Apostila de lingua portuguesa

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– nota da ledora – informações úteis: nos exercícios do livro, as lacunas foram substituídas por abertura e fechamento de parênteses, ex: (). Nos mesmos exercícios, quando surgem as palavras grifado ou destacado, a expressão ou palavra, recebeu parênteses visando destacá-la. As notas de ledora visam transformar informações visual, através da interpretação da ledora, em complementação de informação para o leitor; as mesmas serão sempre precedidas de – nota da ledora, e fim da nota; a ledora pede, especial, atenção para a existência de palavras grafadas erradas, na parte de exercícios, embora a fonética seja parecida com a grafia correta, as vezes a diferença entre o certo e o errado, é de apenas – fim da nota.

Gramática da Língua Portuguesa Pasquale Cipro Neto & Ulisses Infante

Lourdes Guimarães, Luciano Carvalho e Edson Rosa COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO José Antonio Ferraz EDITORAÇÃO ELETRÔNICA E FOTOLITO Reflexo Fotolito Ltda.

IMPRESSÃO E ACABAMENTO Prol – Editora Gráfica Ltda Editora Scipione Ltda. MATRIZ Praça Carlos Gomes, 46 01501-040 São Paulo SP e-mail: scipione@br.homeshopping.com.br DIVULGAÇÃO Rua Fagundes, 121 01508-030 São Paulo SP Tel. (011)12428411 Caixa Postal 65131 Dados Internacionnais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do LIyro, SP, Brasil ) Cipro Neto, Pasquale: Gram;atica de língua portuguesa, / Pasquale e Ulisses – São Paulo 3. Português – Gramática – (Vestibular) . I. Infante, Ulisses. II. Título. 1. Índice de catálogo sistemático, Gramática: Português: Ensino de 2o. grau 469.507 1a. edição 2a. impressão 1998.

APRESENTAÇÃO: A Gramática é instrumento fundamental para o domínio do padrão culto da língua. A Gramática, e não as gramatiquices. A Gramática que mostra o lado lógico, inteligente, racional dos processos lingüísticos.

A Gramática que esmiúça a estrutura da frase, do texto.A Gramática que mostra o porquê.

Para o estudo dos variados tópicos gramaticais, este livro toma como referência a chamada língua viva -textos de jornais e revistas, mensagens publicitárias, letras de músicas e obras literárias contemporâneas, sem deixar de lado os clássicos. Boa parte dos textos foi selecionada durante anos de convivência direta com a língua dos meios de comunicação.

crítico necessário para compreender os processos lingüísticos e, com eles – por que não? -,compreender a realidade.

Os autores A Paulo Freire, mestre dos mestres Capítulo 1 PARTE 1 – FONOLOGIA Capítulo 2 Questões e testes de vestibulares.

Capítulo 4 Acentuação PARTE 2 – MORFOLOGIA Capítulo 5 Estrutura e formação das palavras Composição.

Textos para análise Capítulo 6 Estudo dos verbos (I) Atividades Questões e testes de vestibulares.

Capítulo 7 Estudo dos verbos (II) Verbos irregulares apenas na conjugação do presente do indicativo e tempos derivados. Verbos irregulares no presente e no pretérito perfeito do indicativo e respectivos tempos Atividades.

Capítulo 10 Estudo dos artigos Capítulo 11 Estudo dos adjetivos 244 Questões e testes de vestibulares.

Capítulo 13 Estudo dos pronomes Capítulo 14 Estudo dos numerais Questões e testes de vestibulares.

Capítulo 17 Estudo das interjeições PARTE 3 – SINTAXE 339 Capítulo 18 Introdução à Sintaxe Atividades.

Capítulo 21 Termos acessórios da oração e vocativo Capítulo 22 Orações subordinadas substantivas Questões e testes de vestibulares.

Capítulo 24 Orações subordinadas adverbiais Capítulo 25 Orações coordenadas Questões e testes de vestibulares.

Capítulo 27 Regência verbal e nominal PARTE 4 – APÊNDlCE Capítulo 28 Problemas gerais da língua culta A par / ao par.

Capitulo 29 Significação das palavras Capitulo 30 Noções elementares de Estilística Questões e testes de vestibulares.

CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO GERAL – nota da ledora: dois terços da página é ocupado pela fotografia de um quadro, com – fim da nota da ledora.

O título deste quadro de René Magritte – Isto não é uma maçã (1964) – destaca o fato de que a sua obra constitui uma mera representação pictórica da realidade, não devendo ser Nesta introdução, estudaremos, entre outros tópicos, o signo lingüístico, a representação verbal dos elementos do mundo. Tais signos devem ser combinados segundo regras convencionais para cumprir sua missão comunicativa.

convencionais usados pelos membros de uma mesma comunidade. Em outras palavras: um grupo social convenciona e utiliza um conjunto organizado de elementos representativos.

Um signo lingüístico é um elemento representativo que apresenta dois aspectos: um significante e um significado, unidos num todo indissolúvel. Ao ouvir a palavra árvore, você reconhece os sons que a formam. Esses sons se identificam com a lembrança deles que esta presente em sua memória. Essa lembrança constitui uma verdadeira imagem sonora, armazenada em seu cérebro – é o significante do signo árvore. Ao ouvir essa palavra, você logo pensa num “vegetal lenhoso cujo caule, chamado tronco, só se ramifica bem acima do nível do solo, ao contrário do arbusto, que exibe ramos desde junto ao solo”. Esse conceito, que não se refere a um vegetal particular, mas engloba uma ampla gama de vegetais, é o significado do signo árvore – e também se encontra armazenado em seu cérebro.

Ao empregar os signos que formam a nossa língua, você deve obedecer a certas regras de organização que a própria língua lhe oferece. Assim, por exemplo, é perfeitamente possível antepor-se ao signo árvore o signo uma, formando a seqüência uma árvore. Já a seqüência um árvore contraria uma regra de organização da língua portuguesa, o que faz com que a rejeitemos. Perceba, pois, que os signos que constituem a língua obedecem a padrões determinados de organização. O conhecimento de uma língua engloba não apenas a identificação de seus signos, mas também o uso adequado de suas regras combinatórias.

Como a língua é um patrimônio social, tanto os signos como as formas de combiná-los Individualmente, cada pessoa pode utilizar a língua de seu grupo social de uma maneira particular, personalizada, desenvolvendo assim a fala (não confunda com o ato de falar; ao escrever de forma pessoal e única você também manifesta a sua fala, no sentido científico do termo). Por mais original e criativa que seja, no entanto, sua fala deve estar contida no conjunto mais amplo que é a língua portuguesa; caso contrário, você estará deixando de empregar a nossa língua e não será mais compreendido pelos membros da nossa comunidade.

Estudar a língua portuguesa é tornar-se apto a utilizá-la com eficiência na produção e interpretação dos textos com que se organiza nossa vida social. Por meio desses estudos, amplia-se o exercício de nossa sociabilidade – e, conseqüentemente, de nossa cidadania, que passa a ser mais lúcida. Ampliam-se também as possibilidades de fruição dos textos, seja pelo simples prazer de saber produzi-los de forma bem-feita, seja pela leitura mais sensível e inteligente dos textos literários. Conhecer bem a língua em que se vive e pensa é investir no ser humano que você é.

– nota da ledora: quadro em destaque na página: Língua – conjunto de signos e formas de combinar esses signos partilhado pelos Signo – elemento representativo; no caso do signo lingüístico, é a união indissolúvel de Fala – uso individual da língua, aberto à criatividade e ao desenvolvimento da liberdade de compreensão e expressão.

2. Língua: UNIDADE E VARIEDADE Vários fatores podem originar variações lingüísticas: a) geográficos – há variações entre as formas que a língua portuguesa assume nas diferentes regiões em que é falada. Basta pensar nas evidentes diferenças entre o modo de falar de um lisboeta e de um carioca, por exemplo, ou na expressão de um gaúcho em contraste com a de um mineiro, como observamos nos anúncios abaixo. b) sociais – o português empregado pelas pessoas que têm acesso à escola e aos meios de instrução difere do português empregado pelas pessoas privadas de escolaridade. Algumas classes sociais, assim, dominam uma forma de língua que goza de prestígio, enquanto outras são vitimas de preconceito por empregarem formas de língua menos prestigiadas. Cria-se, dessa maneira, uma modalidade de língua a norma culta -, que deve ser adquirida durante a vida escolar e cujo domínio é solicitado como forma de ascensão profissional e social. O idioma é, portanto, um instrumento de dominação e Também são socialmente condicionadas certas formas de língua que alguns grupos desenvolvem a fim de evitar a compreensão por parte daqueles que não fazem parte do grupo.

– nota da ledora: na página, dois desenhos de propaganda de um Guia da Fiat, um dirigido ao Rio Grande do Sul, com o seguinte texto : É um baita guia , Tchê; o outro, dirigido a Minas Gerais, com o seguinte texto : Estava na hora de Minas ter um trem – fim da nota da ledora.

O emprego dessas formas de língua proporciona o reconhecimento fácil dos integrantes de uma comunidade restrita, seja um grupo de estudantes, seja uma quadrilha de contrabandistas. Assim se formam as gírias, variantes lingüísticas sujeitas a contínuas c) profissionais – o exercício de algumas atividades requer o domínio de certas formas de língua chamadas línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, essas variantes têm seu uso praticamente restrito ao intercâmbio técnico de engenheiros, médicos, químicos, lingüistas e outros especialistas.

uma importância elevada, deslocando o centro de interesse para aquilo que a língua é em detrimento daquilo para que ela serve. Isso ocorre, por exemplo, nos seguintes versos de Fernando Pessoa: O mesmo sol que abre os céus É um mito brilhante e mudo O corpo morto de Deus, Vivo e desnudo.”

3. HISTÓRIA E GEOGRAFIA DA LÍNGUA PORTUGUESA: A formação, o desenvolvimento e a expansão da língua portuguesa estão obviamente vinculados à história dos povos que a criaram e ainda hoje a empregam e transformam. O português é uma língua neolatina, novilatina ou românica, pois foi formado a partir das transformações verificadas no latim levado pelos dominadores romanos à região da Península Ibérica. Em seu desenvolvimento histórico, podem ser apontados os seguintes períodos: a) protoportuguês – do século IX ao século XII. A documentação desse período é muito rara: são textos redigidos em latim bárbaro, nos quais se encontram algumas palavras portuguesas;

b) português histórico – do século XII aos dias atuais. Esse período subdivide-se em duas fases: – fase arcaica: do século XII até ao século XV. Nessa fase, houve inicialmente uma língua comum ao noroeste da Península Ibérica (regiões da Galiza e norte de Portugal), o galego-português ou galaico-português, fartamente documentado em textos que incluem uma literatura de elevado grau de elaboração (a lírica galego-portuguesa). Com a separação política de Portugal e sua posterior expansão para o sul, o português e o galego se foram individualizando, transformando-se o primeiro numa língua nacional e o segundo num dialeto regional.- fase moderna: do século XVI aos dias atuais. Devemos distinguir o português clássico (séculos XVI e XVII) do português pós- clássico (do século XVIII aos nossos dias). Na época do português clássico, tiveram início os estudos gramaticais e desenvolveu-se uma extensa literatura, em grande parte influenciada por modelos latinos. No período pós-clássico, a língua começou a assumir as características que hoje apresenta. A partir do século XV, as navegações portuguesas iniciaram um longo processo de expansão lingüística. Durante alguns séculos, a língua portuguesa foi sendo levada a várias regiões do planeta por conquistadores, colonos e emigrantes. Atualmente, a situação do português no mundo é aproximadamente a seguinte: a) em alguns países, é a língua oficial, o que lhe confere unidade, apesar da existência de variações regionais e da convivência com idiomas nativos. Incluem-se nesse caso o Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e b) em regiões da Ásia (Macau, Goa, Damão, Diu) e da Oceania (Timor), é falado por uma pequena parcela da população ou deu origem a dialetos.

– nota da ledora: nesta página, representação cartográfica, dos países que falam português, – fim da nota da ledora.

dizer letra. Originalmente, Gramática era o nome das técnicas de escrita e leitura. Posteriormente, passou a designar o conjunto das regras que garantem o uso modelar da língua a chamada Gramática normativa, que estabelece padrões de certo e errado para as formas do idioma. Gramática também é, atualmente, a descrição científica do funcionamento de uma língua. Nesse caso, é chamada de Gramática descritiva.

A Gramática normativa estabelece a norma culta, ou seja, o padrão lingüístico que socialmente é considerado modelar e é adotado para ensino nas escolas e para a redação dos documentos oficiais.Há línguas que não têm forma escrita, como algumas línguas indígenas brasileiras. Nesses casos, o conhecimento lingüístico é transmitido oralmente. As línguas que têm forma escrita, como é o caso do português, necessitam da Gramática normativa para que se garanta a existência de um padrão lingüístico uniforme no qual se registre a produção cultural. Conhecer a norma culta é, portanto, uma forma de ter acesso a essa produção cultural e à linguagem oficial.

DIVISÃO DA GRAMÁTICA Divide-se a Gramática em: a) Fonologia – estuda os fonemas ou sons da língua e a forma como esses fonemas dão origem às sílabas. Fazem parte da Fonologia a ortoepia ou ortoépia (estudo da articulação e pronúncia dos vocábulos), a prosódia (estudo da acentuação tônica dos vocábulos) e a ortografia (estudo da forma escrita das palavras).

b) Morfologia estuda as palavras e os elementos que as constituem. A Morfologia analisa a estrutura, a formação e os mecanismos de flexão das palavras, além de dividi- las em classes gramaticais.

c) Sintaxe – estuda as formas de relacionamento entre palavras ou entre orações. Divide- se em sintaxe das funções, que estuda a estrutura da oração e do período, e sintaxe das relações, a qual inclui a regência, a colocação e a concordância.

MORFOSSINTAXE A classificação morfológica de uma palavra só pode ser feita eficientemente se observar sua função nas orações. Esse fato demonstra a profunda interligação existente entre a morfologia e a sintaxe. É por isso que se tem preferido falar atualmente em morfossintaxe, ou seja, a apreciação conjunta da classificação morfológica e da função sintática das palavras. O enfoque morfossintático da língua portuguesa será prioritário neste livro, uma vez que facilita a compreensão de muitos mecanismos da língua.

PARTE 1 – FONOLOGIA CAPÍTULO 2 – FONOLOGIA – nota da ledora: um terço da página está ocupado por um anúncio ecológico, português, sobre a visitação de verão aos parques, com os seguintes termos: Troque as bichas pelos bichos. (no cartaz, o desenho de um esquilo) – fim da nota da ledora.

Neste capítulo, estudaremos basicamente os fonemas, que são as menores unidades Com apenas uma troca de fonema, cria-se uma palavra totalmente distinta, como no anúncio acima: bichas torna-se bichos. (Em tempo: em Portugal, bichas significa “filas”; o parque convida os habitantes da cidade a trocar as irritações da vida urbana pelo sossego da vida em meio à natureza.) 1. CONCEITOS BÁSICOS Fonologia é uma palavra formada por elementos gregos: fono (“som”, “voz”) e logia (“estudo”, “conhecimento”). Significa literalmente “estudo dos sons”. Os sons que essa parte da Gramática estuda são os fonemas (fono + -ema, “unidade distintiva”). Para compreender claramente o que é um fonema, compare as palavras abaixo: solitário solidário Lendo em voz alta as duas palavras, você percebeu que cada uma das letras destacadas (t e d) representa um som diferente. Como as palavras têm significados diferentes e a única diferença sonora que apresentam é a provocada por esses dois sons, somos levados a concluir que o contraste entre esses dois sons é que produz a diferença de significado entre as duas palavras. Cada letra representa, no caso, um fonema, ou seja, Em outras palavras, os fonemas são os sons característicos de uma determinada língua. Com um número relativamente pequeno desses sons, cada língua é capaz de produzir Observe que falamos em sons representados pelas letras. Isso porque não se devem confundir fonemas e letras: os fonemas são sons; as letras são sinais gráficos que procuram representar esses sons. Essa representação, no entanto, nem sempre é perfeita: a) há casos em que a mesma letra representa fonemas diferentes (como a letra g, em b) há fonemas representados por letras diferentes (como o fonema que as letras g e j c) há fonemas representados por mais de uma letra (como em barra ou assar); d) há casos em que uma letra representa dois fonemas (como o x de anexo, que soa e) há casos em que a letra não corresponde a nenhum fonema (o h de hélice, por Para evitar dúvidas, acostume-se a ler as palavras em voz alta quando estiver estudando Fonologia. Afinal, o que interessa nesse caso é o aspecto sonoro dessas palavras. Não devem ser confundidas com os fonemas, que são sons.

– nota da ledora: quadro em destaque, na página: Fonemas – unidades sonoras capazes de estabelecer diferenças de significado. Letras – sinais gráficos criados para a representação escrita das línguas.

i) banho j) obsessão l) obcecado m) queijinho 2. OS FONEMAS DA LÍNGUA PORTUGUESA Como não há necessariamente correspondência entre as letras e os fonemas, foi criado um sistema de símbolos em que a cada fonema corresponde apenas um símbolo. Esse sistema é o alfabeto fonético, muito usado no ensino de línguas para indicar a forma de pronunciar as palavras.

– nota da ledora: fotografia do Coliseum, em Roma, com legenda em italiano (com tipos minúsculos., e pequena legenda do postal em português) Como vemos neste dicionário de italiano, os símbolos fonéticos são usados para indicar a pronúncia das palavras. Em homenagem a este verbete, mostramos ao lado o Coliseu, uma das principais atrações turísticas de Roma, capital da Itália.

A língua portuguesa do Brasil apresenta um conjunto de 33 fonemas, que podem ser identificados no quadro abaixo. A cada um deles corresponde um único símbolo escrito do alfabeto fonético. Por convenção, esses símbolos são colocados entre barras oblíquas.

semi- vogais: cai, põe /kaj/, /pôj/ vogais pau, pão /paw/, /pãw/ Símbolo Exemplo Transcrição fonológica /a/ cá /ka/ /e/ mel /mel/ /e/ seda /seda/ /i/ rica /Rika/ /s/ sola /ssla/ /o/ soma /soma/ /u/ gula /gula/ /ã/ manta, maçã /manta/, /maçã/ /e – til / tenda /t -til – da/ /I – til / cinta /sínta/ /õ/ conta, põe /kõta”, /pôj/ /u – til / fundo /fu~do/ – nota da ledora: a ledora acredita que os fonemas não serão bem traduzidos pelo sistema de sintetizador de voz, devido à grafia que é utilizada para descreve-los, melhor sistema seria o próprio leitor pronunciar as palavras e observar os sons produzidos pelas – fim da nota da ledora.

Observação: O uso dos símbolos para transcrição fonológica permite-nos perceber com clareza alguns problemas da relação entre fonemas e letras. Note, por exemplo, como o símbolo /k/ transcreve como um mesmo fonema o som representado pela letra c em cara e pelas letras qu em quero.

Os fonemas da língua portuguesa são classificados em vogais, semivogais e consoantes. Esses três tipos de fonemas são produzidos por uma corrente de ar que pode fazer vibrar ou não as cordas vocais. Quando ocorre vibração, o fonema é chamado sonoro; quando não, o fonema é surdo. Além disso, a corrente de ar pode ser liberada apenas pela boca ou parcialmente também pelo nariz. No primeiro caso, o fonema é oral; no segundo, é nasal.

VOGAIS As vogais são fonemas sonoros produzidos por uma corrente de ar que passa livremente pela boca. Em nossa língua, desempenham o papel de núcleo das sílabas. Em termos práticos, isso significa que em toda sílaba há necessariamente uma única vogal. As diferentes vogais resultam do diferente posicionamento dos músculos bucais (língua, lábios e véu palatino). Sua classificação é feita em função de diversos critérios: a) quanto à zona de articulação, ou seja, de acordo com a região da boca em que se dá a maior elevação da língua; assim, podem ser anteriores, centrais e posteriores; b) pela elevação da região mais alta da língua; podem ser altas, médias e baixas; c) quanto ao timbre; podem ser abertas ou fechadas.

Além desses critérios, as vogais podem ser orais ou nasais. Todos os fonemas vocálicos O quadro abaixo apresenta a classificação das vogais portuguesas de acordo com esses critérios.

Classificação das vogais Anteriores Centrais Posteriores – nota da ledora: representação esquemática de sons provocados pelos fonemas, já – fim da nota da ledora.

SEMIVOGAIS Há duas semivogais em português, representadas pelos símbolos /j/ e /w/ e produzidas de forma semelhante às vogais altas /i/ e /u/. A diferença fundamental entre as vogais e as semivogais está no fato de que estas últimas não desempenham o papel de núcleo silábico. Em outras palavras: as semivogais necessariamente acompanham alguma As letras utilizadas para representar as semivogais em português são utilizadas também para representar vogais, o que cria muitas dúvidas. A única forma de diferenciá-las efetivamente é falar e ouvir as palavras em que surgem: país-pais baú – mau Em país e baú, as letras i e u representam respectivamente as vogais /i/ e /u/. Já em pais e mau, essas letras representam as sem vogais /j/ e /w/. Isso pode ser facilmente percebido se você observar como a articulação desses sons é diferente em cada caso; além disso, observe que país e baú têm ambas duas sílabas, enquanto pais e mau têm Em algumas palavras, encontramos as letras “e” e “o” representando as semivogais: mãe (/mãj/) pão (/pãw/) – nota da ledora: foto de uma camiseta com a seguinte legenda, estampada na mesma: – fim da nota da ledora.

CONSOANTES Para a produção das consoantes, a corrente de ar expirada pelos pulmões encontra obstáculos ao passar pela cavidade bucal. Isso faz com que as consoantes sejam verdadeiros “ruídos”, incapazes de atuar como núcleos silábicos. Seu nome provém justamente desse fato, pois, em português, sempre soam com as vogais, que são os A classificação das consoantes baseia-se em diversos critérios: a) modo de articulação – indica o tipo de obstáculo encontrado pela corrente de ar ao passar pela boca. São oclusivas aquelas produzidas com obstáculo total; são constritivas as produzidas com obstáculo parcial. As constritivas se subdividem em fricativas (o ar sofre fricção), laterais (o ar passa pelos lados da cavidade bucal) e vibrantes (a língua ou o véu palatino vibram);

b) ponto de articulação – indica o ponto da cavidade bucal em que se localiza o obstáculo à corrente de ar. As consoantes podem ser bilabiais (os lábios entram em contato), labiodentais (o lábio inferior toca os dentes incisivos superiores), linguodentais (a língua toca os dentes incisivos superiores), alveolares (a língua toca os alvéolos dos incisivos superiores), palatais (a língua toca o palato duro ou céu da boca) c) as consoantes podem ser surdas ou sonoras, de acordo com a vibração das cordas vocais, e ainda orais ou nasais, de acordo com a participação das cavidades bucal e O quadro abaixo reúne esses diversos critérios de classificação.

– nota da ledora: tabela de bilabiais, labiodentais, linguodentais, alveolares, – fim da nota da ledora.

Classificação das consoantes portuguesas Observação: Em alguns casos, as consoantes distinguem-se uma da outra apenas pela vibração das cordas vocais. É o que ocorre, por exemplo, com /p/ e /b/ (compare pomba e bomba) ou /t/, e /d/ (compare testa e desta). Nesses casos, as consoantes são chamadas homorgânicas.

ATIVIDADES 1. Classifique Os fonemas representados pelas letras destacadas em vogais ou semivogais: a) sou b) são c) luar d) averigúe e) mágoa f) cães g) mais h) Taís i) soe 2. Substitua as vogais orais representadas pelas letras destacadas nas palavras seguintes por vogais nasais: a) mato b) seda c) cito d) pote e) mudo

e) chato f) vale 4. Leia atentamente, em voz alta, as palavras de cada par seguinte. Procure pronunciá- las nitidamente: a) tom/tão b) som/são c) saia/ceia d) comprido/cumprido e) quatro/quadro f) aceitar/ajeitar g) xingar/gingar

4. SILABAS As sílabas são conjuntos de um ou mais fonemas pronunciados numa única emissão de voz. Em nossa língua, o núcleo da sílaba é sempre uma vogal: não existe sílaba sem Cuidado com as letras i e u (mais raramente com as letras “e” e “o”), pois, como já vimos, elas podem representar também semivogais, que não são nunca núcleos de sílaba Revista Propaganda Leia e assine O8O-154555 Pro-pa-gan-da é exemplo de palavra polissílaba.

As sílabas, agrupadas, formam vocábulos. De acordo com o número de sílabas que os formam, os vocábulos podem ser: a) monossílabos – formados por uma única sílaba: é, há, ás, cá, mar, flor, quem, quão; b) dissílabos – apresentam duas sílabas: a-i, a-li, de-ver, cle-ro, i-ra, sol-da, trans-por; c) trissílabos – apresentam três sílabas: ca-ma-da, O-da-ir, pers-pi-caz, tungs-tê-nio, d) polissílabos – apresentam mais do que três sílabas: bra-si-lei-ro, psi-co-lo-gi-a, a-ris- to-craci-a, o-tor-ri-no-la-rin-go-lo-gis-ta.

5. ENCONTROS VOCÁLICOS Os encontros vocálicos são agrupamentos de vogais e semivogais, sem consoantes intermediárias. E importante reconhecê-los para fazermos a correta divisão silábica dos vocábulos. Há três tipos de encontros: a) hiato – é o encontro de duas vogais num vocábulo, como em saída (sa-í-da). Os hiatos b) ditongo – é o encontro de uma vogal com uma semivogal ou de uma semivogal com uma vogal; em ambos os casos, vogal e semivogal pertencem obviamente a uma mesma sílaba. O encontro vogal + semivogal é chamado de ditongo decrescente (como em moi- ta, cai, mói). O encontro semivogal + vogal forma o ditongo crescente (como em qual, pá-tria, sério). Os ditongos podem ser classificados ainda em orais (todos os C) tritongo – é a seqüência formada por uma semivogal, uma vogal e uma semivogal, sempre nessa ordem. O tritongo pertence a uma única sílaba: Pa-ra-guai, quão. Os tritongos podem ser orais ( Paraguai) ou nasais (quão).

Observações 1. A terminação -em (/êj/) em palavras como ninguém, alguém, também, porém e a terminação -am (/áw/) em palavras como cantaram, amaram, falaram representam 2. É tradicional considerar hiato o encontro entre uma semivogal e uma vogal ou entre uma vogal e uma semivogal que pertencem a sílabas diferentes. Isso ocorre quando há 3. Há alguns encontros vocálicos átonos e finais que são chamados de instáveis porque podem ser pronunciados como ditongos ou como hiatos: -ia (pátria), -ie (espécie), -io (pátio), -ua (árdua), -ue (tênue), -uo (vácuo). A tendência predominante é pronunciá-los como ditongos.

6. ENCONTROS CONSONANTAIS O agrupamento de duas ou mais consoantes, sem vogal intermediária, recebe o nome de encontros consonantais: a) consoante + “l” ou “r” – são encontros que pertencem a uma mesma sílaba, como nos vocábulos pra-to, pla-ca, bro-che, blu-sa, trei-no, a-tle-ta, cri-se, cla-ve, fran-co, flan-co; b) duas consoantes pertencentes a sílabas diferentes – é o que ocorre em ab-di-car, sub- Há grupos consonantais que surgem no início dos vocábulos; são, por isso, inseparáveis: pneu-mo-ni-a, psi-co-se, gno-mo.

7. DÍGRAFOS A palavra dígrafo é formada por elementos gregos: di, “dois”, e grafo, “escrever”. O dígrafo ocorre quando duas letras são usadas para representar um único fonema. Também se pode usar a palavra digrama (di, “dois”; gramma, “letra”) para Observação Gu e qu nem sempre representam dígrafos. Isso ocorre apenas quando, seguidos de e OU i, representam os fonemas /g/ e /k/: guerra, quilo. Nesses casos, a letra u não corresponde a nenhum fonema. Em algumas palavras, no entanto, o u representa uma semivogal ou uma vogal: agüentar, lingüiça, freqüente, tranqüilo; averigúe, argúi – o que significa que gu e qu não são dígrafos. Também não há dígrafo quando são seguidos de a ou u: quando, aquoso, averiguo.

Podemos dividir os dígrafos da língua portuguesa em dois grupos: os consonantais e os a) dígrafos consonantais rr – representa o fonema /R/, sendo usado unicamente entre vogais: barro, birra, burro; ss – representa o fonema /s/, sendo usado unicamente entre vogais: assunto, assento, xs – representa o fonema /s/: exsuar, exsudar;

b) dígrafos vocálicos 8. DIVISÃO SILÁBICA A divisão silábica gramatical obedece a algumas regras básicas, que apresentaremos a seguir. Se você observar atentamente essas regras, vai perceber que os conceitos que estudamos até agora servem para justificá-las: a) ditongos e tritongos pertencem a uma única sílaba: au-tô-no-mo, ou-to-no, di-nhei-ro; b) os hiatos são separados em duas sílabas: du-e-to, a-mên-do-a, ca-a-tin-ga; c) os dígrafos ch, lh, nh, gu e qu pertencem a uma única sílaba: chu-va, mo-lha, es-ta- d) as letras que formam os dígrafos rr, ss, sc, sç, xs e xc devem ser separadas: bar-ro, as- e) os encontros consonantais que ocorrem em sílabas internas devem ser separados, excetuando-se aqueles em que a segunda consoante é l ou r: con-vic-ção, as-tu-to, ap-to, cír-cu-lo, ad-mi-tir, ob-tu-rar, etc.; mas a-pli-ca-ção, a-pre-sen-tar, a-brir, re-tra-to, de- ca-tio. Lembre-se de que os grupos consonantais que iniciam palavras não são O conhecimento das regras de divisão silábica é útil para a tranlineação das palavras, ou seja, para separá-las no final das linhas. Quando houver necessidade da divisão, ela deve ser feita de acordo com as regras acima. Por motivos estéticos e de clareza, devem-se evitar vogais isoladas no final ou no início de linhas, como a-/sa ou jundia/-í. Também se aconselha a repetição do hífen quando a divisão coincidir com a de um hífen preexistente (pré-datado e disse-me, por exemplo, transli- neados pré-/-datado e disse-/-me).

h) abscesso i) psiquiatria j) melancia I) pneumático m) adventício n) introspecção o) feldspato

TEXTOS PARA ANÁLISE – nota da ledora: nesta página, anúncio do carro Astra, ocupando meia página, com a – fim da nota da ledora.

TRABALHANDO TEXTO: Observe o texto publicitário acima e responda: de que forma seus conhecimentos de Fonologia podem explicar os efeitos sonoros obtidos?

Está na cara, está na cura Está na cara, você não vê, Que a caretice está no medo, Está na cara, você não vê, Que o medo está na Está na cara, você não vê, Que o segredo está na Cura, está na cara, Quem tem cara tem medo, Quem tem medo tem cura, Vou brincar, que ainda é cedo, Que o brinquedo está na Está na cara Que o segredo está na cura do medo.

(GIL. Gilberto. In: Gilberto Gil. São Paulo, 3. Retire do texto exemplos de: c) encontros consonantais;

Como um samba de adeus Quanto tempo Mina d’água do meu canto Manso Piano e voz Vento Campo Dentro Antro Onde reside o lamento Preto Da minha voz Tanto Tempo Como nunca mais, eu penso Como um samba de adeus Com que jeito acenar O meu lenço Branco Quanto tempo Pode durar um espanto Onde lançar a voz Tempo Tanto In: Nina d’água do meu canto – Gal Costa – CD Sonopress (7432126323-2,1995.) TRABALHANDO TEXTO 1. Defina fonema a partir do contraste entre os vocábulos canto e tanto 2. Retire do texto exemplos de ditongos e hiatos.

3. Retire do texto exemplos de encontros consonantais. Em qual seqüência do texto esses encontros são particularmente expressivos?

5. Faça um levantamento dos dígrafos vocálicos presentes no texto e responda: há algum tipo de fonema predominante na canção? Comente.

6. (ITA-SP) Dadas as palavras: 1) des-a-ten-to 2) sub-es-ti-mar 3) trans-tor-no constatamos que a separação silábica está correta: a) apenas em 1 b) apenas em 2 c) apenas em 3 d) em todas as palavras e)n.d.a.

7. (ITA-SP) Dadas as palavras: 1) tung-stê-nio 2) bis-a-vô 3) du-e-lo constatamos que a separação silábica está correta: a) apenas em 1 b) apenas em 2 c) apenas em 3 d) em todas as palavras e) n.d.a.

e) comprimiu, vieram, averigúem 12. (F. Caxias do Sul-RS) A alternativa em que, nas três palavras, há um ditongo decrescente é: a) água, série, memória b) balaio, veraneio, ciência c) coração, razão, paciência d) apóio, gratuito, fluido e) jóia, véu, área 13. (ACAFE-SC) Assinale, na seqüência abaixo, a alternativa em que todas as palavras possuem dígrafos: a) histórias, impossível, máscaras b) senhor, disse, achado c) passarinhos, ergueu, piedade d) errante, abelhas, janela e) homem, caverna, velhacos 14. (UFSC) A única alternativa que apresenta palavra com encontro consonantal e dígrafo é: a) graciosa b) prognosticava c) carrinhos d) cadeirinha e) trabalhava 15. (ACAFE-SC) Assinale a alternativa em que há erro na partição de sílabas: a) en-trar, es-con-der, bis-a-vô, bis-ne-to b) i-da-de, co-o-pe-rar, es-tô-ma-go, ré-gua c) des-cen-der, car-ra-da, pos-so, a-tra-vés d) des-to-ar, tran-sa-ma-zo-ni-co, ra-pé, on-tem e) pre-des-ti-nar, ex-tra, e-xer-cí-cio, dançar

CAPÍTULO 3 – ORTOGRAFIA – nota de ledora: metade da página é ocupada por um desenho com as palavras: COMICS de A ( representado com a figura do Capitão Asa, herói infantil) a z, – fim da nota.

Não é admissível que com um alfabeto tão restrito (apenas 23 letras!) se cometam tantos erros ortográficos pelo Brasil afora. Estude com cuidado este capítulo para integrar o grupo de cidadãos que sabem grafar corretamente as palavras da língua portuguesa.

palavras. Atualmente, a ortografia em nossa língua obedece a uma combinação de critérios etimológicos (ligados à origem das palavras) e fonológicos (ligados aos É importante compreender que a ortografia é fruto de uma convenção. A forma de grafar as palavras é produto de acordos ortográficos que envolvem os diversos países em que a língua portuguesa é oficial. Grafar corretamente uma palavra significa, portanto, adequar-se a um padrão estabelecido por lei. As dúvidas quanto à correção devem ser resolvidas por meio da consulta a dicionários e publicações oficiais ou especializadas.

2. O ALFABETO PORTUGUÊS O alfabeto ou abecedário da nossa língua é formado por vinte e três letras que, com pequenas modificações, foram copiadas do alfabeto latino. Essas vinte e três letras são: Letras de imprensa Aa BbCc Dd Ee Ff Gg Hh li Jj LI Mm Nn Oo Pp Qq Rr Ss Tt Uu Vv Xx Zz (nota da ledora: a leitura dupla das letras, é porque apresentam-se em maiúsculas e minúsculas – fim da nota).

Grafia cursiva (nota da ledora: aqui, o abecedário apresenta-se em maiúsculas e Além dessas letras, empregamos o Kk, o Ww e o Yy em abreviaturas, siglas, nomes próprios estrangeiros e seus derivados. Emprega-se, ainda, o ç, que representa o fonema /s/ diante de a, o ou u em determinadas palavras.

O x pertence ao nosso alfabeto; já o w é usado em siglas e nomes próprios estrangeiros, como no caso acima, em que o W é logo tipo da fábrica alemã Volkswagen.

– nota da ledora: metade da página está ocupada por uma propaganda da Volkswagen, – fim da nota.

3. ORIENTAÇÕES ORTOGRÁFICAS A competência para grafar corretamente as palavras está diretamente ligada ao contato íntimo com essas mesmas palavras. Isso significa que a freqüência do uso é que acaba trazendo a memorização da grafia correta. Além disso, deve-se criar o hábito de esclarecer as dúvidas com as necessárias consultas ao dicionário. Trata-se de um Existem algumas orientações gerais que podem ser úteis e que devem constituir material de consulta para as atividades escritas que você desenvolver. Vamos a elas.

almoçar) possuem a mesma grafia, mas pronúncia diferente. São palavras homógrafas; cesta (substantivo) e sexta (numeral ordinal) possuem a mesma pronúncia, mas grafia Há ainda casos em que as palavras apresentam grafias ou pronúncias semelhantes, sem que, no entanto, ocorra coincidência total. São chamadas parônimas e costumam provocar dúvidas quanto ao seu emprego correto. E o caso, por exemplo, de pares como flagrante/fragrante, pleito/preito, vultoso/vultuoso e outros, cujo sentido e emprego estudaremos adiante.

ALGUNS FONEMAS E ALGUMAS LETRAS A relação entre os fonemas e as letras não é de correspondência exata e permanente. Como a ortografia se baseia também na tradição e na etimologia das palavras, ocorrem problemas que já conhecemos, como a existência de diferentes formas de grafar um mesmo fonema. Estudaremos alguns desses problemas a partir de agora.

O FONEMA /s/ (nota da ledora: esse fonema já foi descrito pela ledora, em capítulo anterior, como a letra esse (de sal) alongado. – fim da nota) (LETRA “x” OU DÍGRAFO “ch”) A letra x representa esse fonema: a) após um ditongo: ameixa, caixa, peixe, eixo, frouxo, trouxa, baixo, encaixar, paixão, b) após o grupo inicial en: enxada, enxaqueca, enxerido, enxame, enxovalho, enxugar, Cuidado com encher e seus derivados (lembre-se de cheio) e palavras iniciadas por ch que recebem o prefixo en-: encharcar (de charco), enchapelar (de chapéu), enchumaçar c) após o grupo inicial me: mexer, mexerica, mexerico, mexilhão, mexicano. A única d) nas palavras de origem indígena ou africana e nas palavras inglesas aportuguesadas: xavante, xingar, xique-xique, xará, xerife, xampu.

Atente para a grafia das seguintes palavras: capixaba, bruxa, caxumba, faxina, graxa, laxante, muxoxo, praxe, puxar, relaxar, rixa, roxo, xale, xaxim, xenofobia, xícara. Atente para o uso do dígrafo ch nas seguintes palavras: arrocho, apetrecho, bochecha, brecha, broche, chalé, chicória, cachimbo, comichão, chope, chuchu, chute, debochar, fachada, fantoche, fechar, flecha, linchar, mochila, pechincha, Uma boa dica para fixar a grafia de lixo é associá-la a faxina: depois da faxina, refugos no lixo.

Há vários casos de palavras homófonas cuja grafia se distingue pelo contraste entre o “x” e o “ch”. Eis algumas delas: chá (planta para preparo de bebida) e xá (título do antigo soberano do Irã); cocho (vasilha para alimentar animais) e coxo (capenga, imperfeito);

tacha (mancha, defeito; pequeno prego) e taxa (imposto, tributo); daí, tachar (colocar defeito ou nódoa em alguém) e taxar (cobrar impostos).

O FONEMA /g/ (letras “g” e “j”) – nota da ledora: este fonema já foi descrito em capítulo anterior, é o que se parece com um número 3, com a perninha inferior, mais alongada. Sua representação lembra – fim da nota.

A letra g somente representa o fonema /g/ diante das letras e e i. Diante das letras “a”, “o” e “u”, esse fonema é necessariamente representado pela letra j.

Usa-se a letra g: a) nos substantivos terminados em -agem, -igem, -ugem: agiotagem, aragem, barragem, contagem, coragem, garagem, malandragem, miragem, viagem; fuligem, impigem (ou impingem), origem, vertigem; ferrugem, lanugem, rabugem, salsugem. b) nas palavras terminadas em -ágio, -égio, -igio, -ógio, -úgio: adágio, contágio, estágio, pedágio; colégio, egrégio; litígio, prestígio; necrológio, relógio; refúgio, subterfúgio. Preste atenção ainda às seguintes palavras grafadas com g: aborígine, agilidade, algema, apogeu, argila, auge, bege, bugiganga, cogitar, drágea, faringe, fugir, geada, gengiva, gengibre, gesto, gibi, herege, higiene, impingir, monge, rabugice, tangerina, tigela, vagem.

Usa-se a letra j: a) nas formas dos verbos terminados em -jar: arranjar (arranjo, arranje, arranjem, por exemplo); despejar (despejo, despeje, despejem); enferrujar (enferruje, enferrujem), b) nas palavras de origem tupi, africana, árabe ou exótica: jê, jibóia, pajé, jirau, caçanje, c) nas palavras derivadas de outras que já apresentam j: gorjear, gorjeio, gorjeta (derivadas de gorja); cerejeira (derivada de cereja); laranjeira (de laranja); lisonjear, lisonjeiro (de lisonja); lojinha, lojista (de loja); sarjeta (de sarja); rijeza, enrijecer (de Preste atenção ainda às seguintes palavras que se escrevem com j: berinjela, cafajeste, granja, hoje, intrujice, jeito, jejum, jerimum, jérsei, jiló, laje, majestade, objeção, objeto, ojeriza, projétil (ou projetil), rejeição, traje, trejeito.

– nota da ledora: anúncio de meia página, da fábrica de brinquedos Estrela, com a legenda: Não dá pra compreender como te supermercado que vende jiló, e não vende brinquedo. Pelo visto nosso amiguinho é daqueles que consideram jiló ruim pra chuchu (na foto, criança fazendo cara feia! ) – fim da nota.

b) Sentia-se rebai( )ado porque os pneus de seu carro eram recau( )utados. c) A en( )urrada causou muitos transtornos a população de bai( )a renda. Muitas d) Não me( )a nisso! E não seja me( )eriqueiro! Deixe as me( )as do cabelo de sua irmã em paz! f) A filha da fa()ineira pegou ca( )umba. Foi por isso que a pobre senhora não veio trabalhar e não porque seja rela( )ada, como você quer dar a entender com um g) Suas bo( )e( )as estavam ro( )as de frio. E mesmo assim ela não queria usar o ( )ale que eu lhe oferecia.

2. Complete as lacunas das frases abaixo com as letras apropriadas: a) Foi à feira e comprou ( )u( )us, berin( )elas, tan( )erinas, ( )en( )ibre e um quilo de b) A via( )em foi adiada por alguns dias. Os pais não querem que os filhos via( )em c) Deixaram que a ferru( )em tomasse conta de todos aqueles velhos objetos. E possível e) Sinto-me lison( )eado com a homena( )em prestada pelos vare( )istas desta re( )ião f) Seu prestí( )io declinava à proporção que a ori( )em de seus bens era investigada. g) Com a( )ilidade, apanhou a ti( )ela e encheu-a de ar( )ila. A seguir, com alguns ( )estos, modelou alguma coisa que não consegui distinguir.

3. Escreva uma frase com cada uma das seguintes palavras: tachar, taxar; cheque, xeque; cocho, coxo.

O FONEMA /z/ (LETRA “s” e “z”) A letra s representa o fonema /z/ quando é intervocálica: asa, mesa, riso. Usa-se a letra s: a) nas palavras que derivam de outra em que já existe s: b) nos sufixos: -ês, -esa (para indicação de nacionalidade, título, origem): chinês, chinesa; marquês, marquesa; burguês, burguesa; calabrês, calabresa; duquesa; baronesa; -ense, -oso, -osa (formadores de adjetivos): paraense, caldense, catarinense, portense; amoroso, amorosa; deleitoso, deleitosa; gasoso, gasosa; espalhafatoso, espalhafatosa; -isa (indicador de ocupação feminina): poetisa, profetisa, papisa, sacerdotisa, pitonisa. c) após ditongos: lousa, coisa, causa, Neusa, ausência, Eusébio, náusea. d) nas formas dos verbos pôr (e derivados) e querer: pus, pusera, pusesse, puséssemos; repus, repusera, repusesse, repuséssemos; quis, quisera, quisesse, quiséssemos. Atente para o uso da letra s nas seguintes palavras: abuso, aliás, anis, asilo, atrás, através, aviso, bis, brasa, colisão, decisão, Elisabete, evasão, extravasar, fusível, hesitar, Isabel, lilás, maisena, obsessão (mas obcecado), ourivesaria, revisão, usura, vaso.

Usa-se a letra z: a) nas palavras derivadas de outras em que já existe z: deslize – deslizar, raiz – enraizar Como batizado deriva do verbo batizar, também se grafa com z.

– nota da ledora : propaganda do videocassete Toshiba, com legenda: tecla exclusiva – fim da nota.

b) nos sufixos: -ez, -eza (formadores de substantivos abstratos a partir de adjetivos): rijo, rijeza; rígido, rigidez; nobre, nobreza; surdo, surdez; inválido, invalidez; intrépido, intrepidez; sisudo, -izar (formador de verbos) e ção (formador de substantivos): civilizar, civilização; humanizar, humanização; colonizar, colonização; realizar, realização; hospitalizar, hospitalização. Não confunda com os casos em que se acrescenta o sufixo -ar a palavras Observe o uso da letra z nas seguintes palavras: assaz, batizar (mas batismo), bissetriz, buzina, catequizar (mas catequese), cizânia, coalizão, cuscuz, giz, gozo, prazeroso, regozijo, talvez, vazar, vazio, verniz.

– nota da ledora: quadro de destaque na página Há palavras homófonas em que se estabelece distinção escrita por meio do contraste s/z: – fim do quadro de destaque e da nota da ledora.

Em muitas palavras, o fonema /z/ é representado pela letra x: exagero, exalar, exaltar, exame, exato, exasperar, exausto, executar, exemplo, exeqüível, exercer, exibir, exílio, exímio, existir, êxito, exonerar, exorbitar, exorcismo, exótico, exuberante, inexistente, inexorável.

O FONEMA /s/ (LETRAS “s”, “c”, “ç” e “x” ou DÍGRAFOS “sc”, “sc”, “ss”, “xc” e “xs”) Observe os seguintes procedimentos em relação à representação gráfica desse fonema: a) a correlação gráfica entre nd e ns na formação de substantivos a partir de verbos: ascender, ascensão; distender, distensão; expandir, expansão; suspender, suspensão; b) a correlação gráfica entre ced e cess em nomes formados a partir de verbos: ceder, cessão; conceder, concessão; interceder, intercessão; exceder, excesso, c) a correlação gráfica entre ter e tenção em nomes formados a partir de verbos: abster, abstenção; ater, atenção; conter, contenção; deter, detenção; reter, retenção.

Observe as seguintes palavras em que se usa o dígrafo sc: acrescentar, acréscimo, adolescência, adolescente, ascender (subir), ascensão, ascensor, ascensorista, ascese, ascetismo, ascético, consciência, crescer, descender, discente, disciplina, fascículo, fascínio, fascinante, piscina, piscicultura, imprescindível, intumescer, irascível, miscigenação, miscível, nascer, obsceno, oscilar, plebiscito, recrudescer, reminiscência, Na conjugação dos verbos acima apresentados, surge sç: nasço, nasça; cresço, cresça. Em algumas palavras, o fonema /s/ é representado pela letra x: auxilio, auxiliar, contexto, expectativa, expectorar, experiência, experto (conhecedor, especialista), expiar (pagar), expirar (morrer), expor, expoente, extravagante, extroversão, Cuidado com esplendor e esplêndido.

Há casos em que se criam oposições de significado devido ao contraste gráfico. Observe: acento (inflexão de voz ou sinal gráfico) e assento (lugar para se sentar); cessão (ato de ceder), seção ou secção (repartição ou departamento; divisão) e concerto (acordo, arranjo, harmonia musical) e conserto (remendo, reparo); espiar (olhar, ver, espreitar) e expiar (pagar uma culpa, sofrer castigo); intenção ou tenção (propósito, finalidade) e intensão ou tensão (intensidade, esforço); – fim da nota de destaque e da ledora.

Podem ocorrer ainda os dígrafos xc, e, mais raramente, xs: exceção, excedente, exceder, excelente, excesso, excêntrico, excepcional, excerto, exceto, excitar; exsicar, exsolver, exsuar, exsudar.

AINDA A LETRA “x” Esta letra pode representar dois fonemas, soando como “ks”: afluxo, amplexo, anexar, anexo, asfixia, asfixiar, axila, boxe, climax, complexo, convexo, fixo, flexão, fluxo, intoxicar, látex, nexo, ortodoxo, óxido, paradoxo, prolixo, reflexão, reflexo, saxofone, sexagésimo, sexo, tóxico, toxina.

AS LETRAS “e” E “i” a) Cuidado com a grafia dos ditongos: os ditongos nasais /ãj/ e /ãj/ escrevem-se ãe e õe: mãe, mães, cães, pães, cirurgiães, – só se grafa com i o ditongo /ãj/, interno: cãibra (ou câimbra).

b) Cuidado com a grafia das formas verbais: – as formas dos verbos com infinitivos terminados em -oar, e -uar são grafadas com “e”: – as formas dos verbos infinitivos terminados em -air, -oer, e -uir, são grafadas com “i”: c) Cuidado com as palavras se, senão, sequer, quase e irrequieto.

– nota da ledora: quadro de destaque da página: A oposição e/i é responsável pela diferenciação de várias palavras: descrição (ato de descrever) e discrição (qualidade de quem é discreto); emigrar (sair do país onde se nasceu) e imigrar (entrar em país estrangeiro); eminente (de condição elevada) e iminente (inevitável, prestes a ocorrer); – fim da nota de destaque e da ledora.

AS LETRAS “o” E “u” A oposição o/u é responsável pela diferença de significado entre várias palavras: sortir (abastecer) e surtir (resultar).

A LETRA “h” É uma letra que não representa fonema. Seu uso se limita aos dígrafos ch, lh e nh, a algumas interjeições (ah, hã, hem, hip, hui, hum, oh) e a palavras em que surge por razões etimológicas. Observe algumas palavras em que surge o h inicial: hagiografia, haicai, hálito, halo, hangar, harmonia, harpa, haste, hediondo, hélice, Hélio, Heloisa, hemisfério, hemorragia, Henrique, herbívoro (mas erva), hérnia, herói, hesitar, hífen, hilaridade, hipismo, hipocondria, hipocrisia, hipótese, histeria, homenagem, hóquei, horror, Hortênsia, horta, horto (jardim), hostil, humor, húmus. Em Bahia, o h sobrevive por tradição histórica. Observe que nos derivados ele não é usado: baiano, baianismo.

Aírton, Alcântara, Ânderson, Ângelo, Antônio, Artur, Baltasar, Cardoso, César, Elisa, Ênio, Félix, Filipe, Heitor, Helena, Hercílio, Hilário, lberê, Inês, Íris, Isa, Isidoro, laci, Jacira, Jéferson, Juçara, Juscelino, Leo, Lis, Lisa, Luis, Luísa, Luzia, Macedo, Mansa, Minam, Morais, Natacha, Odilon, Priscila, Rosângela, Selene, Sousa, Taís, Teresa, – fim do quadro de destaque, e da nota da ledora.

– nota da ledora – propaganda do Banco Itaú com os seguintes dizeres: A família de Luís Guilhernie Davidson convida parentes e amigos para o luau de 7o. dia a realizar-se em Cancun, onde ele passa férias com a mulher e os filhos. – fim da nota.

Os nomes próprios do português também estão sujeitos a regras ortográficas, como Luís, no anúncio acima.

ATIVIDADES 1. Observe o sentido com que foram empregadas as palavras destacadas nas frases abaixo. Copie cada uma dessas palavras em seu caderno e procure atribuir-lhes sinônimos: – nota da ledora : como as palavras estão destacadas por negrito, visualmente, serão destacadas aqui, entre parênteses – fim da nota da ledora.

a) A imprensa reprovou o gesto (imoral) feito publicamente pelo governante. – É uma criança! Suas atitudes são (amorais!) b) O (comprimento) do terreno não atendia às necessidades da construtora. e) Cuidado para não lhe (infligir) uma desmoralização injusta! Foi multado ao (infringir) pela duodécima vez a mesma lei do trânsito. E ainda acha que tem razão! f) Seu (mandato) foi encerrado quando o oficial de justiça lhe apresentou o mandado de g) O deputado resolveu abandonar a vida pública. Não se disputariam mais (pleitos!) Seu rosto (vultuoso) fê-lo procurar um médico.

di( )emina( )ão das redes de informática implica custos com os quais alguém terá de arcar. Mas se todas essas limita( )ões sugerem cautela quanto à real influên( )ia da revolu( )ão nas comunica( )ões, é certo que o mundo está diante de um novo fenômeno cujo potencial democrático – entre outras tantas facetas – ainda é minimamente e( )plorado.

(Folha de S. Paulo, 5 fev. 1996.) TEXTO PARA ANÁLISE -nota da ledora: o texto dado para a análise, é uma propaganda da Sharp, com os seguintes dizeres: Para você nunca mais ter de assistir à Orquestra de Berlim, ao som – novos TVs Sharp com fones de ouvido sem fio, os barulhos fora da sua programação. – fim da nota da ledora.

TRABALHANDO O TEXTO QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES 1 (UFPE) Assinale a alternativa em que todas as palavras devem ser completadas com a letra indicada entre parênteses: a) *ave, *alé, *ícara, *arope, *enofobia (x) b) pr*vilégio, requ*sito, *ntitular, *mpedimento (i) c) ma*ã, exce*ão, exce*o, ro*a (ç) e) pure*a, portugue*a, cortê*, anali*ar (z) 2 (Univ.Alfenas-MG) Organizamos um ( ) musical ( ) e tivemos o ( ) de contar com um público educado que teve o bom ( ) de permanecer em silêncio durante o a) conserto, beneficiente, privilégio, senso b) concerto, beneficente, privilégio, censo c) concerto, beneficente, privilégio, senso d) conserto, beneficente, previlégio, senso e) concerto, beneficiente, previlégio, censo 3 (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas a) disenteria, páteo, siquer, goela b) capoeira, empecilho, jabuticaba, destilar c) boliçoso, bueiro, possue, crânio d) borburinho, candieiro, bulir, privilégio e) habitue, abotoe, quase, constróe 4 (Univ. Alfenas-MG) Apenas uma das frases abaixo está totalmente correta quanto c) Quiz fazer coisas que não sabia.

5 (UM-SP) Aponte, entre as alternativas abaixo, a única em que todas as lacunas devem ser preenchidas com a letra u: a) c( )rtume, escap( )lir, man( )sear, sin( )site b) esg( )elar, reg( )rgitar, p( )leiro, ent( )pir c) emb( )lia, c( )rtir, emb( )tir, c( )ringa d) ( )rticária, s( )taque, m( )cama, z( )ar e) m( )chila, tab( )leta, m( )ela, b( )eiro 6 (PUC-SP) Barbarismos ortográficos acontecem quando as palavras são grafadas em desobediência à lei ortográfica vigente. Indique a única alternativa que está de acordo com essa lei e, por isso, correta: a) exceção, desinteria, pretensão, secenta b) ascensão, intercessão, enxuto, esplêndido c) rejeição, beringela, xuxu, atrazado d) geito, mecher, consenso, setim e) discernir, quizer, herbívoro, fixário 7 (UNICAMP-SP) A linguagem é figura do entendimento (…). Os bons falam virtudes e os maliciosos, maldades (…). Sabem falar os que entendem as coisas: porque das coisas O trecho citado extraído da primeira gramática da língua portuguesa (Fernão de Oliveira, 1536), tinha, na primeira edição dessa obra, a seguinte ortografia: A Lingoagem e figura do entendimento (…) os bos falão virtudes e os maliçiosos maldades (…) sabe ( nota da ledora: sabe com til no e, – fim da nota) falar os q etere (nota da ledora: q étéré, com o til nas letras q, 1o. 2o. e 3o. e ) as cousas: porq (nota da ledora: porq, com acento til no q – fim da nota ) das cousas naçe (nota da ledora: naçe, com acento til no e, – fim da nota ) as palauras e não das palauras as cousas.

– nota da ledora: lembramos ao leitor que este pequeno texto, é reproduzido com grafia do ano de 1536, e a configuração do editor de texto não permite alteração nos oito idiomas que trabalhamos, já que acentuações em determinadas letras, não são aceitas nos mesmos. Por este motivo, fizemos um comentário maior a respeito do texto, pelo que nos desculpamos, na tentativa de elucidar melhor a grafia utilizada, na época. Mas programas são limitados… – fim da nota da ledora.

A ortografia do português já foi, portanto, bem diferente da atual, e houve momentos em que as pessoas que escreviam gozavam de relativa liberdade na escolha das letras. Hoje em dia, a forma escrita da língua é regida por convenções ortográficas rígidas, que Leia com atenção os trechos abaixo, tirados de edições de setembro de um jornal de São Paulo. Identifique as palavras em que foi violada a convenção ortográfica vigente. b) Mais de metade desses policiais extrapola os limites do dever por serem mau preparados.

b) Forme verbos a partir de: análise, síntese, paralisia, civil, liso 15 (UFPR) Assinale a alternativa correspondente à grafia correta dos vocábulos: a) z, z, s, s b) z, s, z, s c) s, z, s,s d) s,s, z, s e) z, z, s, z 16 (FUVEST-SP) Preencha os espaços com as palavras grafadas corretamente. A ( ) de uma guerra nuclear provoca uma grande ( ) na humanidade e a deixa ( ) a) espectativa, tensão, exitante b) espectativa, tenção, hesitante c) expectativa, tensão, hesitante d) expectativa, tenção, hezitante e) espectativa, tenção, exitante 17 (UFV-MG) Observando a grafia das palavras destacadas nas frases abaixo, assinale a alternativa que apresenta erro: ( nota da ledora: as palavras destacadas foram colocadas entre parênteses – fim da nota da ledora. ) a) Aquele (hereje) sempre põe (empecilho) porque é muito (pretencioso). b) Uma falsa meiguice encobria-lhe a (rigidez) e a falta de (compreensão). e) Eles (quiseram) fazer (concessão) para não (ridicularizar) o (estrangeiro).

grafadas: a) tecer, vazar, aborígene, tecitura, maisena b) rigidez, garage, dissenção, rigeza, cafuzo c) minissaia, paralisar, extravasar, abscissa, co-seno d) abscesso, rechaçar, indu, soçobrar, coalizão e) lambujem, advinhar, atarraxar, bússola, usofruto 22 (F. C. Chagas-SP) Estavam ( ) de que os congressistas chegassem ( ) para a ( ) de a) receosos, atrasados, sessão b) receosos, atrazados, seção c) receinsos, atrazados, seção d) receiosos, atrasados, sessão e) receíosos, atrazados, sessão 23 (F. C. Chagas-SP) A ( ) das ( ) levou à ( ) dos trabalhos do departamento. a) contenção, despezas, paralisação b) contensão, despezas, paralisação c) contenção, despesas, paralisação d) contensão, despesas, paralização e) contenssâo, despesas, paralização 24 (UNIMEP-SP) Assinale a alternativa que contém o período cujas palavras estão grafadas corretamente: e) Ele quis analisar a pesquisa que eu realisei.

b) antidiluviano, sanguissedento, aguarraz, atribue c) ineludivel, engolimos, sobressaem, explendoroso d) encoragem, rijeza, tecitura, turbo-hélice e) dissensão, excurcionar, enxugar, asimétrico a) tenacidade, obscecado b) tenacidade, obcecada c) tenascidade, obscecada d) tenascidade, obcecada e) tenacidade, obsecada 29 (F. C. Chagas-SP) Não creio que este fato constitua ( ) para sua ( ) na carreira. a) empecilho, ascensão b) empecilio, ascenção c) impecilho, ascensão d) empecílio, ascensão e) empecilho, ascenção 30 (ITA-SP) Examinando as palavras: viajens gorgeta maizena chícara constatamos que: e) nenhuma está escrita corretamente.

31 (PUC-RJ) Preencha as lacunas com s,ss, ç, sc, sç, xc ou x: c) A e( )entricidade era sua característica mais marcante.

d) mágua, escárnio, desprêzo e) mágoa, escárneo, desprezo CAPÍTULO 4 – ACENTUAÇÃO – nota da ledora: dois terços da página são ocupados por um anúncio do Grupo Pão de Açúcar com os seguintes dizeres: Os tubarões do orçamento, os elefantes das estatais, os cobras da informática, as zebras do futebol, as gatas da moda, e os dinossauros do rock. Para lidar com todos esses bichos, só começando como foca. – Homenagem do Pão de Açúcar, Extra, Superbox, Peg e Faça, e Eletro às feras do jornalismo. Nós sabemos – fim da nota da ledora.

Lendo este anúncio, você perceberá um fato (aparentemente) espantoso: a maioria das palavras não recebe acento gráfico. O princípio que presidiu à elaboração das regras de acentuação do português foi justamente o da economia, reservando os acentos gráficos para as palavras minoritárias da língua. Você se convencerá disso a seguir.

1. CONCEITOS BÁSICOS Neste capítulo, estudaremos as regras de acentuação. Elas foram criadas para estabelecer um sistema que organize a questão da tonicidade (intensidade de pronúncia) da sílaba portuguesa.

Quando você diz café, uma das sílabas é pronunciada com mais intensidade do que a outra.

Você deve ter percebido que a sílaba mais forte é fé, que é a tônica. A outra sílaba, “ca”, é fraca, ou seja, é pronunciada com pouca intensidade tonal. Por isso é átona. A parte da acentuação que estuda a posição dessas sílabas nas palavras recebe o nome de Na língua escrita, há elementos que procuram apresentar a posição da sílaba tônica e outras particularidades, como timbre (abertura) e nasalização das vogais. Esses elementos são os chamados acentos gráficos. O estudo das regras que disciplinam o uso adequado desses sinais é a acentuação gráfica.

2 ACENTUAÇÃO TÔNICA Quem é que não conhece aquela famosa brincadeira que se faz com as palavras sabia/sabiá? “Você sabia que o sabiá sabia assobiar?” A brincadeira se baseia na diferente posição da sílaba tônica de sabia (bi) e de sabiá (á). Seria possível, ainda, Na língua portuguesa, a sílaba tônica pode aparecer em três diferentes posições; consequentemente, as palavras podem receber três classificações quanto a esse aspecto: a) oxítonas são aquelas cuja sílaba tônica É a última: você, café, jiló, alguém, ninguém, b) paroxítonas são aquelas cuja sílaba tônica é a penúltima: gente, planeta, homem, alto, âmbar, éter, dólar, pedra, caminho, amável, táxi, hífen, álbum, vírus, tórax;

c) proparoxítonas – são aquelas cuja sílaba tônica é a antepenúltima: lágrima, trânsito, Você observou que, nos exemplos dados para os três casos, só há palavras com mais de uma sílaba. Quanto às de apenas uma sílaba, os chamados monossílabos, há divergências quanto à sua classificação tônica. Quando apresentam tonicidade, como no caso de má, pó, fé, há quem as considere simplesmente monossílabos tônicos. Outros preferem dizer que são “oxítonas de apenas uma sílaba”. A questão é polêmica, mas a primeira tese (monossílabos tônicos) tem mais adeptos.

– nota da ledora: propaganda da Samello com a seguinte legenda: Deckshoes Samello. Seus pés prontos para o verão – representação dos cinco dedos do pé, cada um usando – fim da nota.

É importante destacar que só se percebe se um monossílabo é tônico ou átono pronunciando-o numa seqüência de palavras, ou seja, numa frase. Experimente com o verbo pôr e a preposição por. Leia a frase “Fazer por fazer” e depois substitua o verbo fazer pelo verbo pôr (“Pôr por pôr”). Que tal? Fica clara a diferença entre o verbo, que é tônico, e a preposição, que é átona. Note que o “o” da preposição por tende a ser lido Qual é a sílaba tônica de pele? Como você pronuncia o segundo e? Como i (“peli”), não é? O e átono é pronunciado como “i”, e o “o”, como u.Veja esta frase: Percebeu a diferença entre más e mas? A primeira é um monossílabo tônico; a segunda é um monossílabo átono. Em português, existem algumas palavras dissílabas átonas, como a preposição para.

Prosódia A língua culta determina a posição correta da sílaba tônica de uma palavra. É muito comum a divergência entre a pronúncia praticada no dia-a-dia e a recomendada pelos dicionários e gramáticas. Quase ninguém pronuncia “dúplex” (paroxítona), como recomendam os dicionários. O que se ouve mesmo é “duplex” (oxítona). A parte da Fonologia que estuda e fixa a posição da sílaba tônica é a prosódia. Quando ocorre um erro de prosódia, ou seja, a troca da posição da sílaba tônica, verifica-se o que se chama de silabada. É bom lembrar que a pronúncia culta sempre prevalece nesses casos. Leia em voz alta as palavras a seguir, destacando a sílaba tônica. Procure memorizar e São oxítonas: cateter, condor, ruim, ureter, Nobel, mister (“Para viver um grande amor, São paroxítonas: avaro, austero, aziago, ciclope, filantropo, ibero, pudico, juniores, São proparoxítonas: aerólito, ínterim, aríete, levedo, ômega, bávaro, crisântemo, hieróglifo/hieroglifo; projétil/projetil; reptil/reptil; Oceânia/Oceania; transistor/transistor; xérox/xerox. O melhor mesmo é não “chutar”. Dúvidas quanto à prosódia devem ser resolvidas por meio de consulta a um bom dicionário.

sílaba tônica: – nota da ledora: as palavras destacadas foram colocadas entre parênteses – fim da nota.

f) Não (contem) com a participação dele. Ele alega que nosso movimento (contém) interesses particulares e que, por isso, não (está) disposto a contribuir para (esta) causa. j) Ele (citara) o nome do amigo durante o primeiro depoimento. Todos aguardam para saber se ele o (citará) novamente.

Classificação das palavras quanto à tonicidade a) palavras de uma sílaba: b) palavras de mais de uma sílaba: proparoxítonas, quando a sílaba tônica é a antepenúltima.

2. Classifique os monossílabos destacados nas frases seguintes, de acordo com a tonicidade: f) (Sê) feliz com teus sonhos, meu amigo, (e) constrói (a) tua vida.

3. Substitua cada uma das palavras ou expressões destacadas nas frases seguintes por uma única palavra. As palavras procuradas costumam oferecer problemas de prosódia; b) Foi necessário introduzir um (instrumento médico tubular) em seu antebraço. e) É um indivíduo (que evita o convívio social). Sua conduta (é cheia de gravidade e f) Ele se diz um especialista em (leitura das mãos e leitura das cartas). E jura que só g) A partida entre o time dos (mais jovens) e o time dos (mais velhos) bateu (a melhor h) Não foi possível obter a (assinatura abreviada) dos participantes do encontro.

i) O (modelo) do avião estava em exposição nos arredores do (campo de pouso e j) Fomos e voltamos em poucos minutos; nesse (intervalo), ele desapareceu.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA OS ACENTOS A acentuação gráfica consiste na aplicação de certos sinais escritos sobre algumas letras para representar o que foi estipulado pelas regras de acentuação, que estudaremos adiante. Esses sinais, que fazem parte dos diacríticos – além dos acentos, o trema, o til, o apóstrofo e o hífen -,são: a) o acento agudo (`) – colocado sobre as letras a, i, u e sobre o e do grupo -em, indica que essas letras representam as vogais tônicas da palavra: carcará, caí, súdito, armazém. Sobre as letras “e” e “o”, indica, além de tonicidade, timbre aberto: lépido, céu, léxico, b) o acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, “e” e “o”, indica, além de c) o trema (“) – indica que o u é semivogal, ou seja, é pronunciado atonamente nos d) o til (~) – indica que as letras a e o representam vogais nasais: alemã, órgão, portão, e) o acento grave (`) – indica a ocorrência da fusão da preposição a com os artigos a e as, com os pronomes demonstrativos a e as e com a letra a inicial dos pronomes aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo: à, às, àquele, àquilo.

ASPECTOS GENÉRICOS DAS REGRAS DE ACENTUAÇÃO As regras de acentuação foram criadas para sistematizar a leitura das palavras portuguesas. Seu objetivo é deixar claros todos os procedimentos necessários para que ninguém tenha nenhuma dúvida quanto à posição da sílaba tônica, o timbre da vogal, o fonema representado pela letra u, a nasalização da vogal.

As regras fundamentais de acentuação gráfica baseiam-se numa constatação que pode facilmente ser observada nas palavras que aparecem na canção “Onde anda você”, de Hermano Silva e Vinicius de Moraes, cuja letra diz: E, por falarem beleza, onde anda a canção que se ouvia na noite, Nos bares de então, onde a gente ficava, onde a gente se amava Hoje eu saio na noite vazia, numa boemia sem razão de ser Na rotina dos bares, que, apesar dos pesares, me trazem você E, por falarem paixão, em razão de viver Você bem que podia me aparecer Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares Onde anda você?

Há no texto 106 palavras. Você pode conferir, se não confiar na contagem. Aproveite e procure as palavras proparoxítonas do texto. Procurou? Quantas há? Nenhuma. Das palavras de mais de uma sílaba (sessenta e duas), quarenta e três são paroxítonas. Esses dados correspondem exatamente ao perfil básico da tonicidade das palavras da língua portuguesa: as proparoxítonas são pouco comuns, as paroxítonas são maioria e as Além disso, é possível observar que todas as paroxítonas do texto terminam em “a”, “e” e “o”, e nenhuma recebe acento gráfico. Esses fatos provam que as regras foram feitas para evitar a acentuação das palavras mais comuns na língua. Aliás, você deve ter percebido que, das 106 palavras do texto, apenas oito recebem algum tipo de acento, incluindo o til, e que só a palavra você apareceu quatro vezes.

– nota da ledora: propaganda da Bradesco Seguros de automóveis: na foto, um pincel de barbeiro, usado para espalhar o creme de barbear no rosto do cliente, e a legenda: Esta cidade está cheia de barbeiros. – alusão aos maus motoristas – fim da nota.

As regras de acentuação se regem por princípio da economia: por isso esta (paroxítona) não recebe acento, mas está (oxítona) sim.

E por que você, oxítona terminada em e, leva acento? Porque as oxítonas terminadas em e são menos numerosas que as paroxítonas terminadas em “e”. Para comprovar isso, basta verificar que quase todos os verbos apresentam pelo menos uma forma paroxítona terminada em e (fale, pense, grite, estude, corre, sofre, perde, vende, permite, dirige, assiste, invade). E o que se acentua, a maioria ou a minoria? A minoria, sempre a Que tal, então, parar de dizer que há muitos acentos em português?

AS REGRAS BÁSICAS Como vimos, as regras de acentuação gráfica procuram reservar os acentos para as palavras que se enquadram nos padrões prosódicos menos comuns da língua portuguesa. Disso, resultam as seguintes regras básicas: a) proparoxítonas – são todas acentuadas. E o caso de: lâmpada, Atlântico, Júpiter, ótimo, flácido, relâmpago, trôpego, lúcido, víssemos.

b) paroxítonas – são as palavras mais numerosas da língua e justamente por isso as que recebem menos acentos. São acentuadas as que terminam em: us, um, uns: vírus, bônus, álbum, parabélum (arma de fogo), álbuns, parabéluns; l, n, r, x, ps: incrível, útil, próton, elétron, éter, mártir, tórax, ônix, bíceps, fórceps; ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de s: água, árduo, pônei, vôlei, c) oxítonas – são acentuadas as que terminam em: em, ens: alguém, vintém, armazéns, parabéns.

Verifique que essas regras criam um sistema de oposição entre as terminações das oxítonas e as das paroxítonas. Compare as palavras dos pares seguintes e note que os acentos das paroxítonas e os das oxítonas são mutuamente excludentes: d) monossílabos tônicos – são acentuados os terminados em: o, os: só, xô, nós, pôs.

– nota da ledora: propaganda do bombom Sonho de Valsa, da Lacta, com o seguinte teor: Foi bombom para você também? – apresentando uma foto do bombom – fim da nota.

Temos acima duas oxítonas acentuadas: você (porque termina em e) e também (pois sua terminação é em).

cujo número de letras vem indicado entre parênteses. Procure identificar esse monossílabo, grafando-o corretamente: a) (Entregue) (2) os papéis a ele. Diga-lhe que não (coloquei) (3) minha rubrica em d) Colocou (3) as mãos em operação e tentou desfazer os (emaranhados) (3) que as f) Hoje ele deu duro: espanou (poeira) (2), carregou botijões de (combustível para fogão de cozinha) (3), lavou o piso (4) e ainda (colocou) (3) nossa única cabeça de gado (3) g) Sentimos pena (2) e revolta.

AS REGRAS ESPECIAIS: Além dessas regras que você acabou de estudar e que se baseiam na posição da sílaba tônica e na terminação, há outras, que levam em conta aspectos específicos da sonoridade das palavras. Essas regras são aplicadas nos seguintes casos:

HIATOS Quando a segunda vogal do hiato for i ou u, tônicos, acompanhados ou não de s, haverá acento: saída, proíbo, faísca, caíste, saúva, viúva, balaústre, carnaúba, país, aí, baú, Cuidado: se o i for seguido de nh, não haverá acento. É o caso de: rainha, moinho, tainha, campainha. Também não haverá acento se a vogal i ou a vogal u se repetirem, o Convém lembrar que, quando a vogal i ou a vogal u forem acompanhadas de outra letra que não seja s, não haverá acento: ruim, juiz, paul, Raul, cairmos, contribuiu, contribuinte.

Quando, nos grupos ee e oo, a primeira vogal for tônica, haverá acento circunflexo: crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, prevêem, revêem, côo, vôo, enjôo, magôo, Note que a terminação êem é exclusiva dos verbos crer, dar, ler, ver e derivados (descrer, reler, prever, rever, antever e outros). Não ocorre a terminação êem nos verbos ter, vir e derivados (deter, manter, entreter, conter, reter, obter, abster, intervir, convir, provir e outros).

também não haverá acento, como em azeite, manteiga, eu, judeu, hebreu, apoio, arroio, comboio.

Coloca-se trema sobre a letra u pronunciada atonamente nos grupos gue, gui, que, qui, nos quais acaba ocorrendo ditongo crescente: lingüiça, seqüestro, eqüino, agüentar, Cuidado: se nesses mesmos grupos (gue, gui, que, qui) a letra u for pronunciada tonicamente, haverá acento agudo, como em apazigúe, obliqúe, argúi, argúem, averigúe, averigúem, obliqúem.

FORMAS VERBAIS SEGUIDAS DE PRONOMES OBLÍQUOS Para acentuar as formas verbais associadas a pronomes oblíquos, leve em conta apenas o verbo, desprezando o pronome. Considere a forma verbal do jeito que você a pronuncia e aplique a regra de acentuação correspondente. Em cortá-lo, considere cortá, oxítona terminada em a e, portanto, acentuada. Em incluí-lo, considere incluí, em que ocorre hiato. Já em produzi-lo, não há acento, porque produzi é oxítona terminada em i.

-nota da ledora: Propaganda da Manufatura de Cinema, com a palavra Seqüência – e a seguinte legenda: O trema em seqüência assinala a letra u pronunciada atonamente no – fim da nota.

ACENTOS DIFERENCIAIS Existem algumas palavras que recebem acento excepcional, para que sejam diferenciadas, na escrita, de suas homônimas. São casos muito particulares e, por isso mesmo, pouco numerosos. Convém iniciar a relação lembrando o acento que diferencia a terceira pessoa do singular da terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos ter e vir: ele tem – eles têm ele vem – eles vêm Com os derivados desses verbos, é preciso lembrar que há acento agudo na terceira pessoa do singular e circunflexo na terceira do plural do presente do indicativo: ele detém – eles detêm ele mantém – eles mantêm ele intervém – eles intervêm ele provém – eles provêm ele obtém – eles obtêm ele convém – eles convêm – nota da ledora: – nesta página, apresentam-se quatro logotipos usados por guardadores de carros – fim da nota.

No 2o.e no 3o. quadros, pára recebe acento porque é forma do verbo parar. O acento serve para distingui-la de para (sem acento), preposição.

Existe apenas um acento diferencial de timbre em português: pôde (terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo poder), diferencial de pode (terceira do singular). Há ainda algumas palavras que recebem acento diferencial de tonicidade, ou seja, são palavras que se escrevem com as mesmas letras, mas têm oposição tônica (uma é tônica, a outra é átona). São as seguintes: pôr (verbo) por (preposição) pára (forma do verbo parar, também presente em algumas palavras compostas: pára-brisa, pára-quedas, pára-raios, pára-lama) para (preposição) côas, côa (formas do presente do indicativo do verbo coar) coas, coa (preposição com + artigo a e as, respectivamente; essas formas são comuns em poesia) péla, pélas (formas do verbo pelar, ou substantivos) pela, pelas (contrações de preposição e artigo) pêlo, pêlos (substantivos) pélo (forma do verbo pelar) pelo, pelos (contrações de preposição e artigo) pêra (substantivo) péra (substantivo) pera (preposição arcaica) pêro, Pêro (substantivos) pero (conjunção arcaica) pôla (substantivo) póla (substantivo) pola (contração arcaica de preposição e artigo) pôlo (substantivo) pólo (substantivo) polo (contração arcaica de preposição e artigo)

TEXTOS PARA ANÁLISE – nota da ledora: anúncio do Jornal do Brasil – classificados – com os seguintes dizeres: – se é pra vender como água, pra quê chover no molhado? Seja direto com quem – fim da nota.

TRABALHANDO O TEXTO Há, no texto acima, um erro de acentuação gráfica. Aponte-o e explique por que ele ocorre.

– nota da ledora: propaganda da Companhia Vale do Rio Doce, nos termos seguintes: Transparência, Eficiência, Coerência. Conseqüência: a Vale ganhou o Prêmio Mauá. – fim da nota.

E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado.

(HOLLANDA, Chico Buarque de. ln: Chico Buarque. São Paulo, Abril Educação, 28-9. Literatura comentada.) – nota da ledora : na página um desenho, alongado, de uma construção estilizada. – fim da nota.

TRABALHANDO O TEXTO 1. Observe a última palavra de cada um dos versos do texto. Por que todas são 2. Por que as palavras do tipo a que se refere a questão anterior são todas acentuadas 3. Além da última palavra de cada verso, só há uma outra acentuada no texto. Qual é e 4. A partir do que se vê no texto e nas três questões anteriores, pode-se concluir que em português as palavras que recebem acento gráfico são maioria ou minoria? Explique. 5. Classifique quanto à tonicidade estas palavras, retiradas do texto: última, máquina, náufrago, música, público, tráfego, último. Se fosse eliminado o acento gráfico, as 6. Que efeito causa o emprego de palavras de mesma acentuação tônica no final de cada 7. “Morreu na contramão atrapalhando o sábado.” Por que se pode dizer que essa é uma maneira irônica e patética de sintetizar o espírito do texto?

d) herói 4 (ACAFE-SC) Assinale a alternativa incorreta: 5 (CEFET-PR) Observando a grafia e acentuação, indique a alternativa em que todas as palavras estão corretas: a) privilégio, espontâneo, ressurreição b) má-criação, abstração, exitação c) maciço, sisudez, classissismo d) acessor, sargeta, senzala e) incursão, propenção, mixto 6 (FUVEST-SP) Assinale a alternativa em que o texto está acentuado corretamente. a) A princípio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgilia era a perfeição mesma, um conjunto de qualidades sólidas e finas, amorável, elegante, austera, um modêlo. b) A princípio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgília era a perfeição mesma, um conjunto de qualidades sólidas e finas, amorável, elegante, austera, um modelo. c) A princípio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgília era a perfeição mesma, um conjunto de qualidades solidas e finas, amoravel, elegante, austera, um modêlo. d) A principio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgilia era a perfeição mesma, um conjunto de qualidades sólidas e finas, amorável, elegante, austera, um modelo. e) A princípio, metia-me grandes sustos. Achava que Virgília era a perfeição mesma, um conjunto de qualidades sólidas e finas, amoravel, elegante, austera, um modelo.

d) através, intuito, álbuns, varíola, sauna e) dolar, zebú, ritmo, atraí-lo, bangalô 10 (PUCC-SP) Assinale a alternativa correspondente à frase em que não há nenhum a) Embora quisesse pôr o caso em discussão, hesitou muito ao perceber o b) À exceção do representante do corpo doscente, puzeram-se a favor da proposta do c) Atraz de tanta segurança, estava a ocultar todo o ressentimento que remoia a anos. d) De tanto remexer na memória o que lhe escapava à compreensão, já não sabia mais o e) Arrependia-se sempre da rispidez com que a recebia, pois não precisava ser advinho para saber que dali há instantes choraria por ela.

11 (PUCC-SP) Assinale a alternativa correspondente à frase em que não há nenhum a) Estavam estranhando no seu geito, e não entendiam o por que de tanta controvérsia se b) O trabalho supunha análise minuciosa de vários itens, o que justificava a exigência de mais tempo para sua execução e de mais material à disposição dos pesquizadores. c) Obrigado à fazer o que ninguém quiz, sentiu-se humilhado, mas de repente suspos d) Pressentiu que eles não tinham percebido a extensão do problema que apontara, e pôde comprovar sua impressão quando se referiram aquilo que dissera, sem dar o e) Hora aqui, hora ali, corria atrás de suas pretensões, sem nenhum excrúpulo de tirar vantagem do que quer que fôsse.

12 (UNESP) justifique a acentuação nos seguintes vocábulos: a) conveniência b) também c) matéria d) espírito 13 (UNESP) Ruínas é uma palavra acentuada. Explique por quê. A seguir, responda: O vocábulo ruim deve ou não levar acento? justifique.

a) pára (verbo), pêlo (subst.), averigúe, urutu b) para (verbo), pelo (subst.), averigúe, urutu c) pára (verbo), pêlo (subst.), averigüe, urutu d) pára (verbo), pelo (subst.), averigüe, urutú e) para (verbo), pelo (subst.), averigue, urutu 16 (UM-SP) Assinale a única alternativa em que nenhuma palavra é acentuada graficamente: a) bonus, tenis, aquele, virus b) repolho, cavalo, onix, grau c) juiz, saudade, assim, flores d) levedo, carater, condor, ontem e) caju, virus, niquel, ecloga 17 (E. C. Chagas-SP) Por favor, ( ) com esse ( ), pois precisamos de ( ) a) para, ruído, tranqüilidade b) para, ruido, tranquilidade c) para, ruído, tranqüilidade d) pára, ruído, tranqüilidade e) pára, ruido, tranqüilidade 18 (PUCC-SP) A última reforma ortográfica aboliu o acento gráfico da sílaba subtônica e o acento diferencial de timbre. Por isso, não há erro de acentuação na alternativa: a) surpresa, pelo (contração), sozinho b) surpresa, pelo (contração), sózinho c) surprêsa, pélo (verbo), sozinho d) surpresa, pêlo (substantivo), sòzinho e) n.d.a.

19 (PUCC-SP) Assinale a alternativa de vocábulo corretamente acentuado: a) hífen b) item c) ítens d) rítmo e) n.d.a.

b) fluido, geléia, Tatui, armazém, caráter c) saúde, melância, gratuito, amendoim, fluído d) inglês, cipó, cafézinho, útil, ltú e) canôa, heroísmo, crêem, Sergípe, bambú 23 (UM-SP) Assinale a alternativa em que a acentuação da forma verbal está incorreta: – fim da nota.

c) Nada me perturba a paz interna, nem mesmo quando a minha consciência me (argui). d) Em quase todas a reuniões, os ministros (retêm) as reformas dos planos de ensino. e) Seus atos inconscientes (intervêm) constantemente na minha tranqüilidade.

24 (UFF-RJ) Só numa série abaixo estão todas as palavras acentuadas corretamente. a) rápido, séde, côrte b) Satanás, ínterim, espécime c) corôa, vatapá, automóvel d) cometí, pêssegozinho, viúvo e) lápis, raínha, côr 25 (FGV-RI) Assinale a alternativa em que todas as palavras estão corretamente grafadas: a) raiz, raízes, sai, apóio, Grajau b) carretéis, funis, índio, hifens, atrás c) juriti, ápto, âmbar, difícil, almoço d) órfão, afável, cândido, caráter, Cristovão e) chapéu, rainha, Bangú, fossil, conteúdo 26 (UFV-MG) Assinale a alternativa em que há erro de acentuação gráfica: a) apóiam, obliqúe, averigúe b) inexcedível, influi, enjôo c) cauím, egoísta, contém d) órgão, estréiam, saúva e) conclui, além-túmulo, médium 27 (UNESP) Abaixo relacionamos algumas palavras: República, porém, reações, vitima, Gegê, emissários, estória, também, contrário, memória, até, água, caique, conclusão Marque a alternativa que contém regra de acentuação gráfica que não seja aplicável a nenhuma das palavras da relação acima: a) Põe-se o acento agudo no i e no u tônicos que não formam ditongo com a vogal b) Todas as palavras proparoxítonas devem ser acentuadas graficamente. Incluem-se neste preceito os vocábulos terminados em encontros vocálicos que podem ser c) Assinala-se com acento agudo o u tônico precedido de g ou q e seguido de e ou i.

d) Assinalam-se com o acento agudo os vocábulos oxítonos que terminam em a, e, o abertos, e com o acento circunflexo os que acabam em e, o fechados, seguidos ou não e) Usa-se o til para indicar a nasalização, e vale como acento tônico se outro acento não figura no vocábulo.

PARTE 2 – MORFOLOGIA CAPÍTULO 5 – ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS – nota da ledora: propaganda com os seguintes teores: Os Gordos – com Nicolau Breyner – domingo, no canal 1, e do Diet Shake – não faça lipo (referência a lipoaspiração) , faça aspiração (mostrando um copo vazio, de diet shake, com um canudo – e uma propaganda – fim da nota.

A língua portuguesa apresenta dois processos básicos para a formação das palavras: a derivação e a composição.

“Os gordos” constitui exemplo de derivação imprópria: a palavra gordos, originalmente adjetivo, converteu-se em substantivo sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em O segundo exemplo alude a uma palavra formada por composição (lipoaspiração) e, decompondo-a, tenta convencer o leitor a gastar seu dinheirinho com guloseimas, em vez de fazê-lo com cirurgia estética.

govern-o goven-a des-govern-o des-govern-a-do govern-a-dor-es in-govern-á-vel in-govern-a-bil-i-dade Cada um desses elementos formadores é capaz de fornecer alguma noção significativa à palavra que integra. Além disso, nenhum deles pode sofrer nova divisão. Estamos diante de unidades de significação mínimas, ou seja, elementos significativos indecomponíveis, a que damos o nome de morfemas.

ATIVIDADES Comparando as palavras a seguir, faça a depreensão dos morfemas que as constituem: a) desatualização b) atualizar c) atual d) atualizado e) atualizada f) atualizados g) atualmente h) reatualizar i) atualizador – nota da ledora: quadro em destaque na página, fim da nota – Selecionando e comparando palavras que contêm alguma semelhança formal entre si, podemos fazer a depreensão dos elementos formadores dessas palavras. Esse trabalho nos mostra que as palavras são formadas por unidade mínimas de significado, os morfemas.

de operar mudança de classe gramatical da palavra a que são acrescentados. Nas palavras que estamos analisando, merecem destaque alguns afixos: prefixos: des-, em desgoverno, desgovernado in-, em ingovernável, ingovernabilidade sufixos -vel, em ingovernável -dor, em governadores -dade, em ingovernabilidade – nota da ledora: quadro de destaque na página – OBSERVAÇÕES : Optamos pelo uso do termo radical para designar o morfema que concentra a significação principal da palavra e que pode ser depreendido por meio de simples comparações entre palavras de uma mesma família. Intencionalmente, não empregamos o termo raiz, que está ligado à origem histórica das palavras. Para identificar a raiz de uma família de vocábulos é necessário um conhecimento específico – fim do quadro e da nota.

Se você agora pluralizar a palavra governo, encontrará a forma governos. Isso nos mostra que o morfema -s, acrescentado ao final da forma governo, é capaz de indicar a Tomando o verbo governar e conjugando algumas de suas formas, você irá perceber modificações na parte final dessa palavra: governava, governavas, governava, governávamos, governáveis, governavam. Essas modificações ocorrem à medida que o verbo vai sendo flexionado em número (singular/plural) e pessoa (primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem se modificarmos o tempo e o modo do verbo Podemos concluir, assim, que existem morfemas que indicam as flexões das palavras. Esses morfemas sempre surgem na parte final das palavras variáveis e recebem o nome de desinências. Há desinências nominais (indicam flexões nominais, ou seja, o gênero e o número) e desinências verbais (indicam flexões do verbo, como número, pessoa, Observe que entre o radical govern- e as desinências verbais surge sempre o morfema – a-. Esse morfema que liga o radical às desinências é chamado vogal temática. Sua função é justamente a de ligar-se ao radical, constituindo o chamado tema. E ao tema (radical + vogal temática) que se acrescentam as desinências. Tanto os verbos como os Há ainda um último tipo de morfema que podemos encontrar: as vogais ou consoantes de ligação. São morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. Temos um exemplo de vogal de ligação na palavra ingovernabilidade: o -i- entre os sufixos -bil- e -dade facilita a emissão vocal da palavra. Outros exemplos de vogais e consoantes de ligação podem ser vistos em palavras como gasômetro, alvinegro, tecnocracia; paulada, cafeteira, chaleira, tricotar.

– nota da ledora: anuncio de praia de nudismo, com um maiô colocado em cima – fim da nota.

Neste metonímico anúncio (os corpos nus estão sugeridos pelo solitário maiô), vemos uma consoante de ligação na palavra nudismo, ligando o adjetivo nu ao sufixo -ismo.

ATIVIDADE Faça a depreensão e a classificação dos morfemas formadores das seguintes palavras e flexões: a) realizar b) irreal c) real d) realmente e) realizável f) realizava g) realizáramos h) realismo i) realista – nota da ledora: quadro de destaque na página: Classificação dos morfemas a) radical – morfema comum às palavras que pertencem a uma mesma família de b) afixos – morfemas capazes de alterar a significação básica de um radical. Podem também operar mudanças de classe gramatical. Subdividem-se em prefixos e sufixos; c) desinências – morfemas que indicam as flexões das palavras variáveis. Subdividem-se em desinências nominais (indicam as flexões de gênero e número dos nomes) e desinências verbais (indicam as flexões de tempo/modo e número/pessoa dos verbos); d) vogal temática – morfema que serve de elemento de ligação entre o radical e as desinências. O conjunto radical + vogal temática recebe o nome de tema; e) vogal ou consoante de ligação – morfema de origem geralmente eufônica, capaz de facilitar a emissão vocal de determinadas palavras.

ESTUDOS DOS MORFEMAS LIGADOS ÀS FLEXÕES DAS PALAVRAS VOGAIS TEMÁTICAS A vogal temática é um morfema que se junta ao radical a fim de formar uma base à qual se ligam as desinências. Essa base é chamada tema.Além de atuar como elemento de ligação entre o radical e as desinências, a vogal temática também marca grupos de nomes e de verbos. Isso significa que existem vogais temáticas nominais e vogais a) vogais temáticas nominais – são-a, -e e -o, quando átonas finais, como em mesa, artista, busca, perda, escola; triste, base, combate, destaque, sorte; livro, tribo, amparo, auxílio, resumo. Nesses casos, não poderíamos pensar que essas terminações são desinências indicadoras de gênero, pois livro, escola e sorte, por exemplo, não sofrem flexão de gênero. É a essas vogais temáticas que se liga a desinência indicadora de Os nomes terminados em vogais tônicas (sofá, café, caqui, mandacaru e cipó, por exemplo) não apresentam vogal temática; podemos considerar que os terminados em consoante (feliz, roedor, por exemplo) têm o mesmo comportamento.

b) vogais temáticas verbais – são -a, -e e -i, criando três grupos de verbos a que se dá o nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal temática é -a pertencem à primeira conjugação; aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à segunda conjugação e os que têm vogal temática -i pertencem à terceira conjugação. Podemos perceber claramente a vogal temática atuando entre o radical e as desinências nos seguintes exemplos: terceira conjugação: defin-i-ra, imped-i-sse, ag-i-mos.

DESINÊNCIA: As desinências são morfemas que indicam as flexões de nomes e verbos, dividindo-se, por isso, em desinências nominais e verbais Note que as desinências indicam flexões de uma mesma palavra, enquanto os afixos são usados para formar novas palavras. As flexões ocorrem obrigatoriamente quando precisamos inserir uma palavra numa seqüência ou frase: O ministro não foi convidado para a reunião.

As flexões sofridas pelas palavras nas frases acima são obrigatórias para o estabelecimento da concordância. Já o uso de afixos não se deve a uma obrigatoriedade, mas sim a uma opção: O ex-ministro não foi convidado para a reunião.

Não há nenhum mecanismo lingüístico que torne obrigatório o uso do sufixo – (z)inhou do prefixo ex- nessas duas frases. Além disso, reuniãozinhas (plural “reuniõezinhas”) e ex-ministro são duas palavras novas formadas a partir de ministro e reunião, respectivamente; já ministros, ministra e ministras são consideradas formas de a) desinências nominais – indicam o gênero e o número dos nomes. Para a indicação de gênero, o português costuma opor as desinências -o / -a: garoto/garota; menino/menina. Você já sabe como distinguir essas desinências das vogais temáticas nominais: lembre-se de que, enquanto as desinências são comutáveis (podem ser trocadas uma pela outra), as vogais temáticas não são (quem pensaria seriamente em formar “livra” ou “carra” para indicar formas “femininas”?). Para a indicação de número, costuma-se utilizar o morfema -s, que indica o plural em oposição à ausência de morfema que indica o singular: garoto/garotos; garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas. No caso dos nomes terminados em -r e -z, a desinência de plural assume a forma -es: mar/mares; revólver/revólveres; cruz/cruzes; juiz/juízes.

b) desinências verbais – em nossa língua, as desinências verbais pertencem a dois tipos distintos. Há aquelas que indicam o modo e o tempo verbais (desinências modo- temporais) e aquelas que indicam o número e a pessoa verbais (desinências número- pessoais). Observe, nas formas verbais abaixo, algumas dessas desinências: estud-á-va-mos estud-: radical -á-: vogal temática -va-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do indicativo) -mos: desinência número-pessoal (caracteriza a primeira pessoa do plural) estud-á-sse-is -sse-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do subjuntivo) -is: desinência número-pessoal (caracteriza a segunda pessoa do plural) estud-a-ria-m -ria-: desinência modo-temporal (caracteriza o futuro do pretérito do indicativo) -m: desinência número-pessoal (caracteriza a terceira pessoa do plural) – nota da ledora: fotografia do apinel de exposição da galeria do Banco Safra, anunciando a Exposição de mulheres com corpo escultural, com a seguinte legenda: Em mulher, -es e a desinência de plural, pois trata-se de nome cujo singular termina em -r. Mas o interessante neste anúncio é o emprego do adjetivo escultural geralmente usado em sentido figurado. O redator obteve um belo efeito explorando seu sentido literal. – no anúncio, a foto de uma – fim da nota.

4. PROCESSO DE FORMAÇÃO DAS PALAVRAS A língua portuguesa apresenta dois processos básicos para formação de palavras: a Há derivação quando, a partir de uma palavra primitiva, obtemos novas palavras chamadas derivadas) por meio do acréscimo de afixos. Isso ocorre, por exemplo, quando, a partir da palavra primitiva piche, formamos pichar, da qual por sua vez se forma pichação, pichador; também ocorre quando obtemos impessoal a partir de pessoal ou ineficiente a partir de eficiente. Como veremos mais adiante, a derivação também pode ser feita pela supressão de morfemas ou pela troca de classe gramatical, mas nunca A composição ocorre quando formamos palavras pela junção de pelo menos dois radicais. Nesse sentido, diferencia-se da derivação, que não lida com radicais. As palavras resultantes do processo de composição são chamadas palavras compostas, em Eis alguns exemplos de palavras compostas: lobisomem (em que se notam os radicais das palavras lobo e homem), girassol (gira + sol), beiJa-flor (beija + flor), otorrinolaringologia (formada por radicais eruditos, trazidos diretamente do grego: oto + rino + laringo + logia).

DERIVAÇÃO A derivação consiste basicamente na modificação de determinada palavra primitiva por meio do acréscimo de afixos. Dessa forma, temos a possibilidade de fazer sucessivos acréscimos, criando, a partir de uma base inicialmente simples, palavras de estrutura cada vez mais complexa: escola escolar escolarizar escolarização subescolarização Observe, assim, que a derivação deve ser vista como um processo extremamente produtivo da língua portuguesa, pois podemos incorporar os mesmos afixos a um número muito grande de palavras primitivas. Esses acréscimos podem alterar o significado da palavra (como em escolarização/subescolarização) e também mudar a classe gramatical da palavra (como em escolarizar/escolarização, que são, A derivação, quando decorre do acréscimo de afixos, pode ser classificada em três tipos: derivação prefixal, derivação sufixal e derivação parassintética.

DERIVAÇÃO PREFIXAL OU PREFIXAÇÃO Resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o seu significado alterado; veja, por exemplo, alguns verbos derivados de pôr: repor, dispor, compor, contrapor, indispor, recompor, decompor. Tradicionalmente, os estudiosos da língua portuguesa afirmam que a prefixação não produz mudanças de classe gramatical; na língua atual, entretanto, essas modificações têm ocorrido. Veja, por exemplo, as palavras antiinflação e interbairros, que, em expressões como pacto antiinflação e transporte interbairros atuam como adjetivos, apesar de terem sido formadas de substantivos.

DERIVAÇÃO SUFIXAL OU SUFIXAÇÃO Resulta do acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical. Em unhada, por exemplo, houve modificação de significado: o acréscimo do sufixo trouxe a noção de “golpe”, “ataque feito com a unha”, ou mesmo a idéia de “ferimento provocado pela unha”. Já em alfabetização, o sufixo -ção transforma em substantivo o verbo alfabetizar. Esse verbo, por sua vez, já resulta do substantivo alfabeto pelo acréscimo do sufixo -izar. Como já vimos, o acréscimo de afixos pode ser gradativo. Nada impede que, depois de obter uma palavra por prefixação, se forme outra por sufixação, ou vice-versa. Veja, por exemplo, desvalorização (valor valorizar desvalorizar desvalorização); indesatável (desatar desatável indesatável); desigualdade (igual igualdade desigualdade). São palavras formadas por prefixação e sufixação ou por sufixação e prefixação.

DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA OU PARASSÍNTESE Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. É um processo que dá origem principalmente a verbos, obtidos a partir de substantivos e adjetivos. Veja alguns exemplos de verbos obtidos de substantivos: abençoar, amaldiçoar, ajoelhar, apoderar, avistar, apregoar, enfileirar, esfarelar, abotoar, esburacar, espreguiçar, amanhecer, anoitecer acariciar, engatilhar, Agora, alguns formados de adjetivos: enrijecer, engordar, entortar, endireitar, esfriar, avermelhar, empobrecer, esclarecer, apodrecer, amadurecer, aportuguesar, enlouquecer, endurecer, amolecer, entristecer, empalidecer, envelhecer, expropriar.

– nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÃO: Não se deve confundir a derivação parassintética, em que o acréscimo de sufixo e prefixo é obrigatoriamente simultâneo, com casos como os das palavras desvalorização e desigualdade, que vimos há pouco. Nessas palavras, os afixos são acoplados em seqüência; assim, como vimos, desvalorização provém de desvalorizar, que provém de valorizar, que por sua vez provém de valor.É impossível fazer o mesmo com palavras formadas por parassíntese: não se pode, por exemplo, dizer que expropriar provém de “propriar” ou de “expróprio”, pois tais palavras não existem; logo, expropriar provém diretamente de próprio, pelo acréscimo concomitante de prefixo e sufixo. – fim do quadro de destaque.

DERIVAÇÃO REGRESSIVA Ocorre quando se retira a parte final de uma palavra primitiva, obtendo por essa redução uma palavra derivada. E um processo particularmente produtivo para a formação de substantivos a partir de verbos principalmente da primeira e da segunda conjugações.

Esses substantivos, chamados por isso de verbais, indicam sempre o nome de uma ação. O mecanismo para sua obtenção é simples: substitui-se a terminação verbal formada pela vogal temática + desinência de infinitivo (-ar ou -er) por uma das vogais temáticas nominais (-a, -e ou -o): buscar – busca alcançar – alcance tocar – toque apelar – apelo censurar – censura atacar- ataque sacar – saque chorar – choro ajudar – ajuda cortar – corte abalar- abalo recuar – recuo perder – perda debater – debate afagar – afago sustentar – sustento vender – venda resgatar – resgate É interessante perceber que a derivação regressiva é um processo produtivo na língua coloquial: surgiram recentemente na língua popular palavras como agito (de agitar), amasso (de amassar) e chego (de chegar).

Os substantivos deverbais são sempre nomes de ação: isso é importante porque há casos em que é o verbo que se forma a partir do substantivo, como planta plantar, perfume perfumar, escudo escudar. Planta, perfume e escudo não são nomes de ação; por isso não são substantivos deverbais . Na verdade, eles é que são palavras primitivas, enquanto os verbos são derivados.

DERIVAÇÃO IMPRÓPRIA Ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical. Isso acontece, por exemplo, nas frases: Não aceitarei um não como resposta.

Na primeira frase, não, um advérbio, converteu-se em substantivo. Na segunda, o adjetivo absurdo também se converteu em substantivo. Já em: Você está falando bonito: o amar é indispensável.

O adjetivo bonito surge na função típica de um advérbio de modo, enquanto o verbo amar se converteu em substantivo.

– nota da ledora: anúncio na página, campanha de educação no trânsito, da cidade de Curitiba, com os seguintes dizeres: Curitiba levou 300 anos para aprender a respeitar o verde, só falta o amarelo e o vermelho (cores referentes aos sinais de trânsito) . Acidente de trânsito não é falta de sorte, é falta de educação, legenda do anúncio: Verde, amarelo e vermelho são adjetivos que, por derivação imprópria (note a anteposição do artigo aos três), converteram-se em substantivos. – fim do anúncio. – nota da ledora: quadro em destaque, na página: Tipos de derivação a) derivação prefixal ou prefixação – resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, b) derivação sufixal ou sufixação – resulta do acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical; c) derivação parassintética ou parassíntese -ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. É um processo que dá origem principalmente a verbos, obtidos a partir de substantivos e adjetivos; d) derivação regressiva – ocorre quando se retira a parte final de uma palavra, obtendo por essa redução uma palavra derivada. É um processo particularmente produtivo para a formação de substantivos a partir de verbos principalmente da primeira e da segunda e) derivação imprópria – ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical.

PREFIXOS Os prefixos são morfemas que se colocam antes dos radicais basicamente a fim de modificar-lhes o sentido; raramente esses morfemas produzem mudanças de classe Os principais prefixos da língua portuguesa são de origem latina. Na relação que se segue, colocamos as diversas formas que esses prefixos costumam assumir, o tipo de modificação de significado que introduzem no radical e vários exemplos. Muitos desses prefixos originaram-se de preposições e advérbios, e não será difícil para Leia a relação com cuidado, concentrando-se principalmente nos exemplos.

– nota da ledora: as três páginas seguintes, trazem palavras com prefixos de origem latina, em tabela bastante extensa. Esta tabela foi alterada, em sua forma, – fim da nota.

arcanjo, arquiduque, arquétipo, arcebispo, arquimilionário cata- (movimento de cima para baixo, oposição, em regressão) cataclismo, catacumba, catarro, catástrofe, catadupa, catacrese, catálise, catarata di(a)- (através, por meio de, separação) diagnóstico, diálogo, dialeto, diâmetro, diáfano dis- (mau estado, dificuldade) dispnéia, disenteria, dislalia, dispepsia ec-, ex- (movimento para fora) eclipse, exantema, êxodo en-, e-, em- ( posição interior, dentro) encéfalo, emplastro, elipse, embrião end(o)- (movimento para dentro, posição interior) endocarpo, endotérmico, endoscópio ep(i)- (posição superior, sobre, movimento para, posterioridade) epiderme, epígrafe, epílogo, epícarpo, epidemia eu-, ev- (bem, bom) eufonía, eugenia, eufemismo, euforia, eutanásia, evangelho hiper- posição superior, excesso, além) hipérbole, hipertensão, hipercrítíco, hiperdesenvolvimento, hiperestesia, hipermercado, hipermetropia, hipertrofia, hipersônico hipo- (posição inferior, escassez) hipodérmico, hipótese, hipocalórico, hipogeu, hípoglicemia, hipotensão, hipoteca met(a)- (mudança, sucessão, posterioridade, além) metáfora, metamorfose, metafísica, metonímia, metacarpo, metátese, metempsicose par(a)- (perto, ao lado de, elemento acessório) paradoxo, paralelo, parágrafo, paramilitar, parábola, parâmetro peri- (movimento ou posição em torno) perifrase, periferia, período, periarto, pericarpo pro- (movimento para diante, posição em frente ou anterior) programa, prólogo, prognóstico, pródromo, próclise sin-, sim- (ação conjunta, companhia, reunião, simultaneidade) sinestesia, sincronia, síntese, sinônimo, sinfonia, simpatia, sílaba, sintaxe, sistema

PREPOSIÇÕES E ADVÉRBIOS QUE TEM SIDO USADOS COMO PREFIXOS sem- (falta, privação, ausência) sem-amor, sem-terra, sem-teto, sem-fim, sem- vergonha, sem-família quase- (perto, aproximadamente, por pouco, pouco menos) quase-delito, quase- equilíbrio, quase-posse, quase-suicida não- (negação por exclusão) não-alinhado, não-euclidiano, não-violência, não- engajamento, não-essencial, não-ficção, não-metal, não-participante

– nota da ledora: as palavras que estiverem grifadas, no texto, aparecerão aqui entre parênteses – fim da nota.

d) Não havia motivo para pôr os interesses individuais (antes dos) interesses j) Depois de (passar além) destes limites, descansaremos.

a) Nem todos os países conseguem competir no mercado (de todas as nações.) b) Foi construída uma passagem (debaixo da terra) para evitar atropelamentos. c) (Passe uma linha por baixo) das palavras cujo significado você desconhece. d) Descobriram restos de homens (que viveram antes do período histórico) no Piauí. e) Há rastros de animais (que viveram antes do Dilúvio) naquela região. f) As civilizações (que existiam antes da chegada de Cristóvão Colombo) deixaram g) Precisava tomar injeções (dentro do músculo).

Os sufixos são capazes de modificar o significado do radical a que são acrescentados. Sua principal característica, no entanto, é a mudança de classe gramatical que geralmente operam. Dessa forma, podemos utilizar o significado de um verbo, por Por isso, vamos observar os principais sufixos da língua portuguesa em relações que colocam em evidência as diversas classes de palavras envolvidas no processo de derivação. Perceba que, como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são incorporadas as desinências que indicam as flexões das palavras variáveis.

1. Formam substantivos a partir de outros substantivos -ada a) ferimento, golpe ou marca produzida por instrumento: facada, punhalada, navalhada, martelada, pedrada, bicada, chifrada, dentada, unhada; penada, pincelada. b) medida ou quantidade: garfada, batelada, fornada, tigelada, carrada, colherada. d) alimentos ou bebidas: cajuada, laranjada, limonada, cocada, marmelada, goiabada, e) movimentos ou atos rápidos, enérgicos ou de duração prolongada: risada, gargalhada, cartada; jornada, noitada, temporada.

-ado, -ato títulos honoríficos, territórios governados, cargos elevados, instituições: viscondado, arcebispado, principado, pontificado, protetorado, condado, almirantado, eleitorado, apostolado, noviciado, bacharelado, reitorado, consulado; clericato, tribunato, sindicato, triunvirato, baronato, cardinalato.

-agem -al a) sentido coletivo: bananal, cafezal, feijoal, batatal, laranjal, morangal, pinhal, olival, b) relação, pertinência: dedal, portal, pantanal.

-alha -ama, -ame -ana, -eria a) ramo de negócio ou estabelecimento:chapelaria, livraria, alfaiataria, drogaria, b) noção coletiva: pedraria, sacaria, caixaria, fuzilaria, gritaria, infantaria ou infanteria. c) atos ou resultados dos atos de certos indivíduos: patifaria, velhacaria, pirataria, galantaria ou galanteria.

a) atividade, ofício, profissão: boticário, operário, secretário, bancário. b) lugar onde se coloca algo: campanário, aquário, relicário, vestiário. c) noção coletiva: rimário, anedotário, erário.

-edo -eiro, -eira a) ofícios e ocupações: barbeiro, sapateiro, parteira, peixeiro, carteiro, bombeiro, b) nomes de árvores ou arbustos: cajueiro, laranjeira, roseira, amendoeira, coqueiro, cafeeiro, pessegueiro, mangueira, jaqueira, goiabeira, craveiro, figueira, castanheiro ou c) objetos ou lugares que servem para guardar: cigarreira, manteigueira, paliteiro, d) objetos de uso pessoal em geral: pulseira, perneira, joelheira, munhequeira, banheira, e) noção coletiva, de quantidade ou de intensidade: nevoeiro, poeira, lameira, chuveiro; pedreira, carvoeira, ostreira; vespeiro, formigueiro; cabeleira.

-ia a) profissão, dignidade ou lugar onde se exerce profissão: advocacia, baronia, chefia, b) sentido coletivo: confraria, clerezia, penedia.

-io -ite -ugem -ume a) noção coletiva, de quantidade ou intensidade: cardume, negrume, azedume, chorume. b) ação ou resultado da ação: curtume, urdume.

2. Formam substantivos de adjetivos -dade crueldade, maldade, bondade, divindade, sociedade, umidade, liberalidade, fragilidade, facilidade, legalidade, amabilidade, possibilidade, solubilidade.

-ez, -eza altivez, mudez, surdez, sordidez, intrepidez, honradez, mesquinhez, pequenez, pureza, firmeza, nobreza, fraqueza, estranheza, delicadeza, sutileza.

-ia -ice, -ície velhice, meninice, criancice, beatice, tolice, modernice; calvície, canície, planície; imundice ou imundície.

-or -tude -ura 3. Formam substantivos de verbos -ança (-ância), -ença (-ência) nomes de ação ou de resultados dela; nomes de estado: esperança, lembrança, vingança, constância, importância, relevância; crença, descrença, diferença, detença; regência, conferência, obediência.

-ante, -ente, -inte agente: ajudante, emigrante, navegante, combatente, pretendente, ouvinte, pedinte. Em muitos casos, houve especialização de sentido: poente, restaurante, estante, minguante, vazante, afluente.

-dor, -tor, -sor, -or nome de agente ou de instrumento: roedor, salvador, pescador, carregador, tradutor, jogador, poupador, investidor, investigador, inspetor; regador, aquecedor; raspador; interruptor, disjuntor.

-ção, -são, -ão ação ou resultado dela: coroação, nomeação, posição, traição, adulação, consolação, obrigação, negação, declaração, audição, solução, invocação, extensão, agressão, repercussão, discussão, puxão, arranhão, escorregão.

-douro, -tório lugar ou instrumento para prática da ação: miradouro, ancoradouro, desaguadouro, logradouro, matadouro, bebedouro, babadouro; purgatório, dormitório, laboratório, vomitório, oratório.

resultado ou instrumento da ação: atadura, armadura, escritura, fechadura, clausura, urdidura, benzedura, mordedura, torcedura, pintura, magistratura, formatura.

-mento ação, resultado da ação ou instrumento: acolhimento, apartamento, pensamento, conhecimento, convencimento, esquecimento, fingimento, impedimento, ferimento, ornamento, instrumento, armamento, fardamento.

4. Formam substantivos e adjetivos de outros substantivos e adjetivos -ismo a) doutrinas ou sistemas religiosos, filosóficos, políticos, artísticos: calvinismo, bramanismo, budismo, materialismo, espiritismo, socialismo, capitalismo, federalismo, b) maneira de proceder ou de pensar: heroísmo, pedantismo, patriotismo, servilismo, c) formas de expressão que apresentam particularidades: vulgarismo, latinismo, d) terminologia científica: magnetismo, galvanismo, alcoolismo, reumatismo, traumatismo.

-ista a) sectários de certas doutrinas: calvinista, bramanista, budista, materialista, espiritista, socialista, capitalista, federalista, gongorista, simbolista, modernista, impressionista. b) ofícios, agentes: flautista, florista, telefonista, maquinista, latinista, dentista, c) adeptos de determinadas formas de agir ou pensar: oportunista, golpista, saudosista, d) nomes pátrios ou indicadores de origem: nortista, sulista, paulista, santista, campista.

5. Formam adjetivos de substantivos ou de outros adjetivos -aco estado íntimo; pertinência; origem: maníaco, demoníaco, austríaco, siríaco.

– nota da ledora: quadro em destaque na página : OBSERVAÇÃO: A relação entre as palavras tormadas pelos sufixos -ismo e -ista é óbvia: modernismo/modernista; calvinismo/calvinista, etc. Note, no entanto, que não é uma – fim do quadro.

-aico -ano b) adeptos de doutrinas estéticas, religiosas, filosóficas: maometano, luterano, c) nomes pátrios: americano, baiano, pernambucano, peruano, prussiano, açoriano, alentejano.

-ão -al, -ar relação, pertinência: dorsal, causal, substancial, anual, pessoal; escolar, palmar, vulgar, solar, lunar; consular; familial ou familiar.

-eiro, -ário relação; posse; origem: verdadeiro, rasteiro, costeiro, originário, ordinário, diário, subsidiário, tributário, mineiro, brasileiro.

-engo, -enho, -eno relação; procedência, origem: mulherengo, avoengo, solarengo, flamengo; ferrenho, estremenho, madrilenho, panamenho, portenho; nazareno, terreno, tirreno, chileno.

-ento provido ou cheio de; que tem o caráter de: sedento, rabugento, peçonhento, cinzento, ciumento, corpulento, turbulento, opulento, barrento, vidrento.

-ês, -ense relação; procedência, origem: francês, inglês, genovês, milanês, escocês, irlandês; paraense, cearense, maranhense, vienense, parisiense, catarinense, forense.

-eo -esco, -isco -este, -estre -eu -ico, icio relação; procedência: bíblico, melancólico, pérsico, céltico, britânico, ibérico, geométrico; alimentício, natalício.

-ino relação; origem; natureza: argentino, florentino, bizantino, cristalino, leonino, alabastrino, diamantino, londrino, bovino.

-ita -onho -oso provido, cheio de; que provoca: orgulhoso, furioso, desejoso, rigoroso, noticioso, leitoso, sulfuroso, montanhoso, pedregoso, temeroso, lamentoso, lastimoso, vergonhoso, angustioso.

-tico -udo provido de, cheio de ou com a forma de, muitas vezes com idéia de desproporção: sisudo, pontudo, bicudo, peludo, cabeludo, narigudo, espadaúdo, repolhudo, bochechudo, carnudo, polpudo.

6. Formam adjetivos de verbos -ante, -ente, -inte -io, -ivo ação; referência; modo de ser: escorregadio, erradio, fugidio, tardio, prestadio; pensativo, lucrativo, fugitivo, afirmativo, negativo, acumulativo.

-iço, icio referência; possibilidade de praticar ou sofrer ação: abafadiço, movediço, quebradiço, alagadiço, metediço; acomodatício, factício, translatício, sub-reptício.

-doiro, -douro, -tório ação, muitas vezes de valor futuro; pertinência: casadoiro; duradouro, vindouro; inibitório, preparatório, imigratório.

-vel possibilidade de praticar ou sofrer ação: desejável, vulnerável, remediável, substituível, suportável, louvável, admissível, reduzível, removível, corrigível, discutível.

-mente justamente, vaidosamente, livremente, burguesmente, perigosamente, firmemente, fracamente.

8. Formam verbos de substantivos e adjetivos -ar -ear -ejar -entar amolentar; aformosentar.

-ecer, -escer -ficar -ilhar -inhar -iscar -itar -izar organizar, civilizar; harmonizar, fertilizar, esterilizar; tranqüilizar; vulgarizar, simpatizar; economizar; arborizar.

9. Sufixos aumentativos -ão, -eirão, -arrão, -alhão, -zarrão casarão, caldeirão, paredão; chapeirão; grandalhão, vagalhão; homenzarrão.

-alha fornalha -anzil corpanzil – nota da ledora: quadro em destaque na página- OBSERVAÇÃO Os verbos novos da língua são criados pelo acréscimo da terminação -ar a substantivos e adjetivos. Essa terminação é formada pela vogal temática da primeira conjugação seguida pela desinência do infinitivo impessoal, atuando como um verdadeiro sufixo. Os demais sufixos costumam conferir detalhes de significado aos verbos que formam. Observe: -ear indica ação repetida (cabecear folhear) ou ação que se prolonga (clarear). O mesmo acontece com -ejar: gotejar, velejar.

-entar indica processo de atribuição de uma qualidade ou estado (amolentar). O mesmo se dá com -ficar e -izar: clarificar, solidificar, civilizar, atualizar.

-iscar indica ação repetida e diminuída; chuviscar, lambiscar. O mesmo ocorre com -itar (dormitar; saltitar), -ilhar e outros. No caso de -inhar, muitas vezes há sentido depreciativo, como em escrevinhar.

-a réu -arra, -orra -az, alhaz, arraz -astro 10. Sufixos diminutivos -acho, -icho, -ucho riacho, fogacho; governicho, barbicha; gorducho, papelucho, casucha.

-ejo -ela -elho, -ilho, -ilha -ete, -eta, -eto -inho, -inha, -zinha, -zinho livrinho, pratinho, branquinho, novinho, bonitinho, toquinho, caixinha, florzinha, vozinha.

-im -ino pequenino -isco, -usco -ito, -ita, -zito -ola -ote, -oto, -ota rapazote, caixote, velhote, fidalgote, saiote; perdigoto; velhota.

-ulo, -ula, -culo, -cula glóbulo, grânulo, nódulo, régulo; corpúsculo, minúsculo, homúnculo, montículo, opúsculo, versículo; radícula, gotícula; partícula, película, questiúncula.

– nota da ledora; quadro de destaque na página – OBSERVAÇÃO: É fácil notar que muitas vezes os sufixos aumentativos e diminutivos sugerem deformidade (como em beiçorra, cabeçorra), admiração (carrão), desprezo (asneirão, poetastro, artiguete), carinho (paizinho, pequenino), intensidade (alegrinho), ironia (safadinha) e vários outros matizes semânticos. No caso dos sufixos pertencentes ao último grupo apresentado, temos a formação de diminutivos eruditos – diretamente importados do latim -, os quais são muito usados na terminologia científica. – fim do quadro de destaque.

Como se chama: 2. Substitua os verbos destacados por substantivos formados por derivação. Faça todas d) Atenderemos a todos de acordo com a ordem segundo a qual (chegaram). Não haverá g) Os representantes dos países envolvidos no processo recomendaram que as contas h) Os representantes dos países envolvidos no processo (recomendaram) que as contas fossem bloqueadas.

3. Substitua as expressões destacadas por nomes formados por sufixação. Faça todas as a) (Aqueles que mantêm) esta entidade decidiram tomar providências (que saneiem suas b) É um candidato (que não se pode eleger). Suas idéias privilegiam (aqueles que c) (Aquelas que conduzem) o movimento (de reivindicação) devem ser cercadas por d) (Os que venceram) a competição receberão prêmios (que não se podem descrever). e) A presença (dos que defendem) nossa posição é fator (de que não se pode prescindir). f) Foi uma decisão que agradou aos que lutam para que a floresta (seja preservada). g) Ele entrou de (forma atabalhoada).

g) carreata h) bacanão, durão TEXTO PARA ANÁLISE Pátria minha A minha pátria é como se não fosse, é íntima Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo É minha pátria. Por isso, no exílio Assistindo dormir meu filho Choro de saudades da minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi: Não sei. De fato, não sei Como, por que e quando a minha pátria Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água Que elaboram e liquefazem a minha mágoa Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias De minha pátria, de minha pátria sem sapatos E sem meias, pátria minha Tão pobrinha! Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho Pátria, eu semente que nasci do vento Eu que não vou e não venho, eu que permaneço Em contato com a dor do tempo, eu elemento De ligação entre a ação e o pensamento Eu fio invisível no espaço de todo adeus Eu, o sem Deus! Tenho-te no entanto em mim como um gemido De flor; tenho-te como um amor morrido A quem se jurou; tenho-te como uma fé Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto ajeito Nesta sala estrangeira com lareira E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra Quando tudo passou a ser infinito e nada terra E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz A espera de ver surgir a Cruz do Sul Que eu sabia, mas amanheceu…

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha Amada, idolatrada, salve, salve! Que mais doce esperança acorrentada Não tardo! Quero rever-te, pátria minha, e para Rever-te me esqueci de tudo Fui cego, estropiado, surdo, mudo Vi minha humilde morte cara a cara Rasguei poemas, mulheres, horizontes Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta Lábaro não; a minha pátria é desolação De caminhos, a minha pátria é terra sedenta E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular Que bebe nuvem, come terra E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem Uma quentura, um querer bem, um bem Um libertas quae sera tamen Que um dia traduzi num exame escrito: “Liberta que serás também” E repito! Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa Que brinca em teus cabelos e te alisa Que vontade me vem de adormecer-me Entre teus doces montes, pátria minha Atento à fome em tuas entranhas E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha Teu nome é pátria amada, é patriazinha Não rima com mãe gentil Vives em mim como uma filha, que és Uma ilha de ternura: a Ilha Brasil, talvez.

TRABALHANDO O TEXTO 1. Identifique o sufixo presente nas palavras doçura, quentura e ternura e indique o tipo de modificação que produz nas palavras primitivas.

2. Identifique o afixo que surge na palavra sedenta e explique que tipo de modificação ele introduz na palavra primitiva.

3. Qual o processo de formação das palavras amanhecer e acorrentar? Explique o que particulariza esse processo em relação à prefixação e à sufixação.

7. A relação do sujeito lírico com a pátria incorpora um processo de personificação: a Observe o papel exercido pelos sufixos diminutivos nesse processo e comente-o.

Para mascar com chiclets Quem subiu, no novelo do chiclets, ao fim do fio ou do desgastamento, sem poder não sacudir fora, antes, imune ao tempo ou o tempo em coisa, em pessoa, encarnado nessa borracha, de tal maneira, e conforme ao tempo, o chiclets ora se contrai ora se dilata, e consubstante ao tempo, se rompe, interrompe, embora logo se reemende, e fique a romper-se, a reemendar-se, No entanto quem, e saberente que ele quem já ficou num primeiro chiclets sem reincidir nessa coisa (ou nada).

Janeiro. José Olympio, 1986. p. 43.) TRABALHANDO O TEXTO 1. Faça a depreensão dos morfemas presentes nas palavras desgastamento e encarnado e explique os processos de formação que lhes deram origem.

2. Quais afixos podem ser percebidos na palavra consubstante? Qual o sentido que tem essa palavra?

3. A aproximação das palavras rompe e interrompe revitaliza o valor do prefixo presente nesta última? Explique.

4. Retire do texto as palavras em que surge o prefixo re- e comente as modificações que ele produz nas palavras primitivas.

6. É possível relacionar o prefixo presente na palavra exorcizar com o significado que tem essa palavra? Comente.

7. Os prefixos são considerados um recurso muito eficiente para apresentar idéias e conceitos de forma sintética. Isso acontece no texto? Comente.

8. Explique a relação que o texto estabelece entre o chiclets e o tempo. Que tipo de dimensão adquire o ato de mascar chiclets?

– nota da ledora: propaganda, na página, com o seguinte teor: « A cada vida que começa, recomeça a História da Nestlé.Lembre-se de sua infância. Você, sem dúvida vai se lembrar de alguma história sua com a Nestlé, pra contar. Esse é o nosso maior alimento. A satisfação de manter uma amizade que cresce, fica forte, se renova e nunca termina. Nestlé, sua vida, nossa história » – fim da nota.

TRABALHANDO O TEXTO Aponte no texto a exploração expressiva de um dos processos de formação de palavras e comente-a.

– nota da ledora: propaganda da General Motors: Bi Bi. Duas vezes Bicampeã do carro – fim da nota.

Analise a expressão bi bi baseado no seu conhecimento dos processos de formação de palavras e nas sugestões sonoras que produz.

um vínculo permanente, que faz com que surja um novo significado: é o que ocorre quando formamos o composto amor-perfeito, que dá nome a uma flor. O significado não é o mesmo da expressão amor perfeito, na qual cada palavra mantém seu significado original: trata-se do sentimento amoroso manifestado de forma perfeita. Em A composição também pode ser feita por meio do uso de radicais que não têm vida independente na língua. Isso ocorre basicamente na formação de palavras que recebem o nome de compostos eruditos por serem formadas com radicais gregos e latinos. E o caso, por exemplo, de democracia, patogênese, alviverde, agricultura e outras, usadas principalmente na nomenclatura técnica e científica.

com uma palavra composta, como é o caso de ponto de vista e meio ambiente, expressões que vêm sendo grafadas “ponto-de-vista” e “meio-ambiente” com freqüência cada vez maior.

– nota da ledora: propaganda do diet shake, fazendo referência ao vocábulo lipoaspiração. Este anúncio já foi descrito pela ledora em página anterior. – fim da nota.

Lipoaspiração constitui exemplo de formação de novas palavras compostas na língua. O anunciante aproveitou o mote para decompô-la e incentivar jocosamente o consumo.

ATIVIDADE Identifique o processo de formação das seguintes palavras: a) palidez b) empalidecer c) boquiaberto d) pára-quedas e) invulnerável f) pontiagudo g) audiovisual h) o recuo i) correntista (fantasma) – nota da ledora: quadro de destaque na página – A composição A composição é o processo de formação que dá origem a palavras compostas (aquelas em que há pelo menos dois radicais) pela aproximação de palavras simples ou de radicais eruditos. Se os elementos formadores mantiverem sua integridade sonora, ocorre composição por justaposição. Se pelo menos um deles sofre alterações na sua – fim do quadro.

RADICAIS E COMPOSTOS ERUDITOS O mecanismo da composição é utilizado para a formação de um tipo especifico de palavras conhecidas como compostos eruditos, assim chamados porque em sua formação se utilizam elementos de origem grega e latina que foram diretamente importados dessas línguas com essa finalidade. Por isso, esses compostos são também chamados de helenismos e latinismos eruditos. São palavras como pedagogia e quiromancia (formadas de elementos gregos) ou arborícola e uxoricida (formadas por elementos latinos), normalmente criadas para denominar objetos ou conceitos relacionados com as ciências e as técnicas. Muitas delas acabam se tornando cotidianas Apresentamos a seguir duas relações de radicais gregos e duas relações de radicais latinos. A primeira relação de radicais gregos e a primeira relação de radicais latinos agrupa os elementos formadores que normalmente são colocados no início dos compostos; a segunda relação de radicais agrupa, em cada caso, os elementos formadores que costumam surgir na parte final dos compostos.

Adotamos esse procedimento a fim de facilitar seu trabalho de consulta: ao encontrar determinado exemplo na relação dos radicais que costumam ser o primeiro elemento do composto, você poderá mais rapidamente verificar o valor do segundo elemento na relação dos radicais que costumam figurar no final dos compostos. Atente para o fato de que determinados radicais costumam aparecer em determinadas posições nos Alguns dos radicais que colocamos nas relações a seguir são considerados prefixos por alguns autores; outros estudiosos preferem chamá-los “elementos de composição”. Acreditamos que essas questões terminológicas são pouco importantes para você, que tem finalidades mais práticas. Observe que muitas palavras que fazem parte das suas aulas de Biologia, Química e Física podem ser encontradas nas relações abaixo; observe, principalmente, que o conhecimento do significado dos elementos que as constituem muitas vezes nos ajuda a compreender os conceitos e seres que denominam.

Radical , significado, e exemplo: -cida (que mata) regicida, fratricida -cola (que cultiva ou habita) vitícola, arborícola -cultura (ato de cultivar) apicultura, piscicultura -fero (que contém ou produz) aurífero, flamífero -fico (que faz ou produz) benéfico, frigorífico -forme (que tem forma de) cuneiforme, uniforme -fugo (que foge ou que faz fugir) centrífugo, febrifugo -gero (que contém ou produz) armígero, belígero -paro (que produz) multíparo, ovíparo -pede (pé) palmípede, velocípede -sono (que soa) borrissono, uníssono -vago (que anda) nubivago, noctívago -vomo (que expele) fumívomo, ignívomo -voro (que come) carnívoro, herbívoro – nota de ledora: quadro em destaque na página: OBSERVAÇÃO: Há palavras que combinam elementos gregos e latinos: televisão, automóvel, genocídio, homossexual e outras. São chamadas de hibridismos. Existem hibridismos em que se combinam elementos de origens bastante diversas, como goiabeira (tupi e português), abreugrafia (português e grego), sambódromo (quimbundo – uma língua africana – e grego), surfista (inglês e grego), burocracia (francês e grego), e outros. Como você vê, trata-se de palavras muito usadas no cotidiano comunicativo, o que torna absurda a intenção de certos gramáticos de considerar os hibridismos verdadeiras aberrações devido à sua origem “mestiça”. – fim do quadro de destaque.

j) rinoceronte l) hipopótamo m) estereótipo n) poliglota o) ortopedia p) hematófago q) metafísica 7. Idem: a) agricultura b) piscicultura c) triticultura d) rizicultura e) fruticultura f) avicultura 8. Reescreva as frases seguintes, substituindo as expressões destacadas por compostos eruditos: b) Sua (paixão exagerada pela música) fazia-o gastar muito em discos importados. e) Tal procedimento só é possível porque existe (um controle do mercado por algumas j) O estudo dos (nomes de lugares e localidades) pode revelar muito sobre a história de uma região.

psicologia – psico – nota da ledora: propaganda de Donuts: CALIBRE SEU PNEU (referência bem humorada aos pneus de gordura) O “pneu” do anúncio acima, exemplo de abreviação vocabular, não designa, obviamente, o componente do automóvel.

Observe que a forma abreviada é de amplo uso coloquial, embora em muitos casos passe a fazer parte da língua escrita. Esse traço de coloquialidade pode ser sentido em abreviações como as que colocamos abaixo, impregnadas de emotividade (carinho, desprezo, preconceito, zombaria): professor – fessor português – portuga chinês – china japonês – japa comunista – comuna militar – milico confusão – confa reboliço rebu neurose – neura botequim – boteco delegado – delega grã-fino granfa São Paulo – Sampa Florianópolis – Floripa Há um certo tipo de abreviação que se vem tornando muito freqüente na língua atual. Consiste no uso de um prefixo ou de um elemento de uma palavra composta no lugar do todo: midi, para saia que chega até o joelho ou desvalorização cambial moderada; O uso dos prefixos em substituição à palavra toda deve ocorrer dentro de contextos determinados, em que é possível estabelecer o significado que se pretende. Prefixos como vice ou máxi só adquirem sentido em função dos outros elementos do texto em que surgem.

MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização IOF – Imposto sobre Operações Financeiras PIB – Produto Interno Bruto As siglas incorporam-se de tal forma ao vocabulário do dia-a-dia, que passam a sofrer flexões e a produzir derivados. É freqüente o surgimento de construções como as ZPEs (Zonas de Processamento de Exportações), os peemedebistas (membros do PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro), os petistas (membros do PT – Partido dos Trabalhadores), a mobralizaçao do ensino, campanha pró-FGTS, e outras. Algumas siglas provieram de outras línguas, principalmente do inglês: UFO – Unidentified Flying Object (objeto voador não-identificado), que concorre com a criação nacional OVNI AIDS – Acquired Immunological Deliciency Syndrome (síndrome da imunodeficiência adquirida), cuja forma em Portugal é SIDA.

– nota da ledora: propaganda de um serviço de Limousine, dizendo que pelo tamanho, – fim do anúncio.

A sigla IPTU significa Imposto Predial e Territorial Urbano. Trata-se de um tributo da cidade de São Paulo- SP.

– nota da ledora: propaganda da campanha contra a AIDS: Aproveite o dia mundial da AIDS e faça um cheque ao portador. Campanha do Bradesco.

AIDS sigla infelizmente muito bem conhecida, proveio ao inglês. Apesar da gravidade do assunto, não podemos deixar de admirar a criatividade do redator, na exploração que Há casos de siglas importadas que se transformaram em verdadeiras palavras. Algumas só são vistas como siglas se conhecermos sua origem: JIPE adaptação do inglês Jeep, que por sua vez originou-se de GP (General Purpose – LASER- de Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation (amplificação da RADAR – de Radio Detecting and Ranging (detecção e busca por rádio).

PALAVRA-VALISE A palavra-valise resulta do acoplamento de duas palavras, uma das quais pelo menos sofreu truncação. É também chamada palavra-centauro e permite a realização de verdadeiras acrobacias verbais. Observe: brasiguaio ou brasilguaio – formada de brasileiro e paraguaio para designar o povo fronteiriço entre os dois países, particularmente os brasileiros que retornaram do portunhol – formada de português e espanhol para designar a língua resultante da portinglês – formada de português e inglês, criada por Carlos Drummond de Andrade (“secretária portinglês”);

tomarte – formada de tomate e Marte, criada por Murilo Mendes (“Ou tomarte, vermelho que nem Marte”). Note a possibilidade de ver nessa palavra também a palavra fraternura, elefantástico e copoanheiro – criações de Guimarães Rosa cuja formação não proesia – formada de prosa e poesia, utilizada por Décio Pignatari com referência a uma Note que a criação dessas palavras ocorre tanto na língua coloquial como na língua culta e literária. Na língua coloquial, o processo já produziu palavras como bebemorar, Grenal (clássico de futebol entre Grêmio e Internacional de Porto Alegre), Atletiba (Atlético Paranaense e Curitiba), Sansão (Santos e São Paulo), Flaflu (Flamengo e Fluminense), Bavi (Bahia e Vitória), Comefogo (Comercial e Botafogo de Ribeirão Preto). Na linguagem jornalística, há termos como cantriz (cantora/atriz), estagnação (estagnação /inflação) e showmício (show/comício); na literatura, além das palavras já citadas, há ainda criações como noitícia (Carlos Drummond de Andrade) ou diversonagens suspersas, de Paulo Leminski.

ONOMATOPÉIA A onomatopéia ocorre quando se forma uma nova palavra por meio da imitação de sons. A palavra formada procura reproduzir um determinado som, adaptando-o ao conjunto de fonemas de que a língua dispõe. Dessa forma, surgem palavras como: cacarejar; zumbir, arrulhar, crocitar, troar e outros verbos que designam vozes de animais e fenômenos naturais; tique-taque, teco-teco, reco-reco, bangue-bangue (a partir do inglês bangbang), pingue-pongue, xixi, triquetraque (fogo de artifício), saci (nome de uma ave e, por extensão, de ente mitológico), cega-rega (cigarra; por extensão, pessoa tagarela), chinfrim (coisa sem valor), quiquiriqui (pessoa ou coisa insignificante), blablablá, zunzunzum, pimpampum e outras, sempre sugestivas.

-nota da ledora: quadro de destaque na página: Outros processos de formação de palavras a) abreviação vocabular – consiste na eliminação de um segmento de uma palavra a b) siglonimização – processo de formação de siglas. As siglas são formadas pela combinação das letras iniciais de uma seqüência de palavras que constitui um nome; c) palavra-valise – resulta do acoplamento de duas palavras, uma das quais pelo menos d) onomatopéia – ocorre quando se forma uma nova palavra por meio da imitação de sons. A palavra formada procura reproduzir um determinado som, adaptando-o ao – fim do quadro de destaque.

– nota da ledora: cinco desenhos representando formas de onomatopéia: Na seqüência ao lado, Fortuna criou uma série de onomatopéias para imitar os sons da mastigação e da digestão. Não se preocupou, porém, em adaptá-las ao conjunto de fonemas da língua portuguesa. Comendo uma rosca: nhac!, croc! gut, arout! – fim da nota.

Léxico é a palavra com que se costuma denominar o conjunto de palavras que integra uma língua. É, em termos práticos, um sinônimo de vocabulário, embora tecnicamente se possam estabelecer distinções entre as duas palavras. Os processos de criação de palavras que estudamos até aqui devem ter mostrado a você que há um constante enriquecimento lexical na língua, resultante principalmente do dinamismo das modificações culturais, que constantemente criam novos objetos, novos fatos, novos conceitos. Além disso, há outros fatores de pressão sobre a língua, como vínculos de dependência econômica e cultural, capazes de impor formas de pensar e de dizer que se Os processos de criação lexical que vimos até agora operam transformações formais nas palavras, seja por meio do acréscimo ou supressão de morfemas, seja por meio da combinação de palavras inteiras para a formação de outras. São, basicamente, processos Há outros processos de ampliação lexical na língua portuguesa. Como não são processos morfológicos, não vamos estudá-los pormenorizadamente. São, no entanto, importantes; por isso, vamos falar um pouco sobre eles.

NEOLOGISMO SEMÂNTICO Freqüentemente, acrescentamos significados a determinadas palavras sem que elas passem por qualquer processo de modificação formal. Pense, por exemplo, na palavra arara, nome de uma ave, que também é usada para designar pessoa nervosa, irritada. Arara, com o sentido de “irritado, nervoso , e um neologismo semântico, ou seja, um Essa forma de enriquecimento do vocabulário é extremamente produtiva. Em alguns casos, chega-se a perder a noção do significado inicial da palavra, passando-se a empregá-la apenas no sentido que foi um dia adicional. É o caso, por exemplo, de emérito, cujo sentido original é “aposentado”, mas que atualmente se usa como “distinto”, “elevado; ou dissabor, cujo sentido original era “falta de sabor”. Perceba que a chamada derivação imprópria aproxima-se bastante deste processo de ampliação de significado. A derivação imprópria resulta da passagem de uma palavra a uma classe gramatical diferente sem modificações na sua forma. Na realidade, ocorre Isso pode ser percebido em casos em que esse processo está tão cristalizado, que Pense, por exemplo, em palavras como alvo (em expressões como tiro ao alvo), clara (de ovo), estreito (acidente geográfico), marginal (bandido ou via pública), santo (pessoa virtuosa), refrigerante – você já notou que se trata de adjetivos convertidos em substantivos?

EMPRÉSTIMOS LINGUÍSTICOS O contato entre culturas produz efeitos também no vocabulário das línguas. No caso da língua portuguesa, podem-se apontar exemplos de palavras tomadas de línguas estrangeiras em tempos muito antigos. Esses empréstimos provieram de línguas célticas, germânicas e árabes ao longo do processo de formação do português na Península Ibérica. Posterior-mente, o Renascimento e as navegações portuguesas permitiram empréstimos de línguas européias modernas e de línguas africanas, americanas e asiáticas.

Depois desses períodos, o português recebeu empréstimos principalmente da língua francesa. Atualmente, a maior fonte de empréstimos é o inglês norte-americano. Deve- se levar em conta que muitos empréstimos da língua portuguesa atual do Brasil não ocorreram em Portugal e nas colônias africanas, onde a influência cultural e econômica As palavras de origem estrangeira normalmente passam por um processo de aportuguesamento fonológico e gráfico. Quando isso ocorre, muitas vezes deixamos de perceber que estamos usando um estrangeirismo. Pense em palavras como bife, futebol, beque, abajur, xampu, tão freqüentes em nosso cotidiano que já as sentimos como portuguesas. Quando mantêm a grafia da língua de origem, as palavras devem ser escritas entre aspas (na imprensa, devem surgir em destaque – normalmente itálico: shopping center; show, stress).

Atente para o fato de que os empréstimos lingüísticos só fazem sentido quando são necessários. É o que ocorre quando surgem novos produtos ou processos tecnológicos. Ainda assim, esses empréstimos devem ser submetidos ao tratamento de conformação aos hábitos fonológicos e morfológicos da língua portuguesa. São condenáveis abusos de estrangeirismos decorrentes de afetação de comportamento ou de subserviência cultural. A imprensa e a publicidade muitas vezes não resistem à tentação de utilizar a denominação estrangeira de forma apelativa, como em expressões do tipo os teens (por adolescentes) ou high technology system (sistema de alta tecnologia).

– nota da ledora: quadro de destaque na página: Outros processos de enriquecimento do léxico a) neologismo semântico – acréscimo de significados a determinadas palavras sem que b) empréstimos lingüísticos – o contato entre culturas produz efeitos também no vocabulário das línguas, que incorpora palavras provindas de línguas estrangeiras. As palavras de origem estrangeira normalmente passam por um processo de – fim do quadro de destaque.

Olimpíadas: A Rio 2004 falhou, mas o pessoal persevera pela manutenção dos nossos recordes Exemplo de palavra de origem estrangeira submetida à adaptação gráfica e fonológica do português: recorde proveniente do francês record. Ao ser aportuguesada, recebeu um e final e ganhou a pronúncia “recórde'; à moda francesa.

ATIVIDADE Explique e denomine o processo de formação das seguintes palavras: a) INSS b) “confa” c) estresse d) teco-teco e) caipiródromo f) sofatleta

– nota da ledora: nesta página, quatro anúncios do carnaval, de estilos diferentes, o carnaval tradição, o multidão, o fascinação, e o curtição: em clube, em Olinda, atrás do trio elétrico, e numa praia paradisíaca.

TRABALHANDO O TEXTO Qual processo de formação de palavras o anúncio explora? Aponte as novas palavras obtidas e qual seu significado.

O homem: as viagens O homem, bicho da Terra tão pequeno chateia-se na Terra lugar de muita miséria e pouca diversão, faz um foguete, uma cápsula, um módulo toca para a Lua desce cauteloso na Lua pisa na Lua planta bandeirola na Lua experimenta a Lua coloniza a Lua civiliza a Lua humaniza a Lua.

Elas obedecem, o homem desce em Marte pisa em Marte experimenta coloniza civiliza humaniza Marte com engenho e arte.

Claro – diz o engenho O homem põe o pé em Vênus, idem idem O homem funde a cuca se não for a Júpiter proclamar justiça junto com injustiça repetir a fossa repetir o inquieto repetitório.

O homem chega ao Sol ou dá uma volta Não-vê que ele inventa Pôe o pé e: mas que chato é o Sol, falso touro espanhol domado.

Restam outros sistemas fora Ao acabarem todos só resta ao homem (estará equipado?) a dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo: pôr o pé no chão do seu coração experimentar colonizar civilizar humanizar o homem descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas a perene, insuspeitada alegria (ANDRADE, Carlos Drummond de. As impurezas do branco, 4a. ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1978 p. 20-2.)

TRABALHANDO O TEXTO 1. De que forma o poema explora a sufixação nos últimos versos da primeira estrofe? Comente.

3. Explique o significado da passagem “vê o visto” e comente o valor adquirido pela palavra visto nesse contexto.

O imperador Fernando Henrique Bovary poderia prestar mais atenção às palavras que usa para rotular seus súditos. Ricos e pobres, cultos e ignorantes. os brasileiros têm uma relação ambígua com o termo caipira. Talvez porque sofram daquela nostalgia do campo que os estudiosos chamam de têm uma relação ambígua com o termo caipira. Talvez porque sofram daquela nostalgia do campo que os estudiosos chamam de “síndrome pastoril”. É uma saudade envergonhada, que se extravasa nas festas juninas, na audiência de novelas com temas agrários, nos jipes metidos a besta que rodam nas grandes cidades, no sucesso da música sertaneja, um arremedo que a indústria cultural forjou para as modinhas caipiras. O produto desse jecocentrismo pode não ser tão globalizado quanto o chapéu de Mickey que se compra na Disney World. Mas é mais (SABINO, Mário. In Veja, 24 jul. 1996) TRABALHANDO O TEXTO 1. Como foram formadas as palavras que constituem o título do texto?

3. Há no primeiro parágrafo do texto sufixos diminutivos e aumentativos. Aponte as palavras de que fazem parte e o significado que transmitem.

4. Explique como se formaram caipiríssimo e caipirésimo e que relação de significado estabelecem com caipira.

8. Baseado em elementos fornecidos pelo próprio texto, explique o sentido da palavra bovarismo.

Eco da anterior Que dúvida Que dívida Que dádiva Que duvidávida afinal a vida (MOURÃO-FERREIRA, David. Antologia poética (1948 – 1983). Lisboa. D. Quixote. 1983. p. 158.

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES 1 (Univ. Alfenas-MG) O infinitivo correspondente à forma verbal negrejava está formado por: a) derivação imprópria.

2 (Univ. Alfenas-MG) O vocábulo almanaques: 3 (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa que contém a correspondência correta a) anarquia = falta de cabeça b) aristocracia = governo dos plebeus c) teocracia = governo de religiosos d) oligarquia = governo de um pequeno grupo e) plutocracia = governo exercido por estrangeiros 4 (UEPE) Quanto à formação de palavras: c) (incontroverso), (individual) e (interna) são formadas com o prefixo latino in, com d) (ampliação), (repetência), (preparação) e (cidadania) são substantivos formados a e) em (fragilizar), (modernizar) e (democratizar) o sufixo izar forma verbos a partir de adjetivos.

5 (UFCE) Complete os espaços abaixo com o substantivo que corresponde ao verbo destacado nas passagens: c) … um gesto que eu não (descrevo) Marque a alternativa que completa corretamente os espaços acima: a) acenção – repetisão – descrição b) acensão – repetição – descreção c) acenção – repetição – discrição d) acensão – repetissão – descrisão e) acensão – repetição – descrição 6 (UFCE) Empregando o sufixo mente, substitua as expressões destacadas por uma só c) Ele ganhou um novo quarto e a aurora, (ao mesmo tempo).

d) Passou dez anos, (sem interrupção), com a janela virada para o pátio. e) O poeta, (por exceção), prefere a lua nova.

7 (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa que contém, pela ordem, o nome do processo de formação das seguintes palavras: a) prefixação, sufixação, derivação imprópria b) derivação imprópria, sufixação, parassíntese c) prefixação, derivação imprópria, parassíntese d) derivação regressiva, sufixação, prefixação e sufixação e) derivação regressiva, sufixação, parassíntese 8 (PUCSP) O vocábulo (ostentando) apresenta em sua estrutura os seguintes elementos mórficos: b) radical ostent-, a vogal temática -a, o tema ostenta e a desinência -ndo. c) o prefixo os-, o radical tent-, a vogal temática -a e a desinência -ndo. e) o radical -ndo, o tema ostent- e a vogal temática -a.

9 (ESALq-SP) São palavras formadas por prefixação: 10 (PUCSP) As palavras (azuladas), (esbranquiçadas), (bons-dias) e (lavagem) foram formadas, respectivamente, pelos processos de: a) derivação parassintética, derivação prefixal e sufixal, composição por aglutinação, b)derivação sufixal, derivação parassintética, composição por justaposição, derivação c) derivação parassintética, derivação parassintética, composição por aglutinação, d)derivação prefixal e sufixal, derivação prefixal, composição por justaposição, e) derivação sufixal, derivação imprópria, composição por justaposição, derivação sufixal.

a) magoado derivação sufixal b) obscuro derivação prefixal c) infernal derivação prefixal e sufixal d) aterrador derivação prefixal e sufixal e) descampado derivação parassintética 13 (FUVEST-SP) Foram formadas pelo mesmo processo as seguintes palavras: e) religião, irmão, solidão.

respectivamente, por: a) derivação regressiva, derivação sufixal, composição por justaposição. c) composição por aglutinação, derivação parassintética, derivação regressiva d) derivação parassintética, composição por justaposição, composição por aglutinação. e) composição por justaposição, composição por aglutinação, derivação prefixal.

19 (CESGRANRIO-RIO) Assinale a opção em que o processo de formação de palavras a) vagalume composição b) irritação – sufixação c) cruzeiro – sufixação d) baunilha – sufixação e) palmeira – sufixação 20 (UFRJ) Assinale a alternativa cujo prefixo sub tem o sentido de posteridade. a) sublinhar b) subsequente c) subdesenvolvido d) subjacente e) submisso 21 (FUVEST-SP) Assinale a alternativa em que uma das palavras não é formada por a) readquirir, predestinado, propor b) irregular, amoral, demover c) remeter, conter, antegozar d) irrestrito, antípoda, prever e) dever, deter, antever 22 (UM-SP) Dentre as alternativas abaixo, assinale aquela em que ocorrem dois a) impune, acéfalo b) pressupor, ambíguo c) anarquia, decair d) importar, soterrar e) ilegal, refazer 23 (UFF-RJ) O vocábulo catedral, do ponto de vista de sua formação, é: e) derivado regressivo de catedrático.

c) impedimento – derivação parassintética d) anoitecer – derivação parassintética e) borboleta – primitivo 25 (UFPR) A formação do vocábulo destacado na expressão “o (canto) das sereias” é: e) derivação prefixal.

a) subdesenvolvimento/sintonia b) ambidestro/anfíbio c) previsão/programa d) infiel/anêmico e) transparente/diálogo 31 (FUVEST-SP) Dos vocábulos da relação seguinte, transcreva apenas aqueles cujos prefixos indiquem privação, negação ou oposição: indiciado, anarquia, aprimorar, península, amoral, antípoda, antediluviano, ateu, antigo, imberbe 32 (FUVEST-SP) Dos vocábulos da relação seguinte, transcreva apenas aqueles que indiquem inferioridade ou posição inferior: sotopor, retroceder, supra-renal, sublingual, infravermelho, obstruir, hipodérmico, sobestar, hipertensão, périplo

CAPÍTULO 6 ESTUDO DOS VERBOS (I) – nota da ledora: gravura nas páginas 120 e 121, com a representação de um eletrocardiograma com a legenda da Sport TV, mostrando as alterações de um coração, – fim da nota.

Embora seja sempre lembrado como a palavra que denota ação (veja quantas delas ocorrem no anúncio acima), o verbo indica ainda uma série de outros fenômenos ou O que distingue fundamentalmente os verbos são as suas flexões, e não os seus possíveis significados. Afinal de contas, o verbo é a classe de palavras que possui o maior número de flexões, na língua portuguesa.

1 INTRODUÇÃO Conjugar verbos é algo que faz parte da vida de qualquer indivíduo, alfabetizado ou não, escolarizado ou não; no entanto, poucas pessoas se dão conta de que há nesse processo uma organização interna, um verdadeiro sistema, de que trataremos a seguir. Os verbos desempenham uma função vital em qualquer língua, e no português não seria diferente. E em torno deles que se organizam as orações e os períodos, Verbo significa, originariamente, “palavra”. Esse significado pode ser notado em expressões como “abrir o verbo” ou “deitar o verbo”, utilizadas para indicar o uso abundante e desimpedido das palavras. Outra expressão muito conhecida é “verborragia”, utilizada para indicar uso desmedido de palavras. Uma pessoa verborrágica fala muito. E o que significa comunicação verbal? Comunicação com Os verbos receberam esse nome justamente porque, devido a sua importância na língua, Conjugar um verbo é, portanto, exercer o direito pleno de empregar a palavra. O estudo de uma classe gramatical tão importante representa, obviamente, um passo decisivo para a obtenção de um desempenho lingüístico mais satisfatório.

Neste primeiro capítulo dedicado aos verbos, vamos concentrar nossa atenção nos paradigmas de conjugação, cujo conhecimento é indispensável à produção de textos representativos da modalidade culta do português.

2 CONCEITO Verbo é a palavra que se flexiona em número (singular/plural), pessoa (primeira, segunda, terceira), modo (indicativo, subjuntivo, imperativo), tempo (presente, pretérito, futuro) e voz (ativa, passiva, reflexiva). Pode indicar ação (fazer, copiar), estado (ser, ficar), fenômeno natural (chover, anoitecer), ocorrência (acontecer, O que caracteriza o verbo são suas flexões, e não seus possíveis significados. Observe que palavras como feitura, cópia, chuva, acontecimento e aspiração têm conteúdo muito próximo ao de alguns verbos mencionados acima; não apresentam, porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos possuem.

3 ESTRUTURA DAS FORMAS VERBAIS Há três tipos de morfemas que participam da estrutura das formas verbais: o radical, a a) radical – é o elemento mórfico (morfema) que concentra o significado essencial do verbo: opin-ar aprend-er nutr-ir am-ar beb-er part-ir cant-ar escond-er proib-ir Você notou que, para obter o radical de um verbo, basta eliminar as duas últimas letras do infinitivo. Podem-se antepor prefixos ao radical: des-nutr-ir re-aprend-er b) vogal temática – é o morfema que permite a ligação entre o radical e as desinências. Em português, há três vogais temáticas: -a- – caracteriza os verbos da primeira conjugação: solt-a-r; deix-a-r; perdo-a-r; -e- – caracteriza os verbos da segunda conjugação: esquec-e-r; sofr-e-r; viv-e-r. O verbo pôr e seus derivados (supor, depor, repor, compor etc.) são considerados da segunda conjugação, pois sua vogal temática é -e-, obtida da forma portuguesa arcaica poer, do latim ponere; -i- – caracteriza os verbos da terceira conjugação: assist-i-r; permit-i-r, decid-i-r. O conjunto formado pelo radical e pela vogal temática recebe o nome de tema.

falá-: tema (radical + vogal temática) -sse-: desinência modo-temporal (indica o modo – subjuntivo – e o tempo -pretérito imperfeito – em que o verbo está conjugado) -mos: desinência número-pessoal (indica que o verbo se refere à primeira pessoa do plural) Você conhecerá as outras desinências verbais quando apresentarmos os modelos das conjugações.

– nota da ledora: quadro em destaque, na página: Estrutura das formas verbais a) radical elemento mórfico (morfema) que concentra o significado essencial do verbo; b) vogal temática – morfema que permite a ligação entre o radical e as desinências. c) desinências – morfemas que se acrescentam ao tema para indicar as flexões do verbo. Combinando seus conhecimentos sobre a estrutura dos verbos com o conceito de sílaba tônica, você poderá facilmente descobrir o que são formas verbais rizotônicas e arrizotônicas. Nas formas rizotônicas, o acento tônico está no radical do verbo: estudo, compreendam, consigo, por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não está no radical, mas na terminação verbal: estudei, venderão, conseguiríamos.

4 FLEXÕES VERBAIS Você já sabe que os verbos apresentam flexão de número, pessoa, modo, tempo e voz. Vamos agora estudar mais minuciosamente essas flexões.

segunda pessoa, mas o verbo é conjugado na terceira. O pronome vós aparece em textos Para o tratamento direto, difundiu-se no Brasil o emprego dos pronomes você/vocês, que levam o verbo para a terceira pessoa: ele/ela você estuda eles/e/as/vocês estudam – nota da ledora: nesta página, tira de quadrinhos com sotaque português: (?) e a seguinte legenda: general pergunta a tropa, se quer canhões ou manteiga – quereis canhões ou manteiga? e um engraçadinho da tropa responde alto, que quer canhões. Na mesa, estão passando a faca em canhõeszinhos e depois no pão, ao que outro soldado comenta: Porque é que nunca fechas essa maldita – fim da nota.

A forma verbal correspondente ao pronome vós caiu em desuso no Brasil mas ainda é corrente em Portugal (quereis na tira acima).

FLEXÃO DE TEMPO E MODO No momento em que se fala ou escreve, o processo verbal pode estar em plena ocorrência, pode já estar concluído ou pode ainda não ter ocorrido. Essas três possibilidades básicas, mas não únicas, são expressas pelos três tempos verbais: o presente, o pretérito (que pode ser perfeito, imperfeito ou mais-que-perfeito) e o futuro (que pode ser do presente ou do pretérito). Compare as formas estudo, estudei e A indicação de tempo está normalmente ligada à indicação de modo, ou seja, a ex- pressão da atitude de quem fala ou escreve em relação ao conteúdo do que fala ou escreve. Quando se considera o que é falado ou escrito uma certeza, utilizam-se as formas do modo indicativo (são exemplos estudo, estudei, estudava, estudarei).

– nota da ledora: anúncio de seguros do Banco Itaú, com os seguintes dizeres: Uma pessoa que não entende nada de seguro me convenceu a fazer um Itauvida. – fim da nota.

MODO SUBJUNTIVO presente (estude) pretérito imperfeito (estudasse) futuro (estudar) MODO IMPERATIVO presente afirmativo ( estuda) presente negativo ( não estudes) – nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÃO: 1. O modo imperativo é dividido em duas formas: o afirmativo e o negativo. Não se 2. O esquema acima apresenta apenas os chamados tempos simples; além deles, há os 3. Os verbos possuem, além dos modos e tempos já apresentados, três formas nominais: o infinitivo (pessoal e impessoal), o gerúndio e o particípio. Essas formas são chamadas nominais porque podem assumir comportamento de nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) em determinados contextos. No caso do verbo estudar, temos: FORMAS NOMINAIS – infinitivo pessoal ( estudar, estudares…) infinitivo impessoal ( estudar) gerúndio (estudando) particípio (estudado) FLEXÃO DE VOZ A voz verbal indica fundamentalmente se o ser a que o verbo se refere é agente ou paciente do processo verbal. Há três situações possíveis: a) voz ativa – o ser a que o verbo se refere é o agente do processo verbal. Em “O Juventus derrotou o Palmeiras”, a forma verbal “derrotou” está na voz ativa porque “o b) voz passiva – o ser a que o verbo se refere é o paciente do processo verbal. Em “O Palmeiras foi derrotado pelo juventus”, a locução verbal “foi derrotado” está na voz Há duas formas de voz passiva em português: a voz passiva analítica, em que ocorre uma locução verbal formada pelo verbo ser mais o particípio do verbo principal (como em “O técnico foi demitido do clube”), e a voz passiva sintética, em que se utiliza o pronome se (nesse caso chamado pronome apassivador, ou partícula apassivadora) ao lado do verbo em terceira pessoa (como em “Alugam-se casas na praia”). Essas duas formas de voz passiva serão estudadas detalhadamente nos capítulos dedicados à c) voz reflexiva- o ser a que o verbo se refere é, ao mesmo tempo, agente e paciente do processo verbal, pois age sobre si mesmo. Em “O rapaz cortou-se com uma tesoura”, a forma verbal cortou-se está na voz reflexiva, pois o rapaz é, a um só tempo, agente e paciente: ele cortou a si mesmo.

– nota da ledora: propaganda do metrô de São Paulo, com os seguintes dizeres: – Tiradentes foi enforcado. Sardinha foi devorado por índios. Getúlio se matou. Felizmente, existe um jeito mais fácil de você entrar para a história.

As tragédias enumeradas no anúncio exemplificam a voz passiva (“foi enforcado'; “foi devorado”) e a voz reflexiva (“se matou”).

ATIVIDADES 1. Indique os morfemas presentes em cada uma das formas Verbais abaixo: a) falássemos b) pensáramos c) estudarei d) perderias e) decidissem f) produzo g) corrompias h) tratávamos i) permitistes 2. indique o tempo, o modo, o número e a pessoa de cada uma das formas verbais destacadas nas frases abaixo: f) (Queixava)-se constantemente de que ninguém ali (dava) importância a ele. h) (Digo) o que (penso).

5 CONJUGAÇÕES Quando se fala em conjugar um verbo, fala-se em dispor sistematizadamente todas as formas que ele pode assumir ao ser flexionado. Isso se faz com a exposição dos diversos tempos e modos de acordo com uma ordem convencionada. Observe que se trata de um recurso didático ligado à memorização e à observação de particularidades morfológicas. Os verbos da língua portuguesa podem ser divididos em três grupos de flexões, as chamadas conjugações, identificadas respectivamente pelas vogais temáticas -a-, -e- e – i-. Para cada uma dessas conjugações, há um modelo – chamado de paradigma – que indica as formas verbais consideradas regulares. De acordo com a relação que estabelecem com esses paradigmas, os verbos podem ser classificados em: a) regulares – obedecem precisamente a um paradigma da respectiva conjugação; b) irregulares – não seguem nenhum paradigma da respectiva conjugação: podem apresentar irregularidades no radical ou nas terminações. Os verbos ser e ir, por apresentarem profundas alterações nos radicais em sua conjugação, são chamados c) defectivos – não são conjugados em determinadas pessoas, tempos ou modos; Os verbos empregados para, com o infinitivo, o gerúndio ou o particípio, formar as locuções verbais ou os tempos compostos (devo ir/estava falando/tinha procurado) são chamados de auxiliares. Os quatro mais usados nessa função são ser, estar, ter e haver.

A conjugação desses quatro verbos, rica em particularidades, será apresentada mais O outro verbo do tempo composto ou locução verbal é chamado de principal. Na prática, torna-se fácil identificar o auxiliar e o principal: o auxiliar é sempre o primeiro; o principal é sempre o segundo.

PARADIGMA DOS VERBOS REGULARES Você encontrará a seguir paradigmas dos verbos regulares das três conjugações. Para conjugar qualquer verbo regular basta substituir o radical do verbo usado como exemplo pelo radical do verbo que se pretende conjugar. A vogal temática e as desinências não se alteram.

TEMPOS SIMPLES 1a. conjugação 2a. conjugação 3a. conjugação modelo: estudar, vender, permitir MODO INDICATlVO presente : estudo, vendo, permito, estudas, vendes, permites , estuda, vende, permite, estudamos, vendemos, permitimos, estudais, vendeis, permitis, estudam, vendem, permitem;

pretérito imperfeito: estudava, vendia, permitia, estudavas, vendias, permitias, estudava, vendia, permitia, estudávamos, vendíamos, permitíamos, estudáveis, vendíeis, permitíeis, estudavam, vendiam, permitiam pretérito perfeito: estudei, vendi, permiti estudaste, vendeste, permitiste, estudou, vendeu, permitiu, estudamos, vendemos, permitimos, estudastes, vendestes, permitistes, estudaram, venderam, permitiram;

estudarei, venderei, permitirei, estudarás, venderás, permitirás, estudará, venderá, permitirá, estudaremos, venderemos, permitiremos, estudareis, vendereis, permitireis, estudarão, venderão, permitirão

não estudes tu, não vendas tu, não permitas tu, não estude você, não venda você, não permita você, não estudemos nós, não vendamos nós, não permitamos nós, não estudeis vós, não vendais vós, não permitais vós, não estudem vocês, não vendam vocês, não permitam vocês FORMAS NOMINAIS infinitivo impessoal: estudar, vender, permitir infinitivo pessoal: estudar, vender, permitir, estudares, venderes, permitires, estudar, vender, permitir, estudarmos, vendermos, permitirmos, estudardes, venderdes, permitirdes, estudarem, venderem, permitirem gerúndio: estudando, vendendo, permitindo particípio: estudado, vendido, permitido – nota da ledora- quadro de destaque na página – 1. Tome cuidado especial com as formas verbais que recebem acento gráfico, pois a omissão desse acento pode causar problemas na língua escrita: analise atentamente as formas de primeira e segunda pessoas do plural dos vários tempos e compreenda que algumas devem ser acentuadas porque são proparoxítonas; atente para as formas do futuro do presente do indicativo que são acentuadas graficamente (oxítonas terminadas em -a, -as – estudarás, estudará; venderás, venderá; permitirás, permitirá) e perceba que a omissão desse acento causa confusão com as formas correspondentes do pretérito mais-que-perfeito do indicativo (paroxítonas – estudaras, estudara; venderas, vendera; 2. Compare a terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo com a terceira pessoa do plural do futuro do presente: a primeira é paroxítona e termina em -am (estudaram, venderam, permitiram); a segunda é oxítona e termina em -ão (estudarão, 3. Compare a segunda pessoa do singular com a segunda pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo: a primeira termina em -ste (estudaste, vendeste, permitiste); a 4. Atente para as particularidades do modo imperativo: não se conjuga a primeira pessoa do singular; além disso, na terceira pessoa se utilizam os pronomes você/vocês, senhor/senhores, ou qualquer outro pronome de tratamento.

estudado, vendido, permitido pretérito mais-que-perfeito: tinha/havia, tinhas/havias, tinha/havia, estudado, vendido, permitido futuro do presente : terei/haverei, terás/haverás, terá/haverá, teremos/haveremos, estudado, vendido, permitido futuro do pretérito: teria/haveria, terias/haverias, teria/haveria, teríamos/haveríamos, teríeis/haveríeis, teriam/haveriam, estudado, vendido, permitido

MODO SUBJUNTIVO pretérito perfeito: tenha/haja, tenhas/hajas, tenha/haja, tenhamos/hajamos, tenhais/hajais, tenham/hajam, estudado, vendido, permitido pretérito mais-que-perfeito: tivesse/houvesse, tivesses/houvesses, tivesse/houvesse, tivéssemos/houvéssemos, tivésseis/houvésseis, tivessem/houvessem, estudado, vendido, permitido futuro: tiver/houver, tiveres/houveres, tiver/houver, tivermos/houvermos, estudado, vendido, permitido

FORMAS NOMINAIS infinitivo pessoal (pretérito) : ter/haver, teres/haveres, ter/haver, termos/havermos, terdes/haverdes, terem/haverem, estudado, vendido, permitido infinitivo impessoal (pretérito) : ter/haver, estudado, vendido, permitido gerúndio (pretérito) tendo/havendo, estudado, vendido, permitido – nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÕES: 1. Você notou que os tempos compostos são formados pelos verbos auxiliares ter e haver mais o particípio do verbo principal. Apenas os auxiliares se flexionam. 2. No Brasil, há uma acentuada tendência ao emprego do auxiliar ter; o uso do auxiliar 3. O pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo é largamente usado no português falado e escrito do Brasil, confinando a forma simples ao uso escrito formal. 4. As formas compostas do infinitivo e do gerúndio têm valor de pretérito. – fim do quadro de destaque.

ATIVIDADES 1. Complete as lacunas das frases com a forma verbal indicada entre parênteses: a) Se efetivamente ( ), serias mais insistente. (necessitar, pretérito imperfeito do subjuntivo) b) Seu pai não ( ) às reuniões com freqüência. (comparecer, pretérito imperfeito do indicativo) c) O diretor não nos ( ) ontem. (auxiliar, pretérito perfeito do indicativo) d) Você sempre ( ) às oito horas? (chegar, presente do indicativo) e) Quem ( ) esta rotina tão tranqüila? (alterar, futuro do pretérito do indicativo) f) Já fazia muito tempo que eu ( ) a importância de ser solidário. (perceber, pretérito mais-que-perfeito do indicativo) g) Não te ( ) em situação delicada se me prestares ajuda? (colocar, futuro do presente do indicativo) h) Talvez eu ( ) alguma alteração no seu ânimo. (perceber, presente do subjuntivo) i) Quando ( ) a verdade, mostrai-a a todos. (descobrir, futuro do subjuntivo) 2. Complete as lacunas com as formas verbais solicitadas entre parênteses: a) Quando você ( ) o trabalho, poderá sair. (terminar, futuro composto do subjuntivo) b) ( ) constantemente, mas ainda não conseguiste êxito. (insistir, pretérito perfeito composto do indicativo) c) Nós já ( ) aquelas entidades assistenciais alguns anos atrás. (ajudar, pretérito mais- que-perfeito composto do indicativo) d) É provável que tudo ( ) até então. (acabar, pretérito perfeito composto do subjuntivo) e) Será que ( ) em todos os meus exames até dezembro? (passar, futuro do presente composto do indicativo) f) Se ( ) antes, teríamos obtido a vaga. (comparecer, pretérito mais-que-perfeito composto do subjuntivo) g) Tudo ( ) como imagináramos se ele não tivesse desistido no último momento. (ocorrer, futuro do pretérito composto do indicativo) 3. Passe para o plural cada uma das frases seguintes, mantendo o tempo e o modo dos l) Agiste como te recomendei?

a) tempos primitivos – são tempos cujos radicais ou temas são usados na formação de outros tempos. É o caso do presente do indicativo e do pretérito perfeito do indicativo. Além deles, o infinitivo impessoal é usado na formação de outros tempos; b) tempos derivados – são aqueles cujos radicais ou temas são obtidos de um dos tempos primitivos ou do infinitivo impessoal. Com exceção do presente e do pretérito perfeito do indicativo e do infinitivo impessoal, todos os tempos e formas nominais são O conhecimento da conjugação dos tempos primitivos e da forma como se obtém a partir deles a conjugação dos tempos derivados constitui um instrumento muito útil para evitar erros de conjugação. Com a prática e a repetição, o processo se tornará automático. Você perceberá que, em alguns casos, como na formação do imperativo e na obtenção de certos tempos de alguns verbos irregulares, esse processo de conjugação é eficiente e seguro.

Sem dúvida é importante aprender o esquema de formação do imperativo (para isso, veja a tabela na página seguinte). Porém, tão importante quanto é refletir um pouco antes de obedecer a um verbo no imperativo.

TEMPOS DERIVADOS DO PRESENTE DO INDICATIVO O presente do indicativo forma o presente do subjuntivo; dos dois, é formado o modo imperativo: a) presente do subjuntivo – forma-se a partir do radical da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. Esse radical é obtido pela eliminação da desinência -o da primeira pessoa do singular: opin-o, cant-o, conheç-o, venh-o, dig-o; a ele, acrescentam- se as desinências -e, -es, -e, -emos, -eis, -em, para verbos da primeira conjugação, e -a, – as, -a, -amos, -ais, -am, para verbos da segunda e terceira conjugações; b) imperativo afirmativo – a segunda pessoa do singular e a segunda pessoa do plural são retiradas diretamente do presente do indicativo, suprimindo-se o-s final: tu estudas – estuda tu; vós estudais – estudai vós. As formas das demais pessoas são exatamente as mesmas do presente do subjuntivo. Lembre-se de que não se conjuga a primeira pessoa c) imperativo negativo – todas as pessoas são idênticas as pessoas correspondentes do presente do subjuntivo.

ESQUEMA DE FORMAÇÃO DOS TEMPOS DERIVADOS DO PRESENTE DO INDICATIVO (exemplo: verbo optar) – nota da ledora: o esquema mencionado, esta muito bem explicado no ponto acima, não há condição de mantê-lo no formato de esquema, por truncar-se no momento da leitura, já que o programa não lê pulando linhas, escritas, e respeitando chaves. O esquema é – fim da nota.

– quadro em destaque na página: OBSERVAÇÕES: 1. Para os verbos da segunda e terceira conjugações, as desinências do presente do subjuntivo são: -a, -as, -a, -amos, -ais, -am.

afirmativo e as segundas pessoas do imperativo negativo. Para passar uma frase do imperativo afirmativo para o negativo e vice-versa não basta acrescentar ou retirar um 3. É muito comum na língua coloquial o emprego das formas verbais de segunda pessoa do singular do imperativo afirmativo com o pronome você: – “Vem pra Caixa você também!”, por exemplo, fez parte de um famoso texto publicitário poucos anos atrás. Essa mistura de tratamentos não é admissível na língua culta; para evitá-la, deve-se uniformizar o tratamento na segunda pessoa (“Vem… tu”) ou na terceira pessoa (“venha… você”).

ATIVIDADES 1. Passe para a forma negativa: l) Sai daí! m) Saia dai! p) Assiste ao filme! q) Assista ao filme! 2. Passe as frases do exercício anterior para o plural. A seguir, passe-as para a forma negativa.

De que maneira o modo imperativo é afetado por essas formas? Comente, explicando os efeitos obtidos no texto e apresentando maneiras de adequá-lo à língua culta.

4. Explique a formação do modo imperativo a partir do presente do indicativo. Use o verbo suar como exemplo.

TEMPOS DERIVADOS DO PRETÉRITO DO INDICATIVO O pretérito perfeito do indicativo fornece o tema para a formação de três outros tempos: o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, o pretérito imperfeito do subjuntivo e o futuro do subjuntivo. Para obter o tema do pretérito perfeito, basta retirar a desinência – ste da forma correspondente à segunda pessoa do singular (estuda-ste, vende-ste, parti- ste, trouxe-ste, soube-ste); a seguir, acrescentam-se a esse tema as desinências características de cada um dos três tempos derivados: a) pretérito mais-que-perfeito do indicativo: -ra, -ras, -ra, -ramos, -reis, -ram; b) pretérito imperfeito do subjuntivo: -sse, -sses, -sse, -ssemos, -sseis, -ssem; c) futuro do subjuntivo: -r, -res, -r, -rmos, -rdes, -rem.

nota da ledora: anúncio publicitário da Seguradora Itaú : uma mulher falando ao telefone, com cara de triste, e a seguinte legenda: se alguém bater em você, chame a – fim da nota.

Pretérito imperfeito do subjuntivo fize-sse fize-sses fize-sse fizé-ssemos fizé-sseis fize-ssem Futuro do subjuntivo fize-r fize-res fize-r fize-rmos fize-rdes fize-rem -nota de destaque na página: As desinências dos tempos derivados são as mesmas para as três conjugações.

ATIVIDADES 1. Quais os tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo? Explique sua formação 2. Observe a frase abaixo: Sabendo que o verbo (manter) segue o modelo de conjugação do verbo ter, procure adequar a frase acima ao padrão culto da língua portuguesa. Utilize o esquema de formação de tempos derivados a partir do pretérito perfeito do indicativo para comprovar a eficácia de sua correção.

TEMPOS E FORMAS NOMINAIS DE DERIVADOS DO INFINITIVO PESSOAL O infinitivo impessoal (estudar, vender, permitir) é a base para a formação de três tempos do modo indicativo: o pretérito imperfeito, o futuro do presente e o futuro do Além disso, é base também das formas nominais: o infinitivo pessoal, o particípio e o a) pretérito imperfeito do indicativo – forma-se pelo acréscimo das terminações -ava, -avas, -ava, -ávamos, -áveis, -avam (para os verbos da primeira conjugação) ou -ia, – ias, -ia, -íamos, -íeis, -iam (para os verbos da segunda e terceira conjugações) ao b) futuro do presente do indicativo – forma-se pelo acréscimo das desinências -rei, -rás, -ra, -remos, -reis, -rão ao tema do infinitivo impessoal (estuda-r, vende-r, permiti-r); c) futuro do pretérito do indicativo – forma-se pelo acréscimo das desinências -ria, d) infinitivo pessoal – acrescentam-se as desinências -es (para a segunda pessoa do singular) e -mos, -des, -em (para as três pessoas do plural) ao infinitivo impessoal e) particípio regular – acrescenta-se a desinência -ado (para verbos da primeira conjugação) ou -ido (para verbos da segunda e terceira conjugações) ao radical do f) gerúndio acrescenta-se a desinência -ndo ao tema do infinitivo impessoal.

ESQUEMA DE FORMAÇÃO DOS TEMPOS E FORMAS NOMINAIS DERIVADOS DO INFINITIVO IMPESSOAL (exemplo: verbo cantar) Infinitivo impessoal: cant-ar Partícipio: cant-ado Pretérito imperfeito do indicativo : cant-ava, cant-avas, cant-ava, cant-ávamos, cantá- veis, cant-avam Infinitivo impessoal: canta-r Futuro do presente do indicativo: canta-rei, canta-rás, canta-rá, canta-remos, canta-reis, Futuro do pretérito do indicativo: canta-ria, canta-rias, canta-ria, canta-ríamos, canta- Gerúndio: canta-ndo – nota da ledora – anúncio da revista placar: foto composta de uma bola, um preservativo, e um autofalante, com a seguinte legenda: O mundo é uma bola. Num – fim da nota.

O futuro do pretérito do indicativo (haveria) deriva do infinitivo impessoal. Quanto à derivação dos objetos esféricos, a hipótese do anúncio até que é engenhosa.

Infinitivo impessoal : cantar Infinitivo pessoal: cantar, cantar-es, cantar, cantar-mos, cantar-des, cantar-em. – quadro de destaque na página: OBSERVAÇÃO: Alguns poucos verbos não obedecem a um ou outro dos esquemas expostos; isso, no entanto, não chega a afetar a grande eficiência desses mecanismos de conjugação. Quando estudarmos os verbos irregulares, faremos mensão às mais importantes.

– nota – quadro de destaque na página: OBSERVAÇÕES 1. Para os verbos da segunda e terceira conjugações, as desinências são diferentes das que surgem no esquema de formação do particípio e pretérito imperfeito do indicativo: – ido para o particípio e -ia, -ias, -ia, -íamos, 4eis, -iam para o imperfeito. 2. Atente para o fato de que o infinitivo pessoal e o futuro do subjuntivo têm origens diferentes, o que implicará diferenças formais significativas em alguns verbos, como fazer (fazer, fazeres; fizer, fizeres), expor (expor, expores; expuser, expuseres), dizer (dizer, dizeres; disser, disseres) e outros.- fim do quadro.

c) Não ( ) a idéia de ter de partir justamente quando lhe ( ) uma oportunidade daquelas. (aceitar, pretérito imperfeito do indicativo; surgir, pretérito imperfeito do indicativo) d) Não ( ) minha inteligência para defender causa tão sórdida! (empregar, futuro do presente do indicativo) e) Quem ( ) contra nossa união? (tramar, futuro do pretérito do indicativo) f) ( ) a questão, ( ) dar prosseguimento a nossos projetos. (solucionar, particípio; poder, futuro do pretérito do indicativo) g) Dirigiu-se a nós ( ) de nossa inoperância e ( ) nosso despreparo. (reclamar, gerúndio; denunciar, gerúndio) h) Depois que nos identificamos, ela fez o possível e o impossível para ( ) em sua casa. (ficar, infinitivo pessoal) 2. Identifique as formas verbais destacadas na frase abaixo e explique por meio dos esquemas de formação de tempos verbais a origem de cada uma delas: Se você não (fizer) o que determina o manual de instruções, será impossível para os técnicos (fazer) o serviço.

7 ALGUNS VERBOS REGULARES QUE MERECEM DESTAQUES O verbo optar é um típico verbo regular cuja conjugação apresenta detalhes importantes. Atente principalmente no presente do indicativo e tempos derivados: a pronúncia culta das formas verbais aí presentes é opto, optas, opta, optam; opte, optes, opte, optem. O mesmo vale para os verbos captar, adaptar, raptar, compactar etc. O problema é prosódico e não morfológico e ocorre de forma semelhante no verbo obstar: obsto, Alguns outros verbos regulares cuja pronúncia culta merece destaque são: apaziguar Presente do indicativo: apaziguo apaziguas apazigua apaziguamos apaziguais apaziguam Presente do subjuntivo: apazigúe apazigúes apazigúe apazigüemos apazigüeis apazigüem – nota da ledora: quadro de destaque, na página: OBSERVAÇÕES 1. O verbo averiguar apresenta exatamente as mesmas características tônicas, que, aliás, são iguais às de quase todos os verbos terminados em -uar, como continuar, efetuar, 2. Atente na acentuação gráfica dessas formas verbais. – fim do quadro.

Presente do indicativo: digno, dignas, digna, dignamos, dignais, dignam. Presente do subjuntivo: digne, dignes, digne, dignemos, digneis, dignem mobiliar presente do indicativo: mobílio, mobilias, mobília, mobiliamos, mobiliais , mobíliam presente do subjuntivo: mobílie, mibílies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobíliem Há também verbos foneticamente regulares, mas irregulares no que diz respeito á manutenção da estrutura formal. E o caso, por exemplo, do verbo dirigir: dirijo, diriges, dirige, dirigimos, dirigis, dirigem; dirija, dirijas, dirija, dirijamos, dirijais, dirijam. É fácil conjugar esse verbo oralmente; as dificuldades surgem no momento de escrever as formas verbais. É necessário, então, substituir a letra g, que faz parte do radical (dirig-) pela letra j, justamente para manter o padrão fonético. Se fosse mantida a letra g do radical em toda a conjugação de verbos como dirigir, agir, fugir, fingir, haveria formas como ‘eu dirigo”, ‘eu ago”, “eu fugo”, “eu fingo”, “que eu diriga”, “que eu fuga”. Para eliminar essas dificuldades, você deve dominar com segurança as relações (já estudadas em nosso livro) entre fonemas e letras. Os problemas surgem, obviamente, nos verbos que apresentam letras que servem para representar mais de um fonema ou naqueles que apresentam fonemas que podem ser representados por mais de uma letra. – nota da ledora: propaganda das sandálias havaianas, com os seguintes termos: para ter um verão de verdade, exija estas marcas (a marca da sandália, feita pelo sol, no – fim da nota.

Exigir é exemplo de verbo foneticamente regular, porém com irregularidade gráfica. Para manter o som /z/ do infinitivo, o g transforma-se em j no imperativo (exija) É ocaso dos verbos cujo infinitivo se escreve com c, ç, g, gu: Merecem destaque extinguir e distinguir: nesses verbos, como em erguer, as letras gu representam um dígrafo (note que não há trema sobre o u). Ao conjugá-los, obtêm-se as formas extingo extingues, extingue etc.; distingo, distingues, distingue etc. Portanto você não deve pronunciar a letra u durante a conjugação desses verbos.

GIL, Gilberto. In: raça humana. LP EMI-ODEON BR 36.201, 1984. Lado A, faixa 4.) TRABALHANDO O TEXTO 1. Retire do texto três formas do presente do indicativo e indique a pessoa e o número 3. Indique a forma verbal que, no texto, funciona como substantivo. Que processo de 4. Em que modo, tempo, pessoa e número estão as formas permanecerá, restará e 5. Em que modo, pessoa e número estão as formas transformai, ensinai e socorrei? 6. A forma vejam está no mesmo modo que as três citadas na questão anterior, mas em 8. No texto, o tempo é tratado como uma divindade. Que recursos de linguagem o poeta 9. Na sua opinião, o tempo tem efetivamente essa dimensão?

QUESTÕES E TESTES DE VESTIBULARES 1 (UFCE) No quadro abaixo, apresenta-se uma lista de verbos em ordem alfabética. atribuir – chamar – dizer – escrever – existir -fluir – lidar – merecer – ser – transformar Preencha as lacunas abaixo usando, sem repetir, os verbos do quadro acima, no presente do indicativo, de maneira que as frases fiquem corretas, segundo a norma gramatical, e (1) … muitos que se (2) … poetas, mas, na verdade, não (3) …Os verdadeiros poetas O sonho, a fantasia, a alegria, a dor, tudo se (7)… em verso. E em verso, a vida, quer alegre, quer triste, (8) Já aqueloutros não (9)… o nome de poetas que se lhes (10)….

Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.” Caso o poeta tivesse optado pela forma você, em vez de tu, a alternativa que contém as Tende paciência, se obscuros. Calma, se vos provocam.

da esquerda com a da direita. Depois marque a seqüência numérica que corresponde à 1. infinitivo impessoal 2. presente do indicativo 3. infinitivo pessoal 4. futuro do pretérito do indicativo 5. imperfeito do subjuntivo 6. perfeito do indicativo ( ) Diz-se que (renunciar) à liberdade é renunciar à própria condição humana. ( ) Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora não acreditavam que se ( ) Os loucos que sonharam sair de seus pavilhões usando a fórmula do incêndio para (chegarem) à liberdade, morreram.

a) 4-2-6-1-5-3 b) 5-6-2-4-1-3 c) 3-5-2-6-4-1 d) 6-2-4-1-3-5 e) 3-6-5-2-1-4 4 (PUCSP) Nos trechos: (Vejam), continuou ele, como não dá.

e alterando-se o sujeito dos verbos destacados para tu e depois para vós, teremos, respectiva mente: a) vê – canta vede – cantai b) vejas – cantes vejais cantais c) vês – cantas vedes – cantais d) veja – cante vejai – cantei e) vês – cantas vede – cantai 5 (PUCSP) Em relação aos trechos: A questão (era) conseguir o Engenho Vertente,…

e Ele (tinha) os seus planos na cabeça. (Via) as usinas de Pernambuco crescendo de se substituirmos os verbos destacados pelo futuro do pretérito do indicativo, teremos: e) será, terá, verá.

6 (FUVEST-SP) Preencha os claros da frase transformada com as formas adequadas dos verbos assinalados na frase original.

Original: Para você (vir) à Cidade Universitária é preciso (virar) à direita ao (ver) a ponte da Transformada: Para tu ( ) à Cidade Universitária e preciso que ( ) à direita quando ( ) a ponte da a) vir – vire – ver b) vires – vires – veres c) venhas – vires – vejas d) vir – virar – ver e) vires – vires – vires 7 (UEM-PR) Assinale toda vez que os verbos do imperativo, em cada dupla, se 01. a) Enxágua a louça, mana. b) Filha, seja mais otimista! 02. a) Crede sempre no bem! b) Não digais tudo o que vem à mente. 04. a) Sigamos nosso caminho… b) Criemos nosso destino! 08.a) Papai, descola uma grana aí. b) Psiu! vem mais perto, vem.

8 (PUCSP) Observe os verbos dizer, rolar e varrer, assim empregados: dizei-me rolai varrei b) Mantendo o modo, conjugue os referidos verbos na 3a. pessoa do singular.

10 (UNIMEP-SP) “Não fales! Não bebas! Não fujas!” Passando tudo para a forma afirmativa, teremos: a) Fala! Bebe! Foge! b) Fala! Bebe! Fuja! c) Fala! Beba! Fuja! d) Fale! Beba! Fuja! e) Fale! Bebe! Foge! 11 (UFV-MG) Dada a lista de verbos: ser, estar, ter, haver, continuar, permanecer, ficar, amar, dever, partir, dar, ir, vir, dormir e arguir, distribua-os em conjugações e depois Primeira conjugação: Segunda conjugação: Terceira conjugação: Escreva agora o critério adotado para a distribuição dos verbos em três conjugações distintas.

12 (VUNESP) Alternativa em que o verbo auxiliar destacado estiver atuando na construção da voz passiva: a) Não (haviam) preparado a mínima homenagem.

b) Os que lá se encontravam (tinham) respondido friamente à saudação dele. d) Esforçando-se para dar a entender que sua ausência não (seria) sentida. e) Nunca, porém, (haveria) de esquecer aquela frágil armação de lona e tabique.

13 (VUNESP) Observe a frase abaixo: Transcreva-a no: 14 (VUNESP) “(…) mas, a quinhentos metros, tudo se torna muito reduzido: sois uma pequena figura sem pormenores; vossas amáveis singularidades fundem-se numa sombra neutra e vulgar.” Transcreva o trecho acima: a) no futuro do pretérito do indicativo, mantendo a segunda pessoa do plural; b) na segunda pessoa do singular, mantendo o modo e o tempo verbais do texto de Cecilia Meireles.

b) esqueça, lembra, constrói c) esqueça, lembre, constrói d) esqueças, lembra, constrói e) esqueças, lembre, constrói 19 (FAME/FUPAC-MG) Em: “(Sei) de uma moça… Se alguém (escrevesse) a sua história, (diriam) como o senhor (…)”, há verbos empregados respectivamente no: a) presente do indicativo, pretérito imperfeito do subjuntivo, futuro do pretérito do b) presente do indicativo, pretérito imperfeito do indicativo, futuro do pretérito do c) presente do indicativo, pretérito imperfeito do indicativo, pretérito imperfeito do d) presente do indicativo, futuro do pretérito do indicativo, pretérito imperfeito do e) presente do indicativo, futuro do pretérito do subjuntivo, pretérito imperfeito do subjuntivo.

Misterioso segredo, Entra na vida da gente, Iluminando…” 25 (FGV-SP) A segunda pessoa do singular do imperativo do verbo submergir: a) submerja b) submerjas c) submerge d) n.d.a.

26 (F. C. Chagas-SP) Para que você ( ) isso, precisa ser ambicioso; quem ( ) sem a) deseja, deseja, estima b) deseje, deseja, estime c) deseje, deseja, estima d) deseja, deseje, estime e) deseje, deseje, estima c) Estranho apartamento, se (juntarmos), em sua representação, os móveis modernos aos d) Um desejo de nos (pacificarmos), de (atingirmos) a bondade e a compreensão, nos e) Luís engoliu o pão com geléia como se fosse o último alimento sobre a terra, e sua salvação dependesse de (tê-lo ingerido).

28 (UFF-Rj) Assinale a série em que estão devidamente classificadas as formas verbais em destaque: “Ao chegar da fazenda, espero que já tenha terminado a festa”. a) futuro do subjuntivo, pretérito perfeito do indicativo b) infinitivo, presente do subjuntivo c) futuro do subjuntivo, presente do subjuntivo d) infinitivo, pretérito imperfeito do subjuntivo e) infinitivo, pretérito perfeito do subjuntivo

CAPÍTULO 7 ESTUDO DOS VERBOS (2) Neste capítulo, vamos continuar o estudo dos verbos, dedicando especial atenção aos verbos irregulares, defectivos e abundantes. Na capa da revista, encontramos dois exemplos de verbos irregulares: dizer e ver, em suas formas participiais. No decorrer do capítulo, conheceremos diversos outros, sempre recorrendo aos esquemas de tempos primitivos e tempos derivados, que você já aprendeu no capítulo 6.

com segurança; também é fundamental que você domine com desenvoltura todos os mecanismos da relação que existe entre os tempos primitivos e os derivados. Neste capítulo, vamos observar detalhadamente os principais verbos irregulares, defectivos e abundantes de nossa língua. Esse estudo terá como base o esquema de formação dos tempos simples.

2 VERBOS IRREGULARES Você já sabe que os verbos irregulares são aqueles que não seguem os paradigmas das conjugações, ou seja, apresentam variações de forma nos radicais ou nas desinências. Para que o estudo desses verbos se torne mais fácil e prático, tenha sempre em mente o esquema de formação dos tempos simples, pois as irregularidades dos tempos primitivos geralmente se estendem aos tempos derivados correspondentes. Por isso vamos organizar nosso estudo a partir desse esquema de formação dos tempos simples.

VERBOS IRREGULARES APENAS NA CONJUGAÇÃO DO PRESENTE DO INDICATIVO E TEMPOS DERIVADOS Você encontrará a seguir os principais verbos que apresentam irregularidades no presente do indicativo e, conseqüentemente, no presente do subjuntivo e no imperativo. Serão conjugados apenas o presente do indicativo e o presente do subjuntivo desses verbos: para obter o imperativo, basta seguir o esquema já conhecido. Colocaremos observações sempre que for necessário chamar a sua atenção para alguma particularidade.

PRIMEIRA CONJUGAÇÃO recear Presente do indicativo: recei-o, receias, receia, receamos, receais, receiam Presente do subjuntivo: recei-e, recei-es, recei-e, receemos, receeis, recei-em incendiar Presente do indicativo: incendei-o, incendeias, incendeia, incendiamos, incendiais, incendeiam Presente do subjuntivo: incendei-e, incendei-es, incendei-e, incendiemos, incendieis, incendei-em – nota da ledora; quadro de destaque na página – OBSERVAÇÕES: 1. Atente para a segunda pessoa do plural, em o radical apresenta modificação. 2. Seguem esse modelo os demais verbos terminados em -ear: apear, atear, arrear, bloquear, cear, enlear,folhear, frear, hastear, granjear, lisonjear, passear, semear, 3. Os verbos terminados em -iar são regulares, com exceção de mediar, ansiar, remediar, incendiar, odiar e seus derivados. Um derivado importante de mediar é intermediar. – – – – fim do quadro.

– nota da ledora: propaganda do jornal O Estado de São Paulo com os seguintes dizeres: Eu odeio oligopólios. E quando souber o que é isso vou odiar mais ainda. – fim da nota.

SEGUNDA CONJUGAÇÃO ler Presente do indicativo: lei-o lês lê lemos ledes lêem Presente do subjuntivo: lei-a lei-as lei-a lei-amos lei-ais lei-am – nota da ledora: quadro em destaque na página: OBSERVAÇÕES 1. Atente para as formas da segunda e terceira pessoas do plural do presente do 3. O pretérito perfeito do indicativo desses verbos é regular ( li/ cri/ leste/ creste, leu/creu, lemos/cremos, lestes/ crestes, lestes/ creram ) – fim do quadro Não confunda perda (substantivo) com perda (forma verbal): A perda do emprego levará o pobre homem ao desespero.

requerer Presente do indicativo: requeir-o, requeres, requer, requeremos, requereis, requerem Presente do subjuntivo: requeir-a, requeir-as, requeir-a, requeir-amos, requeir-ais, requeir-am perder Presente do indicativo: perc-o, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem Presente do subjuntivo: perc-a, perc-as, perc-a, perc-amos, perc-ais, perc-am – nota da ledora: quadro de destaque na página: O pretérito perfeito do indicativo desse verbo é regular (requeri, requereste, requereu, requeremos, requerestes, requereram). Conseqüentemente o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, o imperfeito do subjuntivo e o futuro do subjuntivo também são – fim do quadro valer Presente do indicativo: valh-o, vales, vale, valemos, valeis, valem Presente do subjuntivo: valh-a, valh-as, valh-a, valh-amos, valh-ais, valh-am – Segue essa conjugação o verbo equivaler

Atente para a irregularidade desse verbo: a primeira pessoa do singular do presente do indicativo apresenta i em lugar do e do radical do infinitivo. Há muitos outros verbos que apresentam esse mesmo comportamento: aderir, advertir, compelir, competir, conferir, despir, digerir, discernir, divergir, expelir, ferir, inserir, investir, perseguir, preferir, referir. repelir. repetir, seguir, sentir, servir, sugerir, etc.

– nota da ledora: propaganda do jornal Folha da tarde com a seguinte legenda: Fotos que valem mais que mil palavrões. ( foto de uma pessoa passando por uma área inundada ) – fim da nota.

progredir Presente do indicativo progrid-o progrides progride progredimos progredis progridem Presente do subjuntivo progrid-a progrid-as progrid-a progrid-amos progrid-ais progrid-am A troca do e do infinitivo pelo i só não ocorre na primeira e segunda pessoas do plural. Seguem esse modelo: agredir, denegrir, prevenir, regredir, transgredir. dormir Seguem esse modelo cobrir e seus derivados (descobrir, encobrir, recobrir), além de encobrir e tossir.

Presente do indicativo: durm-o dormes dorme dormimos dormis dormem Presente do subjuntivo: durm-a durm-as durm-a durm-amos durm-ais durm-am Seguem esse modelo: despedir, impedir, medir. Ouvir apresenta conjugação semelhante: ouço, ouves, ouve…; ouça, ouças, ouça….

fugir Presente do indicativo: fuj-o foges foge fugimos fugis fogem Presente do subjuntivo fuj-a fuj-as fuj-a fuj-amos fuj-ais fuj-am Segue esse modelo o verbo sortir.

Há alguns verbos que apresentam particularidades na terceira pessoa do singular do presente do indicativo. Como essas particularidades não ocorrem na primeira pessoa do singular, não interferem nos tempos derivados do presente do indicativo. São os verbos terminados em -air (cair; decair, sair, por exemplo), -oer (doer, moer, roer) e -uir atribuir, contribuir, retribuir). Em todos esses verbos, a terceira pessoa do singular do presente do indicativo apresenta desinência -i e não -e (cai, decai, sai; dói, mói, rói; atribui, contribui, retribui). Isso explica por que muita gente erra a grafia de formas verbais como atribui, possui, mói, substitui, colocando -e no lugar do -i final. Nos verbos terminados em -uzir (conduzir; produzir, reduzir; traduzir), essa mesma pessoa não apresenta a desinência -e (conduz, produz, reduz, traduz).

polir Presente do indicativo pul-o pules pule polimos polis pulem Presente do subjuntivo pul-a pul-as pul-a pul-amos pul-ais pul-am

ATIVIDADES 1. Observe o modo e o tempo verbais nas frases abaixo: Complete as lacunas das frases abaixo utilizando os verbos indicados nos mesmos tempos e modos apresentados nas frases-modelo: a) Não ( ) fogo ao mato seco! Não provoco queimadas! (atear) É necessário que não se ( ) fogo ao mato seco! Não se devem provocar queimadas! b) Os garotos daquele bairro freqüentemente ( ) a praça com seus carros. Isso não é certo! (bloquear) Algo tem de ser feito para que os garotos daquele bairro não ( ) mais a praça com seus c) Sempre ( ) os cabelos imediatamente depois que os lavo. (pentear) E recomendável que você ( ) os cabelos imediatamente depois de lavá-los. d) ( ) que não poderei participar do evento. (recear) e) Ela ( ) todas as noites com o pai. (passear) f) Notei que não ( ) no momento de exigires teus direitos. (titubear) É imprescindível que não ( ) no momento de exigir teus direitos.

A seguir, complete as lacunas utilizando formas verbais flexionadas como as do a) Não ( ) confusões com meus vizinhos. Não quero que você ( ). (criar) b) Não ( ) desconhecidos. Não quero que você ( ) (credenciar) c) Não ( ) com inescrupulosos.Não quero que você ( ). (negociar) d) Não ( ) esse tipo de transação. Não quero que você ( ). (intermediar) e) Não ( ) os individualistas. Não quero que você ( ). (premiar) f) Não ( ) ninguém. Não quero que você ( ). (odiar) g) Não ( ) conquistar o que não mereço. Não quero que você ( ). (ansiar) h) Não ( ) aos quatro cantos minhas conquistas. Não quero que ( ) (anunciar) i) Não ( ) o que não tem remédio. Não quero que você ( ) (remediar) j) Não ( ) o ânimo com promessas vãs. Não quero que você ( ) (incendiar) 4. Passe para o plural as frases do exercício anterior.

d) É insuportável que se ( ) a lei continuamente. (transgredir) e) É desnecessário que ( ) a imagem dele. (denegrir) f) É improvável que ela ( ) estas peças de roupa. (cerzir) 8. Observe o modelo: O diretor da área financeira do Banco Central não quer que se ( ) esse tipo de falcatrua. (encobrir) O diretor da área financeira do Banco Central não quer que se (encubra) esse tipo de a) Espero que você não ( ) essas agressões. (engolir) b) O terapeuta sugere que nós ( ) melhor. (dormir) c) Aquele professor, rabugentíssimo, não permite nem mesmo que alguém ( ) durante a aula. (tossir) d) Ela espera que eu não ( ) seus segredos. (descobrir) e) Os executivos querem que os consumidores ( ) os prejuízos advindos da má administração das empresas. (cobrir) f) O mestre-de-obras acha melhor que se ( ) a parede com algum produto impermeabilizante. (recobrir) 9. Observe o modelo: Fique à vontade e ( ) o que achar melhor. (pedir) a) Pegue o disco e ( ) a música. (ouvir) b) Interfira com rigor e ( ) essa trapaça. (impedir) c) Leve os instrumentos e ( ) todo o terreno. (medir) d) Compareça à secretaria e ( ) dos funcionários. (despedir-se) e) Crie coragem e ( ) esses degraus. (subir) f) Saia já daí e ( ) depressa. (fugir) g) Levante-se, ( ) a roupa e ( ) de uma vez. (sacudir; sumir) h) Mexa-se e ( ) os que precisam. (acudir) i) Mantenha a calma e não ( ) com quem está quieto. (bulir) j) Civilize-se e não ( ) no chão. (cuspir) 10. Reescreva as frases do exercício anterior, passando-as para a segunda pessoa do singular.

VERBOS IRREGULARES NO PRESENTE E NO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO E RESPECTIVOS TEMPOS DERIVADOS Apresentamos a seguir vários verbos que mostram irregularidades tanto no presente do indicativo e tempos derivados, como no pretérito perfeito do indicativo e tempos derivados. Na conjugação de alguns verbos mais problemáticos, aparece também o pretérito imperfeito do indicativo.

indicativo estive estive-ra estive-sse estive-r estás estejas estive-ste estive- ras estive-sses estive- res está esteve estive-ra estive-sse estiver estejamos estivemos estivé-ramos estivé-ssemos estive-rmos estejais estivestes estivé-reis estivé-sseis estive-rdes estejam estiveram estive- ram estivessem estive- rem Presente do indicativo: estou, estás, está, estamos, estais, estão Presente do subjuntivo: esteja, estejas, esteja, estejamosm estejais, estejam Pretérito perfeito do indicativo: estive, estive-ste, esteve, estivemos, estivestes, estiveram pretérito mais-que-perfeito: estive-ra, estive-ras, estive-ra, estivé-ramos, estivé-reis, estive-ram pretérito imperfeito do subjuntivo: estive-sse, estive-sses, estive-sse, estivé-ssemos, estivé-sseis, estive-ssem futuro do subjuntivo: estive-r, estive-res, estive-r, estive-rmos, estive-rdes, estive-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÕES: 1. O presente do subjuntivo não utiliza o radical do presente do indicativo. Isso ocorre com todos os verbos cuja primeira pessoa do singular do presente do indicativo termina em -ei ou em -ou (sei/saiba, dou/dê, hei/haja, vou/vá, sou/seja), além do verbo-querer 2. Atente para as formas do presente do subjuntivo: na língua culta, deve-se usar – fim da nota.

assemelham – prazer, comprazer e desprazer – é a terceira pessoa do singular, que não 2. Desprazer e prazer seguem o modelo de aprazer em todos os tempos. Acredite: prazer é verbo (“Prouve a Deus que o filho não sofresse”) e normalmente é usado apenas na No pretérito perfeito do indicativo e tempos derivados, pode também ser conjugado regularmente; há, portanto, duas formas possíveis para esses tempos: comprouve/comprazi, comprouveste/comprazeste,… – fim da nota.

coube-ssem futuro do subjuntivo: coube-r coube-res coube-r coube-rmos coube-rdes coube-rem dizer presente do indicativo: dig-o dizes diz dizemos dizeis dizem presente do subjuntivo: dig-a dig-as dig-a dig-amos dig-ais dig-am pretérito imperfeito do indicativo: disse disse-ste disse dissemos dissestes disseram pretérito-mais-que perfeito: disse-ra disse- ras disse-ra dissé- ramos dissé-reis disse- ram pretérito imperfeito do subjuntivo: disse-sse disse-sses disse-sse dissé-ssemos dissé-sseis disse-ssem futuro do subjuntivo: disse-r disse- res disse-r disse- rmos disse- rdes disse-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página – OBSERVAÇÕES 1. Seguem esse modelo os derivados: bendisse- condizer, contradizer, desdizer, 2. Os futuros do indicativo desse verbo e seus derivados são irregulares, já que perdem a sílaba ze: direi, dirá, contradirei, desdirá são formas do futuro do presente; diria, 3. O particípio desse verbo e seus derivados é irregular: dito, bendito, contradito… – fim do quadro.

fazer presente do indicativo: faç-o fazes faz fazemos fazeis fazem presente do subjuntivo: faç-a faç-as faç-a faç-amos faç-ais faç-am pretérito perfeito do indicartivo: fiz fize-ste fez fizemos fizestes fizeram pretérito mais-que-perfeito: fize-ra fize-ras fize-ra fizé-ramos fizé-reis fize-ram pretérito imperfeito do subjuntivo: fize-sse fize-sses fize-sse fizé-ssemos fizé-sseis fizessem futuro do subjuntivo: fize-r fize-res fize-r fize-rmos fize-rdes fize-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÕES 1. Seguem esse modelo: desfazer, liquefazer; perfazer; rarefazer; satisfazer; refazer. 2. Os futuros do indicativo desse verbo e seus derivados são irregulares; já que perdem a sílaba ze: farei, refará, satisfaremos desfarão a forma do futuro do presente; faria, 3. O particípio desse verbo e seus derivados é irregular: feito, desfeito, liquefeito, – fim da nota.

presente do subjuntivo: haja hajas haja hajamos hajais hajam pretérito perfeito do indicativo: houve houveste houve houvemos houvestes houveram pretérito-mais-que-perfeito do indicativo: houve-ra houve-ras houve-ra houvé-ramos houvé-reis houve-ram pretérito imperfeito do subjuntivo: houve-sse houve-sses houve-sse houvé-ssemos houvé-sseis houve-ssem futuro do subjuntivo: houve-r houve- res houve-r houve-rmos houve-rdes houve-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página- OBSERVAÇÃO: O presente do subjuntivo não utiliza o radical do presente do indicativo (hei/haja). – fim do quadro.

poder presente do indicativo: poss-o podes pode podemos podeis podem presente do subjuntivo: poss-a poss-as poss-a poss-amos poss-ais poss-am pretérito perfeito do indicativo: pude pudeste pôde pudemos pudestes puderam pretérito mais-que-perfeito do indicativo: pude-ra pude-ras pudera pudé-ramos pudé-reis pude-ram pretérito imperfeito do subjuntivo: pude-sse pude-sses pude-sse pudé-ssemos pudé-sseis pude-ssem futuro do subjuntivo: pude-r pude-res pude-r pude-rmos pude-rdes puderem – nota da ledora: quadro de destaque, na página: OBSERVAÇÃO A terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo (pode) recebe acento circunflexo, diferencial de timbre de pode, terceira do singular do presente do – fim do quadro.

punha punhas punha púnhamos púnheis punham pretérito perfeito do indicativo: pus puse-ste pôs pusemos pusestes puseram pretérito mais-que-perfeito do indicativo: puse-ra puse-ras puse-ra pusé-ramos pusé-reis puse-ram pretérito imperfeito do subjuntivo: puse-sse puse-sses pusesse pusé-ssemos pusé-sseis pusessem futuro do subjuntivo: puse-r puse-res puse-r puser-mos puse-rdes puse-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÕES 1. Atente para a diferença entre a terceira pessoa do singular e a terceira pessoa do 2. Analise com atenção as formas do pretérito imperfeito do indicativo. 3. Destaque-se a grafia das formas de toda a família : não existe a letra z (pus, pusemos, puseram, puser, pusermos, puserem pusesse, puséssemos, pusesses) 4. O fato de o verbo pôr receber acento (diferencial da preposição por) não significa que seus derivados também serão acentuados (depor, propor, impor etc.). Nenhum derivado de pôr é acentuado.

6. Todos os derivados do verbo pôr seguem exatamente esse modelo de conjugação: – indispor; interpor; opor; pospor; predispor; pressupor, propor, recompor, repor, sobrepor; supor; transpor são alguns deles (“Se você compuser uma canção”, e não “Se você compor uma canção”; Se eles expuserem os quadros”, e não “Se eles exporem os 7. O particípio do verbo pôr e seus derivados é irregular: posto, anteposto, composto, – fim do quadro de destaque.

quise-ssem futuro do subjuntivo: quise-r quise-res quise-r quise-rmos quise-rdes quise-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página: 1. O presente do subjuntivo não utiliza o radical da primeira pessoa do singular do 2. Atente para a grafia: não existe a letra z em nenhuma forma do verbo querer (quis, quisemos, quiseram, quiser, quisermos, quiserem, quisesse, quiséssemos, quisessem). 3. Como já vimos, requerer não segue a conjugação de querer. É irregular na primeira pessoa do singular do presente do indicativo (requeiro) e formas derivadas (requeira, requeiramos, requeiram). É regular no pretérito perfeito do indicativo e formas derivadas (requeri, requereu, requereram, requeresse, requerêssemos, requeressem). – fim do quadro.

saber presente do indicativo: sei sabes sabe sabemos sabeis sabem presente do subjuntivo: saiba saibas saiba saibamos saibais saibam pretérito perfeito do indicativo: soube soube-ste soube soubemos soubestes souberam pretérito mais-que-perfeito do indicativo: soube-ra soube-ras soube-ra soubé-ramos soubé-reis soube-ram pretérito imperfeito do subjuntivo: soube-sse soube-sses soube-sse soubé-ssemos soubé-sseis soube-ssem fuuturo do subjuntivo: soube-r soube-res soube-r soube-rmos soube-rdes soube-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÃO: O presente do subjuntivo não apresenta o radical da primeira pessoa do singular do – fim da nota.

esquema conhecido. As duas segundas pessoas (tu e vós) do imperativo afirmativo – fim do quadro.

ter presente do indicativo: tenh-o tens tem temos tendes têm presente do subjuntivo: tenh-a tenh-as tenh-a tenh-amos tenh-ais tenh-am pretérito imperfeito do indicativo: tinha tinhas tinha tínhamos tínheis tinham pretérito perfeito do indicativo: tive tive-ste teve tivemos tivestes tiveram pretérito mais-que-perfeito do indicativo: tive-ra tive-ras tive-ra tivé-ramos tivé-reis tive-ram pretérito imperfeito do subjuntivo: tive-sse tive-sses tive-sse tivé-ssemos tivé-sseis tive-ssem futuro do subjuntivo: tive-r tive-res tive-r tive-rmos Iive-rdes tive-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÕES 1. Seguem esse modelo os derivados (ater, conter, deter, entreter, manter, reter, obter, 2. Note a diferença gráfica entre a terceira pessoa do singular e a terceira pessoa do plural do presente do indicativo: ele tem/eles têm. Nos verbos derivados, a diferenciação se faz de outra maneira: ele contém/eles contêm, ele mantém/eles mantêm. – fim do quadro.

trouxe-ra trouxe- ras trouxe-ra trouxé- ramos trouxé-reis trouxe- ram pretérito imperfeito do subjuntivo: trouxe-sse trouxe-sses trouxe-sse trouxé-ssemos trouxé-sseis trouxe-ssem futuro do subjuntivo: trouxe-r trouxe-res touxe-r trouxe-rmos trouxe-rdes trouxe-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÃO Os futuros do indicativo desse verbo são irregulares, já que perdem a sílaba ze: trarei, trarás, trará… (para o futuro do presente); traria, trarias, traria… (para o futuro do – fim do quadro.

presente do indicativo e formas derivadas (provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem; proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais, provejam), Nos demais tempos, prover é absolutamente regular (provi, proveu, proveram, provera, provesse, provêssemos, provessem, provermos, proverem). – fim do quadro.

TERCEIRA CONJUGAÇÃO ir Presente do indicativo: vou vais vai vamos ides vão presente do subjuntivo: vá vás vá vamos vades vão pretérito imperfeito do indicativo: ia ias ia íamos íeis iam pretérito perfeito do indicativo: fui fo-ste foi fomos fostes foram pretérito mais-que-perfeito do indicativo: fo-ra fo-ras fo-ra fô-ramos fô-reis foram pretérito imperfeito do subjuntivo: fo-sse fo-sses fo-sse fô-ssemos fô-sseis fo-ssem futuro do subjuntivo: fo-r fo-res fo-r fo-mos fo-rdes fo-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página: 1. O verbo ir também é considerado anômalo, dadas as acentuadas irregularidades que 2. Atente para a diferença entre a segunda pessoa do plural do presente do indicativo e a 3. As formas do pretérito perfeito e tempos derivados dos verbos ir e ser são idênticas: somente pelo contexto em que se encontram é que se pode perceber de qual verbo se trata (‘Fui ao cinema e fui maltratado pelo bilheteiro” – a primeira forma fui é do verbo ir; a segunda é do verbo ser. Ponha a frase no futuro para que se evidencie a diferença: 4. O verbo ir, além de anômalo, é considerado abundante, já que apresenta duas formas para o mesmo caso ( nós vamos ou imos, no presente do indicativo) – fim do quadro.

vir Presente do indicativo: venh-o vens vem vimos vindes vêm presente do subjuntivo: venh-a venh-as venh-a venh-amos venh-ais venh-am pretérito imperfeito do indicativo: vinha vinhas vinha vínhamos vínheis vinham pretérito perfeito do indicativo: vim vie-ste veio viemos viestes vieram pretérito mais-que-perfeito do indicativo: vie-ra vie-ras vie-ra vié-ramos vié-reis vie-ram pretérito imperfeito do subjuntivo: vie-sse vie-sses vie-sse vié-ssemos vié-sseis vie- ssem fututo do subjuntivo: vie-r vie-res vie-r vie-rmos vie-rdes vie-rem – nota da ledora: quadro de destaque na página: OBSERVAÇÕES 1. Atente para a diferença gráfica entre as terceiras pessoas do presente do indicativo: ele vem/eles vêm. Compare essas formas com as correspondentes do verbo ver ele vê/eles vêem).

provir, sobrevir. Nesses verbos, a diferenciação gráfica entre as terceiras pessoas do presente do indicativo se faz de outra maneira: ele convém/eles convêm, ele intervém/eles intervêm. Atente nas formas desses verbos no pretérito perfeito e tempos derivados (“Eu intervim na discussão entre os dois”; “O problema só será resolvido se 3.O particípio de vir e seus derivados é irregular: vindo, convindo, intervindo. Essa família de verbos é a única da língua portuguesa que apresenta particípio e gerúndio iguais (“Vem chegando a madrugada”/ “Vem vindo a madrugada”; “Já tinham chegado – fim do quadro.

f) Se seu procedimento ( ) com o cargo que ocupa, não ( ) tantos protestos. (condizer; haver) g) Se a mistura se ( ), a experiência ( ) um sucesso. (liquefazer; ser) h) Se todos os convidados ( ) ao concerto, o teatro ( ) superlotado. (ir; ficar) i) Se nós ( ), ( ) uma oportunidade a ela. (poder; dar) j) Se você ( ), nossa vida ( ) melhor. (querer; ser) l) Se eles ( ) a verdade, ( ) revoltados. (saber; ficar) m) Se ninguém ( ) lá, não ( ) problema para cancelar o evento. (estar; haver) n) Se ele a ( ) com essa roupa, ( ) enlouquecido. (ver; ficar) o) Se você ( ) a serenidade, ( ) condição de pensar melhor. (manter; ter)

4. Reescreva as frases abaixo, substituindo a forma verbal composta pela forma verbal simples correspondente. Há alguma alteração de significado nas frases com a n) Percebi que ele se (havia mantido) sereno durante o debate e que um simples gesto seu (havia detido) os mais nervosos.

5. Reescreva as frases propostas, transformando os tempos verbais de acordo com o modelo: n) De que (provém) sua desconfiança?

Se eu puder, irei à Grécia a) Se ele se ( ) a ajudar, tudo ( ) bem. (dispor; terminar) b) Se você ( ) favoravelmente a nós, ( ) absolvidos. (depor; ser) c) Se nós nos ( ) um com o outro, ( ) a sociedade. (indispor; desfazer) d) Se você não se ( ) financeiramente, ( ) para a casa paterna. (recompor; voltar) e) Se ( ) as últimas barreiras, ( ) nossa esperança transformar-se em realidade. (transpor; ver) f) Se a substância se ( ), ( ) um precipitado escuro no fundo do tubo de ensaio. (decompor; surgir) g) Se você a ( ), ( ) que não é mais a mesma pessoa. (ver; perceber) h) Se nós ( ) os cálculos, ( ) os resultados para os acionistas. (rever; trazer) i) Se você ( ) suas vontades, ( ) sua própria futilidade. (satisfazer; perceber) j) Se ninguém se ( ) veementemente, ele não ( ) (opor; desistir) l) Se ( ) nosso projeto, ( ) a adesão de todos. (expor; obter) m) Se tu nos ( ) as provas documentais, ( ) apoio a tua causa. (trazer; dar) n) Se o interesse da sociedade se ( ) aos privilégios individuais, ( ) um novo país. (sobrepor; haver) o) Se você ( ) o ímpeto, certamente ( ) o melhor possível. (conter; fazer) 7. Utilize os verbos entre parênteses no tempo e modo apresentados na frase-modelo: a) Eu não ( ) nenhum recurso. (interpor) b) Ela não se ( ) a colaborar? (predispor) c) Por que você não ( ) para pôr ordem na casa? (intervir) d) Poucos ( ) durante a discussão. (intervir) e) Criticaram-me porque não ( ) no conflito. (intervir) f) De onde ( ) esse material suspeitíssimo? (provir) g) Os congressistas ( ) que aquela não era a melhor forma de redigir a lei. (convir) h) Por que te ( ) a um projeto tão inovador? (opor) i) As maiores empresas não ( ) no processo. (intervir) j) Eu me ( ) com os colegas por não aceitar o sistema de trabalho vigente. (desavir) l) Todos desejam saber por que você não ( ) na briga. (intervir) m) Não ( ) porque não nos convocaram. (intervir) n) Os líderes ( ) que nenhum outro recurso deveria ser tentado. (convir) o) Os alunos se ( ) calados durante a conferência. No final, não se ( ) e externaram, com aplausos calorosos, a admiração pelo escritor. (manter; conter)

verbos). Ir e ser também apresentam formas idênticas (fui, fora, fosse, for), mas não são Se fosse completo, o verbo computar apresentaria no presente do indicativo formas como “computo, computas, computa” – palavras de sonoridade um tanto quanto “suspeita”. Por isso o verbo computar é dado nas gramáticas e dicionários como Esses motivos nem sempre conseguem impedir o uso efetivo de formas verbais consideradas oficialmente “erradas”. O próprio verbo computar é um exemplo disso. Com o desenvolvimento e a popularização dos computadores, não há quem não diga “computa”. Na prática, esse verbo acaba sendo conjugado em todos os tempos, modos e Insistimos em que os preceitos colocados pela gramática normativa nem sempre condizem com o uso cotidiano da língua. Mas, no texto formal escrito, é mais do que Você verá a seguir que o problema dos verbos defectivos ocorre basicamente no presente do indicativo e formas derivadas (presente do subjuntivo e imperativos).

PRIMEIRO GRUPO Verbos que, no presente do indicativo, deixam de ser conjugados apenas na primeira pessoa do singular. Consequentemente, não apresentam presente do subjuntivo e imperativo negativo. O imperativo afirmativo se limita às pessoas diretamente provenientes do presente do indicativo (tu e vós). E o caso de abolir, aturdir, banir, carpir, colorir, delinqüir, demolir, exaurir, explodir, extorquir, retorquir, entre outros.

abolir Presente do indicativo: eu – tu aboles ele abole nós abolimos vós abolis eles abolem Imperativo afirmativo: – abole tu – – aboli vós –

que a tonicidade está fora do radical, como em falamos. A tonicidade está no -a-, fora Os verbos deste grupo não possuem presente do subjuntivo e imperativo negativo. O imperativo afirmativo se limita à forma diretamente retirada do presente do indicativo. E o caso de adequar, aguerrir, combalir, comedir-se, falir, fornir, foragir-se, precaver, reaver, remir.

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