Modelos de indicadores de responsabilidade socioambiental corporativa

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    MODELOS DE INDICADORES DE RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL CORPORATIVA

RESUMO Face às profundas mudanças sociais, comportamentais e tecnológicas a Administração passa a observar a sociedade e seus problemas, isso se dá a partir de todos os setores sociais: Estado, sociedade e empresas. Nesse universo, a responsabilidade socioambiental corporativa surge como uma ferramenta para contornar e amenizar o caos social, sendo adotadas novas formas de administrar as organizações e novos instrumentos são utilizados para gestão da crise social. Essa nova área de atuação abrange a maioria das atividades que estão ligadas à empresa, que geram benefícios para a comunidade, tanto à interna, àqueles que fazem parte da organização, quanto à externa, toda a sociedade, não se limitando a realização de ações sociais propõe-se, neste trabalho, identificar e descrever modelos de indicadores de responsabilidade socioambiental corporativa, instrumentos que possibilitam às organizações a mensuração de suas práticas sócia e ambientalmente responsáveis. O levantamento das informações sobre o assunto foi feito através da pesquisa bibliográfica em livros e revistas, visando aprofundar ao máximo a investigação do tema pesquisado, através do levantamento e da análise de dados, que dão subsídios para alicerçar os pressupostos deste estudo. Como resultados, foram encontrados os seguintes modelos de indicadores: Global Reporting Iniciative (GRI), Global Compact ou Pacto Global, Indicadores Ethos, Modelo Ibase, Modelo de Hopkins, Norma Social Accountability 8000 – SA 8000 e Accountability 1000 – AA 1000. A partir da análise desses modelos, percebe-se que sua aplicação pode melhorar o desempenho organizacional frente aos problemas sociais internos e externos à empresa, podendo servir de ferramentas de avaliação interna da responsabilidade socioambiental, como também de relatório de publicação das atividades sociais e ambientais da empresa, tornando público aspectos quantitativos e qualitativos das ações desenvolvidas.

PALAVRAS-CHAVES: Responsabilidade Socioambiental; Sistemas de Gestão; Modelos de Indicadores; Ética; Stakeholders.

MODELS OF INDICATORS FOR CORPORATE ENVIRONMENTAL RESPONSIBILITY ABSTRACT Given the profound social, behavioral and technological Administration begins to observe society and its problems, this comes from all social sectors: state, society and business. In this universe, corporate environmental responsibility emerges as a tool to circumvent and alleviate the social chaos, and adopted new ways of managing organizations, and other instruments are used for managing the social crisis. This new area of activity covers most of the activities that are linked to the company, which generate benefits for the community, both to internal, to those who are part of the organization, on the outside, the whole society, not merely the realization of social actions is proposed in this work to identify and describe models of corporate social and environmental responsibility indicators, tools that enable organizations to measure their practices and environmentally responsible business partner. The survey information on the subject was done through research on books and magazines, to deepen the investigation of the most researched topic, through the survey and data analysis, which gives subsidies to underpin the assumptions of this study. As a result, we found the following types of indicators: Global Reporting Initiative (GRI), Global Compact or the Global Compact, Ethos, Ibase Model, Model of Hopkins, Norma 8000 Social Accountability – SA 8000, AccountAbility 1000 – AA 1000. From the analysis of these models, it is clear that its implementation can improve organizational performance in the face of social problems within and outside the company, may serve as tools for internal evaluation of environmental responsibility, but also reporting to publish social and environmental activities the company, making public quantitative and qualitative aspects of the actions developed.

KEYWORDS: Environmental Responsibility; Management Systems; Models Indicators; Ethics; Stakeholders.

RABELO, N. S.; SILVA, C. E.  INTRODUÇÃO A partir das discussões clássicas da Administração, surgem exigências para que as organizações saiam do empirismo e da improvisação, sendo necessário aumentar a eficiência e competência das organizações no sentido de obter melhores resultados pelo manejo de seus recursos, em face da concorrência e da competição gerada, em especial, pelo exaustivo modelo de desenvolvimento econômico, baseado no crescimento, originado na Revolução Industrial. Nesse enfoque, o trabalhador era visto como apêndice da máquina, colaborando para o aumento da produtividade e, conseqüente lucratividade A palavra de ordem era melhorar a utilização dos recursos produtivos para redução de desperdícios. Assim, a necessidade visualizada para os colaboradores era o aumento de seus salários, as organizações não se preocupavam com as condições de trabalho e demais necessidades humanas, e sequer analisavam como as empresas afetavam a sociedade, pois se viam como sistema isolado, fechado. Desta forma, considerava-se que o importante era aperfeiçoar os sistemas de trabalho, fazendo surgir a linha de produção. Acreditava-se que sistemas perfeitos e bem ajustados seriam suficientes para obter Em oposição às teorias clássicas, mais tarde, surgem as teorias humanistas, da necessidade de democratizar e humanizar a Administração, libertando-se dos conceitos mecanicistas adotados anteriormente. Na abordagem humanística, propõe-se o afastamento dos métodos mecânicos dos padrões adotados, para dar espaço à preocupação com as pessoas e grupos sociais. Chiavenato (2006, p.78) afirma que, com as escolas das Relações Humanas, os horizontes foram abertos para a equação humana, chave para o sucesso das organizações. Entende-se por equação humana os recursos Segundo Zarpelon (2006, p.45), “desde a democratização do trabalho em 1933, através da escola das Relações humanas, o trabalho assumiu um novo papel na sociedade e nas organizações”. A partir de então, a visão que as empresas têm de seus colaboradores e também de suas estruturas vem mudando bastante em face da Face às profundas mudanças sociais, comportamentais e tecnológicas a Administração passa a observar a sociedade e seus problemas. Isso se dá entre todos os distintos setores sociais: Estado, sociedade e empresas. Ashley (citado por PESSOA, 2008, p.166) afirma que esses agentes na responsabilidade social estão comprometidos

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com seus Stakeholders1. Nessa redefinição de papéis, são adotadas novas formas de administrar as organizações e novos instrumentos são utilizados para gestão da crise Nesse universo, a responsabilidade socioambiental corporativa surge como uma ferramenta para contornar e amenizar o caos social. Essa nova área de ação abrange a maioria das atividades que estão ligadas à empresa, que geram benefícios para a comunidade, tanto à interna, àqueles que fazem parte da organização, quanto à externa, toda a sociedade. Não se limitando à realização de ações sociais, pois se trata de um processo contínuo e progressivo de envolvimento e desenvolvimento de responsabilidade sobre as questões ambientais. Como afirma Ashley (citado por COSTA, 2007b, p.23), a responsabilidade social pode ser entendida como qualquer atitude que contribua para a Nesse contexto, ela ganha cada vez maior relevância, caracterizando-se como fator competitivo entre as organizações. Anteriormente, a competitividade era definida pelos preços e outras variáveis mercadológicas, posteriormente, pela qualidade percebida e agregada ao produto ou serviço. Porém, hoje, além desses fatores, ela também é Dados levantados em pesquisa sobre ação social nas empresas realizados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2006) revelam que, em 2004, cerca de 4,7 bilhões de reais foram investidos por cerca de 70% das empresas brasileiras em ações voltadas para a comunidade. Esses valores vêm aumentando a cada ano, isso pode ser observado pelo grande número de empresas que divulgam seus Balanços A partir desses dados, observa-se que o conceito de responsabilidade socioambiental corporativa não está apenas no âmbito filantrópico, mas torna-se estratégia de sustentabilidade de longo prazo, onde a empresa observa e tenta mudar os Entende-se por filantropia, ações externas à empresa sem conexão com os objetivos estratégicos da empresa, sendo orientada por princípios da caridade cristã Nesse cenário, propõe-se, neste trabalho, identificar e descrever modelos de indicadores de responsabilidade socioambiental corporativa, pois estes instrumentos têm relevante importância para que as organizações possam analisar e mensurar seu

RABELO, N. S.; SILVA, C. E.  desempenho perante a sociedade, permitindo que as organizações possam melhorar continuamente suas práticas.

METODOLOGIA O objeto principal de estudo é o conjunto de modelos de indicadores de responsabilidade socioambiental nas organizações, buscando identificar um número significativo de modelos. O levantamento de informações sobre os indicadores de avaliação de responsabilidade socioambiental foi feito através da pesquisa bibliográfica, visando aprofundar, ao máximo, a investigação do tema pesquisado, através do levantamento e da análise de dados, que dão subsídios para alicerçar os pressupostos deste estudo. A pesquisa buscou selecionar o maior número possível de indicadores encontrados na literatura, especialmente em artigos científicos, que contribuíram para identificar e ampliar as discussões teóricas sobre o assunto. Marconi e Lakatos (2005, p.185) afirmam que a pesquisa bibliográfica abrange boa parte da bibliografia já publicada sobre o tema, assim buscou-se o máximo de subsídio possível para a compreensão do assunto em questão.

REVISÃO TEÓRICA Contextualização Histórica da Responsabilidade Socioambiental

Não se tem uma data precisa de quando se começou a aplicar os conceitos de responsabilidade social. Segundo Zarpelon (2006, p.5) seus primeiros conceitos informais culminaram da Revolução Francesa, em 1789, quando surgem os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, e conseqüente luta pelos direitos do cidadão e pelas questões sociais. Nesse período, na França foi criada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, sendo que a Declaração Universal dos Direitos Humanos só foi elaborada mais tarde, em 1948, pela Organização das Nações Unidas (ONU), no pós-guerra. Para Zarpelon (2006, p.5) as primeiras manifestações científicas sobre o assunto surgiram em 1906 com Charles Eliot e em 1907 com Arthur Hakley. Entretanto, foi em 1953, que Haward Bowem, nos Estados Unidos (EUA), publica a obra Responsabilities of the Businessman, considerada marco inicial da temática.

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Até o século XIX, nos EUA e na Europa, a ética e a responsabilidade social eram consideradas como doutrinas, pois o direito de conduzir os negócios era prerrogativa do Estado (ASHLEY, 2005, p.45). No início do século XX, essa premissa mudou e o propósito das corporações passou a ser a realização dos lucros para seus acionistas. No entanto, a responsabilidade social tornou-se evidente em 1919, com o julgamento da justiça americana no caso de Henry Ford. Segundo Ashley (2005, p.45), em 1916, Henry Ford, presidente e acionista majoritário da Ford Motor Company, decidiu não distribuir parte dos dividendos aos acionistas e investir na capacidade de produção e aumento dos salários. Dodges, um dos líderes dos acionistas, entrou com ação contrária às decisões de Ford, a justiça decidiu a favor de Dodges, entendendo que as corporações Até então os principais beneficiados das organizações deveriam ser os acionistas. Porém, após a Segunda Guerra Mundial, essa noção passou a ser criticada e atacada, o que levou os empresários, pela pressão exercida, a desenvolver ações filantrópicas. Naquela época, havia uma confusão entre o conceito de filantropia, ações sociais e responsabilidade. A filantropia é uma ação involuntária e individual que fomenta a caridade, como afirma Costa (2007b, p.22). A ação social desenvolve-se em curto prazo e tem o objetivo de satisfazer as necessidades da sociedade ou de uma comunidade específica (KARKOTLI; ARAGÃO, 2004, p.48). Já a responsabilidade social é uma ação coletiva de fomento à cidadania, com base estratégica, que visa o comportamento ético e responsável na qualidade das relações que a empresa estabelece (KARKOTLI; ARAGÃO, 2004, p.48), representando um amadurecimento da empresa com relação aos impactos Vê-se, portanto que os primeiros movimentos abordados não se tratavam ainda de uma responsabilidade socioambiental propriamente dita, em contrapartida, era inicialmente a satisfação dos objetivos de acionistas, para posteriores, movimento de caridades corporativas até atingir o nível observado atualmente. Segundo Ashley (2005, p.47), as ações das empresas até a década de 70 estavam direcionadas para os acionistas, numa visão clássica de que as empresas deveriam gerar retorno apenas para os acionistas, esta visão foi mudando e passando a direcionar-se às ações para a comunidade e funcionários. Resumidamente, observa-se a cronologia da responsabilidade social, com seus principais autores e idéias, no Quadro 01.

RABELO, N. S.; SILVA, C. E.  PRINCIPAIS AUTORES OU RESPONSÁVEIS ANO OBSERVAÇÕES 1899 – França Estabelecia dois princípios às grandes empresas, sendo eles: princípio da caridade, exigindo que os membros mais afortunados ajudassem os grupos excluídos; e o da custódia, em que as empresas deveriam cuidar e Carnigie, Fundador do conglomerado U.S. Steel Corporation 1919 – EUA Contaria o grupo de acionistas ao investir os dividendos na capacidade produtiva e no aumento dos salários. Henry Ford 1929 – Alemanha Passa a ser aceitável que as empresas, como pessoas jurídicas assumam Constituição da República de Weimar 1953 – EUA Julgar um caso semelhante ao de Ford, porém a decisão foi favorável à doação dos recursos para a Universidade de Princeton, deixando uma brecha para a filantropia corporativa. Justiça Americana Década de 60 – EUA A sociedade se manifesta contra a produção e uso de armamentos bélicos, principalmente armas químicas, o que marca que as organizações não podiam vender mais o que queriam, mas o que os consumidores desejavam. Há também uma grande expansão da literatura relacionada ao tema. Conflito do Vietnã Década de 70 – EUA Os aumentos nos custos de energia e a necessidade de maiores investimentos para reduzir poluição e proteção de consumidores fazem as empresas buscarem ações para maximizar os lucros, deixando de lado as responsabilidades sociais. Novo contexto econômico Fonte: Karkotli e Aragão (2004, p.59-60).

A partir de 2000, as práticas passaram a ser voltadas para os atuais e futuros Stakeholders da empresa (ASHLEY, 2005, p.47). Percebe-se a evolução do conceito e da aceitação das empresas para ações filantrópicas e sociais, a partir das exigências do No Brasil, o tema passou a ser discutido e difundido a partir da década de 60 com a criação da Associação dos Dirigentes Cristãos da Empresa (ADCE), mas essa idéia adiou-se até meados da década de 70 para ser amplamente disseminada. Daí por diante, marcos importantes podem ser destacados como o lançamento do modelo de Balanço Social, por Betinho, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), em 1997. Como também a criação do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, em 1998, A responsabilidade social é um instrumento de gestão que permite à organização desenvolver ações que pretendem minimizar os efeitos que suas atividades causam sobre a comunidade, o meio ambiente, a economia, entre outros fatores. Segundo Ashley (citado por COSTA, 2007b, p.23): (…) a responsabilidade social pode ser definida como compromisso que uma organização deve ter com a sociedade, expresso por meio de atos e atitudes que afetem positivamente, de modo amplo, ou alguma comunidade, de modo específico (…). Assim, numa visão expandida, responsabilidade social é toda e qualquer ação que possa contribuir para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

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A partir desses dados, observa-se que o conceito de responsabilidade socioambiental corporativa não está apenas no âmbito filantrópico, mas torna-se estratégia de sustentabilidade de longo prazo, onde a empresa observa e tenta mudar os efeitos de suas atividades perante a sociedade.

RABELO, N. S.; SILVA, C. E.  corporações têm que aprender a manter o equilíbrio entre a necessidade de obter lucro, obedecer às leis e ser ética. Dentro do contexto da globalização e de novas tecnologias, cada vez mais, os valores éticos vêm influenciando as atitudes das empresas, de maneira Nesse cenário, as empresas buscam inserir-se no contexto da gestão ética visando, em especial, a relação com funcionários e a comunidade. Isso melhora o clima organizacional, pois os funcionários sentem seus direitos respeitados e a imagem da empresa, perante a comunidade torna-se mais atraente. Para que esse processo seja eficiente, é necessário um diálogo entre empresa, funcionários e comunidade, fazendo-se Para Stoner (citado por MAXIMIANO, 2007, p.415) a ética nas empresas abrange outros aspectos além dos retratados anteriormente, e essa abrangência pode ser observada a partir de quatro classificações ou níveis, são eles: nível social (papel, presença e efeito da organização na sociedade); nível do Stakeholder (obrigações da organização em relação a todos aqueles que dependem ou são afetados por ela); nível da política interna da empresa (com seus colaboradores); e nível individual (tratamento com Percebe-se que essas atitudes das empresas não são pautadas em leis, mas feitas porque as organizações sentem a necessidades e a pressão do mercado sob suas práticas. Assim, a ética deve envolver desde as práticas de venda, atingindo seus Para que a ética empresarial seja aderida pela organização, um dos primeiros passos é o estabelecimento de um código de ética. Esse código representa um conjunto de normas de conduta que servem de diretrizes para as tomadas de decisão. Adotar um código de ética não é impor ordens ou mandamentos a seus funcionários, mas fazê-los acreditar e aceitar esses valores, colocando-os em prática. Segundo Ferrel (citado por COSTA, 2007b, p.29), se a sociedade perceber os colaboradores da organização como antiéticos, afetando a capacidade da empresa atingir suas metas, pois quando há discordância com as práticas adotadas pela empresa não se consomem seus produtos ou serviços. Portanto, o código de ética deve descrever valores coerentes com as ações de todos os níveis da organização.

Códigos de ética fazem parte do sistema de valores que orientam o comportamento das pessoas, grupos e das organizações e seus administradores. A noção de ética e as decisões pessoais e organizacionais que são tomadas com base em qualquer código de ética refletem os valores vigentes na sociedade. A ética estabelece a conduta apropriada e as formas de promovê-la, segundo as concepções vigentes na sociedade toda ou em grupos sociais específicos. (MAXIMIANO, 2002, p. 416)

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