Alcantara Evaristo ............................................................................................................................ 133

hormonais e cardiovasculares, Michel Arias Brentano, Tiago Santi ......................................................................... 139

Graziela Rodrigues da Costa, Elaine Cristina Martinez Teodoro ................................................................................ 145

Nádia Souza Lima da Silva ........................................................................................................................................ 151

NORMAS DE PUBLICAÇÃO ............................................................................................................................... 158

EVENTOS ............................................................................................................................................................... 160

Revista Brasileira de FISIOLOGIA DO E X E R C Í C I O Brazilian Journal of Exercise Physiology Órgão Oficial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício

Editor Chefe Paulo de Tarso Veras Farinatti Editor Associado Pedro Paulo da Silva Soares Conselho Editorial Antonio Carlos Gomes (PR) Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega (RJ) Dartagnan Pinto Guedes (PR) Douglas S. Brooks (EUA) Emerson Silami Garcia (MG) Fernando Pompeu (RJ) Francisco Martins (PB) Jacques Vanfraechem (BEL) Luiz Fernando Kruel (RS) Martim Bottaro (DF) Patrícia Chakour Brum (SP) Paulo Sérgio Gomes (RJ) Rolando Baccis Ceddia (CAN) Robert Robergs (USA) Rosane Rosendo (RJ) Sebastião Gobbi (SP) Steven Fleck (USA) Yagesh N. Bhambhani (CAN) Vilmar Baldissera (SP) Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício Corpo Diretivo: Paulo Sérgio C. Gomes (Presidente), Vilmar Baldissera, Patrícia Brum, Pedro Paulo da Silva Soares, Paulo Farinatti, Marta Pereira, Fernando Augusto Pompeu

Administração e vendas Antonio Carlos Mello Atlântica Editora e Shalon Representações Praça Ramos de Azevedo, 206/1910 Centro 01037-010 São Paulo SP Atendimento (11) 3361 5595 /3361 9932 E-mail: melloassinaturas@uol.com.br Assinatura 1 ano (6 edições ao ano): R$ 180,00 www.eventoserevistas.com.br Editor executivo Dr. Jean-Louis Peytavin jeanlouis@atlanticaeditora.com.br Editor assistente ? Publicidade Guillermina Arias guillermina@atlanticaeditora.com.br Assistente de vendas ? Atendimento Márcia P. Nascimento melloassinaturas@uol.com.br Direção de arte Cristiana Ribas cristiana@atlanticaeditora.com.br Todo o material a ser publicado deve ser enviado para o seguinte endereço de e-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br

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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 3 -setembro/dezembro 2008 111

Editorial Que 2009 possa nos sorrir a todos! Prof. Dr. Paulo Tarso Veras Farinatti

Editor-Chefe da RBFEx Chegamos ao ?nal de 2008 e apresentamos, conforme planejado, o terceiro número deste volume da Revista Brasi- leira de Fisiologia do Exercício (RBFEx). É com prazer que retomamos a periodicidade normal de nossa revista. O volu- me de artigos recebidos e atualmente em avaliação permite acreditar que 2009 será um ano de consolidação. Logramos êxito na implantação de um sistema de revisão por pares, o corpo editorial passa por um processo de renovação, preten- demos ampliar a quantidade de consultores ad hoc. Houve, além disso, um importante aporte de assinantes da revista, o que denota estar ela cumprindo seu papel de aproximar a produção de conhecimentos dos pro?ssionais que o utilizam em sua prática cotidiana. En?m, faz parte dos planos para 2009 a solicitação de apoio a órgãos de fomento à pesquisa, bem como buscar a indexação da RBFEx em bancos de dados que aumentem sua credibilidade e pontuação na classi?cação Nada disso seria possível sem a con?ança dos pesquisa- dores que encaminharam seus manuscritos para avaliação ou sem a colaboração voluntária daqueles que trabalharam para que o órgão o?cial da Sociedade Brasileira de Fisiologia do Exercício voltasse a circular. Em época de ?m de ano, não é demais agradecer nominalmente àqueles que investiram tempo e energia na RBFEx. Especial agradecimento vai para os editores associados, Pedro Paulo Soares (UFF) e, a partir de 2009, Walace Monteiro (UERJ). Suas idéias são e serão importantes para a evolução da revista. O apoio da Sra. Guillermina Arias, nossa editora assistente vem sendo fundamental ? arrisco dizer que, sem a sua competência teria No que diz respeito especi?camente ao presente número da RBFEx, além das habituais seções com artigos originais e revisões da literatura, iniciamos a título experimental uma nova seção, intitulada de ?Perguntas e Respostas?. Sua pro- posta é convidar um especialista em determinada área a travar um diálogo entre a teoria e a prática, por meio de perguntas e respostas. As perguntas procuram remeter a temática na qual o pesquisador milita a aspectos eminentemente relacionados com a aplicação do conhecimento na perspectiva da interven- ção pro?ssional. É claro, isso sem abdicar do rigor cientí?co e da qualidade argumentativa. Cremos que essa nova seção vai ao encontro das características da RBFEx e, uma vez o retorno por parte dos leitores revelando-se positivo, a intenção Finalmente, resta-nos desejar a todos um excelente ?nal de ano, em paz e harmonia junto de suas famílias e entes queridos. Que 2009 possa nos sorrir a todos, sendo um ano pleno de alegrias e realizações! Cordialmente.

Artigo original Identificação precoce de riscos em adolescentes sugere exclusão em programas de exercícios Identification of initial risks in teens suggests exercise program exclusion

Akinori Cardozo Nagato*, Frank Silva Bezerra**, Eduardo Tavares Lima Trajano***, Marco Aurélio dos Santos Silva***, Éric Machado Guimarães***, Samuel Santos Valença****

*Laboratório de Reparo Tecidual ? Departamento de Histologia e Embriologia ? Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes ? Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Pós-Graduação em Fisioterapia Cardio-Respiratória e Pneumo-Funcional ? Universi- dade Castelo Branco, **Pós-Graduação em Ciências Morfológicas ? Universidade Federal do Rio de Janeiro, Curso de Fisioterapia ? Universidade Severino Sombra, Curso de Fisioterapia ? Universidade Severino Sombra, ***Curso de Fisioterapia ? Universidade Severino Sombra, **** Laboratório de Reparo Tecidual ? Departamento de Histologia e Embriologia ? Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes ? Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Resumo Atualmente, a premissa dos estudos preventivos tem se direcio- nado a um estilo de vida saudável, incluindo a participação precoce em programas de exercícios, sob uma orientação pro?ssional. As triagens precoces de saúde permitem a elaboração de prescrições mais apropriada e efetiva destes programas. O presente estudo teve como objetivo investigar se adolescentes de duas instituições da rede particular de ensino da cidade de Vassouras (RJ) estavam aptos para a inclusão direta em um programa de exercício, segundo as orientações do The American College of Sports Medicine. Para isto, foi utilizado um questionário baseado nos critérios da The Canadian Society of Exercise Physiology, o Physical Activity Readiness Questio- nnaire (PAR-Q). Os resultados revelaram: relatos de desconforto torácico durante a prática de exercício físico (15,9%), perda do equilíbrio em virtude de uma tonteira ou perda da consciência (28,7%) e problemas ósseos ou articulares (16,5%). A maior parte dos adolescentes (53%) apresentava indicação direta para uma orientação prévia antes da inclusão em um programa de exercício físico. Observou-se que, embora a prática de exercício físico seja freqüente, os resultados obtidos sugerem inaptidão dos adolescentes para inclusão direta, sem orientação pro?ssional, em um programa Palavras-chave: programa de exercício, adolescentes, identificação de riscos.

Abstract The premise of preventive studies has been currently directed to a healthy lifestyle, including early participation in exercise programs under a professional care. The health preliminary trials allow most Our aim was to investigate the prospective exercise program for direct inclusion of teens from private schools in the city of Vassouras (RJ) according to the guidelines of The American College of Sports Medicine. We used a questionnaire based in The Canadian Society for Exercise Physiology (Physical Activity Readiness Questionnai- re - PAR-Q). After or during physical exercise we found reports of chest distress (15.9%), misbalance and faint (28.7%) and joint problems (16.5%). Some teens (53%) presented direct indication for orientation prior to inclusion in a physical exercise program. We observed in teens frequent physical exercise practice. However, our results suggest un?tness for inclusion of teens unaccompanied by Key-words: exercise program, teens, care identification.

Endereço para correspondência: Samuel Santos Valença, LRT/DHE/IBRAG/UERJ, Av. Prof. Manuel de Abreu, 444, 20550-170 Rio de Janeiro RJ, Tel: 2587-6509

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 3 -setembro/dezembro 2008 113

Introdução A relação inversa entre a prática de exercícios e a prevalên- cia de doenças crônicas tem sido destacada em vários estudos [1-4]. Os mais recentes têm considerado, ainda, que uma vida sedentária na infância pode estar associada às doenças cardio- vasculares durante a vida adulta [5-7]. A verdade é que não há di?culdades em selecionar evidências de cunho biológico ou psicoemocional quanto às vantagens dos adolescentes se A prática de educação física, tida como um componente curricular da educação básica, prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 20 de dezem- bro de 1996), hoje integra à proposta pedagógica da escola, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar. Porém, é difícil avaliar a atividade física, principal- mente quando restrita às crianças e adolescentes, por haverem fatores de interferências como falta de pessoal capacitado para a coleta de dados e di?culdades de apoio ?nanceiro para custeio desse tipo de estudo. Trabalhos recentes têm utilizado padrões referenciados por critérios como inquérito de aptidão física [9-14], onde colaboram ao encorajar os pro?ssionais da saúde em estabelecer programas de triagem de saúde que interceptam mais precocemente os fatores positivos que A triagem de saúde é importante por aprimorar a seguran- ça durante a participação de uma atividade física, assim como permite elaborar uma prescrição mais apropriada e efetiva da mesma. Esta investigação deve ser aplicada por recursos válidos, custo efetivo e e?ciente do ponto de vista temporal, devendo ainda a monitorização dessas tendências se dar de forma prática [9,8]. Sob estes aspectos, os questionários auto- administrativos têm se demonstrado valiosos no auxílio aos O presente estudo teve como objetivo investigar se ado- lescentes de duas instituições da rede particular de ensino da cidade de Vassouras (RJ) estavam aptos para a inclusão direta em um programa de exercício, segundo as orientações do Colégio Americano de Medicina Esportiva [17,18].

Material e métodos O presente estudo, tipo inquérito, foi realizado após apro- vação do projeto de pesquisa ?Triagem de saúde e relação de riscos precoces à aptidão para inclusão em um programa de exercícios?, supervisionado pela Universidade Severino Som- bra e seu respectivo comitê de ética para trabalhos cientí?cos Foram selecionadas duas entidades de ensino da cidade de Vassouras reconhecidas pelo Ministério da Educação, intitu- ladas Colégio Sul-Fluminense de Aplicação (CA) e Colégio dos Santos Anjos (CSA). A opção pelo envolvimento dessas escolas se deu pela similaridade quanto às práticas administra- tivas (escolas da rede privada que oferecem o ensino médio), a localização geográ?ca (escolas próximas e localizadas no centro da cidade de Vassouras), ao per?l socioeconômico de seus alunos e à similaridade quanto ao tempo destinado para a disciplina de educação física, aproximadamente 50 minutos Foram selecionados para essa pesquisa os estudantes devi- damente matriculados nas 1ª, 2ª, e 3ª série do ensino médio das escolas citadas, que demonstraram desejo em participar da pesquisa e que estiveram presentes no dia de visita dos pesquisadores. Inicialmente, essa amostra era composta de 166 alunos. Destes, apenas dois apresentava idade < 15 anos, o que foi sugestivo para exclusão dos mesmos para análise, uma vez que não atendiam as recomendações da Sociedade Canadense para Fisiologia do Exercício como critério inicial para responderem o Physical Activity Readiness Questionnaire (PAR-Q), onde se recomenda um limite de idade compreen- dido entre 15 e 69 anos (Tabela I) [19].

Tabela I - Número de adolescentes que participaram do estudo Idade Feminino Masculino Total n%n%n% 15 anos 22 26,8% 29 35,4% 51 31,1% 16 anos 41 50,0% 31 37,8% 72 43,9% 17 anos 13 15,9% 18 22,0% 31 18,9% 18 anos 4 4,9% 4 4,9% 8 4,9% 19 anos 2 2,4% 0 0,0% 2 1,2% 15 - 19 anos 82 100% 82 100% 164 O questionário, validado e proposto para inclusão, direta ou sob orientação médica, em uma atividade física foi aplicado a 164 escolares, 82 do sexo masculino e 82 do sexo feminino, cuja média da idade e desvio padrão foi, respectivamente: 15,96 ± 0,88 e 16,06 ± 0,92. Além das questões relacionadas ao PAR-Q, os estudantes foram indagados sobre suas respec- tivas idades, sexo, dados antropométricos (altura e peso), e quatro questões especí?cas que apresentavam somente duas alternativas de resposta, uma para a?rmação (sim) e outra para negação (não). As questões formuladas foram: 1. A instituição de ensino oferece a prática de educação físi- 4. Fora das dependências da sua instituição de ensino você Para a aplicação do PAR-Q os adolescentes foram reunidos em uma sala de aula na proporção de 15-20 estudantes para cada examinador a ?m de que eventuais dúvidas pudessem ser prontamente esclarecidas. Foram veiculadas com o questio- Não foi estabelecido limite de tempo para o preenchimento do questionário, e durante sua aplicação os adolescentes perma- neceram sem comunicação paralela a ?m de que não houvesse

possíveis interferências nas respostas. Foram considerados os critérios estabelecidos no próprio instrumento de investigação (PAR-Q) para a sugestão quanto à indicação ou não de uma Os questionários foram conduzidos para análise dos dados do grupo amostral a partir da equação IMC = peso (kg)/altura (m)2. O IMC especí?co para adolescentes foi estabelecido como baixo peso (BP) - 17,5 kg/m2, excesso de peso (EP) compreendido entre 25 kg/m2 e 30 kg/m2 e obesidade (OB) Os dados são apresentados em tabelas e grá?co. Para o cálculo da distribuição de freqüência do IMC e PAR-Q+ e PAR-Q? utilizou-se o teste qui-quadrado (Tabela VI). Para comparar as médias do IMC entre os alunos que apresentaram PAR-Q+ e PAR-Q? utilizou-se o teste t com a correção de Welch. Em ambos os casos a diferença estatística foi consi- derada quando valor de p ? 0,05.

Resultados O per?l antropométrico dos adolescentes que participa- ram do estudo está representado na Tabela II. As observações destes dados não evidenciaram diferenças signi?cativas entre os dois grupos amostrais estudados. A idade média (anos), o peso (kg), a altura (m) e o IMC (kg/m2) dos adolescentes de ambas as instituições foram, respectivamente, 16,01 ± 0,91, Ambas as instituições que participaram do estudo ofere- ciam a prática de atividade física em seu programa curricular, dado con?rmado pelos adolescentes em 99,4%. A maior parte dos matriculados estava inserido em um programa de exercí- cios (90,9%). Do total de adolescentes, 98,8% consideraram a atividade física importante, ainda que grande parte dos mesmos relatou não praticar nenhuma atividade física fora Os adolescentes entrevistados apresentaram um per?l de aptidão para a atividade física bastante heterogênea, se consideramos os critérios do Colégio Americano de Medicina Esportiva propostos no PAR-Q. Considerando os dados de ambas as instituições (CA e CSA) representadas na Tabela IV, percebemos que os relatos sugestivos de maior sugestão de inaptidão para a inclusão direta em uma prática de exer- cícios foram: 1. presença de desconforto torácico durante a prática de 2. perda do equilíbrio em virtude de uma tonteira ou perda 3. sofrimento de algum tipo de problema ósseo ou articular com possibilidade de piora por uma mudança em sua atividade física (16,5%).

Tabela II - Dados antropométricos dos adolescentes das duas instituições particulares de ensino de Vassouras,RJ. CA n Idade (anos): (d) Peso(Kg): (d) Altura (m) (d) IMC (Kg/m2) Sexo masculino 40 16,05 0,90 68,48 9,02 1,78 0,06 21,66 Sexo feminino 44 16,02 0,85 54,13 7,45 1,64 0,06 20,15 total 84 16,04 0,88 61,30 8,23 1,71 0,06 20,90 CSA Sexo masculino 42 15,88 0,86 65,75 10,28 1,75 0,07 21,51 Sexo feminino 38 16,11 1,01 56,93 12,20 1,65 0,07 21,03 total 80 15,99 0,93 61,34 11,24 1,70 0,07 21,27 CA + CSA 164 16,01 0,91 61,32 9,74 1,70 0,07 21,09 CA = Colégio de Aplicação; CSA= Colégio dos Santos Anjos; (d)= desvio padrão. Os dados foram expressos em média ±desvio padrão da média.

Tabela III - Distribuição de freqüências do número de adolescentes que responderam `SIM' OU `NÃO' às perguntas sobre a atividade física. I II III IV sim não sim não sim não sim não CA n % n % n % n % n % n % n % n % Feminino 43 97,7% 1 2,3% 35 79,5% 9 20,5% 44 100,0% 0 0,0% 15 34,1% 29 65,9% Masculino 40 100,0% 0 0,0% 37 92,5% 3 7,5% 38 95,0% 2 5,0% 31 77,5% 9 22,5% CA 83 98,8% 1 1,2% 72 85,7% 12 14,3% 82 97,6% 2 2,4% 46 54,8% 38 45,2% CSA Feminino 38 100,0% 0 0,0% 35 92,1% 3 7,9% 38 100,0% 0 0,0% 17 44,7% 21 55,3% Masculino 42 100,0% 0 0,0% 42 100,0% 0 0,0% 42 100,0% 0 0,0% 35 83,3% 7 16,7% CSA 80 100,0% 0 0,0% 77 96,3% 3 3,8% 80 100,0% 0 0,0% 52 65,0% 28 35,0% CA + CSA 163 99,4% 1 0,6% 149 90,9% 15 9,1% 162 98,8% 2 1,2% 98 59,8% 66 40,2% I - oferece a prática de educação física? II - Você participa das aulas de educação física? III - você considera importante a prática de exercícios? IV - fora das dependências da sua instituição de ensino você pratica alguma atividade física?

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 3 -setembro/dezembro 2008 115

Tabela IV - Distribuição de freqüência do número de indivíduos que responderam `sim' ou `não' aos questionamentos do PAR-Q. CA CSA CA + CSA Feminino Masculino Feminino Masculino sim não sim não sim não sim não sim não n%n%n%n%n%n%n%n%n%n% I 1 2,3% 43 97,7% 2 5,0% 38 95,0% 1 2,6% 37 97,4% 1 2,4% 41 97,6% 5 3,0% 159 97,0% II 8 18,2% 36 81,8% 7 17,5% 33 82,5% 8 21,1% 30 78,9% 3 7,1% 39 92,9% 26 15,9% 138 84,1% III 5 11,4% 39 88,6% 3 7,5% 37 92,5% 5 13,2% 33 86,8% 3 7,1% 39 92,9% 16 9,8% 148 90,2% IV 16 36,4% 28 63,6% 11 27,5% 29 72,5% 13 34,2% 25 65,8% 7 16,7% 35 83,3% 47 28,7% 117 71,3% V 11 25,0% 33 75,0% 8 20,0% 32 80,0% 5 13,2% 33 86,8% 3 7,1% 39 92,9% 27 16,5% 137 83,5% VI 1 2,3% 43 97,7% 0 0,0% 40 100,0% 1 2,6% 37 97,4% 0 0,0% 42 100,0% 2 1,2% 162 98,8% VII 3 6,8% 41 93,2% 5 12,5% 35 87,5% 6 15,8% 32 84,2% 1 2,4% 41 97,6% 15 9,1% 149 90,9% I - Seu médico já lhe disse que você é portador de uma afecção cardíaca e que somente deve realizar a atividade física recomen- dada por um médico? II - Você sente dor no tórax quando realiza uma atividade física? III - No último mês, você teve dor torácica quando não estava realizando uma atividade física?IV - Você perdeu o equilíbrio em virtude de uma tonteira ou já perdeu a consciên- cia? V - Você sofre algum tipo de problema ósseo ou articular que poderia ser agravado por uma mudança em sua atividade física? VI - Seu médico está lhe receitando atualmente medicamentos (por exemplo, diuréticos) para a pressão arterial ou alguma condição cardíaca? VII - Você está a par de alguma outra razão pela qual não deveria realizar uma atividade física?

Tabela V - Distribuição de freqüência do número de adolescentes que responderam `não' a todas as questões do PAR-Q ou `sim' a pelo menos CA CSA CA + CSA Feminino Masculino Total Feminino Masculino Total n%n% n%n% n% SIM' para uma ou mais questões 29 65,9% 23 57,5% 52 61,9% 19 50,0% 16 38,1% 35 41,7% 87 53,0% NÃO' a todas as questões 15 34,1% 17 42,5% 32 38,1% 19 50,0% 26 61,9% 45 53,6% 77 47,0% CA = Colégio de Aplicação; CSA = Colégio dos Santos Anjos

Cabe ressalvar que 9,1% dos entrevistados ainda a?rma- ram desconhecer alguma outra razão pela qual não deveriam A Tabela V apresenta a porcentagem de adolescentes que responderam ?não? à todas as sete perguntas do PAR-Q (ou seja, estavam aptos para a inclusão direta em um programa de exercício físico). Pode-se observar que somente 47,0% dos adolescentes representavam esta parcela, enquanto a maior parte (53%) apresentava indicação direta para uma orienta- ção prévia antes da inclusão em um programa de exercício físico ? ou seja: aqueles que responderam ?sim? a pelo menos A análise do teste qui-quadrado mostrou diferença signi?- cativa (p < 0,03) ao investigar a distribuição de freqüência do número de adolescentes que apresentaram PAR-Q+ (PAR-Q positivo = adolescentes que responderam ?sim? a uma ou mais questões) e PAR-Q- (PAR-Q negativo = adolescentes que responderam ?não? a todas as questões) segundo o IMC Finalmente as médias dos IMC dos adolescentes que re- lataram dor torácica durante a prática de atividade física com PAR-Q+ foi signi?cativamente menor (p < 0,002) comparado aqueles identi?cados como ?aptos? para a inclusão direta (PAR-Q-) em um programa de exercícios (Figura 1).

Tabela VI - Distribuição de freqüência do número de adolescentes que apresentaram PAR-Q positivo e PAR-Q negativo segundo o IMC PAR-Q +- <17,5 15 7 17,5 - 25 60 63 IMC (Kg/m2) 25-30 10 5 >30 0 4 PAR-Q + = adolescentes que responderam ?sim? a uma ou mais questões, e que sugere-se uma orientação prévia de um profissional da saúde para a inclusão em um programa de exercício. PAR-Q - = adolescentes que responderam ?não? a todas as questões e estão aptos para a inclusão direta em um programa de exercício.

Discussão Inúmeros benefícios sobre a prática de exercícios físicos podem ser encontrados na literatura, tais como: diminuir o risco de aterosclerose e suas conseqüências (angina, infarto do miocárdio, doença vascular cerebral), ajudar no controle da obesidade, hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, disli- pidemias, ansiedade, depressão, doença pulmonar obstrutiva

Figura 1 - Média do IMC dos adolescentes que já apresentaram dor torácica por conta de uma atividade física.

crônica, asma; diminuir o risco de afecções osteomusculares e de alguns tipos de câncer (colo e de mama), além de propor- cionar melhor auto-estima e ajudar no bem-estar e socialização Apesar da amplitude destes benefícios, e da Lei de Diretri- zes e Bases da Educação Brasileira (LDB) colocar a Educação Física como componente curricular, no Brasil quase a metade Um estudo realizado em escolas públicas no Rio de Janeiro apontou índice de sedentarismo de 85% entre adolescentes Tem-se observado que a participação em atividades físicas vem declinando consideravelmente com o crescimento, es- pecialmente da adolescência para o adulto jovem [28]. Neste contexto, nosso estudo pôde identi?car que a realidade das escolas particulares do município de Vassouras (CA e CSA) apresenta-se em disparidade quanto às demais instituições públicas do estado, apresentando uma representativa partici- Parece ainda estar inserida nesse contexto a concepção da importância de participar de um programa de exercício, vis- to que 98,8% dos adolescentes consideravam importante a prática de exercícios. Nosso estudo sugere também que uma parcela dos adolescentes está efetivamente participando destes programas. No entanto, ainda são ine?cazes os instrumentos de avaliação da atividade física e escassos os instrumentos que apontem preventivamente para uma inserção equivocada Identi?cou-se na literatura que a utilização do PAR-Q, sob a perspectiva de liberação prévia para a prática de exer- cício físico, foi aplicado, precocemente a grupos variados de adultos [29,30]. Entretanto, em adolescentes, este estudo Identi?camos, através da sua utilização, que mais da metade dos adolescentes responderam positivamente a uma ou mais questões do PAR-Q, sugerindo uma orientação prévia de um pro?ssional da área médica para estes se tornarem ?sicamente Acreditamos que nossos esforços em buscar relações entre os dados antropométricos e a dor torácica e tonteira relatada pelos adolescentes esteve di?cultada pelos inúmeros fatores in- tervenientes que não pudemos controlar, como, por exemplo: tipo de hábito alimentar e nível de estresse. Entretanto, esta di?culdade parece estar constantemente presente em estudos com adolescentes, pois ao contrário do que ocorre em adul- tos, não há consenso sobre os critérios antropométricos mais adequados para classi?car sobrepeso e obesidade na infância e adolescência, mesmo se tendo utilizado, para esta ?nalidade diversos parâmetros, como: tabelas de crescimento, curvas de referência do IMC para a idade, IMC percentual, índice de massa corporal magra e medidas de pregas cutâneas; o que Em conclusão, grande parte dos adolescentes observados exibiu, em diferentes graus, inaptidão inclusão direta, sem supervisão pro?ssional ou avaliação médica, em programas de exercício físico.

Conclusão A prática de exercício físico é freqüente nas instituições estudadas, estando grande parte dos adolescentes inseridos na prática de educação física e ainda praticando algum exercício físico extracurricular. Apesar de uma grande parcela dos ado- lescentes considerarem a prática de exercício físico importante, os resultados obtidos no presente estudo sugerem inaptidão dos adolescentes para inclusão direta (sem orientação de um pro?ssional da saúde) em um programa de exercício físico. Isto nos leva a um questionamento fundamental: Estariam todos estes adolescentes corretamente incluídos em um programa Assim, outros estudos deveriam dedicar-se especi?camente à proposição de instrumentos de investigação precoce de riscos relacionados à prática de exercícios. Como atualmente a premissa dos estudos preventivos tem se direcionado a um estilo de vida que se relaciona diretamente aos fatores de riscos precoces, comportamentos indesejáveis na adolescência po- dem afetar negativamente a saúde na vida adulta. Dentre esses hábitos, destaca-se a prática inadequada de exercício físico.

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Artigo original A influência aguda de uma sessão de Jump Fit no desempenho dos exercicios resistidos Acute influence of a Jump Fit class in resistive training performance

Adriana Lemos*, Roberto Simão*, Humberto Miranda*, Je?erson da Silva Novaes*

*Universidade Federal do Rio de Janeiro ? Escola de Educação Física e Desportes

Resumo Existem evidências de que o treinamento de resistência antece- dendo os exercícios resistidos (ER) pode in?uenciar no desempenho deste último. O objetivo deste estudo foi veri?car a in?uência de uma aula de Jump Fit sobre o número de repetições em uma se- 162,1 ± 5,7 cm; 54 ± 5,3 kg, praticantes de ER e Jump Fit. O estudo envolveu quatro visitas com intervalo de 48 horas entre as mesmas. Na primeira visita, foram avaliados a freqüência cardíaca em repouso, medidas antropométricas e o teste de 10 repetições Nos dois dias seguintes, após a obtenção das cargas, os indivíduos foram submetidos a duas sessões de treinamento, organizada em duas formas seqüenciais (SEQ A e SEQ B): SEQA ? leg press 450, cadeira extensora e cadeira ?exora, sendo três séries com cargas de 10RM, e intervalos de dois minutos entre as séries e exercícios. A SEQB ? consistia primeiramente na aula de Jump Fit e em seguida a realização dos ER na mesma ordenação da SEQA. A realização das seqüências foi de?nida pelo balance cross-over design. Para veri?car o comportamento do número de repetições, realizou-se uma ANOVA fatorial de duas entradas, seguida do teste post-hoc de Tuckey (p < 0,05). Comparando o número total de repetições dos ER sem a execução prévia do Jump Fit e após o Jump Fit, todas as séries comparadas apresentaram redução no número de repetições, com exceção da 1a série da ?exão do joelho. Veri?camos que a aula de Palavras-chave: treinamento aeróbio, treinamento de força, treinamento concorrente, fadiga.

Abstract There are evidences that endurance training, if applied before resistive training (RT), may in?uence the performance of the last one. This study intends to verify the in?uence of a Jump Fit class over the number of repetitions in an RT sequence. The sample we 54 ± 5.3 kg), who practice RT and Jump Fit. The study has included four visits, with a 48-hour interval between them. In the ?rst visit we have evaluated the heart frequency at rest, anthropometrics Forty-eight hours after obtaining the load in 10 RM the re-test was made. After two days, the individuals were submitted to two training sessions, organized in two types of sequences (SEQ A and SEQ B): SEQA ? leg press 450, leg extension and leg curl, of which 3 sets using 10 RM weights, and 2-minute intervals between sets and exercises. The SEQB ? consisted of a Jump Fit class, followed by the performance of RT in the same order of SEQA. The way sequences were performed was de?ned by balance cross-over design. In order to verify the behavior of the number of repetitions, we have used a We have used the software Statistica 5.5 (Statsoft ®, USA). When we compared the number of RT repetitions, without previous Jump Fit exercise and after Jump Fit, all the sets compared have shown a reduction in the number of repetitions; with the exception of the ?rst set of leg curl. We have veri?ed that the Jump Fit class has a negative in?uence in RT performance. However, when the objective includes cardio resistance, Jump Fit training may be recommended Key-words: aerobic training, strength training, concurrent training, fatigue.

Endereço para correspondência: Roberto Simão, E-mail: robertosimao@ufrj.br

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 3 -setembro/dezembro 2008 119

Introdução Os exercícios resistidos (ER) são constituintes importan- tes nos programas de condicionamento físico direcionados a promoção da saúde [1,2]. Sua prática continuada provoca adaptações fisiológicas favoráveis que podem variar em função de aspectos como intensidade da carga, número de repetições, freqüência semanal, ordem dos exercícios, intervalo Tais diferenças podem ou não resultar em ganhos de força e O treinamento aeróbio tem sido apontado como respon- sável por promover aumentos na densidade mitocondrial, enzimas oxidativas, mioglobina, consumo máximo de oxi- gênio e a capacidade de desempenhar trabalhos prolongados sem associação ao aumento de força e hipertro?a muscular Contudo, o treinamento simultâneo de exercícios aeróbios e de força parece modi?car o curso destas respostas, interferin- do positivamente, ou até comprometendo o desenvolvimento de tais valências [4,5]. Alguns autores [6,7] argumentaram que a realização de um treinamento combinado envolvendo trabalho de força e aeróbio acarreta menores ganhos de força em comparação com indivíduos que realizam somente o treinamento de força. No entanto, outros estudos [4,8,9] revelaram que há ainda uma grande inde?nição sobre os reais efeitos ?siológicos, morfológicos e neuromusculares decorrentes deste tipo de treinamento. Sendo assim, sua interpretação depende de vários fatores, incluindo o nível de condicionamento dos indivíduos, o volume e a freqüência de treinamento, além da experiência motora e da forma como Uma das novas atividades que desenvolvem aptidão aeróbia e atualmente tem sido muito procurada nas acade- mias é o Jump Fit, que constitui um programa de exercícios ritmados de membros superiores e inferiores sobre um mini trampolim. Seus benefícios são basicamente os mesmos que os alcançados pela prática regular dos exercícios aeróbios [10]. Contudo, não possuímos nenhuma evidência cienti?ca sobre o real comportamento dos ER após a metodologia de treino pré-coreografado. Desta forma, o objetivo deste estudo foi veri?car a in?uência de uma sessão de Jump Fit no desempenho dos ER para membros inferiores em mu- lheres treinadas.

Materiais e métodos Amostra Para seleção da amostra respeitaram-se os seguintes critérios de inclusão: a) prática regular de atividades no Jump Fit e ER pelo menos seis meses, com freqüência semanal míni- ma de três vezes; b) índice de massa corpórea ? 21 kg/m-2, evitando-se níveis de sobrepeso que comprometessem a qua- lidade de execução dos movimentos; c) questionário PAR-Q negativo; d) ausência de problemas osteomioarticulares que viessem limitar a realização dos exercícios propostos. Todas as voluntárias assinaram um termo de consentimento pós- informado, conforme sugerido pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, após aprovação pelo Comitê de Ética da Instituição.

Coleta de dados O estudo envolveu quatro dias de coleta de dados com intervalo de 48 horas entre as mesmas. Na primeira visita, foi avaliada a freqüência cardíaca em repouso, composição corporal e medidas de estatura, massa corporal e a carga em um teste de 10 repetições máximas (10 RM) [11]. As voluntárias foram aconselhadas a não praticar exercícios físicos nas 48 horas anteriores aos testes. Na segunda visita, realizou-se um re-teste de 10 RM para veri?car a reprodutibilidade das cargas alcançadas nos testes. Dife- renças superiores a 5% nas cargas obtidas em ambos os testes não poderiam ser utilizadas. A obtenção de cargas no teste de 10 RM constou dos seguintes exercícios: leg-press 450, cadeira extensora e cadeira ?exora, em função da sua Objetivando reduzir a margem de erro no teste de 10 RM, foram adotados os seguintes procedimentos: a) instruções padronizadas foram fornecidas antes do teste, de modo que o avaliado estivesse ciente de toda a rotina que envolvia a coleta de dados; b) o avaliado foi instruído sobre a técnica de execução do exercício; c) o avaliador permanecia atento quanto à posição adotada pelo praticante no momento da medida, pois pequenas variações no posicionamento das articulações envolvidas no movimento poderiam acionar outros músculos, levando a interpretações errôneas dos escores obtidos; d) estímulos verbais foram realizados a ?m Foram executadas até cinco tentativas na obtenção das cargas para 10 RM. Os intervalos entre as tentativas em cada exercício durante o teste foram ?xados entre dois a cinco minutos. Após a obtenção da carga em 10 RM em determi- nado exercício, intervalos não inferiores a 10 minutos foram Na 3a e 4a visitas, após 48 horas da obtenção das cargas nos testes de 10 RM, os indivíduos foram submetidos a duas sessões de treinamento, com intervalo de 48 horas entre as mesmas. Nos intervalos entre as sessões não foi permitida a realização de exercícios que pudessem in?uenciar nos dados. A condução do treinamento durante as sessões foi realizada através de duas formas seqüenciais: seqüência A (SEQA) ? consistia realização dos ER na seguinte ordem: leg press 450, cadeira extensora e cadeira ?exora. Eram realizadas três séries, com cargas de 10 RM até a falha concêntrica.

Os intervalos entre as séries e exercícios eram ?xados em dois minutos. A capacidade de desempenho nas repetições foi determinada pela exaustão ou incapacidade de manter o padrão do movimento. Todos os exercícios supracitados foram realizados em equipamentos da marca Technogym@ selection. A seqüência B (SEQB): consistia na realização da coreogra?a da aula de Jump Fit e logo em seguida a realiza- ção dos ER na mesma ordenação da SEQA. Antes da aula de Jump Fit, todas as avaliadas permaneceram sentadas em repouso durante 10 minutos em uma sala isolada. A tem- peratura situou-se entre 18º e 21º centígrados e a umidade A inclusão dos indivíduos nas distintas seqüências de exercícios foi de?nida pelo balance cross-over design. O aque- cimento na SEQA consistiu em trabalho especí?co de 12 repetições com 40% da carga de 10RM. Esse procedimento foi adotado apenas no primeiro exercício da seqüência. Já na SEQB, o aquecimento respeitava o padrão da aula do Jump O Jump Fit consiste em rotinas coreográ?cas que envolvem exercícios de corrida, polichinelos, deslocamentos, e elevações de joelhos e calcanhares, combinados com movimentos dos braços, e executados sobre um mini trampolim. O equipa- mento permite a realização de exercícios que envolvem a força da gravidade, além da aceleração e desaceleração, devido à sua superfície elástica e sistema de ?xação de molas de especial resistência, que permitem atingir uma alta performance na exe- cução dos exercícios. Os exercícios propostos são apresentados em forma de coreogra?as simples e de fácil execução, iniciando com uma coreogra?a no solo, seguido de um estágio de aque- cimento (pre-training), entrando na parte principal, também denominada cardio-training. Sua fase ?nal é composta por movimentos suaves utilizados para volta à calma.

Análise estatística Para veri?car a in?uencia da aula de Jump Fit no número de repetições nos ER, realizou-se uma ANOVA de duas entradas com medidas repetidas, seguida do teste post-hoc de Tukey. Utilizou-se como signi?cância estatística, p < 0,05. Os dados foram tratados no software Statistica 5.5 (Statsoft ®, USA).

Resultados Ao comparar o número de repetições dos ER sem execu- ção prévia do Jump Fit com a execução após sessão Jump Fit, observou-se uma redução do número de repetições em todos os exercícios estudados, exceto na primeira série da cadeira ?exora. No que diz respeito a in?uência da sessão de Jump Fit nas distintas séries em cada exercício, observaram-se reduções signi?cativas na terceira série do leg press 450 e cadeira ?exora (Figuras 1 e 2, respectivamente), na segunda e terceira série da cadeira extensora (Figura 3).

Figura 1 - Número de repetições para o exercício leg-press 450 rea- lizado sem a execução do Jump Fit (coluna cinza) e após a execução do Jump Fit (coluna diagonal).

*Diferença significativa para a série correspondente realizada sem a execução do Jump Fit.

Figura 2 - Número de repetições para a ?exão do joelho realizado sem a execução do Jump Fit (coluna cinza) e após a execução do Jump Fit (coluna diagonal).

* Diferença significativa para a série correspondente realizada sem a execução do Jump Fit.

Figura 3 - Número de repetições para o exercício extensão do joe- lho realizado sem a execução do Jump Fit (coluna cinza) e após a execução do Jump Fit (coluna diagonal).

*Diferença significativa para a série correspondente realizada sem a execução do jump-fit

Discussão Alguns estudos demonstram que os exercícios aeróbios realizados previamente aos ER exercem efeitos deletérios neste último, como a redução do desempenho agudo em testes espe-

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cí?cos [12,13]. Uma possível explicação para tal fato é que uma sessão de trabalho aeróbio promoveria mudanças metabólicas Vale ressaltar que a literatura sugere um comprometimento das adaptações decorrentes dos ER em virtude da realização prévia do treinamento aeróbio [6,15]. O contrário, porém, Existem diferentes posicionamentos sobre a interferência da combinação do treinamento aeróbio de intensidade ele- vada nos programas de ER [16]. A natureza do treinamento aeróbio também difere muito nos estudos. Corrida [6,17], ciclismo [7,12,18], remo [4,8], arremesso [5] e a combinação de corrida com ciclismo [19] têm sido apresentados como constituintes do treinamento aeróbio de estudos sobre trei- Alguns autores [17,20] sugerem que o treinamento aeróbio possivelmente inter?ra na capacidade do sistema neuromuscu- lar em gerar a força máxima, hipótese associada diretamente ao efeito agudo. Embora um número considerável de estudos tenha relacionado às adaptações no desempenho com o trei- namento concorrente, poucos analisaram os mecanismos ?sio- O treinamento aeróbio previamente aos ER compromete as adaptações decorrentes do estímulo de força através da alteração do padrão de recrutamento muscular e/ou da atenuação da hipertro?a [14]. Segundo Kraemer et al. [6], há uma diminui- ção na hipertro?a de ?bras do tipo II quando o treinamento A maior diferença na metodologia do presente estudo em relação aos obtidos na literatura existente parece que a maior diferença reside na especi?cidade do treinamento aeróbio apli- cado previamente a uma seqüência de ER. Não foi encontrado na literatura nenhum material referente à utilização do Jump Fit antecedendo uma seqüência de ER. Entretanto, nossos acha- dos parecem concordar com diversos estudos que utilizaram outros exercícios de treinamento aeróbio, que demonstraram a in?uência negativa do treinamento contínuo de longa duração Após sessão de Jump Fit em todos os exercícios e séries, exceto na primeira série de ?exão de joelhos, observou-se uma redução no número de repetições em cada série, quando Os estudos que demonstram a in?uência dos exercícios aeróbios antecedendo aos ER possuem uma duração média entre 21 a 160 minutos [14]. Parece claro que exercícios com essa faixa de duração in?uenciam negativamente no desem- penho dos ER. Os fatores in?uenciadores mais prováveis na fadiga podem ser: o estresse térmico, a desidratação, o percentual do VO no qual se exercita, o limiar de lactato 2pico do indivíduo, a percentagem de ?bras do tipo I recrutadas, a biomecânica de execução e o conteúdo de glicogênio muscular [5,6,14]. No presente estudo, observamos que os exercícios realizados no mini-trampolim, durante 60 minutos antes dos ER, in?uenciaram negativamente no desempenho. Tal fato pode estar relacionado à intensidade da aula, caracterizada em Nesse caso o trabalho correspondeu aproximadamente à 75% do VO Outro fator importante que pode ter in?uenciado no desempenho dos ER foi a fadiga de membros inferiores, principalmente nas séries da cadeira extensora, onde observou- se redução signi?cativa do número de repetições na segunda e terceira séries, quando comparada as séries executadas sem o treinamento prévio do Jump Fit. Isso nos leva a crer que a aula de Jump Fit pode exercer uma forte fadiga na musculatura do quadríceps, visto que na realização da extensão de pernas, Em estudo proposto por Leveritt et al.[16], 26 estudantes foram divididos em três grupos selecionados de forma alea- tória. O primeiro grupo realizou somente ER. Já o segundo, realizou somente o treinamento aeróbio, enquanto o terceiro, realizou simultaneamente trabalho aeróbio e ER. O programa nos ER consistia nos exercícios leg-press, extensão de pernas, ?exão de pernas, supino horizontal, puxada no pulley, ?exão de cotovelos, elevação lateral dos braços e abdominais. Os sujeitos treinaram por seis semanas, três vezes semanais, com O treinamento de resistência no ciclo-ergômetro consistia em períodos de cinco minutos nas intensidades de 40, 60, 80, 100% do VO com intervalos de cinco minutos leves 2depico para recuperação. Utilizou-se o teste de 1 RM para avaliação da carga. Após seis semanas de treinamento, os resultados demonstraram que os grupos que realizaram somente os ER e o treinamento simultâneo aumentaram a força signi- ?cativamente no teste de 1 RM, mas o grupo que treinou somente força teve maior ganho. Em compensação, o grupo que treinou somente treinamento aeróbio não aumentou força de forma signi?cativa. Isso demonstra que sessões de treinamento aeróbio de longa duração, conjugados aos ER Em outro estudo que veri?cou os efeitos crônicos do trei- namento aeróbio sobre o desempenho da força, os resultados foram similares. Jolpe et al. [3] veri?caram a in?uência de um treinamento de corrida no desempenho da força. As volun- tárias foram divididas em três grupos. Um treinava somente ER, enquanto o segundo fazia 25 minutos de corrida a 75% da FC de reserva acompanhado por ER. Já o terceiro grupo serviu como controle. Os ER consistiam de 10 exercícios, sendo quatro para membros inferiores (leg press, extensão de pernas, As voluntárias treinaram durante nove semanas, uma hora por dia, três vezes semanais (2a, 4a e 6a), de forma periodizada de acordo com o modelo de Stone e O'Bryant [21]. Os testes de Como resultado, não foram observadas diferenças signi?cativas entre os grupos que treinaram somente ER e o treinamento simultâneo. Apesar das diferenças metodológicas na aplicação do treinamento e na forma de coleta de dados entre os dois últimos experimentos, os resultados foram similares.

No que diz respeito aos efeitos agudos do treinamento concorrente envolvendo trabalho aeróbio e de força, isso o treinamento trouxe uma redução do número de repetições nas ?guras 1, 2 e 3, o desempenho nos ER, expresso pelo número de repetições máximas nos exercícios, foi menor com a prática do Jump Fit antes. Isso se mostrou mais evidente, 3. principalmente com a evolução das séries. Nesse caso, pode-se observar que na terceira série do leg-press e cadeira ?exora, bem como na segunda e terceira séries da cadeira extensora, a queda 4. do desempenho foi mais evidente. Com base nos resultados supracitados, podemos acreditar que ganhos de força podem sofrer prejuízo no treinamento simultâneo envolvendo Jump Fit e ER. Porém, se o objetivo primordial recair no ganho de força, seria melhor treinar os ER antes do Jump Fit, devido à 6. menor possibilidade de fadiga. Em contrapartida, se o objetivo recair na melhora do condicionamento cardiorrespiratório, o treinamento simultâneo iniciado com o treinamento aeróbio Na sessão de Jump Fit, cujo modelo do programa é ?xo de 166 bpm, o que pode ser considerado elevado, ainda mais para uma duração do esforço em 60 minutos. Dessa forma, devido aos elevados graus de intensidade e volume de trabalho em uma sessão de Jump Fit, acredita-se que possa haver uma 10. fadiga local, afetando o treinamento posterior.

Conclusão Com base nos resultados encontrados no presente estudo, pode-se concluir que a aula de Jump Fit apresenta alta inten- 12. sidade e volume de trabalho, trazendo como efeito agudo a in?uencia negativa no desempenho da força em mulheres treinadas, quando realizada antes dos ER. Contudo, quando o objetivo principal do treinamento recair na melhoria do condicionamento cardiorespiratório, o treinamento de Jump Fit parece ser uma atividade indicada como opção de aula nas 14. academias. Importante também destacar, que a magnitude da in?uência das aulas de Jump Fit no desempenho agudo da força tende a ser mais pronunciada com a evolução das séries. 15. Nesse sentido, em uma sessão de exercícios realizados com séries simples, a aula de Jump Fit parece não exercer in?uência negativa no desempenho da força. Estudos futuros necessitam ser conduzidos para melhor investigar a in?uência das sessões de Jump Fit sobre o desempenho dos ER. 17.

Agradecimentos pesquisas relacionadas ao Jump Fit; à academia Companhia Athletica (RJ-Brasil), pelo apoio ao estudo; aos professores Cid Queiroz e Grazielle Bonato, pelo apoio na coleta de dados. 20. 21.

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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 3 -setembro/dezembro 2008 123

Artigo original Autopercepção da saúde de mulheres acima de 30 anos após participação em programa de alongamento estático voltado para promoção da saúde Health self-perception of women above 30 years after participation in a static stretching program directed toward health promotion

Josenei Braga dos Santos, M.Sc.*, Everton Silveira Campos, M.Sc.**, André Junqueira Xavier, D.Sc.***

*Engenharia de Produção (Área de Concentração ? Ergonomia/UFSC), Educação Física ? Universidade Regional de Blumenau (FURB), Lótus Fisioterapia e Serviços na Área da Saúde, **Engenharia de Produção (Área de Concentração - Ergonomia/UFSC), Fisioterapia ? Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Lótus Fisioterapia e Serviços na Área da Saúde, ***Informáti- ca em Saúde (UNIFESP/EPM), Medicina ? Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Resumo O objetivo deste estudo foi avaliar a autopercepção de saúde de mulheres acima de 30 anos participantes de um programa de alongamento estático voltado para a promoção da saúde. A amostra foi composta por dez sujeitos do sexo feminino, entre 30 e 55 anos, que apresentavam desconfortos corporais, sendo que três relataram ter algum problema de saúde. O estudo obedeceu a três etapas: pré-teste - questionário sobre as condições de saúde, avaliação da ?exibilidade por meio do Teste de Sentar e Alcançar (TSA) e clas- intervenção - 26 sessões de alongamento estático, por quatro meses, duas vezes por semana em dias alternados, com duração de 30 a 45 minutos cada sessão, três repetições de exercícios para cada articula- ção (pescoço, ombros, coluna vertebral, quadril, joelhos e tornozelos) com duração de 15 a 30 segundos em cada posição, exercícios de resistência muscular localizada, três séries de 10 repetições, orienta- ções sobre hábitos de saúde, postura corporal, técnicas de respiração e relaxamento; e pós-teste os mesmos procedimentos do pré-teste mais avaliação qualitativa dos sujeitos. Os resultados mostraram que antes da intervenção, a ?exibilidade de 10% dos sujeitos estava em situação excelente, 30% em situação boa, 40% em situação regular e 20% precisava melhorar. Após a intervenção, 10% estavam em situação excelente, 50% em situação boa, 30% em situação regular e 10% precisavam melhorar. Assim, percebeu-se que as sessões aju- daram os sujeitos a manter a ?exibilidade e até melhorá-la em alguns casos, bem como, auxiliou os sujeitos que estavam com problema Palavras-chave: alongamento estático, flexibilidade, empoderamento.

Abstract The aim of this study was to evaluate the self-perception of women health above 30 years who were participants of a static stretching program directed toward health promotion. The sample was composed by ten female subjects, age group 30-55 years, who showed body discomforts, three of them reported to have health problems. The study followed three stages: pre-test - questionnaire on health conditions, evaluation of ?exibility by seat-and-reach test and classi?cation according to Canadian Society of Exercise Physiology - CSEP; intervention - 26 sessions of static stretching for four months, two times per week in alternated days, duration 30-45 minutes each session, three repetitions of exercises for each joint (neck, shoulders, vertebral column, hip, knees and ankles) duration of 15-30 seconds in each position, exercises of located muscular resistance, three series of 10 repetitions, orientation on and post-test - same procedures of pre-test and subjects qualitative evaluation. The results showed that before intervention, ?exibility of 10% of the subjects was excellent, 30% good, 40% regular and 20% needed to improve. After intervention, 10% were in excellent condition, 50% in good condition, 30% in regular and 10% needed to improve. Thus, one concludes that the sessions helped the subjects to keep the ?exibility and improve in some cases, and also helped Key-words: static stretching, flexibility, empowerment.

Endereço para correspondência: Josinei Braga dos Santos, Rua Prof. Bento Águido Vieira 340/102, 88036-410 Florianópolis SC, Tel: (48) 3334-0010, E-mail: jobrs7@yahoo.com.br

Introdução Segundo Cyrino et al. e Araújo [1,2], o uso de exercícios de ?exibilidade dentro dos programas de atividade física que visam à prevenção e a promoção da saúde representam um componente para a melhoria da aptidão física. Para Nahas, Porto et al., Terra, Lima e Gobbi, Bertazolli, Achour-Júnior e Nieman [3-8], uma boa condição física facilita no desenvolvimento das atividades diárias (AVD), melhora a integração das pessoas através de ati- vidades esportivas/recreativas, evitam a fadiga e os desconfortos posturais, diminuem a tensão e o estresse, reduzem o risco de lesões musculares e articulares, desenvolve a manutenção do equilíbrio musculoesquelético e, conseqüentemente, ajudam no funcionamento músculo-articular. Já Coelho e Araújo [9] vão mais além, a?rmando que os programas de atividades físicas também têm sido utilizados para melhoria da saúde pública e que diferentes estratégias têm sido utilizadas para que as pessoas Em virtude destas a?rmações, pretendeu-se, neste estudo, trabalhar com o alongamento estático que é uma técnica sim- ples, barata e de fácil aplicação para melhora da ?exibilidade, redução das dores musculares e desconfortos posturais na busca pela promoção de saúde, qualidade de vida, bem estar Segundo Achour-Júnior e Teixeira [10,11], esta técnica é uma das mais utilizadas nos programas de treinamento para a aptidão física objetivando saúde e, conseqüentemente, melhora da ?exibilidade pelo fato de alongar de modo lento e progressivo o grupamento muscular até a maior amplitude De acordo com estes autores, ela deve ser praticada em dias alternados, sem desconforto insuportável, buscando sustentar nesta posição durante 20 a 30 segundos. Sabe-se que as maiores amplitudes são obtidas nos 15-20 segundos iniciais, por isso, deve-se repetir de duas a quatro vezes cada principal grande arti- culação e seus movimentos básicos, em virtude do risco de lesão ser baixo, requerendo pouco tempo e nenhum auxílio externo, e que seus objetivos estão voltados para diminuição da tensão muscular e a pressão sanguínea, melhorando o aproveitamento da energia mecânica, o que dá comodidade ao movimento e Entende-se por ?exibilidade uma qualidade física que é responsável pela execução voluntária de movimentos de gran- de amplitude (movimentação articular), ou sob forças externas dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesão Segundo Ciryno et al. [1] considerando que a ?exibilidade de uma articulação é dependente do seu nível de utilização, o envolvimento em programas regulares de exercícios físicos pode favorecer a melhoria dos níveis de ?exibilidade, princi- palmente de sujeitos sedentários, uma vez que as articulações, até então pouco utilizadas e, provavelmente, encurtadas, passarão a receber um estímulo progressivo que acarretará adaptações bastante positivas em médio ou longo prazo.

Com isto, é extremamente importante que se priorize, amplie e desenvolva exercícios de ?exibilidade, o que para Campos e Coraucci-Neto, Guiselini e Nahas [3,17,18], tem relação direta com o aumento da produção de força dos músculos devido à relação força-comprimento exibida pelo Sendo assim, objetiva-se neste estudo avaliar a autopercep- ção de saúde de mulheres acima de 30 anos praticantes de um programa de alongamento estático voltado para promoção da saúde. Para seu desenvolvimento, adotou-se como referência duas fundamentações teóricas: a) Morin [19,20] quando fala em educação sobre a importância da inteligência geral para resolução de problemas do ser humano, do conhecimento, da consciência de sua identidade complexa e comum a todos os outros humanos; e b) a cultura de empoderamento na saúde, proposta pela Organização Panamericana de Saúde [21], ou seja, ajudá-las a gerenciar sua própria saúde por meio da prática de exercício físico.

Materiais e métodos A amostra foi composta por um grupo de dez sujeitos (sexo feminino), com faixa etária entre 30 a 55 anos (43,9 ± 10,02), que relataram ser sedentárias e apresentavam queixas de dores musculares e desconfortos posturais. Destas, três relataram ter algum problema de saúde: a) sujeito 2 apresen- tava sintomas de depressão controlada por medicamento, fazia acompanhamento médico e tinha obesidade grau I; b) sujeito 4 sofria de asma, possuía condromalacia nos joelhos e fazia tratamento com sessões de reeducação postural global (RPG); e c) sujeito 8 tinha artropatia mecânica na região lombar, controlada por medicamento, apesar da indicação de tratamento cirúrgico, fazia acompanhamento médico e A pesquisa obedeceu a três etapas: 1ª. etapa (pré-teste) - ques- tionário sobre as condições de saúde e avaliação da ?exibilidade por meio do teste de sentar e alcançar (TSA), proposto por Wells e Dillon [22] e classi?cação conforme Canadian Society of Exer- cise Physiology ? CSEP [23], 2ª. etapa (intervenção) - 26 sessões de alongamento estático, por um período de quatro meses, pra- ticados duas vezes por semana em dias alternados, com duração de 30 a 45 minutos cada sessão, na qual foram realizadas três repetições de exercícios para cada articulação: pescoço, ombros, coluna vertebral, quadril, joelhos e tornozelos com tempo de permanência de 15 a 30 segundos em cada posição. Também se desenvolveu um trabalho de resistência muscular localizada por meio de exercícios abdominais, três séries de 10 repetições e orientações sobre hábitos de saúde, postura corporal, técnicas de respiração e relaxamento e 3ª. etapa (pós-teste) - questionário sobre as condições de saúde, avaliação da ?exibilidade por meio do (TSA) e avaliação qualitativa para saber os benefícios causados Para desenvolvimento do estudo, seguiu-se a resolução especí?ca do Conselho Nacional de Saúde [24]. No que se

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refere ao termo de consentimento livre e esclarecido, todas assinaram, con?rmando que estavam cientes dos propósitos da investigação e dos procedimentos que seriam utilizados e autorizaram a publicação dos dados obtidos.

Análise estatística Os resultados do questionário e do TSA foram digitados em uma planilha eletrônica do programa Microsoft O?ce Excel® 2003, seguida da conferência manual para identi?cação de outliers, na qual foram observados os valores extremos e corrigidos, se necessário. Para análise dos dados, utilizou-se a estatística descritiva tomando como referência mostrar os níveis de ?exibilidade (pré e pós) do grupo, assim como, apresentar o percentual (%) de melhora do maior para o menor valor numérico.

Resultados Como pode ser observado, na Tabela I, apresenta-se a avaliação do nível de ?exibilidade das mulheres acima de 30 anos mostrando as alterações ocorridas durante o período de Após o desenvolvimento das sessões, identi?cou-se que os sujeitos obtiveram 80,38% de participação. No que se referiu à ?exibilidade antes da intervenção, segundo a CSEP [23], um su- jeito estava em situação excelente (10%), três sujeitos em situação boa (30%), quatro em situação regular (40%) e dois precisavam melhorar (20%). Após a intervenção, um sujeito permaneceu na situação excelente (10%), cinco em situação boa (50%), três em situação regular (30%) e um precisava melhorar (10%).

Discussão Como pode ser observado, houve mudança em duas classi- ?cações após a intervenção. A primeira podendo ser explicada pelo fato do sujeito 1 relatar que durante o período de inter- venção passou a praticar musculação como complemento da atividade e a segunda pelo fato do sujeito 4, começar a praticar caminhadas durante a semana. Estes resultados re?etem o que diz Ciryno et al. [1], quando a?rmam que a prática regular de programas de exercícios físicos voltados para o desenvol- vimento ou manutenção da aptidão física relacionada à saúde Outro fator apontado por estes autores é que o treinamento com pesos pode contribuir efetivamente para a preservação Em virtude do número de participantes do grupo ser pe- queno, neste estudo, não se pode mostrar diferenças estatisti- camente signi?cativas entre o pré e o pós-teste, mas observa-se que houve melhora nos valores de ?exibilidade de sete sujeitos, bem como, manutenção das classi?cações, o que pode ser con- Em um estudo parecido, só que com idosos, desenvolvido por Rebelatto et al. [25], mostrou que quando eles estudaram a in- ?uência de um programa de exercícios físicos prolongados sobre a ?exibilidade, os idosos mantiveram a classi?cação, evitando assim, perdas naturais que o processo de senescência determi- na, mas não conseguiram mostrar diferenças estatisticamente Já nas pesquisas de Candeloro e Caromano [26] quando veri?caram o efeito de um programa de hidroterapia na ?exibilidade de idosas saudáveis e sedentárias, comprovaram que o programa foi e?ciente com diminuição da distância punho-tornozelo no teste de ?exão anterior de tronco e na distância dedo-dedo no teste de envergadura. Enquanto que Souza e Silva, Albertini e Costa [27] quando analisaram as diferenças nas capacidades físicas de adultos com idades entre 45 a 75 anos (grupos de indivíduos treinados e sedentários), identi?caram um melhor parâmetro de ?exibilidade nos in- divíduos treinados (24,8 ± 11,8 cm) do que nos indivíduos De acordo com o que está preconizado na literatura, consegue-se perceber que a prática de exercícios físicos que Tabela I ? Avaliação do nível de ?exibilidade de mulheres acima de 30 anos durante o período de quatro meses. Testes Sujeito Total de sessões Idade Pré (cm) Classificação Pós (cm) Classificação Melhora (%) 1 20 51 18 Melhorar 31,7 Bom 76,11 2* 19 43 11 Melhorar 14,6 Melhorar 32,72 3 23 49 30 Bom 32 Bom 6,66 4* 17 31 31,4 Regular 32,5 Bom 3,50 5 21 30 33 Bom 34 Bom 3,03 6 23 55 30,3 Bom 30,6 Bom 0,99 7 14 47 27,8 Regular 28 Regular 0,71 10 25 30 44 Excelente 43,5 Excelente - 1,13 9 26 55 28,7 Regular 27,5 Regular - 4,18 10* 21 48 29,3 Regular 27 Regular - 7,84 Média 20,9 43,9 28,35 30,14 DP 3,63 10,02 8,77 7,21 Classificação Boa - CSEP (1998) 30 a 39 anos (32 a 35 cm) 40 a 49 anos (30 a 33 cm) 50 a 59 anos (30 a 32 cm) *Sujeitos que relataram ter problemas de saúde

visam melhora da ?exibilidade, têm uma relação direta com a saúde, contribuindo para melhora da promoção de saúde, Com relação aos sujeitos que estavam com problema de saúde, o sujeito 2 decidiu, junto com seu médico, diminuir a medicação e mudar os hábitos alimentares, o sujeito 4 a?r- mou que as sessões ajudaram a controlar as dores no joelho, 6. passando a praticar caminhadas durante a semana e o sujeito 10 adotou como estratégia, controlar as dores por meio de tomar medicação e começou a fazer acompanhamento nu- No que se refere à avaliação qualitativa, todos relataram perceber aumento da ?exibilidade, redução das dores muscu- lares e desconfortos posturais, maior disposição, melhora na qualidade do sono, auto-estima, concentração e consciência corporal e buscaram ampliar esta prática para seus familiares 10. e para suas atividades pro?ssionais. Estes relatos caracterizam bem o que dizem Guiselini, Nahas e Coelho e Araújo [3,9,18], 11. quando a?rmam que um estilo de vida ativo estimula posi- tivamente mudanças de comportamentos que se re?etem na melhoria da saúde, qualidade de vida e bem estar das pessoas, 12. Conclusão 14.

Este estudo mostrou que a prática destes tipos de exercícios 15. físicos (alongamento estático e resistência muscular localizada) mais o acréscimo da cultura de empoderamento tiveram um impacto positivo sobre a saúde e qualidade de vida desses sujeitos, ajudando-os a manter a ?exibilidade e até melhorá- 17. la em alguns casos e estimulou para a adoção de um estilo de Outro ponto de destaque e de grande importância foi que a atividade em grupo, além de auxiliar no processo de inte- 19. gração, comunicação e cooperação, também colaborou para Cabe ressaltar que o período de quatro meses com inter- venção, demonstrou ser um tempo su?ciente para ajudá-las a manter suas classi?cações e fazer com que as participantes en- 22. 23.

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o desempenho motor no teste de sentar e alcançar. 3º Congresso Brasileiro de Atividade Física e Saúde. Anais. Florianópolis: Terra JD, Lima JP, Gobbi LTB. Análise do efeito da massagem na ?exibilidade de atletas de artes marciais. 3º Congresso Brasileiro de Atividade Física e Saúde. Anais. Florianópolis: Bertazzoli BF. Alterações na ?exibilidade das articulações do Achour-Júnior A. Flexibilidade e saúde: fundamentos, avaliação e treinamento. 3º Congresso Brasileiro de Atividade Física e Coelho CW, Araújo CGS. Relação entre aumento da ?exibili- dade e facilitações na execução de ações cotidianas em adultos participantes de programa de exercício supervisionado. Rev Bras Achour-Júnior A. Bases para exercícios de alongamento re- lacionado com a saúde e no desempenho atlético. Londrina: Teixeira JAC. Treinamento de força e ?exibilidade. In: Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Prescrição e Orienta- American College of Sports Medicine - ACSM. Manual do ACSM para avaliação da aptidão física relacionada à saúde. Rio Dantas EHM. Flexibilidade: alongamento e ?exionamento. 4a Sharkey BJ. Condicionamento físico e saúde. 4a ed. Porto Achour-Júnior A. Bases para exercícios de alongamento re- lacionado com a saúde e no desempenho atlético. Londrina: Campos MA, Coraucci-Neto B. Treinamento funcional resis- tido: para melhoria da capacidade funcional e reabilitação de Guiselini M. Aptidão física, saúde e bem-estar: fundamentos Morin EA. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o Organização Panamericana de Saúde (OPAS). Participação Comuni- tária e Empoderamento. [citado 2008 Jan 13]. Disponível em: URL: Wells KF, Dillon EK. The sit and reach a test of back leg ?exi- Canadian Society for Exercise Physiology. The Canadian phy- sical activity, ?tness and lifestyle appraisal: CSEP's guide to [citado 2008 Jan 17]. Disponível em URL: http://www.ipec.?o- Rebelatto JR, Calvo JI, Orejuela JR, Portillo JC. In?uência de um programa de atividade física de longa duração sobre a força Candeloro JM, Caromano FA. Efeito de um programa de hi- droterapia na ?exibilidade e na força muscular de idosas. Rev Silva AS, Albertini R, Costa MS. Análise das capacidades físicas em indivíduos adultos sedentários e treinados. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício 2006;5(1):15-20.

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Artigo original Efeitos do exercício de natação em ratas com suplementação nutricional de sacarose Effects of swimming in rats with sucrose dietary supplementation of sucrose

Danilo Aparecido Rodrigues*, Faissal Serhan*, Mariana Rotta Bon?m*, Ricardo Zacharias**, Renato Pedroso**, Susimary, Trevizan Padulla, D.Sc.***, Regina Miranda Burneiko***, Ivânia Garavello***, Ethel L B Novelli****

*Acadêmicos do Curso de Educação Física da FCT-UNESP-Presidente Prudente,**Acadêmicos do Curso de Fisioterapia da FCT- UNESP-Presidente Prudente, ***Profa do Departamento de Fisioterapia da FCT-UNESP-Presidente Prudente, ****Profa Titular do Departamento de Química e Bioquímica do IB-UNESP, Botucatu

Resumo O objetivo deste trabalho foi determinar o efeito do exercício de natação sobre a glicose e triacilglicerol (TG) sanguíneos, mor- fometria e metabolismo energético do músculo sóleo de ratas que receberam suplementação nutricional com sacarose. Ratas Wistar com peso médio de 76 g foram divididas em: grupo controle seden- tário (CS); grupo controle exercitado (CE); grupo suplementado sedentário (SS); grupo suplementado exercitado (SE). Aos grupos suplementados foi oferecida solução aquosa de sacarose 30% e dieta basal ad libitum. Os grupos controle receberam dieta basal e água ad libitum. Os animais nadaram uma hora três dias por semana. As análises sanguíneas mostraram aumentos da glicose no grupo SS e do TG nos grupos SS e SE. Houve redução do TG muscular no grupo CE, elevação do hidroperóxido de lipídio (HP) no grupo SS e da citrato sintase nos grupos SS e SE em relação aos seus respec- tivos controles. O grupo CE apresentou aumento signi?cativo dos diâmetros das ?bras. Conclui-se que dieta balanceada associada à prática de exercícios físicos está relacionada a uma diminuição do conteúdo lipídico intramuscular, associado a um aumento das ?bras Palavras-chave: exercício, sacarose, metabolismo energético.

Abstract The objective of this study was to determinate the e?ect of the swimming exercise on glucose and triacylglycerol (TG), morpho- logical and energy metabolism in the muscle soleo of female rats that received nutritional supplementation with sucrose. Female Wistar rats with medium weight of 76 g were divided into: seden- tary control group (SC); exercised control group (EC); sedentary supplemented group (SS); exercised supplemented group (ES). 30% sucrose aqueous solution and basal diet ad libitum were o?ered to the supplemented groups. The control groups received basal diet and water ad libitum. The animals swam three times a week for one hour. Blood analysis showed an increase in blood glucose in groups SS and of TG in groups SS and SE. It was found a muscle reduction of TG in group EC, higher levels of lipid hydroperoxide (HP) in group SS and citrate synthase in group SS and ES in relation to respective controls. Group EC showed a signi?cant increase on ?ber diameters. We conclude that a combination of balanced diet and physical exercise is connected to a decrease in intramuscular lipid content associated to an increase of muscle ?bers and use of Key-words: exercise, sucrose, energetic metabolism.

Endereço para correspondência: Regina Miranda Burneiko, Rua Roberto Simonsen, 305, 19060-900 Presidente Prudente SP, Tel: (18)3229-5356 Ramal: 214, E-mail: re.miranda@fct.unesp.br

Introdução Historicamente, a atividade física teve papel relevan- te para a sobrevivência do homem. Entretanto, com o advento da modernidade, inúmeras facilidades materiais incorporadas ao dia-a-dia tornaram o homem cada vez mais Da mesma forma, a evolução da tecnologia alterou os hábitos alimentares da população, induzindo um consumo excessivo de dietas ricas em lipídeos e açúcares e conseqüen- temente a um desequilíbrio entre a energia ingerida e o dis- A ingestão de bebidas ricas em sacarose associadas ao consumo de alimentos sólidos de alta caloria, parece induzir um balanço energético positivo na dieta [4], bem como uma Estudos de Parks et al. [7] relatam que as estratégias die- téticas com restrições no consumo de gorduras e alta ingestão de carboidratos, induzem a hipertrigliceridemia, reduzindo o colesterol de alta densidade (HDL), aumentando o colesterol de densidade muito baixa (VLDL), a glicemia e a insulinemia A inadequação dietética e o sedentarismo estão associados à obesidade, diabetes mellitus e dislipidemia, sendo que alguns estudos apontam que dietas ricas em carboidratos podem desenvolver resistência à insulina, hipertrigliceridemia, hiper- tensão arterial, estresse oxidativo e acentuado ganho de peso em animais [5,8]. Tais fatores estão associados à ocorrência de doenças cardiovasculares (DCV) e desenvolvimento de Nesse sentido, como medida de interação terapêutica para combater os efeitos nocivos advindos do sedentarismo e da ingestão de dietas hipercalóricas, tem sido recomenda- da a prática regular de atividades físicas aeróbias. Os efeitos positivos do exercício físico podem ser observados na função cardíaca, circulação periférica, função pulmonar e muscula- Há evidências de que a musculatura esquelética é um importante alvo terapêutico nas doenças cardiovasculares e metabólicas, sendo considerado por alguns autores um ?órgão endócrino?, devido à sua ação primária na melhora da tolerância à glicose, na resistência insulínica e na disli- pidemia [14] A prática regular de atividade física está relacionada a alterações bené?cas e estruturais da musculatura esquelética, bem como à adequação de parâmetros bioquímicos séricos [15,16]. Entretanto, ainda não estão totalmente estabelecidos os efeitos do exercício físico associados ao hábito diário de Desta forma, o objetivo deste trabalho foi veri?car o efeito do exercício físico de natação sobre a glicose e triacilglicerol sanguíneo, morfometria e metabolismo energético do múscu- lo sóleo de ratas recém-desmamadas, até a idade adulta.

Materiais e métodos Foram utilizadas 24 ratas Wistar, recém desmamadas, com peso aproximado de 76 g, provenientes do Biotério Central da UNESP ?Campus de Botucatu? e transferidas para o Biotério da FCT/UNESP, Campus de Presidente Prudente, mantidas em gaiolas individuais onde permaneceram à tem- peratura de 23°C, umidade 60 ± 5 % e período claro-escuro Os animais foram divididos aleatoriamente em 4 grupos contendo 6 animais. O grupo controle sedentário (CS) re- cebeu dieta padrão e água; grupo controle exercitado (CE) recebeu dieta padrão, água e realizou exercício de natação. O grupo sacarose sedentário (SS) recebeu dieta padrão e solução aquosa com sacarose 30%; grupo sacarose exercitado (SE) recebeu dieta padrão, solução aquosa com sacarose 30% e Todos os animais receberam dieta basal (Purina) que con- tem 3,0 kcal/g, água e/ou solução aquosa de sacarose 30% ad libitum e foram pesados semanalmente durante os 12 meses O exercício realizado foi a natação, em tanques coletivos medindo 100 X 80 X 80 cm contendo água aquecida na temperatura mantida entre 32 e 34°C e trocada após cada Na primeira semana, os animais se adaptaram ao meio aquático durante 15 minutos. A partir da segunda semana os animais nadaram uma hora, três vezes por semana durante o Após 24 horas da última sessão de exercício e 12 horas de jejum foram realizadas análises de glicose (G) e triacilglicerol (TG) por punção caudal e lido por meio do glicosímetro (Boehringer Mannheim, Eli Lilly do Brasil, São Paulo) e com o aparelho digital Accutrend GCT® (Roche Brasil, Rio de Janeiro, Brasil). Imediatamente após, os animais foram anestesiados (Xilazina (0,7 ml/kg) e Ketamina 10% (1 ml/ Amostras do músculo sóleo foram rapidamente retiradas e congeladas em nitrogênio líquido. Foram realizados cortes histológicos de 8 µm, corados a partir do método Hemato- xilina e Eosina [16] para mensuração do tamanho das ?bras musculares (µm), seguindo os critérios de Dubowitz e Brooke [17] e utilizando o software Image Pro-Plus® em sistema de Amostras do músculo sóleo foram homogeneizadas e centrifugadas a 10.000 rpm por 15 minutos em centrífuga refrigerada a ?4oC [18]. Os sobrenadantes foram utilizados para a determinação das concentrações de proteínas totais, de triacilglicerol através de kits CELM© (Companhia de Equipa- mentos Laboratoriais Modernos, São Paulo, Brasil). A análise do estresse oxidativo foi realizada através da concentração de substâncias antioxidantes totais (SAT) e do hidroperóxido de lipídio (HP). As SAT foram determinadas através da capacida- de de antioxidantes inibirem a oxidação de ácido 2,2'- azinobis

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(3-etilbenzetiazilcolina-sulfonico) (ABTS) [19,20]. O HP foi determinado através da oxidação do Fe2+ (sulfato ferroso amoniacal) a 560 nm. O Fe3+ formado reage com alaranjado O metabolismo energético [21] foi analisado através das enzimas reguladoras das vias metabólicas, beta-hidroxi-acil CoA desidrogenase (OHADH, E.C.1.1.1.35.), relacionada a oxidação dos ácidos graxos; lactato desidrogenase (LDH, E.C.1.1.1.27.) associada à glicólise e ao metabolismo ana- eróbico, bem como da citrato sintase (CS, E.C.4.1.3.7.), reguladora do ?uxo de metabólitos através do Ciclo de Krebs A atividade da OHADH foi determinada em meio contendo acetoacetil CoA 0,05 mM e NADH 0,1 mM [22]. A atividade da LDH foi determinada pela velocidade de consumo de NADH, medida a 340 nm, tendo como substrato o piruvato [23]. A atividade da CS foi determinada em tampão tris-HCl 50 mM, pH 8.0, contendo acetil CoA 0,1 mM, dithiobis-2-nitrobenzoato As leituras foram realizadas em espectrofotômetro com controle de temperatura (UV/visível Ultrospec 5,000 com Swift II software, Cambridge, England, UK) e em leitor de microplaca (µQuant-MQX 200 Bio-Tech Instruments, Inc., Winooski, VT, USA) com controle através do software Kcjúnior (Bio-Tech Instruments, Inc., Winooski, VT, USA).

O consumo alimentar de ração, de líquidos e a energia ingerida foram calculados com base na quantidade consumida e na energia metabolizável da dieta. A análise estatística foi realizada através da análise de variância (ANOVA). Para se determinar a diferença entre os tratamentos foi aplicado o pós-teste de Tukey, com nível de signi?cância de 5% [24].

Resultados Análises do peso e consumo alimentar O peso inicial dos animais apresentou-se aumentado nos grupos CS e SE. Não houve diferença entre os grupos na avaliação do peso ?nal e ganho de peso ao ?nal do experi- Animais suplementados com sacarose ingeriram maior quantidade de líquido e reduziram o consumo de ração em relação aos seus respectivos grupos controle. A energia ingerida foi maior no grupo SE em relação aos grupos CE (Tabela I).

Análise sangüínea Na Tabela I observa-se que a concentração de triacilglicerol dos grupos SS e SE foi signi?cativamente maior que a encon- trada nos seus respectivos controles. Animais sedentários su- Tabela I - Peso inicial, peso ?nal, ganho de peso corporal, consumo de ração, ingestão de líquidos, energia ingerida, triacilglicerol e glicose sanguínea dos grupos: (CS) ratas ingerindo dieta padrão, água e sedentário, (CE) ratas ingerindo dieta padrão, água e realizando exercício de natação, (SS) ratas ingerindo dieta padrão, solução aquosa com sacarose 30% e sedentário, (SE) ratas ingerindo dieta padrão, solução aquosa Grupos CS CE SS SE Peso inicial(g) Peso final (g) Ganho de peso (g) Ingestão de líquido (ml/dia) Consumo alimentar (g/dia) Energia ingerida (kcal/dia) Triacilglicerol (mg/dl) Glicose (mg/dl) 76,17 ± 0,81AC 309,83 ± 32,28A 233,66 ± 21,92A 32,52 ± 3,11A 17,49 ± 1,07A 40,68 ± 2,44AC 166,66 ± 6.06A 84,17 ± 2,32 A 73,13 ± 0,71B 295,88 ± 23,82A 222,75 ± 24,52A 31,55 ± 3,19 A 18,29 ± 1,04A 39,78 ± 2,25A 165,62 ± 13.78 A 90,50 ± 4,63AB 71,17 ± 0,69B 311,67 ± 34,16A 240,5 ± 27,51A 42,19 ± 2,36 B 5,97 ± 0,40B 46,81 ± 4,45BC 218,16 ± 14.04B 100,33 ± 1,24B 76,63 ± 0,92A 322,5 ± 37,8A 245,87 ± 26,72A 43,07 ± 4,12 B 6,57 ± 0,60B 49,25 ± 3,21B 237,12 ± 16.14C 89,88 ± 8,15AB Resultados expressos como média ± desvio-padrão. Letras diferentes indicam diferenças significantes entre os grupos, p < 0,05.

Tabela II - Concentrações musculares de proteína, triacilglicerol (TG), hidroperóxido de lipídio (HP) e atividades da beta-hidroxiacil coenzima A desidrogenase (OHADH), lactato desidrogenase (LDH) e citrato sintase dos grupos: (CS) ratas ingerindo dieta padrão, água e sedentário, (CE) ratas ingerindo dieta padrão, água e realizando exercício de natação, (SS) ratas ingerindo dieta padrão, solução aquosa com sacarose 30% e sedentário, (SE) ratas ingerindo dieta padrão, solução aquosa com sacarose 30% e realizando exercício de natação. Grupos CS CE SS SE Proteína (%) 14,84 ± 1,48A 14,69 ± 1,38A 17,90 ± 3A 16,00 ± 3,62A TG (%) 1,07 ± 0,1A 0,82 ± 0,12B 1,12 ± 0,26A 1,15 ± 0,276A HP (nmol/g tecido) 73,79 ± 5,11A 74,49 ± 1,0A 110,36 ± 17B 84,19 ± 9,97A OHADH (nmol/mg tecido) 7,06 ± 3,63A 7,19 ± 2,71A 7,32 ± 4,25A 7,76 ± 3,2A LDH (nmol/mg tecido) 10,36 ± 2,51A 10,51 ± 2,03A 10,78 ± 3,19A 11,56 ± 1,72A Citrato Sintase (nmol/mg tecido) 23,82 ± 3,11A 25,95 ± 1,75AB 28,97 ± 1,88B 33,32 ± 4,01C Resultados expressos como média ± desvio-padrão. Letras diferentes indicam diferenças significantes entre os grupos, p < 0,05.

plementados com sacarose (SS) apresentaram maior glicemia Análises musculares Os parâmetros bioquímicos musculares estão apresentados na Tabela II, onde se pode observar que não houve alteração signi?cativa na concentração de proteínas totais entre os gru- pos estudados. Com relação às concentrações de triacilglicerol (TG), veri?ca-se que o grupo CE apresentou as menores O grupo SS apresentou elevação signi?cativa na concentra- ção de hidroperóxido de lipídio (HP). Não foram observadas alterações signi?cantes nas atividades das enzimas beta- hidroxiacil coenzima A desidrogenase (OHADH) e lactato A atividade da citrato sintase, mostrou-se elevada no grupo SS em relação ao CS. Animais do grupo SE apresentaram atividades da citrato sintase mais elevadas em relação aos demais grupos.

Análise histológica Veri?cou-se que os valores morfométricos do músculo sóleo apresentam diferenças estatisticamente signi?cantes entre todos os grupos. Os animais do grupo CE apresentaram ?bras de maiores diâmetros, seguidos pelo grupo SS, grupo SE e grupo CS. Os resultados encontrados podem ser visu- alizados na Figura 1.

Figura 1 - Análise morfométrica das ?bras do músculo sóleo dos grupos: (CS) ratas ingerindo dieta padrão, água e sedentário, (CE) ratas ingerindo dieta padrão, água e realizando exercício de natação, (SS) ratas ingerindo dieta padrão, solução aquosa com sacarose 30% e sedentário, (SE) ratas ingerindo dieta padrão, solução aquosa com sacarose 30% e realizando exercício de natação.

Discussão Os resultados deste estudo mostraram que dieta com sa- carose não induziu alteração no ganho de peso corporal nos animais suplementados em relação ao grupo controle, durante o período pós-desmame até a idade adulta.

Este fato pode estar associado à reduzida e?ciência ali- mentar dos grupos SS e SE ao longo do experimento. A menor ingestão de ração foi compensada pelo alto consumo É interessante notar que os animais suplementados com sacarose apresentaram menor consumo alimentar que seu respectivo controle, independente de pertencerem ao grupo sedentário ou exercitado e mantiveram pesos corporais ?nais Mahan e Escott-Stump [25] veri?caram que no período pós-atividade, a refeição ofertada deve ser à base de carboi- Estudo realizado por Lima et al. [26] mostrou que o trata- mento com carboidratos complexos proporcionou maior peso corporal, sugerindo a contribuição da massa corporal magra De maneira geral, quando a energia ingerida excede o gasto energético, o excesso de energia é depositado como gordura, caracterizando, a obesidade [27]. Considerando desta maneira simplista, desde que obesidade é observada quando a energia ingerida excede o gasto energético, intuitivamente a perda de peso seria obtida quando a ingestão calórica fosse menor que o gasto energético, independentemente dos componentes da dieta. Entretanto, a variação nos componentes da dieta, além do conteúdo calórico, bem como o número de refeições diárias in?uencia consideravelmente o ganho de peso [28] e Neste estudo, os animais que receberam suplementação com sacarose apresentaram consumo alimentar reduzido, Estes achados podem estar relacionados à palatabilidade das dietas. Resultados semelhantes foram encontrados por Bur- neiko et al. [30] em estudos associando dieta hipercalórica Segundo Himaya et al. [31] o consumo alimentar reduzido, compensado pela ingestão elevada de líquidos, está relacionado à regulação do nível de saciedade. Níveis séricos elevados de glicose, de triglicerídeos e de colesterol estimulam receptores hipotalâmicos reguladores da fome e Embora não tenha sido observado ganho de peso em ne- nhum dos grupos estudados, sacarose e exercício induziram signi?cantes alterações bioquímicas na glicose e triacilglicerol Dieta rica em sacarose elevou a glicemia dos animais no grupo SS. Esses resultados concordam com o estudo realizado por Holloszy [32], o qual a?rma que após a ingestão de dietas com elevado teor de carboidratos, a redução de glicose sérica é menos provável de ser veri?cada na análise glicêmica. De acordo com estudos previamente publicados, a combinação de inatividade física com o consumo de dietas hipercalóricas estão associados ao aumento signi?cativo na glicemia de ratos sedentários [12,29,33]. Desta forma, sugere-se que a elevada ingestão de sacarose está associada a alterações na resposta

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insulínica, sendo que sua associação ao sedentarismo atuou No estudo desenvolvido por Rique et al.[34] veri?cou-se que após a prática de exercícios aeróbios diários, a captação de glicose pelo músculo continua e intensi?ca-se, demonstrando aumento da sensibilidade à insulina enquanto o glicogênio é ressintetizado. Entretanto, exercícios três vezes por semana não apresentaram o mesmo efeito, sugerindo que não houve melhora na resposta insulínica induzida pelo programa de A energia ingerida e o dispêndio de energia necessário Dieta suplementada com sacarose elevou signi?cativamente a concentração de triacilglicerol (TG) sanguíneo dos ani- mais, e exercícios de natação três dias por semana não foram e?cazes para reduzir este aumento. Estudos de Burneiko et al.[30] mostraram que concentrações do triacilglicerol sérico elevadas em animais suplementados com dieta hipercalórica não foram reduzidas nos grupos que realizavam exercícios intermitentes, duas vezes por semana, apenas nos animais Animais do grupo SE comparados ao SS mantiveram os valores de trigliceridemia elevados, sugerindo menor captação muscular. A manutenção da concentração de TG muscular no grupo exercitado pode estar associada à sua utilização como Constituído por uma molécula de glicerol e três de ácidos graxos, o triacilglicerol é considerado um e?caz armazenador de energia no tecido adiposo dos seres vivos [36] O aumento do TG sérico no grupo SS disponibilizou mais energia para a função muscular, mesmo nos animais sedentá- rios. A elevação da citrato sintase e a manutenção dos valores de triacilglicerol muscular indicaram que o triacilglicerol foi oxidado no ciclo do citrato [26,37]. Desde que a função da enzima citrato sintase é medir o ?uxo de metabólitos pelo ciclo de Krebs, podemos veri?car que, nestas condições o ?uxo de elétrons na cadeia respiratória resultou em aumento de espécies reativas do oxigênio (ERO), culminando com a Os valores reduzidos de TG muscular no grupo CE podem estar relacionados à maior utilização de lipídios como fonte energética para a prática do exercício físico, uma vez que as contrações isoladas no músculo esquelético podem estimu- lar a captação, a hidrólise e a oxidação dos triacilglicerídeos O exercício normalizou o HP muscular no grupo suple- mentado, indicando que o ?uxo de metabolitos pelo ciclo do citrato e na cadeia respiratória foi convertido em energia para contração muscular, sem a formação de ERO observada Supõe-se, portanto, que o exercício de natação foi su?- ciente para melhorar a capacidade mitocondrial dos animais do grupo SE, desde que houve aumento da citrato sintase associado à redução de HP. De forma semelhante, estudos de Bruce e colaboradores [38] veri?caram que indivíduos obesos submetidos à atividade física apresentaram uma melhora na capacidade mitocondrial para captação e oxidação de ácidos graxos, entretanto sem modi?cação no TG muscular, o que Os resultados obtidos na análise morfométrica do mús- culo sóleo mostraram um aumento do diâmetro das ?bras no grupo CE associado à redução na concentração de TG e a manutenção dos demais parâmetros bioquímicos. Desta forma, o aumento das ?bras pode estar associado à hipertro?a muscular que, segundo Boonyarom [39], é uma das respostas adaptativas da musculatura esquelética ao exercício e está associada a um aumento de volume das ?bras musculares Resultados semelhantes foram observados no estudo de Camargo Filho et al.[40] no qual ratos foram submetidos a sessões de natação e suplementação ou não com esteróide anabólico. Veri?cou-se que os animais placebo exercitados pela natação apresentaram valores de diâmetro de ?bras musculares maiores que os animais controle, sendo tal fato relacionado à hipertro?a muscular.

Conclusão Veri?cou-se que uma dieta balanceada associada à prática de exercícios físicos está relacionada a uma diminuição do conteúdo lipídico intramuscular, associado a um aumento das O consumo de TG como fonte de energia ocorreu mantendo HP e, portanto o equilíbrio entre os sistemas oxidantes e Desta forma, podemos concluir que o protocolo de exer- cício utilizado, nas duas condições alimentares, teve efeito bené?co. Na dieta padrão diminuiu o TG muscular e na dieta rica em sacarose, aumentou o metabolismo aeróbico e reduziu o estresse oxidativo.

Agradecimentos Ao Sidney Siqueira Leirião, técnico do laboratório de histologia e biotério da FCT ?UNESP Campus de Presidente Prudente, aos pós-graduandos do laboratório de química e bioquímica do Instituto de Biociências da UNESP Campus de Botucatu.

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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 3 -setembro/dezembro 2008 133

Artigo original O efeito da crioterapia na fase inflamatória da lesão muscular em ratos (Rattus norvegicus) The effect of criotherapy in the acute phase of muscular injury in rats (Rattus norvegicus)

Maria Paula Mellito da Silveira, D.Sc.*, Renato Claudino**, Karla Denise de Alcantara Evaristo***

*Oceanogra?a Biológica, **Especialista em Fisioterapia Geriátrica, ***Especialista em Exercício Físico Aplicado à Reabilitação Cardíaca e a Grupos Especiais

Resumo A aplicação do gelo para ?ns terapêuticos é utilizada há centenas de anos, o qual se insere amplamente nos protocolos de tratamento de diversas patologias. Porém há contradições sobre o tempo de aplicação da crioterapia na fase aguda da lesão muscular e seus possíveis efeitos na reparação deste tecido. O objetivo deste estudo foi comparar células in?amatórias (neutró?los e macrófagos) de forma quantitativa e eventos vasculares de forma qualitativa em até Foram utilizados 42 ratos distribuídos aleatoriamente em 2 gru- pos (controle e tratado), sendo subdivididos em 7 grupos de três animais para cada hora pré-determinada. Foi realizada uma lesão perfuro-cortante na pata traseira esquerda dos animais (controle e tratado). Após a lesão, foi aplicada criomassagem por um período de 7 minutos, nas horas acima citadas, nos grupos tratados. O gru- po controle não recebeu a técnica de criomassagem. Os resultados encontrados nos achados histológicos evidenciaram que o grupo submetido à técnica de criomassagem apresentou signi?cativa re- dução tanto dos neutró?los quanto de macrófagos, durante as 48 horas de tratamento. Podemos concluir que a crioterapia aplicada na in?amação aguda do músculo esquelético minimiza a presença Palavras-chave: inflamação, lesão muscular, músculo esquelético, crioterapia.

Abstract Ice therapy has been used for hundreds years and is well accep- ted in many protocols of di?erent pathologies. However there are contradictions about the time of appliance of cryotherapy in the The purpose of this study was to compare in?ammatory cells (neu- trophils and macrophages) in a quantitative and qualitative way and vascular events up to 48 hours of treatment with cryotherapy after tissue injury induced. We used 42 rats randomized into 2 groups (control and treated) which are divided into 7 groups of three ani- mals for each predetermined hour. We performed a sharp-edged injury in the animals left hindfoot (control and treated). Thereafter, a cryomassage was applied for 7 minutes, during the mentioned hours, in the treated groups. The control group did not receive the cryomassage technique. The histological ?ndings showed that the group using the cryomassage technique showed signi?cant reduction We can conclude that the cryotherapy applied in acute in?amma- tion of skeletal muscle minimizes the presence of neutrophils and Key-words: inflammation, muscle injury, skeletal muscle, cryotherapy.

Endereço para correspondência: Renato Claudino, Rua Alameda Bela Aliança, 763, Jardim America, 89160-000 Rio do Sul SC, Tel: (47) 9909-9307, Email: rugal_7@yahoo.com.br

Introdução O músculo esquelético constitui o maior tecido do orga- nismo, correspondendo a cerca de 40% do peso corporal. Sua função primária é prover mobilidade ao esqueleto ósseo, pela contração de suas ?bras [1]. No entanto, esta função pode ser As lesões do sistema musculoesquelético dependem da intensidade, da energia do agente agressor, da localização e da extensão de lesão [2]. Estas lesões ocasionam modi?cações dos padrões neuromusculares, irritação local, dor e incapacidade [2-5]. A primeira resposta do organismo a esta lesão é o de- senvolvimento de um processo in?amatório, com o objetivo de livrar o organismo tanto da causa inicial da agressão celular, De acordo com Brasileiro Filho [2], a in?amação é a primeira resposta do organismo a reação dos tecidos vascula- rizados, com o objetivo de livrar o organismo tanto da causa inicial da agressão celular, quanto do dano causado por esta agressão a um agente agressor, caracterizada pela saída de líquidos e de células do sangue para o interstício. A histamina liberada após dano tecidual produz vasodilatação, acarretando um aumento drástico no ?uxo sangüíneo [6]. O efeito global desse processo é o surgimento e a manutenção de grandes Os neutró?los são as primeiras células a chegarem ao local da lesão, penetrando no tecido, e imediatamente ini- ciam a fagocitose através de seus pseudópodes, englobando a partícula estranha. Entretanto, possuem um tempo de vida Assim, cada vez que ocorre uma lesão tecidual no organismo, a reparação tecidual é feita por um conjunto de fenômenos que leva à integridade funcional e estética do tecido, ou seja, Os macrófagos são células de vida longa e são capazes de sintetizar um sistema fagócito oxidase, possuindo uma segun- da via de radicais livres [10,11]. Entre outras funções podemos destacar a ativação da coagulação, estímulo à proliferação dos ?broblastos e degradação de material necrótico pela liberação de colagenase e proteoglicanos [9-11] e pela fagocitose de Sendo assim, a in?amação tem como objetivo defender a área lesionada contra substâncias estranhas, removendo o tecido morto ou necrosado de modo que a cicatriz possa acontecer e promover a regeneração normal [13,14]. A re- generação é um processo complexo, porém essencial, sem o qual o corpo seria incapaz de sobreviver [14,16]. Qualquer tecido dani?cado por uma agressão ou enfermidade é capaz de reparar sua estrutura e função, envolvendo a reposição do tecido destruído por um novo tecido, semelhante quanto à O remodelamento da matriz do tecido imaturo começa quase ao mesmo tempo em que se forma um novo tecido. A matriz é gradualmente substituída e remodelada nos meses e anos subseqüentes à medida que o tecido cicatricial ama- Progressivamente observa-se a diminuição de células in?a- matórias, a rede vascular normaliza-se, a produção de colágeno estabiliza-se, reduzindo o tipo III, deixando lugar para ?bras do tipo I de elastina, para proporcionar elasticidade e solidez à ferida, assim os mio?broblastos são eliminados por morte celular programada, desaparecendo por apoptose, os núcleos se tornam compactos diminuindo de tamanho, sendo fago- citados [9,11]. A cicatrização pode ser compreendida como resultado ?nal do processo de restauração, no qual observa- mos necessariamente a ocorrência de ?brose, pela formação de um tecido de granulação envolvido por pequenos vasos Segundo Knight [18], crioterapia signi?ca, literalmente, terapia com frio. Todo e qualquer uso do gelo ou aplicação de frio para ?ns terapêuticos é crioterapia. A ação do frio durante o tratamento imediato nas lesões agudas reduz o tempo de Estes efeitos são denominados pelas seguintes variáveis: redu- ção da in?amação, redução da hipóxia secundária, redução Podendo dar início ao processo de reparação mais rapidamente Quando utilizada de modo adequado, as técnicas de crioterapia são instrumentos poderosos para o tratamento de patologias musculoesqueléticas, seja na fase de atendimento inicial em trauma agudo, seja durante a reabilitação de pato- [6,20], o maior benefício da aplicação de crioterapia na fase aguda é a diminuição da dor e do espasmo muscular, permitindo a mobilização precoce, acelerando o processo de recuperação e retorno precoce às atividades. Entretanto, o tempo de aplicação da crioterapia é ainda muito con- troverso. Conforme Tepperman [21], a técnica recomenda aplicação do frio durante 20 a 30 min., com intervalo de 2 horas, nos tecidos moles lesados. A aplicação deve ser realizada durante as primeiras 24 a 48 horas após a lesão, para minimizar o edema, o espasmo muscular e a dor. De acordo com Guirro et al. [9], o efeito da crioterapia atua nas primeiras doze a vinte e quatro horas após a lesão. No entanto, a crioterapia exerce seus efeitos bené?cos quando aplicada em até 48 horas após a lesão, segundo Tepperman O tempo de aplicação da crioterapia também pode variar de acordo com a técnica aplicada. Para bolsas de gelo é recomendada aplicações de 10 a 30 minutos; para pacotes de gel, recomenda-se aplicações inferiores a 10 minutos; para compressas frias químicas, o tempo deve ser de 30 minutos; para imersão, o tempo de aplicação varia entre 10 a 20 minutos. E ?nalmente, o tempo de aplicação para massagem com gelo varia de 7 a 10 minutos a?rma Stamford [23].

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 3 -setembro/dezembro 2008 135

Materiais e métodos O presente trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Fisiologia do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, na cidade de Itajaí, Santa A amostra foi constituída de 42 ratos machos (Rattus norvegicus albinus), da linhagem Wistar, com peso corpóreo variando entre 180 a 200 gramas, procedentes do Biotério da Os animais foram con?nados em gaiolas com assoalho recoberto de serragem, com dieta livre do tipo ração sólida e água à vontade, em sala com temperatura ambiente, ciclo Para realização do experimento os animais foram dividi- dos aleatoriamente em dois grupos: Grupo Tratado e o Grupo Controle. Cada grupo perfazendo um total de 21 animais, que foram subdivididos em sete subgrupos. Cada subgrupo Os subgrupos foram classi?cados respectivamente por tempo de lesão e aplicação da crioterapia, ou seja, o grupo I tratado foi lesionado, aplicado crioterapia e sacri?cado na hora zero, já o grupo II tratado foi lesionado na hora zero e aplicado crioterapia, três horas depois foi aplicado crioterapia novamente e sacri?cado, o grupo III tratado, foi lesionado na hora zero, aplicado crioterapia, após três horas foi aplicado crioterapia novamente e após mais três horas foi aplicado crioterapia e sacri?cado, e assim foi realizado até o grupo O grupo controle seguiu os mesmos critérios do grupo tratado, porém sem aplicação da crioterapia. Todos os animais foram anestesiados com éter etílico e submetidos à tricotomia da pata traseira esquerda, região correspondente ao músculo Seguiu-se então de anti-sepsia com álcool iodado 70%, e assim o uso de um objeto perfuro-cortante, o qual apresen- tava 2,7 mm de diâmetro na base e 0,9 mm de diâmetro no ápice. O comprimento delimitado da lesão foi de 4 mm. O tratamento foi realizado após a lesão muscular, nos intervalos de tempo determinado para cada subgrupo do grupo tratado, conforme Tabela I.

Horário 0h 3h 6h 9h 12h 24h 48h Subgrupo I x Subgrupo II x x Subgrupo III x x x Subgrupo IV x x x x Subgrupo V x x x x x Subgrupo VI x x x x x x Subgrupo VII x x x x x x x De acordo com cada intervalo de tempo determinado na Tabela I, aplicou-se massagem com gelo na pata traseira esquerda do animal tratado, em movimentos circulares sobre a lesão (Figura 1). Cada aplicação da crioterapia teve a duração de 7 minutos, segundo Stamford [25]. O sacrifício foi reali- zado imediatamente após a última aplicação de crioterapia de cada subgrupo tratado. Embora os subgrupos controle não recebessem crioterapia, foram sacri?cados no mesmo horário Imediatamente após o sacrifício foi realizado a dissecção do músculo gastrocnêmico, para procedimento de análise Todos os fragmentos do músculo gastrocnêmio em ex- perimento foram ?xados em formol 10%, e posteriormente transferidos para álcool 70%, sendo depois desidratados em álcool, diafanizados em xilol, impregnados e incluídos em para?na. Os cortes histológicos foram feitos com aproximada- mente 7 micrômetros de espessura, em secções longitudinais, As análises foram efetuadas em microscópio óptico, sendo realizada a contagem de neutró?los, macrófagos e ?broblastos, Os resultados foram comparados entre o grupo de animais controle e o grupo de animais tratados, e analisados através do teste t para os números de células encontradas.

Resultados Na análise histológica, foram considerados neutró?los, células com núcleos constituídos de dois a quatro lóbulos Os macrófagos foram considerados células com núcleos ovóides, com citoplasma claro e superfície irregular. Quanto às células gigantes, visto que as mesmas envolvem a fusão de muitos macrófagos, foram consideradas aquelas com tamanho Quanto aos ?broblastos, foram consideradas as células mais alongadas, fusiformes, com prolongamento citoplas- mático irregulares, núcleo claro, grande, de forma ovóide e Considerando a contagem de neutró?los e macrófagos, através do teste t, foi possível veri?car diferenças signi?cativas Para ?broblastos, no entanto, o teste não mostrou diferença signi?cativa em nenhum dos momentos de coleta Conforme Tabela II, houve uma redução considerável de neutró?los nos animais tratados em relação aos animais controle. Sendo que esta redução se manteve em todos os períodos de aplicação. Os dados podem, também, ser visua- lizados na Figura 1.

Tabela II - Média ± desvio-padrão do número de neutró?los nos vários momentos de coleta; valor obtido no teste t e sua respectiva signi?cância e variações a menor no número de células após aplicação de crioterapia. Hora Com gelo Sem gelo t p Taxa de variância 0h 14,55 ± 7,60* 46,66 ± 17,54 5,03 0,000121 < 3,2 3h 29,33 ± 12,61* 52,88 ± 22,12 2,77 0,013528 < 1,8 6h 39,66 ± 16,48* 63,88 ± 25,71 2,37 0,030141 < 1,6 9h 31,88 ± 8,23* 75,22 ± 26,22 4,72 0,000227 < 2,35 12h 36,77 ± 16,84 57,66 ± 31,83 1,73 0,101216 < 1,5 24h 49,11 ± 32,01* 132,55 ± 45,35 4,50 0,000357 < 2,7 48h 41,11 ± 15,53 57,66 ± 31,24 1,42 0,173843 < 1,4

Tabela III - Média ± desvio-padrão do número de macrófagos nos vários momentos de coleta; valor obtido no teste t e sua respectiva signi?- cância e variações a menor no número de células após aplicação de crioterapia. Hora Com gelo Sem gelo t p Taxa de Variância 0h 2,11 ± 1,05* 10,55 ± 5,91 4,21 0,000659 < 5 3h 3,33 ± 2,87* 6,66 ± 4,03 2,02 0,060419 < 2 6h 3,00 ± 1,69* 16,89 ± 13,29 3,09 0,006936 < 5,6 9h 9,11 ± 3,95 12,11 ± 12,06 0,70 0,488642 < 1,3 12h 8,77 ± 2,86 12,66 ± 5,50 1,88 0,078211 < 1,4 24h 16,33 ± 9,04 22,55 ± 8,70 1,48 0,156386 < 1,4 48h 22,22 ± 8,87* 52,33 ± 28,19 3,05 0,007542 < 2,35

Figura 1 - Médias e intervalos de con?ança para número de neu- Figura 2 - Médias e intervalos de con?ança para número de macró- tró?los em todos os momentos de coleta, com e sem tratamento. fagos em todos os momentos de coleta, com e sem tratamento.

O número de macrófagos analisados, microscopicamente, Em relação aos ?broblastos, não houve diferença esta- também apresentou redução signi?cativa do grupo tratado tisticamente signi?cativa. A vascularização, analisada qua- em relação ao grupo controle. Seu pico de redução máximo litativamente através de microscópio óptico, apresentou-se foi nas primeiras 6 horas, conforme Figura 2. aumentada no grupo controle. Já no grupo tratado houve signi?cativa redução.

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Discussão Segundo Knight [18], o tempo de aplicação da crioterapia, para promover efeito signi?cativo na in?amação aguda, deve ser de aproximadamente 30 minutos. Para as áreas de grandes massas musculares deve-se aplicar por 40 minutos, a cada duas horas. Recomenda também que a aplicação seja realizada num período de 12 a 72 horas, ou até que a tendência ao edema O tempo de aplicação utilizado para realização deste trabalho foi de 7 minutos, conforme Stamford [23], por um período de 48 horas, com intervalo de 3 horas a cada Em relação à periodicidade, este é um dado não mui- to claro na literatura. Porém, os resultados microscópicos obtidos mostraram que o intervalo de três horas para cada aplicação foi su?ciente para reduzir a intensidade da resposta A massagem com gelo foi a técnica utilizada para realiza- ção da pesquisa. Segundo Knight [18], a técnica pode sofrer in?uência quando comparada com as outras técnicas de crio- terapia. Conforme a área é massageada, o gelo ?ca em contato com uma região especí?ca do tecido apenas brevemente, a seguir o tecido é exposto a temperatura ambiente. Isto é uma desvantagem quando o objetivo é de reduzir a temperatura do tecido. Embora apresente algumas desvantagens, a opção por esta técnica é justi?cada por se tratar de uma área de lesão muito pequena, haja vista a reduzida dimensão do músculo gastrocnêmio do rato. Assim, a área tratada, não perdia o contato com o gelo, mantendo sempre a temperatura de resfriamento. Obviamente, quando realizada em grandes áreas, talvez não seja a técnica mais adequada. Porém, com os resultados obtidos, a técnica mostrou-se e?caz na redução De acordo com os dados obtidos, pode-se comprovar estatisticamente que houve redução signi?cativa no número de células in?amatórias (neutró?los e macrófagos) mediante a aplicação de crioterapia. Embora qualitativamente, também se pode observar a redução circulatória na área lesada mediante Em situações normais, onde haja uma in?amação aguda, os neutró?los e os macrófagos são as primeiras células a chega- rem ao local da lesão, penetrando no tecido, e imediatamente começam a fagocitose [9]. A migração dessas células da luz do vaso ao foco in?amatório, não se faz de modo aleatório. De fato, os polimorfonucleares neutró?los (PMNs) são as células Segundo Brasileiro Filho [2], os fatores que retardam o pro- cesso cicatricial são aqueles que mantêm a reação in?amatória em atividade. Para Andrade [13], enquanto houver in?amação Em situações onde haja aplicação de crioterapia, há pou- cas evidências literárias sobre os eventos celulares ocorridos durante a in?amação aguda. Segundo Rodrigues e Guimarães [20], a aplicação da crioterapia atua diretamente na perme- abilidade capilar e a resposta celular varia diretamente com a temperatura. Knight [18] a?rma que a aplicação do frio diminui a temperatura do tecido, os vasos sanguíneos são resfriados e constringem-se, reduzindo a permeabilidade e, portanto, limitando a hemorragia para o tecido, diminuindo a passagem de células in?amatórias para o tecido lesado. Esta redução no número de células in?amatórias contribui para redução da resposta in?amatória exacerbada. Para Jass [24], os principais locais de armazenamento da histamina são os mastócitos, basó?tos e as plaquetas. O principal efeito da histamina no processo in?amatório agudo inclui aumento Neste contexto, o frio atua na reação in?amatória, reduzindo a liberação de histamina. Logo, o desenvolvimento da in?a- mação ? liberação de histamina, aumento da permeabilidade capilar, liberação de detritos e mais reações secundárias ? es- tará controlado. Este controle é muito importante na lesão aguda, pois o resfriamento imediato do local lesado impede Os ?broblastos, característicos do processo in?amatório crônico, originam-se dos ?brócitos em repouso situados nas margens da lesão, migrando para dentro dela em resposta à atração de agentes químicos e físicos. Os ?broblastos têm seu pico máximo de 4 a 6 dias após a lesão [26]. Em relação à contagem celular de ?broblastos, os dados mostraram-se insigni?cantes estatisticamente. Segundo o trabalho reali- zado por Feix e Tribess [29], uma alteração na presença de ?broblastos ocorre de forma lenta e gradual, atingindo seu valor máximo por volta de 8 a 10 dias. O número reduzido de células observadas no experimento, explica o fato de não haver signi?cância estatística para este tipo de célula entre o Os resultados deixam indícios que, a técnica de criote- rapia apresentou grande habilidade de redução na migração Uma vez que a redução acentuada no número de neutró?los e macrófagos analisados sugere isto.

Conclusão De acordo com os dados obtidos, podem-se evidenciar os efeitos da crioterapia no controle de um dos eventos da resposta in?amatória aguda. Embora haja pouquíssimas evi- dências na literatura a respeito da atuação da crioterapia nos eventos celulares do processo in?amatório agudo, os dados Assim, com a redução do processo in?amatório, a cicatrização inicia mais rapidamente, e conseqüentemente uma diminui- Estes dados são de fundamental importância para os ?sioterapeutas, pois dessa forma, ?cou comprovado que a crioterapia atua diretamente na redução da resposta in?a- matória, diminuindo o in?uxo de neutró?los e macrófagos

de tratamento para auxiliar no processo de recuperação de No entanto, vale ressaltar a necessidade de novas pes- quisas, a ?m de comprovar se a diminuição da resposta in?amatória exerce in?uência sobre a remodelação total do vasse o efeito da crioterapia no tempo total de reparação teci- dual após uma lesão, necessitando para isto, um procedimento 17.

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Andrade AZ. Tecido conjuntivo, reparo, regeneração e cicatriza- Rosa G, Nunes C, Oliveira J. Efeitos ?siológicos da crioterapia na in?amação aguda causada por traumatismo fechado: uma Lianza S. Medicina de reabilitação. 2a ed. Rio de Janeiro: Fargas A, Roma J, Roing M. Regeneración muscular: in- ?uencia de la lámina basal, del tamaño de la lesión y de la respuesta in?amatoria en el ratón C57BL10/ScSn. Rev Neurol Knight LK. Crioterapia no tratamento de lesões esportivas. São Kisner C, Colby LA. Exercícios terapêuticos ? fundamentos e Rodrigues EM, Guimarães CS. Manual de recursos ?siotera- Tepperman PS, Devlin M. Therapeutic heat and cold. A Guirro R, Abib C, Maximo C. Os efeitos ?siológicos da criote- rapia: Uma revisão. Rev Fisioter Univ São Paulo 1999;6(2):164- Stamford B. Giving injuries the cold Treatment. The Physician Robbins LS, Cotran BA. Patologia funcional e estrutural. 6a Farber JL, Rubin E. Patologia. 3a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Estudo experimental em ratos [monogra?a]. Itajaí: Universidade 12.

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Revisão Características funcionais e fisiológicas do destreinamento ? respostas hormonais e cardiovasculares Physiologic and functional characteristics of detraining ? hormonal and cardiovascular responses

Michel Arias Brentano, M.Sc.*, Tiago Santi** *Ciências de Movimento Humano, **Educação Física

Resumo Estudos têm demonstrado que o destreinamento causa rever- sões nas adaptações morfológicas e ?siológicas alcançadas com o treinamento. Em um período médio/longo percebem-se ainda reduções no VO , além de um aumento na ventilação, quocien- 2máx Além disso, ocorrem aumentos na freqüência cardíaca e na pressão arterial de repouso. Paralelo às reduções no desempenho aeróbio, existe uma redução na atividade das enzimas oxidativas e expressão mitocondrial. Porém, algumas enzimas glicolíticas não são alteradas em indivíduos treinados em endurance. Em indivíduos treinados em força ocorre uma elevação da relação testosterona x cortisol após o destreino, provavelmente pela tentativa de manutenção da massa muscular. Em atletas de endurance, os níveis de catecolaminas ten- dem a aumentar, provavelmente pela maior utilização de glicogênio Palavras-chave: adaptações ao destreinamento, exercício físico, inatividade, adaptações cardiovasculares e hormonais.

Abstract Studies have shown that detraining leads to a reversal of the morphological and physiological adaptations achieved through training. In the medium/long term reductions are perceived in the VO as well as increases in ventilation, respiratory quotient 2max and the use of glycogen as an energy source. Add to that, there is a rise in heart rate and blood pressure. Together with the reductions in aerobic performance, there is a reduction in oxidative enzyme activity and mitochondrial expression. However, some glycolytic enzymes remain unaltered in endurance trained individuals. Strength training individuals show an increase in testosterone x cortisol ratio after detraining, probably to preserve the lean body mass. Endurance athletes show higher catecholamine levels after detraining, probably Key-words: detraining adaptations, exercise, inactivity, cardiovascular and endocrine adaptations.

Endereço para correspondência: Michel Arias Brentano, Laboratório de Pesquisa do Exercício, GPAT, UFRGS, Rua Felizardo, 750, 90690-200 Porto Alegre RS, Tel: (51)3308-5820. E-mail: michel.brentano@terra.com.br

Introdução Quando se interrompe ou se reduz o treinamento, seja em seu volume, intensidade ou freqüência, ou mesmo uma associação destes, esta interrupção poderá implicar destreina- mento, sendo este, um processo de descondicionamento que afeta o desempenho através da diminuição da capacidade ?- siológica [1]. Esta interrupção pode ser espontânea, ou condi- Como resultado do destreinamento veri?camos reduções nas adaptações cardiovasculares (VO , capilarização, FC de 2máx repouso) e hormonais que in?uenciam de forma negativa o Sendo assim, o objetivo do presente estudo é revisar as principais características funcionais e ?siológicas acarreta- das pelo destreinamento, causado pela interrupção treina- mento.

O destreinamento Uma das mais importantes características do músculo esquelético é a sua capacidade de adaptação a variados es- tados e demandas funcionais, atividades neuromusculares e estímulos hormonais [2]. O treinamento físico implica em estresse ?siológico, que provoca adaptações funcionais no músculo para resistir a tal estresse. Por outro lado, o processo inverso, ou seja, o destreinamento gera a reversão total ou parcial das adaptações funcionais alcançadas em treinamento Em relação ao treinamento de força, a diminuição na massa magra é mediada pela diminuição no tamanho e/ou número de células musculares, especialmente as ?bras tipo II [3]. Teoricamente, a atro?a de ?bras musculares extrema- mente hipertro?adas ? como é o caso de atletas altamente treinados em força ?, especialmente ?bras do tipo II, causa diminuições na força muscular. Alterações hormonais podem também contribuir para a atro?a. Por outro lado, uma redução na condução neural das unidades motoras pode reduzir a força máxima sem atro?a muscular [3]. Também é conhecido que em destreinamento ocorrem diminuições na ativação vo- luntária máxima do músculo, e na força em adultos jovens, Em relação às modalidades esportivas essencialmente aeróbias ? também conhecidas como esportes de endurance ?, reduções no consumo máximo de oxigênio (VO ) em 2máx destreinamento são associadas a reduções na performance em endurance [4-8]. Estas alterações são acompanhadas por fatores como redução na atividade de enzimas oxidati- vas [4-6,8-11], alterações cardiovasculares e respiratórias Como as adaptações decorrentes do destreinamento são variadas, a seguir, elas serão apresentadas separadamente.

Consumo máximo de oxigênio e respostas car- diovasculares Em adolescentes e jogadores de futebol, o destreinamento de 6 meses, reduziu o VO (volume máximo de oxigênio), 2 máx aos valores pré-treinamento, tanto para jogadores treinados em endurance, como em sprint [5]. Também são observadas reduções signi?cativas no VO em atletas de endurance, 2máx destreinados por longos [6] e curtos períodos [9] (Tabela I), juntamente com a redução do limiar de lactato. O mesmo resultado foi veri?cado em indivíduos não-atletas após três Costill et al. [12] veri?caram um grande declínio da capacida- de respiratória muscular (QO ) (Tabela I), após uma semana 2 de destreinamento em nadadores, sugerindo que o QO pode 2 não ter uma relação com o VO , já que este não apresenta 2máx Esta rápida redução estaria associada a reduções na atividade Madsen et al. [13] não veri?caram reduções do VO 2máx de atletas de endurance após quatro semanas de destrei- namento, apesar de relatarem uma grande diminuição no tempo de exaustão em exercício submáximo. Esta resposta foi atribuída a um aumento de Mg2+ muscular nos sujeitos destreinados, que poderia ter causado a exaustão, pois, um grande volume de Mg2+ livre, inibiria o retorno de Ca2+ para o retículo sarcoplásmatico; e com menos cálcio disponível, a interação da actina-miosina poderia ser prejudicada. En- tretanto, durante o período de destreinamento, os atletas não permaneceram totalmente inativos, realizando um trabalho de alta intensidade (95% da freqüência cardíaca máxima), com um volume semanal de treinamento bastante reduzido (de ± 8.3 h/semana para 35 min/semana). Talvez este treinamento tenha contribuído para a não alteração em parâmetros como o VO , densidade capilar, ventilação e 2máx concentração de lactato, assim como já havia servido para manter a atividade da citrato sintase constante após as A freqüência cardíaca sub-máxima [6,7,13], a ventilação [6], e o quociente respiratório (RER) de indivíduos treina- Particularmente em relação ao RER, esse aumento parece estar associado à maior utilização de carboidratos como substrato energético [6,10,13], que também aumenta após [9] inclusive, veri?caram aumentos na freqüência cardíaca máxima após 15 dias de destreinamento em corredores de elite, enquanto Madsen et al. [13] não relataram alterações na freqüência cardíaca máxima e na ventilação após 4 semanas sem treinamento (Tabela I). A pressão arterial apresentou au- mentos em seu valor, que foram acompanhados pelo aumento da tensão vascular periférica, em exercício sub-máximo, após um período de destreinamento em corredores [7]. Ainda, a freqüência cardíaca submáxima de indivíduos não-atletas

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Tabela I - Relação dos trabalhos abordando o destreinamento e adaptações cardiovasculares, Onde: A = aeróbio; VO2 máx = consumo máxi- mo de oxigênio; QO2 = capacidade respiratória muscular; D cap = densidade capilar; RER = quociente respiratório; VS = volume sistólico; VE = volume de ejeção; DC = débito cardíaco; PA = pressão arterial total; TVP = tensão vascular periférica; FC Max = freqüência cardíaca máxima; FC sub = freqüência cardíaca sub-máxima; n.s.= não signi?cativo. Condições Adaptações cardiorrespiratórias Referência Período Treino VO máx QO D cap RER VS VE DC PA TVP FCmáx FCsub 22 Houston et al [9] 15 dias A - - n.s. - - - - - - + 4 bpm - Klausen et al [4] 8 sem A -15% - - - - - - - - - - 10% Fournier et al [5] 6 meses A -11% - - - - - - - - n.s. - Costill et al [12] 4 sem A - -50% - - - - - - - - - Coyle et al [6] 12 sem A -15% - - - - -8,9% - - - +5,1% Coyle et al [7] 4 sem A - - - - - 9% -12% - +7% - Moore et al [10] 3 sem A n.s. - - - - - - - - n.s. Wibom et al [8] 3 sem A 6% - - - - - - - - - n.s. McCoy et al [11] 10 dias A n.s. - - - - - - - - - -

Tabela II - Relação dos trabalhos abordando o destreinamento e adaptações metabólicas e nos substratos energéticos. Onde: LAC = lactato; GLI = glicose; GLC = glicogênio muscular; AGL = ácidos graxos; ns = não signi?cativo. Condições Alterações metabólicas Substratos energéticos Período Treino pH LAC GLI GLCG AGL Madsen et al [13] 15 dias aeróbio - n.s. - - - Costill et al [12] 4 semanas aeróbio - 1% + 131% - - 39,2% - Coyle et al [6] 12 semanas aeróbio - + 68% - 26,1% - n.s. Houston et al [9] 3 semanas aeróbio - n.s. - - - McCoy et al [11] 10 dias aeróbio - - n.s. - -

treinados aerobicamente apresenta um aumento após o des- O destreinamento pode causar uma redução no volume de ejeção cardíaca [7]. O volume sanguíneo também parece sofrer in?uência do destreinamento, sendo reduzido em 4 semanas, com uma maior redução no volume de plasma em comparação ao volume de eritrócitos, sendo este fator considerado como um dos principais responsáveis pela re- dução da performance em destreinamento de curto/médio prazo [7]. Justi?cando esta a?rmação, no trabalho citado, os sujeitos realizaram o mesmo teste ao ?nal do destreina- mento, após a elevação arti?cial de seu volume sanguíneo, resultando em reversões de várias variáveis prejudicadas pela inatividade, como volume de ejeção, freqüência cardíaca e tensão vascular periférica, sendo a última, responsável pela retomada dos valores normais de pressão arterial, sugerindo que o volume sanguíneo in?uencia diversos aspectos da regulação cardiovascular durante o exercício, provavelmente afetando receptores de baixa pressão, sensíveis ao retorno venoso para o coração [7].

Capilarização Em duas a três semanas de inatividade, a densidade capilar no músculo diminui [2,4]; apesar da redução observada por Klausen et al. [4] não apresentar uma implicação prática, pois foi acompanhada por atro?a das ?bras musculares, o que ocasionou um número de capilares por mm2 de ?bra idêntico ao inicial. Madsen et al. [13], em contraste, não veri?caram alterações na capilarização das ?bras musculares após quatro semanas de destreinamento em endurance. A diferença arté- rio-venosa de O também parece diminuir com 3-8 semanas 2 de destreinamento em atletas de endurance [2].

Alterações bioenergéticas e atividade enzimática Veri?cou-se que, em períodos de inatividade, os níveis de lactato dehidrogenase aumentaram em ciclistas e corredores após 7-12 semanas de destreinamento [6,14], enquanto outros pesquisadores [9,13,15] relataram modi?cações em Atletas de endurance, após um período de inatividade de longa duração, apresentam um aumento da concentração de lactato sanguíneo [6,12], acompanhada por um aumento da utilização de carboidrato como fonte energética, sendo porém em períodos menores de destreinamento (15 dias) não se veri?cou nenhuma alteração na concentração de lactato Apesar das alterações de lactato e redução no bicarbona- to sanguíneo veri?cadas por Costill et al. [12], não houve uma alteração signi?cativa no pH sanguíneo (Tabela II). Já indivíduos não atletas, não apresentam alterações após três semanas de destreinamento subseqüentes ao treinamento de endurance [9], ou podem aumentar a concentração de lactato sanguíneo [10,16].

Com o destreinamento, atletas de endurance não demons- traram alterações na glicose plasmática [6,11,13] e ácidos graxos livres [6]; porém o conteúdo muscular de glicogênio parece sofrer reduções signi?cantes [12-14]. Madsen et al. [13] observaram uma alta concentração de ácidos graxos livres, durante o exercício, após o período de destreinamento, sem nenhuma alteração no glicerol plasmático, atribuindo este fator a uma redução da oxidação de ácidos graxos e não a um aumento de sua mobilização, já que o glicerol é um indicador desta mobilização. Este resultado pode ter sido causado pela baixa atividade da enzima beta-hidroxiacil CoA dehidrogenase e/ou um menor transporte de ácidos graxos na membrana da Para atletas e não-atletas treinados aerobicamente, o destreinamento parece reduzir a atividade de enzimas oxi- dativas (Tabela III), como a citrato sintase [6,8,10,11,16], a succinato desidrogenase [4-6,9,16], a beta-hidroxiacil-CoA dehidrogenase [6,13,16] a citocromo oxidase [4], a malato dehidrogenase mitocondrial [8,16] e a glutamato dehidro- Entretanto, alguns autores não observam essas respostas, particularmente em relação à malato dehidrogenase citoplas- mática, sucinato citocromo c redutase, NADH citocromo c redutase e betahidroxiacil-CoA dehidrogenase [8,13] e citrato cintase [13]. Essas respostas podem ser in?uenciadas, em parte, por um destreinamento caracterizado pela prática de treinamento de alta intensidade com um volume muito mais baixo que o normal [13]. Essa possibilidade é sustentada pelos resultados de Fournier et al.[5], que veri?caram uma resposta da sucinato dehidrogenase diferente em destreinamento após treinamento de endurance e de sprint, reduzindo no primeiro caso, e permanecendo igual no segundo. Entretanto, Houston et al. [15], avaliando sujeitos treinados em força, não veri?- caram alterações na atividade da succinato desidrogenase e As avaliações com enzimas glicolíticas (Tabela IV) mostram que a hexoquinase apresenta uma redução em sua atividade com o destreinamento para treinados em endurance [6,16], mas não se altera para treinados em força [15]; enquanto a fosfofrutoquinase [6,12,15,16], a fosforilase [6,9,12,16], a beta-hidroxibutirato dehidrogenase [16], a frutose bi-fosfatase [16], a adenilato quinase [16] e a creatina quinase [16] não foram alteradas pelo destreinamento em indivíduos treinados em endurance. Entretanto, para atletas de força, destreinados por períodos de longa duração, há uma redução na concen- tração plasmática de creatina quinase [18], isto, segundo Tabela III - Relação dos trabalhos abordando o destreinamento e adaptações enzimáticas 2. Onde: CS = citrato sintase; cMDH = malato dehidrogenase citoplasmática; mMDH = malato dehidrogenase mitocondrial; GDH = glutamato dehidrogenase; HAD = beta-hidroxiacil- CoA dehidrogenase; SCR = sucinato citocromo c redutase; NCR = NADH citocromo c redutase; COX = citocromo c oxidase; SDH = sucinato Condições Proteínas e enzimas oxidativas Referência Período Treino GLUT-4 CS cMDH mMDH GDH HAD SCR NCR COX SDH Houston et al [15] 15 dias aeróbio - - - - - - - - - - 24% Klausen et al [4] 8 semanas aeróbio - - 35% - - - - - - - - 40% Fournier et al [5] 6 meses aeróbio - - - - - - - - - - 42% Chi et al [14] 7 semanas aeróbio - - 39% - - 28% - - 17% - - - - 28% Houston et al [9] 12 semanas força - - - - - n.s. - - - n.s. Coyle et al [6] 12 semanas aeróbio - - 40% n.s. - - n.s. - - - - 25% Moore et al [10] 3 semanas aeróbio - - 35,7% - - - - - - - - Wibom et al [8] 3 semanas aeróbio - - 10% n.s. - 28% - 17% n.s. n.s. n.s. n.s. - McCoy et al [11] 10 dias aeróbio - 33,2% - 28,6% - - - - - - - -

Tabela IV - Relação dos trabalhos abordando o destreinamento e adaptações enzimáticas 1. Onde: HK = hexoquinase; PFK = fosfofrutoqui- nase; PRHL = fosforilase; LDH = lactato dehidrogenase; CK = creatina quinase; Beta-H = beta-hidroxibutirato dehidrogenase; Frut-bifos = Condições Enzimas anaeróbicas Referência Período Treino HK PFK PHRL Beta- H Frut-bifos ADEN LDH CK Houston et al [9] 15 dias aeróbio - - n.s. - - - - 13% - Klausen et al [4] 8 semanas aeróbio - n.s. n.s. - - - - 10% - Fournier et al [5] 6 meses aeróbio - - 21% - - - - - - Chi et al [14] 7 semanas aeróbio n.s n.s. n.s. n.s. n.s. n.s. + 21,1% n.s. Houston et al [15] 12 semanas força n.s n.s. - - - - n.s. n.s. Costill et al [12] 4 semanas aeróbio - n.s. n.s. - - - - - Coyle et al [6] 12 semanas aeróbio - 20% - n.s. - - - + 20% - Wibom et al [8] 3 semanas aeróbio - + 16% - - - - - - Hortobagyi et al [18] 12 semanas força - - - - - - - - 82,3%

Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 3 -setembro/dezembro 2008 143

Tabela V - Relação dos trabalhos abordando o destreinamento e as adaptações hormonais. Onde: I=insulina; C = cortisol; GH = hormônio do crescimento; T = testosterona; A = adrenalina; N = noradrenalina; ns = não signi?cativo. Condições Adaptações hormonais Período Treino I C GH T A N Madsen et al [13] 15 dias aeróbio - - - - - - Costill et al [12] 4 semanas aeróbio - - - - - - Coyle et al [6] 12 semanas aeróbio n.s. - - - + 99% + 65% Houston et al [15] 3 semanas aeróbio - - - - - - Hortobagyi et al [18] 12 semanas força - + 21,5% + 58,3% + 19,2% - - McCoy et al [11] 10 dias aeróbio n.s. - - - - - Clarkson apud Hortobagyi et al. [18], pode indicar uma reorganização mio?brilar. Entretanto Houston et al. [9] não relataram alterações na sua atividade após 12 semanas de ina- tividade subseqüentes ao treinamento de força. Em contraste a estes resultados, Klausen et al. [4] veri?caram uma redução na atividade da fosfofrutoquinase após destreinamento, assim como Fournier et al. [5] para treinados em sprint - porém a atividade não se alterou quando o treinamento priorizou a en- durance - enquanto Wibon et al. [8] veri?caram um aumento Paralelo as reduzidas atividades enzimáticas, Wibon et al. [8] observaram reduções na quantidade de mitocôndrias musculares com o destreinamento em sujeitos sedentários, o mesmo sendo sugerido por Moore et al. [10]. Além disso, McCoy et al. [11] veri?caram um sensível decréscimo de GLUT-4 após 10 dias de destreinamento em triatletas, para- lelo e altamente correlacionado a uma redução na atividade da citrato cintase (Tabela IV).

Alterações hormonais Em indivíduos altamente treinados em força muscular, o destreinamento causa um aumento da concentração basal de hormônio de crescimento (GH) e testosterona, com uma diminuição do cortisol plasmático (Tabela V), alterando a relação testosterona x cortisol [18], estes dados sugerem um aumento dos processos anabólicos, possivelmente como feedback de resposta aos processos catabólicos causados pelo destreinamento, entretanto, isto não indica necessariamente Em atletas de endurance, a insulina não apresenta variação na sua concentração após períodos curtos [11,14] ou longos de destreinamento [6]. Apesar disso, mesmo em reduzidos períodos de destreinamento, a sensitividade do organismo à ação da insulina parece ser alterada [11,14], alterando a Os níveis de adrenalina e noradrenalina não apresentaram variação nas três primeiras semanas de destreinamento, mas ao ?nal de 12 semanas, seus níveis plasmáticos aumentaram em atletas de endurance, entretanto os mesmos níveis não se alteraram após um teste em intensidade submáxima (75% do VO ), permanecendo os mesmos encontrados no teste 2máx antes do destreinamento [6]. Esse aumento na concentração de catecolaminas circulante pode ser relacionado em alguns fatores observados no destreinamento, entre eles, uma maior utilização de glicogênio como fonte energética, e um aumento da freqüência cardíaca e pressão arterial [6].

Conclusão Veri?ca-se que as reduções no VO nas primeiras sema- 2máx nas de destreinamento, podem ser devido a redução do débito cardíaco [6,19] e, após este período inicial, contribuições como a redução na diferença artério-venosa de O [6,19], re- 2 duções na capilarização e atividade das enzimas oxidativas [4] podem ser as principais responsáveis pela queda do consumo máximo de O . Entretanto o VO não necessariamente se 2 2máx modi?ca na mesma magnitude que as alterações das enzimas oxidativas, sendo que estas últimas apresentam variações muito maiores que o VO [6,7,9,10]. Modi?cações na 2máx atividade enzimática são apontadas como uma das principais responsáveis pela diminuição do desempenho aeróbio, sendo que essas alterações parecem ser mais importantes nas ?bras A queda no débito cardíaco seria mediada pela queda no volume de ejeção, e esta, mediada pela redução do volume sanguíneo ? o destreinamento parece reverter rapidamente a hipervolemia de estado treinado ?, dos re?exos cardiovascula- res e/ou do retorno venoso [19]. A redução no VO através 2máx deste mecanismo, poderia ser compensada pelo aumento da freqüência cardíaca máxima, apontado em alguns estudos, o que contribuiria para que esta redução fosse pequena. Além disso, esta redução no volume de ejeção poderia ser responsá- vel por uma redução do volume ventricular esquerdo, porém Também se atribui a responsabilidade das alterações nas respostas metabólicas e cardiovasculares ao aumento da atividade simpato adrenal, já que os aumentos nos níveis plasmáticos de catecolaminas podem contribuir para grandes aumentos na freqüência cardíaca, ventilação, e concentração de lactato sanguíneo, devido ao maior uso de substrato energético derivado de carboidrato. Porém deve-se ressalvar que no estudo citado, os maiores aumentos na freqüência cardíaca e concentração de lactato sanguíneo ocorreram nos primeiros 21 dias, e os níveis de catecolaminas permane- ceram praticamente inalterados neste período, mostrando

Além disso, veri?ca-se que aumentos da pressão arterial, após destreinamento, podem ser causados pela queda da pressão das veias centrais, que causam a vasoconstrição da pele, músculos inativos e outras áreas periféricas aumentando a tensão vascular periférica. Este aumento da pressão arterial, por sua vez, pode contribuir para as reduções no volume de 11. ejeção cardíaco, por causar de uma sobrecarga na sístole.

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Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício - Volume 7 Número 3 -setembro/dezembro 2008 145

Revisão A importância dos exercícios resistidos em pacientes hipertensos The importance of resistance exercise in hypertensive patients

Graziela Rodrigues da Costa*, Elaine Cristina Martinez Teodoro, M.Sc.**

*Fisioterapeuta, Faculdade de Pindamonhangaba ? FAPI, Pindamonhangaba - SP, **Fisioterapeuta, Especialista em Fisiologia do Exercício (UNIFESP/EPM), Doutoranda em Engenharia Mecânica, Departamento de Mecânica ? Universidade Estadual Paulista (UNESP) Guaratinguetá ? SP

Resumo A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) pode ser conceituada como uma patologia multifatorial capaz de acometer os chamados órgãos-alvo, tais como: coração, rins, aorta, cérebro e olhos. Sua prevalência no Brasil é alta, o que a torna um grande problema de saúde pública. A HAS é considerada um grande fator de risco para as doenças cardíacas e vasculares. Desse modo, o presente trabalho aborda a importância da realização dos exercícios resistidos em pacientes hipertensos, e que são de?nidos como qualquer forma de exercício ativo, no qual a contração muscular estática ou dinâmica é resistida por uma força externa que pode ser aplicada manual ou mecanicamente. Conclui-se que a realização de um treinamento resistido com cargas leves promove grandes benefícios para a saúde dos portadores de HAS, reduzindo o índice de mortalidade e mor- Palavras-chave: pressão arterial, hipertensão arterial sistêmica, exercício resistido, fatores de risco.

Abstract Systemic Arterial Hypertension (SAH) can be considered a multifactor pathology a?ecting target organs such as heart, kid- neys, aorta, brain and eyes. Its prevalence in Brazil is high, making it a considerable problem of public health. SAH is considered a serious factor of risk for heart and vascular disease. The present study addresses the importance of performing resistance exercises on hypertensive patients. Such exercises are de?ned as any form of active exercise in which static or dynamic muscular contraction is resisted by an external force, which can be applied either manually or mechanically. It was concluded that performing resistance training with light loads o?ers considerable bene?ts to the health of patients Key-words: blood pressure, hypertension, resistance exercise, risk factors.

Endereço para correspondência: Elaine Cristina Martinez Teodoro,Avenida Osvaldo Aranha, 1961, 12600-000 Lorena SP, Tel: (12) 3152-8023, E-mail: elaine.cristina@feg.unesp.br

Introdução A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é de?nida como uma patologia multifatorial e multicausal, sendo conceituada como uma síndrome caracterizada pela presença de níveis tensionais elevados, associados às alterações metabólicas, hor- monais e fenômenos tró?cos, tais como hipertro?a cardíaca e vascular [1]. Sua presença pode contribuir para lesão dos chamados órgãos-alvo, como coração, cérebro, vasos sanguí- A pressão arterial é a pressão que o sangue exerce contra as paredes das artérias, sendo geralmente expressa em milímetros de mercúrio (mmHg). A HAS é representada pelo aumento da pressão sistólica acima dos valores de 139 mmHg, e acima À medida que a população envelhece e se torna mais obesa, a incidência de hipertensão continua a aumentar, em todas as sociedades desenvolvidas e naquelas em desenvolvimento Sua prevalência no Brasil é alta e está presente em cerca de 15 (10%) a 30 (20%) milhões de pessoas, atingindo quase 65% dos idosos. Os negros (38%) têm maior prevalência do que os brancos (29%) e os homens (33%) uma prevalência maior do que as mulheres (27%), até aproximadamente os cinqüenta anos. Após esta idade, a doença torna-se mais co- mum nas mulheres. Embora seja predominante na fase adulta, sua prevalência em crianças e adolescentes não é desprezível, A HAS é um fator de risco para várias doenças cardíacas e vasculares. São muitos os fatores que contribuem para o seu desenvolvimento, tais como: alimentação inadequada, fato- res genéticos, alcoolismo, obesidade, sedentarismo, estresse, tabagismo, dislipidemia, diabetes mellitus, idade acima de Desse modo, tornam-se necessárias mudanças no estilo de vida, como alimentação adequada e a realização de exercícios físicos, visto que alguns estudos têm demonstrado efeitos be- né?cos tanto dos exercícios aeróbicos como os de resistência para a diminuição dos fatores de risco. Entretanto, o exercício de resistência, além de reduzir os níveis pressóricos, mantém Para a realização do exercício físico, o indivíduo deve ser avaliado, a ?m de obter parâmetros para uma prescrição ade- quada, possibilitando melhor aproveitamento dos benefícios Portanto, este estudo tem como objetivo analisar as res- postas hemodinâmicas, os ajustes ?siológicos e a importância do exercício de resistência em pacientes hipertensos.

Hipertensão arterial sistêmica O indivíduo é considerado hipertenso quando, na ausên- cia da terapia anti-hipertensiva, seus níveis pressóricos são mantidos cronicamente em valores iguais ou superiores a 140 mmHg, para a pressão arterial sistólica e ou 90 mmHg para A HAS é reconhecida como um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares e a primeira causa de morte Alguns dados epidemiológicos indicam que, no mundo, um em cada cinco indivíduos com idade superior a 18 anos apresenta hipertensão arterial. Os dados estatísticos revelam que 22% a 44% da população adulta são portadoras desta Estudos populacionais realizados em algumas cidades brasileiras mostram a prevalência da hipertensão arterial com níveis pressóricos mantidos acima de 140/90 mmHg em 22,3% a 43,9% da população e de 160/95 mmHg em 11,3% a 32,7% [6]. Os fatores associados são: excesso de peso, sedentarismo, envelhecimento, raça e sexo. Enfatiza-se ainda o aumento da circunferência abdominal e a baixa estatura Segundo algumas pesquisas, 50% dos hipertensos morrem por doença arterial coronariana ou insu?ciência cardíaca, sendo 33% por acidente vascular encefálico e 10% a 15% No Brasil, em 2003, 27,4% dos óbitos foram decorren- tes de doenças cardiovasculares, atingindo 37% quando são excluídos os óbitos associados às doenças sem diagnóstico e à violência. A principal causa de morte em todas as regiões do país é o acidente vascular cerebral, acometendo as mulheres Quanto à raça, o impacto da hipertensão não é uni- forme, os negros apresentam os maiores níveis pressóricos, possivelmente relacionados à maior ingestão de sal, quando comparados entre si e com outras raças, sendo esta prevalência 1,77% maior que nos brancos [9].

Classificação A HAS pode ser classi?cada em sistólica e diastólica, conforme ilustram as Tabelas I e II. [4].

Tabela I - Classi?cação diagnóstica da hipertensão arterial diastólica PAD Classificação < 85 Normal 85 ? 90 Normal limítrofe 90 ? 99 Hipertensão leve (estágio I) 100 ? 109 Hipertensão moderada (estágio II) ? 110 Hipertensão grave (estágio III) < 90 Hipertensão sistólica isolada Fonte: III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial (1999).

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Tabela II - Classi?cação diagnóstica da hipertensão arterial sistólica PAS Classificação < 130 Normal 130 ? 139 Normal limítrofe 140 ? 159 Hipertensão leve (estágio I) 160 ? 179 Hipertensão moderada (estágio II) ? 180 Hipertensão grave (estágio III) ? 140 Hipertensão sistólica isolada Fonte: III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial (1999).

Fisiopatologia Os determinantes da pressão arterial são o débito cardíaco e a resistência vascular periférica: qualquer alteração em um ou outro, ou em ambos, interfere na manutenção dos níveis No indivíduo hipertenso, a interação de fatores genéticos e fatores ambientais levam ao desequilíbrio desses sistemas, que resulta no aumento da pressão arterial associado à maior A manutenção, bem como a variação momento a momen- to da pressão arterial, depende de mecanismos complexos e redundantes que determinam ajustes apropriados da freqüên- cia e da contratilidade cardíaca, do estado contrátil dos vasos de resistência e de capacitância e da distribuição de ?uido A regulação neuro-hormonal da pressão arterial funciona como um arco-re?exo envolvendo receptores, aferências, centros de intregação, eferências e efetores, além de ações Os barorreceptores arteriais são um dos principais responsáveis pelo ajuste da pressão. Trata-se de mecanorreceptores constituídos por terminações nervosas livres que se situam na camada adven- tícia de grandes vasos e que são estimulados por deformações de suas paredes, normalmente provocadas pela onda de pressão e O controle da pressão arterial também ocorre por meio do sistema renina-angiotensina-aldosterona, que causa vaso- constrição, estimula mecanismos centrais que favorecem a hipertensão e aumenta a absorção tubular de sódio, enquanto sua inibição tem efeitos contrários. A angiotensina II também in?uencia a hemodinâmica renal e exerce efeitos tró?cos sobre os vasos e o coração, que favorecem o aumento da resistência vascular e a hipertro?a cardíaca [13].

Diagnóstico A medida da pressão arterial é o elemento chave para o estabelecimento do diagnóstico de hipertensão arterial e O método mais utilizado para aferição na prática clínica é o indireto, com técnica auscultatória e es?gnomanômetro de coluna ou aneróide [8].

O diagnóstico da HAS é realizado quando são detectados valores pressóricos maiores ou iguais a 140 mmHg para a Além de cuidados com a aferição correta, o exame físico geral deve ser realizado de maneira minuciosa e completa, sempre com o intuito de se identi?car lesões de órgãos-alvo Sua con?rmação depende fundamentalmente dos cui- dados dispendidos durante as aferições para minimizar os riscos de falsos diagnósticos, tanto de hipertensão quanto de normotensão, e suas repercussões na saúde dos indivíduos e no custo social envolvido [8].

Exercício resistido Os exercícios resistidos caracterizam-se por atividades nas quais ocorrem contrações voluntárias da musculatura esque- lética de um determinado segmento corporal contra alguma resistência externa, ou seja, contra uma força que se opõe ao movimento, sendo que essa oposição pode ser oferecida pela própria massa corporal, por pesos livres ou por outros equi- pamentos, como aparelhos de musculação, objetos elásticos ou de resistência manual [16].

Efeitos fisiológicos Os exercícios resistidos apresentam efeitos cardiovasculares diferentes em função de sua intensidade, sendo a atividade de intensidade alta responsável por picos pressóricos extrema- mente elevados, oferecendo risco potencial ao paciente. Já as atividades de baixa intensidade parecem promover aumentos seguros da pressão arterial durante o exercício, e podem ser A análise de alguns estudos concluiu que o treinamento de resistência diminui a pressão arterial sistêmica com uma redução da resistência vascular, onde o sistema nervoso simpá- tico e o sistema renina-angiotensina parecem estar envolvidos e concomitantemente afetam de maneira favorável os fatores O exercício físico de resistência apresenta efeitos tanto ?siológicos quanto psicológicos como: diminuição do estresse, melhora da função cardiorrespiratória, remoção de fatores como tabagismo, melhora da circulação sistêmica e aumento O exercício intenso de resistência pode ser prejudicial para os indivíduos que sofrem de doenças cardíacas e vasculares, principalmente para os destreinados, pois o mesmo produz um aumento na tensão, principalmente na fase concêntrica da contração muscular e comprime o sistema arterial peri- férico, fazendo com que haja uma diminuição na perfusão muscular e um aumento da resistência vascular periférica total. Como conseqüência, há um aumento na atividade do sistema nervoso simpático, no débito cardíaco e na pressão arterial média, como tentativa de restaurar o ?uxo sangüíneo

muscular. Desse modo, para pessoas com hipertensão arterial sistêmica, são indicadas formas mais rítmicas de exercício Os mecanismos apontados como possíveis responsáveis pelo aumento da pressão arterial nos exercícios de alta in- tensidade são a pressão mecânica da musculatura contraída sobre os vasos sanguíneos esqueléticos e a elevação da pressão intratorácica gerada pela manobra de valsalva, cuja realização é inevitável quando o exercício é feito em intensidade acima Durante o exercício de resistência, a pressão arterial sis- têmica reduz em média 5 a 7 mmHg, imediatamente após uma sessão. O efeito hipotensor pode ocorrer por até 22 horas pós-atividade [19].

Benefícios Atualmente, esse tipo de atividade tem sofrido uma série de investigações, devido à importância que atingiu no desen- volvimento do condicionamento cardiorrespiratório e neuro- muscular. Dentre as atividades físicas que podem melhorar a saúde, a prática de exercícios resistidos tem sido recomendada pelas principais agências normativas de atividade física, como o American College of Sports Medicine (ACMS), e a American Heart Association (AHA), devido a sua relativa segurança, Os exercícios resistidos trazem benefícios como adaptações neuromusculares, aumento de força e resistência muscular, aumento da capacidade de realizar atividades de vida diária, supressão de queda de força relacionada à idade, atenuação das respostas cardiovasculares ao esforço e diminuição de risco de doença coronariana [21].

Prescrição De acordo com Cléroux, Feldman e Petrella [22], as pessoas com hipertensão leve devem praticar exercícios de intensidade moderada de 50 a 60 minutos, 3 a 4 vezes por semana, para redução da pressão arterial. O exercício físico deve ser prescrito como um adjunto à terapia medi- camentosa, e pessoas que apresentam hipertensão devem participar de exercícios regulares, uma vez que o mesmo irá diminuir a pressão arterial e reduzir o risco de doenças Este treinamento pode ser prescrito como um adjunto à atividade aeróbica, devido ao fato deste tipo de exercício ajudar a manter e construir a massa muscular, especialmente em um corpo envelhecido. Entretanto, o exercício de resis- tência não deve servir como atividade preliminar, pois não tem os mesmos efeitos anti-hipertensivos que o exercício Para o controle da intensidade do exercício, é necessária a realização do teste de uma repetição máxima, o qual é de?nido como a maior carga que pode ser movida por uma amplitude especí?ca de movimento, uma única vez e com O ACMS preconiza que o treinamento de resistência seja parte integrante de um programa de aptidão física para adultos e idosos. Suas recomendações incluem pelo menos uma série de oito a dez exercícios para os principais grupos Cada exercício deve envolver dez a quinze repetições e a duração das sessões deve ser de 20 a 60 minutos no máximo, pois estudos comprovaram resultados satisfatórios durante Segundo Lopes, Barreto-Filho e Riccio [24] o exercício de resistência muscular localizada pode ser realizado com sobrecarga que não ultrapasse 50% da contração voluntária máxima.

Método Trata-se de uma revisão bibliográ?ca constituída por artigos cientí?cos que utilizou os seguintes bancos de dados: Bireme, Pubmed e Comut da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, FEG ? UNESP. As bases de dados consultadas Foi realizado um levantamento bibliográ?co utilizando as seguintes palavras-chave: pressão arterial, hipertensão arterial sistêmica, exercício resistido, fatores de risco, blood pressure, Foram selecionados apenas artigos publicados nos idiomas inglês e português, com ano de publicação compreendido entre 1991 a 2007.

Discussão Dentre as condutas não farmacológicas, a prática regular de exercícios físicos tem sido utilizada por pro?ssionais da área da saúde devido às evidências clínicas encontradas na literatura, as quais demonstram sua e?cácia para a redução dos níveis da pressão arterial em pacientes hipertensos, além da diminuição dos efeitos colaterais provocados pelo trata- mento farmacológico, reduzindo a resposta pressórica diante de estímulos ?siológicos, como no exercício físico submáximo Segundo Forjaz et al. [16], o exercício de resistência reduz os níveis pressóricos pós-exercício tanto em sujeitos normo- tensos como em hipertensos, proporcionando cronicamente uma série de adaptações ?siológicas, tais como: hipertro?a, aumento de força muscular e densidade óssea, reduzindo assim a prevalência da osteoporose. O mesmo foi observado por Parise, Brose e Tarnopolsky [26], os quais concluíram também um aumento de força e hipertro?a das ?bras musculares, após realizarem um estudo com 30 indivíduos, em um programa De acordo com Braith e Stewart [25], o exercício de re- sistência vem sendo incluído como parte de um programa de

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promoção à saúde e prevenção do risco de doenças cardiovas- culares, aprovado pela American Heart Association, American College of Sports Medicine e American Diabetes Association, funcionando como um complemento ao exercício aeróbio para prevenção, tratamento e controle da hipertensão arterial, o que condiz com as a?rmações de Laterza e Rondon [27], os quais abordam que os exercícios de resistência devem ser empregados somente como forma complementar ao exercício Kelley [28] realizou um estudo com 259 indivíduos, com o objetivo de analisar os efeitos ?siológicos do exercício de resis- tência aplicado ao paciente hipertenso, tendo como resultado reduções de 3 a 4% das pressões arteriais sistólica e diastólica, concordando com os resultados obtidos em outros estudos, como no de Mediano, Paravidino, Simão, Pontes e Polito [29], que realizaram um experimento com 20 indivíduos de ambos os gêneros, portadores de hipertensão controlada por fármacos e participantes de um programa de exercícios para treinamento de força, os quais concluíram que uma sessão de exercício resistido pode promover reduções signi?cativas dos níveis sistólicos da pressão arterial. Este efeito também pode ser observado nos estudos de Fagard, Franklin e Pescatello [30], onde foi realizada uma análise dos efeitos do treinamen- to de resistência sobre a pressão arterial em 320 indivíduos, os quais apresentaram reduções signi?cativas de cerca de 3 Para Lopes, Barreto Filho e Riccio [24], o exercício resisti- do com carga moderada promove alterações hemodinâmicas, autonômicas e neuro-humorais que reduzem a pressão arterial no pós-exercício imediato e de maneira sustentada quando sua prática é regular, porém, exercícios com cargas elevadas parecem não promover os mesmos efeitos bené?cos, podendo Marceau, Kouame, Lacourciere, Cleroux [31] realizaram um estudo com exercício resistido utilizando intensidades de leve a moderada, sendo 50% a 70% de uma repetição máxima respectivamente, e obtiveram como resultado re- duções de cerca de 5 mmHg em ambas as pressões o que condiz com a V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial [8], onde preconiza-se que os exercícios de resistência em sujeitos hipertensos devem ser realizados com sobrecarga de até 50% a 60% de 1 repetição máxima, sendo o mesmo interrompido quando a velocidade diminuir antes da fadiga Laterza, Rondon e Negrão [5] recomendam que os exercícios de resistência aplicados ao paciente hipertenso devem ser realizados com freqüência de três ou mais vezes por semana e com 50% a 60% da carga voluntária máxima, sendo estes exercícios realizados como forma complementar ao exercício aeróbio, condizendo com o trabalho de Chinta- nadilok e Lowenthal [32], os quais relatam que os exercícios de resistência devem constar de três a cinco dias por semana, 20 a 30 minutos por sessão, utilizando 50% a 70% da carga voluntária máxima.

Com relação ao número de séries e repetições dos exercícios resistidos, Howley [33] sugere uma série de 8 a 12 repetições para adultos com até 50 anos de idade e 10 a 15 repetições para indivíduos com mais de 50 anos, com intensidade de 95% da carga voluntaria máxima, o que contradiz com as propostas de Fagard e Cornelissen [34], os quais sugerem que os exercícios resistidos devem ser realizados com intensidade de 40% a 60% da carga voluntária máxima, condizendo também com os estudos de Simões, Dionísio e Mazzonetto [3], os quais a?rmam que estes valores de carga voluntária máxima (40 a 60%) podem ser utilizados, pois não impõem Braith e Stewart [27] recomendam que o treinamento de resistência deve utilizar uma intensidade moderada que varia de 30% a 40% a partir do teste de uma repetição máxima, para os exercícios de membros superiores, e 50% a 60% para os membros inferiores, com no mínimo oito a dez repetições, contradizendo os estudos de Fargard e Tipton [35], que re- comendam que os exercícios resistidos sejam realizados com intensidade de 50% a 70% da carga voluntária máxima, Segundo Forjaz et al. [16], os exercícios resistidos podem ser executados em diferentes intensidades, tais como: leves com 40% a 60% da carga voluntária máxima, com 20 a 30 repetições, os quais resultam num aumento da resistência da musculatura envolvida no exercício. Por outro lado, quando os exercícios são realizados em intensidades mais elevadas, acima de 70% da carga voluntária máxima, o número de repetições não pode ser muito alto, cerca de 8 a 12 são su?cientes e resul- Simões, Dionísio e Mazzoneto [3] realizaram um estudo envolvendo seis indivíduos de ambos os sexos, com idade entre 50 e 60 anos, divididos em dois grupos, sendo um grupo submetido a atividades aeróbias e o outro a atividades anae- Eles realizaram cinco tipos de atividades, com 3 séries de 12 repetições para cada uma, e obtiveram como resultado, maior queda da pressão arterial sistólica após a aplicação do exercí- cio anaeróbio e da pressão arterial diastólica após o exercício aeróbio. Estes resultados apóiam aqueles encontrados por Mediano, Paravidino, Simão, Pontes e Polito [29], os quais a?rmam que o exercício de força com intensidade de 50% da carga voluntária máxima pode reduzir a pressão arterial sistólica pós-esforço, tanto em indivíduos normotensos como naqueles hipertensos, o que também condiz com as a?rma- ções de Lopes, Barreto-Filho e Riccio [24], que recomendam que a atividade física constituída por exercício de resistência muscular localizado pode ser realizada com sobrecarga que Forjaz et al. [16] concluem que o treinamento resistido de baixa e moderada intensidade é indicado ao paciente hipertenso em complemento ao exercício aeróbio, enquanto o treinamento resistido de alta intensidade deve ser evitado pelos mesmos.

Sistêmica (HAS) é uma patologia multicausal, associada a um alto índice de comprometimentos sistêmicos. Sua ocorrência está intimamente relacionada a alterações metabólicas, hor- monais e a fenômenos cardiotró?cos. 17. Quanto à perspectiva de atuação dos exercícios de resistên- cia, conclui-se que os mesmos podem ser considerados uma da HAS. Seus efeitos ?siológicos incluem desde a melhora na função muscular, como a redução dos níveis pressóricos, po- Eles devem ser realizados em intensidades leves a moderadas 19. para não proporcionar picos hipertensivos, os quais podem elevar ainda mais o risco cardiovascular destes pacientes. 20. Portanto, pode-se concluir que os exercícios resistidos promo- vem grandes benefícios aos indivíduos hipertensos, devendo ser utilizado como um adjunto aos exercícios aeróbicos para diminuir os fatores de risco, melhorar a capacidade funcional, reduzir o risco de doenças cardíacas e vasculares, bem como proporcionar uma melhora na qualidade de vida destes pacientes. 22.

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Perguntas e respostas Treinamento da força para idosos Aging and strength training

Paulo de Tarso Veras Farinatti*, Nádia Souza Lima da Silva**

*Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde, Instituto de Educação Física e Desportos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Mestrado em Ciências da Atividade Física, Universidade Salgado de Oliveira, ** Laboratório de Atividade Física e Promo- ção da Saúde, Instituto de Educação Física e Desportos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Resumo Este texto teve por objetivo responder a questões freqüentemente levantadas por aqueles que trabalham com prescrição de exercícios para idosos, especi?camente no que toca ao treinamento da força muscular. Como estratégia metodológica optou-se por enunciar dez perguntas sobre diversos temas e respondê-las em linguagem simples, mas procurando não se afastar do rigor cientí?co. Os seguintes aspectos foram abordados: a) possíveis benefícios e riscos do treinamento de força para idosos; b) características da elaboração do treinamento de força para esta população; c) comparação com o treinamento aeróbio no controle do peso e prevenção de doenças; d) Concluiu-se que o treinamento de força pode ser realizado por idosos com segurança, com efeitos positivos não apenas no ganho de força, mas também em uma melhor capacidade de realização das atividades cotidianas e na manutenção da massa magra, contribuindo com a prevenção do acúmulo de gordura corporal. Isso, por si só, tende a diminuir os riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares Palavras-chave: força, envelhecimento, treinamento, saúde.

Abstract The aim of the study was to review the literature on aging and strength training. The adopted methodological strategy was to pick up frequently asked questions by those who deal with exer- cise prescription for the elderly, especially in which concerns the strength training. All the questions were formulated and answered The following aspects were addressed: a) possible bene?ts and risks of strength training for the elderly; b) characteristics of strength training design for this population; c) comparison with aerobic training on weight control and disease prevention; d) relationship of strength training with chronic and degenerative diseases. In conclusion, the review suggests that strength training can be safe for elderly subjects, with positive e?ects on the muscle strength pro?le and daily living activities execution performance, as well on the prevention of lean body mass decrease. Strength training can be considered as an e?ective strategy to improve physical capacity, contributing to prevent cardiovascular and metabolic diseases as Key-words: strength, aging, training, health.

Endereço para correspondência: Paulo Farinatti, Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde, Rua São Francisco Xavier 524, sala 8133-F, 20550-013 Rio de Janeiro RJ, E-mail: farinatt@uerj.br ou pfarinatti@gmail.com.

Introdução Faz parte das preocupações do Laboratório de Atividade Física e Promoção da Saúde (LABSAU) a disseminação de informações sobre temas relativos à prática de atividades fí- sicas pelos idosos. Recentemente, tem ocupado certo espaço na mídia o fato de pessoas de idade iniciarem treinamento contra-resistência ? ou musculação ? em centros como aca- demias de ginástica, clubes e Universidades. Muito é falado e discutido sobre os possíveis benefícios e riscos que podem estar associados a essa prática, despertando a curiosidade dos pro?ssionais que trabalham com esta população e, por que Nesse contexto, o LABSAU desenvolve projeto de ativi- dades físicas para pessoas com mais de 60 anos ? um projeto de extensão denominado `Idosos em Movimento: mantendo a autonomia (Projeto IMMA)'. Esse projeto oferece aos idosos um programa variado, buscando, de forma lúdica e por meio da interação social, trabalhar qualidades físicas necessárias à manutenção da independência funcional. A quantidade de questões que são colocadas nas aulas do Projeto IMMA (tanto pelos idosos participantes quanto pelos estagiários), motivou- nos a escrever esse texto. Seu objetivo é fazer um apanhado do que apresentam os estudos disponíveis na literatura sobre Não se trata de um estudo de revisão, mas de um diálogo do tipo Frequent Asked Questions, no qual foram selecionadas dez questões que se apresentam comumente entre os partici- pantes do Projeto IMMA. Apesar de terem sido trabalhadas em linguagem simples, buscou-se ao mesmo tempo não se afastar do rigor cientí?co. Espera-se, com isso, contribuir para o esclarecimento de dúvidas que pro?ssionais que trabalham junto a pessoas de idade avançada possam ter, dentro de uma abordagem coerente com o que se espera de intervenções junto aos idosos e cursos de formação e extensão universitária, como as conduzidas pelo Projeto IMMA.

Musculação para idosos: dez perguntas e respos- tas Até pouco tempo, atividade física para idosos era mais associada a exercícios aeróbios. Quando e por que se começou a recomendar também a musculação?

De fato, embora o treinamento de força seja aceito há muito como meio para desenvolver a massa e a força muscular, seus benefícios em outras esferas da saúde só foram reconhe- cidos recentemente. Em um passado próximo, costumava-se contra-indicar este tipo de atividade para hipertensos, car- Por exemplo, até 1990 os exercícios de força não constavam das recomendações para exercício e reabilitação da American Heart Association ou do American College of Sports Medicine (ACSM), duas das mais reputadas entidades associadas ao exercício físico. As atividades aeróbias, por sua clara relação com diminuição dos fatores de risco para uma série de doen- Em 1990, o ACSM reconheceu o treinamento da força como um componente importante da aptidão física referencia- da à saúde para adultos de todas as idades, tendo efeitos sobre aspectos tão diversos como a mineralização óssea, sensibilidade à insulina, tolerância à glicose e capacidade cardiovascular [1]. Além disso, revela-se um aliado importante no controle do peso, contribuindo com o aumento da massa muscular e do metabolismo de repouso. Finalmente, há evidências de que o risco de intercorrência cardiovascular no treinamento de força não seria grande, quando comparado ao associado às atividades aeróbias [2,3]. A aceitação deste tipo de treina- mento, com isso, veio aumentando paulatinamente, ao ponto em que, no ano 2000, a American Heart Association publicou um posicionamento defendendo e fornecendo recomendações para o treinamento contra-resistência em indivíduos com e É claro que isso re?etiu sobre todos os grupos antes con- siderados ?de risco? para este tipo de atividade, inclusive os idosos. Hoje, acumulam-se os estudos que demonstram os benefícios que as pessoas de idade avançada podem obter com o treinamento da força muscular, desde prevenção de fatores de risco para doenças variadas até efeitos psicológicos, como a melhoria da auto-estima, passando por aspectos importantes, como a manutenção da autonomia funcional.

Quais os benefícios dos exercícios aeróbios e da musculação Ambas as atividades trazem benefícios. Os exercícios ae- róbios têm uma repercussão maior sobre o sistema cardiorres- piratório ? capacidade de trabalho do coração, capacidade de consumo de oxigênio ?, levando a uma melhoria do potencial geral de trabalho físico. Isso é importante, quando se sabe que a capacidade aeróbia declina com o envelhecimento, poden- do chegar a comprometer a autonomia funcional em idades avançadas. De fato, uma boa capacidade aeróbia é importante para uma vida independente, pois relaciona-se à produção da energia necessária aos processos metabólicos. Se, na juventude, as atividades cotidianas não representam demandas excessivas, as diferenças entre os indivíduos mal ou bem condicionados ?sicamente tornam-se evidentes com a idade: o esforço relativo imposto por tarefas como subir escadas, transportar pesos ou caminhar longas distâncias pode aproximar-se perigosamente da capacidade máxima de trabalho. Finalmente, em longo prazo as atividades aeróbias estão associadas à diminuição de fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas (como a doença coronariana e o diabetes), em razão de alterações posi- tivas do per?l lipídico sangüíneo, da sensibilidade à insulina e Quanto à força, sabe-se que uma das características mais marcantes do processo de envelhecimento é o declínio

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gradual da capacidade de desempenho muscular, fenômeno que constitui uma das causas principais da perda da inde- pendência funcional dos idosos. Efetivamente, a reserva funcional de força pode vir a ser tão reduzida nos idosos, que perdas à primeira vista sem importância podem representar a diferença entre uma vida autônoma ou não ? a função muscular é, inegavelmente, importante para um grande número de atividades do dia a dia. Níveis moderados de força fazem-se necessários para caminhar, transportar com- pras, subir escadas, subir e descer de transportes coletivos, cozinhar, assim como em várias atividades pro?ssionais e de lazer. A manutenção da força muscular contribui para prevenir a instabilidade articular e a osteoporose [7-10], diminuir o risco de quedas [11,12] e mesmo para uma É importante dizer que os dois tipos de atividades podem ter in?uências mútuas. Por exemplo, o aumento da força muscular pode contribuir para a manutenção da capacidade de consumo de oxigênio [14,15]. Além disso, como a massa muscular é o tecido metabolicamente mais ativo do organis- mo, mantê-la signi?ca elevar o metabolismo de repouso e os gastos calóricos diários, ajudando a evitar que o percentual de gordura aumente [16,5]. Isso é importante em programas visando promoção da saúde.

Com base no exposto na questão anterior, é difícil de?nir qual o tipo mais vantajoso de atividade. Por um lado, deve-se reconhecer que as atividades aeróbias têm um efeito mais glo- bal, associando-se tanto à melhoria da aptidão físico-funcional quanto à prevenção de fatores de risco para doenças típicas da velhice. Porém, também é verdade que um dos fenômenos mais marcantes do processo de envelhecimento é a perda da massa muscular, o que pode ser um fator limitante para as próprias atividades aeróbias. A prescrição de uma ou outra atividade depende dos objetivos que se desejam alcançar. Um programa de exercícios para idosos deveria combinar ativida- des aeróbias com certa exigência de força ou contemplar um equilíbrio entre as atividades propostas.

Sim, claro que se pode optar por quaisquer das ativida- des. Contudo, como dito, o ideal seria combiná-las, uma vez tendo efeitos bené?cos mútuos e ambas as qualidades físicas sendo importantes para a manutenção da autonomia funcional. Por outro lado, caso não haja alternativa senão a de indicar apenas uma delas, a opção deveria ser feita pelas atividades aeróbias de intensidade moderada. Isso porque, para a maioria dos idosos, as exigências de força neste tipo de atividade, aliada às atividades cotidianas, já poderia representar uma sobrecarga su?ciente para manter a massa muscular [17,18].

Há estudos que comparem benefícios como condição cardiovascular, perda de peso e gordura, ganho de massa muscular, força e flexibilidade, em exercícios aeróbios e musculação com idosos?

Há estudos que demonstram que tanto os exercícios aeróbios quanto os de força acarretam benefícios mútuos, extensíveis a outras qualidades físicas, em idosos como em qualquer outro grupo. Os temas dessa questão serão discutidos separadamente, para facilitar o entendimento: a) condição cardiovascular: os exercícios aeróbios são os mais indicados com este objetivo, já que são especí?cos para tanto. No entanto, o aumento da massa muscular, com trei- namento da força, pode favorecer ao aumento do potencial de consumo de oxigênio, já que se aumenta o volume de tecido responsável por este consumo. O trabalho isolado de musculação, no entanto, di?cilmente vai ter efeitos importan- tes sobre a condição cardiovascular, a não ser em indivíduos b) perda de peso e gordura: ambas as atividades trazem benefícios neste aspecto. As atividades aeróbias podem ser consideradas como grandes consumidoras de calorias, en- quanto a musculação contribui com o aumento da massa É importante dizer que os dois tipos de atividades podem estar associados a uma elevação do metabolismo de repouso em médio prazo, o que é fundamental para a perda de peso c) ganho de força: evidentemente, a musculação é supe- rior neste sentido. No entanto, atividades aeróbias estão associadas ao ganho de força em indivíduos sedentários, como é o caso freqüente de idosos. Mais ainda, os ganhos de força, mesmo que pequenos, muitas vezes têm grande impacto sobre a autonomia funcional, sobre a capacidade de se realizar as atividades cotidianas [21,22]. De fato, muitas vezes nota-se uma melhoria do potencial para a realização das atividades diárias ? velocidade e padrão da marcha, equi- líbrio dinâmico, levantar-se e sentar-se etc. ?, dependentes das qualidades físicas trabalhadas (força, ?exibilidade, capa- cidade aeróbia), mesmo quando não se consegue perceber variações destas últimas. Ou seja, os efeitos do treinamento em idosos não precisam necessariamente fazer-se sentir em nível micro para que suas in?uências positivas manifestem- d) ?exibilidade: em geral, quanto mais ativa a pessoa, Logo, em princípio, o indivíduo ativo tende a exibir maior ?exibilidade que o sedentário [24]. Isso é bom para o idoso, já que a ?exibilidade é uma das primeiras qualidades físicas que declina com o envelhecimento [25,26]. Cabe lembrar, no entanto, que nem sempre as atividades aeróbias e de musculação envolvem amplitudes de movimento que con- tribuam à manutenção da ?exibilidade. Assim, seria sempre aconselhável a realização de exercícios de alongamento após

as sessões de treinamento, sem procurar atingir amplitudes Todos os idosos podem exercitar-se? Todos podem fazer musculação?

Em princípio, todos os idosos podem exercitar-se, na medida de suas capacidades. É preciso realçar que, quando se fala em exercício, isso compreende um grande espectro de volumes de treinamento, associando intensidade, freqüência e duração das atividades. Assim, raros são os casos em que não se consegue adequar a prescrição às necessidades e poten- cialidades do praticante. No caso da musculação, a não ser na presença de problemas ósteo-mio-articulares sérios, ao ponto de impedir a execução dos gestos dos exercícios, não há por Alguns problemas típicos da idade avançada, como varizes, mialgias ou equilíbrio de?ciente podem ser minorados pela adoção de posições favoráveis de execução dos exercícios ou pela administração de cargas leves. Os riscos cardiovasculares, freqüentemente apontados como motivo para contra-indicar a atividade, na verdade são reduzidos. A sobrecarga mio- cárdica está associada ao aumento da pressão arterial e da freqüência cardíaca no exercício ? o produto entre estas duas variáveis de?ne o que se denomina duplo-produto. Pois bem, o duplo-produto é mais reduzido em exercícios dinâmicos contra-resistência do que em exercícios aeróbios [27,3]. As prováveis razões para isso são um menor pico de freqüência cardíaca no exercício de força e uma melhor perfusão suben- docárdica associadas à alternância de fases dinâmica e estática Apesar de o risco de intercorrência cardiovascular em praticantes de musculação ser reduzido, isso não quer dizer que não exista. Seria, então, aconselhável um exame clínico antes do engajamento em programas de treinamento da força, Da mesma forma, e isso ganha importância quando se trata de grupos com necessidades especiais (como os idosos), o programa deveria ser elaborado por pro?ssional de educação física com quali?cação e experiência especí?ca.

Existe uma preferência dos idosos por um ou outro tipo de Freqüentemente, a principal motivação do idoso em engajar-se em programas de atividades físicas é a busca por atividades em grupo, a interação social com outros de mesma idade [28]. Di?cilmente atividades individuais atingem uma adesão prolongada, o que, aliás, acontece em muitos locais A musculação, particularmente, tem esse problema, é uma atividade extremamente solitária ? muito da motivação dos que a praticam é o resultado obtido, principalmente em termos estéticos, objetivos estes que, a literatura demonstra, são secundários para os idosos [29]. Deveriam ser traçadas estratégias de engajamento dos idosos em grupos nos quais se sintam bem, com que possam interagir durante as sessões de treinamento, sob pena de fracasso em longo prazo.

A prescrição de exercícios de força para idosos é muito diferente da feita para adultos jovens? O que difere basicamente?

Não há grandes diferenças na prescrição de exercícios de for- ça entre adultos jovens e idosos. A administração de sobrecargas, ordenação dos exercícios e técnicas de execução são basicamente as mesmas. A única observação que se poderia fazer é que, como as séries de musculação estão associadas à produção de ácido lático, metabolizado mais lentamente pelos idosos, os períodos O que permanece inde?nido, porém, é a forma pela qual os idosos respondem ao treinamento da força, ou seja, até que ponto vai a sua treinabilidade. A literatura indica que programas de exercícios contra-resistência para idosos são altamente e?cazes, principalmente em razão de que, Assim, alguns estudos puderam relatar aumentos da força em músculos como o quadríceps, da ordem de 150 a 240% em Acontece que, em um período inicial, os ganhos de força se dão principalmente pela otimização da coordenação neuro- muscular (o que se chama componente neural da força) e não por aumento do volume da musculatura (componente hipertró?co) [33]. Este segundo componente começaria a predominar após cerca de dez semanas de treinamento, quando os ganhos de força passam a ser sensivelmente mais lentos. O que não se sabe, hoje, é se os idosos têm potencial para ganhar força em treinamentos de prazo longo, ou seja, se têm boa treinabilidade quando o componente hipertró?co predomina. São poucos os estudos com amostragem e tem- po su?cientes para que se chegue a uma conclusão: alguns sugerem que haja um platô, outros que a melhoria, apesar de Assim, geralmente, os idosos exibem ganhos muito rápidos no início dos programas de treinamento, o que vai declinando até o ponto que, em programas de longo prazo, Deve-se estar preparado para o fato de os indivíduos, a partir de determinado estágio de treinamento, demorarem mais a exibir efeitos observáveis. Isso deve ser levado em conta no planejamento e avaliação das atividades. Sabendo-se disso, uma boa estratégia seria a variação dos exercícios, trabalhando múltiplos grupamentos musculares, mudando a ênfase da aplicação das cargas assim que se constatasse uma estabilização prolongada da força em um exercício qualquer. Um outro benefício disso, no caso de desmineralização óssea, seria a variação dos vetores de força, favorecendo o reforço do osso em diferentes angulações.

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Sim, as cargas podem ser altas para os idosos. Aliás, como a prescrição do exercício é basicamente a mesma, elas são se- Quer dizer, um determinado percentual da carga máxima pode corresponder a pesos absolutos menores, mas a cargas relativas similares. Isso é determinado em função do estado físico individual, não da idade. Um comentário adicional que pode ser feito, diz respeito à contraposição que se faz entre poucas repetições e cargas altas e muitas repetições com cargas baixas. Na verdade, uma prescrição mais segura deveria afastar-se destes extremos. Cargas muito elevadas, com poucas repetições, impõem um estresse demasiado à estrutura ósteo- articular dos idosos, não raro mais frágil que a de jovens. Além disso, cargas elevadas representam contrações isométricas Por outro lado, cargas baixas com demasiadas repetições Outro risco associado a esse tipo de prescrição é o aumento da carga imposta ao miocárdio [3], o que não seria desejá- vel. O treinamento da força é uma atividade razoavelmente segura, em virtude de seu caráter intermitente, mas muitas repetições induzem a uma situação semelhante à observada nas atividades de longa duração, aumentando as necessidades de monitorização do exercício. Idealmente, é indicado trabalhar com cargas intermediárias, que possam melhorar igualmente a força máxima e a resistência muscular, com riscos reduzidos de intercorrências cardiovasculares e/ou ósteo-mio-articulares.

O risco de lesões e acidentes é maior entre idosos? Como Em virtude dos efeitos do processo de envelhecimento sobre a estrutura óssea, articular e cardiovascular, o risco de lesões é maior entre idosos. Isso se torna ainda mais eviden- te quando se sabe que os períodos de recuperação entre as sessões de treinamento tendem a ser mais longos para este grupo. Se precauções não forem tomadas, situações de super- treinamento (overtraining) podem ocorrer, potencializando o Muitas providências podem ser tomadas para prevenir os riscos de lesões em idosos praticantes de musculação. É impor- tante realizar um exame clínico, levantando principalmente as condições ósseas, articulares, musculares e cardiovasculares. O pro?ssional de educação física deve levar em consideração estas informações não apenas para liberação dos praticantes para a atividade, mas para planejá-las. Algumas situações patológicas especí?cas, com a respectiva providência para diminuir o risco de acidentes são listadas a seguir [23,37,38]: Aumentar as cargas gradativamente, dedicando especial aten- ção à técnica de execução dos movimentos, para otimizar os vetores de força sobre os ossos e diminuir os riscos de fraturas.

No entanto, deve-se lembrar que cargas altas são necessárias b) Artrose: enfatizar a condução dos movimentos de forma lenta, até o máximo possível de sua amplitude e respeitando os limites da dor. Nestes casos, a administração das cargas é secundária, devendo-se valorizar a manutenção do arco c) Varizes: optar sempre pela posição de realização dos exercícios que mais facilite o retorno venoso. Como isso, freqüentemente, está relacionado à posição deitada, ter aten- ção aos riscos de hipotensão postural. Evitar cargas muito altas, associadas a contrações estáticas ou demasiadamente d) Hipertensão: os níveis de pressão arterial devem estar obrigatoriamente controlados. Evitar cargas altas, pois con- trações intensas, longas ou estáticas, provocam picos hiper- e) Diabetes: a glicemia deve estar obrigatoriamente con- trolada. Observar atentamente sinais de hipoglicemia durante as sessões, principalmente na parte da manhã. O diabético deveria evitar tomar insulina cuja ação máxima coincida com o momento do treinamento, além de ser aconselhável não f ) Cardiopatias: apesar do pouco risco de intercorrências em cargas moderadas e número não excessivo de repetições, o cardiopata deveria realizar o treinamento da força em clínicas especializadas, com capacidade de monitorização cardíaca do esforço e de intervenção imediata. As cargas são, em geral, moderadas. O número de repetições não deve ser excessivo, devido à maior sobrecarga miocárdica. Uma boa opção é dividir as séries em duas partes, intercalando períodos de Fora isso, pode-se mencionar algumas recomendações gerais: Trabalhar com faixas intermediárias, de 8 a 12 repetições De forma geral, ordenar os exercícios dos grandes para os pequenos grupamentos musculares. Nos idosos, isso parece diminuir o acúmulo de ácido lático e a fadiga durante a sessão, Evitar interferir no tempo de recuperação entre as séries e os exercícios, alongando-os tanto quanto possível. Lembrar Velocidades altas aumentam os riscos de lesão articular, di?- Evitar mudanças bruscas de posição (sentado, deitado, em Evitar exercícios com equilíbrio instável (tipo agachamen- Evitar bloquear a respiração quando da aplicação da tensão muscular (manobra de Valsalva), em virtude do aumento a da pressão arterial e da pressão intratorácica, com elevação da

sobrecarga cardíaca e limitação do retorno venoso durante a 5. exercícios quando constatada uma estabilização por longos 7.

Conclui-se que o trabalho de força direcionado aos idosos, quando bem administrado, traz efeitos positivos não apenas capacidade de realização das atividades cotidianas. Uma maior reserva de força nas tarefas do dia-a-dia, certamente, terá in?uências no per?l de autonomia funcional do indivíduo Além disso, a manutenção da massa magra, provavel- mente, tem repercussões positivas sobre as taxas metabólicas 11. basais, contribuindo com a prevenção do acúmulo de gordura corporal. Isso, por si só, tende a diminuir os riscos para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas, 12. Vem sendo demonstrado que o trabalho com pesos em níveis moderados, longe dos extremos de repetição ou carga, 13. implica menos riscos para intercorrências cardiovasculares que as próprias atividades aeróbias. Assim, o treinamento da força vem sendo aceito ? e até indicado ? para populações para as quais era contra-indicado até um passado recente. É comum ver centros em que pacientes hipertensos, cardiopa- tas, diabéticos, portadores de osteoporose realizam atividades 15. O mesmo é observado em indivíduos idosos. No entanto, em sendo uma prática recente, muitas dúvidas ainda persis- 16. tem, como as referentes às possibilidades de treinabilidade da força em longo prazo. Por outro lado, algumas certezas já se con?guram ? dentre elas, o fato de que o treinamento muito, os riscos que porventura possam existir.

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Normas de publicação Fisiologia do Exercício A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício é uma publicação com periodicidade bimestral e está aberta para a publicação e divulgação de artigos cientí?cos das áreas relacionadas à atividade Os artigos publicados na Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício poderão também ser publicados na versão eletrônica da revista (Internet) assim como em outros meios eletrônicos (CD-ROM) ou outros que surjam no futuro, sendo que pela A Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício assume o ?estilo Vancouver? (Uniform requirements for manuscripts submitted to biomedical journals) preconizado pelo Comitê Internacional de Diretores de Revistas Médicas, com as especi?cações que são detalhadas a seguir. Ver o texto completo em inglês desses Requisitos Uniformes no site do International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE), www.icmje.org, na versão atualizada de outubro de 2007 (o texto completo dos requisitos está disponivel, em inglês, no site de Atlântica Editora em Os autores que desejarem colaborar em alguma das seções da revista podem enviar sua contribuição (em arquivo eletrônico/e- mail) para nossa redação, sendo que ?ca entendido que isto não O Comitê Editorial poderá devolver, sugerir trocas ou retorno de acordo com a circunstância, realizar modi?cações nos textos recebidos; neste último caso não se alterará o conteúdo cientí?co, limitando-se unicamente ao estilo literário.

1. Editorial Trabalhos escritos por sugestão do Comitê Cientí?co, ou por Extensão: Não devem ultrapassar três páginas formato A4 em corpo (tamanho) 12 com a fonte English Times (Times Roman) com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, sobrescrito, etc; a bibliogra?a não deve conter mais que dez referências.

2. Artigos originais São trabalhos resultantes de pesquisa cientí?ca apresentando dados originais de descobertas com relação a aspectos experimentais ou observacionais, e inclui análise descritiva e/ou inferências de dados próprios. Sua estrutura é a convencional que traz os seguintes itens: Introdução, Material e métodos, Texto: Recomendamos que não seja superior a 12 páginas, formato A4, fonte English Times (Times Roman) tamanho 12, com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, Tabelas: Considerar no máximo seis tabelas, no formato Excel/ Figuras: Considerar no máximo 8 ?guras, digitalizadas (formato .tif ou .gif ) ou que possam ser editados em Power-Point, Excel, Bibliografia: É aconselhável no máximo 50 referências bibliográ?cas.

Os critérios que valorizarão a aceitação dos trabalhos serão o de rigor metodológico cientí?co, novidade, originalidade, concisão da exposição, assim como a qualidade literária do texto.

3. Revisão Serão os trabalhos que versem sobre alguma das áreas relacionadas à atividade física, que têm por objeto resumir, analisar, avaliar ou sintetizar trabalhos de investigação já publicados em revistas cientí?cas. Quanto aos limites do trabalho, aconselha-se o mesmo dos artigos originais.

4. Atualização ou divulgação São trabalhos que relatam informações geralmente atuais sobre tema de interesse dos pro?ssionais de Educação Física (novas técnicas, legislação, etc) e que têm características distintas de um artigo de revisão.

5. Relato ou estudo de caso São artigo de dados descritivos de um ou mais casos explorando um método ou problema através de exemplo. Apresenta as características do indivíduo estudado, com indicação de sexo, idade e pode ser realizado em humano ou animal.

6. Comunicação breve Esta seção permitirá a publicação de artigos curtos, com maior rapidez. Isto facilita que os autores apresentem observações, resultados iniciais de estudos em curso, e inclusive realizar comentários a trabalhos já editados na revista, com condições de Texto: Recomendamos que não seja superior a três páginas, formato A4, fonte English Times (Times Roman) tamanho 12, com todas as formatações de texto, tais como negrito, itálico, Tabelas e ?guras: No máximo quatro tabelas em Excel e ?guras digitalizadas (formato .tif ou .gif ) ou que possam ser editados em Power Point, Excel, etc Bibliografia: São aconselháveis no máximo 15 referências bibliográ?cas.

7. Resumos Nesta seção serão publicados resumos de trabalhos e artigos inéditos ou já publicados em outras revistas, ao cargo do Comitê Cientí?co, inclusive traduções de trabalhos de outros idiomas.

8. Correspondência Esta seção publicará correspondência recebida, sem que necessariamente haja relação com artigos publicados, porém Caso estejam relacionados a artigos anteriormente publicados, será enviada ao autor do artigo ou trabalho antes de se publicar Texto: Com no máximo duas páginas A4, com as especi?cações anteriores, bibliogra?a incluída, sem tabelas ou ?guras.

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3. Autoria Todas as pessoas consignadas como autores devem ter participado do trabalho o su?ciente para assumir a responsabilidade pública O crédito como autor se baseará unicamente nas contribuições essenciais que são: a) a concepção e desenvolvimento, a análise e interpretação dos dados; b) a redação do artigo ou a revisão crítica de uma parte importante de seu conteúdo intelectual; c) a aprovação de?nitiva da versão que será publicada. Deverão ser cumpridas simultaneamente as condições a), b) e c). A participação exclusivamente na obtenção de recursos ou na coleta de dados não justi?ca a participação como autor. A supervisão Os Editores podem solicitar justi?cativa para a inclusão de autores durante o processo de revisão do manuscrito, especialmente se o total de autores exceder seis.

4. Resumo e palavras-chave (Abstract, Key-words) Na segunda página deverá conter um resumo (com no máximo 150 palavras para resumos não estruturados e 200 palavras para O conteúdo do resumo deve conter as seguintes informações: - Procedimentos básicos empregados (amostragem, metodologia, - Descobertas principais do estudo (dados concretos e - Conclusão do estudo, destacando os aspectos de maior Em seguida os autores deverão indicar quatro palavras-chave para facilitar a indexação do artigo. Para tanto deverão utilizar os termos utilizados na lista dos DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) da Biblioteca Virtual da Saúde, que se encontra no endereço Internet seguinte: http://decs.bvs.br. Na medida do possível, é melhor usar os descritores existentes.

5. Agradecimentos Os agradecimentos de pessoas, colaboradores, auxílio ?nanceiro e material, incluindo auxílio governamental e/ou de laboratórios farmacêuticos devem ser inseridos no ?nal do artigo, antes as referências, em uma secção especial.

6. Referências As referências bibliográ?cas devem seguir o estilo Vancouver de?nido nos Requisitos Uniformes. As referências bibliográ?cas devem ser numeradas por numerais arábicos entre parênteses e relacionadas em ordem na qual aparecem no texto, seguindo as seguintes normas: Livros - Número de ordem, sobrenome do autor, letras iniciais de seu nome, ponto, título do capítulo, ponto, In: autor do livro (se diferente do capítulo), ponto, título do livro (em grifo - itálico), ponto, local da edição, dois pontos, editora, ponto e vírgula, ano Exemplo: New-York: Raven press; 1995. p.465-78.

Artigos ? Número de ordem, sobrenome do(s) autor(es), Título do trabalha, ponto. Título da revista ano de publicação seguido de ponto e vírgula, número do volume seguido de dois pontos, páginas inicial e ?nal, ponto. Não utilizar maiúsculas ou itálicos. Os títulos das revistas são abreviados de acordo com o Index Medicus, na publicação List of Journals Indexed in Index Medicus ou com a lista das revistas nacionais, disponível no site da Biblioteca Virtual de Saúde (www.bireme.br). Devem ser citados todos os autores até 6 autores. Quando mais de 6, colocar Exemplo: Yamamoto M, Sawaya R, Mohanam S. Expression and localization of urokinase-type plasminogen activator receptor in human gliomas. Cancer Res 1994;54:5016-20.

Os artigos, cartas e resumos devem ser enviados para: Guillermina Arias - E-mail: artigos@atlanticaeditora.com.br

Calendário de eventos 2009 Janeiro 10 a 14 de janeiro XXIVº Congresso Internacional de Educação Física Foz de Iguaçu, PR Informações: www.congressofiep.com

Fevereiro 11 a 14 de fevereiro XIIIo Simpósio Brasileiro de Fisiologia Cardiovascular Ouro Preto, MG Informações: www.xiiisbfc.ufop.br

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Junho 11 a 13 de junho de 2009 XIIIo Congresso Paulista de Educação Física Jundiai, São Paulo Informações: www.editorafontoura.com.br

Novembro 6 a 8 de novembro XIIIº Simpósio Internacional de Atividades Físicas do Rio de Janeiro - SIAFis RJ Rio de Janeiro, RJ Informações: 2295-5340, www.ipcfex.ensino.eb.br 24 a 25 de novembro III Seminário de Pesquisa em Ciências da Atividade Física da Universo Niterói, RJ Tel: (021) 3604-6396

Cursos Janeiro 24 a 31 de janeiro CTE- Centro de Treinamento Esportivo Tel: (11) 2714-5677/2714-5664 Informações: www.institutophorte.com.br E-mail: phorte@phorte.com

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