Manual de Pavimentação

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EQUIPE TÉCNICA (ENGESUR LTDA) Engº Albino Pereira Martins (Responsável Técnico) Engº Francisco José Robalinho de Barros (Responsável Técnico) Eng° José Luiz Mattos de Britto Pereira (Coordenador) Eng° Zomar Antonio Trinta (Supervisor)

COMISSÃO DE SUPERVISÃO (IPR) Eng° Gabriel de Lucena Stuckert (DNIT / DPP / IPR) Eng° Mirandir Dias da Silva (DNIT / DPP / IPR)

COLABORADORES TÉCNICOS Engº Salomão Pinto (DNIT / DPP / IPR) Eng° Jorge Bastos Costa (SISCON) Eng° Diêgo Pereira (SISCON)

2ª EDIÇÃO – Rio de Janeiro, 1996 CONSULTORES RESPONSÁVEIS Engº Salomão Pinto Engº Ernesto Preussler Engº Clauber Santos Campello Engº Henrique Aléxis Ernesto Sanna

COMISSÃO DE REVISÃO TÉCNICA Engº Sílvio Figueiredo Mourão (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) Engº Abner Ávila Ramos (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) Engº Alberto Costa Mattos (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) Engº Jorge Nicolau Pedro (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) Engº Celito Manuel Brugnara (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) Engº Gervásio Rateke (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) Engº Henrique Wainer (Associação Brasileira de Normas Técnicas) Eng° João Menescal Fabrício (Consultor) Tec° Felipe de Oliveira Martins (Técnico em Informática) Tec° Alexandre Martins Ramos (Técnico em Informática) Tec° Célia de Lima Moraes Rosa (Técnica em Informática)

Eng° José Carlos Martins Barbosa (DNIT / DPP / IPR) Eng° Elias Salomão Nigri (DNIT / DPP / IPR)

Eng° Fernando Wickert (BIDIM) Bibl. Tânia Bral Mendes (DNIT / DPP / IPR) Bibl. Heloisa Maria Moreira Monnerat (DNIT / DPP / IPR)

Engº Régis Martins Rodrigues Engº João Menescal Fabrício Engº Alayr Malta Falcão Engº Arjuna Sierra

Engº Guioberto Vieira Rezende (Associação Brasileira de Normas Técnicas) Engº Paulo José Guedes Pereira (Associação Brasileira de Normas Técnicas) Engº Galileo Antenor de Araújo (Associação Brasileira de Normas Técnicas) Engº Reynaldo Lobianco (Associação Brasileira de Normas Técnicas) Engº Belmiro Pereira Tavares Ferreira (Associação Brasileira de Normas Técnicas) Econ. Nilza Mizutani (Associação Brasileira de Normas Técnicas)

Brasil. Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Manual de pavimentação. 3.ed. – Rio de Janeiro, 274p. (IPR. Publ., 719).

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES DIRETORIA DE PLANEJAMENTO E PESQUISA COORDENAÇÃO GERAL DE ESTUDOS E PESQUISA INSTITUTO DE PESQUISAS RODOVIÁRIAS

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES DIRETORIA DE PLANEJAMENTO E PESQUISA COORDENAÇÃO GERAL DE ESTUDOS E PESQUISA INSTITUTO DE PESQUISAS RODOVIÁRIAS Rodovia Presidente Dutra, Km 163, Vigário Geral, Rio de Janeiro, 21240-000, RJ Tel/Fax: (21) 3371-5888 E-mail.: ipr@dnit.gov.br TÍTULO: MANUAL DE PAVIMENTAÇÃO Primeira Edição: 1960 Segunda Edição: 1996

Revisão: DNIT / Engesur Contrato: DNIT / Engesur PG – 157/2001-00 Aprovado pela Diretoria Colegiada do DNIT em 28/03/2006.

APRESENTAÇÃO O Instituto de Pesquisas Rodoviárias – IPR, do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes – DNIT, dando prosseguimento ao Programa de Revisão e Atualização de Normas e Manuais Técnicos, apresenta à comunidade rodoviária a terceira edição do seu As obras de pavimentação rodoviária cresceram notadamente a partir dos anos 50, quando, em função de iniciativas de técnicos do antigo DNER, houve maciça transferência de tecnologia dos Estados Unidos da América. Essa transferência, por sua vez, levou à necessidade de normatizar e uniformizar as especificações de serviços e as técnicas de construção, dando origem, em 1960, ao Manual de Pavimentação, em sua Graças a intensivos programas de pavimentação em exercícios subseqüentes, o Manual foi amplamente utilizado, ajudando mesmo no estabelecimento de um setor de empresas A segunda edição ocorreu em 1996, ainda sob a coordenação do IPR/DNER, Passados praticamente dez anos dessa segunda edição, a presente atualização da publicação de 1996, ou seja, a terceira edição do Manual de Pavimentação, se respalda também no atendimento à resolução contida na Portaria no 166 – DG/DNIT, de 03/02/2002, que impõe a adoção do chamado Padrão DNIT, configurado pelas Normas DNIT 001/2002 – PRO: Elaboração e apresentação de normas do DNIT e DNIT 002/2002 Nessas condições, a presente terceira edição promoveu ajustamentos nos textos, nas figuras e nos quadros, bem como uma reordenação de diversos trechos que compunham o Manual, resultando num aprimoramento geral da forma e numa ênfase e num detalhamento de certas questões, sem, contudo, acarretar modificações conceituais Ciente da importância da presente obra e do interesse geral em mantê-la sempre em sintonia com o desenvolvimento das tecnologias de pavimentação, o IPR/DNIT acolhe quaisquer comentários, observações e críticas pertinentes de leitores e especialistas, que poderão subsidiar uma futura re-edição, tão breve quanto ela se revelar necessária.

Figura 1 Perfil resultante da decomposição das rochas ………………………………….. 18

Figura 2 Local de solos transportados …………………………………………………………… 19

Figura 3 As bases sucessivas de construção de rodovias na baixada ……………….. 21

Figura 4 Depósito de tálus …………………………………………………………………………… 22

Figura 5 Índices físicos ……………………………………………………………………………….. 26

Figura 6 Correlação entre os diversos índices físicos ……………………………………… 28

Figura 7 Resistência ao cisalhamento …………………………………………………………… 30

Figura 8 Dimensões das partículas ………………………………………………………………. 33

Figura 9 Prensa para índice de Suporte Califórnia ………………………………………….. 39

Figura 10 Curva pressão-penetração ……………………………………………………………… 40

Figura 11 Curvas de massa específica – umidade e CBR – umidade…………………… 40

Figura 12 Gráfico de compactação …………………………………………………………………. 42

Figura 13 Curvas de compactação para diferentes energias………………………………. 43

Figura 14 Evolução de um solo compactado ao sofrer o efeito do tráfego ……………. 47

Figura 15 Variação do módulo resiliente com a tensão-desvio……………………………. 53

Figura 16 Esquema do equipamento para ensaios triaxiais dinâmicos ………………… 54

Figura 17 Gráfico de plasticidade …………………………………………………………………… 60

Figura 18 Método auxiliar de identificação de plasticidade em laboratório ……………. 61

Figura 19 Ábaco para classificação MCT ………………………………………………………… 68

Figura 20 Classificação resiliente de solos granulares ………………………………………. 70

Figura 21 Classificação resiliente de solos finos ………………………………………………. 73

Figura 22 Variação da relação módulo CBR com classificação MCT …………………… 77

Figura 23 Gráfico CBR versus porcentagem de argila ………………………………………. 78

FIgura 24 Curva de granulometria de agregados ……………………………………………… 80

Figura 25 Curva de distribuição granulométrica ……………………………………………….. 81

Figura 26 Classificação das bases e sub-bases flexíveis e semi-rígidas ……………… 96

Figura 27 Classificação dos revestimentos………………………………………………………. 98

Figura 28 Esquema da seção transversal do pavimento ……………………………………. 106

Figura 29 Raio de curva circular …………………………………………………………………….. 108

Figura 30 Determinação do LC ………………………………………………………………………. 109

Figura 31 Curva de transição…………………………………………………………………………. 114

Figura 32 Superelevação ………………………………………………………………………………. 117

Figura 33 Esquema de superelevação ……………………………………………………………. 117

Figura 34 Croqui da marcação da nota (Trecho em tangente) ……………………………. 122

Figura 35 Croqui da marcação da nota (Trecho em curva) ………………………………… 123

Figura 36 Convenção para representação dos materiais …………………………………… 133

Figura 37 Perfil longitudinal com indicação dos grupos de solos…………………………. 134

Figura 38 Esquema de sondagem para prospecção de materiais……………………….. 135

Figura 39 Análise estatística dos resultados de sondagens ……………………………….. 139

Figura 40 Planta de situação das ocorrências ………………………………………………….. 140

Figura 41 Perfis de sondagens típicas…………………………………………………………….. 141

Figura 42 Fatores de equivalência de operação ……………………………………………….. 144

Figura 43 Determinação de espessuras do pavimento………………………………………. 149

Figura 44 Dimensionamento do pavimento ……………………………………………………… 149

Figura 45 Distribuição de tensões no ensaio com FWD …………………………………….. 153

Figura 46 Fases do trincamento …………………………………………………………………….. 155

Figura 47 Pavimento invertido ……………………………………………………………………….. 157

áreas de contribuição …………………………………………………………………….. 161

Figura 49 Nomograma para solução da equação de Manning ……………………………. 163

Figura 50 “Impluvium” correspondente à largura do acostamento……………………….. 164

Figura 52 Drenos profundos em corte …………………………………………………………….. 167

Figura 53 Alguns tipos de drenos utilizados em projetos de rodovias ………………….. 167

Figura 54 Curvas granulométricas ………………………………………………………………….. 169

Figura 55 Trecho em curva (Contribuição de toda a plataforma)…………………………. 170

(CAP 25 m3/h)……………………………………………………………………………….. 202

(CAP 50 m3/h)……………………………………………………………………………….. 203

(CAP 100 m3/h)……………………………………………………………………………… 204

Figura 59 Representação do alimentador frio …………………………………………………… 206

Figura 60 Posições da chapa oscilante …………………………………………………………… 206

Figura 61 Relações: abertura e vazão do agregado ………………………………………….. 207

Figura 62 Secador – corte A – A ……………………………………………………………………. 208

Figura 63 Usina com três silos frios e dois silos quentes …………………………………… 214

Figura 64 Agregado do secador para silos quentes ………………………………………….. 216

Figura 65 Folha de ensaio …………………………………………………………………………….. 217

Figura 66 Determinação dos valores mímimos para aceitação de produtos …………. 237

Tabela 1 Decomposição de rochas ……………………………………………………………….. 17

Tabela 2 Granulometria ……………………………………………………………………………….. 32

Tabela 4 Classificação dos solos (Transportation Research Board) …………………… 56

Tabela 5 Sistema unificado de classificação de solos ………………………………………. 59

Tabela 6 Escala granulométrica utilizada pelos SUCS……………………………………… 62

Tabela 7 Terminologia usada no SUCS …………………………………………………………. 62

Tabela 8 Grupo de solos ……………………………………………………………………………… 63

Tabela 9 Classicação MCT…………………………………………………………………………… 69

Tabela 10 Classificação dos solos finos (Método indireto) ………………………………….. 72

Tabela 11 Interrelações entre a classificação TRB e a unificada ………………………… 74

Tabela 12 Interrelações entre a classificação unificada e TRB ……………………………. 74

Tabela 13 Valores prováveis de CBR para os grupos de SUCS ………………………….. 75

Tabela 14 Valores prováveis de CRB para grupos de classificação TRB ……………… 75

Tabela 15 Interrelação entre a classificação MCT e a resiliente ………………………….. 75

Tabela 16 Relação módulo – CBR ………………………………………………………………….. 77

Tabela 17 Parâmetros da composição da cal hidráulica …………………………………….. 84

Tabela 18 Resistência à compressão………………………………………………………………. 85

construídas …………………………………………………………………………………… 110

Tabela 20 Estradas de classe II e III – comprimento de transição ……………………….. 111

Tabela 21 Valores para super largura ……………………………………………………………… 113

Tabela 22 Determinação da distância em curvas de PI inacessível……………………… 115

Tabela 23 Valores de superelevação ………………………………………………………………. 116

Tabela 24 Caderneta –tipo (Exemplo) ……………………………………………………………… 121

Tabela 25 Boletim de sondagem …………………………………………………………………….. 127

Tabela 26 Resumo dos resultados dos ensaios ………………………………………………… 130

Tabela 27 Perfil longitudinal dos solos …………………………………………………………….. 132

Tabela 28 Granulometria dos materiais ……………………………………………………………. 136

Tabela 29 Granulometria para bases granular ………………………………………………….. 143

Tabela 30 Determinação do fator de operações………………………………………………… 145

Tabela 31 Coeficientes de equivalência estrutural …………………………………………….. 146

Tabela 32 Espessura mínima de revestimento betuminoso ………………………………… 147

Tabela 33 Coeficientes de escoamento usuais em rodovias ……………………………….. 162

Tabela 34 Coeficientes de rugosidade (Manning) ……………………………………………… 163

Tabela 35 Requisitos básicos das mantas geotêxteis ………………………………………… 168

licenciamento ………………………………………………………………………………… 181

Tabela 37 Matriz de correlação de impactos ambientais de obras rodoviárias ………. 183

Tabela 39 Avaliação de impactos ambientais de obras rodoviárias …………………….. 185

Tabela 40 Avaliação de impactos ambientais em operações rodoviárias ……………… 187

Tabela 41 Definição dos valores das aberturas dos silos……………………………………. 205

Tabela 42 Massas acumuladas em t. min ………………………………………………………… 217

Tabela 43 Equipamentos utilizados …………………………………………………………………. 225

Tabela 44 Produção dos equipamentos …………………………………………………………… 229

Tabela 45 Determinação da probabilidade de ocorrência de z…………………………….. 235

Tabela 46 Escala salarial de mão-de-obra ……………………………………………………….. 259

Tabela 47 Pesquisa de mercado – materiais…………………………………………………….. 260

Tabela 48 Pesquisa de mercado – equipamentos……………………………………………… 261

Tabela 49 Custo horário de utilização de equipamentos …………………………………….. 263

Tabela 50 Produção de equipamentos …………………………………………………………….. 266

Tabela 51 Fluxograma da composição dos custos unitários ……………………………….. 268

Tabela 52 Custo horário de equipamento ………………………………………………………… 270

APRESENTAÇÃO ……………………………………………………………………………………………. 3

LISTA DE ILUSTRAÇÕES…………………………………………………………………………………. 7

1 INTRODUÇÃO …………………………………………………………………………………………. 11

2 MATERIAIS INCORPORADOS AS OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO ………………….. 15

2.1. Materiais Terrosos …………………………………………………………………………….. 17

2.2. Materiais Pétreos ………………………………………………………………………………. 79

2.3. Materiais Diversos …………………………………………………………………………….. 84

3 MODALIDADES E CONSTITUIÇÃO DE PAVIMENTOS ………………………………… 93

3.1. Generalidades…………………………………………………………………………………… 95

3.2. Classificação dos Pavimentos …………………………………………………………….. 95

3.3. Bases e Sub-Bases Flexíveis e Semi-Rígidos ……………………………………….. 95

3.4. Bases e Sub-Bases Rígidas ……………………………………………………………….. 97

3.5. Revestimentos ………………………………………………………………………………….. 98

4 PROJETO DE ENGENHARIA RODOVIÁRIA ……………………………………………….. 101

4.1. Considerações Gerais ……………………………………………………………………….. 103

4.2. Projeto Geométrico ……………………………………………………………………………. 105

4.3. Projeto de Pavimentação ……………………………………………………………………. 124

4.4. Projeto de Drenagem …………………………………………………………………………. 158

5 INTERFERÊNCIAS COM O MEIO AMBIENTE……………………………………………… 173

5.1. Generalidades…………………………………………………………………………………… 175

5.2. Estudos de Impacto Ambiental ……………………………………………………………. 176

5.3. Procedimentos Administrativos da AIA …………………………………………………. 177

5.4. Impactos Ambientais de Obras Rodoviárias ………………………………………….. 180

6 CANTEIRO DE SERVIÇOS E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS ………………………… 189

6.1. Canteiro de Serviços………………………………………………………………………….. 191

6.2. Instalações de Pedreira e Esquemas de Britagem …………………………………. 194

6.3. Exploração de Pedreira ……………………………………………………………………… 198

6.4. Usinas de Asfalto ………………………………………………………………………………. 205

6.5. Usina de Solos ………………………………………………………………………………….. 220

7 EQUIPAMENTOS …………………………………………………………………………………….. 223

7.3. Operação do Equipamento …………………………………………………………………. 227

7.4. Produção dos Equipamentos ………………………………………………………………. 227

7.5. Constituição das Equipes …………………………………………………………………… 228

8 CONTROLE DA QUALIDADE ……………………………………………………………………. 231

8.1. Considerações Gerais ……………………………………………………………………….. 233

8.2. Análise Estatística……………………………………………………………………………… 233

9 RECEBIMENTO E ACEITAÇÃO DE OBRAS………………………………………………… 239

9.1. Introdução ………………………………………………………………………………………… 241

9.2. Recebimento da Obra ………………………………………………………………………… 241

10 MANUTENÇÃO DO PAVIMENTO ………………………………………………………………. 243

10.1. Considerações Iniciais ……………………………………………………………………….. 245

11 ESTIMATIVA DE CUSTOS DAS OBRAS …………………………………………………….. 257

11.1. Estudo Preliminar………………………………………………………………………………. 259

11.2. Pesquisa de Mercado ………………………………………………………………………… 259

11.3. Custos Diretos e Custos Indiretos………………………………………………………… 262

11.4. Produção das Equipes ……………………………………………………………………….. 264

11.5. Custo dos Transportes……………………………………………………………………….. 265

11.6. Fluxograma Geral ……………………………………………………………………………… 267

11.7. Custos Unitários de Serviços ………………………………………………………………. 270

BIBLIOGRAFIA ………………………………………………………………………………………………… 271

Manual de Pavimentação 11

Manual de Pavimentação 13 1 INTRODUÇÃO A pavimentação rodoviária no Brasil já foi objeto de estudos e práticas de construção desde longa data, quando experientes técnicos do então DNER formularam normas e procedimentos que se tornaram, com suas sucessivas atualizações, o estado da arte na A partir dos anos 50, as técnicas de pavimentação tiveram um grande desenvolvimento graças ao intercâmbio entre Brasil e Estados Unidos nessa área. A conseqüência foi a necessidade de uniformizar e normalizar as especificações de serviço e as técnicas de construção, o que, em função do esforço coletivo de técnicos do DNER, deu origem à A segunda edição do Manual foi lançada em 1996, incorporando todo o progresso tecnológico acumulado durante o período, incluindo modificações nos materiais, nos Essa segunda edição foi objeto de revisão e atualização, resultando na presente e terceira edição, ocorrida já no âmbito do DNIT, que também foi motivada pela necessidade de ajustar o Manual ao padrão DNIT e de promover mudanças no formato e na ordenação dos capítulos, sem acarretar substanciais modificações conceituais. Assim, observam-se entre o Manual de Pavimentação do DNER (2a edição) e o Manual de Pavimentação do DNIT (3a edição) as seguintes modificações básicas, partindo das mais gerais para as mais específicas: c) Reajustes na montagem de figuras e tabelas, incluindo elementos técnicos adicionais, e) Eliminação do Capítulo 2 – Normas e Documentos de Consulta e sua conseqüente g) Incorporação ao item 4.3 do Capítulo 4 – Projeto de Engenharia Rodoviária do tema h) Introdução dos novos conceitos de Projeto Básico e Projeto Executivo de Engenharia no item 4.1 do Capítulo 4 – Projeto de Engenharia Rodoviária, em substituição aos conceitos de anteprojeto e projeto, constantes do antigo Capítulo 7. i) Exclusão de referência à Reciclagem do Pavimento, tema que vai constar, com mais propriedade, do Manual de Restauração de Pavimentos Asfálticos, atualmente em É de ressaltar que o presente Manual é um documento de caráter orientador no âmbito da Engenharia Rodoviária, relacionada com a área de pavimentos asfálticos.

Manual de Pavimentação 15

Manual de Pavimentação 17 2 MATERIAIS INCORPORADOS ÀS OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO 2.1 MATERIAIS TERROSOS 2.1.1 INTRODUÇÃO Solo, do latim solum, o material da crosta terrestre, não consolidado, que ordinariamente se distingue das rochas, de cuja decomposição em geral provêm, por serem suas partículas desagregáveis pela simples agitação dentro da água [Holanda, A. Buarque de]. Geologicamente, define-se solo como o material resultante da decomposição das rochas No âmbito da engenharia rodoviária, considera-se solo todo tipo de material orgânico ou inorgânico, inconsolidado ou parcialmente cimentado, encontrado na superfície da terra. Em outras palavras, considera-se como solo qualquer material que possa ser escavado com pá, picareta, escavadeiras, etc., sem necessidade de explosivos.

2.1.2 ORIGEM DOS SOLOS Com base na origem dos seus constituintes, os solos podem ser divididos em dois grandes grupos: solo residual, se os produtos da rocha intemperizada permanecem ainda no local em que se deu a transformação; solo transportado, quando os produtos de alteração foram transportados por um agente qualquer, para local diferente ao da transformação.

2.1.2.1 SOLOS RESIDUAIS Os solos residuais são bastante comuns no Brasil, principalmente na região Centro-Sul, Todos os tipos de rocha formam solo residual. Sua composição depende do tipo e da composição mineralógica da rocha original que lhe deu origem. Por exemplo, a decomposição de basaltos forma um solo típico conhecido como terra-roxa, de cor marrom-chocolate e composição argilo-arenosa. Já a desintegração e a decomposição de arenitos ou quartzitos irão formar solos arenosos constituídos de quartzo. Rochas metamórficas do tipo filito (constituído de micas) irão formar um solo de composição argilosa e bastante plástico. A Tabela 1 abaixo apresenta alguns exemplos.

Tabela 1 – Decomposição de rochas Tipo de rocha Composição mineral Tipo de solo Composição basalto plagioclásio piroxênios argiloso (pouca areia) argila quartzito quartzo arenoso quartzo filitos micas (sericita) argiloso argila

Manual de Pavimentação 18 Tipo de rocha Composição mineral Tipo de solo Composição granito quartzo feldspato mica areno-argiloso (micáceo) quartzo e argila (micáceo) calcário calcita argila Não existe um contato ou limite direto e brusco entre o solo e a rocha que o originou. A passagem entre eles é gradativa e permite a separação de pelo menos duas faixas distintas; aquela logo abaixo do solo propriamente dito, que é chamada de solo de alteração de rocha, e uma outra acima da rocha, chamada de rocha alterada ou rocha decomposta (Figura 1).

Figura 1 – Perfil resultante da decomposição das rochas A SOLO RESIDUAL B SOLO DE ALTERAÇÃO DE ROCHA C ROCHA ALTERADA D ROCHA SÃ O solo residual é subdividido em maduro e jovem, segundo o grau de decomposição dos O solo residual é um material que não mostra nenhuma relação com a rocha que lhe deu origem. Não se consegue observar restos da estrutura da rocha nem de seus minerais. O solo de alteração de rocha já mostra alguns elementos da rocha-matriz, como linhas A rocha alterada é um material que lembra a rocha no aspecto, preservando parte da sua estrutura e de seus minerais, porém com um estágio de dureza ou resistência inferior ao As espessuras das quatro faixas descritas são variáveis e dependem das condições A ação intensa do intemperismo químico nas áreas de climas quentes e úmidos provoca a decomposição profunda das rochas com a formação de solos residuais, cujas propriedades dependem fundamentalmente da composição e tipo de rocha existente na área. Basicamente, numa região de granito e gnaisse distinguem-se três zonas distintas de material decomposto. Próximo à superfície, ocorre um horizonte de características silto-arenosas e finalmente aparece uma faixa de rocha parcialmente decomposta

Manual de Pavimentação 19 (também chamada de solo de alteração de rocha), na qual se pode distinguir ainda a textura e estrutura da rocha original. Esse horizonte corresponde a um estágio intermediário entre solo e rocha. Abaixo desta faixa, a rocha aparece ligeiramente Não se deve imaginar que ocorra sempre uma decomposição contínua, homogênea e total na faixa de solo (regolito). Isso porque em certas áreas das rochas pode haver minerais mais resistentes à decomposição, fazendo com que essas áreas permaneçam como blocos isolados, englobados no solo. Esses blocos, às vezes de grandes dimensões, são conhecidos como matacões e são bastante comuns nas áreas de granitos, gnaisse e basaltos. Exemplos dessas ocorrências aparecem na Serra do Mar.

2.1.2.2 SOLOS TRANSPORTADOS Os solos transportados formam geralmente depósitos mais inconsolidados e fofos que os residuais, e com profundidade variável. Nos solos transportados, distingue-se uma variedade especial que é o solo orgânico, no qual o material transportado está misturado com quantidades variáveis de matéria orgânica decomposta, que em quantidades apreciáveis, forma as turfeiras. Como exemplo, tem-se o trecho da Via Dutra, próximo a De um modo geral, o solo residual é mais homogêneo do que o transportado no modo de ocorrer, principalmente se a rocha matriz for homogênea. Por exemplo, uma área de granito dará um solo de composição areno-siltosa, enquanto uma área de gnaisses e xistos poderá exibir solos areno-siltosos e argilo-siltosos, respectivamente. O solo transportado, de acordo com a capacidade do agente transportador, pode exibir grandes variações laterais e verticais na sua composição. Por exemplo: um riacho que carregue areia fina e argila para uma bacia poderá, em períodos de enxurrada, transportar também cascalho, provocando a presença desses materiais intercalados no depósito. A Figura 2 ilustra um local de solos transportados.

Figura 2 – Local de solos transportados FURO 1 FURO 2

CASCALH O AREI A ARGILA Entre os solos transportados, é necessário destacar-se, de acordo com o agente transportador, os seguintes tipos ainda: coluviais, de aluvião, eólicos (dunas costeiras). Não serão considerados os glaciais, tão comuns da Europa, América do Norte, etc. e a variação eólica (loess), uma vez que ambos não ocorrem no Brasil.

Manual de Pavimentação 20 O solo residual é mais comum e de ocorrência generalizada, enquanto que o transportado ocorre somente em áreas mais restritas.

2.1.2.2.1 SOLOS DE ALUVIÃO Os materiais sólidos que são transportados e arrastados pelas águas e depositados nos momentos em que a corrente sofre uma diminuição na sua velocidade constituem os solos aluvionares ou aluviões. É claro que ocorre, ao longo de um curso d’água qualquer, uma seleção natural do material, segundo a sua granulometria e dessa maneira deve ser encontrado, próximo às cabeceiras de um curso d’água, material grosseiro, na forma de blocos e fragmentos, sendo que o material mais fino, como as argilas, é levado a grandes distâncias, mesmo após a diminuição da capacidade de transporte do curso d’água. Porém, de acordo com a variação do regime do rio, há a possibilidade de os depósitos de aluviões aparecerem bastante heterogêneos, no que diz respeito à granulometria do Os depósitos de aluvião podem aparecer de duas formas distintas: em terraços, ao longo do próprio vale do rio, ou na forma de depósitos mais extensos, constituindo as planícies de inundação. Estas últimas são bastante freqüentes ao longo dos rios. São exemplos os rios Tietê, Paraná, etc. São os banhados, várzeas e baixadas de inundação. Como exemplos de depósitos de aluvião, citam-se os depósitos de argila cerâmica nos banhados da área de Avanhandava, Rio Tietê em São Paulo, e os de cascalho, usados como agregado natural para concreto, encontrados ao longo do Rio Paraná, e sendo bastante utilizados como agregado. A melhor fonte de indicação de áreas de aluvião, de várzeas e planícies de inundação é a fotografia aérea. Embora os solos que constituem os aluviões sejam, via de regra, fonte de materiais de construções, são, por outro lado, péssimos materiais de fundações.

2.1.2.2.2 SOLOS ORGÂNICOS Os locais de ocorrência de solos orgânicos são em áreas topográficas e geograficamente bem caracterizadas: em bacias e depressões continentais, nas baixadas marginais dos rios e nas baixadas litorâneas. Como exemplo dessas ocorrências, tem-se no estado de São Paulo a faixa ao longo dos rios Tietê e Pinheiros, dentro da cidade de São Paulo. Neste caso, a urbanização da cidade mascarou parte da extensa faixa de solo de aluvião orgânico. Exemplo de ocorrências de solos de origem orgânica em baixadas litorâneas são encontrados nas cidades de Santos e do Rio de Janeiro e na Baixada do Rio Ribeira, em São Paulo. Para a abertura da Linha Vermelha no Rio de Janeiro, que atravessa região de manguesais com grandes espessuras de argila orgânica, foi necessário a construção de uma laje de concreto apoiada em estacas para servir de infra-estrutura ao pavimento. Uma sondagem na Av. Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, mostra a partir da superfície, 10 m de areia média a fina, compacta, arenosa dura e rija. Na Figura 3, é apresentado um exemplo de processo construtivo de rodovia sobre solos orgânicos.

Manual de Pavimentação 21 Figura 3 – As bases sucessivas da construção de rodovia na baixada

2.1.2.2.3 SOLOS COLUVIAIS Os depósitos de coluvião, também conhecidos por depósitos de tálus, são aqueles solos cujo transporte deve exclusivamente à ação da gravidade (Figura 4). São de ocorrência localizada, situando-se, via de regra, ao pé de elevações e encostas, etc. Os depósitos de tálus são comuns ao longo de rodovias na Serra do Mar, no Vale do Paraíba, etc. A composição desses depósitos depende do tipo de rocha existente nas partes mais elevadas. A existência desses solos normalmente é desvantajosa para projetos de engenharia, pois são materiais inconsolidados, permeáveis, sujeitos a escorregamentos, etc.

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