apostila Tecnicas de Construção Civil

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PREFÁCIO Estas anotações de aulas, compiladas em forma de apostila, tem o intuito de facilitar a consulta e o acompanhamento da disciplina de Técnicas das Construções Civis e Construções de Edifícios da Faculdade de Ciências Tecnológicas da P.U.C. Campinas e Faculdade de Não houve pretensão de escrevê-la para ser publicada como livro, mas sim reuniram coletânea, conhecimentos extraídos de livros, catálogos, informativos, pesquisas, palestras, Contém um bom número de exemplos e informações gerais úteis para que, ao projetar ou edificar, se esteja atento para não cometer os erros mais graves, que são encontrados em Espera-se que, de alguma forma, se contribua para acrescentar algo de novo aos não iniciados e se mostre a importância do assunto, para que nos futuros projetos, seja dedicado algum tempo, com cuidados necessários às técnicas das edificações, contribuindo para tornar melhor e mais amena a vida, o que constitui o principal objetivo da ciência.

APÓS ESTUDAR ESTE CAPÍTULO; VOCÊ DEVERÁ SER CAPAZ DE: · Utilizando métodos simples, definir a planimetria e a altimetria de um terreno; · Utilizar melhor a topografia dos terrenos.

1.1 – ESTUDO COM O CLIENTE Sabemos que para se executar qualquer projeto devemos antes de mais nada, realizar uma entrevista com o interessado em executar qualquer tipo de construção. No nosso caso, será o cliente, juntamente com os seus familiares, pois vamos nos ater a pequenas obras Devemos considerar que geralmente o cliente é praticamente leigo, cabendo então ao profissional orientar esta entrevista, para obter o maior número possível de dados. Para nos auxiliar na objetividade da entrevista inicial com o cliente, damos abaixo um possível modelo de questionário (Tabela 1,.1), que tem a função de orientar evitando esquecimentos.

Tabela 1.1 – Modelo de questionário PROJETO RESIDENCIAL nº _______ I Dados do cliente: Nome:________________________________________________________________________ End. Res.:____________________________________CEP _____________ Fone ___________ End. Com.:___________________________________CEP _____________ Fone ___________ CPF: ________________________________RG: _____________________________________ Nome Esp.:____________________________________________________________________ End. Com.:____________________________________________________________________ Prof. Ele: _______________________________ Ela __________________________________ II Dados do Terreno Localização: Medidas: Frente _____________ LE _____________ LD ____________ Fundo ____________ Rua: ________________________________ CEP ____________Bairro: __________________ Lote: _______________ Quadra: ________________ Quarteirão: ________________________ Larg. da rua: ____________ Tipo de Pav.: _______________ nº casas Viz. ________________ Largura do passeio:__________________ Inclinação do Terreno: Plano Inclinação lateral Sobe para os Fundos Suave Esquerda Desce para os Fundos Forte Direita

Local de passagem da rede de Água Centro LE LD Local de passagem da rede de Esgoto Centro LD LD LE LD Fundos Nível econômico das construções no local Alto Médio Popular croquis

III Restrição da Prefeitura Recuos obrigatórios: de frente ___________________ lateral _____________________ de fundo ___________________ % da área ocupada: _________________________________ zona ______________________ Outros ______________________________________________________________________ IV Da Futura Construção Nº de Pav.: _________________ Área aprox. de construção: _______________ m2 Estilo: __________________________________________________________ Nº de usuários: ___________________ sexo idade

Verba disponível: ______________________________________ Peças Med. Aprox Pisos Paredes Tetos Portas Janelas

Revestimento Externo: Pisos: ______________________________Paredes: __________________________________ Fachada: ___________________________ Muro: ___________________________________ Detalhes: _____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________

Este modelo de questionário poderá ser preenchido parcialmente durante a entrevista. Não é possível seu preenchimento completo, pois é útil e indispensável uma visita ao terreno, antes de iniciarmos o projeto.

1.2 – EXAME LOCAL DO TERRENO Sem sabermos as características do terreno, é quase impossível executar-se um bom As características ideais de um terreno para um projeto econômico são: b) Ter dimensões tais que permita projeto e construção de boa residência; i) Evitar terrenos que foram aterrados sobre materiais sujeitos a decomposição orgânica.

Mas como nem sempre estas características são encontradas nos lotes urbanos, devemos levá-las em consideração quando da visita ao lote, levantando os seguintes pontos: a) Deve-se identificar no local o verdadeiro lote adquirido segundo a escritura, b) Verificar junto a Prefeitura da Municipalidade, se o loteamento onde se situa o d) Situação do lote dentro da quadra, medindo-se a distância da esquina ou f) Verificar se existem benfeitorias.(água, esgoto, energia) g) Sendo o terreno com inclinação acentuada, em declive, verificar se existe viela- h) Verificar se passa perto do lote, linha de alta tensão, posição de postes, bueiros, i) Verificar se existe faixa non edificandi .( de não construção) Obs.: Todos esses dados poderão ser acrescidos no questionário anterior.

Geralmente, estes dados colhidos na visita ao terreno não são os suficientes, e na maioria das vezes, devemos pedir previamente que se execute uma limpeza do terreno e um levantamento plani-altimétrico.

Temos algumas modalidades para limpeza do terreno, que devemos levar em consideração e sabermos defini-las: 1.3.1 – Carpir – Quando a vegetação é rasteira e com pequenos arbustos, usando para 1.3.2 – Roçar – Quando além da vegetação rasteira, houver árvores de pequeno porte, 1.3.3 – Destocar – Quando houver árvores de grande porte, necessitando desgalhar, cortar ou serrar o tronco e remover parte da raiz. Este serviço pode ser Os serviços serão executados de modo a não deixar raízes ou tocos de árvore que possam dificultar os trabalhos. Todo material vegetal, bem como o entulho terão que ser removidos do canteiro de obras.

1.4 – LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO DE LOTES URBANOS O levantamento topográfico é geralmente apresentado através de desenhos de planta Deve retratar a conformação da superfície do terreno, bem como as dimensões dos lotes, com a precisão necessária e suficiente proporcionando dados confiáveis que, interpretados e manipulados corretamente, podem contribuir no desenvolvimento do projeto arquitetônico e de implantação (Pinto Jr.et al, 2001)

1.4.1 – MEDIDAS DO TERRENO (LEVANTAMENTO PLANIMÉTRICO) Executada a limpeza do terreno e considerando que os projetos serão elaborados para um determinado terreno, é necessário que se tenha as medidas corretas do lote, pois nem sempre as medidas indicadas na escritura conferem com as medidas reais. Apesar de não pretendermos invadir o campo da topografia, vamos mostrar em alguns Os terrenos urbanos, são geralmente de pequena área possibilitando, portando, a sua medição sem aparelhos ou processos próprios da topografia desde que se tenha uma referência (casa vizinha, esquina, piquetes etc). No entanto, casos mais complexos, sem referência, necessitamos de um levantamento executado por profissional de topografia.

a) Lote regular Geralmente em forma de retângulo, bastando portanto medir os seus “quatro” lados, e usar o valor médio, caso as medidas encontradas forem diferentes as da escritura.(Figura 1.1).

Figura 1.1-Lote regular Obs. Para verificar se o lote está no esquadro, devemos medir as diagonais que deverão ser iguais.

b) Lote irregular com pouco fundo Figura 1.2-Lote irregular com pouco fundo

c) Lote irregular com muita profundidade Neste caso, a medição da diagonal se torna imperfeita devido a grande distância Convém utilizar um ponto intermediário “A” diminuindo assim o comprimento da diagonal (Figura 1.3).

d) Lote com um ou mais limites em curva Para se levantar o trecho em curva, o mais preciso será a medição da corda e da flecha Nestes casos devemos demarcar as divisas retas até encontrarmos os pontos do início e E com o auxílio de um desenho (realizado no escritório) construir a curva a partir da determinação do centro da mesma utilizando a flecha e a corda (Figura 1.4).

c = corda f = flecha Construção da curva

Figura 1.4-Lote com setor curvo 1.5 – NIVELAMENTO (LEVANTAMENTO ALTIMÉTRICO) É de grande importância para elaborarmos um projeto racional, que sejam aproveitadas Podemos identificar a topografia do lote através das curvas de níveis.

A curva de nível é uma linha constituída por pontos todos de uma mesma cota ou altitude de uma superfície qualquer. Quando relacionadas a outras curvas de nível permite comparar as altitudes e se projetadas sobre um plano horizontal podem apresentar as ondulações, depressões, inclinações etc. de uma superfície (Figura 1.5) Podemos observar na Figura 1.5 que quando mais inclinada for a superfície do terreno, as distâncias entre as curvas serão menores, menos inclinada as distâncias serão maiores d1 < d2.

3,0 d1 2,01,0 1,0 RN 0,0 2,0 1,0 1,0 RN 0,0 3,0 2,0

3,0 2,0 d2 Figura 1.5-Representação de curva de nível (Pinto Jr.et al, 2001)

As curvas de níveis são elaboradas utilizando aparelhos topográficos que nos fornecem Este levantamento não é muito preciso, quando utilizamos métodos simples para a sua execução (descritos nos itens 1.5.1; 1.5.2; 1.5.3), mas é o suficiente para construção residencial unifamiliar, que geralmente utilizam pouco terreno. Caso seja necessário algo mais rigoroso, devemos fazer um levantamento com aparelhos recorrendo a um topógrafo.

Geralmente é suficiente tirar um perfil longitudinal e um transversal do terreno, mas nada nos impede de tirarmos mais, caso necessário.

Nos métodos descritos abaixo se usa basicamente balizas com distância uma da outra no máximo de 5,0m, ou de acordo com a inclinação do terreno. Terrenos muito íngremes a distância deverá ser menor e terrenos com pouca inclinação podemos utilizar as balizas na distância de 5,0 em 5,0m.

Alguns métodos para levantarmos o perfil do terreno: a) Com o nível e Abney ( clinômetro) b) Com o nível de mão c) Com o nível de mangueira 1.5.1) Com uso do clinômetro (Nível de Abney) Materiais: - clinômetro

- 2 balizas - trena Figura 1.6-Clinômetro ou Nível de Abney (Borges, 1972)

Coloca-se o clinômetro (Figura 1.8), na 1ª baliza a uma altura de 1,50m (ponto A). Inclina-se o tubo do clinômetro para avistarmos o ponto B. Pela ócula se vê a bolha e giramos o parafuso até colocá-la na vertical e produzirá sobre a graduação e leitura do Resta medir a distância horizontal "d" ou a inclinada "m".

Figura 1.7-Clinômetro inclinado proporcionando a leitura (Borges, 1972)

Figura 1.8-Realização das medidas utilizando o Clinômetro (Borges, 1972) 1.5.2) Nível de bolha - régua - trena.

O método da mangueira é um dos mais utilizados. Fundamenta-se no princípio dos vasos comunicantes, que nos fornece o nível. Este é o método que os pedreiros utilizam para nivelar a obra toda, desde a marcação da obra até o nivelamento dos pisos, batentes, azulejos etc...

A mangueira deve ter pequeno diâmetro, parede espessa para evitar dobras e ser Para uma boa marcação ela deve estar posicionada entre as balizas, sem dobras ou bolhas no seu interior. A água deve ser colocada lentamente para evitar a formação de bolhas.

Materiais: - Mangueira - 2 balizas - Trena Figura 1.10 - Processo da mangueira de nível

Para facilitar a medição, podemos partir com o nível d'água em uma determinada altura "h" em uma das balizas, que será descontada na medida encontrada na segunda baliza. Fazemos isso para não precisarmos colocar o nível d'água direto no ponto zero (próximo do terreno), o que dificultaria a leitura e não nos forneceria uma boa medição.

Exemplos de medição com mangueira: · Em terrenos com aclive · Em terrenos com declive

a) Terreno em aclive: Htot = h1 + h2 + hn Figura 1.11 - Levantamento altimétrico em terreno com aclive

b) Terreno em declive: Htot = h1 + h2 + hn Figura 1.12 - Levantamento altimétrico em terreno com declive

ANOTAÇÕES 1 - Devemos ter o cuidado de não deixar nenhuma bolha de ar dentro da mangueira, 2 - A mangueira deve ser transparente, e de pequeno diâmetro, da ordem de ? 1/4" ou 3 - A espessura da parede da mangueira deve ser espessa para evitar dobras

Figura 1.13 - Posição da água quando não existe bolhas Obs: Quando existe bolhas de ar a água da mangueira não fica nivelada como indicado na Figura 1.13

APÓS ESTUDAR ESTE CAPÍTULO; VOCÊ DEVERÁ SER CAPAZ DE: 2.1 - TERRAPLENAGEM Efetuado o levantamento planialtimétrico, temos condições de elaborar os projetos e Começamos pelo acerto da topografia do terreno, de acordo com o projeto de implantação e o projeto executivo.

Podemos executar, conforme o levantamento altimétrico, cortes, aterros, ou ambos: 2.1.1 - Cortes: No caso de cortes, deverá ser adotado um volume de solo correspondente à área da seção multiplicada pela altura média, acrescentando-se um percentual de empolamento (Figura 2.1). O empolamento é o aumento de volume de um material, quando removido de seu estado natural e é expresso como uma porcentagem do volume no corte. Relacionamos na Tabela 2.1 alguns empolamentos.

Tabela 2.1 - Relação de Empolamentos materiais % Argila natural 22 Argila escavada, seca 23 Argila escavada, úmida 25 Argila e cascalho seco 41 Argila e cascalho úmido 11 Rocha decomposta 75% rocha e 25% terra 50% rocha e 50% terra 25% rocha e 75% terra 43 33 25 Terra natural seca 25 Terra natural úmida 27 Areia solta, seca 12 Areia úmida 12 Areia molhada 12 Solo superficial 43 OBS.: Quando não se conhece o tipo de solo, podemos considerar o empolamento entre 30 a 40%

Vc = Ab . hm . 1,4 Sendo Ab = área de projeção do corte hm= altura média

Figura 2.1 - Corte em terreno O corte é facilitado quando não se tem construções vizinhas, podendo faze-lo maior. Mas quando efetuado nas proximidades de edificações ou vias públicas, devemos empregar métodos que evitem ocorrências, como: ruptura do terreno, descompressão do terreno de fundação ou do terreno pela água.

No corte os materiais são classificados em: - materiais de 1ªcategoria: terra em geral, piçarra ou argila, rochas em - materiais de 2ª categoria: rocha com resistência à penetração mecânica inferior ao - Materiais de 3ª categoria: rochas com resistência à penetração mecânica igual ou superior ao granito.

2.1.2 - Aterros e reaterros: No caso de aterros, deverá ser adotado um volume de solo correspondente a área da seção multiplicada pela altura média, acrescentando em torno de 30% devido a contração considerada que o solo sofrerá, quando compactado (Figura 2.2).

Va = Ab . hm . 1,3 Sendo Ab = área de projeção do corte hm= altura média Figura 2.2 - Aterro em terreno

Para os aterros as superfícies deverão ser previamente limpas, sem vegetação nem entulhos. O material escolhido para os aterros e reaterros devem ser de preferência solos arenosos, sem detritos, pedras ou entulhos. Devem ser realizadas camadas sucessivas de no máximo 30 cm, devidamente molhadas e apiloadas manual ou mecanicamente.

Após o terreno limpo e com o movimento de terra executado, O canteiro é preparado de acordo com as necessidades de cada obra. Deverá ser localizado em áreas onde não atrapalhem a circulação de operários veículos e a locação das obras.

No mínimo devemos fazer um barracão de madeira, chapas compensadas, ou ainda containers metálicos que são facilmente transportados para as obras com o auxílio de um caminhão munck.

Nesse barracão serão depositados os materiais (cimento, cal, etc...) e ferramentas, que Áreas para areia, pedras, tijolos, madeiras, aço, etc...deverão estar próximas ao ponto de utilização, tudo dependendo do vulto da obra, sendo que nela também poderão ser construídos escritórios, alojamento para operários, refeitório e instalação sanitária, bem como distribuição de máquinas, se houver.

Em zonas urbanas de movimento de pedestres, deve ser feito um tapume, "encaixotamento" do prédio, com tábuas alternadas ou chapas compensadas, para evitar que materiais caiam na rua.

O dimensionamento do canteiro compreende o estudo geral do volume da obra, o tempo de obra e a distância de centros urbanos. Este estudo pode ser dividido como segue: · Prazos a serem atendidos.

Deverá ser providenciada a ligação de água e construído o abrigo para o cavalete e Ouso da água é intensivo para preparar materiais no canteiro. Ela serve também para a Não existindo água, deve-se providenciar abertura de poço de água, com os seguintes cuidados: b) - o mais distante possível de fossas sépticas e de poços negro, isto é, nunca a c) - o local deve ser de pouco trânsito, ou seja, no fundo da obra, deixando-se a frente para construção posterior da fossa séptica.

Deve-se providenciar a ligação de energia. As instalações elétricas nos canteiros de obras são realizadas para ligar os equipamentos e iluminar o local da construção, sendo desfeitas após o término dos serviços. Mas precisam ser feitas de forma correta, para que sejam seguras.

Antes do início da obra, é preciso saber que tipo de fio ou cabo deve ser usado, onde ficarão os quadros de força, quantas máquinas serão utilizadas e, ainda, quais as ampliações que serão feitas nas instalações elétricas.

2.2.1 - Exemplo de barracão para obra de pequeno porte Utilizando chapas compensadas, pontalete de eucalipto ou caibros 8x8, e telhas de fibrocimento podemos montar um barracão de pequenas dimensões, desmontável para utilizar em obras, como segue (figura 2.3):

Aproveitamento das chapas compensadas: Tabela 2.2 - Relação de materiais para execução de barracão para pequenas obras Quant. un Descrição 03 un Pontaletes ou caibros de 3,00m 03 un Pontaletes ou caibros de 3,50m 16 pç Chapas de compensado 6,0 ou 10,0mm 11 pç Telhas fibrocimento 4,0mm de 0,50x2,44 11 pç Telhas fibrocimento 4,0mm de 0,50x1,22 01 pç Viga 6x12 de 5,0m 60 m Sarrafo de 7,0cm 01 pç Cadeado médio 0,5 m Corrente 03 pç Dobradiças 0,5 kg Prego 15x15 0,3 kg Prego 18x27

2.3 - LOCAÇÃO DA OBRA Podemos efetuar a locação da obra, nos casos de obras de pequeno porte, com métodos simples, sem o auxílio de aparelhos, que nos garantam uma certa precisão. No entanto, os métodos descritos abaixo, em caso de obras de grande área, poderão acumular erros, sendo conveniente, portanto, o auxílio da topografia.

Os métodos mais utilizados são: · Processo da tábua corrida (gabarito)

Os alinhamentos são fixados por pregos cravados em cavaletes. Estes são constituídos de duas estacas cravadas no solo e uma travessa pregada sobre elas (Figura Devemos sempre que possível, evitar esse processo, pois não nos oferece grande segurança devido ao seu fácil deslocamento com batidas de carrinhos de mão, tropeços, etc...

Figura 2.4 - Cavalete Após distribuídos os cavaletes, previamente alinhados conforme o projeto, linhas são esticadas para determinar o alinhamento do alicerce e em seguida inicia-se a abertura das valas (Figura 2.5)

Figura 2.5 - Processo dos cavaletes 2.3.2 - Processo da tábua corrida (gabarito) Este método se executa cravando-se no solo cerca de 50cm, pontaletes de pinho de (3" x 3" ou 3" x 4") ou varas de eucalipto a uma distância entre si de 1,50m e a 1,20m das paredes da futura construção, que posteriormente poderão ser utilizadas para andaimes. Nos pontaletes serão pregadas tábuas na volta toda da construção (geralmente de 15 ou 20cm), em nível e aproximadamente 1,00m do piso (Figura 2.7). Pregos fincados na tábuas com distâncias entre si iguais às interdistâncias entre os eixos da construção, todos identificados com letras e algarismos respectivos pintados na face vertical interna das tábuas, Nos pregos são amarrados e esticados linhas ou arames, cada qual de um nome interligado ao de mesmo nome da tábua oposta. Em cada linha ou arame está materializado um eixo da construção. Este processo é o ideal.

Figura 2.7 - Processo da Tábua Corrida - Gabarito Como podemos observar o processo de "Tábua Corrida" é mais seguro e as marcações nele efetuadas permanecem por muito tempo, possibilitando a conferência durante o andamento das obras. Não obstante, para auxiliar este processo, podemos utilizar o processo dos cavaletes.

2.4 - TRAÇADO Tendo definido o método para a marcação da obra, devemos transferir as medidas, Quando a obra requer um grau de precisão, que não podemos realizar com métodos simples devemos utilizar aparelhos topográficos. Isto fica a cargo da disciplina de Topografia, cabendo a nós, para pequenas obras, saber locá-las com métodos simplificados.

2.4.1 - Traçado de ângulos retos e paralelas É indispensável saber traçar perpendiculares sobre o terreno, pois é através delas que marcamos os alinhamentos das paredes externas, da construção, determinando assim o Um método simples para isso, consiste em formar um triângulo através das linhas dispostas perpendicularmente, cujos lados meçam 3 - 4 e 5m (triângulo de Pitágoras), fazendo coincidir o lado do ângulo reto com o alinhamento da base (Figura 2.8).

Figura 2.8 - Traçado de ângulos retos e paralelas sobre o gabarito

Outro método consiste na utilização de um esquadro metálico (geralmente 0,60x0,80x1,00m) para verificar o ângulo reto (Figura 2.9).

O esquadro deve ficar tangenciando as linhas sem as tocá-las, quando as linhas ficarem paralelas ao esquadro garantimos o ângulo reto.

Figura 2.9 - Traçado de ângulos retos e paralelas sobre o gabarito utilizando esquadro metálico

2.4.2 - Traçado de curvas A partir do cálculo do raio da curva (que pode ser feito previamente no escritório) achamos o centro e, com o auxílio de um arame ou linha, traçamos a curva no terreno (como se fosse um compasso) Figura 2.10.

Figura 2.10 - Traçado de curva de pequeno raio Este método nos fornece uma boa precisão, quando temos pequenos raios. No caso de grandes curvas, podemos utilizar um método aproximado, chamado método das quatro partes. Consiste em aplicar, sucessivamente, sobre a corda obtida com a flecha precedente, a quarta parte deste último valor (Figura 2.11). Encontram-se assim, por aproximações sucessivas, todos os pontos da curva circular (G.Baud, 1976)

Figura 2.11 - Traçado de curva pelo método das quatro partes (G.Baud,1976)

r2 f f f = r - em seguida f = 1 , f = 2 1 2434 r2+t2

sendo: r = raio da curva t = tangente à curva (na intercessão da curva com a reta)

Portanto, com o auxílio do gabarito, inicialmente devemos locar as fundações profundas do tipo estacas, tubulões ou fundações que necessitam de equipamentos mecânicos para a sua execução, caso contrário podemos iniciar a locação das obras pelo projeto de forma da fundação ("paredes").

Serão feitas inicialmente a locações de estacas, visto que qualquer marcação das "paredes", irá ser desmarcada pelo deslocamento de equipamentos mecânicos. O posicionamento das estacas é feito conforme a planta de locação de estacas, fornecida pelo A locação das estacas é definida pelo cruzamento das linhas fixadas por pregos no gabarito. Transfere-se esta interseção ao terreno, através de um prumo de centro (Figura 13). No ponto marcado pelo prumo, crava-se uma estaca de madeira (piquete), geralmente de peroba, com dimensões 2,5x2,5x15,0cm.

Utilizando o gabarito, podemos passar todos os pontos das estacas para o terreno, utilizando como já descrito a linha o prumo de centro e estacas de madeira:

Figura 2.13 - Locação da estaca Após a execução das estacas e com a saída dos equipamentos e limpeza do local podemos efetuar, com o auxílio do projeto estrutural de formas a locação das "paredes".

2.4.4 - Locação da Forma de Fundação "paredes" Devemos locar a obra utilizando os eixos, para evitarmos o acúmulo de erros provenientes das variações de espessuras das paredes (Figura 2.14).

Em obras de pequeno porte ainda é usual o pedreiro marcar a construção utilizando as espessuras das paredes. No projeto de arquitetura adotamos as paredes externas com 25cm e as internas com 15cm, na realidade as paredes externas giram em torno de 26 a 27cm e as internas 14 a 14,5cm difícil de serem desenhadas a pena nas escalas usuais de desenho 1:100 ou 1:50, por isso da adoção de medidas arredondadas que acumulam erros. Hoje com o uso de softwares específicos ficou bem mais fácil.

E D C B A 123 Figura 2.14 - Projeto de forma locadas pelo eixo

ANOTAÇÕES 1 - Nos cálculos dos volumes de corte e aterro, os valores são mais precisos se o número de 3 - A locação da obra deve , de preferência, ser efetuada pelo engenheiro ou conferido pelo 4 - A marcação pelo eixo, além de mais precisa, facilita a conferência pelo engenheiro. 5 – Verificar os afastamentos da obra, em relação às divisas do terreno. 6 – Constatar no terreno a existência ou não de obras subterrâneas ( galerias de águas pluviais, 7 – Verificar se o terreno em relação as ruas está sujeito a inundação ou necessita de drenagem 8 – Confirmar a perfeita locação da obra no que se refere aos eixos das paredes, pilares, sapatas, blocos e estacas.

· Noções de segurança para movimentação de terra: 1 - Depositar os materiais de escavação a uma distância superior à metade da profundidade do corte.

2 - Os taludes instáveis com mais de 1,30m de profundidade devem ser estabilizados com escoramentos.

· Instalações elétricas em Canteiro de obras: 1 - Os quadros de distribuição devem ser de preferência metálicos e devem ficar fechados para 2 - Os quadros de distribuição devem ficar em locais bem visíveis, sinalizados e de fácil acesso 3 - As chaves elétricas do tipo faca devem ser blindadas e fechar para cima. Não devem ser 4 - Os fios e cabos devem ser estendidos em lugares que não atrapalhem a passagem de 5 - Os fios e cabos estendidos em locais de passagem, devem estar protegidos por calhas de madeira, canaletas ou eletrodutos. Podem ser colocados a uma certa altura que não deixe as 6 - Os fios e cabos devem ser fixados em isoladores. As emendas devem ficar firmes e bem isoladas, não deixando partes descobertas.

APÓS ESTUDAR ESTE CAPÍTULO; VOCÊ DEVERÁ SER CAPAZ DE: · Determinar o número de furos de sondagem, bem como a sua localização; · Especificar corretamente o tipo de impermeabilização a ser utilizada em alicerce; · Especificar o tipo de dreno e a sua localização.

3.1 - SONDAGENS Não querendo invadir o campo da Engenharia de Fundações, damos nestas anotações de aulas, um pequeno enfoque sobre fundações mais utilizadas em residências unifamiliares térreas e sobrados, ficando a cargo da Cadeira de Fundações aprofundar-se no assunto.

É sempre aconselhável a execução de sondagens, no sentido de reconhecer o subsolo e escolher a fundação adequada, fazendo com isso, o barateamento das fundações. As sondagens representam, em média, apenas 0,05 à 0,005% do custo total da obra.

Os requisitos técnicos a serem preenchidos pela sondagem do subsolo são os seguintes (Godoy, 1971): · Determinação dos tipos de solo que ocorrem, no subsolo, até a profundidade de interesse · Determinação das condições de compacidade (areias) ou consistência (argilas) em que · Determinação da espessura das camadas constituintes do subsolo e avaliação da orientação · Informação completa sobre a ocorrência de água no subsolo.

3.1.1 - Execução da sondagem A sondagem é realizada contando o número de golpes necessários à cravação de parte de um amostrador no solo realizada pela queda livre de um martelo de massa e altura de queda padronizadas. A resistência à penetração dinâmica no solo medida é denominada S.P.T. - A execução de uma sondagem é um processo repetitivo, que consiste em abertura do Desta forma,, em cada metro faz-se, inicialmente, a abertura do furo com um comprimento de 55cm, e o restante dos 45cm para a realização do ensaio de penetração. (Figura 3.1) As fases de ensaio e de amostragem são realizadas simultaneamente, utilizando um tripé, um martelo de 65kg, uma haste e o amostrador. (Figura 3.2) (Godoy, 1971)

100cm 45cm - Ensaio 55cm - Abertura 100cm 45cm - Ensaio Figura 3.1 - Esquema de sondagem

Operador peso guia haste amostrador Figura 3.2 - Equipamento de sondagem à percussão

3.1.2 - Resistência à penetração O amostrador é cravado 45cm no solo, sendo anotado o número de golpes necessários O Índice de Resistência à Penetração é determinado através do número de golpes do peso padrão, caindo de uma altura de 75cm, considerando-se o número necessário à penetração dos últimos 30 cm do amostrador. Conhecido como S.P.T.

A Tabela 3.1 apresenta correlações empíricas, que permite uma estimativa da compacidade das areias e da consistência das argilas, a partir da resistência à penetração medida nas sondagens. (Godoy, 1971) Tabela 3.1 - Compacidade das areias e consistência das argilas "in situ" (Godoy, 1971) COMPACIDADES E CONSISTÊNCIAS SEGUNDO A RESISTÊNCIA À SOLO DENOMINAÇÃO No DE GOLPES Compacidade de areias e siltes arenosos Fofa £4 Pouco Compacta 5-8 Med. Compacta 9 - 18 Compacta 19 - 41 Muito Compacta > 41 Consistência de argilas e siltes argilosos Muito Mole <2 Mole 2-5 Média 6 - 10 Rija 11 - 19 Dura > 19

3.1.3 – Determinação do número de sondagens a executar Os pontos de sondagem devem ser criteriosamente distribuídos na área em estudo, e devem ter profundidade que inclua todas as camadas do subsolo que possam influir, No caso de fundações para edifícios, o número mínimo de pontos de sondagens a realizar é função da área a ser construída (Tabela 3.2).

Tabela 3.2 – Número mínimo de pontos em função da área construída (NBR8036/1983) ÁREA CONSTRUÍDA Nº DE SONDAGENS de 200m2 até 1,200m2 1 sondagem para cada 200m2 de 1,200m2 até 2,400m2 1 sondagem para cada 400m2 que exceder a 1,200m2 acima de 2,400m2 Será fixada a critério, dependendo do plano de construção.

Podemos ainda, avaliar o mínimo de furos para qualquer circunstância em função da área do terreno para lotes urbanos : · 2 furos para terreno até 200m2 · 3 furos para terreno entre 200 a 400m2, ou · No mínimo, três furos para determinação da disposição e espessura das camadas.

Os furos de sondagens deverão ser distribuídos em planta, de maneira a cobrir toda a área em estudo. A Figura 3.3 apresenta alguns exemplos de locação de sondagens em terrenos urbanos.

A distância entre os furos de sondagem deve ser de 15 a 25m, evitando que fiquem numa mesma reta e de preferência, próximos aos limites da área em estudo.

40 30 30 25 7 10-12 20 20 Figura 3.3 – Exemplo de locação de sondagens em pequenos lotes

Em relação a profundidade das sondagens, existem alguns métodos para determiná-las: · pelo critério do bulbo de pressão · pelas recomendações da norma brasileira Mas, um técnico experimentado pode fixar a profundidade a ser atingida, durante a execução da sondagem, pelo exame das amostras recuperadas e pelo número de golpes. Em geral, quatro índices elevados de resistência à penetração, em material de boa Nos terrenos argilosos, a sondagem deverá ultrapassar todas as camadas. Nos terrenos arenosos, as sondagens raramente necessitam ultrapassar os 15 a 20m. Obs.: profundidade mínima 8,0m. Essa profundidade pode ser corrigida, à medida que os Poderá ocorrer obstrução nos furos de sondagens do tipo matacões (rochas dispersas no subsolo) confundindo com um embasamento rochoso. Neste caso a verificação é realizada executando-se uma nova sondagem a 3,0m, em planta, da anterior. Se for confirmada a ocorrência de obstrução na mesma profundidade, a sondagem deverá ser novamente deslocada 3,0m numa direção ortogonal ao primeiro deslocamento. Caso necessário, a sondagem na rocha é realizada com equipamento de sondagem rotativo.

Os dados obtidos em uma investigação do subsolo, são normalmente apresentados na A posição das sondagens é amarrada topograficamente e apresentada numa planta de locação bem como o nível da boca do furo que é amarrado a uma referência de nível RN bem definido ( Figura 3.4) No perfil do subsolo as resistências à penetração são indicadas por números à esquerda da vertical da sondagem, nas respectivas cotas. A posição do nível d’água – NA – também é indicada, bem como a data inicial e final de sua medição (Figura 3.5). (Godoy, 1971) GUIA EXISTENTE 2.20 CASA EXISTENTE EM CONSTRUÇÃO

25.00 CALÇADA 5.60 S1 (100,13) 2.00 1.40 21 42 5.60 21.00 2.00 S2 (99,95) 2.44 1.40 7.00 RN=100,00

Figura 3.5 – Exemplo de um perfil de subsolo 3.2 – ESCOLHA DO TIPO DE FUNDAÇÃO Com os resultados das sondagens, de grandeza e natureza das cargas estruturais e conhecendo as condições de estabilidade, fundações, etc… das construções vizinhas, pode , o engenheiro, proceder a escolha do tipo de fundação mais adequada, técnica e economicamente. O estudo é conduzido inicialmente, pela verificação da possibilidade do emprego de Mesmo sendo viável a adoção das fundações diretas é aconselhável comparar o seu custo com o de uma fundação indireta.

E finalmente, verificando a impossibilidade da execução das fundações diretas, estuda- se o tipo de fundação profunda mais adequada.

3.2.1 – Tipos de fundações Os principais tipos de fundações podem ser reunidos em dois grandes grupos: fundações diretas ou rasas e fundações indiretas ou profundas (Figura 3.6).

Alvenaria Simples Diretas ou Rasas Indiretas ou Profundas Sapata Corrida ou Contínua

Sapata Isolada Radier Estacas Tubulões Armada Simples Armada

Rígidos Flexíveis de concreto de madeira de aço céu aberto Pneumático (ar comprimido) Pré Moldadas

Moldadas in loco Tipo poço Tipo Chicago Tipo gow Tipo Benoto sem camisa

com camisa Tipo Anel de concreto Figura 3.6 – Relação dos tipos de fundações usuais em construção 36 Pedra

Mega ou de reação Vibradas Centrífugas Protendida Brocas Escavadas Raiz monotube perdidas Raynond

Portanto os principais tipos de fundações são: Figura 3.7 – Profundidade de uma sapata isolada (Df)

· quando Df £ B Fundações diretas · quando Df > B Fundações profundas – (sendo “B” a menor dimensão da sapata) Quando a camada ideal for encontrada à profundidade de 5,0 à 6,0m, podemos adotar brocas, se as cargas forem na ordem de 4 a 5 toneladas Em terrenos firmes a mais de 6,0m, devemos utilizar estacas ou tubulões.

3.3 – FUNDAÇÕES DIRETAS OU RASAS As fundações diretas são empregadas onde as camadas do subsolo, logo abaixo da Com o auxílio da sondagem, obtemos o SPT na profundidade adotada e calculamos a s do solo. Dividindo a carga P pela s do solo, encontramos a área necessária da sapata (Snec).

P SPT S nec = , s s5

A Distribuição das pressões, no terreno, é função do tipo de solo e da consideração da sapata ser rígida ou flexível, podendo ser bitriangular, retangular ou triangular. Uma sapata será considerada flexível quando possuir altura relativamente pequena e , sob atuação do carregamento, apresentar deformação de flexão (Caputo, H.P, 1973) Descrevemos com mais detalhes as fundações diretas mais comuns para obras de pequeno porte.

3.3.1 – Sapata Corrida em Alvenaria São utilizadas em obras de pequena área e carga, (edícula sem laje, barraco de obras, É importante conhecer esse tipo de alicerce pois foram muito utilizados nas construções antigas e se faz necessário esse conhecimento no momento das reformas e reforços dos mesmos. As etapas de execução são: a) Abertura de vala * Profundidade nunca inferiores a 40cm * Largura das valas: – parede de 1 tijolo = 45cm – parede de 1/2 tijolo = 40cm · Em terrenos inclinados, o fundo da vala é formado por degraus (Figura 3.8), sempre em nível · mantendo-se o valor “h” em no mínimo 40 cm e h1, no máximo 50cm.

Figura 3.8 – Detalhe do nivelamento do fundo da vala b) Apiloamento Se faz manualmente com soquete (maço) de 10 à 20kg, com o objetivo unicamente de conseguir a uniformização do fundo da vala e não aumentar a resistência do solo.

c) Lastro de concreto Sobre o fundo das valas devemos aplicar uma camada de concreto magro de traço 1:3:6 ou 1:4:8 (cimento, areia grossa e pedra 2 e 3) e espessura mínima de 5cm com a finalidade de:

· diminuir a pressão de contato, visto ser a sua largura maior do que a do · Uniformizar e limpar o piso sobre o qual será levantado o alicerce de alvenaria d) Alicerce de alvenaria ( Assentamento dos tijolos) · Tem espessuras maiores do que a das paredes sendo: · seu respaldo deve estar acima do nível do terreno, a fim de evitar o contato · Argamassa de assentamento é de cimento e areia traço 1:4.

e) Cinta de amarração É sempre aconselhável a colocação de uma cinta de amarração no respaldo dos alicerces. Normalmente a sua ferragem consiste de barras “corridas”, no caso de pretender a sua atuação como viga deverá ser calculada a ferragem e os Para economizar formas, utiliza-se tijolos em espelho, assentados com A função das cintas de amarração é “amarrar” todo o alicerce e distribuir melhor as cargas, não podendo contudo serem utilizadas como vigas.

f) Reaterro das valas Após a execução da impermeabilização das fundações, podemos reaterrar as valas. O reaterro deve ser feito em camadas de no máximo 20cm bem compactadas.

g) Tipos de alicerces para construção simples Figura 3.9 – Sem cinta de amarração (Borges, 1972)

parede de um tijolo Figura 3.10 – Com cinta de amarração (Borges, 1972)

parede de meio tijolo Figura 3.11 – Com cinta de amarração (Borges, 1972)

Obs. Para manter os ferros corridos da cinta de amarração na posição, devem ser usados estribos, espaçados de mais ou menos 1,0m. A função desses estribos é somente posicionar as armaduras.

3.3.2 Sapatas Isoladas As sapatas de concreto simples (sem armaduras), possuem grande altura, o que lhes As sapatas de concreto armado, podem ter formato piramidal ou cônico, possuindo pequena altura em relação a sua base, que pode ter forma quadrada ou retangular (formatos mais comuns).

Figura 3.12 – Sapata isolada retangular 3.3.3 – Sapatas corridas Executadas em concreto armado e possuem uma dimensão preponderante em relação às demais (Figura 3.13; 3.14; 3.15)

PAREDE h L Figura 3.13 – Sapata corrida sob paredes PILAR h L

PILAR VIGA h L Figura 3.15 – Sapata corrida com viga 3.3.4 – Radiers

Quando todas as paredes ou todos os pilares de uma edificação transmitem as cargas ao solo através de uma única sapata, tem-se o que se denomina uma fundação em radier. Os radiers são elementos contínuos que podem ser executados em concreto armado, protendido ou em concreto reforçado com fibras de aço.

Os principais tipos de fundações profundas são: 3.4.1 – Estacas

São peças alongadas, cilíndricas ou prismáticas, cravadas ou confeccionadas no solo, essencialmente para:

Podem ser: – Pré-moldadas – Moldadas in loco As estacas recebem esforços axiais de compressão. Esses esforços são resistidos pela reação exercida pelo terreno sobre sua ponta e pelo atrito entre as paredes laterais da estaca e o terreno. Nas estacas prancha além dos esforços axiais temos o empuxo lateral (esforços horizontais), Figura 3.17.

Figura 3.17 – Esforços nas estacas 3.4.2 Blocos de coroamento das estacas Os blocos de coroamento das estacas são elementos maciços de concreto armado que solidarizam as “cabeças” de uma ou um grupo de estacas, distribuindo para ela as cargas dos pilares e dos baldrames (Figura 3.18; 3.19).

As estacas devem ser preparadas previamente, através de limpeza e remoção do concreto de má qualidade que, normalmente, se encontra acima da cota de arrasamento das Os blocos de coroamento têm também a função de absorver os momentos produzidos por forças horizontais, excentricidade e outras solicitações (Caputo. H.P., 1973).

Figura 3.18 – Bloco de coroamento Ø= diâmetro da estaca Figura 3.19 – Configuração em planta dos blocos sobre estacas

São feitas a trado, em solo sem água, de forma a não haver fechamento do furo nem desmoronamento.

· Limite de diâmetro : 15 (6″) a 25cm (10″) · Limite de comprimento: é da ordem de 6,0m, no mínimo. de 3,0 m a 4,0m · Os ? mais usados são 20cm e 25cm.

A execução das brocas é extremamente simples e compreende apenas três fases: · abertura da vala dos alicerces · perfuração de um furo no terreno · compactação do fundo do furo · lançamento do concreto Ao contrário de outros tipos de estacas, que veremos adiante, as brocas só serão iniciadas depois de todas as valas abertas, pois o trabalho é exclusivamente manual, não Inicia-se a abertura dos furos com uma cavadeira americana e o restante é executado com trado (Figura 3.20; 3.21), que tem o seu comprimento acrescido através de barras de cano galvanizado, (geralmente com 1,5m cada peça) até atingir a profundidade desejada.

Figura 3.21 – Perfuração da broca Ao atingir a profundidade das brocas, as mesmas são preenchidas com concreto fck 13,5 MPa utilizando pedra nº 2, sempre verificando se não houve fechamento do furo, bem Fazemos isso através da cubicagem (volume) de concreto que será necessária para cada Geralmente as brocas não são armadas, apenas levam pontas de ferro destinadas a amarrá-las à viga baldrame ou blocos. No entanto, certas ocasiões nos obrigam a armá-las e nesses casos, isto é feito com 4 (quatro) ferros e estribos em espiral ou de acordo com o projeto estrutural.

Devemos armar as brocas quando: · Verificarmos que as mesmas, além de trabalharem a compressão, · Quando em algumas brocas, encontrarmos solo resistente a uma profundidade inferior a 3,0m.

Resistência Estrutural da Broca quando bem executadas: · broca de 20cm: – não armada 4 a 5t – armada 6 a 7t · broca de 25cm: – não armada 7 a 8t – armada 10t

Esses valores são aproximados, pois sua execução é manual, geralmente o fundo do furo não é compactado e o lançamento do concreto é feito diretamente no solo, sem nenhuma É conveniente adotar cargas não superiores a 5 toneladas por unidade, em solos A execução de brocas na presença de água deve ser evitada e somente é admitida quando se tratar de solos de baixa permeabilidade, que possibilitem a concretagem antes do acúmulo de água.

3.4.4 – Estacas Escavadas As estacas escavadas caracterizam-se também por serem moldadas no local após a São executadas através de torres metálicas, apoiadas em chassis metálicos ou acoplados em caminhões (Figura 3.22). Em ambos os casos são empregados guinchos, conjunto de tração e haste de perfuração, podendo esta ser helicoidal em toda a sua extensão ou trados acoplados em sua extremidade. Seu emprego é restrito a perfuração acima do nível d’água. (Falconi et al, 1998)

Figura 3.22 – Perfuratriz 3.4.5 – Estaca Strauss A estaca Strauss é executada utilizando equipamento mecanizado composto por um tripé, guincho, soquete (pilão) e a sonda (balde).

Inicia-se a perfuração utilizando o soquete. Após abertura inicial do furo com o soquete, coloca-se o tubo de molde do mesmo diâmetro da estaca, o soquete é substituído pela sonda com porta e janela a fim de penetrar e remover o solo no seu interior em estado de lama.

Alcançado o comprimento desejado da estaca, enche-se de concreto em trechos de 0,5 a 1,0 m que é socado pelo pilão à medida que se vai extraindo o molde formando o bulbo.

O procedimento acima se repete, exceto a formação do bulbo, até completar o nível proposto pelo projeto.

Figura 3.23 – Execução das Estaca Strauss 3.4.6 – Estacas Franki

Coloca-se o tubo de aço (molde), tendo no seu interior junto à ponta, um tampão de concreto de relação água/cimento muito baixa, esse tampão é socado por meio de um soquete (pilão) de até 4t; ele vai abrindo caminho no terreno devido ao forte atrito entre o concreto seco e o tubo e o mesmo é arrastado para dentro do solo. Alcançada a profundidade desejada o molde é preso à torre, coloca-se mais concreto no interior do molde e com o pilão, provoca- se a expulsão do tampão até a formação de um bulbo do concreto. Após essa operação desce- se a armadura e concreta-se a estaca em pequenos trechos sendo os mesmos fortemente, apiloados ao mesmo tempo em que se retira o tubo de molde.

Figura 3.24 – Execução das Estacas Franki 3.4.7 – Tubulões São elementos de fundação profunda constituído de um poço (fuste), normalmente de seção circular revestido ou não, e uma base circular ou em forma de elipse (Figura 3.25) (Alonso et al, 1998).

x FUSTE d BASE H RODAPÉ 15 a 20cm D d D b a Figura 3.25 – Seção típica de um tubulão Sendo: ‡ 60o dmin. = 70cm D de 3 a 3,5d H ‡ D – d . tang60o sendo < 2,0m 2

Os tubulões dividem-se em dois tipos básicos: à céu aberto (com ou sem revestimento) O revestimento dos tubulões podem ser constituídos de camisa de concreto armada ou de aço. Sendo a de aço perdida ou recuperada.

Os tubulões à céu aberto é o mais simples, resulta de um poço perfurado manualmente ou mecanicamente e a céu aberto. Seu emprego é limitado para solos coesivos e acima do nível No sistema Chicago a escavação é feita com pá, em etapas, as paredes são escoradas com pranchas verticais ajustadas por meio de anéis de aço. Já no sistema Gow o escoramento é efetuado utilizando cilindros telescópicos de aço cravados por percussão (Caputo, 1973).

Os tubulões a ar comprimido ou pneumáticos utiliza uma câmara de equilíbrio em chapa de aço e um compressor (Figura 3.26). O princípio é manter, pelo ar comprimido injetado, a água afastada do interior do interior do tubulão.

Os serviços de impermeabilização representam uma pequena parcela do custo e do A impermeabilização das edificações não é uma prática moderna. Os romanos empregavam, clara de ovos, sangue, óleos, etc. para impermeabilizar saunas, aquedutos. Já no Brasil, nas cidade históricas, existem igrejas e pontes onde a argamassa das pedras foi aditivada Atualmente, dispomos de produtos desenvolvidos especialmente para evitar a ação Podemos dividir os tipos de impermeabilização, de acordo com o ataque de água: – contra a umidade do solo.

Os serviços de impermeabilização contra pressão hidrostática e contra água de infiltração não admitem falhas; a impermeabilização para esses tipos, mais utilizada há mais de 50 anos, é a por meio de membranas onde a plasticidade é a grande vantagem, pois acompanha o movimento das trincas que venham a se formar na estrutura permanecendo impermeáveis Temos também, no Brasil, já há algum tempo, um produto mineral que se aplica na estrutura, em especial as de concreto, que penetra nos poros através de água e se cristaliza até cerca de 6cm dentro da estrutura fechando os poros e ficando solidária com a estrutura. Tem sido bem aceito, pois esse produto pode ser aplicado, e com grande sucesso, nas recuperações de estruturas sujeitas a pressão hidrostática etc… E no caso de umidade do solo, a impermeabilização mais utilizada é com argamassa rígida e impermeabilizantes gordurosos. Como podemos observar, existem basicamente tres sistemas principais de impermeabilização: O rígido: – 1º Constituídos pêlos concretos e argamassas impermeáveis, pela inclusão – 2º Constituídos por cimentos especiais de cura rápida que são utilizados no tamponamento.

O semiflexível: – Semelhante à impermeabilização rígida somente que os aditivos favorecem pequenas movimentações.

O flexível: Constituído por lençóis de borracha butílica, membrana de asfalto com elastômetros, lençóis termoplásticos, etc…

Devemos ter alguns cuidados com a impermeabilização – Uma impermeabilização não dá resistência à estrutura. Se a estrutura fissurar, a argamassa também o fará.

– Uma junta fissurada deve ser enchida com uma massa elástica e não com argamassa – A obstrução da água fará com que ela procure nova saída e inicie o trabalho pelas áreas porosas.

3.5.1.-.Impermeabilização dos alicerces Independente do tipo de fundação adotada, devemos executar uma impermeabilização no respaldo dos alicerces (Figura 3.25). A fundação sempre é executada num nível inferior ao do piso, sendo necessário assentar algumas fiadas de tijolos sobre a sapata corrida ou sobre o No tijolo a água sobe por capilaridade, penetrando até a altura de 1,50m nas paredes Portanto é indispensável uma boa impermeabilização no respaldo dos alicerces, local mais indicado para isso, pois é o ponto de ligação entre a parede que está livre de contato com o terreno e o alicerce.

Figura 3.27 – Impermeabilização no respaldo do alicerce O processo mais utilizado é através de argamassa rígida; usando, geralmente, impermeável gorduroso (Vedacit ou similar), dosado em argamassa de cimento e areia em traço 1:3 em volume: – 1 lata de cimento (18 litros) – 3 latas de areia (54 litros) – 1,5 kg de impermeável Após a cura da argamassa impermeável a superfície é pintada com piche líquido (Neutrol ou similar), pois o piche penetra nas possíveis falhas de camadas, corrigindo os pontos fracos. Devemos aplicar duas demãos e em cruz.

Outro processo utilizado dispensa o uso da pintura com piche líquido sobre a Nesse sistema aplica-se uma argamassa de cimento e areia no traço 1:3 e pintura com cimento cristalizante e aditivo (Kz + água + K11 na proporção de 1:4:12; Viaplus 1000; Tec 100 ou similar). Podemos utilizar aditivo acrílico que proporciona uma composição semi flexível. Aplicar sempre com as paredes úmidas em três demãos cruzadas.

Recomendações importantes para uma boa execução da impermeabilização: – Deve-se sempre dobrar lateralmente cerca de 10 a 15cm – A camada impermeável não deve ser queimada, mas apenas alisada, para que sua superfície fique semi-áspera evitando rachaduras.

– Usa-se a mesma argamassa para o assentamento das duas primeiras fiadas da parede.

Figura 3.28 – Detalhe da aplicação da argamassa impermeável Obs.: O tempo de duração de uma impermeabilização deverá corresponder ao tempo de uso de uma construção. Sua substituição envolve alto custo e transtorno aos usuários.

Além dos alicerces, nos locais onde o solo entra em contato com as paredes, devemos executar uma impermeabilização. Faz-se necessário estudar caso a caso para adotar o melhor sistema de impermeabilização (rígido e semiflexível para umidade e flexível para infiltração). As figuras 3.27 e 3.28 detalham uma impermeabilização rígida em diversos locais de uma construção.

Figura 3.29 – Impermeabilização em locais de pouca ventilação

– Onde o solo encostar na parede levantar o revestimento interno e externo no mínimo 60cm acima do solo

Existem casos que para maior proteção da impermeabilização dos alicerces e também das paredes em arrimo, necessitamos executar DRENOS, para garantir bons resultados. Os drenos devem ser estudados para cada caso, tendo em vista o tipo de solo e a profundidade do lençol freático, etc…

Os drenos subterrâneos podem ser de três tipos: – Drenos horizontais (ao longo de uma área) (figura 3.29) – Drenos verticais (tipo estacas de areia) – Drenos em camada (sob base de estrada) De modo gerérico, os drenos horizontais são constituídos:

Figura 3.31 – Dreno horizontal 1 – Camada filtrante (areia de granulometria adequada ou manta de poliéster 2 – Material drenante (pedra de granulometria apropriada) que serve para evitar carreamento de areia – 1 – para o interior do tubo, e conduzir as águas drenadas. 3 – Tubo coletor deve ser usado para grandes vazões. Normalmente de concreto, 4 – Camada impermeável (selo) no caso do dreno ser destinado apenas à captação de águas subterrâneas. Se o dreno captar águas de superfície, esta camada será 5 – Solo a ser drenado em um estudo mais aprofundado, a sua granulometria servirá de ponto de partida para o projeto das camadas de proteção.

Obs. No caso de não ter tubulação condutora de água, o dreno é chamado de cego (Figura 3.30). Os drenos cegos consistem de valas cheias de material granular (brita e areia). O material é colocado com diâmetro decrescente, de baixo para cima.

Figura 3.32 – Dreno horizontal cego Uma das utilizações dos drenos é quando o nível de água é muito alto e desejamos rebaixa-lo.

ANOTAÇÕES 2 – Verificar a exata correspondência entre os projetos, arquitetônico, estrutural e o de fundações.

4 – Verificar qual o sistema de impermeabilização indicada no projeto. Constatar se as especificações dos materiais, bem como as recomendações técnicas dos fabricantes estão sendo rigorosamente obedecidas

Noções de segurança na execução de fundação: – Evitar queda de pessoas nas aberturas utilizando proteção com guarda corpos de madeira, – O canteiro de obra deverá ser mantido limpo , organizado e desimpedidos, para evitar – Sinalizar com guarda-corpo, fitas, bandeirolas, cavaletes as valas, taludes poços e buracos

APÓS ESTUDAR ESTE CAPÍTULO; VOCÊ DEVERÁ SER CAPAZ DE: · Orientar a elevação das paredes (primeira fiada, cantos, prumo, nível); · Executar corretamente os muros de fechamento de divisas.

Alvenaria, pelo dicionário da língua portuguesa, é a arte ou ofício de pedreiro ou alvanel, ou ainda, obra composta de pedras naturais ou artificiais, ligadas ou não por Modernamente se entende por alvenaria, um conjunto coeso e rígido, de tijolos ou A alvenaria pode ser empregada na confecção de diversos elementos construtivos (paredes, abóbadas, sapatas, etc…) e pode ter função estrutural, de vedação etc…Quando a alvenaria é empregada na construção para resistir cargas, ela é chamada Alvenaria resistente, pois além do seu peso próprio, ela suporta cargas (peso das lajes, telhados, pavim. superior, etc…) Quando a alvenaria não é dimensionada para resistir cargas verticais além de seu peso próprio é denominada Alvenaria de vedação. As paredes utilizadas como elemento de vedação devem possuir características técnicas que são: · Resistência mecânica · Isolamento térmico e acústico · Resistência ao fogo · Estanqueidade · Durabilidade As alvenarias de tijolos e blocos cerâmicos ou de concreto, são as mais utilizadas, mas existe investimentos crescentes no desenvolvimento de tecnologias para industrialização de sistemas construtivos aplicando materiais diversos. No entanto neste capítulo iremos abordar os elementos de alvenaria tradicionais.

4.1 – ELEMENTO DE ALVENARIA Produto industrializado, de formato paralelepipedal, para compor uma alvenaria, podendo ser:

* dimensões mais comuns: 21x10x5 * peso: 2,50kg * resistência do tijolo: 20kgf/cm2 * quantidades por m2: parede de 1/2 tijolo: 77un parede de 1 tijolo: 148un

Figura 4.1 – Tijolo comum b – Tijolo furado (baiano) Tijolo cerâmico vazado, moldados com arestas vivas retilíneas. São produzidos a partir da cerâmica vermelha, tendo a sua conformação obtida através de extrusão.

* dimensões: 9x19x19cm * quantidade por m2: parede de 1/2 tijolo: 22un parede de 1 tijolo: 42un * peso 3,0kg * resistência do tijolo espelho: 30kgf/cm2 e um tijolo: 10kgf/cm2 * resistência da parede 45kgf/cm2 A seção transversal destes tijolos é variável, existindo tijolos com furos cilíndricos No assentamento, em ambos os casos, os furos dos tijolos estão dispostos paralelamente à superfície de assentamento o que ocasiona uma diminuição da resistência dos As faces do tijolo sofrem um processo de vitrificação, que compromete a aderência com as argamassas de assentamento e revestimento, por este motivo são constituídas por ranhuras e saliências, que aumentam a aderência.

Figura 4.2 – Tijolo com furo cilíndrico Figura 4.3 – Tijolo com furo prismático

c – Tijolo laminado (21 furos) Tijolo cerâmico utilizado para executar paredes de tijolos à vista (Figura 4.4). O processo de fabricação é semelhante ao do tijolo furado.

* resistência da parede: 200 a 260kgf/cm2 Figura 4.4 – Tijolo laminado A tabela 4.1 determina as dimensões normalizadas para os elementos cerâmicos existentes comercialmente.

Tabela 4.1 – Dimensões normalizadas dos elementos cerâmicos Tabela NBR – Dimensões nominais de blocos de vedação e estruturais, comuns e especiais Tipo(A) L x H x C (cm) Dimensões nominais (mm) Largura (L) Altura(H) Comprimento(C) 10 x 20 x 20 90 190 190 10 x 20 x 25 90 190 240 10 x 20 x 30 90 190 290 10 x 20 x 40 90 190 390 12,5 x 20 x 20 115 190 190 12,5 x 20 x 25 115 190 240 12,5 x 20 x 30 115 190 290 12,5 x 20 x 40 115 190 390 15 x 20 x 20 140 190 190 15 x 20 x 25 140 190 240 15 x 20 x 30 140 190 290 15 x 20 x 40 140 190 390 20 x 20 x 20 190 190 190 20 x 20 x 25 190 190 240 20 x 20 x 30 190 190 290 20 x 20 x 40 190 190 390 Medidas especiais L x H x C (cm) Dimensões nominais (mm) Largura (L) Altura(H) Comprimento(C) 10 x 10 x 20 90 90 190 10 x 15 x 20 90 140 190 10 x 15 x 25 90 140 240 12,5 x 15 x 25 115 140 240

Material obtido pela mistura de solo arenoso – 50 a 80% do próprio terreno onde se processa a construção, cimento Portland de 4 a 10%, e água, prensados mecanicamente ou manualmente. São assentados por argamassa mista de cimento, cal e areia no traço 1:2:8 (Figura4.5) ou por meio de cola (Figura 4.6).

* dimensões: 20x10x4,5cm * quantidade: a mesma do tijolo maciço de barro cozido * resistência a compressão: 30kgf/cm2

Figura 4.5 – Tijolo de solo cimento comum Figura 4.6 – Tijolo de solo cimento assentado com cola

4.1.3 – Blocos de concreto Peças regulares e retangulares, fabricadas com cimento, areia, pedrisco, pó de pedra e água (Figura 4.7; 4.8). O equipamento para a execução dos blocos é a presa hidráulica. O bloco é obtido através da dosagem racional dos componentes, e dependendo do equipamento é possível obter peças de grande regularidade e com faces e arestas de bom acabamento. Em relação ao acabamento os blocas de concreto podem ser para revestimento (mais rústico) ou aparentes.

Figura 4.7 – Bloco de concreto Tabela 4.2 – Dimensões nominais dos blocos de concreto dimensões a b c peso a b c peso *: 09 x 19 x 39 10kg 09 x 19 x 19 4,8kg 11 x 19 x 39 10,7kg 1/2 tijolo 14 x 19 x 19 6,7kg 14 x 19 x 39 13,6kg 19 x 19 x 19 8,7kg 19 x 19 x 39 15,5kg * quantidade de blocos por m2 : 12,5un * resistência do bloco: deve-se consultar o fabricante

Figura 4.8 – Bloco canaleta Bloco Canaleta : 14 x 19 x 39 = 13,50 kg 19 x 19 x 39 = 18,10 kg

4.2.1 – Paredes de tijolos maciços Depois de, no mínimo, um dia da impermeabilização, serão erguidas as paredes conforme o projeto de arquitetura. O serviço é iniciado pêlos cantos (Figura 4.9) após o destacamento das paredes (assentamento da primeira fiada), obedecendo o prumo de pedreiro para o alinhamento vertical (Figura 4.10) e o escantilhão no sentido horizontal (Figura 4.9). Os cantos são levantados primeiro porque, desta forma, o restante da parede será erguida sem preocupações de prumo e horizontalidade, pois estica-se uma linha entre os dois A argamassa de assentamento utilizada é de cimento, cal e areia no traço 1:2:8.

Figura 4.9 – Detalhe do nivelamento da elevação da alvenaria

Figura 4.10 – Detalhe do prumo das alvenarias Podemos ver nos desenhos (Figura 4.11; 4.12; 4.13) a maneira mais prática de executarmos a elevação da alvenaria, verificando o nível e o prumo.

Figura 4.12 – Assentamento do tijolo Figura 4.13 – Retirada do excesso de argamassa

Mesmo sendo os tijolos da mesma olaria, nota-se certa diferença de medidas, por este motivo, somente uma das faces da parede pode ser aparelhada, sendo a mesma à externa por motivos estéticos e mesmo porque os andaimes são montados por este lado fazendo com que o Quando as paredes atingirem a altura de 1,5m aproximadamente, deve-se providenciar o primeiro plano de andaimes, o segundo plano será na altura da laje, se for sobrado, e o Os andaimes são executados com tábuas de 1″x12″ (2,5x30cm) utilizando os mesmos No caso de andaimes utilizando pontaletes de madeira as tábuas devem ser pregadas para maior segurança do usuários.

4.2.1.a – Amarração dos tijolos maciços Os elementos de alvenaria devem ser assentados com as juntas desencontradas, para garantir uma maior resistência e estabilidade dos painéis (Figuras4.14; 4.15; 4.16). Podendo ser:

a – Ajuste comum ou corrente, é o sistema mais utilizado (Figura 4.14)

Figura 4.14 – Ajuste corrente (comum) b – Ajuste Francês também comumente utilizado (Figura 4.15)

c – Ajuste Inglês, de difícil execução pode ser utilizado em alvenaria de tijolo aparente (Figura 4.16).

Figura 4.16 – Ajuste Inglês ou gótico 4.2.1.b – Formação dos cantos de paredes É de grande importância que os cantos sejam executados corretamente, pois como já visto, as paredes iniciam-se pêlos cantos. Nas Figuras 4.17; 4.18; 4.19; 4.20 e 4.21 mostram a execução de diversos cantos de parede nas diversas modalidades de ajustes.

Figura 4.17 – Canto em parede de meio tijolo no ajuste comum

Figura 4.18 – Canto em parede de um tijolo no ajuste francês

Figura 4.19 – Canto em parede de um tijolo no ajuste comum Figura 4.20 – Canto em parede de espelho

Figura 4.21 – Canto em parede externa de um tijolo com parede interna de meio tijolo no ajuste francês

4.2.1.c – Pilares de tijolos maciços São utilizados em locais onde a carga é pequena (varandas, muros etc…). Podem ser executados somente de alvenaria ou e alvenaria e o centro preenchido por concreto (Figura 4.22)

tijolos. Costuma-se, também, pintar ou borrifar com água de cal as pilhas, após cada descarga do caminhão, para não haver confusão com as pilhas anteriores.

Figura 4.23 – Empilhamento do tijolo maciço 4.2.1.e – Cortes em tijolos maciços O tijolo maciço permite que seja dividido em diversos tamanhos, o que facilita no momento da execução. Podemos dividi-lo pela metade ou em 1/4 e 3/4 de acordo com a necessidade (Figura 4.24).

São paredes executadas com blocos de concreto vibrado. Com o desenvolvimento dos O processo de assentamento é semelhante ao já descrito para a alvenaria de tijolos maciços. As paredes iniciam-se pêlos cantos utilizando o escantilhão para o nível da fiada e o A argamassa de assentamento dos blocos de concreto é mista composta por cimento cal e areia no traço 1:1/2:6.

Vantagens: – peso menor – menor tempo de assentamento e revestimento, economizando – geralmente, nas espaletas e arremates do vão, são – difícil para se trabalhar nas aberturas de rasgos para – nos dias de chuva aparecem nos painéis de alvenaria externa, os desenhos dos blocos. Isto ocorre devido à absorção da argamassa de assentamento ser diferente da dos blocos.

– Os blocos de concreto para execução de obras não estruturais têm o seu fundo tampado (Figura 4.25) para facilitar a colocação da argamassa de assentamento. Portanto, a elevação da alvenaria se dá assentando o bloco com os furos para baixo.

Figura 4.25 – Detalhe do assentamento do bloco de concreto O assentamento é feito em amarração. Pode ser junta a prumo (somente quando for vedação em estrutura de concreto).

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